Diretor da Braskem admite danos causados pela empresa em Maceió

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Em CPI, Marcelo Arantes afirma que a prioridade foi garantir a segurança dos moradores e toda estrutura para realocação foi oferecida

Marcelo Arantes, diretor global de Pessoas, Comunicação, Marketing e Relações com a Imprensa da Braskem. Foto: Pedro França/Agência Senado

A Braskem tem “culpa” no processo de afundamento do solo ocorrido em diversos bairros da cidade de Maceió, afirmou Marcelo Arantes, responsável pela área de Pessoas, Comunicação, Marketing e Relações com a Imprensa da petroquímica, durante depoimento à CPI da Braskem em andamento no Senado.

Arantes foi o primeiro executivo da empresa ouvido pelos parlamentares após mais de um mês do início dos depoimentos.

“A Braskem tem a sua culpa nesse processo e nós assumimos a responsabilidade por isso”, disse. A petroquímica iniciou a extração de sal-gema na capital de Alagoas em 1976, e os primeiros tremores próximos às minas foram registrados em março de 2018. A mina n°18 operada pela empresa se rompeu em 10 de dezembro de 2023.

Segundo o executivo, a prioridade da empresa após o encerramento das atividades de extração de sal-gema foi garantir a segurança dos cidadãos afetados, além de oferecer a estrutura necessária para a realocação.

“A Braskem tem, sim, a contribuição e é responsável pelo evento acontecido em Maceió. Isso já ficou claro. Não é à toa que todos esforços da companhia têm sido colocados para reparar, mitigar e compensar todo o dano causado de subsidência na região”, destacou Arantes.

Embora o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli tenha concedido habeas corpus para Marcelo Arantes, ele não ficou em silêncio ao longo da oitiva, mas destacou que não seria capaz de discutir questões técnicas.

Entre os temas que ele afirmou desconhecer, estão o faturamento e a margem de lucro da operação da Braskem em Maceió e em Camaçari (BA); as razões de ausência de um geólogo no acompanhamento das ações da empresa; supostos cortes de investimentos entre 2015 e 2017; a suposta prática de “lavra ambiciosa” (que não seguiu o plano preestabelecido, de acordo com resolução da Agência Nacional de Mineração); e eventos de instabilidade geológica em anos anteriores.

“Diante do que aconteceu em 2018 e diante da maior mobilização de retirada de pessoas de uma cidade, qualquer diretor deveria estar por dentro do que está acontecendo e o que aconteceu com essa mina. Me perdoem, mas aqui há uma clara tentativa de não responder aos questionamentos que essa CPI está fazendo”, disse o relator, senador Rogério Carvalho (PT).

A CPI foi criada por requerimento do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para investigar os efeitos da responsabilidade jurídica e socioambiental da mineradora. O colegiado tem 11 membros titulares e 7 suplentes. O prazo inicial de funcionamento é até o dia 22 de maio, podendo ser prorrogado.

As informações são da Agência Senado

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Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

4 Comentários

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  1. Destruição criativa ou capitalismo versão apocalipse?

    Durante muitos anos, a destruição do ambiente, resultante da ação humana na Terra, foi considerada um efeito colateral.

    Com o advento do Capitalismo essa destruição alcançou níveis tais que, todos os períodos anteriores somados não conseguem se equiparar ao lapso de tempo após a Revolução Industrial e a atualidade.

    Fica claro que este modelo econômico está na causa da destruição do planeta.

    Os céticos, ou negacionistas dizem que não há motivos para reclamar, porque, dentre outros benefícios, as mudanças trazidas pelo Capitalismo também tenham conferido um nível médio de expectativa de vida jamais visto.

    Outra falácia estatística.

    Assim como dizer que a renda média per capita do mundo aumentou.

    Ora, se juntarmos a qualidade de vida dos mais ricos e suas rendas concentradas e dividirmos por todos os habitantes, claro, teremos uma média superior aos períodos anteriores, principalmente no tempo médio de vida.

    O que os números não dizem é que há uma brutal e abissal diferença entre ricos e pobres, que coloca esses últimos em níveis da Revolução Industrial, com vida média de 40, 50 anos e renda que só fica um pouco acima dos escravos recém-libertos no século XIX.

    A média subiu porque nunca se gerou tanta riqueza no mundo, mas, ao mesmo tempo, nunca se concentrou tanto essa riqueza.

    Em outras palavras: os ricos elevam a média, e deixam os pobres cada vez mais longe dela.

    Dito isso, não restou quase nada para o Capitalismo expropriar, e o dinheiro acumulado em montanhas de juros, que no jargão marxiano se chama de “capital poça” ou “capital água parada”, começa a cheirar pior.

    Há pouco trabalho, há pouca renda, e muito dinheiro nos fundos.

    O Capitalismo e seus capitalistas, engenhosos que são, partem para uma nova fronteira:

    – O Capitalismo Apocalíptico, operado pelos Oligopólios do Desastre.

    Faz algum tempo que uma comichão me incomoda.

    A repetição de desastres ambientais provocados por “negligência gananciosa” dos capitalistas e suas empresas, levando porções enormes de territórios ao colapso, com a expulsão de milhares ou milhões de pessoas, a inutilização destas enormes glebas de terra, e a necessidade de muito dinheiro (geralmente público) para tentativas de recuperação desses ambientes degradados.

    A narrativa do Capitalismo para os resultados dos danos ambientais sempre foram mais ou menos assim:

    Ou dividem a conta conosco, dizendo que a preservação requer uma consciência individual, naquelas propagandas cretinas do Grupo Globo, Itaú, ONGs e etc.

    E por outro lado, dizendo que é o preço inevitável do progresso, como disseram, por exemplo, no caso do Açu.

    Mal ou bem, esse discurso dava conta de sossegar os ânimos, e colocar tudo como passivo para reparação, que nunca vinha, e quando vinha, é claro, sempre será insuficiente.

    Essa lógica me pôs a pensar.

    E se for mais que isso?

    Eu temo se seja.

    No recente caso da Braskem há suspeitas de que um novo modelo econômico se inaugura.

    Explico:

    Alguns estudiosos do caso e lideranças dos atingidos indicam que a empresa que afundou uma parte valiosa da Maceió, vai ser a grande beneficiada economicamente com o sinistro.

    Cada morador que receberá uma indenização baseada em valores muito depreciados, justamente por causa dos danos causados por quem lhe indeniza, entregando assim um imóvel à empresa, que nada fez para recuperar o solo, mas o fará agora que é dona do bairro todo.

    Resultado:

    Gastará um pouco e mais um nada para obter um território caríssimo na capital alagoana, que depois de incorporado, será vendido novamente a preços exorbitantes.

    O mesmo pode acontecer com o caso SAMARCO, com o AÇU o pessoal do V Distrito, só para citar alguns casos que conhecemos.

    Desse modo, empresas agem com causadoras de impactos ambientais de tal monte que permitem a obtenção de terras a preços que justifiquem a reparação, mas só depois que os atingidos, os antigos donos, venderam as terras a preços desvalorizados pelos desastres ambientais.

    Como OLIGOPÓLIOS DO DESASTRE, a serviço do CAPITALISMO APOCALÍPTICO, essas empresas dominam toda a cadeia do “empreendimento”, desde a atividade propriamente dita, seja mineradora, portuária, etc, passando pela imposição de degradações que tornem as terras ocupadas inservíveis aos moradores, pressionando os orçamentos públicos para auxiliarem na reparação, e depois, adquirindo e revendendo essas terras por enormes margens de lucro.

    Setores extrativistas, latifúndio, logística e fundos financeiros podem ser chamados de 4 Cavaleiros da Destruição, todos trombeteando o Capitalismo Apocalíptico!

    Essa é a nova cara do progresso!

    1. Olá Douglas,

      Muito legal o seu texto e muito bem escrito por sinal! Espero poder ler mais coisas suas.
      Se me cabe um pequeno ponto de vista, embora concordando com praticamente tudo o que você disse, se entendi bem, a única coisa que me ocorreu é que o suposto modo de agir da Brasken, não seria algo necessariamente novo.
      Não estaria per si inaugurando uma nova forma de agir, pelo menos no método. Tentarei explicar melhor: se pensarmos em termos de proporção, com certeza seria plausível dizer que a mineradora inaugura um golpe em proporções – acredito eu – jamais visto na história recente; uma cidade inteira sendo afundada e desapropriada chega a ser surreal, juntando isso a outros golpes recentes ocorridos no país, a gente pode dizer com muita seguranca que a forma predadora de agir do capital estão ganhando contornos cada vez mais imorais, contudo, a ideia de desvalorizar um território para depois lucrar com ele e, com isso, fazendo-se uso de muito dinheiro público, seja para indenizações, revitalizações, criação de programas de acolhimento, enfim, quaisquer motivos, não é algo necessariamente inédito. Feito isso, alcançado os objetivos a base de muito prejuízo às classes mais precarizadas, o capital depois ingressa com algum tipo de empreendimento que intensifica seus lucros. Vou dar um exemplo para ilustrar melhor; a Cracolândia. Um território comprado por grandes grupos empresariais a um preço muito baixo, sob uma suposta ideia de trazer desenvolvimento à região, feito isso, vemos lobbies e congressistas atuando fortemente para retirar de lá os moradores da região em situação de rua e os que sofrem e os adictos, inclusive depreciando o trabalho do Padre Julio Lancelotti. Com isso, espera-se, uma valorização do terrítorio. E o ato de criar meios para geração de expeculação imobiliária. A Brasken, ressalvadas suas especificidades, parece-me ir para o mesmo caminho.

      1. Só um pequeno adendo, o desastre da Vale que soterrou a localidade de Mariana se assemelha.

        No interior do estado do RJ, no Porto do Açu, o maior terminal em operação no país, vastas quantidades de terras foram griladas para as retro áreas, oficialmente, em uma reforma agrária ao contrário, e com a construção dos berços (piers) houve a sanitização por alteração da hidrodinâmica local, com avanço do mar sobre a costa.

        Centenas de pessoas foram arrancadas de suas terras e sua ancestralidade pela raiz.

        A cidade de Presidente Kennedy, ES, está na mira de outro projeto semelhante.

        Nem vou falar de outras atividades com enormes custos humanos, como extração de petróleo, na Bacia de Campos houve mais de 6 mil CAT, comunicação de acidentes de trabalho, nas plataformas, cerca de 40 mortes, entre 2018 e 2022.

        Apurei isso em um inquérito policial, cuja vítima morreu sufocada em próprio sangue, porque suas costelas quebraram por causa de 1 h e 30 min de manobras de ressuscitação.

        Conclusão:

        A atividade fica a 3h, em média de vôo, somadas ida e volta até o continente, e se a vítima não morresse de trauma, morreria de PCR.

        Nem partida de futebol se faz mais sem socorro próximo.

        A mais rentável atividade extrativista do mundo não pode usar o custo como desculpa para não ter hospitais navio perto de seus trabalhadores.

        Enfim, é isso.

        Gente e ambiente indo para o ralo.

        Os ultra ricos dos fundos não precisam mais de gente, nem de ambiente para reprodução de riqueza.

        Parece uma versão muito mais trágica da Matrix, porque não tem verão Reloaded.

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