Sobreviventes de experimentos nos anos 1940

Por Vânia

Do Globo.com

Guatemala encontra sobreviventes de experimentos humanos nos EUA

WASHINGTON – O governo da Guatemala encontrou cinco sobreviventes de um projeto de pesquisa do governo americano sobre doenças sexualmente transmissíveis que matou dezenas de guatemaltecos, informou a rede de TV americana CBS. Uma comissão do governo revelou nesta segunda-feira novos detalhes dos experimentos realizados na Guatemala nos anos 40, incluindo a decisão de reinfectar uma mulher à beira da morte num estudo sobre sífilis.

Os cinco sobreviventes serão levados para a Cidade da Guatemala para passar por exames médicos a fim de determinar se eles sofreram efeitos adversos após os experimentos.

O projeto já era considerado um dos episódios mais obscuros da história da pesquisa médica dos EUA, mas a comissão afirma que os novos dados revelam que os pesquisadores eram extraordinariamente antiéticos, mesmo se for levado em conta o contexto histórico.

– Os pesquisadores colocaram seu próprio avanço médico em primeiro lugar, e a decência humana em segundo – afirmou Anita Allen, membro da comissão.

De 1946 a 1948, o Serviço de Saúde Pública dos EUA e o Escritório Sanitário Pan-Americano trabalharam com várias agências de governo da Guatemala para fazer pesquisas médicas – pagas pelo governo americano – que envolveram a exposição deliberada de pessoas a doenças sexualmente transmissíveis.

Os pesquisadores estavam tentando ver se a penicilina, relativamente nova na época, poderia prevenir infecções nas 1.300 pessoas expostas à sífilis, gonorréia, e outras doenças. Entre os infectados, estavam soldados, prostitutas, prisioneiros e doentes mentais com sífilis.

A comissão revelou segunda-feira que apenas cerca de 700 infectadas receberam algum tipo de tratamento. Além disso, 83 pessoas morreram, embora não esteja claro que as mortes estivessem diretamente ligadas aos experimentos.

Luis Nassif

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