18 de junho de 2026

São Paulo e o avanço do crime organizado na PM, por Luís Nassif

A cada denúncia vem a resposta padrão de que o militar foi afastado de suas funções e está sendo investigado.
Foto: Montagem Jornal da USP

Algumas observações sobre as investigações das relações entre Policiais Militares paulistas e o PCC.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

  1. Pela primeira vez, há uma ação objetiva da corregedoria da PM paulista. E por uma razão simples: se não mostrar seriedade na apuração, entra em cena a Polícia Federal, e aí a PM perderá para a PF controle sobre os desdobramentos das investigações, o teor das delações premiadas etc.
  2. Os principais acusados pertencem ao ROTA, a brigada barra pesada, da qual o membro mais ilustre e sangrento é o próprio Secretário de Segurança Guilherme Muraro Derrite, o Capitão Derrite, com quase duas dezenas de mortes conhecidas – e não apuradas – nas costas.
  3. O delator Antônio Vinícius Gritzbach foi assassinado dias depois de prestar depoimento sigiloso à própria corregedoria.
  4. Até hoje não se sabe da punição de um único PM acusado de assassinato ou violência contra cidadãos. A cada denúncia vem a resposta padrão de que o militar foi afastado de suas funções e está sendo investigado.
  5. O governador Tarcísio de Freitas pertenceu a um governo com relações estreitas com o crime organizado do Rio de Janeiro.
  6. Até hoje não foram esclarecidas as circunstâncias do episódio de 17 de outubro de 2022, que levou à morte de Felipe Silva de Lima, de 27 anos, em Paraisópolis, em comício de Tarcisio. A investigação conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que não foi possível determinar de qual arma partiram os tiros que vitimaram Felipe. Testes balísticos realizados nas armas dos policiais presentes não foram conclusivos. O inquérito foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público para as devidas providências. 
  7. Em março de 2024, o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou dois jornalistas por supostamente divulgarem informações inverídicas relacionadas ao tiroteio. O promotor Fabiano Augusto Petean alegou que as reportagens continham informações inverídicas que poderiam prejudicar a campanha de Tarcísio. Ao mesmo tempo, membros da equipe de Tarcísio solicitaram a um cinegrafista da Jovem Pan que apagasse imagens do tiroteio. Jornalista da Folha que publicou a notícia também foi alvo de denúncia de Petean. Posteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) trancou os inquéritos abertos pelo promotor Petean.

A gestão Derrite-Tarcísio passou incólume pelo assassinato de dezenas de jovens de periferia. A rotina de assassinatos esbarrou, agora, no assassinato de um jovem estudante de medicina, filhos de pais médicos e de uma mãe imbuída do sentimento da indignação cívica.

O assassinato de Gritzbach começa a expor as vísceras do esquema criminoso que se infiltrou na PM paulista, em uma quadra da história em que o PCC se tornou uma força econômica pujante, infiltrando-se nas corporações públicas e nas prefeituras municipais.

É preciso lupa nas investigações conduzidas pela corregedoria da PM, para que não fique apenas na arraia miúda cooptada pelo PCC.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

6 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Mário Mendonça

    17 de janeiro de 2025 12:16 pm

    Mouro, tu escreveu que Derrite era do BOPE! ELE não era da ROTA? Abração.

  2. Jota!!!is!!!Drug!!!

    17 de janeiro de 2025 3:35 pm

    NÃO ESCREVE ISSO NASSIF,EU FICO MUITO ASSUSTADO IGUAL A UM VELHINHO!!! Obs.:Pois é, muita quadrilha fardada querendo tomar o domínio dos civis no mercado bilionário das drogas !!!

    1. Celso P. Pimenta

      17 de janeiro de 2025 5:38 pm

      A PM, que nunca deveria ter existido, precisa ser extinta o quanto antes.

  3. Cidadadao sem cidadania

    17 de janeiro de 2025 4:50 pm

    Tem o mesmo avanço na Guarda municipal, veja a 3 mês fli desmontada na região central um grupo de guarda que dava guarita Para o traFico na região, tem reportagem, se possível nassif poderia colocar no seu site, e sem falar que guarda hoje age como Outro polícia militar, e hoje o prefeito age como um imperador, a Pergunta que fica é, se ja tem problema na polícia militar e civil, porque deixa ou fazer mais uma polícia no caso dos guardas? Faz sentido deixar guarda agir como polícia? Qualquer pessoa aqui na periferia vai falar que nao, porque o governo deixa? Porque fazer outro problema sem solucionar os outros?

  4. JOEL PALMA

    17 de janeiro de 2025 6:32 pm

    A decadência da PM paulista avançou nos governos do PSDB, inclusive com Alexandre de Moraes não SSP do estado.

  5. Theo

    17 de janeiro de 2025 7:51 pm

    Leia-se ROTA em vez de BOPE. Na verdade, Nassif, esse papo de PCC como organização profissional serve para mascarar as propinas que deambargadores, juizes, promotores, políticos e policiais recebem para deixar o grupo criminoso trabalhar. Some a isso a cooperação com empresários e verá que o PCC só cresceu porque sustenta muito salafrário no nosso estado.

Recomendados para você

Recomendados