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A enchente do Rio Acre

Nassif, o blog precisa falar sobre.

O Altino Machado faz uma cobertura importante e hoje a Marina Silva escreveu um artigo na FSP.

http://www.flickr.com/photos/fotosdoacre/sets/72157629439974353/

 

http://altino.blogspot.com/2012/02/cheio-ate-tampa.html

 

 

SEXTA-FEIRA, 24 DE FEVEREIRO DE 2012

 

CHEIO ATÉ A TAMPA

Marina Silva

 

Tenho tentado ajudar familiares e conterrâneos numa situação dramática que hoje vou ver de perto: a enchente do rio Acre, que já alcançou quase a marca histórica de 1997. Agora, com mais pessoas atingidas, devido ao crescimento urbano sem planejamento.

 

Entre as pessoas afetadas estão membros da minha família. Meu pai, com 80 anos, como a maioria das pessoas de sua idade, recusa-se a sair de casa, cuja palafita mandou aumentar para que ficasse acima da marca alcançada pela água em 1997. Vizinhos, como dona Antônia e dona Alzira, e minha irmã Doia, que também moram em casas altas, permanecem no local. Minha irmã comprou uma canoa e, com meu sobrinho Eudes, dedica-se ao trabalho de ajudar os desabrigados.

 

Consigo imaginar a aflição das milhares de famílias no Acre e em vários outros Estados, que olham para o céu indagando quando vai parar de chover ou quando chegarão os recursos prometidos. No caso do Acre, nem tanto: o esforço do governo estadual e das prefeituras, com a ajuda do governo federal, criou uma estrutura para abrigar com segurança e socorrer com rapidez.

 

Admirável tem sido a mobilização da sociedade e do intenso voluntariado. Os órgãos públicos teriam muita dificuldade para acolher todos.

 

Na Amazônia, temos uma dádiva, que é a floresta. Em Rio Branco, a situação é mais grave justamente porque é o trecho onde o rio Acre perdeu a maior parte de sua mata ciliar e a subida das águas não tem contenção. Ainda assim, é mais lenta que em outras regiões. Na planície, a água se espalha mata adentro. Em regiões de relevo mais acidentado, sua rapidez e sua força provocam tragédias irreparáveis.

 

Mas há outro fator adicional, expresso numa palavra muito usada para descrever as melhores práticas de sustentabilidade: resiliência. Essa espécie de teimosia faz com que as pessoas inventem novos modos de conviver com a natureza em mudança e lhes dá capacidade de resistir, adaptar-se e, se necessário, mudar. No caso dos acreanos, sua base é o amor pelo rio que inunda as casas mas que provê os recursos essenciais à vida.

 

Ao brasileiro não falta solidariedade, nem amor à natureza e resiliência para suportar seus rigores. O Estado e seus dirigentes poderiam aprender essas lições, para distribuir com justiça os recursos e promover adaptações necessárias a este novo tempo de extremos.

 

Hoje abraçarei meu velho teimoso e, caso o rio tenha subido, tentarei convencê-lo a ir para a minha casa, onde o igarapé São Francisco chega perto, mas não entra.

 

PS: Campanha Acre Solidário (doações para os atingidos), Banco do Brasil, ag. 0071-X, conta-corrente 100.000-4, CNPJ 14.346.589/0001-99.

 

Marina Silva escreve às sextas-feiras na Folha de S. Paulo

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O drama é a exploração que estão fazendo disso para desgraçar os governos petistas quando todo mundo sabe que enchente é a coisa mais natural do mundo e que a polícia não pode ficar parada quando uma turba resolve derrubar uma ponte.

 

Visão distorcida de uma amadora entre tantos. As cheias desses rios e de outros sempre existiram. O que mudou foi a ocupação urbana  sem criterios e ai não tem governo que resolva. Ja houve tempo em que os planejadores ( durante o periodo da ditadura militar) queriam impedir essas ocupações a ferro e fogo mas a realidade se impôs e os pobres foram se instalando onde podiam e agora sofrem as consequências.

Se Marina Silva fosse coerente estaria combatendo a utilização predatoria dos recursos da Amazonia pelas empresas e empresarios entre os quais varios apoiaram sua candidatura para desestabilizar a candidatura Dilma.

Se quisermos enfrentar esse problema das enchentes uma solução que da certo ( em todo o mundo que se desenvolveu foi assim) é preciso construir represas para conter as aguas e gerenciar as vazões dos rios (Porto Alegre sofria cheias catastroficas nos anos de 1940 que nunca mais se repetiram com as barragens nos rios, a montante. Só para citar um exemplo entre centenas de outros mundo a fora) 

Esse pessoal que faz campanha contra o progresso material precisa aprender muito ainda e perder a arrogância escondida em ecologismo de almanaque.

 

 

 

pensamento de engenheiro burro! por eles a terra seria toda cimentada para se transformar num grande  "ürbano". o referencial teorico destas pessoas é o mundo que se des- envolvel da naturaza. Aquele mesmo mundo que hoje esta a beira da falência e que há anos se apoia em guerras contra os não (des) envolvidos para tentar um novo folego. é melhor lêr isso do que ser cego!

 

A enchente na capital acreana, Rio Branco, em vídeo:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=puIhdrfPewo&noredirect=1