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A não-etiqueta das redes sociais

Coluna Econômica

Muito se tem falado sobre as virtudes das redes sociais. De fato, elas ajudam a criar um novo tipo de indivíduo-cidadão.

Antes da Internet – e das redes sociais – o cidadão médio limitava-se a participar da vida pública apenas nas eleições. No intervalo delas, conformava-se em ler jornais (os mais bem informados) e no máximo participar de discussões no trabalho ou no bar.

A Internet conferiu um protagonismo até então inexistente. O cidadão pode apoiar ou rejeitar mensagens (com o botão Curtir), difundir mensagens que goste e até colocar suas próprias opiniões em grupos de discussão ou de relacionamento.

Nas empresas, as redes sociais possibilitaram enormes ganhos de sinergia, relacionamento, aparecimento de novas ideias, aperfeiçoamento de processos.

***

Mas nos grandes ringues públicos – Facebook, Twitter, Orkut – o jogo é outro.

Nos anos 90, quando surgiu o fenômeno das salas de chat, muitas pessoas entravam anonimamente nas salas e faziam, ali, o que não ousariam fazer em público ou onde pudessem ser identificados. Brincadeiras, cantadas, agressões, tudo era permitido.

***

Quando as redes sociais ganharam ímpeto, os personagens, antes anônimos, passaram a ser identificados. Pensava-se, então, que a etiqueta na rede seguisse aquela vigente nas relações presenciais. Coisas simples, do tipo: não ofenda uma pessoa de cujas ideias discorde; não agrida verbalmente ninguém; comporte-se com educação.

Especialmente em períodos eleitorais, nas redes sociais impera virulência em níveis inacreditáveis, independentemente da classe social, formação escolar ou nível intelectual. É um vale-tudo fantástico.

Mais que isso. Nas modernas sociedades democráticas, uma das características do indivíduo é o individualismo, o isolamento. Os clássicos do estudo das democracias já captavam, ainda no século 19, essas características no chamado homem médio.

Primeiro, uma insegurança em relação à posição social ou financeira, fruto da mobilidade social que caracteriza regimes democráticos – e que tendem a se agudizar em períodos de grandes transformações, como os que passamos.

A insegurança provoca nele um conservadorismo terrível, que o faz reagir contra ameaças de perda de status ou da condição financeira – presentes na ascensão de novas classes sociais. Foi assim nos EUA do século 19 e é assim no Brasil do século 21.

Uma das maneiras de romper o isolamento, e se sentir mais fortalecido, é seguir o chamado “efeito-manada”, o sentimento que julga ser preponderante na maioria. Em grau menor, até algum tempo atrás essa homogeneização do pensamento era proporcionado pela chamada grande mídia, ao vocalizar valores que, pelo efeito-manada, acabavam preponderantes no universo da chamada opinião pública.

***

Com as redes sociais, esse mundo homogêneo fragmentou-se. Agora, cada indivíduo pertence a um grupo – como torcidas organizadas– e os mais rústicos e despreparados apegam-se ao grupo como se fosse seu universo único, agredindo todos de quem possam divergir.

Espera-se que seja uma fase passageira, fruto da infância das redes sociais. Mas que assusta, assusta.

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Nossa!

Excelente análise da novidade-problema que é a Rede Social.

Parabéns! Muito pertinente sua crítica, Nassif.

 

O problema não é apenas do anonimato nas redes sociais, mas da SOCIEDADE brasileira, deformada por meios de comunicação interativos e oligopolistas.

Os blogs portugueses são mil vezes mais educados, ponderados, úteis.

O Brasil é o reflexo de sua mídia.

Que não é sua.

É também o reflexo da descomunal concentração de renda, de terras, de cultura.

Não é um país de castas, mas de casta, única.

"Eu tenho, você não tem".

De sua Justiça, que borda e pinta o sete, é a casta da casta.

Ou de seu Congresso, que legaliza os interesses da casta dominante.

Enfim, não é a internet a única responsável.

 

Esse iria gostar das redes sociais...

 

"o mundo é um saco de merda se rasgando. não posso salvá-lo."

 

Quem fomenta estas coisas, são alguns bloqueados cerastas revistas.

 

As redes sociais sempre foram muito boas para mim.

Eu conheci minha esposa pela internet! rsrsrs!

 

"o mundo é um saco de merda se rasgando. não posso salvá-lo."

 

Tem até os blogueiros 'do bem' que, ante uma crítica civilizada de um membro cadastrado vai e... censura ! Veja a tela capturada:

Re: A não-etiqueta das redes sociais
 

Se censura, esta no seu direito. Este espaço é privado. Na sua propria casa um homem é soberano.

 

Prezados, agora falando sério: precisamos maneirar, porque o clima de ódio nas redes sociais já está por demais acentuado para que coloquemos mais pimenta no vatapá.
Acabo de tomar conhecimento de que tucanos criaram um SITE FALSO do Fernando Haddad. O Poder Judiciário determinou ao google que retire o site do ar imediatamente. Sabe-se, e sobre isso não há contestação, que a primeira pessoa a divulgar o blog no Twitter foi Olivia Guariba, que atua no suporte da internet na campanha do Serra. A segunda, foi seu pai João Guariba, assessor do senador Aloysio Nunes Ferreira.
O que é que há, moçada? Perderam as coordenadas de vez? Tá todo mundo louco?

 

Pois é, Sr. Nassif, tudo o que o senhor falou é a mais pura verdade, eu bem o sei.

Acesso a Internet regularmente desde 1995, ano em que o UOL foi lançado, dizem, como projeto capitaneado pelo Caio Túlio Costa, ex-ombdusman da Folha de São Paulo e famoso pelo imbróglio envolvendo o Paulo Fracis, em 1989, que resultou na saída de Francis da Folha para o Estado de São Paulo.

Conheço suficientemente bem o ambiente virtual da Internet brasileira ao longo de todo este tempo para afirmar que o senhor está coberto de razão em sua análise, principalmente em relação aos comportamentos agressivos observados nos fóruns de discussão e nas redes sociais com quem diverge da opinião reinante.

Eu sei bem disso porque já fui alvo inúmeras vezes de ataques mais destemperados. No entanto, calejado que sou, não ligo a mínima mais para isso. Durante um tempo inicial, pela falta de costume de lidar com aquela situação, eu chegava a ficar pessoalmente incomodado. Hoje, não mais.

 

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a justiça." Henry Louis Mencken.

O fato é que as Redes Sociais cria uma sensação de proximidade entre os usuários. E isso gera um sentimento bairrista dos anos 70', 80', por exemplo, em que garotos se gradeavam com seus vizinhos no intuito de marcar território. Devido ao compartilhamento de informações pessoais, as pessoas agem como se fossem todos, se não amigos, no mínimo conhecidos. E, contudo acreditam que podem baixar o nível quando contestados da mesma forma que fazem num ambiente comum, como num campo de futebol, clube, danceteria ou num boteco.

 

@naldovalenca

Prezados;

 

Eu havia acabo de ler o comentário do Nassif quando me deparei, embasbacado, com a notícia segundo a qual Soninha Francine valeu-se da internet para, em espaço seu, chamar de "filho da puta" (foi a expressão que ela usou) o candidato Fernando Haddad.

Não vou comentar, tamanho é o choque que me causa o desvario.

Apenas registro minha compreensão quando Nassif diz que tanta agressividade "assusta". 

O que se passa com essa gente? Há um passado digno que identifico na Soninha...que loucura é essa?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sou mais ou menos recem chegado nessa forma de comentar o que se escreve. Ainda acho que é um espaço eficaz para se dar uma opinião mas confesso que a leitura da maioria dos comentarios se torna cansativa e repetitiva. Alguns comentaristas assíduos dizem sempre a mesma coisa e duelam com os adversarios de suas ideias como se estivessem em um botequim. Isso empobrece o debate para os outros.

Acho que um certa edição por parte dos jornalistas ( mesmo sabendo que sera sempre tendenciosa) tornaria o debate mais interessante e rico para os leitores que querem se informar melhor.

Uma coisa é um "chat" onde o internauta expõe seus demonios ao público e "xinga a mãe do juiz". Outra, deveria ser a forma de se publicar os comentarios em um blog como esse. Depois de algum tempo perdi o interesse nos comentarios e só leio as materias. Não sou aposentado que precisa matar o tempo e se fosse o caso melhor seria entrar no YouTube para assistir uma dessas óperas de Handel que nos cativam mais e mais e nos fazem mais "civilizados".

 

 

 

 

 

 

 

Nassif, seria interessante você fazer uma análise com relação aos comentários no blog.

O que representa eles para a sua informações quando a opinião pública sobre deetermindo assunto.

Ao escrever, você leva em conta os comentários?

Acredito, que não só eu, mais todos gostaria de sabe o que representamos.

 

Antonio Lyra Filho

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/32069/

Outro Olhar. Perigo. Redes Sociais. No link.

 

Acho que isso é um exemplo de maturidade das redes sociais. O Serra está levando o PSDB para uma profundeza onde nenhum partido jamais chegou.

 

https://www.facebook.com/gustavo.meguru/posts/483106198377204

 

 

 


         Além de ético ,sou tbm comunitário.

HAUAUuhahahHAHAHHhahahHAHAHAHhahah

 

Podem chamar-me de atrasado, cafona, retardado até, mas eu não entro nessa de rede social em hipótese alguma. Desde que eu li que o Facebook e o Twitter são ferramentas de espionagem dos norte-americanos, que eu me eximi de participar em bem da minha liberdade. E me convenci mais ainda quando agora há blogs que tem comentários de usuários de redes sociais. A gente clica no nome e fica sabendo até a ideologia da pessoa. Todos os dados aparecem e a gente toma conhecimento também dos nomes dos amigos, dos sites que a pessoa procura.

Bem que minhas irmãs Tânia e Adriana me convidaram para participar. Pedi a dois sobrinhos filhos de outras duas irmãs, que agradecessem a elas a deferência mas que lhes dissesse que essas modernidades não são para mim. Aliás, eu apanho até do meu celular já obsoleto. Foi uma luta para conseguir colocá-lo do silencioso para o normal.

Participar em redes sociais não é para pessoas que não sabem se conter, e acabam pagando tributo à asneira, como eu próprio, me aponto como exemplo de comentarista que escreve besteiras. Então, eu tenho de ter noção das minhas limitações, pois uma asneira que você escreve só sairá da net se o blog ou site onde você escreveu for tirado de circulação. 

 

Essa é a Soninha, lindinha, meiguinha, docinha, educadinha, civilizadinha, que decidiu apoiar o Serra no segundo turno e, democraticamente, faz uso do seu blog para expressar suas opiniões legítimas e contrárias ao Haddad.

Ela chega a usar de expressões demasiadamente refinadas, que confesso eu não conheço bem, mas o importante é que sempre, claro, ela se mantém na linha do respeito...

 

http://gabinetesoninha.blogspot.com.br/2012/10/sem-fim.html

 

 

Re: A não-etiqueta das redes sociais
 

Penso que, em uma sociedade politicamente desorganizada, posturas infundadas e passionais são regra, sejam de pessoas isoladas ou pequenos grupos, em contextos reais ou virtuais. Tendemos a omissão ou supercialidade das causas e bandeiras, pq ainda somos contaminados historicamente pelo individualismo e pelo condicionamento da grande mídia. Ainda tentamos reproduzir na vida o que vemos na tv, nas revistas e nos grandes sites. A grande mídia ainda determina a nossa vida, o padrão de comportamento socialmente aceitável, e não o contrário, como deveria ser. E é isso que postamos nas redes sociais, nosso comportamento ainda é de um limitado protagonismo e liberdade de expressão. A censura implícita da grande massa ainda existe, e acaba por ignorar ou condenar sempre que alguém assume corajosamente um pensamento diferente da maioria. A democracia das redes sociais se restringe apenas ao acesso, mas não alcança verdadeiramente a liberdade de opinião. Penso que não estamos apenas na infância das redes sociais, estamos na infância da organização social, e a primeira nada mais é do que o reflexo da segunda.

 

Nassif, não achei email ou lugar para postar mensagem para seu blog, então escrevo por aqui.

Nassif, em plena enxurrada de (des)informação sobre o final de Avenida Brasil, para saber quem matou quem, estamos em um grupo tentando mobilizar as redes sociais para colocar em pauta essa questão gravíssima dos índios Guarani-Kaiowás que estão prestes a cometer um suicídio coletivo (mais informações no link) Conseguimos alguns compartilhamentos e amigos que iam falar sobre o assunto, tentar colocá-lo em pauta. Seu blog é muito lido e suas palavras sempre são exclarecedoras e lúcidas. Você sempre publica assuntos de extrema importância nacional e que muitas vezes não têm a visibilidade merecida na grande mídia. Peço para que dedique um artigo sobre esse problema, sobre essa eminente possibilidade de suícido coletivo, por favor. Grande abraço!

http://blogapib.blogspot.com.br/2012/10/carta-da-comunidade-guarani-kaio...

 

Os macacos continuam os mesmos. Fazem alianças, coçam as costas uns dos outros e massacram os “inimigos”.
Quem se der o trabalho de estudar Etologia verá que os humanos são mais símios que qualquer outra coisa.
Com exceção da linguagem, que os torna mais tagarelas e nem por isso mais inteligentes, comportam-se exatamente como nossos primos chimpanzés, gorilas e bonobos.
Repetem, por ignorância de sua própria natureza, o mesmo comportamento simiesco e tribal de afagar seus pares enquanto combatem seus adversários. Grupamentos genéticos semelhantes, graus de parentesco agregam ou afastam os macacos.
Evoluímos.
 Hoje nos agregamos em nossas igrejas, nossas ideologias, nossas academias e todas as nossas outras crenças tribais sofisticadas que compartilhamos, mas não deixamos de execrar o diferente, o dissidente, o herege. Emocionalmente, rejeitamos o que contesta nossas amadas crenças e nossos interesses, com seus respectivos e derivados laços tribais.
Sejam quais forem - partidos políticos, religiões, times esportivos, clubes ou profissões - as identidades culturais de qualquer ordem reforçam estes laços. Nosso conforto emocional primata, de coçarmos as costas e alisarmos as crenças uns dos outros, está na raiz de nossas guerras mais brutais, mais racionalizadas e mais destrutivas. Mesmo quando nosso sofrimento é excruciante pela perda do que amamos, justificamo-lo como o sacrifício necessário que temos que pagar para garantir a integridade de nossas ilusões.
Sacrificamos tudo porque não aceitamos a consciência de que somos apenas macacos ignorantes que desceram das árvores para trepar, ambiguamente, uns nas costas dos outros. Prontos para amar, prontos igualmente para matar.
Traiçoeiramente.
 Este comportamento primata podemos verificar na maior Ágora jamais vista, a internet. O que nos conecta apenas acaba por nos dividir ainda mais em tribos cada vez maiores de acordo com nossas falsas necessidades de segurança e conforto, de conveniências e interesses.

Nos fóruns da internet, o eterno retorno do macaco que se imagina super-homem. E o símio digitaliza e universaliza sua estupidez. 
Admirável mundo velho.

 

Céus, que reduçao à biologia do que é de natureza sócio-histórica. E além disso com um erro de base: chimps sao maquiavélicos e agressivos, bonobos nao, sao super cooperativos e amistosos. 

 
 
 

Macacos me mordam! Oh wait!

 

Falou, Zaratustra.

 

Confesso que já fui crítico ácido das chamadas redes sociais. Fruto, talvez, da minha dificuldade de não acolher o fútil, os esnobismos, auto-ajuda(arg!), a pregação moralista religiosa, a linguagem telegráfica e as agressões costumeiras a "ultima flor do Lácio".

Felizmente, depois do internamento por sessenta dias numa clínica especializada em "redeofobias", hoje minha visão crítica esmaeceu um pouco. Em resumo: entrei no jogo.

Eis o grande paradoxo da pós-pós....modernidade: o indivíduo reduzindo cada vez mais suas interações pessoais ao tempo em que passa a se integrar em comunidades virtuais  sem fronteiras, nas quais a afetividade cede lugar ao impulso de fundo egocêntrico de "mostrar-se ao mundo".

Sou ainda do tempo em que ainda  vicejava uma sociedade "primitiva" com relação a essa. A simplicidade, a incipiente - quase inexistente - disponibilidade de bens de consumo duráveis, os valores ditos morais, os excessos de "espaço", impulsionavam automaticamente para a sociabilidade, as interações pessoais, o companheirismo, a cumplicidade nas alegrias e tristeza; enfim, a sublimação do sentimento de pertencer a uma família, a um grupo, comunidade, num sentido totalmente diverso do que hoje permeia essas chamadas redes sociais.

Coisas prosaicas como as cadeiras nas calçadas, hábito em todas as residências; os gostosos papos nas pracinhas; a comunicação via postal(pense numa alegria quando o carteiro trazia as correspondências de parentes, de amigos e, principalmente. dos amantes e das amantes!); o futebol no "estádio" municipal(mais para um campo de futebol); o cineminha(em preto e branco); as festas religiosas e suas quermeses; os bailes de formatura pelo término do "ginásio" e do "ensino normal"....

Sim, erámos mais juntos, mais solidários, mais amigos(mesmo!) e, principalmente, mais felizes. Entretanto - eis um detalhe singular com relação ao contexto atual - todo esse aconchego não implicava de modo algum na perda da intimidade, da censura, da discrição. Ninguém saí aos quatro ventos expondo fotos de família ou de bens de uso pessoal; o narcisismo era quase zero se comparado ao de hoje.

Mas não quero ser um Ned Ludd da cibernética. A marcha do progresso, da evolução, é inexorável. Há, sim, vantagens nesse novo contexto de interações "pessoais" mediadas pela tecnologia e desprovida de valores de fundo e impulsionadas por instintos mais vulgares e de objetivos difusos. A principal delas é a prevalência da visão "não-local" , o sentimento de universalidade e de - vá lá que seja - congraçamento da espécie humana.

A que isso nos  levará por enquanto não sabemos.

 

 

 

Perdoe-me por discordar em parte. Não tive estômago para permanecer em algumas redes sociais tipo orkut, messenger, facebook, twitter. Cancelei todas as inscrições, depois de uma breve tentativa. É possível que tenha, eu também, de passar por um tratamento adequado.

Claro, participo de alguns blogs com os quais me identifico, como este do Nassif. Mas parece-me que são coisas bastante diversas. Há, aqui uma certo padrão homogêno, uma maturidade, um outro nível de debate.

 

PQP!Bôca falou, c.........pagou!Fui criticar as agressões à "ùltima flor do LÁCIO" e escrevi "última flor do LáScio". Ainda bem que ninguém reparou; ou se reparou não quis me repreender. De qualquer modo, já editei o texto. Grato pela compreensão(de sempre).

 

Só para te dar um "puxaozinho de orelha" por ficar dando tanta importância a essa bobagem: também tinha feito um erro de crase que nao corrigiu... (rs, rs, mas pense nisso; ninguém sabe mais todas essas regretas de m., mas todo mundo acha que os outros sao ignorantes...; tudo isso é bobagem pura, e elitismo tb). 

 

Por mais que me assuste com certas coisas das redes sociais, como mocinhas aparentemente bem educadas conclamando para que se afogue nordestino, acho que mesmo nesse caso é salutar.

Sem o twittwr por exemplo, não saberíamos a quanto anda a intolerância boçal e irracional de nossa elite. O que nos pouparia do desgôsto, mas ela continuaria lá, e pior, nas novas gerações.

Só mesmo escancarando as mazelas da sociedade à luz do dia, para encará-las de frente

 

Juliano Santos

Quanto ao vídeo???

 
 

Nos anos 90, quando surgiu o fenômeno das salas de chat, muitas pessoas entravam anonimamente nas salas e faziam, ali, o que não ousariam fazer em público ou onde pudessem ser identificados. Brincadeiras, cantadas, agressões, tudo era permitido.


***


Quando as redes sociais ganharam ímpeto, os personagens, antes anônimos, passaram a ser identificados. Pensava-se, então, que a etiqueta na rede seguisse aquela vigente nas relações presenciais. Coisas simples, do tipo: não ofenda uma pessoa de cujas ideias discorde; não agrida verbalmente ninguém; comporte-se com educação.


Mas não via em chats, IRC, fóruns ou mesmo nas antigas redes de mensagem das BBSs (onde era comum a identificação) essa virulência (ou falta de noção) que vemos hoje em certos espaços virtuais "modernos". Não dá para restringir a a análise do "mundo virtual" às salas de chat de cidades e paqueras do século passado. Então, não me parece correto essa ilustração de que faltou amadurecimento e a compreensão de que aqui é extensão e parte da vida real e não um "mundo virtual".


Nos EUA existe referência ao "Eternal September" (http://en.wikipedia.org/wiki/Eternal_September), momento em que a Internet começou a se popularizar rapidamente, trazendo um grande fluxo de pessoas novas  que desconheciam ou não foram orientadas sobre conceitos como "Netiqueta" (http://tools.ietf.org/html/rfc1855). Indo um pouco além do tema, muitos dos problemas de segurança bancária envolvendo Internet ocorrem somente porque os bancos não dão nenhum tipo de orientação de como usar os serviços com segurança ou deixar claro que não mandam e-mails para clientes. De que maneira os provedores de serviços online orientam seus clientes, se é que orientam?


Cabe perguntar, como as escolas, sejam elas públicas ou privadas estão lidando com a Internet. Se simplesmente tratam como uma ferramenta que os alunos devem (já) saber usar ou se tratam como uma parte do mundo que deve ser explicada no processo de ensino.


E nos lares, como a coisa tem funcionado? Imagino que tem muito lar onde os filhos são a primeira geração que tem contato com esse admirável mundo novo. Quais são as consequências dessa nova realidade? Ontem mesmo, estava lendo sobre um caso (lá fora) que acabou em suicídio de uma menor.


Não acho que o problema resida necessariamente nas redes sociais, e sim nos espaços "semi-privados" que não são devidamente moderados. Pois onde há algum tipo de moderação, normalmente existe algum controle, mesmo que não seja perfeito. Talvez a situação tenha começado com parte dos grandes veículos de comunicação que entraram na rede. Digo parte, pois não vejo 1% do que vejo de "problemático" nos comentários da Folha (só para citar um exemplo bem conhecido) na Zero Hora, do grupo RBS (aqui do RS e de SC).


Por fim, seria interessante, fazer um mapeamento do "saneamento digital", pois não me parece o caso de generalizar e dizer que tem "esgoto" em qualque espaço normalmente vinculado ao PIG pelo "lado de cá". Ou mesmo, comparar um espaço de comentários em sites de grupos de mídia regionais e nacionais com os de um NY Times, Washington Post, BBC, etc.

 

Parabéns pela análise certeira suscinta e profunda.

 

Danilo Caser

Oi Nassif e todos,

É o ser humano real que está na internet e, na vida real, é a não-etiqueta que ainda prevalece. As divergências não são respeitadas, as pessoas não pensam para discutir, há falta de educação. Quem não se encaixa na maioria e é dono de sensibilidade mais aguçada faz o quê?? Alguém pode me responder?

A nação não está unida, e como se resolve isso? Nas terapias individuais, no psiquiatra, pois em grupo, jamais. Ainda não se pode demonstrar fraqueza, fragilidade, sabemos que todos sofremos e temos imensos problemas, mas quase ninguém tem coragem de demonstrar e assumir.

O quê se faz com quem não concorda com o que está estabelecido? Geralmente, se isola, rejeita, deixa à margem.  Tudo parece muito bonito na internet, são muitas fotos, exibições, acúmulo de amizades, todos altamente bem relacionados. Ilusão!

Eu fico procurando pelas pessoas que assinam abaixo-assinado na internet, cartas de adesão em favor de algo ou alguém, defendendo uma causa...um pequeno exemplo é quando você tenta entrar em contato com algo com que se identifica pela rede. Quase ninguém te responde, quando responde é frio, seco, distante.

Nas ruas, festas, empresas, reuniões de trabalho, há uma sensação de tudo ser perfeito. Não é o que dizem os consultórios, as pesquisas sobre suicídio ou tentativas, os centros de saúde.

Até quando a humanidade irá representar um papel? Quando irão acordar para ver que precisamos de inúmeros centros de conviência, colaboração, solidariedade, para enfrentar e dar conta do sofrimento diário? Não há diversidade de oportunidades para todos, nem abertura suficiente para inclusão dos diferentes. Nem na internet aqueles que são semelhantes se ajudam, tem que ser rápido, resumido, distante.

Espero estar viva para participar da reviravolta da humanidade, aquela que possa, com novas idéias e projetos, englobar e acolher cada habitante da Terra sem qualquer preconceito!

 

beleza de comentário...parabéns

também espero que aconteça, mas acredito que ainda vai demorar muito...........

marco zero da internet foi pela interação de ideias, conhecimento, o que sempre gerou atração mútua entre pessoas

hoje diferente, incluem-se privacidade, gostos, sentimentos, preferências e, consequentemente, pequenos grupos de grandes afinidades ou divergências

 

unir em grupos, no meu entender, mais afasta, isolam-se, logo, de volta ao começo..............

continuamos no marco zero para o bem do capital e só

 

Eu também espero estar viva para ver.  Elaine CastroVc foi genial. Pela sinceirdade. Foi um toque forte. Eu até pensei em sugerir que Nassif colocasse teu post como detaque na página principal. Mas acho que não é uma boa ideia. Tem muitos lobos maldosos de plantão, que não fazem nada mais do que desqualificar os outros. Seria um estresse desnecessário. Obrigado. Não desanime.

 

 

Obrigado, Elaine Castropelo pelo seu post. Adorei.

 

 

Entretanto, é bom lembrar de que nos ensaios do filósofo inglês Bertrand Russell (1872-1970), no terceiro artigo – “Free thought and official propaganda

propõe que as escolas primárias ensinem a arte de ler com incredulidade os jornais.”

Hoje, diríamos que apreendam o pensamento crítico para se informar e atuar em sociedade, ter relações verdadeiras, conscientes, críticas, com mercado, consumo, ideologia, mídia, cultura e também no modo rede social e cibercultura.

A entrevista abaixo foi editada a bel prazer gozoso do editor de comentários desta cova rasa de palavras jc.pompeu que é o que cabe no orçamento deste latifúndio LN Online de discurso e texto, onde seu Pedro da Cultura ainda sem grandes preocupações com seu negócio de vento em popa pré-amazon.com arrasa quarteirão no pedaço... conversa com Giannetti que foi jovem discípulo do poeta Piva. Discorre sobre modo de vida tecnológico e cibersociedade.

Eduardo, afinal de contas, qual é a resposta para a pergunta inicial que você faz em O valor do amanhã? Devemos pôr mais vida em nossos anos ou mais anos em nossas vidas?

Acho que o peso relativo desses dois polos tem se alterado ao longo do tempo. Aumentou o grau de percepção e de atenção. A maior novidade da espécie humana talvez foi o aumento da longevidade nos últimos 40 anos. Essa ampliação do horizonte temporal da vida pessoal está levando a mudanças muito profundas na nossa maneira de lidar com o tempo.

Brincamos que inventaram tudo,  menos a 25ª hora.

Inclusive, tem o paradoxo da aceleração do tempo, porque essas novas tecnologias nos são oferecidas como maneira de economizar e ganhar tempo. E a percepção que nós temos é que nos falta cada vez mais. Quando você visita uma cidade do interior, vê que as pessoas são muito mais generosas na maneira como vivem. Não tem essa aflição permanente de querer fazer mais coisas do que dá para fazer.

Até porque a ansiedade gerada é imensa...  

Acho que uma grande fonte de ansiedade é o fato de sermos estimulados e bombardeados permanentemente a fazer duas coisas que não são compatíveis ao mesmo tempo: temos que pensar na nossa vida de maneira estruturada, preservando o futuro, mas, ao mesmo tempo, queremos viver o mais intensamente possível o presente. E essas duas coisas dificilmente são compatíveis.

Aliás, você conseguiria definir qual o maior impacto da tecnologia na educação atual? É ambíguo em minha opinião. Por um lado, um acesso extraordinário à informação, aos textos. Eu, quando era estudante, importava livros e demorava meses. Tinha guias para preencher, fazer câmbio... A gente pensava muito antes de ousar importar um livro, porque era um processo longo e caro. Hoje em dia, meus alunos apertam um botãozinho e o livro tá lá. Só que eles não leem.

Há uma quantidade tão absurda de informação que você não consegue se aprofundar. Como professor, noto uma dificuldade crescente de concentração no jovem. E essa experiência é compartilhada por vários outros professores. Acho que a tecnologia tem muito a ver com isso. Está cada vez mais difícil fazer com que um jovem fique duas horas concentrado diante de um texto que exige uma postura reflexiva. Peço para os alunos lerem. Eles escaneiam, jogam na memória do computador e acham que tá lido (risos).

E qual a sua postura diante dessa situação? Não sou um professor carrasco. Tento, na minha prática, transmitir aos alunos que há alguma coisa muito valiosa que está sendo perdida, uma dimensão da formação e da construção de um ser humano que requer que você não esteja disponível para esse bombardeio de estímulos. O que mais funciona é quando eles percebem o quão prazeroso pode ser quando você conquista esse espaço interno para poder se dedicar a um estudo mais focado. Quando olho para a minha trajetória, talvez a coisa mais importante que aconteceu na minha vida foi aprender a gostar de estudar.

Outro dia, estávamos conversando sobre pessoas que vão a um show de rock, por exemplo, ou a um concerto, e ficam no celular mandando mensagens ou postando em redes sociais... São incapazes de ouvir. Você não tem mais a disponibilidade para a fruição. As relações pessoais ficam prejudicadas também. Os contatos interpessoais vão ficando muito rasos.

Em algum momento a internet já te prejudicou? Muito. Tenho um corpo a corpo diário com essa porcaria (risos). E tenho que me disciplinar: não vou abrir e-mail a cada 15 minutos, não vou entrar nessa escalada de sites que um remete a outro e de curiosidades mórbidas que você acaba adquirindo nesse ambiente.

Que espaço havia dentro das pessoas que estimulou o surgimento das redes sociais? Essa demanda existia, mas não podia se expressar. A tecnologia deu o meio necessário para que a ampliação dos contatos possa se materializar. Quando era jovem, tinha muita vontade de conhecer e me relacionar com mais pessoas. Me sentia muito confinado no meu pequeno círculo. Se naquela época tivesse alguma coisa assim, eu teria embarcado.

Como você é economista, a brincadeira é que o Marx não conseguiria escrever O capital se tivesse acesso ao Facebook (risos)... O tipo de vida que gerou obras desse porte não é compatível com a miudeza do dia a dia nessas tecnologias. Elas pautam nosso tempo. Se eu não abrir várias vezes por dia o meu e-mail, fico inquieto, começo a ficar ansioso. E se demora cinco segundos para abrir a página que você está esperando, você já começa a tremer (risos).

No seu último livro, A ilusão da alma, você fala de identidade. Com tantas possibilidades no mundo digital, a gente perdeu um pouco do que somos? A pessoa fica com muitas identidades mal definidas. Uma das coisas difíceis na vida é você abrir mão de caminhos atraentes em nome de uma escolha que exige sacrifício de todas as outras possibilidades. Não dá para a pessoa ser ao mesmo tempo um banqueiro bem-sucedido, um boêmio, um escritor, um jogador de futebol, um atleta. Não dá. E o jovem tem muito essa fantasia.

E o ócio criativo, você sente necessidade disso? Aliás, quando a gente deformou a definição para ócio e negócio? Grande pergunta. Que atividade humana é mais importante e bela do que criar os filhos? Acompanhar, participar, conviver. Isso não é considerado trabalho. Inclusive quem fica com o encargo disso muitas vezes fica frustrado por ter que exercer essa função. Tem alguma coisa profundamente errada em uma sociedade em que essa atividade ficou quase relegada a uma situação de falta de alternativa, de opção.

Mas é possível apontar o momento exato em que a gente não conseguiu mais entender que o ócio é necessário? Os gregos não tinham essa preocupação, porque era uma sociedade baseada em trabalho escravo, e os homens livres tinham tempo a seu dispor. O mundo fabril, a indústria, as exigências da produção moderna foram demarcando os horários muito rígidos de jornada. Que agora estão ficando fluidos de novo, porque uma coisa que essa tecnologia faz também é nos deixar potencialmente em situação de trabalho sempre. Então, não acho que tem um momento em que isso aconteceu, mas estamos saindo de um período em que havia muito mais rigidez e demarcação clara entre trabalho e não trabalho.

(aqui abro espaço no meu comentário para direito de resposta de seu Nassif e do seu Patrus Ananias, pois crítica elegantemente o bolsa família do governo)

Isso tem a ver com o que você fala do crescimento a qualquer preço. E nos leva a outra questão, sobre inclusão social. Você concorda que não adianta só incluir se a gente não interrompe a exclusão? Incluir um e excluir dez, como é que faz? O Brasil teve uma mobilidade social importante nos últimos dez anos, foi uma conquista bem-vinda. A redução da pobreza e a ascensão social de um grupo que até então estava completamente excluído de certa modernidade de consumo. Por outro lado, temos 57 milhões de brasileiros recebendo Bolsa Família. O que é um fato grave na vida de um país. Você ter um quarto da população dependendo de transferências de dinheiro financiadas por meio de impostos é uma situação que merece um mínimo de aprofundamento para saber por que tantos brasileiros dependem disso. Não entendo um país que comemora quando mais um milhão de brasileiros passa a receber Bolsa Família. Acho que deveríamos comemorar quando um milhão de brasileiros deixa de precisar recebê-la. Aí eu acho que há muitas coisas que poderiam ajudar: uma delas é entender por que a economia informal no Brasil tem a dimensão que ainda tem apesar do avanço dos últimos anos.

Algo ligado ao paternalismo? Uma acomodação. O grande risco de uma coisa como o Bolsa Família é ele deixar de ser uma política de assistência circunstanciada para situações que justificam e virar um modo de vida.

Mas ao mesmo tempo, com uma máquina tão obsoleta como é a máquina administrativa do Brasil, como fazê-la girar cada dia mais, um pouquinho que seja? O Estado brasileiro precisava de um choque de gestão, e ele não acontece. Há um enrijecimento e algumas dificuldades. E há setores muito organizados que bloqueiam qualquer avanço de modernização das práticas e do modus operandi dos órgãos públicos. Mas há algumas boas iniciativas por aí. E o Jorge Gerdau está lá dentro [do governo] cobrando um choque de gestão. Porque o Estado brasileiro ficou muito defasado nas suas práticas em relação à modernidade do setor empresarial.

Uma bandeira boa para os candidatos a prefeito neste ano seria não prometer nada novo, mas botar pra funcionar o que existe, concorda? Porque fica uma geração de compromissos assumidos e não cumpridos... Teve um diplomata francês que veio ao Brasil no século 19 e disse o seguinte: “As palavras no Brasil valem mais do que as ações. E, de uma forma geral, substituem-nas” (risos). O Brasil foi inventado pelo Estado. Essa é uma diferença fundamental. Não foi a sociedade que criou um Estado para atender à suas necessidades de ação coletiva. Foi um Estado que criou uma sociedade pra ocupar um território e render tributos para financiar o Estado. Houve uma inversão da qual curiosamente ainda não nos libertamos. ©

"Com as redes sociais, esse mundo homogêneo fragmentou-se. Agora, cada indivíduo pertence a um grupo – como torcidas organizadas– e os mais rústicos e despreparados apegam-se ao grupo como se fosse seu universo único, agredindo todos de quem possam divergir."

"Não entro num clube que me aceita como sócio."

Marx, o Groucho

Dessas, duas trocas de correspondências ficariam famosas. Uma delas aconteceu quando os Irmãos Marx, que trabalhavam na MGM, lançaram o filme “Uma noite em Casablanca”, logo em seguida ao lançamento do grande clássico “Casablanca”, da Warner Brothers, dirigido por Michael Curtiz, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Os advogados da Warner Brothers enviaram-lhe uma carta dizendo que o nome do filme era plágio e que deveria ser trocado. Primeiro Groucho respondeu que seria muito difícil alguém confundi-lo com a belíssima atriz sueca Ingrid Bergman. Os advogados da Warner Brothers, porém, não se deram por satisfeitos e a troca de correspondências continuou, sem que os advogados, o estúdio Warner e os irmãos Warner percebessem que Groucho estava apenas afiando seu humor cáustico. Até que, por fim, Groucho mandou uma carta dizendo que se eles achavam que tinham direitos sobre o nome “Casablanca”, eles, Julius, Leonard e Adolpho eram Marx Brothers muito antes do que Jack, Sam, Albert e Harry fossem Warners Brothers e iriam processá-los por plágio. Ou porque finalmente entenderam que tudo era uma brincadeira, ou por medo de um processo, a Warner decidiu encerrar o caso.

Outra troca de correspondência ajudou Groucho a criar uma das suas frases mais brilhantes e uma das mais famosas, de todos os tempos: “Não entro num clube que me aceita como sócio”. A história da origem desta frase é engraçadíssima.

Quando ele já fazia sucesso e era rico, sua filha Melinda quis frequentar o Beverly Hills Club, um clube elitista que não permitia a entrada de judeus e recusou aceitar a família Julius Marx. Ele então começou uma troca de correspondência com a diretoria, que não percebeu que ele estava usando todo seu humor cáustico e judaico para desmoralizar a recusa em ser aceito no clube. Uma das cartas dizia que o Beverly Hills Club não precisava se preocupar com o judaísmo da família Marx, pois “como minha filha é meio-judia, pois é filha de casamento misto, ela promete entrar na piscina só da cintura para baixo”. Depois de várias cartas de ambos os lados, percebendo que essa troca de correspondência seria prejudicial ao clube, pois Groucho as tornava públicas, decidiram aceitá-lo como sócio para encerrar o assunto. Então ele mandou a última carta que dizia exatamente isto “Por favor, aceitem minha renúncia. Não posso frequentar um clube que me aceita como sócio”. Assim surgiu uma das frases mais famosas e inteligentes da história.

Groucho era um frasista de mão cheia. Ao receber o livro de um autor pedante e prepotente, que se considerava humorista, comentou: “Desde o momento em que peguei seu livro, ri compulsivamente. Um dia pretendo lê-lo”.

Apesar de trabalhar na televisão, tinha um senso bastante crítico em relação a isso: “Acho a televisão muito educativa. Cada vez que a ligo, vou para o outro quarto e pego um livro”. Também tem uma frase excelente para pessoas antipáticas: “Eu nunca esqueço um rosto. Mas no seu caso, ficarei feliz em abrir uma exceção”. Seu humor sarcástico está presente neste texto: “Ela tem esse rosto por causa do pai. Ele é cirurgião plástico”.

O casamento também fazia parte do seu humor. Quando um amigo falou “Gostaria de me despedir de sua mulher”. Groucho respondeu, rápido: “Eu também”. Outra: “Casamento é a principal causa dos divórcios”. Mais uma: “Em Hollywood, a noiva guarda o buquê e joga fora o noivo”.

Para mim, um dos maiores exemplos da inteligência e do humor de Groucho é o seguinte diálogo: “Duas senhoras estão num restaurante e uma delas comenta: – A comida deste lugar é horrível! – E o pior é que as porções são pequenas – responde a outra. Assim é a vida. A gente acha ruim, mas reclama que é curta”.

Envelheceu sem perder o bom humor e a inteligência. Conforme o tempo passava, ele também começou a brincar com a velhice e disse: “Ter muita idade não é nada de especial, qualquer um pode envelhecer. Basta para isso viver o suficiente”.

Groucho trabalhou duro a vida toda, com medo dos tempos pobres da infância. Ficou rico para os padrões da época e também brincava com isso. Num jantar, recusou o pãozinho que o garçom oferecia, pois “era rico o bastante para não precisar comer mais pão”. Groucho viveu muito, mas não o suficiente para os seus fãs. Conta numa de suas autobiografias que, aos 80 anos, ouviu emocionado de uma fã, na rua, “Por favor, não morra nunca!”. Morreu aos 87 anos, apesar de fumar charutos desde jovem. Casou três vezes, a última com uma mulher que tinha 43 anos menos que ele, sendo que esse casamento durou apenas quinze anos e, segundo ele, do qual sobrou apenas uma frase: “A mulher ideal devia ser parecida com Marilyn Monroe (uma das mais lindas atrizes de Hollywood) e falar como George S. Kaufman (genial escritor, roteirista e humorista)”. Teve três filhos, Arthur, Miriam e Melinda, nenhum deles com talento para seguir a carreira do pai.

Groucho é, provavelmente, o responsável pelo tão conhecido humor judaico-americano, que tanto sucesso faz em todo o mundo. Ele trouxe o humor inteligente, cáustico e de autocomiseração dos sthtels para a América e Hollywood. Woody Allen, Mel Brooks, Jerry Seinfeld, Jerry Lewis, Adam Sandler, Jack Benny, Milton Berle, Sid Caesar, Goldie Hawn, Bette Midler, Billy Cristal e todos os humoristas judeus americanos devem a Groucho Marx a abertura das portas para o humor da iídiche kopf.

Marcio “Pit” Pitliuk é escritor, cineasta, publicitário, 
autor do livro e do filme “Marcha da Vida”.

 

"Não há segredo que o tempo não revele, Jean Racine - Britânico (1669)" - citação na abertura do livro Legado de Cinzas: Uma História da Cia, de Tim Weiner. 

 

 

Acho que devemos expressar tudo. Com uma forma básica. Alguns sites tipo yahoo agregam um público

mais simples, pessoas que chegarma à net agora,devido a seus emails. Não buscam outros sites legais, ainda. Estão aprendendo.

Sem xingar, devemos falar tudo. Tudo mesmo.

 

 

Eu acho que o que está assustando as pessoas acostumadas a ambientes mais formais, é a linguagem popular e o discurso popular mesmo. Pessoas diferentes podem dizer a mesma coisa, de uma forma cordata ou "agressiva" e, no entanto,muito embora estejam dizendo a mesma coisa; umas serão bem aceitas e outras criticadas. 

O que a blogosfera fez foi trazer para o debate, quem está disposto a debater e, para os debates valem as idéias e não a forma, na minha opinião. Muitas vezes, vemos na rede, pessoas sendo "acusadas" de erros gramaticais, ortográficos... Em que isso, alteraria a idéia trazida ao debate? Outras pessoas podem ser mais incisivas e até xingam, sei lá. O problema é cada um tem uma trajetória, uma criação, um caminho e, obviamente, isso vai se refletir nos debates. Quando se estabelece o "nível" dos debates, está se excluindo quem não tem "nível" para debater, ou seja, o debate ficará restrito aos meios de sempre, apesar da diversidade.

Vejamos o que ocorre no STF; todos ilustres, sábios, educados, poliglotas, mestres e doutores, portanto, autorizados ao debate de alto nível e é isso mesmo que ocorre na medida em que se valem de expressões e adjetivos sinônimos aos usados pela turma do "baixo nível" que não possue o vocabulário tão vasto. Vai daí que um magistrado pode dizer que uma detrminada pessoas é meliante, delinquente, bandoleiro... que, será incorporado, de bom grado, ao debate. Já, se um outro disser que o magistrado é ladrão, será rechaçado por agressivo. Ambos disseram a mesmíssima coisa só que um foi autorizado pela erudição e o outro repelido, talvez, por força das circunstâncias.  Essa manutenção do debate no tal alto nível, não nos fez caminhar muito, exatamente, pq restringia o debate a um mesmo grupo; com o advento da blogosfera, estamos TODOS no debate e o tom do debate se dará pelos debatedores e não o contrário. O que não vale é um debate com regras que excluam a maioria. O cidadão brasileiro não é erudito, culto, pernóstico e bonzinho. A blogosfera veio para mostrar a cara da sociedade brasileira para ela mesma. 

 

"(...)para os debates valem as idéias e não a forma (...)"

Per-fei-to!!

Aliás, todo o comentário.

 

É interessante o fenômeno das redes sociais. Em 2010 deu vontade de criar um perfil no Facebook e fui adicionando algumas pessoas, conhecidas por afinidades no campo da Literatura Poética.

A afinidade nesta temática e a amizade gerada deixaram escondidas a visão de mundo e a ideologia a que se apegam as pessoas que se conectaram ao meu Facebook via Literatura.

Com a proximidade das eleições, foi sendo mostrada uma ou outra personalidade com as quais não concordo em nada politicamente. Afinidade para um assunto e falta de afinidade para outro.

A grande questão é que a postura intransigente, intolerante e deselegante de algumas pessoas, na defesa de suas teses, faz com que não tenhamos mais prazer de manter a amizade com a pessoa, que não conhecemos pessoalmente.

Não precisamos de mais pessoas, que consideramos intolerantes, intransigentes e deselegantes no nosso perfil, do que as de nosso convívio social. Faz bem para nossa saúde e ficamos mais leves e pacíficos.

Uma amiga de esquerda resolveu excluir do seu perfil, as pessoas que ela considerou "reacionárias", por diferentes motivos o reacionarismo, principalmente, no campo político. Para ela fez bem e eu considero justo.

Existe limite para se dizer algo de alguém. Imagina ficar ouvindo as barbaridades que dizem do PT e dos petistas, sem nenhum embasamento, apenas por que não gostam do PT ou do LULA. Ficar vendo imagens do José Dirceu e do José Genoíno com roupa de presidiário e detrás de grades de uma prisão, postadas sem nenhum pudor ou aquela foto do Ministro Joaquim Barbosa em que se quer dizer: "isso vai dar em merda"! Nela, acaba a galera mais a esquerda, da qual tenho um carinho enorme, perdendo o valor da argumentação, também, e não ajuda na civilidade do debate político-social. Só acirra o confronto das torcidas.

Essa falta de limite é que acaba dando margem para toda a violência. Defender uma tese não é ser inimigo de quem pensa diferente, mas, quando se esquece de pensar que existe quem pensa diferente e se sai defendendo sua tese com a degradação moral do que pensa diferente ou dos indivíduos que esta pessoa acredita serem valorosos, ai fica complicado.

Falo muito do José Serra, brinco às vezes, até, mas não saio para o campo pessoal, familiar, etc. Critico suas atitudes e as suas gestões, não significa que tenha ódio por ele. Divirjo, por exemplo, de suas posturas políticas, de seu modo de governar e de seu trato para com a Imprensa e as perguntas menos favoráveis a ele. Tenho outra visão de mundo, que não é idêntica a do candidato e seu partido. Divirjo das pautas que ele insere no debate político em tempo de eleição. O considero um candidato ultrapassado para os tempos políticos de hoje.

Nas redes sociais, o problema é que a forma de expressar a desaprovação de um político, de uma sigla partidária chega ao campo pessoal, é generalizante e não leva em conta uma atitude racional, não há reflexão, é briga de torcidas mesmo. LULA é apedeuta, um bêbado, PT é um partido de quadrilheiros, partido dos petralhas, José Serra é privateiro, etc.

É chato conviver com pessoas que se aceitam defender uma tese desqualificando o adversário não com argumentos, mas com clichês e ainda, não percebendo que existem milhões de pessoas, que são favoráveis ao adversário e não acreditam nos clichês que o desqualificador utiliza para desqualificar quem consideramos uma pessoa de valor. Será que quando falam barbaridades do PT ou do PSDB não sabem que estão machucando o próprio amigo(a) e não estão o convencendo de nada?

O "Mensalão do PT" traz com toda força esse processo de libertação dos que se sentiram perdedores, pelas derrotas consecutivas, no plano federal, de 202, 2006 e 2010. Parece que existe um grupo de pessoas que está indo a forra, tornaram-se "justiceiros". Torcendo por uma condenação exemplar, para que sejam logo levados à cadeia, o Genoíno e o Dirceu, etc. - A vitória, enfim, chegou! Sempre avisei e você não quis me ouvir!

Parece que o sentimento de derrota aflorou com um: - enfim, VENCI! É muito simplória a argumentação pela condenação dos Petistas e do PT. Parece não existir reflexão nenhuma, nem se pensa em uma Justiça correta com a pena merecida, conforme o ato praticado. O réu é condenado de antemão. Assim, acontece, quando nas redes sociais a torcida está acima da razão.

E nós, aqui no blog, sabemos o papel que a grande mídia tem nesse processo todo. A espetacularização do "Mensalão do PT", o direcionamento da opinião pública para determinado entendimento da realidade cotidiana, a colocação de barreiras ao pensamento, com notícias prontas e sem reflexões ou pensamentos diversos, mais toda a alienação da maioria das programações televisivas, onde o indivíduo se acostuma a prazeres pouco valiosos para a formação de um cidadão pleno, leva ao surgimento dos indivíduos, que como "manadas" defendem uma tese, postam uma imagem, sem sequer averiguar a veracidade, do que está postando, do que está defendendo, do que está curtindo.

Eu me canso com as Redes Sociais. Prefiro estar aqui no Nassif, no Azenha, no Vermelho, etc. e lendo livros e notícias que me aprazem e estar com parentes e amigos. Utilizo O Facebook para postar notícias e artigos que considero importantes, tentando esclarecer as pessoas sobre fatos relevantes, e que gosto de discutir, por exemplo, eleições e partidos políticos, mas, não sei ao certo se quem os lê vai além de quem curte, porque quem curte são, geralmente, os mesmos.

Tomara que um dia possamos todos divergir sem precisar diminuir as ideias dos outros. Ter posturas claras sobre um assunto não significa ter a verdade absoluta ao meu lado. Pontos de vista divergentes são valiosos. Conversar e argumentar civilizadamente, também. Busquemos a educação para argumentar; a tolerância e o respeito para com a diversidade de opinião, o pensamento político, a Religião, a preferência sexual e convivamos bem! O importante é o crescimento de cada indivíduo, a melhoria das relações interpessoais e a busca por um Brasil melhor para todos! E que as redes sociais sejam um instrumento de transformação dos pensamentos e posturas, se soubermos agir de forma sábia, serão! 

 

 Pois é meu caro, quando eu começo solicitar amizades por afinidade, o facebook broqueia! isso não é uma rede mundial? o que você me diz?

 

Nassif,

 

Sua percepção sobre o isolamento e individulismo é correta, mas não há como contextualizar estes conceitos em uma linha de tempo.

A manifestação da insegurança frente a mobilidade social, e os aspectos modernos da representatividade demmocrática, onde as agendas políticas estão aprisionadas pela cartilha dos mercados, transformando economias de mercado em sociedade de mercado(como disse Michaal J. Sander, em entrevista a Eduardo Graça na Carta Capital), não pode ser a única justificativa para tanta deselegância.

Ora, em outros tempos, a transição política mitigada as transformações sócio-econômicas, com pesos relativos parecidos, trazia não só conservadorismo, mas também outras percepções "progressistas" dos valores. Havia uma disputa ideológica nas sociedade, e esta disputa era percebida e recebida como tal, ao contrário de hoje, que tudo o que se deseja é transformar o debate político em um debate não-político, invertendo a lógica que deveria incorporar valores pessoais na formação de valores universais, reduzindo as universalidades asa particularidades e exotismos de cada grupo ou pessoa.

Isto é: havia uma esfera pública, e em todos estes tempos passados de transição, esta esfera influía de forma fundamental e democrática nas transformações, e estas transformações moldavam estas esferas públicas. 

Eu temo me allinhar com o que disse o "militante": excesso de manifestações públicas nos guetos chamados redes sociais não  significa dizer sejam sintomas de uma sociedade democrática, ou melhor dizendo, são sintomas anti-democráticos das democracias, que tendem a ter mais relevância nestes tempos de sociedade de mercado.

 

 

O comentário é muito lúcido. Parabéns.

 

Dez comportamentos estranhos ou incômodos das pessoas nas redes sociais


(Pedro Henrique Paiva, http://dolimbo.blogspot.com.br)


(Além de escrever este texto em meu blog ( http://dolimbo.blogspot.com.br ), também postei cada um dos pontos no Facebook, um por dia, na tentativa de influenciar de alguma maneira. Se alguém decidir fazer o mesmo, por favor, cite a fonte.)


Sei reconhecer os aspectos positivos das redes sociais virtuais, como a possibilidade de troca de informações e ideias, mas o leitor, caso seja frequentador de alguma(s) delas, há de concordar que alguns membros demonstram comportamentos, no mínimo, estranhos. Para não pegar muito pesado, podemos dizer que, enquanto percorremos as postagens feitas pelas pessoas com as quais nos relacionamos (virtualmente, na maioria das vezes), sugeridas pelo algoritmo interno da rede social, em busca de algum material interessante, acabamos nos deparando com conteúdos um tanto incômodos. É claro que tudo isso é muito subjetivo: aquilo que incomoda gregos pode ser de grande valia para troianos.


Mesmo assim, resolvi fazer uma lista dos dez tipos de comportamento que mais me incomodam ou que, de algum modo, apenas revelam alguma questão mal resolvida do autor, não agregando nenhum valor à experiência de leitura das informações compartilhadas. Não falo daquilo que vai contra minhas opiniões, pois não me chateio por alguém estar defendendo uma visão diferente da minha, desde que tal defesa seja devidamente fundamentada. Considero o debate, inclusive, uma das melhores possibilidades de utilização de tais ferramentas. Também não me refiro ao conteúdo aparentemente banal, como as piadas e brincadeiras, nem mesmo às piadas ruins. Diversão é importante e é um dos motivos que me levam às redes. Afinal, não existe nenhuma determinação para que os assuntos tratados sejam sempre sérios, e nem para o contrário.


Conversas descontraídas ou mais sérias entre amigos ou conhecidos também não geram nenhum incômodo.


Enfim, esta lista será menos sobre os assuntos abordados e as opiniões de seus autores, e mais sobre o tratamento dado a eles. Pretendo elencar apenas o tipo de comportamento que não contribui ou até atrapalha aquela que considero a principal utilidade dessas redes, a qual já mencionei algumas linhas acima: a possibilidade de troca de informações e ideias, incluindo aquelas voltadas exclusivamente ao entretenimento.


10. Censura temática


O décimo item, o primeiro na ordem de leitura, será este, para deixar bem claro que o intuito dessa lista não é defender nenhum tipo de censura. Todo mundo deve ter o direito de publicar o que bem entender. O curioso, no entanto, é que algumas postagens tentam coibir o tratamento de certos assuntos.


- “Se postar alguma coisa sobre o BBeBeu e Deu 26 (o ‘reality show’ do momento daqui a alguns anos), vou passar a ignorar tudo o mais que você disser”.


- “Se defender o voto em algum candidato a cargo político, irei excluir-lhe imediatamente da minha lista, sem chances de retorno”.


Ui, que meda! Então divulgar o último e único sucesso do cantor popular que está atualmente nas paradas e cuja fama não irá durar até o próximo carnaval, isso pode. Mas falar de política, que influencia a vida de todo mundo, ou tratar de alguma futilidade tão importante quanto tantas outras que circulam livremente, aí não pode? Ah, não! Tá certo que não sou nem um pouco chegado a reality shows ou a sucessos passageiros, porém, o que não pode mesmo é censura. Pare de tentar estimular o tolhimento da liberdade de expressão em um ambiente que é essencialmente plural e democrático.


9. Síndrome do invejado


Como era bom o tempo em que a mania de perseguição, um dos grandes males que assombram as sociedades ocidentais, fazia com que as pessoas sentissem-se observadas, excluídas ou traídas. Na era das redes sociais, a coisa ficou um pouco mais chata: as pessoas sentem-se invejadas.


- “Sua inveja faz a minha fama”.


- “A força da sua inveja é a velocidade do meu sucesso”.


Quanta presunção... Essas postagens parecem-me tão pequenas e mesquinhas. Mas ampliemos um pouco mais a crítica: ao invés de direcioná-la apenas àqueles que se sentem vítimas da cobiça alheia, vamos estendê-la a todos que se consideram o centro das atenções e que acham que qualquer comentário refere-se a sua pessoa. Meu amigo (virtual ou real), o mundo não gira ao redor de seu umbigo. E, por causa de comportamentos como esse, é bem provável que muito pouca gente tenha inveja de você.


8. Exibicionismo


É muito legal compartilhar as fotos de momentos especiais com a família e os amigos. É algo que se faz desde bem antes da internet, através de projetores e álbuns. Mas algumas fotos parecem ter sido compartilhadas menos por causa das pessoas que nela figuram e mais por causa daquele carro importado ao fundo, ou da garrafa de uísque puro malte de cinquenta anos sobre a mesa, ou da bolsa de luxo a tiracolo. Sim, estou falando da ostentação de privilégios ou bens materiais. Que também pode dar-se através de mensagens escritas, e não apenas fotografias. Afinal, ninguém precisa ficar repetindo constantemente sobre como sua própria vida é maravilhosa. E, claro, essa necessidade de autoafirmação acaba cheirando a infelicidade mal disfarçada.


Já que falamos em autoafirmação, aproveito para dizer que, se você se acha o mais esperto, o mais inteligente, o mais bonito, o mais forte, enfim, o máximo, não precisa fazer postagens que sugiram essa suposta superioridade. Você acabará passando a impressão de que sofre de baixa autoestima e que precisa constantemente provar suas habilidades.


Não há motivos para se preocupar com uma ou outra foto que você publique e que seja, digamos, mais ostentatória. Também não vá sair acusando de exibicionista qualquer pessoa que postar uma foto de um momento prazeroso. Essa é uma questão de bom senso, coisa que não é simples, mas nem tão difícil. Com que frequência você posta fotos desse tipo? O que escreve nos textos que as acompanham? Basta saber dosar.


Você não se torna uma pessoa melhor aos olhos dos amigos ao compartilhar esse tipo de conteúdo. Muito pelo contrário: a ostentação excessiva não combina com o mundo repleto de injustiças em que vivemos. O caso mais curioso, no entanto, é o do indivíduo que sofre do problema deste item e também daquele que foi relatado no item anterior: o sujeito se exibe sem parar e depois ainda reclama dos invejosos. Pode? Poder, pode. Todos são livres para ostentar sua futilidade e superficialidade em toda a sua glória.


7. Proselitismo religioso...


No item 10 da presente lista, mencionei que ninguém deveria tentar “coibir o tratamento de certos assuntos”. Agora é importante dizer que “tratar de um assunto” significa apresentar e defender o seu ponto de vista sobre o mesmo, e não simplesmente dizer coisas desconexas e sem sentido. É bom passar algumas mensagens positivas e inspiradoras de vez em quando, mas, às vezes, o pessoal exagera na pregação religiosa.


Sabemos que há pessoas das mais diferentes crenças nas redes sociais e, muitas vezes, fica parecendo que as postagens ligadas a religião têm o propósito de afirmar o credo de seus autores perante os demais. Muito parecido com o que os torcedores de futebol fazem em relação a seus times. Eu acharia muito interessante, e até empolgante, se o dogmatismo fosse deixado um pouco de lado e os religiosos utilizassem o espaço para debaterem aspectos importantes de suas crenças, procurando justificá-los com pitadas de filosofia, ética, lógica. Por “importantes” entenda-se também palpáveis, razoáveis, passíveis de serem discutidos. Afinal, afirmações irracionais podem estimular atitudes irracionais. Esse desejo talvez não seja tão utópico quanto parece: de vez em quando, costumo defender a ideia de que pelo menos os indivíduos mais instruídos, em busca da construção de uma sociedade melhor, já deveriam ter abandonado os dogmas medievais que os acompanham; eventualmente, recebo respostas, favoráveis ou contrárias, que acabam gerando pequenos debates.


Veja bem. Se você diz algo como: “nada acontece por acaso e tudo tem um propósito”, ou: “no fim, a justiça será feita e tudo ficará bem”, espera-se que, em seguida, você apresente os motivos quer o levaram a tais conclusões. Ou que justifique a necessidade de perpetuação de determinados pensamentos. Jogadas ao vento, sem qualquer contextualização, essas afirmações não dizem praticamente nada.


Enfim, devemos observar que podemos nos expressar a respeito de qualquer assunto, inclusive religião, mas seria muito bom se o fizéssemos de maneira honesta e consistente, ao invés de nos rendermos a simples apelações.


6. ...e outros fundamentalismos


Não são apenas as certezas religiosas que atrapalham um melhor entendimento entre os seres humanos. Em qualquer área, as certezas costumam ser prejudiciais, principalmente quando incidem sobre posturas pouco embasadas. Eu já havia dito em outro de meus textos, através da declaração de um personagem fictício:


“Tenho a forte impressão de que grande parte dos problemas que enfrentamos - intolerância, discriminação, opressão, ignorância, violência, guerras, depressão, destruição dos recursos naturais, convívio difícil e desarmonioso - devem-se à grande quantidade de certezas infundadas espalhadas por todos os lados. Ações baseadas em certezas que não se justificam podem ser muito perigosas. Sempre que não houver um modo seguro de conhecer ou saber algo, aceitemos a dúvida e sintamo-nos estimulados a investigar. Nunca julguemos o comportamento de uma pessoa ou comunidade tendo como base apenas as próprias convicções. Vamos além: abandonemos as convicções e coloquemo-nos como eternos discípulos da realidade. Desse modo, talvez possamos ver o surgimento de relações harmoniosas e de um entendimento agradável e benéfico entre todos. (...) Muita gente enxerga um valor elevadíssimo nas convicções inabaláveis. Mas que vantagem há em, aos quarenta anos, bradar que possui as mesmas ideias que possuía aos vinte? A experiência da vida não vale nada?”


Por isso, quando for falar de economia, política ou comportamento humano, procure fugir dos dogmas que costumam dominar essas áreas. Tome cuidado para não embarcar em uma determinada corrente econômica ou ideologia política como se estas fossem as únicas viáveis. Ao invés disso, demonstre a sua viabilidade, mas sem deixar de observar que alternativas também podem ser aplicáveis, talvez com resultados melhores em certos pontos. Apenas afirmar sua certeza sobre a veracidade de algo não irá convencer ninguém.


Quando for discutir sobre artes ou qualquer outro assunto, observe se não está cometendo generalizações. Ao generalizar, você pode acabar deixando passar algo que gostaria de encontrar. Já vi, por exemplo, muitas pessoas a comparar estilos musicais, afirmando que determinado gênero é melhor do que outro. Mas todas as canções desse estilo são realmente melhores do que qualquer uma daquele outro gênero? Você pode descobrir que não é bem assim.


5. Tranqueiras inúteis


E aqui, perdidos no meio da lista, estão os tipos de conteúdo que devem incomodar o maior número de usuários das redes sociais. São as postagens extremamente desnecessárias de “bom dia” ou “hoje é quarta-feira”; ou aquelas com indiretas que só farão sentido a um público-alvo que talvez nem se perceba como tal; ou as pegadinhas que dizem que ajudarão alguém se você passar o conteúdo adiante; ou as mensagens automáticas e insistentes de aplicativos utilizados por seus contatos; ou as que exigem que você clique em algum linque ou autorize algum acesso especial à sua conta para, então, exibir o restante da mensagem. Não estou falando da divulgação de saites, blogues, eventos ou outro tipo de material, que pode revelar conteúdo interessante. Refiro-me, sim, àquele tipo de linque que acaba desencadeando alguma ação indesejada e inesperada. O que dizer, então, de obviedades como “se você ama sua mãe, compartilhe”, ou “se seus filhos são lindos, comente”? É quase o mesmo que dizer: “se você tem um nariz, compartilhe”.


Aqui vão algumas dicas. Se vir uma manchete e quiser ler a matéria, mas sem submeter-se a alguma condição, copie-a e faça uma busca, através de algum mecanismo de pesquisa, como o Google, ou no próprio portal no qual a notícia tenha sido publicada (caso haja alguma indicação de qual seja o portal junto à manchete). Só compartilhe alguma postagem que esteja pedindo ajuda se o próprio ato de compartilhar for ajudar, como no caso de pessoas desaparecidas (sempre que possível, verifique se o caso é mesmo verídico; as mensagens sinceras irão conter, provavelmente, alguma referência). Ninguém vai doar nenhum valor a um necessitado quando você compartilhar uma imagem. Caso queira colaborar financeiramente com alguém ou com alguma causa, a única maneira de fazê-lo é colocando a mão no bolso ou convencendo outras pessoas a fazê-lo. Lembre-se: muita gente utiliza-se desses artifícios tacanhos apenas para tornar populares as suas postagens.


Por isso, desconfie de qualquer mensagem que peça para ser compartilhada. É bem provável que seu autor esteja mais preocupado com popularidade do que com a causa que aparentemente defende. Tenho percebido que as mensagens mais interessantes evitam apelar para esse tipo de recurso.


Agora, uma pergunta: é mesmo necessário divulgar o atual estado emocional ou alguma coisinha sem importância que esteja fazendo?


- “Estou muito feliz”.


- “Vou comer uma pizza”.


- “Acabo de espremer uma espinha gigantesca”.


É que vejo tanta gente fazendo isso que, às vezes, chego a pensar que estou deixando passar alguma coisa.


Ainda na linha das mensagens vagas, temos aqueles textos truncados, que podem não fazer muito sentido para os eventuais leitores e acabar sendo mal interpretados.


- “Hoje é o início de uma nova fase em minha vida”.


- “A partir deste dia, serei uma nova pessoa”.


Isso deve ser referir a alguma mudança de hábito que o indivíduo tenta levar a cabo, como uma investida para emagrecer, ou parar de fumar, ou não depositar mais tanta confiança nos outros, ou “sair do armário”, enfim. O fato é que a resolução não precisava ter se tornado pública. Pelo menos não de forma tão vaga. Além disso, após avaliar se a mudança é realmente necessária, o importante é mudar, e não avisar aos outros que está mudando! O aviso pode acabar desestimulando a ação, pois gera a falsa impressão de que algo já estaria sendo feito na direção do objetivo.


- “Existem coisas que ainda me chocam...”


Sim, disso todos nós sabemos. Você não deve ser um insensível sem coração. Mas seja mais claro e diga que coisas são essas.


- “Se continuarmos desse jeito, não sei onde vamos parar.”


De que jeito? A que está se referindo?


Perceba que minha crítica não é direcionada ao conteúdo humorístico ou a manifestações artísticas, e sim a mensagens inócuas, que não dizem absolutamente nada sobre nada.


4. Humor negro (ops! ...de mau gosto)
e o politicamente incorreto


É a já velha (ou da melhor idade) polêmica entre o politicamente correto e aqueles que acusam seus adeptos de fazerem patrulhamento ideológico, moralista, e, então, clamam pela liberdade de expressão e de manifestação do pensamento. Mas, em minha modesta opinião, há, realmente, brincadeiras e posturas que ultrapassam o limite. E qual seria o limite? Bem... Aqui é preciso apelar novamente para o bom senso.


Parece-me que há mesmo exageros de ambos os lados. Sou contra a imposição de restrições excessivas, que visem a textos assépticos, sem liberdade de crítica. Mas considero desmedida a reação contra o que se convencionou chamar de “politicamente correto”. A fim de evitar confusões e mal entendidos que levem a ideias sobre censura, prefiro defender meu posicionamento não com base nos limites que a liberdade de expressão encontra nas fronteiras com outros direitos, mas sim a partir do fato de que piadas e brincadeiras que exploram conceitos fáceis e do senso comum são extremamente fracas, dignas de um Zorra Total. É bem mais difícil e meritoso fazer um humor refinado de verdade, livre de apelações corredias. E olha que os palcos estão cheios de humoristas que se dizem modernos e de humor apurado, mas que insistem em tentar arrancar risadas fazendo troça de aleijados, pobres, negros ou minorias que não se enquadram no “comportamento padrão”.


Sempre ouvimos que toda brincadeira possui um fundo de verdade. Mas, esteja brincando ou não, observe se suas postagens não denunciam apenas uma tentativa de chamar a atenção, ou até mesmo preconceito verdadeiro. Creio que a grande maioria reprovará qualquer iniciativa de difusão do ódio ou de imposição de limitações a qualquer grupo. E eu dificilmente me colocarei ao lado de uma turminha que defende o direito de chamar os gordinhos de “rolhas de poço”, os anões de “pintores de rodapé” ou qualquer outra excrescência semelhante.


Outro dia vi uma charge que se dispunha a defender a limitação dos direitos humanos para certos grupos. Limitação com a qual discordo, diga-se de passagem. No cartum, o assassino reclamava com os policiais devido às algemas estarem muito apertadas, conquistando o apoio dos transeuntes que observavam a cena. Mas, por que diabos o assassino e as pessoas mais destacadas que o defendiam eram negros e as vítimas e os policiais eram brancos? Será que o intuito era apenas o de reforçar estereótipos ou a peça foi concebida de modo tão instigante que visava proporcionar dois níveis de reflexão, um criticando os “direitos excessivos” e o outro denunciando um triste quadro de discriminação?


Você tem todo o direito de debater sobre a questão das cotas raciais ou sociais, mas se não sabe a diferença entre ostentar a expressão “100% negro” ou “100% branco”, ou se acha que deveria existir um dia do orgulho hétero, então, infelizmente, você está muito distante de compreender o que foi dito neste item. Será mesmo tão difícil perceber que a ofensa está mais no contexto do que em simples palavras?


3. “Mentiroso! Mentiroso! Caluniador!”


Este é um dos pontos mais graves, pois pode resultar em bem mais que simples incômodos. Trata-se das mentiras e manipulações.


Seja criterioso com aquilo que compartilhar. Prefira informações que estejam amparadas por linques direcionados a fontes confiáveis. Faça uma pesquisa para verificar se a informação é verdadeira. Seus amigos esperam, no mínimo, poder confiar naquilo que você está divulgando.


Tome cuidado com mensagens que procurem manipular o contexto, através da omissão e da distorção de informações, evitando, assim, que você e seus amigos caiam em armadilhas. Não tente dar uma de espertalhão e espalhar mensagens que você sabe que são tendenciosas além do aceitável, apenas pelo fato de estas tentarem defender um ponto de vista com o qual você concorde. Seus amigos mais astutos acabarão ignorando a postagem e ainda poderão pensar que você foi tapeado por ela. É muito simples valorizar excessivamente determinadas questões e ignorar aquelas que não contribuem com a opinião que se pretende difundir, mesmo que sejam de extrema importância.


Veja-se, por exemplo, o caso de pessoas que divulgam, insistentemente, informações que prejudicam determinado partido político, como ocorrências de corrupção. Os indivíduos mais conscientes sabem que corrupção é um problema sério, que acomete o sistema político como um todo, afetando boa parte dos principais partidos, aqui e no restante do mundo. É extremamente inadequado tratar de um problema tão sério utilizando-se de partidarismo, pois isso não contribui em quase nada para as soluções. Mas é exatamente isso o que fazem as pessoas que praticam ataques tendenciosos: criticam repetidamente a corrupção de determinado partido, mas não propõem positivamente nenhuma outra agremiação partidária. E por que agem desse modo? Simplesmente porque, caso revelassem o partido de sua preferência, seria altamente provável que este estivesse envolvido em tantos escândalos quanto qualquer outro. A farsa estaria revelada. Por isso, se pretende contribuir para um debate honesto e consciente, prefira adotar uma postura mais propositiva, ao invés de apelar para críticas parciais e, consequentemente, omissas. Política é coisa séria (ou, pelo menos, deveria ser), e não um jogo no qual você abraça incondicionalmente uma torcida. Devemos valorizas os textos argumentativos, embasados por raciocínios consistentes e por informações verdadeiras.


Outro truque muito comum é a atribuição de textos a autores que não os escreveram, numa tentativa de despertar um maior interesse pelos mesmos. É muito fácil identificar esse tipo de trapaça com uma rápida pesquisa pela internet. Não irei apreciar ou concordar com um texto apenas pelo fato de ter sido escrito pelo Paulo Coelho ou pelo Arnaldo Jabor. Muito pelo contrário, no caso desses dois.


Mas o caso mais perigoso é o da divulgação de denúncias. É muita irresponsabilidade espalhar a foto de um indivíduo qualquer ao lado da imagem de uma criança com marcas de agressão e escrever logo abaixo, em letras garrafais: “Covarde!”. Ou, então, divulgar a imagem de um jovem seguida das inscrições: “Este é o marginal que está praticando assaltos no centro da cidade!”. Ora, isso pode transformar a vida de um inocente em um verdadeiro inferno ou, até mesmo, estimular tentativas de “justiçamento” independentes do direito oficial, o que significa, na prática, injustiça. Portanto, se você desconhece o caso e não sabe nada sobre sua veracidade, NÃO compartilhe esse tipo de comunicação! E observe que, para justificar publicações como essa, não vale dizer que ouviu falar, mesmo que tenha sido da boca de um amigo ou parente. Novamente, o ideal é apresentar fontes confiáveis e fazer a divulgação apenas se for realmente ajudar de alguma forma, sempre recomendando a denúncia às autoridades. Seja responsável!


E não se engane. A manipulação pode vir de qualquer lugar, até mesmo de onde menos se espera. Por isso, diversifique suas fontes de informação, pois mesmo aquele grande portal de notícias, aquela revista semanal ou aquele blogue famoso podem estar divulgando apenas a parte que lhes interessa da realidade ou, simplesmente, mentindo. Tome cuidado com as distorções, inclusive aquelas que você mesmo ajuda a divulgar, a fim de evitar a fama de mentiroso ou manipulador.


2. Hostilidade frente às divergências


As redes sociais, assim como o mundo, estão repletas de pessoas com as mais diferentes opiniões e pensamentos. É claro que ninguém detém a verdade absoluta ou um conhecimento definitivo. Não existe um jeito certo de se viver. Por isso, a fim de levar a vida com tranquilidade, é muito importante aceitar essa pluralidade e saber lidar com ela.


Ao contrário do atomismo das mídias tradicionais, as redes sociais são ambientes mais colaborativos e democráticos. E aquele espaço para comentários não está ali à toa. Sempre que compartilhar algo, esteja preparado para receber respostas de seus amigos e conhecidos, estejam eles concordando ou discordando de suas proposições. Gosto muito quando há divergências, pois isso abre espaço para o intercâmbio de ideias e de informações, produzindo novas formas de pensamento e gerando transformações. A humanidade precisa dialogar mais, compartilhar suas experiências e pontos de vista, e as redes sociais são excelentes espaços de interação.


Note que o respeito é muito importante, tanto no momento de postar alguma coisa, quanto no de comentar as postagens de outras pessoas ou de responder aos comentários. Deve-se ter sempre em mente que os embates são entre ideias, e não entre pessoas.


Pode ser que alguém discorde, mas acho que é preciso compreender que a maioria das questões humanas não se resolve com respostas prontas e exatas. Dificilmente teremos preto ou branco, mas sim uma escala com diferentes tons de cinza, de um extremo ao outro. Ou (por que não?) diferentes tons das mais diferentes cores. Uma coisa que atrapalha imensamente essa visão são as rotulações. Rotular, em muitos casos, é o mesmo que limitar. É reduzir ou simplificar as opiniões e posições alheias. E, algumas vezes, é agir com preconceito e radicalismo. “Relativista!” “Comunista!” “Reacionário!” “Conservador!” “Elitista!” “Ateu!” Use os rótulos enquanto eles ajudarem, mas não se prenda a eles e abandone-os assim que se mostrarem incapazes de acompanhar a complexidade das opiniões tratadas, colocando-se como verdadeiros obstáculos ao avanço da discussão.


Há algum tempo atrás, passei por uma pequena experiência de intolerância ao contraditório em redes sociais. Uma pessoa com quem eu mantinha algum contato, sempre cordial até então, inclusive na “vida real”, compartilhou a notícia de que o Papa havia dito que os homossexuais seriam uma ameaça à humanidade. Ligado ao catolicismo, essa pessoa endossava a opinião do clérigo e ainda defendia a supressão de direitos conquistados pelos homossexuais, como a união estável entre indivíduos do mesmo sexo.


Era perfeitamente aceitável que qualquer um concordasse ou não com sua opinião. Eu discordei e, respeitosamente, expus meus motivos. Pedi a ele que atentasse para o fato de que não havia apresentado nenhum motivo para a limitação que propunha, a não ser as próprias crenças religiosas. Argumentei que esse motivo não era suficiente para aquele propósito, visto que nem todos compartilhavam das mesmas crenças. Comparei sua tentativa com as limitações que foram impostas a outros grupos no passado, como aos negros e às mulheres, por exemplo.


A resposta que recebi foi extremante rude. Ao invés de tentar rebater os argumentos, ele passou a atacar-me pessoalmente, dizendo que eu queria apenas causar confusão e parecer superior a ele. Sua rispidez foi tamanha, que até alguns de seus amigos e algumas pessoas que também se diziam católicas passaram a criticar sua postura.


Alguns dias depois, eis que ele fez uma nova postagem, atacando um deputado homossexual pelo fato de este ter criticado o Papa com base em uma notícia falsa, que teria imputado ao pontífice uma falsa declaração. Fiquei curioso e fui verificar que notícia teria sido essa. E não é que era exatamente aquela de sua primeira postagem? Vejamos, então. Alguns dias antes, ele havia divulgado aquela mesma notícia e concordado com o seu teor. Mas um deputado que, assim como ele, havia sido enganado pelo jornal, merecia ser esculachado por isso. Bom, é claro que, àquela altura, eu sabia que a reação não seria nada boa, mas, mesmo assim, decidi expor-lhe a contradição. Resultado: ele deixou de ser meu amigo na rede social.


Não sei se o rompimento estende-se à “vida real”, pois, desde então, ainda não o encontrei. Mas admito que fiquei chateado, como fico sempre que a cordialidade é abandonada e a divergência de opiniões é confundida com desrespeito.


1. A crítica desnecessária (ou nem tanto)


Criticar o comportamento de outros usuários da rede social também pode ser considerada uma atitude estranha. Fazer uma lista sobre isso, então, pode ser bem inconveniente. Afinal, como já foi reforçado em itens anteriores, essas redes são ambientes livres e democráticos.


- "Mas minha intenção é a melhor possível.”


Ora, de boas intenções o inferno está cheio!


- “Eu só queria contribuir para a construção de um ambiente mais agradável, mais sincero e honesto, e até mais divertido.”


Não me venha com essa! Em um ambiente plural, todos têm direito de publicar o que bem entendem!


- “Mas eu não discordo desse direito. A lista não trata dos assuntos das postagens, e nem das opiniões dos autores. Deixei isso claro na abertura! Apenas critiquei o modo como as coisas são feitas às vezes, chegando a comprometer o prazer e a utilidade da experiência, pois é possível tratar qualquer assunto de forma leviana, por mais importante que seja. E a pluralidade resulta justamente nisso aí: um ambiente onde todos publicam o que querem e onde todos criticam o que querem, mesmo que estejam se referindo a postagens de outras pessoas.”


Ora, meu amigo, mas isso se aplica não apenas às redes sociais, e sim à vida. Em uma sociedade que se diz democrática como a nossa, é essa a liberdade que se espera encontrar! Contudo, sabemos que há muitas pessoas que ainda torcem o nariz para essa constatação. Que não compreenderam que, provavelmente, as coisas nunca estarão acabadas. Essas pessoas podem sentir-se incomodadas...


- “Claro, claro... Liberdade de verdade é isso aí, mas... Já percebeu que está conversando com você mesmo?”


É, é verdade. É melhor parar por aqui.

 

Se antes de ler o seu comentário eu já era adverso às tais redes sociais, mas admitia uma mudança de ideia, você me convenceu totalmente. Além do Facebook e do Twitter serem ferramentas de espionagem (denúncia atribuída ao Julian Assange), eu não entro porque creio que os usuários ficam muito expostos. Depois do golpe no Paraguai eu leio todos os dias as notícias da edição on-line do ABC Color. Leio também os comentários. Em alguns casos dá para entrar no Facebook da pessoa e conhecer suas preferências, seus amigos, os sites que frequenta etc.  Acho que isto não está bom. Há que se preservar a privacidade. E eu quero preservar a minha liberdade.

 

LET'S PLAY THAT

                    Torquato Neto (musicado por Jards Macalé)

 

Quando eu nasci

um anjo louco muito louco

veio ler a minha mão

não era um anjo barroco

era um anjo muito louco, torto

com asas de avião

 

eis que esse anjo me disse

apertando minha mão

com um sorriso entre dentes

vai bicho desafinar

o coro dos contentes

vai bicho desafinar

o coro dos contentes

 

Let's play that