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As capitais Brasília e Washington

Estava visitando o blog Viomundo e me deparei com uma bela foto de Washington, capital dos EUA. É incrível a semelhança da esplanada dos ministérios/praça dos três poderes de Brasília com a esplanada de Washington.

Observe-se que tal semelhança é intencional. O traçado urbanístico de Lúcio Costa é uma citação do projeto da capital norte-americana. Aliás, interessante que o arquiteto teve a ideia-síntese do plano-piloto de Brasília quando voltava dos EUA numa viagem de navio. 



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Tenho uma amiga morando em Brasília, na Asa Norte. É incrível: ela tem uma varanda enorme virada para uma praça com lindas mangueiras!!! E o melhor: não tem carro passando embaixo da sua janela.

Acho Brasília um desbunde. O Congresso é um das construções mais bonitas que já vi! A cidade tem um quê de utopia que me encanta. E o céu... lindo de morrer!!!

Abraços a todos.

PS: Como alguém são pode defender a "arquitetura" do Lindenberg? Fala sério! Uma das coisas mais surreais que existem em Sampalândia! Há um desses monstros aqui perto de casa... compare o trabalho do Lindemberg com o que anda fazendo o holandês Rem Koolhaas na China em termos de prédios residenciais. Dá até vergonha de morar em SP.

 

Em tempo:

Meu primeiro comentário foi redigido antes da publicação do comentário do Alberto, com o qual comungo.

 

Ok, eu desisto!

Entre nós, nem o branco dos olhos em nossos olhares arquitetônicos.

 

Estou perplexo!

Não consigo encontrar espaço para uma eventual colaboração trazendo alguma luz a este debate, só me restando portando, começar deflagrando o terrível equívoco aqui generalizado.

Partindo de um post que traduz talvez a mais solene bobagem jamais publicada aqui, desdobra-se a surpreendente asneira, numa cadeia de comentários completamente desastrosos do ponto de vista da manutenção de algum sentido, seja Arquitetônico ou Urbanístico.

Falo na condição de profissional, e afirmo que os colegas comentaristas se viram reféns das circunstâncias, como Eliane Catanhede no episódio do “caos aéreo” que nunca existiu, e jactaram-se precipitadamente à condição de aptos à reflexão sobre o projeto de Brasília.

Recomendo àqueles que de fato tenham algum interesse sobre esse assunto específico, o livro – arquitetura – de Lucio Costa, Editora José Olympio Ltda., ISBN 85-03-00728-2. Como bem nos apresenta em sua orelha Maria Elisa Costa, “Trata-se de um livrinho que é uma preciosidade. Por quê? Passou mais de vinte anos escondido do público em geral. Foi escrito por Lucio Costa para integrar uma coleção de dez pequenos livros sobre cultura, coleção distribuída nas escolas secundárias do país pelo Ministério da Educação e nunca comercializada...”

Num de seus capítulos, especificamente – BRASÍLIA, CIDADE INVENTADA (memória descritiva) – o autor traduz em detalhes, de maneira extremamente singela e de fácil compreensão para leigos, afinal visava estudantes secundaristas, toda a sua extraordinária concepção da cidade de Brasília.

A leitura sugerida colocaria uma pedra definitiva sobre as superficialidades destiladas aqui, e recolocaria este grande brasileiro Lucio em seu devido lugar em nossa História.

Por favor, desculpem-me o eventual mau jeito!

 

 

 

Prezado Franciscão. Não há equívocos generalizados aqui. As pessoas estão emitindo seus pontos de vista o que, em arquitetura, leva sempre às discussões sobre autoria, datas, inspirações, motivações. Por mais didático que o Lúcio Costa seja no livro que você mencionou isso não o livra - felizmente - de ter recebido influência que, claro, tornou tão rica sua obra e, mais que isso, sua generosidade.

O equívoco, creio eu, está em polemizar sobre uma coisa até óbvia: a inspiração. O que inspira o arquiteto, muita vezes, é o sentido histórico, é a citação mesmo. Eu só quis colocar isso, o sentido da citação, ainda que sutil, ainda que contestável. É óbvio que Lúcio Costa é um dos maiores arquitetos que o mundo já viu. Partindo dessa premissa, é óbvio que ele não era ingênuo. Portanto, é óbvio que ele não viu Washington e falou: vou fazer igual no Brasil. A questão é de repertório, de conjunto de conhecimentos que se encadeiam e que qualificam os trabalhos de quem sabe utilizá-los.

O que é importante sempre colocar é que o Lúcio poderia (ele nunca faria isso) dizer que Brasília nasceu da cabeça dele, tão só e pronto. Ainda assim ele seria devedor (no bom sentido) de uma geração de arquitetos que lançou um conjunto de preceitos. O plano de Brasília me parece belo porque, antes de tudo, é fruto de uma geração e não o desejo do ego de uma pessoa só. Os resultados posteriores, bem, aí são outra história.

Sugiro aqui a leitura da tese de doutorado do professor Carpintero, da FAU-UnB. Ele fez um panorama da inspiração de Lucio Costa  para Brasília e avaliou também os outros planos que concorreram em 1956. É uma importante pesquisa sobre nossa história e sobre o trabalho de uma geração de arquitetos brasileiros, como Vilanova Artigas, os irmãos Roberto, Joaquim Guedes, Rino Levi...

CARPINTERO, Antônio Carlos Cabral – BRASÍLIA: PRÁTICA E TEORIA URBANÍSTICA NO BRASIL, 1956-1998 – Tese de
Doutorado – FAU/USP - São Paulo, agosto de 1998.

 

o plano de Washintgon foi realizado por L'Enfant no finalzinho do século XVIII (1791 se não me engano). Pertence a um movimento urbanístico característico da época e em voga na Europa nos "ensanches". É anterior aos trabalhos de Haussman em Paris.... E NÃO TEM NADA A VER COM O URBANISMO MODERNISTA DO DR. LÚCIO COSTA. É só comparar os traçados dos dois (e não somente o eixo monumental). 

Quanto a Lúcio ter feito Brasilia na volta dos Estados Unidos... bom, qualquer arquiteto medianamente culto conhece o plano de Washington desde a escola. Imaginem vocês se um homem da cultura reconhecidamente fora do comum como Lúcio Costa ia conhecer o plano de L'Envant numa viagem aos EEUU!

Claro que há heranças! Eixo simbólico do poder existe em quase todos os planos das cidades capitais. O interessante é comparar esses eixos, não achar que foi "uma citação". 

Realmente, como disse Malu.Lima: "o branco dos olhos é idêntico".

 

Não Alberto, não foi isso que eu quis dizer. Disse apenas que é fato que o quando do concurso do plano-piloto de Brasília o Lucio Costa voltava de viagem dos EUA de navio e, segundo ele próprio, no navio ele plasmou muitas ideias de seu projeto. Não significa que isso aconteceu porque ele tinha ido aos EUA e visto Washington. Isso foi uma curiosidade. Quanto à inspiração de Washington, cidade projetada inclusive com uma multiplicidade de símbolos maçônicos (coisa que Brasília não teve), é fato que a ESPLANADA é uma citação da esplanada de Washington, uma livre citação, sim, sem as mesmas funcionalidades, mas é uma citação, assim como as superquadras de Brasília são uma citação das ideias de Ville Radieuse, do Le Corbusier e da cidade jardim, do Parker e, ainda, o conceito das asas sul e norte são citações da cidade linear do Soria y Mata.  Quero dizer que, mais que os ideais do CIAM e da carta de Atenas, alguns elementos visuais da cidade são citações de outras, apenas isso.

 
 

A diferença é que no final ao invéz de um falo tem um traseiro.

 

Olha, eu acho a obra do Niemeyer horrível, não deixaria ele fazer nem a casa do meu cachorro. Aquela praça na frente do palácio do planalto: gigante, branca e sem nenhuma árvore é a coisa mais grotesca que eu vi na minha vida !

Bom, que gosta da obra do Niemeyer deve achar a lua mais bela que a terra...

 

O branco dos olhos é idêntico!

 

Amigas/os, todas essas cidades são inspiradas em Tenochtitlán, a capital asteca no México.

Será que um dia vamos reaprender?

Gustavo Cherubine.

http://pt.wikilingue.com/ca/Tenochtitl%C3%A1n

A maior parte de lago era salat (era conformado por um sistema de lagos unidos, mas a diferentes altitudes; às áreas com maior altitude a água era doce). Para evitar as inundações o 1450 construiu-se outro dique de 16 km. Este dique, mas, foi destruído pelos conquistadores por assetjar a cidade, a qual coisa provocaria graves inundações durante a época colonial da Nova Espanha durante o século XIX. Outros diques separavam as águas doces das águas salades do sistema de lagos. Os asteques construíram dois aqüeductes duplos a água dos quals era destintada à limpeza da cidade. Para beber, utilizava-se a água de deve-las. A maioria da população se dutxava duas vezes por dia; utilizavam a raiz de uma planta denominada copalxocotl (saponaira americana) como sabó. As classes altas tinham acesso aos temazcalli ou saunes, os quais ainda se utilizam em algumas comunidades indígenas ao sul de México.

Conforme com o historiador Torquemada a cidade era varrida a cada dia por 1000 homens, e durante a noite acendiam brasers de fogo para manter a cidade alumiada. Os conquistadores, ao destruir a cidade, abandonaram este costume, e a cidade ficou enfoscada por mais de dois séculos durante as noites. Existiam também canais especiais de drenatge que atravessavam a cidade da est para o oeste.

As prisões, denominadas tlalpiloyan ou cuauhcalco eram gàbies de madeira que se podiam colocar em qualquer lugar da cidade. A prisão fixa, o macuailcalli encontrava-se dentro do Recinto Sagrado, e era só a prisão dos espies.
Organização urbana
Ficheiro:Tenochtitlan Modell.jpg
Modelo da Cidade, Museu Nacional

Um agrupament de casas (chinancalli) denominava-se chinancalla. Na cada chinancalla tinha pequenas ruas de terra e acalotes, ou canais apertados para as canoes. Os chinancalla tinham uma forma regular, e estavam dispostos geomètricament em forma de quadrícula. Um agrupament de chinancalla formava um calpulli (bairro) com várias tlaxilcalli (ruas). Um agrupament de calupulli, acha-se que 20, formava um campan (parcialitat ou zona), e tinha cinco à cidade (altepetl), os quais representavam divisões administrativas e/ou religiosas:

...

 

 

Tenochtitlán 1
Tenochtitlán 2
Tenochtitlán e Diego Rivera
Tenochtitlán 4
 

Gustavo Cherubine

E ainda dizem que "descobriram" a America.

Belas imagens Gustavo.

 

E os arquitetos de Washington beberam da fonte pombalina do pós 1755, quando o devastador terremoto abateu Lisboa, e Pombal aproveitou pra acabar com a anarquia que era a arquitetura multissecular da velha cidade de tantas invasões e de tantos governos; e do já decadente ex-mega-império onde o sol não se punha. Ah, com nosso dinheiro, ressalve-se.

Foi um tal de cobrar de fintas que quase não mais acaba.

É impressionante como certas informações desaparecem.

 

Que incrivelmente é parecido com a torre Eiffel e o Campo de Marte...

 

Não sei fazer esse julgamento pois conheço só Brasilia. Mas essa´deve ser mais uma das razões porque os americanos nos chamam de happy monkeys (macacos alegres), imitamos tudo deles.

 

Por paradoxal que se pareça, castigo dos Deuses talvez, a capital do tio sam tem mais verde. Pelo menos na comparação dessas fotos aí. Abaixo o complexo de vira-lata, mas é uma evidência.

Será que Gonçalves Dias, em arroubo visionário, mudaria sua Canção do Exílio dizendo:

As aves, que ali não gorjeiam,
gorjeariam como as de lá.

 

Sinceramente, não vejo qualquer semelhança, nem remota, entre as duas cidades. Washington ainda mantem bem viva a urbanização anterior ao espaço planejado, Georgetown. Os predios do Governo não obedecem a nenhum agrupamento geometrico, cada um está em um lugar desconectado do outro, não tem predios identicos como os dos Ministerios em Brasilia, um seguido ao outro, há muitas pontes,contornos sinuosos ao lado do Potomac, há alguns espaços de traçado xadrez mas só no miolo, a conurbação é bastante irregular, sem contar que o grosso do comercio e residencias está na Virginia e não em Washington.

 

"O traçado urbanístico de Lúcio Costa é uma citação do projeto da capital norte-americana. Aliás, interessante que o arquiteto teve a ideia-síntese do plano-piloto de Brasília quando voltava dos EUA numa viagem de navio":

Eu nao sabia disso e das duas fotos comparadas nao da nem pra negar.  Sei que a arquitetura de Brasilia eh surpreendentemente  muito mais "totalitaria" que a de Washington, especialmente por ser mais repetitiva em grande escala.  Os edificios aa volta, por exemplo, todos com a mesma altura, desenho, e detalhes, e a falta de curvas.  Eh trabalho de alguem que nao pensa em zoom o suficiente pra uso decente de cor, por exemplo, ou de detalhes arquitetonicos que descansem os olhos mas que nao repitam o lugar-comum das florinhas e folhinhas de concreto e pedra.  Coincidencia ou nao, eh o mesmo erro do centro administrativo de BH, que ao menos gasta nas curvas e eh muito mais agradavel aos olhos (ja nao eh obrigatorio pra centro administrativo ter uma "escultura" enferrujada bem feiosa e baguncada na frente?)

As duas torres de Brasilia --me disseram que sao um pesadelo de ar condicionagem mas eu nao conheco-- nao se comparam aa Casa Branca, obvio.  O obelisco nao esta la pra ser funcional mas pela estetica (!!!) e a torre de Brasilia faz decentemente o papel da obrigatoria "escultura enferrujada e bem feiosa";  vai ver que eh por isso que ela esta bem longe dos politicos.  Ao obelisco de Washington (pedra sobre pedra, nao ha cimento algum ali) so se pode olhar pra cima, e aa torre de Brasilia olha se pra cima e depois olha se pra cidade toda:  a torre ganha, independente de haver pouquissima coisa pra se olhar em Brasilia, por ser mais inspirante mais efetivamente.

A esplanada de Washington eh beleza de pouquissimos locais do mundo.  Do que eu me lembro da de Brasilia nao havia uma unica sombra de arvore nela, nem sequer um banco pra se sentar, nem um misero carrinho de cachorro quente. e nao dava pra passear nela com qualquer medida de comforto.  (Ja deve haver, estou falando de 30 anos atraz.)

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

 

Washington e mais bonita, eu não gosto da arquitetura do Niemaier, acho sem personalidade!

agora e a frasesinha da Dilma, e de lascar, sei que é para o povinho ignorante que ela falou, mas meu Deus, que pobreza de espirito dessa mulher,  e por essas que acredito que o Lula e forte demais, afinal a Dilma conseguir 40% com esse tipo de pensamento sem o Lula jamais

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Discutir "gosto" é meio inútil, mas podemos discutir fatos:

Fato: Niemeyer é considerado uma das pessoas mais influentes da história em diveras listas de organizações mundiais e publicações internacionais. Não é obrigatório gostar dele ou de seu trabalho. Mas é um consenso mundial de pessoas respeitadas e profisionais da área.

Fato: "povinho ignorante" é uma evidente demonstração de preconceito, que prejudica a "sábia opinião"...  de torcedor... (ou talvez avalie o trabalho de Niemeyer por suas posiçõe politica, que seria outra bobagem).

 

Cresci em brasília e aprecio a cidade como somente um nativo poderia apreciar.

Os "estrangeiros" queixam-se justamente do que eu gosto: concreto aparente, o conjunto do urbano com o céu azul infinito (extinto em outras cidades) e diga-se de passagem, muitas árvores em todo o Plano Piloto. Não compreendi a fala dos colegas que não as viram na cidade, pois um amigo holandês visitou minha quadra e disse que sentia-se em um parque.

Quanto à esplanada (e as linhas retas do Niemeyer), posso dizer que ela foi feita para emitir um padrão simétrico e facilitar a percepção que é parte de um conjunto. Então não podemos falar que Niemeyer não tem estilo, pois sua obra é típica e carrega a assinatura do concreto e da estética modernista indepentente da ideologia ecológica e estética contemporanea, mesmo que seja pouco funcional.

Inclusive, como ex-bailarino clássico, posso falar que a sala para ensaio de dança do Teatro Nacional é típica do Niemeyer porque é linda e tem o formato de um piano de cauda, mas as curvas Confundem os bailarinos durante suas piruetas.

Então creio que Brasília ainda hoje é uma cidade pouco compreendida (e pouco apreciada) em sua história, ideologia e intervenção desarmônica da ditadura militar que abortou e deformou seu desenvolvimento.

Entretanto, fecho meus elogios a Brasília com uma pergunta-desafio aos colegas leitores, pois até onde sei Brasília foi tombada como patrimônio histórico da humanidade, honraria nunca conquistada pela capital norte-americana. Isso é verdade?

Aliás, até onde sei, Washington agrega elementos de arquitetura romana que remetem simbolicamente a um império, ao contrário de minha Brasília modernista idealizada por comunistas que acreditavam construir a capital do futuro.

Abraços aos colegas.

 

Não entendi nada. Que frase da Dilma? Ela disse isso do Niemeyer?

Sobre as duas capitais, pela foto realmente parece haver uma inspiração do urbanista. Mas prefiro muito mais os prédios de Niemeyer a esse neoclassicismo rocambolesco. Os edifícios de Brasília compõem, pra mim, a sede de poder mais bonita do mundo. 

 

Pois é Marco, também concordo com você. Essa coisa "blo de noiva"  só é bonita ligada a um certo período da historia. Pelo menos só assim eu vejo graça nela.  No contexto de hoje, ou melhor dizendo, do início do século XX pra cá  ficou meio que fora de lugar e de tempo.

Sobre Brasília, ai não dá para citar só o Niemaier sem citar o Lucio Costa, eu acho que é linda! E não é só eu. E não é por carecer de aprovação, mas por orgulho, digo que o pessoal lá fora, "baba"  com a maravilha que é a nossa Capital. O nosso pessoal é que ainda não tá muito acostumado a gostar do que tem. Isso é historico mas vai passar...  Já predisse o Chico em uma linda e bem humorada musica...rs.

Eu acho, e ai é pessoal, que SE o nosso famoso arquiteto usa em demasia do  MATERIAL concreto, suas alternativas de traçado são limpas, suaves e harmonicas e bem caracteristicas.   Não dá para simplesmente ver o material indistintamente fora do contexto historico e da obra em si. Tudo faz parte e é linguagem em separado que em coro forma um canto unico. Dissonante para uns e para outros com ouvidos mais apropriados não. Compreensivel. Penso.

Eu tenho o maior respeito pelo trabalho do Lucio Costa, do Niemaier, dos artistas representados lá tais como Burle Marx, Dante Croce,  Alfredo Ceschiatti, Di Cavalcanti, Atos Balcão e muitos mais. Brasilia não é meramente uma Capital Federal, nem uma proposta arquitetônica modernista, ou uma galeria de arte repleta de obras de artistas de grande talento. Brasilia é tudo isso junto!  Eu tenho muito orgulho de Brasila.

 

 

desculpe, mas os predios governamentais de Washington podem parecer bolos de noiva se comparadas com as caixas sem estilo de Brasilia, mas tem a personalidade que falta na capital brasileira,  Olhando as fotos na materia tenho a impressão que estou vendo predios do Cingapura.

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Para você entender o que são o que você chama de caixas sem estilo, você precisa entender primeiro o conceito da abstração, a obra de Mondriam, Malevitch e tudo mais que sucedeu não só na arte apatir de então e incluindo-se ai a incorporação dessas linguagens à arquitetura. Sem esse conhecimento, fica mesmo dificil você querer aprofundar nesse assundo, dai talvez seja melhor mesmo você ficar apenas no campo do "eu gosto ou eu não gosto" e protno.

 

 

é ficou confuso mesmo!

 

a opinião sobre Brasilia e minha!

faltou inserir a frase da Dilma sobre ela querer ser a Mãe dos brasileiros! de um indigencia absurda!!!  Olha se o candidato do PSDB fosse outro que não o Serra que ficaria tentado a mudar meu voto!

 

 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Se Dilma disse isso estou com ela. Niemayeré um lendário arquiteto mundialmente conhecido mas não é incriticavel. Usa e abusa do concreto, não evoluiu ecologicamente, o Memorial da America Latina é um concreto só, parece que tem horror à natureza, algumas obras são lindas, como a marquise do Ibirapuera e os predios da Bienal e do MAM tambem no Ibirapuera, outros são realmente muito feios, nenhum arquiteto faz só coisa boa, tem fases, ciclos, acertos e erros. Niemayer não está acima de criticas. Os setores comercial, hoteleiro e bancario de Brasilia são simplesmente horrorosos, parecem acampamentos temporários, doe na vista de tanta feira. Niemayer troca qualquer outro fator, como luz, conforto, funcionalidade pela estética geometrica, a estética manda no resto, não é uma arquitetura equilibrada.

Washington é muito bonita por causa do verde, é uma vegetação exuberante por todo lado e a arquitetura tem uma boa mescla do antigo, do classico e do novo, só tem edificos baixos e torna-se uma cidade aprazivel por causa da harmonia geral dos elementos arquitetonicos.

 

Andre Araujo:

Ha algum tempo li uma afirmação sua aqui no blog dizendo que achava linda a arquitetura dos prédios de Adolfo Lindenberg. Jamais me esqueci disso, porque, ao mesmo tempo, você costume criticar os gostos das pessoas, classificando-os como deselegantes ou pouco sofisticados.

Para mim não ha nada mais brega, grotesco e feio do que um prédio de Adolfo Lindenberg. Representa precisamente o gosto do paulista rico de dinheiro e pobre de cultura, daqueles que tem o Teruz como o maior pintor brasileiro, acham o João Gilberto "um chato" , o Diogo Mainardi um "grande jornalista" e  não perdem um show do Roberto Carlos.

Portanto nada mais natural do que alguém que acha tão lindos os prédios do Adolfo Lindenberg, fazer tantas criticas a arquitetura de Niemayer, um dos maiores gênios do seculo.

Quanto a sua admiração pela beleza da arquitetura de Washington, já seria previsível. Ela decorre da sua idolatria pelos americanos.

 

Niemeyer é um arquiteto de fama mundial, mas não é só ele. Le Corbuisier e Frank LLloyd Wright tem tanta fama quanto ele e são muito criticados tambem, ser humano não é Deus, é sujeito à criticas. Niemeyer não costuma interagir com a natureza, ele tem paixão pelo concreto puro, pela forma geometrica, sacrificando o resto em função da forma. O Palacio da Alvorada foi considerado por todas as primeiras-damas que lá habitaram como absolutamente disfuncional, no calor é uma fornalha, no inverno é um congelador, o cheiro da cozinha se espalha por todo o Palacio,

o arquiteto não se preocupou com a função ""moradia"", só com a estética geometrica. O Alvorada já foi submetido a tres grandes reformas, a ultima no Governo Lula, porque tem defeitos quase insanaveis. Já o predio do Ministerio das Relações Exteriores é belissimo, uma joia. Portanto tem coisas belas de Niemeyer e tem coisas ruins, ele continua sendo um grande arquiteto mas o grande drama de Brasilia é a ausencia de natureza, pouquissimo verde entre os edificios, não há cultura em Brasilia que exija uma interação de tanto concreto com a natureza, a sociedade que frequenta a Esplanada é tosca, não quer saber de mato.

 

Meu caro Antonio : Em São Paulo foram e estão sendo construidos grande quantidade de edificios horrendos, bregas e sem arte. São os Golden da vida, os Maisons, os Piazza, todos com nomes estrangeiros (muitas vezes grafados erradamente), arquitetura mediocre, um estilo kitsch que mistura georgiano, neoclassico, mediterraneo, uma salada pavorosa, parecem predios do filme Batman. Mas os predios da Construtora Adolpho Lindemberg não se inserem nesse grupo. São prédios de um estilo bem definido, um neoclassico de linhas equilibradas, que tem imitadores mas não atingem o padrão Lindemberg. Por essa razão o valor de revenda dos predios com a assinatura CAL são altos, o mercado valoriza essa arquitetura. Voce pode dizer que é tradicionalista mas não brega. O comprador desses apartamentos tem um perfil bem distante do tipico brega paulista, um sujeito filho ou neto de imigrantes que enriqueceu e migrou da Zona Leste para os Jardins, Moema ou Vila Nova Conceição. Esse novo rico definitivamente não curte edificio Lindenberg. Eu conheço alguns moradores dos predios da Rua Cristovão Diniz, atrás do Paulistano, são cinco belos edificios de 12 andares,  os moradores são todos quatrocentões ou ricos antigos, são apartamentos de 3 ou 4 milhões de reais..o Dr.Adolpho sempre deu nomes genuinamente brasileiros a seus predios, não tem nome estrangeiro como fazem os edificios ""modernosos". Outra prova do nivel desses predios Lindenberg é que não perdem o valor de mercado pelo tempo, o estilo é atemporal. Uma cidade bonita como Buenos Aires tem grande parte de seus edificos residenciais no estilo neoclassico.

De resto é uma questão de gosto, eu acho-os belos edificos mas voce tem todo direito de não gostar.

 

Pois é, Andre Araujo, não é sempre que discordo de você.

Agora, por exemplo, concordamos , gosto é gosto.

Por isso mesmo quem acha "belos" os edifícios do Adolfo Lindenberg, certamente terá sempre fortes criticas a obra de Niemayer, assim como quem aprecia Benito de Paula não deve escutar Thelonius Monk ou  Erick Satie. Questão de gosto. Quem coloca na parede um quadro do Teruz, certamente não o trocara por  um Ibere Camargo, como quem acha o Diogo Mainardi um grande jornalista, não deve reconhecer o talento de Jose Hamilton Ribeiro.

Mas para ser um pouco mais preciso na colocação, o "gosto" não é apenas um sentimento avulso, mas um complexo de valores. Por isso mesmo, quem idolatra americanos, detesta certamente Fidel, como quem gosta do Lula jamais votaria num Maluf. Quem comprou uma casa projetada por Niemayer, jamais pagaria um "alto valor" por um imóvel do Lindenberg. E por ai vai.

Eu ja conheço muitos "quatrocentões ou ricos antigos" bem bregas, grosseiros e ignorantes. Em geral conhecem mais sobre modelos de automóveis ou marcas de grifes do que de artes ou literatura. Alias, grande parte do atraso desse pais decorre da mediocridade intelectual de uma parcela desse pessoal. Tem grandes fortunas, mas mentes pequenas.

Por outro lado, me contrapondo como de costume aos seus conceitos, ou preconceitos, conheço muitos "sujeitos filhos ou netos de imigrantes que enriqueceram e migraram da Zona Leste para os Jardins" que possuem grandes coleções de artes, bibliotecas e frequentam assiduamente os bons concertos..

 

Meu caro Antonio, eu respeito muito seu interesse pelos mesmos temas que cultivamos. Vou responder a seus otimos comentarios. Pela minha trajetoria de vida, de empresario do ramo de metalurgia pesada no ABc, por 30 anos,  depois por ter sido dirigente sindical patronal do maior sindicato nacional por faturamento das associadas, por vinte anos, indo ao predio da FIESP todo dia, eu conheci centenas de empresarios. Quando se faz uma analise sociologica infelizmente temos que ser esquematicos porque caso contrario não dá para analisar. É obvio que existem novos ricos cultos e é tambem obvio que existam qiatrocentões boçais. Um dos melhores amigos de meu pai é filho de sapateiro, ficou rico, é um dos homens mais refinados que conheço, estudou direito à noite e pode se apresentar como um lorde inglês. Por outro lado, no Paulistano se veem quatrocentões que vc não convidaria para ir a sua casa. Mas ambos são exceções. O pobre que virou rico, na 1ª geração, dificilmente consegue se refinar, até por uma questão de tempo. Os muitos que conheço são ignorantes com dinheiro, adoram a revista CARAS, acham o maximo qualquer celebridade, não tem livros em casa e se tem quadros é porque o decorador colocou lá. O refinamento necessita tempo, o filho desse ignorante se frequentar boas escolas e bons ambientes vai ser muito melhor e o neto já (no Brasil) aristocrata. Em São Paulo uns 80% dos empresarios novos-ricos de 1ª geração são ignorantes incuraveis, o aculturamento não se faz só com dnheiro e realmente a origem faz diferença, como bem sabe a aristocracia inglesa, que se distingue pela linguagem, ninguem consegue imita-la. Eu viajo muito ao exterior e de dez turistas brasileiros, 9 não frequentam e nem querem saber de museus. É loja, loja e loja. Nos EUA ou na Europa. E estou sendo otimista, é ainda menos que 10%;

Em São Paulo há muito dinheiro em mãos de pessoas de origem imigrante ou caipira, na 1ª geração, esquece. Não se refinam nem a peso de ouro,  fingem que conhecem grifes, enganam bem com vinhos, as peruas deles usam aquilo que acham que as pessoas finas consideram  chiuqe mas não tem percepção natural de bom gosto, agem por imitação. Na 2ª  geração melhoram muito (dependendo da escola)  e na 3ª mais ainda. Essa é a realidade que eu conheço por dentro morando em São Paulo desde que nasci. E já que vc gosta de arte, registro que tambem gosto, aqui em casa tivemos por anos aulas particulares de historia da arte com Oswald de Andrade Filho (o Nonê) e nosso hobby é pintura brasileira.

 

Achei muito interessante vc levantar essa semelhança entre as duas capitais.

Remeteu-me então a um artigo de um ex-professor da FAU /UnB ,cujo trecho transcrevo abaixo:

"Nos esboços iniciais, a Esplanada contemplava espaços para comércio e serviços complementares às atividades principais. Os blocos dos ministérios eram interligados por edifícios mais baixos, que abrigariam usos diversificados. Os serviços convidariam a uma rápida parada dos motoristas a caminho de casa. Mais vantagens: 1) os que trabalham no local economizariam viagens feitas para serviços hoje ausentes, particularmente na hora do almoço; 2) os serviços induziriam maior presença após o horário comercial, a beleza do espaço convidaria para uma happy hour, hábito comum no centro do Rio de Janeiro, por exemplo; 3) o espaço aberto ganharia em definição, superando-se a inadequada descontinuidade entre os blocos ministeriais, problema inexistente na proposta original; 4) a Esplanada ganharia em urbanidade, ao incorporar contingentes populacionais além dos que trabalham ali; 5) o espaço seria mais vivido instrumentalmente por dentro, do que usufruído expressivamente de fora; 6) a Esplanada estaria mais próxima aos Champs Élysées, referidos por Lucio Costa nos textos."

"O caráter eminentemente simbólico da Esplanada levanta outro problema. A mídia adora exibir a equação Brasília = alienação, como se o isolamento físico do espaço do poder resultasse no desinteresse ou na impossibilidade de a população participar dos processos de decisão política. Fatos o negam: durante os movimentos sociais que levaram ao impeachment de Fernando Collor de Mello, algumas das mais importantes manifestações populares ocorreram em Brasília, na Esplanada dos Ministérios.

Entre os traços mais típicos da cidade moderna está a desertificação dos espaços abertos de uso coletivo, que acontece pari passu ao "declínio do homem público" (Sennett, 1988). Se a visibilidade do outro no âmbito público é a quintessência da urbanidade, isso não existe na Esplanada dos Ministérios como, ao contrário, há em Washington ou Paris."

por Frederico de Holanda -Urbanista para a revista AU

 

Por coincidência voltei estes dias de Washington que realmente é uma cidade lindíssima. Mas não acho que tenha nada a ver com Brasília. Já ouvi falar que a planta de BH foi inspirada na planta de Washington. Alguém sabe dizer se a informação procede? ( que não seja o Ivan, peloamordedeus! hehehe) Da primeira vez que fui lá achei que, com mtaaaaaaaaa boa vontade lembrava um pouco, por causa do desenho dos quarteirões. Desta vez já não  consegui ver nenhuma semelhança. Enfim, cada cidade tem seu encanto.