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As obesas vetadas no concurso para professor

Folha de S.Paulo - Meu peso nunca afetou meu trabalho, afirma professora - 03/02/2011


Docente de educação física diz que também foi vetada por perícia por ser obesa


"Em 8 anos, só sai de licença para ter meu filho", diz professora, que também passou em concurso do Estado

TALITA BEDINELLI

DE SÃO PAULO

Dando aulas de educação física há oito anos no Estado, Kátia Ramires, 29, afirma que também foi barrada no concurso para contratação de professores da rede estadual de SP por ser obesa.

Assim como ela, outras cinco mulheres afirmam ter sido vetadas por causa do peso, conforme informou a Folha ontem. Todas já haviam sido aprovadas em duas provas e feito um curso de formação de professores. Elas foram consideradas "inaptas" pelo Departamento de Perícias Médicas de SP.

As professoras afirmam que seus exames estavam normais e duas delas dizem ter ouvido do médico que realizou a perícia que provavelmente seriam reprovadas por causa do peso. Kátia e outro professor que procurou a Folha ontem à tarde, também "inapto", dizem ter ouvido o mesmo do médico.

Kátia é professora de educação física da rede há oito anos. Trabalha como professora contratada (sem concurso). Ela também dá aulas na prefeitura desde o ano passado, onde foi aprovada em concurso e passou "ilesa" pela perícia médica. Ela já era obesa mórbida e diz que o peso não a prejudica em nada na realização das atividades. Leia a entrevista.

 

Folha - A obesidade afeta seu trabalho?
Kátia Ramires
- De forma alguma. Minha flexibilidade é ótima. Jogo esportes com os alunos. Sempre pratiquei esporte, mas sempre fui gordinha. Fiquei obesa depois que meu filho nasceu, em 2008, mas meu peso nunca me impossibilitou de nada.

Você já tirou muitas licenças?
Em oito anos só tirei uma única licença, ao engravidar.

Como foi a perícia?
Me senti humilhada. O médico perguntou se eu sabia que ser obesa era causa de reprovação no concurso. Falei que eu tive filho há pouco tempo e ele me disse que eu ainda comia como [se fosse] gestante, que esqueci que o bebê já tinha nascido.

O que você fará agora?
Darei aulas na prefeitura e como professora contratada no Estado. O que mais me revolta é que fui a 38ª colocada em educação física na cidade de São Paulo no concurso.

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+80 comentários

Marcia, seu comentário é preconceituoso.

Você não ofende os obesos diretamente, mas dizer que é fácil deixar de ser obeso é o mesmo que dizer que é fácil deixar de ser idoso, homoafetivo ou negro.

Pois recursos médicos existem sim. Você pode até deixar de ser careca... Mas para que?

Perder a identidade e entrar na fila do "todos estamos no padrão e somos iguais."
Só para afirmar que essa perícia médica estava certa?

Não. Ser gordo não significa ter mais problemas de saúde.  E sim, tem gente gorda simplesmente por genética. Não é comer mais. Fico revoltado com esses profissionais da saúde despreparados e sem visão crítica acerca do tema.

As pessoas estão usando a saúde como forma de camuflar a estética.

É burrice achar que um gordo tem mais problemas de saúde. Um magro tem tantos quanto...

É puro preconceito. quem disse que se precisa emagrecer? Se a maioria acha mais bonito e sexualmente atraente, que importa isso para a profissão? ( a não ser modelos e similares)

Eu sempre fui magro e sempre cultuei corpos avantajados. Aos poucos estou engordando por opção. E espero que isso não me traga problemas como esse PRECONCEITO futuramente. Caso eu tenha, não é porque eu estou errado em engordar, e sim porque a socidedade é hipócrita, corrupta e preconceituosa.

Um comentário inicia dizendo que não está fazendo apologia ao gordo, mas defende.

Eu explicitamente faço apologia ao gordo, acho digno ser gordo, assim como ser  magro. Aliás, mais digno. Mais bonito, mais feliz e mais natural que se matar fazendo academia, se privando das delicias da vida, se matando em dietas, neuroses e problemas de aceitação. O único problema do gordo são os outros. O inferno são os outros, como diz Sartre.

E para quem discorda, pesquise melhor o tema da saúde. Ser gordo muitas vezes é simplesmente genético. Não há o que se fazer. Existem problemas de saúde ligados a gordura, mas também existem problemas de saúde ligados a cor da pele. É idiotice culpar essas características físicas.

 

Nassif, bom tarde! 

Meu nome é Breno e sou professor recém ingressado no quadro do Estado de São Paulo. Conforme já havia frisado em post anterior referente ao exame médico do professorado, informo nova dificuldade para os 9.000 profissionais de educação, que tomaram a devida posse e entraram em exercício a partir de 08/02/2011, e em sala de fato em 10/02/2011, com referência a parte salarial.

Saiu em matéria do dia 19/02/2011 no Jornal agora São Paulo, assinado pela repórter Carolina Rocha, publicação sobre o pagamento do professorado, mas com um detalhe importantíssimo não exposto, que somente aqueles que já trabalharam como temporários no Estado anteriormente receberam no mês de Março – se os mesmos tiverem tomado posse antes de 14/02/2011, conforme cadastro do sistema Prodesp existente, ocorrendo somente um migração de dados. Detalhe, para aqueles que nunca serviram ao Estado, o que abrange a maioria dos ingressantes, foram negadas a inserção do cadastro da Prodesp, onde o sistema não localizou os dados – RG, CPF – nem se quer para atribuição de aulas, ou seja, muitos estão lecionando sem um controle específico, somente na confiança do sistema interno das secretarias de cada escola em particular, mas sem a certeza que o sistema Prodesp estabelece na formatação da grade escolar e na manutenção das salas de aula. 

Este fato ocasionará um atraso para milhares de pais e mães de famílias, que dependem do salário para manutenção das próprias vidas e de seus dependentes.

 

Nassif                         Boa Tarde

Enviei um comentário,  extenso, perdi meu tempo e voce não publicou !

Solicito por especial favor, devolver-me o texto, enviando ao meu e-mail, uma vez que na hora de salvar, eu não consegui, porque cliquei no pré-visualizar e o texto não apareceu por completo.

Se voce recebeu,e não quer  publicar, não tem problema, apenas me ajude devolvendo a mim.

Todavia, se não recebeu, me avise, que assim que tiver um tempo,  faço de novo, para a sua apreciação e possível publicação.

Obrigado e Sds.

Frank

 

Gostaria de contribuir Prezado Jornalista Luis Nassif,  demonstrando tb. a minha indignação com esta atitude preconceituosa do Governo do Estado de  São Paulo, em impedir as Professoras que estão acima do pêso de serem empossadas.  Primeiro ser professora na Rede Pública Estadual, já é um ato de coragem !  dada a frequencia de alunos(as) de sabida periculosidade; outrossim, elas não estão preiteando uma vaga em uma "Maratona"  onde teriam de correr bastante para vencer ! e sim  querem praticar o "Sublime Ato de Ensinar "  dentro de dependencias internas, e finitas;  que não é para qualquer um ! eu mesmo não tenho saco !!! Ademais, se estão preocupados com licença que viriam a ser pedidas, por elas, por este motivo no futuro, então que pelo menos  se estabeleça alguma regra,no mínimo mais justa e cidadã;  e se a  professora ou professor nesta condição, estiver em plenas condições físicas e psicológicas, que não os impeça no momento da contratação de darem aulas, não  há que negar a posse ! Se for ver, é como li num comentário acima, tá cheio de magras e magros de licença, é verdade ou não ?  Então Governador Alckmin; deixe as nossas "Gordinhas" trabalhar, tenho certeza que elas vão ajudar em muito o engrandecimento dos brasileiros(as) de São Paulo, e quiçá do Brasil. E outra, tem coisa mais linda do que uma gordinha ?  quem gosta de osso  é cachorro ! e tem bastante nestes desfiles  hipócritas que tem por aì !!! A gente não está aqui defendendo a Gordura, nem a Magreza, o que é preciso, sim, é respeitar o estado natural em que se encontram as pessoas, respeitá-las e dar-lhes o direito a uma vida digna de trabalho, não condená-las ao ócio forçado, piorando a situação delas !  Aliás, pressupor  ou prever má fé por parte destas postulantes ao cargo de professora(or)  achando que elas tomarão posse e depois de alguns meses pedirão afastamento pelos problemas do excesso de peso; é o mesmo que condená-las sem direito a um julgamento justo ! E se a Saúde  está estável,se elas estão podendo ir e vir, e cuidar de si próprias, elas tem o direito de  lecionar. É como disse o RATINHO outro dia, em seu programa no SBT, o que precisa ver é  QUE  :   TEM  MUITAS   PROFESSORAS(ES)    DE  LICENÇA !!!  Para um bom entendedor(dora), um PINGO É LETRA !!! REFLITAM !!!  e fiquem livres para tirar as suas CONCLUSÕES !  Ah,  você sabe que um magro(a) hoje pode ser o obeso de amanhã, então quer dizer, que quem entrou magro(a) pode ficar gordo(a) a vontade, pois já entrou mesmo, né ?  Também não seria possível a uma pessoa infelicitada com o seu peso muito acima, e que não consegue nem fazer direito a sua higiene pessoal ou ir e vir normalmente, dar aulas também normalmente, e que na verdade precisam de ajuda de outrem no seu dia a dia, o que a gente fica triste e lamenta por elas, e neste caso já é uma questão de saúde, até pública, que inclusive todos as esferas de  Governo deveriam ajudá-las, sem que elas tivessem  de  recorrer a algum programa de televisão, ou a caridade de algum filho(a)  de DEUS; mas não é delas(es) que estamos aqui nos referindo. Porventura as Leis, os deveres e as obrigações, não são iguais para todos ? em nosso país ? Então porque discriminar, com  um  Apartheid entre gordos e magros ?  E VIVA A DEMOCRACIA !!! quer gostem ou não gostem, eu luto  por ela,  sempre. e fica a pergunta, este preconceito é democrático ?  ou republicano ?, ou é um sonho de terror de algum burocrata, tecnocrata incrustado no governo ?  Pergunte ao POVO que o  elegeu   Governador, se estão  de acordo com isto ?  Ademais, na nossa  Jovem Democracia, o Governo é do POVO, E PARA O POVO não é mesmo ? e parafraseando um conhecido e nobre deputado, que disse certa feita :  " O QUE O POVO QUER, ESTA CASA TAMBÉM QUER "  lembra ?   E o que queremos, V.Excia. também deveria querer ! democraticamente !!!

 

Sou professora,por causa da correria a maioria dos professores estão acima do peso, pois a maioria trabalham em duas ou três escolas, o nosso único tempo é pra comer um lanche rápido qd dá tempo. Acho que o governo deveria era investir mais em cuidar da saúde dos professores e não gastar em propagandas dizendo que os educadores não estão preparados,estão desmotivados ou incapacitados para o trabalho. Sinceramente quem é professor hoje em dia é por amor a profissão e não pelo salário.Também sou obesa já sofri vários preconceitos por causa disso quase perdi a vida ... fiz uma cirurgia a médica  desde do começo me era muito arrogante me humilhando dizendo que deveria emagrecer mesmo descontente com meu peso marcou minha cirurgia da qual  cometeu o erro médico   esqueceram o metal é de 40 cm dentro do meu abdômen e a mesma justificou por ser obesa o metal deslizou e dificultou a visualização do mesmo  veja o raio-X no Youtube http://www.youtube.com/watch?v=J756zqLKtGA

 

Se isso acontece na area da Educação, fico muito triste. Imagine o que nao acontece na area se Segurança Publica, durante os concursos principalmente para delegado de policia, que tem que passar por uma entrevista pessoal, reprovativa, e so apos isso sabe se passou ou nao. Talvez seja por isso NAO VEMOS NEGROS COMO DELEGADOS. Se discriminam gordos no governo, discriminar negros é mais facil ainda. LAMENTAVEL. Tem que acabar o poder dessas familias no estado de São Paulo.

 

Quero registrar meu protesto, minha indignação e minha solidariedade as  candidatas discriminadas E IMPEDIDAS DE  TRABALHAR - até o momento, só vi mulheres. Só pode ser discriminação. Se o critério alegado pelos médicos é "saúde", nada mais hipócrita e sem cabimento. Então, que exonerem todos os fumantes, alcoólatras, hipertensos, diabéticos, ex-enfartados etc. Na sua grande maioria, pelo menos no governo do estado de São Paulo, comissionados. O que não falta no governo estadual é pedido de licença-médica, inclusive, de gente magra. É sabido que há funcionários saudáveis que arranjam atestado FALSO pra licença médica, com remuneração.
Aliás, magreza também é doença. Muitas mulheres jovens, em nome de uma suposta beleza, estão muito abaixo do peso, sua altura não condiz com as medidas de um adulto. Com o tempo, essas mulheres têm todo o perfil para desenvolver osteoporose.
E, em relação aos fumantes: pela lógica do capital, da produção, com a lei anti-fumo, os funcionários, ao se ausentarem do ambiente de trabalho para fumar na rua, estão causando prejuízo à empresa, pelos minutos que deixam de trabalhar.

 

Pra mim isto se liga ao Rodeio das Gordas com alunos da UNESP, onde cerca de 50 estudantes particaparam. Um estudante chegava xavencando uma estatudante gordinha e em seguida, montava-a. Ganhava quem ficasse mais tempo. Em resposta outros estudantes, organizaram o   I Festival Interunesp contra as opressões. Só que ele quase não aconteceu porque o reitor proibiu. Quem era esse reitor? É o novo secretario da educação Herman Voorwald.

 

A obesidade é uma disfunção que já atinge 35% da população adulta brasileira. Ela está relacionada a diversos problemas de saúde e compromete o bem estar dos indivíduos, inclusive, colocando suas vidas em risco.

O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial de pessoas que sofrem de obesidade mórbida, pessoas com Índice de Massa Corporal acima de 40.

Só em Salvador, o universo é de 90 mil obesos mórbidos, além de 300 mil obesos. A doença é denominada “mórbida” pois traz consigo patologias associadas que o obeso pode vir a apresentar e que representam risco de vida.

As mais comuns são:

diabetes
hipertensão arterial
insuficiência cardíaca
apnéia do sono
impotência nos homens
infertilidade nas mulheres
falta de ar ao menor esforço

Também pode apresentar problemas:

Sociais

Como irregularidade no trabalho, perda de emprego ou dificuldade de conseguir emprego, dificuldades para realizar tarefas simples como sentar numa cadeira, andar de ônibus, subir escadas e até mesmo se locomover em casa

Psicológicos

Como dificuldades afetivas e sexuais, sentimento de isolamento e discriminação, frustração em relação ao vestuário.

Causas da Obesidade Mórbida

comer em excesso
comer rápido demais
comer mal
falta de exercício
predisposição genética
fatores psicológicos

Fonte: www.hportugues.com.br

 

Se o critério vale para o ex Ministro do STF Eros Grau, reconhecidamente um obeso módido, porque não valeria para uma professora de educação física, que poderia diminuir o seu peso se exercitando, ao contrario dos ministros do STF?

Na adminitração tucana, tudo pode piorar, sempre.

 

A  verdade  é que  quem sofre   de   obesidade mórbida tem    muitas      limitações. Tenho exemplo de minha  sobrinha, mulher  com 28 anos , 130  kg, não conseguia nem fazer  uma boa higiene pessoal, além de pressão alta,  etc.

 

Munida de uma liminar  fez   cirurgia batriátrica há 2 anos, e hoje está com 58 kg e muito feliz da vida.

 

 

 

Beleza, Márcia. Por outro lado, temos pessoas como as professoras do caso, que não tem problemas com o peso e pq motivo teriam que fazer qq tipo de cirurgia? Para satisfazer a quem? Elas não tem problemas de saúde, estão muito bem, obrigada com seus maridos, filhos, profissão, etc.... E aí vem o Estado e diz que não. Não o que? O que tá mal e para quem tá mal?

A questão não é o peso das pessoas é saber pq o peso delas incomoda os outros.  Não tem esse papo de saúde, isso é ridículo, se o Brasil fosse preocupado com saúde um moleque não entrava para operar o lábio e saía de lá operado do abdomen, ou uma menina não tomaria vaselina ao invés de soro, ou um bebê não perderia um dedo qdo uma enfermeira fosse retirar um curativo. Fala sério. Isso é imposição de padrões de beleza e vc sabe disso.  O problema é que já tá todo mundo de saco cheio disso.  E aí vem a grande loucura, seus exames estão ótimos mas vc vai trazer problemas um dia... Legal, o que mais existe no Brasil é funcionário público de licença, eles tem tudo... Pelo texto, elas não tem licença nenhuma ( fora a maternidade ). E, então? Quem é o doente? Quem está nos dando prejuízo e tem que vazar? Faz sentido o marido de uma delas estar aqui há 100 comentários chancelando um curriculum? Isso é uma aberração. Eu gostaria de lembrar que a profissão que mais pira no serviço público é o magistério, procure entre os que vc conhece e veja qtos não tiraram licença.  Essas professoras que o Estado está vetando são o que de melhor nossos filhos poderiam ter nas salas de aula. São resistência, são guerreiras, isso é ser cidadão, exigir direitos e cumprir deveres. Pq diabos, eu só vejo isso acontecer com mulheres?

 

 

Por neide

A única Loja bonita  que conheço que faz os modelos 46 para suas roupas é a Shouder de São Paulo, a maioria das Grifes só produz até  44 e quando por milagre atingem essa modelagem. A maioria só faz números ridiculamente pequenos. Citaria sem pestanejar 10 lojas em Salvador que quando têm números acima de 42, a roupa serviria para minha avó usar de tao antiquada.

 

Ainda tenho outro elogio a Shouder, ela  é super delicada com as gordinhas, o 46 serve para uma pessoa 48,  eh,eh,eh......

 

Bom

o trabalho que o jornalista não fez:

edital do concurso: http://fcc.telium.com.br/concursos/sedsp209/Microsoft_Word_-_Instrucoes_Especiais__DOE_25_12_09.pdf

 

site para download da instrução drhu 02/08 mencionada no edital: http://desjboavista.edunet.sp.gov.br/gabinete.htm

 

Pelo que li, obesidade não era critério eliminatório.

O que a secretaria de educação tem a dizer? 

Essa reportagem da folha tá pior que as 'denúncias' do fantástico.

Não foram atrás pra não bater de frente com o governo? 

 

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4925082-EI6593,00-Modelo+...

 

Quinta, 3 de fevereiro de 2011, 08h18 Modelo GG: "Na moda brasileira, quanto mais mesmice, melhor" Dayanne Sousa/Terra Magazine  Semana de moda brasileira é pra inglês ver, diz A modelo Fluvia Lacerda em São Paulo: Semana de moda brasileira "é pra inglês ver", diz

Dayanne Sousa

Pela avenida mais movimentada de São Paulo, passam dezenas de mulheres por hora. Cerca de metade delas está acima do peso. Uma delas é Fluvia Lacerda. A modelo brasileira que ganhou a fama de "Gisele Bundchen das gordinhas" veio ao Brasil a trabalho. Vive em Nova York e busca cachês de até 20 mil reais por um dia de fotos.

No São Paulo Fashion Week , acontecem 31 desfiles, passam algumas dezenas de modelos passarela abaixo. Nenhuma delas com manequim muito maior que 38. "Quanto mais mesmice, melhor". O maior evento de moda do Brasil encerrou sua 15ª edição nesta quarta-feira (2) sem nunca emplacar uma gordinha. Em 2006, depois da morte da modelo Ana Carolina Reston por anorexia, passou a exigir atestado médico das jovens para garantir ao menos o estado "saudável" das moças.

Fluvia é dura ao criticar a "falta de coragem para escandalizar" dos estilistas brasileiros. Em Milão, o calendário oficial de moda inclui um desfile só para gordinhas. Nas semanas de moda de Nova York e Londres, as mulheres GG também já tiveram sua vez nas passarelas. Mas na semana-vitrine da moda brasileira, Fluvia não quis nem ser plateia. Ela dá a bronca:

- O que é que eu vou fazer lá? Eu vou ficar vendo um monte de mulheres passando, que vestem 30 ou 32. Vou olhar e falar "poxa, mas não tem do meu tamanho". É pra inglês ver. Faz a semana de moda, todo mundo tira foto, mas a quando a maioria das mulheres entra numa loja dessa, não passa, não cabe na roupa.

Batom vermelho forte e um livro em inglês sobre viajar pela África. A conversa com Fluvia ganha um tom sério, que ela impõe mesmo quando o assunto é costura ou a vestimenta desleixada do marido, australiano. "Ele acha que pode ir para qualquer lugar com uma camiseta furada".

A moda a envolve, mas não deslumbra. Nem cega. Aos 30 anos e oito de carreira, faz planos de lançar uma grife. Carioca, caiu na profissão por acidente. Tentava aprender inglês em Manhattan e tinha o sonho de se tornar tradutora. Foi "descoberta" num ônibus nova-iorquino quando ainda ganhava a vida como babá.

Leia a entrevista.

 


Foto: Divulgação

Terra Magazine - Você disse que se recusou a ir ao São Paulo Fashion Week porque o evento não inclui moda para gordinhas. Isso já acontece em Milão, em Londres... Porque você acha que não pegou aqui?
Fluvia Lacerda -
Eu acho que nós temos uma resistência muito forte. Nem é muito uma política de falar de assuntos que não interessam, é um mercado que tem cliente e as marcas vão vender. Aqui no Brasil existe muito comodismo, ideias muito pobres e muita falta de visão. A gente andando na Avenida Paulista à tarde vê que tem muita mulher vestindo acima de 44. Precisa de muita audácia. É uma coisa que lá fora é muito fácil porque cria polêmica e polêmica vende, mas aqui quanto mais mesmice, melhor. É tudo aquela coisa uniforme sem sair daquele parâmetro. Não tem aquela visão de que é preciso escandalizar.

Você gosta de moda? Presta atenção no que acontece na alta-costura, por exemplo?
Eu sou muito ligada em moda. Eu acredito que seja uma parte muito importante e grande da vida de uma mulher. Muitas coisas que eu não encontro para comprar, eu mando fazer.

Mas então quem é que "escandaliza"?
Quando digo isso, me refiro a moldes impostos que as pessoas aceitam. Quando Jean Paul Gaultier cria um modelo lindo e maravilhoso e coloca uma modelo 46 na passarela, isso escandaliza. Porque nós não somos modelos fora do normal ou do parâmetro. Eu sou a maioria, a que veste 30, 32 é que não é a maioria. Ela está fora do normal, não eu! O que é necessário no Brasil é pegar um designer superinovador, criar uma peça especial, e colocar numa mulher com curvas como Galtier e John Galliano fizeram.

Você é uma das poucas brasileiras nesse ramo que trabalha fora e sempre que vem aqui fala sobre esse mercado GG. Você já se sente uma "embaixatriz" da causa? Isso não é um peso?
Eu gosto. É a parte que eu mais curto do meu trabalho. Acho que as pessoas perdem muito tempo seguindo em vez de liderar. Eu quero liderar, por que eu não posso liderar? O tempo que você tá me criticando porque eu estou com o trazeiro cheio de celulite na praia, você fica escondida e eu tô lá curtindo.

Você sempre foi gordinha?
Sempre. A minha mãe é magrinha, é professora de educação física, já foi bailarina. Eu puxei tudo pro lado do meu pai, uma mistura de negro com índio. Todas as mulheres da família do meu pai têm bundão. Eu não posso mudar isso. Eu posso me torturar e passar fome, mas é perda de tempo.

Você está acompanhando o que está acontecendo na semana de moda que encerra agora em São Paulo? O que está achando?
Eu nunca visitei o Fashion Week daqui. Recebi vários convites para assistir os desfiles, mas o que é que eu vou fazer lá? Eu vou ficar vendo um monte de mulheres passando, que vestem 30 ou 32. Vou olhar e falar "poxa, mas não tem do meu tamanho". Eu acho que não faz sentido. Decidi não ir porque eu acho que não corresponde à realidade do Brasil. É pra inglês ver. Faz a semana de moda, todo mundo tira foto, mas a quando a maioria das mulheres entra numa loja dessa, não passa, não cabe na roupa.

 

Terra Magazine

 

Aparentemente nenhuma dessa moças   tem  obesidade   mórbida. São "cheinhas".

 

Não só uma professora de educação física foi reprovada por ser obesa. A Rede Record mostrou um caso de uma candidata à professora de matemática.

Quem organizou o concurso certamente precisa conhecer o grupo Danza Voluminosa de Cuba

http://www.youtube.com/watch?v=rAm8BKuGdek

http://belezasnegras.blogspot.com/2010/09/danza-voluminosa-bale-cubano-d...

 

São Paulo dos psdbestas é mesmo uma excrescência! O nazismo, aqui, poderia ser considerado umaaula de catecismo! Por que essas professoras não recorrem ao poder judiciário? Não se pode aceitar, passivamente, essas atitudes vergonhosas dos demotucanos de plantão. Lembro o caso de um médico cego que foi aprovado em concurso na prefeitura de Santos e foi desclassificado por ser cego. Recorreu ao judiciário e ganhou em todas as instâncias o ireito de ser empossado.

Quem não vai até as últimas consequências por seus direitos, não os merece.

Em tempo: Para trabalhar comoterceirizadas, podem, porém não podem ser homologadas em concurso? Não é extranho?

 

A justiça existe para reparar essas aberrações. Por que essas candidatas não ingressaram na justiça? É particamente causa ganha!! Ainda mais que elas já prestam o mesmo serviço como terceirizadas...

 

Penso que o Governo de SP está na política errada: se quer emagrecer as professoras, basta contratá-las. Como o salário que os profesores de SP ganham mal dá para a comida, rapidinho elas estarão vestindo o tal "número zero"....

E esta é a gestão. Imagina a congestão!

 

Moacir

Num país 'sem preconceitos' e que reclama de 'falta de mão-de-obra qualificada', a lista dos "não-qualificados" só faz aumentar e, pelo jeito, será interminável:

obesos, hipertensos, fumantes, idosos e maduros, gestantes e mulheres com filhos pequenos, soropositivos, homossexuais assumidos ou presumidos, negros, nordestinos, moradores de periferias, feios, comunistas, .... Currículo parece importar menos, nesses casos...

Pelo menos, há cotas para os deficientes.... mas, sabem como é, as vagas não são preenchidas porque eles "não têm qualificação"...

Kafkiano é pouco...

 

Para completar o seu raciocinio, informo que a professora reprovada por obesidade, que é minha esposa, tem:

Graduação em Educação Fisica

Graduação em Pedagocia

Pós Graduação em Gestão Escolar

É professora concursada da prefeitura de SP, em concurso realizado no ano retrasado, assumiu em maio/2010.

Atua a 8 anos como temporaria na rede estadual, por que em 8 anos houve apenas um concurso. Esse é o segundo. E ela foi classificada como 38ª entre todos da grande São Paulo. Provavelmente mais de 10000 candidatos só de educação fisica. Provavelmente diversos professores e professoras de academia, atletas, modelos fotograficos (pelo amor de Deus, nada contra, ja basta esse absurdo do governo).

 

 

A reportagem traz o ponto de vista da candidata, dito inclusive na primeira pessoa. No entanto todo caso tem dois lados, no mínimo. O que rege um concurso público é o edital do concurso, lei entre as partes e este diz, ( ao que entendi) Sem ler o edital posso apostar que lá se diz a partir de quantos quilos exatamente se daria a reprovação. nenhum administrador seria distraído a ponto de deixar que sua junta médica usasse um critério subjetivo do que consideram como gordinhos ou obesos mórbidos.  Segundo ela, na íntegra: "Ela já era obesa mórbida e diz que o peso não a prejudica em nada na realização das atividades". 

Do ponto da administração pública, embasado em critérios médicos, talvez haja boas razões para que o entendimento seja outro. O princípio principal que rege o direito administrativo é o interesse público e não o interesse individual. Já admitir alguém com uma patologia ( obesidade é doença) implicaria em assumir, a priori,  riscos de grandes períodos de afastamentos e ainda assumir a responsabilidade do custeio de futuros e necessários tratamentos para os professores admitidos, com ônus adicionais para administração, inclusive de arcar com aposentadorias precoces por invalidez. Não é humano pensar assim? Do ponto de vista do interesse público é o correto.

Enfim, o que se pode questionar é exatamente se o critério do edital é objetivo, claro e justificado de forma razoável. Remédio pra isto, mandado de segurança. Pode até não ser o melhor remédio, mas é sempre infinitamente mais eficiente do que procurar a Falha, ainda mais ela que escreve sempre de forma tão clara e elucidativa.

 

VERa, vc   está corretíssima.

 

Tenho  formação jurídica e trabalho na área de   licitações e contratos  administrativos.

 

Não há qualquer menção no edital sobre o limite de peso máximo para ingressar no Serviço Público. E, mesmo se houvesse, nenhum edital pode ferir o Parágrafo 5º da Constituição Federal. Não há qualquer desculpa para o ocorrido. Se o Estado está preocupado em se embasar em critérios médicos para evitar gastos posteriores com os servidores, deveria então barrar fumantes, idosos, pessoas com deficiência, mulheres (que podem ficar grávidas e solicitar licenças), anoréxicos, esportistas, etc... Em suma, deverão ministrar aulas a R$ 800,00 apenas professores geneticamente superiores, fabricados in vitro nas salinhas sujas do DPMESP. Isso é fascismo. Isso é discriminação. Isso é Eugenia.

 

 

É isso! Eugenia, nada além disso. É o padrão Opus Dei/Globo. Não é possivel que isso não esteja claro para todo mundo. Mandou muito bem. Imagina isso disseminado nas escolas? Essas professoras já mostraram a que vieram, elas não vão ceder e a gente tem obrigação de dar apoio, é a educação de nossos filhos que está em jogo e não peso delas.

 

B R A V O!

 

Vera, você vai me desculpar. Eu entendi o seu ponto, mas então há que se questionar o que vem a ser exatamente o interesse público e até onde ele pode ir para não constituir discriminação.

Porque, por esse raciocínio, veja bem: uma instituição pública pode muito bem não contratar uma mulher e preferir um homem, pois afinal a mulher pode engravidar uma vez por ano, se quiser, e assim ficará afastada a vida inteira. Então, para não incorrer no risco desse ônus, e em nome do interesse público, adeus funcionárias públicas! Aliás, nós sabemos que isso acontece na iniciativa pública e principalmente na privada, né?

Essa questão é muito perigosa, precisamos ponderar com cuidado!

 

Oi Ana. Sim, vc tem razão ao dizer que é importante saber bem o que se quer dizer com a expressão interesse público. Não confundir interesse público com interesse governamental. O interesse público que é o primário, o essencial, é o interesse da sociedade que o Estado representa. E foi neste sentido que eu falei. Afinal, quem custeia a máquina do Estado é a sociedade, somos nós. Outra confusão que é muito comum de se ver, até entre os operadores do Direito, por isto não é de espantar, é confundir aplicação de um princípio jurídico com casos de ilícitos ou até crimes. Exemplificando: às vezes as pessoas começam a discutir se houve cerceamento ao direito de livre imprensa por impedir um repórter de dizer p ex algo de um político ou de alguém que, ao ser dito, configura crime de calúnia ou injúria. Não se trata de ponderar sobre princípios jurídicos, se trata de dizer se houve ou não um crime e se houve, não há princípio jurídico que exista pra proteger uma atitude ilícita. Aqui no caso: não há que se analisar o princípio da supremacia do interesse público como forma de naturalizar e proteger uma conduta que é ilícita. Discriminação de gênero, de per si, é inconstitucional, fere o princípio  constitucional da igualdade. O exemplo que vc deu não é bom, porque a própria legislação já protege a maternidade com uma série de leis que, em não sendo observadas, o empregador é punido, não há o que discutir quanto a isto. É direito de toda mulher engravidar e é interesse da sociedade que a criança conviva com sua mãe nos primeiros meses, seja a mulher funcionária pública ou não. Aliás, no caso da funcionária pública é até mais tranquilo, ela não corre o risco de ficar seis meses afastadas e não encontrar mais seu emprego na volta. Nunca seria alegado interesse público em não contratar mulheres em idade fértil, nem por absurdo consigo imaginar tal situação. Mas vou te dar um outro exemplo concreto. Nos editais p ex para seleção de cadetes da PM existe um percentual ( não sei bem quanto) de vagas para mulheres, acima do qual, mesmo as que tirarem dez nas provas não entrarão. Fere isto o princípio da igualdade? Homens e mulheres deveriam concorrer sem estes percentuais e claro, pelo que vemos do desempenho feminino em concursos, teríamos uma sala de cadetes, por suposição possível,  com digamos oitenta por cento de mulheres e vinte de homens? Você como cidadã, em sã consciência, dadas as circunstâncias da profissão, quereria uma polícia assim tão feminina? E se o concurso fosse pra magistratura ou pro MP, ou pra sáude, magistério? Faria sentido haver cotas?

É isto que disse Ana, tem de se ver caso a caso. Não se pode entender o direito, ou os princípios em abstrato. Um detalhe muda tudo. Por isto disse, é questão de ver, neste caso, os termos do edital. São objetivos? Se forem subjetivos já estão facinho condenados a cair por terra. Mas não dá pra sair em defesa de A ou B só com base numa reportagem e numa entrevista. Não funciona assim, ainda bem. Abraço.

 

Ué, Vera. Mas justamente, pelo que você diz, o interesse público não significa excluir um candidato porque ele tem alguma doença que possa implicar aposentadoria precoce, gastos com saúde etc e tal. Porque, se for assim, como disse o comentarista aí embaixo, o Estado não pode admitir hipertenso.  Ou diabético. Ou fumante.  Aliás esse caso tem tudo a ver com a lei antifumo do Serra. A indústria do cigarro anda por aí bela e folgada, mas o fumante, ah! esse a gente vai perseguir...

Não seria do interesse público, por exemplo, promover o convívio com a diferença? Ou a solidariedade? Ainda mais no caso de uma escola pública! Ou, não seria muito mais interessante para a sociedade que, em vez de impedir o obeso de trabalhar, ele fosse não só admitido, mas apoiado na tentativa de emagrecer a níveis que não prejudique sua saúde (se for esse o caso, porque pode ser que o obeso tenha uma saúde melhor do que uma pessoa magra - caso a caso, né?)?

O exemplo das mulheres continua sendo bom, nesse sentido, pra mostrar que essa discriminação tanto ocorria que foi preciso uma lei pra evitá-la... e que a lei considerou que o direito de engravidar sobrepõe o gasto público de ter uma funcionária gestante, o que deveria ser óbvio e pra mim só não é óbvio numa sociedade doente (ou seja: ter uma lei pra isso, pra mim, é sinal de sociedade doente!). E no final é o que estamos discutindo aqui,  muitos de nós estão dizendo que isso que aconteceu em SP é um sintoma de uma sociedade doente.

Aliás, a questão das policiais mulheres, sinceramente, acho que o critério deveria ser técnico. Porque ao meu ver esse edital que diz que x% das vagas é para homens é, sim, discriminatório. Parte-se do princípio que todas as mulheres são mais frágeis que QUALQUER homem, por definição? é isso? Que todas as mulheres conseguirão se impor menos quando comparadas a qualquer homem? difícil isso, né?

bom, como eu disse, eu entendo o seu ponto de vista, mas continuo achando que a gente precisa debater melhor o que é o tal interesse público, para construir uma sociedade mais legal, mais solidária. :)

 

Ana,você toca em vários pontos interessantes e nesta hora fico triste de o blog não ser como o skype, de termos de digitar e não podermos conversar. Tanto o Estado como a própria iniciativa privada fazem sim uma bateria de exames pré admissionais. Difícil é entender que cada caso é um caso. P ex: a exigência de exames para soropositividade HIV cansou de ser declarada inconstitucional pelos tribunais para admissão em empregos. Vista como discriminatória. Hipertensão? Qual dela? A que é controlável com remédios ou aquela que não se controla? Qual diabete e pra qual função? Não dá pra conversar em abstrato. Um doença que apareceu no meio do caminho não é como uma doença que pre existia. Vamos dar um exemplo aqui diferente. Aos vinte e poucos anos quantas mulheres se casariam com um homem impotente? Depois de uma vida construída juntos, quantas abandonariam um companheiro de vida que teve uma doença que acarretou numa impotência física? De forma análoga, seria possível ao Estado descartar um funcionário que, depois de prestar anos de serviço teve uma doença que o deixou inválido para tal? Mas seria razoável querer que ele já admitisse alguém incapacitado para o serviço? Veja que estou falando em tese, não me refiro ao caso do tópico. 

Quanto aos fumantes, conheço muitos ( muitos não, alguns) que por terem sei lá, uma genética privilegiada não desenvolveram nunca enfizema ou cancer de pulmão.Vão morrer de "velhos". Mas aí entra a tal da subjetividade que falei. O só fumar em si é argumento fraco pra impedir alguém de entrar num serviço público ou não. (também acho que a lei antifumo, como é aplicada em sp é fascista)

Quanto a promover o convívio com a diferença, não estamos falando em diferença, estamos falando EM TESE em doença incapacitante para o trabalho. A obesidade não é de per si incapacitante  em todos os casos e nem para todo tipo de trabalho. Eu não consigo pensar em abstrato Ana, eu não consigo ter um raciocínio standard que sirva para todos os casos. A vida não é um simples aplicar de regrinhas, o direito também não.

 Depois você diz:

O exemplo das mulheres continua sendo bom, nesse sentido, pra mostrar que essa discriminação tanto ocorria que foi preciso uma lei pra evitá-la... e que a lei considerou que o direito de engravidar sobrepõe o gasto público de ter uma funcionária gestante,

BINGO! Aqui fechamos. Quando eu pego uma turma de primeiro período em direito eu pergunto a eles, invariavelmente. - Vocês acham que o Direito é apto a resolver os problemas sociais? E em geral, bem mais da metade, alguns pra agradar a professora, dizem que sim, que o direito é a panacéia pra resolver o que o mundo não deu conta. E aí eu falo meio que brincando, mas como início de conversa séria:

- vocês vão ter uma decepção....

O direito não resolve o mundo, quem dera.... Ele tenta, com dificuldade e nem sempre com sucesso, alguma estabilidade no caos social que vivemos. É comum vermos placas dizendo "Proibido pisar na grama"; não se precisa dizer que é "proibido voar sobre a grama", por certo. Ninguém precisaria dizer que é crime matar se o homem não matasse. Ou se só a religião ou a moral ou a ética ou as três o impedissem de matar. O direito é só a última tentativa de tornar a vida possível no caos. Resolver não resolve. Quem dera....

 Quanto ao meu exemplo das policiais, o critério é técnico, a mulher tem uma estrutura física corporal mais frágil que a do homem. Todas? Não, mas a maioria. E as regras jurídicas são comandos gerais e abstratos. Talvez se colocássemos uma cláusula de exceção dizendo, exceto se a mulher for forte e com estrutura física compatível a de um homem. Não me parece que seria um caminho lógico.

O interesse público dá sim um debate muito interessante e é um dos temas mais palpitantes do direito administrativo. Quanto à construção de uma sociedade mais legal e mais solidária, estou cada dia mais convencida que é um debate não só interessante como imprescindível. Mas não passa pelo Direito, passa pela Ética, cada vez mais ausente e mais urgente na retomada de uma construção social menos indigente do que a que temos. É..... a gente começa a pensar a respeito e não pára mais. abração

 

Não tem de ser ver caso a caso não senhora.

Existe uma unica constituição neste país. E as leis devem valer para todos. Existe um edital de concurso.

Se houver um unico paragrafo neste edital que possa claramente (e não subjetivamente), reprovar um professor, ele tem de estar bem claro. E obesidade não esta entre nenhum deles. E todos os exames solicitados estão dentro dos valores estabelecidos.

Obesidade pode ser adquirida, ou desenvolver-se ao longo do tempo. Vai existir uma forma de demitir os professores que se tornaram obesos no decorrer dos anos ? Ou seja, chegou em X kilos, demitimos ????

PS: Como ja disse em outro post, sou esposo de uma das professoras reprovadas.

 

Caro Ronaldo,

Se ler meus posts verá que eu não disse em nenhum momento o que acho deste caso concreto. Eu não tenho elementos pra dizer porque não conheço nem mesmo os termos do edital e os detalhes fáticos do caso. E, igualdade é uma palavra abstrata que representa um dos princípios mais sagrados das modernas democracias, mas é sim, aferido no caso concreto. 

Vc é parte interessada no caso. Infelizmente o judiciário é entravado, é oneroso, mas muitas vezes é o único caminho. Procure o sindicato dos professores daí, todos tem assistência jurídica. Se houver outras professoras na mesma situação faça contato, uma ação coletiva sempre é menos onerosa. Dependendo dos termos ( ou da falta de ) em que estiver escrito, as chances de reverter podem ser boas. Naturalmente o advogado, se ver que cabe, irá pedir uma liminar pra que sua mulher tome posse e não perca o direito ao emprego até que seja julgado o mérito. Se ganharem, isto criará um precedente para ajudar outros que podem vir a ter o mesmo problema no futuro. Enfim, infelizmente, nesta situação não há outro caminho que eu possa vislumbrar. Desejo-lhes sucesso, de coração.

 

 

 

Uma mulher com obesidade mórbida tem condições de dar aulas de educação física para turmas de mais de 30 alunos?

 

Não sei, você sabe? Existe uma forma única de se dar aula? Essa forma estava especificada no edital? Houve prova prática? A questão é que seria preciso haver critérios técnicos exaustivos para não caracterizar qualquer forma de discriminação. Hoje foram os obesos, amanhã serão quem?

 

Se você quiser eu indico algumas escolas que ela ja foi professora, e peço para que voce questione alguns alunos e pais sobre a qualidade da aula que ela aplica.

Ela é formada em Educação Fisica, Pedagogia e tem uma pós graduação em Gestão escolar, ao qual faltou entregar apenas o TCC por conta da maternidade.

Sou esposo dessa professora da reportagem.

 

Art. 5º da CF, XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

Um edital pode contradizer a Constituição Federal???

 

 

Seguindo o raciocínio do nosso Governador, recomendo a todos que - pela razão errada - jamais voltem a sintonizar o Programa do Jô. E estamos conversados...

 

O Que dizia o edital do concurso?

Acho estranho a iniciativa privada fazer esse tipo de seleção...

Mas o estado? Beira o nonsense!

 

É a volta da República da Daslu…

É bem provável que a Sra. Maria Lúcia Alckmin, embaixadora oficial da Daslu, e seus padrões estéticos, esteja dando a palavra final sobre contratações do Estado de SP.

Se ela soubesse quanto ganha uma Professora, saberia que a preocupação com obesidade é totalmente dispensável…

 

Já que assim os obesos deveriam ser classificados como PNE. Logo, teriam prerrogativas diferentes dos não obesos. Já fui gordo e sei como a nossa hipócrita sociedade é discriminatória. As pessoas são bombardeadas com padrões estéticos definidos pela industria do consumo. A obesidade ou qualquer outra doença não deve ser fator que incapacite uma pessoa de exercer sua atividade laborativa. Acredito que no caso citado, houve preconceito!

 

O gordo, hoje, é o negro do mundo.

 

Bene, o gordo só perde para o negro ,    e o negro só perde para o negro rico.

 

OPS -  e o negro   só   perde  para   o negro pobre.

 

Exato! Um professor meu do curso de Educação Física já me falava isso quando da eleição de Barak Obama. Quem disse que ele não segue um padrão estético de elite? Quantos são os eleitores que acharam o Obama feio, mas votaram nele unicamente por suas propostas políticas? Queria ver os americanos elegerem um Lula, baixinho, algo gordo, oriundo da região mais empobrecida do país, além de não ter o maldito título acadêmico. Obama é longilíneo, magro e alto. Sem falar que, nessas condições, a cor morena está mais do que na moda, ao menos por aqui no Brasil.

Sou professor de Educação Física e considero um total adsurdo, um crime de discriminação, o que fizeram com essas professoras. Não existe forma de justificar tal exclusão, menos tratando-se de Educação Física Escolar.

 

Isso me lembra um caso estudado em análise crítica do discurso em que um trabalhador era acusado de ter fraudado o seguro, pois não dissera que tinha doenças pré-existentes, sendo ele obeso.  O entendimento de que a obesidade é uma doença que vai afetar o trabalho e gerar perdas ao empregador é uma forma de exclusão social perigosa, visto que só a obesidade mórbida pode ser vista como doença.

O caso foi observado na esfera pública - muito embora os mandatários paulistas pensem como diretores de empresas privadas -, entretanto o que deve ocorrer fora desse ambiente deve ser bem pior e mascarado. 

 

Mais uma que se deve à jestão de Serra, que tirou o DPME da Saúde para colocá-lo na... Gestão! Onde serve como instrumento de tortura contra os funcionários efetivos. A jestão funciona assim: a administração dimensiona as necessidades, faz um concurso, e daí o corte de gastos já começa antes da posse.

Tem histórias incríveis. A um rapaz de menos de 30, praticante de esportes, mostraram incômodo com o fato de a pressão dele ser... baixa! E todo tipo de coisa.

Além disso, a jestão fez emendar o art. 55 da lei 10261/68, de forma que agora o ocupante do cargo em comissão nem precisa ir ao DPME, basta um atestado desses que se arruma na esquina. Apenas o efetivo precisa passar por um processo kafkiano.

O juízo de aptidão do DPME é incrível. Pode-se recuperar a história da garota que, aprovada para função interna, em escritório, iria ser reprovada por usar um marca-passo ou aparelho semelhante, devido a um problema cardíaco, evidentemente em tratamento. Passou na TV etc., teve cobertura.

Essa é a jestão de recursos humanos - postergar o gasto com pensões, admitindo apenas os hipersaudáveis (nem tão saudáveis que despertem suspeitas).

 

 

A contragosto, terei que ficar do lado do governo de SP. Reductio ad absurdum: um candidato com 180 Kg passa na seleção teórica. Deve entrar? Não. Uma candidata gordinha passa na prova, deve entrar; depende doscritério do exame médico para o fator obesidade.

Qualquer que seja este critério, haverá aqueles candidatos que estarão próximos do ponto de corte. E que vão reclamar.

 

Meu querido., Nao se trata de se gordo ou nao. Trata-se sim de DISCRIMINAÇÃO por aparencia fisica. No congresso esta cheio de deputados gordos. Voce fala isso por talvez nunca ter sido discriminado. Mas chegara sua vez.

 

Vamos nos livrar das feias também!!!!

Salas só para meninos com professoras "gostosonas".

Salas só para meninas com professores saradões.

As professoras de shortinho e blusinha e os professores sem camisa, mostrando o tanquinho.

Vamos barrar também os velhos, os carecas, os deficientes, os que usam óculos, os de cabelo ruim, os que transpiram muito, os que tem mau-hálito, os que se vestem com roupas fracas, os que usam aparelhos nos dentes, os que tem sotaque...

Viva çampaulu!!! Sieg Heil!!!!!