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estadao.com.br, Atualizado: 11/05/2012 03:13Dilma Rousseff cria dia nacional da MPB

A presidente Dilma Rousseff sancionou ontem lei que cria o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, em 17 de outubro. A data foi escolhida por ser o dia do nascimento da pianista e regente Chiquinha Gonzaga (1847-1935), a primeira compositora popular do Brasil. O texto da lei 12.624 foi publicado ontem no Diário Oficial da União.

A carioca Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga, transitava por vários ritmos (polca, tango, choro, marcha) e fazia uma ponte entre erudito e popular. É dela a canção Ó Abre Alas, sucesso eterno nos bailes de carnaval. Também fundou a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT).

http://estadao.br.msn.com/cultura/dilma-rousseff-cria-dia-nacional-da-mpb

 
 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

POLÍCIA INDICIA THOR BATISTA POR HOMICÍDIO CULPOSO


Ele atropelou e matou ciclista na Rodovia Washington Luís, em março.


Laudo diz que filho de Eike dirigia em zigue-zague e bateu a 135 km/h .


Do G1 RJ11/05/2012 19h09 - Atualizado em 11/05/2012 19h19 - http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/05/policia-indicia-thor-batista-por-homicidio-culposo.html


 Quase dois meses após o acidente que terminou com a morte de um ciclista, a polícia indiciou o estudante Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A informação foi antecipada com exclusividade pelo RJTV na sexta-feira (11). Segundo o inquérito, Thor dirigia de maneira imprudente e a 135 km/ h no momento do acidente.


O inquérito será entregue ao Ministério Público na segunda-feira (14). Os promotores vão decidir se ele será denunciado ou não à Justiça.


Os advogados Márcio Thomaz Bastos e Celso Vilardi, que defendem Thor Batista, contestam o laudo da perícia. A defesa disse que é impossível compreender como os peritos chegaram à velocidade de 135 km/h. Os advogados esperam que o inquérito seja arquivado.


Em 17 de março, Thor atropelou o ciclista Wanderson Pereira do Santos, na Rodovia Washington Luís, na altura de Xerém, na Baixada Fluminense.


Laudo foi decisivo


Para o delegado responsável pelas investigações do caso, Mário Roberto Arruda, da 61ª DP (Xerém), o laudo pericial sobre a velocidade de Thor no momento do acidente foi decisivo para o indiciamento. De acordo com o documento, o estudante estava a 135 km/h no momento do atropelamento. O limite na rodovia é de 110 km/h.


De acordo com o depoimento de testemunhas, pouco antes do acidente, Thor Batista dirigia em zigue-zague. Ele ultrapassou um ônibus e um carro pela direita, o que é proibido. Em seguida, segundo a investigação, voltou para a pista da esquerda e logo depois houve o choque com o ciclista.


A força do impacto foi tão grande que o corpo do ciclista Wanderson Pereira dos Santos foi arremessado a 65 metros de distância.


Thor e ciclista culpados


Para o delegado, ele e o ciclista foram responsáveis pelo acidente, já que a vítima tinha ingerido bebida alcoólica e atravessava de maneira perigosa a rodovia.


“Seria o que nós chamamos de culpa concorrente. Os dois contribuíram para o evento”, explicou o delegado.


No dia 10 de maio, pelo Twitter, Thor Batista comparou o acidente em que ele se envolveu com a morte de outro ciclista, atropelado por uma motorista, no Espírito Santo.


Thor escreveu na rede social: "ela estava bebada (eu fiz bafometro deu 0,0 tenho o comprovante), ela nao tem CNH (a minha continua valida ate o dia em que O DETRAN INSTAURAR UM PROCESSO E SUSPENDER A CARTEIRA (isso ainda nao ocorreu). Ela tentou fugir ( eu prestei socorro)."

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

Escravizado, mas remunerado

Os escravos da cidade mantinham com seus senhores relações diferentes das vividas pelos negros do campo. Eles podiam, por exemplo, realizar trabalhos pagos e até mesmo possuir bens. No Estúdio CH desta semana, a historiadora Leila Mezan Algranti, da Universidade Estadual de Campinas, fala sobre esse sistema.

 

http://cienciahoje.uol.com.br/podcasts/Escravizado-%20mas%20remunerado.mp3

 

Senador quer convocação urgente de Perillo na CPMI do CachoeiraParlamentares também pedem a convocação dos responsáveis pela empresa Delta, suspeita de fazer parte do esquema investigado pela operação Monte CarloAgência Brasil

 

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Após ouvir informações prestadas pelo delegado da Polícia Federal (PF), Matheus Mela Rodrigues, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), defendeu a convocação urgente do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

Segundo o senador, os detalhes apresentados pelo delegado indicam loteamento de órgãos públicos e "participação direta" da organização criminosa no governo de Goiás. "Há participação direta da organização criminosa dentro da estrutura do governo de Goiás, inclusive no loteamento de cargos públicos no Detran", disse o senador. "A convocação do governador Marconi Perilo é urgente. No meu entender, um requerimento como esse não tem como não ser apreciado na próxima reunião administrativa e não tem condição de não ser aprovado. É urgente a presença dele na CPMI", disse Randolfe Rodrigues.

O depoimento do delegado está sendo tomado a portas fechadas. De acordo com o senador, ele informou mais de 200 citações do nome de Perillo nas gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal, além de ligações do próprio governador ao empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro desse ano, quando a operação Monte Carlo foi deflagrada.

"Tem mais de 200 ligações citando o governador. Há ligações do próprio governador para Cachoeira para dar parabéns pelo aniversário", disse o senador. O delegado informou, de acordo com o senador, que Perillo teve pelo menos dois encontros com Cachoeira identificados pela PF, entre eles, um jantar na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Cachoeira é acusado de ligações com jogos ilegais e de comandar uma rede de influência envolvendo políticos de todas as esferas da administração pública. Entre os suspeitos de ligações com Cachoeira estão o senador Demóstenes Torres e os governadores de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

A convocação de Perillo não faz parte do plano de trabalho da CPMI, apresentado pelo relator Odair Cunha (PT-MG) na primeira reunião de trabalho ocorrida na semana passada. O plano prevê que as convocações de governadores devem ser avaliadas no segundo mês de trabalho da comissão.

Empresa Delta

O senador Randolfe Rodrigues também enfatizou que o depoimento do delegado apontou para a necessidade urgente de convocação dos responsáveis pela empresa Delta, suspeita de fazer parte do esquema investigado pela operação Monte Carlo. "Em relação a empresa Delta, há a ocorrência de depósitos da empresa em três empresas laranjas do senhor Carlos Cachoeira. Essa é a motivação para que a empresa Delta tenha que estar presente aqui", disse Randolfe. A informação sobre os depósitos da Delta foram confirmadas pelo deputado Paulo Teixeira (PR-SP).

O senador disse que pretende analisar a possibilidade jurídica de vetar a venda da empresa Delta, anunciada nessa semana. "Vamos estudar uma forma de barrar a venda da Delta. Temos que encontrar instrumentos jurídicos. Não me lembro agora, mas há de ter instrumentos. Porque estão vendendo a empresa agora? Estranho vender agora a empresa, negociar agora, muito estranho", questionou o senador.

O depoimento do delegado Matheus Mela Rodrigues também deixou explícita, na opinião do deputado Paulo Teixeira, a manutenção de empresas no exterior para driblar a fiscalização e "lavar o dinheiro do esquema".

Paulo Teixeira disse que o delegado citou uma empresa sediada no exterior e um bingo com endereço na ilha de Curaçao, país autônomo constituinte do Reino dos Países Baixos localizado perto da costa venezuelana. Essas empresas, de acordo com Teixeira, estariam em nome de "laranjas" “Ele falou das empresas que atuam e atuavam como fachada para limpar esse dinheiro. Falou do nome das empresas, quem operava essas empresas, que eram todas operadas por laranjas, com procuradores que podiam movimentar essas contas”, destacou o deputado.

A operação Monte Carlo funcionou como um detalhamento da operação Vegas, concluída em 2009. O delegado Matheus Mella é a segunda pessoa a prestar depoimento na CPMI. Na terça, os parlamentares ouviram o delegado Raul Alexandre Marques de Souza, que coordenou a primeira operação.

De acordo com os deputados, embora o delegado Matheus Rodrigues tenha entregue ao Ministério Público o inquérito da operação Monte Carlo, em março desse ano, ainda há muitas provas que ainda nem foram analisadas pela polícia, resultado das apreensões feitas em fevereiro desse ano. "Tem mais de 25 malotes da operação Monte Carlo que não foram analisados ainda. Tudo que foi apreendido na casa dos indiciados ainda precisa ser analisado pela investigação. Essas provas ainda não foram analisadas nem pela Polícia Federal", disse o senador.

http://www.istoe.com.br/reportagens/205424_SENADOR+QUER+CONVOCACAO+URGENTE+DE+PERILLO+NA+CPMI+DO+CACHOEIRA

 

Busque por "anuário do spin"

Dilma Roussef é a segunda mãe mais poderosa do mundo, diz Forbes - No  Yahoo

Dilma RousseffSÃO PAULO - A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ocupa o segundo lugar no ranking de mães mais poderosas do mundo, segundo a revista Forbes. Ao todo foram analisados 20 mulheres que atuam na política, negócios, entretenimento e filantropia.

No topo da lista, está a Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, que, de acordo com a publicação, apesar de ocupar um dos maiores postos do mundo, coloca a maternidade em primeiro plano. Há dois anos atrás, quando sua filha iria se casar, Hillary utilizou o e-mail para ficar a par dos preparativos da festa.

Super mãe Confira abaixo, a lista completa:

 Hillary Clinton - Secretária de Estado dos Estados Unidos

Dilma Rousseff - Presidente do Brasil

Indra Nooyi - CEO da PepsiCo

Sheryl Sandberg - COO do Facebook

Melinda Gates - Presidente da Fundação Bil e Melinda Gates

Sonia Gandhi - Presidente do Congresso Nacional Indiano

Michelle Obama - Primeira-Dama dos Estados Unidos

Christine Lagarde - Diretora- Gerente do FMI

Irene Rosenfeld - CEO da Kraft

Jill Abramson - Editora- executiva do The New York Times

Kathleen Sebelius - Secretária da Saúde dos EUA

Susan Wojcicki - Diretora de Publicidade do Google

Cristina Kirchner - Presidente da Argentina

Beyonce Knowles - Cantora

Georgina Rinehart - Mulher mais rica da Austrália

Cher Wang - Fundadora e Presidente da HTC

Margaret Hamburg - Comissária da Agência de Vigilância Sanitária dos EUA

Mary Schapiro - Presidente SEC (Securities and Exchange Commission)

Anne Sweeney, copresidente da Disney Media Network

Aung San Suu Kyi - vencedora do Prêmio Nobel da Paz

 

 

 

A capa da Carta Capital, direto no fígado!

 

Guerra na midia, agora é a Folha q se junta ao Globo p/ tentar salvar Veja - será q conseguem?

 

Sei que já fazem alguns dias e talvez até já tenha sido comentado por aqui mas os comentários do Sardenberg no Jornal da Globo de 08-05-2012 e a exultação dele e de Christiane Pelajo ao "modelo alemão" são, no mínimo, dignos de nota (ou não).

http://www.youtube.com/watch?v=VYnIXkdezIA

 

Defendendo o Indefensável:

editorial do Estadão:

O golpe dos mensaleirosO Estado de S.Paulo

É de todo verossímil o argumento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, segundo o qual "pessoas que estão morrendo de medo do processo do mensalão" estão por trás das tentativas de convocá-lo a depor na CPI do Cachoeira. A razão invocada é a demora de Gurgel em pedir ao STF abertura de inquérito contra o senador goiano Demóstenes Torres por suas ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

 

Na realidade, o procurador está na mira do PT e do ex-presidente Lula pelo menos desde que começou a ganhar corpo a possibilidade de iniciar-se em breve o julgamento dos 38 réus, a começar pelo ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, do esquema de corrupção que Gurgel considera "o maior atentado à democracia brasileira". O intento de intimidá-lo e, no limite, desmoralizá-lo antecede o escândalo que levou à CPI - e foi uma das razões por que o PT se bateu por sua criação.

Ainda que os parlamentares que defendem a convocação de Gurgel se movessem exclusivamente pela busca da verdade, ela esbarra em dois obstáculos substanciais. O primeiro é de natureza jurídica. Se viesse a depor, ele ficaria inabilitado a conduzir a ação contra Demóstenes. Ninguém, decerto, é insubstituível, mas a mudança reduziria as chances de sucesso da ação. Na CPI, há quem sugira, para contornar essa dificuldade, que se convoque no seu lugar a subprocuradora Cláudia Sampaio Marques. Foi ela quem recebeu o relatório da Operação Vegas, da Polícia Federal, que poderia incriminar o senador há mais tempo. Cláudia é casada com Gurgel.

Mas a manobra não eliminaria a segunda barreira, de natureza política: a CPI foi constituída para investigar os elos de Cachoeira com agentes públicos e privados - funcionários, políticos, empresários e outros profissionais -, não para investigar o procurador-geral ou a subprocuradora. Se o fizesse, não só se descaracterizaria, como as suas conclusões dificilmente poderiam produzir efeitos práticos no âmbito da Justiça. Qualquer iniciativa contra Gurgel deve se radicar no foro apropriado, o Conselho Nacional do Ministério Público. A questão de fundo, de todo modo, são as dúvidas sobre a sua conduta no caso.

Em 15 de setembro de 2009, chegou à Procuradoria o relatório da Operação Vegas. Segundo disse à CPI o delegado Raul Alexandre Marques Souza, da Polícia Federal, Cláudia informou ao órgão que não havia encontrado no texto elementos que justificassem uma investigação sobre Demóstenes. Passados dois anos e meio, em 27 de março último - cinco dias depois de O Globo publicar as primeiras degravações de conversas entre ele e Cachoeira -, Gurgel foi ao STF contra o senador. "Não há argumento", reagiu o deputado Onyx Lorenzoni, do DEM catarinense, insuspeito portanto de se acumpliciar com o PT. "Ele (Gurgel) estava com a bomba atômica e nada fez."

Na linha da subprocuradora, Gurgel alega que o material de que dispunha inicialmente não sustentaria um pedido de inquérito. Além disso, o procedimento poderia se revelar contraproducente, prejudicando eventuais investigações contra outros suspeitos. "Não fosse essa opção", afirma, "não teríamos a Operação Monte Carlo, não teríamos todos esses fatos que acabaram vindo à tona." Pode ser. Mas na representação aparentemente tardia contra Demóstenes, ele incluiu uma vintena de conversas interceptadas no curso da Operação Vegas. O procurador replica que o material obtido pela Monte Claro deu àquelas degravações uma importância que por si sós não teriam.

Salvo evidências em contrário, a boa-fé de Gurgel não está em jogo - a menos que se queira desqualificá-lo com segundas intenções, como é o caso do PT.

É sobre isso que ele fala em entrevista a O Globo: "A atividade do Ministério Público tem como uma das suas características a de desagradar a muitos, se não a todos. Portanto, faz parte do nosso ofício saber que vamos ser alvos de pessoas que já foram alvos, e alvos notórios do Ministério Público, e que agora têm chance de tentar uma retaliação. E é isso que se está fazendo", concluiu.

 

da Folha.com

Três são condenados pela morte do prefeito Celso Daniel

 

DANIEL RONCAGLIA
SILVIO NAVARRO
DE SÃO PAULO

Três réus foram condenados na noite desta quinta-feira (10) pela morte do prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT), ocorrida em janeiro de 2002.

Ivan Rodrigues da Silva (Monstro) foi condenado a 24 anos de prisão em regime fechado, enquanto José Edison da Silva recebeu a 20 anos e Rodolfo Rodrigo dos Santos (Bozinho), 18 anos de pena. Eles negam participação no assassinato.

A decisão foi tomada em um júri no Fórum de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), que durou mais de nove horas.

Todos os jurados votaram contra os réus nos seis itens do questionário.

Celso Daniel foi encontrado morto, com oito tiros, numa estrada de terra em Juquitiba (SP) após dois dias de sequestro. Na época, ele havia sido escolhido para coordenar a campanha que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder.

É a segunda decisão referente ao caso. Em 2010, Marcos Bispo dos Santos foi condenado a 18 anos de prisão.

Outros dois acusados --Itamar Messias Silva dos Santos e Elcyd Oliveira Brito (John)-- seriam julgados hoje. Os advogados deles, no entanto, abandonaram o júri alegando que teriam menos tempo para apresentar a defesa do que o Ministério Público para sustentar a acusação.

Principal acusado do crime, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, ainda não foi julgado porque sua defesa conseguiu uma série de recursos judiciais. Ele responde em liberdade e questiona no STF (Supremo Tribunal Federal) o poder de investigação do Ministério Público em casos criminais.

BATE-BOCA

Durante o debate, houve um bate boca entre a defesa e acusação. Na sua sustentação oral, o advogado José do Ribamar Baima do Lago Júnior, que defende Bozinho, contestou uso de uma testemunha protegida que relatou à Promotoria ter ouvido diálogo dos réus narrando que mataram o prefeito. "Nem o delegado acreditou [na versão]", disse.

Ele reclamou que a testemunha não foi chamada para depor no júri. "Não sou advogado cadeieiro, não sou advogado vagabundo que passa nome de testemunha para bandido ir lá matar", afirmou Lago Júnior.

"Se o senhor levantar a voz, eu também vou levantar", reagiu o promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho. "O senhor vai seguir na linha de enganar os jurados?"

O advogado reagiu. "Não vou lhe dar aparte, se quiser a réplica, estou aqui", disse, batendo contra no peito.

TORTURA

Em interrogatório, Monstro, José Edison e Bozinho negaram participação no assassinato e disseram ter sido torturados pela polícia.

Os três também acusaram o ex-deputado petista e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, que acompanhou as investigações, de ter colaborado com os policiais durante suposta tortura.

"Os policiais aceitavam tudo o que ele dizia. Ele queria porque queria porque que eu confessasse o crime", disse o réu Rodolfo Rodrigo dos Santos. Ele ainda afirmou que foi agredido fisicamente pelo petista.

Greenhalgh chamou de "inverídicas" as alegações. "Eles [os promotores] são testemunhas de que não houve maus tratos durante os depoimentos que resultaram na confissão dos acusados", disse.

FINANCIAMENTO

A Promotoria voltou a defender hoje que o assassinato está vinculado a um esquema de desvios de verbas da prefeitura para financiar campanhas do PT.

Para o Ministério Público, o grupo foi contratado por Sombra para matar o prefeito, que teria descoberto que parte do dinheiro que deveria abastecer o PT foi desviado pelos envolvidos no esquema de corrupção.

De acordo com o promotor Friggi, provas levantadas pelo Ministério Público mostraram a ligação de Gomes da Silva com Dionísio de Aquino Severo, também acusado pelo crime e morto no presídio em 2002.

"O Sombra precisava de alguém de fora para fazer o serviço sujo", argumentou o promotor.

A Promotoria sustenta que o sigilo telefônico dos réus mostra que o sequestro foi tramado e que testemunhas vincularam Gomes da Silva ao esquema de desvios.

Essa tese, entretanto, vai na contramão das investigações da Polícia Civil de que foi um crime comum. Ontem, os três réus negaram conhecer Gomes da Silva e Severo.

Bruno Daniel, irmão do prefeito e defensor da tese de crime político, e outros parentes acompanharam o júri.

 

da BBC Brasil

Febre da quinoa gera conflitos na Bolívia

Ruth Costas

Da BBC Brasil em Londres

 

Atualizado em  11 de maio, 2012 - 05:06 (Brasília) 08:06 GMT  Reuters

Cultivo da quinoa reacendeu disputas de fronteira em áreas de produção agrícola no interior da Bolívia

Classificada pela Nasa como um dos alimentos "mais completos" para o ser humano por seu alto teor nutricional, a quinoa virou o grão da moda e agora impulsiona uma disputa por terras que tem espalhado violência na Bolívia.

O cultivo do grão, usado por adeptos da alimentação saudável em todo o mundo, reacendeu uma disputa limítrofe entre as principais áreas produtoras do país. Segundo denúncias, as plantações ainda ameaçam causar a desertificação de uma região já inóspita para a agricultura.

O enfrentamento entre produtores de quinoa das localidades de Coroma e Quillacas (oeste) teria deixado oito feridos no mês passado, segundo relatos do governador do Departamento (Província) de Potosí, Felix Gonzáles, que vem pedindo ao governo central boliviano a militarização da área.

Em março, três camponeses de Potosí foram feitos reféns em conflitos na mesma região, segundo a imprensa local, quando a representação da ONU na Bolívia se prontificou para mediar o conflito. De acordo com o jornal La Razón, de La Paz, dezenas de bolivianos teriam sido feridos por pedras e a explosão de uma dinamite, e cem policiais foram deslocados para controlar a situação.

As localidades onde ocorreram os enfrentamentos estão dentro de uma área disputada por Potosí e o Departamento de Oruro, as duas principais regiões produtoras de quinoa para exportação na Bolívia e provavelmente no mundo. Quillacas fica em Oruro e Coroma, em Potosí.

A febre da quinoaGrãos de quinoa

Alimento muito consumido pelos incas, hoje a quinoa é usada em saladas ou no lugar do arroz

A Nasa listou o grão como um dos alimentos para abastecer a população de estações espaciais, principalmente por seu alto teor de proteína

Na última década, as exportações bolivianas do grão aumentaram mais de 20 vezes, de US$ 2,5 milhões para US$ 65 milhões; o preço do produto triplicou desde 2006

Camponeses bolivianos ganham cerca de US$ 1,60 pelo quilo da quinoa. Nos mercados de São Paulo ou Rio de Janeiro, o preço do produto chega a US$ 30 o quilo

O cultivo do grão reacendeu uma disputa limítrofe entre as principais áreas produtoras da Bolívia

Segundo denúncias, as plantações ainda ameaçam causar a desertificação de uma região já inóspita para a agricultura

Segundo Mario Martínez, porta-voz do governo de Potosí, apesar de os camponeses da região terem chegado a uma trégua recentemente, dividindo pela metade a produção da área, as tensões persistem. "Trata-se de um acordo frágil e, como estamos em época de colheita, poderíamos ter novos conflitos a qualquer momento", diz Martínez, que acusa camponeses de Oruro de "tomarem pela força" 25% da safra da região em disputa. Os orurenhos negam.

Nova fronteira agrícola

A Bolívia é o principal exportador de quinoa, que é produzida em menor escala em outros países andinos e, recentemente, também nos Estados Unidos, Canadá e Brasil (a Embrapa tem um projeto experimental no Cerrado).

Na última década, as exportações bolivianas do grão aumentaram mais de 20 vezes, de US$ 2,5 milhões para US$ 65 milhões. Com a alta da demanda internacional, o preço do produto triplicou desde 2006.

"A rápida expansão da fronteira agrícola na Bolívia ajuda a alimentar as disputas", explica David Coronel, do Instituto Nacional de Inovação Agropecuária e Florestal (Iniaf). "Antes era preciso viajar de quatro a cinco horas a partir de Oruro para encontrar áreas cultivadas. Agora há quinoa a menos de dez minutos da cidade."

Um dos fenômenos causados pela "febre da quinoa" é o retorno de camponeses que haviam deixado as empobrecidas áreas rurais do altiplano boliviano para as cidades ou outras regiões do país. Alguns desses migrantes voltaram a se instalar em suas antigas comunidades. Outros preferem permanecer no campo apenas na época de semeio e colheita.

"Há até casos de bolivianos que estavam vivendo no exterior, em países como Brasil e Argentina, e agora estão voltando para plantar quinoa", afirma Juan Ernesto Crispin, da Associação Nacional de Produtores de Quinoa (Anapqui), que reúne mais de 1.200 produtores.

A disputa limítrofe entre Oruro e Potosí é centenária. As duas regiões reivindicam uma área de cerca de 250 km² com solos propícios para o cultivo de quinoa, mas também ricos em urânio e em rochas usadas na fabricação de cimento.

Para Sandro López, da Câmara Departamental de Quinoa Real de Potosí (Cadequir), autoridades departamentais estão usando os conflitos entre produtores de Coroma e Quillacas para esquentar a contenda e exigir um posicionamento do governo central. "A questão da quinoa é parte do problema, mas há muito mais em jogo", defende.

Desertificação Alberto Valero, El Diario (La Paz)

Camponeses negociam trégua em conflitos envolvendo plantações de quinoa no oeste da Bolívia

Além dos conflitos, outro risco relacionado à febre da quinoa apontado por especialistas é que o cultivo pouco massificado cause desertificação em determinadas áreas.

O agrônomo Vladimir Orsag, que estuda a agricultura da região para a Universidade Mayor de San Andrés, explica que a quinoa é plantada em um solo frágil, cuja composição já inclui 80% de areia. O clima da região é seco e as temperaturas podem chegar a -30 graus.

"Com o boom dos preços no mercado internacional, há produtores que estão abandonando técnicas tradicionais e reduzindo os períodos de descanso do solo em favor de uma agricultura massiva", afirma. "Praticamente só quinoa cresce nessa região do altiplano e se o cultivo não for racionalizado, poderemos ter um quadro de desertificação."

Nesse caso, segundo Orsag, uma migração de produtores poderia provocar novos conflitos como os ocorridos em Coroma e Quillacas. "A chegada de pessoas de outras cidades e regiões nas áreas produtoras de quinoa cria uma tensão latente, que só tende a aumentar caso haja um esgotamento do solo", afirma Orsag, acrescentando que a quinoa também está ficando cara para o consumo dos bolivianos.

López, da Cadequir, também reclama que uma grande parte dos lucros com a venda da quinoa fica com quem exporta e comercializa o grão, e não com os produtores. Hoje, os camponeses bolivianos ganham cerca de US$ 1,60 pelo quilo da quinoa. Para o consumidor final, nos mercados de São Paulo ou Rio de Janeiro, o valor cobrado pode chegar a US$ 30 o quilo.

Alimento dos incas

Alimento muito consumido pelos incas, hoje a quinoa é usada em saladas ou no lugar do arroz. Segundo Clodomiro Carlos do Pinhal, o primeiro a importar a quinoa para o Brasil, o grão começou a se popularizar no mercado mundial por volta de 2007, passando rapidamente de restaurantes naturais às prateleiras de supermercados.

Nos anos 90, após pesquisas, a Nasa listou o grão como um dos alimentos que poderiam ser levados para abastecer a população de estações espaciais, principalmente por causa de seu alto teor de proteína.

Pinhal explica que começou a importar quinoa no Brasil em 2004, com uma remessa de 300 quilos da Bolívia. "Hoje já estou em 50 a 70 toneladas, e outros importadores entraram nesse mercado nos últimos anos."

 

 

 

da Folha.com

Morre o lendário fotógrafo de guerra Horst Faas

 

O fotógrafo Horst Faas, duas vezes vencedor do prêmio Pulitzer e chefe gráfico da agência americana "AP" durante uma década no Vietnã, faleceu nesta quinta-feira aos 79 anos em Munique (Alemanha), segundo informou sua filha Clare à agência na qual trabalhou durante quase meio século.

Nascido na Alemanha, o veterano correspondente de guerra começou a trabalhar na "AP" em 1956 e tornou-se famoso não só por suas fotografias, mas também por sua capacidade de contratar talentos como colaboradores da agência em Saigon.

Fass é mentor de alguns dos melhores fotógrafos de guerra do mundo, e suas imagens foram premiadas com o Pulitzer tanto no Vietnã, em 1965, como em Bangladesh, em 1972.

Gravemente ferido no sul do Vietnã em 1967, mesmo assim continuou sua carreira, na qual dirigiu o trabalho de outros lendários repórteres de sua época. Um deles foi Nick Ut, vencedor do Pulitzer em 1972 com a imagem da menina vietnamita nua fugindo de um ataque de napalm.

Outro dos fotógrafos que formaram sua equipe foi Eddie Adams, autor de outra das fotografias mais conhecidas daquela guerra, a execução de um suspeito pelo chefe de polícia do Vietnã do Sul durante a ofensiva do Tet, em fevereiro de 1968.

Seu início como repórter gráfico foi nas guerras do Congo e da Argélia, até que foi transferido a Saigon em 1962, onde chegou no mesmo dia que seu companheiro Peter Arnett, com o qual formou uma dupla de trabalho durante quase dez anos.

Em 1976, foi destinado a Londres como editor sênior para a Europa, até que se aposentou em 2004, e é co-autor de dois livros sobre fotógrafos de guerra mortos nos conflitos na Indochina: "Requiem" (1997) e "Lost Over Laos" (2003).

 

Nota: seguem algumas fotos de Faas que retirei do Google.

Re: Clipping do dia
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Brasil: Parceria CNI-Igreja derruba votação para tributar fortunas

Em comissão da Câmara, parlamentares dos setores esvaziaram reunião

BRASÍLIA - Uma inusitada parceria entre o lobby da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e parlamentares católicos e evangélicos impediu nesta quarta-feira a aprovação de projeto que cria a Contribuição Social das Grandes Fortunas (CSGF), recurso que seria destinado exclusivamente para a saúde. Essa união de forças se deu na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. O autor do pedido de verificação de quórum na comissão, uma manobra para impedir aprovação de projetos, foi do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), médico que se apresenta como defensor da saúde. Desde o início da sessão, assessores da CNI e de deputados evangélicos negociaram boicotar a reunião.

O interesse dos religiosos era evitar, mais uma vez, um projeto que tramita há anos no Congresso e que cria direitos previdenciários para dependentes de homossexuais. Este nem chegou a ser apreciado. E o da bancada da CNI era impedir a votação do projeto que taxa as grandes fortunas. E conseguiram. Parlamentares desses dois grupos esvaziaram a sessão. O projeto que taxa as grandes fortunas tem como autor o deputado Doutor Aluizio Júnior (PV-RJ). Pela proposta, são criadas nove faixas de contribuição a partir de acúmulo de patrimônio de R$ 4 milhões e a última faixa é de acima de R$ 115 milhões. O projeto atinge 38 mil brasileiros, com patrimônios que variam nessas faixas.

- São R$ 14 bilhões a mais para a saúde por ano. Desse total, R$ 10 bilhões viriam de 600 pessoas, mais afortunadas do país. Vamos insistir com o projeto - disse Aluizio Júnior.

A relatora do projeto foi a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que deu parecer favorável. O projeto das grandes fortunas chegou a ser votado e 14 parlamentares votaram sim e três, não. Foi nesse momento que Perondi pediu a verificação de quórum e eram precisos 19 votantes ao todo. E tinham 17. Faltaram apenas dois para a matéria ser considerada aprovada.

Quando começou a votação, parlamentares do PSDB e do DEM deixaram o plenário. O deputado Doutor Paulo César (PSD-RJ) fez um parecer contrário ao de Jandira e argumentou que taxar grandes fortunas iria espantar os investimentos e empresários levariam dinheiro para fora do país. Mas a derrota, no final, pode ser atribuída a dois parlamentares evangélicos. Um deles, Pastor Eurico (PSB-PE) chegou a fazer um discurso a favor da taxação das grandes fortunas e afirmou até que a Câmara está cheio de lobbies de interesses. Chegou a ser aplaudido, mas, na hora de votar, atendeu ao apelo da parceria CNI-religiosos, e deixou o plenário. Nem sequer votou. Outro deputado, Marco Feliciano (PSC-SP), defensor dos interesses religiosos deixou o plenário quando se inicia a votação.

O advogado Paulo Fernando Melo, um assessor das bancadas religiosas e que atuou na parceria com a CNI, comemorou o resultado.

- Tinham duas matérias polêmicas na pauta (pensão para gays e taxação de grandes fortunas). No final, a articulação desses dois setores, que é regimental, deu certo e os dois lados saíram vitoriosos - disse Paulo Fernando.

http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=8126

 

A divergência crescente das taxas aplicadas pelos mercados às dívidas dos diferentes países da zona euro assinala o fracasso brutal da utopia e prenuncia a explosão monetária

As taxas aplicadas à dívida alemã pelos mercados financeiros são cada vez mais baixas , ao passo que aquelas aplicadas à Itália e à Espanha, que recentemente haviam recuado, estão novamente em forte alta.

Este fenómeno é a priori incompreensível para todos os pseudo-peritos e os políticos profissionais (sra. Le Pen, sr. Mélenchon e sr. Dupont-Aignan à cabeça) que nada sabem do euro e que ainda acreditam que é "uma moeda única".

Mas para os nossos leitores é perfeitamente compreensível: o euro é uma moeda COMUM e cada euro é um crédito sobre o banco central respectivo de um Estado da zona.

A partir daí, tudo se esclarece: esta divergência crescente das taxas de remuneração exigidas pelos mercados financeiros é uma boa medida do grau de confiança em cada euro nacional. Quanto mais a divergência de taxas aumenta, maior é a prova de que os mercados financeiros antecipam uma explosão a prazo do euro.

E eles preferem ter um "euro alemão", crédito sobre o Bundesbank, que a prazo tornará ser um Deutsche Mark destinado a valorizar-se nos mercados de câmbio, do que um "euro italiano" ou um "euro espanhol", créditos sobre os bancos centrais italiano ou espanhol, que estarão destinado a uma desvalorização nos mercados de câmbio.

CONCLUSÃO

A questão não é saber se é preciso ou não sair do euro.

A questão é: uma vez que o euro acabará necessariamente por explodir, com uma probabilidade de 100% a prazo, é perverso liquidar o património, o nível de vida e as conquistas sociais dos franceses para manter esta utopia monetária em sobrevivência artificial ou será melhor sair rapidamente?

Único entre todos os movimentos políticos franceses, a UPR analisa e propõe sair do euro o mais rapidamente possível.

Único entre todos os candidatos declarados à eleição presidencial, eu o propunha sem ambiguidade e de modo jurídico e sereno, aplicando o artigo 50 do Tratado da União Europeia (TUE).

Somos não só os únicos a dizê-lo mas também os únicos cujo movimento foi criado para este objectivo, o único a considerar que todos os outros assuntos são acessórios, o único a jamais ter variado um jota sobre esta questão desde há cinco anos.

Em resumo, os acontecimentos nos dão razão, mesmo que sejamos os únicos contra todos. Sem dúvida é por isso que cada vez mais franceses, cansados da incompetência e da traição dos outros movimentos políticos, se voltam para nós: registámos mais 11 novas adesões no decorrer das últimas 48 horas.

http://resistir.info/europa/explosao_monetaria.html

 

O capital se faz em casa

Já comentei aqui que uma das premissas do êxito civilizatório é a existência de altos níveis domésticos de poupança vinculada ao investimento.

O que não devemos deixar de enfatizar, entretanto, é que, ao contrario da intoxicação ideológica ainda disseminada entre nós, a taxa interna de poupança das nações não é conseqüência fatalista das forças do acaso. É, claramente, conseqüência de arranjos institucionais que a POLÍTICA, e só ela, é capaz de fazer – repetirei.

Duas negativas para entrarmos numa proposta de como o Brasil poderia sair dos atuais níveis precários de investimento (menos de 19% do PIB) para taxas mais altas no tempo; mas, pelo menos, e com urgência, para algo ao redor de 23% ou 24% do PIB, os quais, imagino, lastreariam uma taxa sustentável de crescimento acima dos críticos 5 % necessários para cobrir os ganhos de produtividade, e incorporar os ainda cerca de um milhão e meio de jovens que, por ano, chegam ao mercado de trabalho procurando seu ansiado primeiro emprego.

A importantíssima e perigosa (para ela) cruzada da presidenta Dilma Rousseff contra a usura e o rentismo tem que ser apoiada. Por uma questão muito simples: num país onde a taxa de juros que o governo paga pela manutenção de excedentes financeiros é maior que a rentabilidade media dos negócios, a economia tende a parar.

Óbvio ululante, pois quem tem dinheiro prefere especular, sem produzir, porque ganha mais e quem não tem dinheiro – caso da maioria esmagadora de nossos empreendedores – não pode tomar emprestado pra produzir, e ganhar menos que os juros a pagar ao banco. Dedicarei um espaço destes a esta conjuntura, proximamente.

Por isto será referencia para a história se este momento (melhor, esta tendência) for pra valer, como creio que possa ser.

A primeira consequência será uma migração de ativos da agiotagem para negócios mais rentáveis.

A classe média vai pensar agora em usar sua pequena poupança para comprar imóveis e, quem sabe no futuro, passar a crer em capitalização de empresas, por exemplo. Isto é historicamente muito bom, mas ainda não é a construção de uma cultura de poupança e  investimento  para o País.

A outra negativa faço com muito cuidado. E deriva de uma de muitas conversas com o grande brasileiro e patriota professor Carlos Lessa. Em tempos de crise e estagnação econômica o governo deveria pagar aos trabalhadores para abrirem buracos e, ato contínuo, pagar para eles taparem os buracos; em tradução grosseira, Keynes demonstraria nesta frase, a ele atribuída, o fato de que quem promove desenvolvimento é o gasto, o investimento – e não a poupança, emenda cheio de sabedoria Carlos Lessa. Isto foi dramaticamente verdadeiro na experiência de Roosevelt no New Deal. E seria muito conveniente no Japão e na Europa de hoje.

Mas a experiência nacional desenvolvimentista brasileira, lastreada na fundação do endividamento brasileiro (ou seja, na tentativa de acelerar o desenvolvimento do País sem a construção de uma institucionalidade que assentasse nossa sorte em nosso próprio capital) deu no que deu: é verdade que temos a 15ª economia industrial do mundo, mas também temos uma das piores distribuições de renda e um passivo externo que, de tempos em tempos nos prega grandes sustos (temo estarmos, a médio prazo, nos aproximando de outro).

Não sendo eu um economista, posso ser herege. O capital dos outros é tão bem-vindo quanto menos dele necessitarmos. A finança internacional funciona igual dono de banco: quanto menos dele precisamos, mais solícitos são, quanto mais dele precisamos…está em reunião, não pode nos atender.

Assim, ter lastro próprio em alto nível doméstico de poupança é condição sine qua non para participarmos de forma sustentável de um naco da poupança financeira internacional.

Sem se falar da absoluta impossibilidade ainda (e, creio, por muito tempo) de praticarmos déficits orçamentários, mesmo com a melhor intenção de acelerarmos, baseado neles, nosso desenvolvimento. Peculiaridades de nossa história.

Estou que nem Padre Vieira no início de seus belíssimos e intermináveis sermões: desculpem, não posso ser breve.

Feitas as negativas, pretendo propor à discussão algumas pistas para que pudéssemos elevar nossa taxa interna de poupança.

E tenho pra mim que o centro desta institucionalidade nova tem a ver com a forma como organizamos nosso modelo tributário, com a forma com que tratamos nossa lógica previdenciária, com o modo como organizamos nosso mercado de capitais, com o formato tosco de nossa contabilidade pública, e, em última análise, com a cultura de parcimônia e austeridade que nos falta amplamente, na vida privada e, especialmente, na vida pública.

Do mais simples, embora nada trivial, ao mais complexo.

A contabilidade pública. À falta de qualquer planejamento, de curto prazo que seja, a conta pública brasileira é feita pelo ano fiscal que coincide com o ano civil. E nos obrigamos como dogma de fé – depois das sucessivas maluquices do período de Fernando Henrique – a produzir ex ante ,um superávit primário calculado pela simples diferença entre o que arrecada o governo e o que gasta, exceto serviço da dívida. Ponto.

É hora já de corrigirmos esta absoluta falta de senso. Um exemplo melhor que mil palavras: manter preventivamente um quilômetro de estrada custa de 10 a 15 mil dólares por ano. Não o fazemos por “economia”. Aí deixamos as estradas federais se destruírem, matar pessoas, encarecer por 4 vezes o custo do frete rodoviário do País em comparação com o concorrente internacional, para reconstruir a mesma estrada, quatro anos depois, por 200 mil dólares o quilômetro – ou seja, economizamos na melhor hipótese, 60 mil dólares para nos obrigarmos a gastar 200 mil dólares. Que economia é esta?

Foi assim no apagão do setor elétrico, é assim na contabilidade dos juros (o maior gasto corrente do País).

Com a paciência de meus queridos leitores, vamos continuar nesta tecla pelos próximos textos, se uma conjuntura comovente não nos interromper.

http://www.cartacapital.com.br/politica/o-capital-se-faz-em-casa/

 

O cheiro fétido das instituições

Ontem foi um dia duro para a democracia brasileira. Descobrimos o que fundamenta a ousadia e a arrogância desmedidas dessas máfias da comunicação e a razão do estado de miséria em que se encontram as nossas instituições. Sabemos agora por que gangsteres empresariais, políticos, jurídicos e midiáticos ousam tanto.

Apesar de Roberto Gurgel ter sido acusado por dois delegados da Polícia Federal de ter engavetado denúncias contra o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres, o procurador-geral da República aparece na tevê, banhado de arrogância, negando explicações e acusando os parlamentares do governo e da oposição que as pediram.

Aí vem a mídia e sustenta a desfaçatez e a arrogância de Gurgel mesmo após ele ter permitido a Carlinhos Cachoeira que continuasse corrompendo a República por quase três anos além do necessário.

Em seguida, dois juízes do Supremo Tribunal Federal se mostram em sintonia com o poder midiático. Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa dizem o impensável, que Gurgel é inatacável, fazendo-nos refletir sobre como é possível que um cidadão seja colocado acima da lei por… Juízes!

Mesmo que outro juiz, Marco Aurélio Mello, tenha surpreendido a todos ao reconhecer a “extravagância” que foi Gurgel atribuir a envolvidos no escândalo do mensalão a culpa por estar sendo cobrado por sua inação pretérita, note-se que a opinião pública foi manipulada porque os telejornais esconderam o fato.

Legislativo e Judiciário, portanto, foram arrastados para o jogo político por meia dúzia de impérios de comunicação pertencentes a meia dúzia de famílias. E como o PT e aliados têm o Executivo e a maioria do Legislativo, além de seu quinhão no Judiciário, vemos os dois lados mobilizando as instituições para uma guerra política.

Em jogo, o poder dessas empresas de comunicação de inocentarem e acusarem a quem bem entendem enquanto se concedem licença para o que lhes der na telha, num simulacro da mesma ascendência que outro empresário tinha sobre as instituições e que considerava inesgotável.

Um empresário, no entanto, que hoje está vendo o sol nascer quadrado.

A mídia, portanto, engana-se. Mesmo com Gilmar Dantas – ou Mendes, tanto faz –, com o chefe do Ministério Público Federal e com boa parte de seu corporativismo nas mãos, não deve se esquecer, repito, de como Cachoeira já se considerou “inatacável”, de como superestimou o próprio poder.

A mídia que acha que tem ainda menos explicações a dar do que Roberto Gurgel, contudo, é a mesma que antes elegia presidentes e que há 9 anos perdeu esse poder. E é a mesma que, agora, corre o risco de ver outra grande manipulação sua virar pó.

Lembram-se de que a máfia midiática dizia que havia mais evidências de envolvimento do governo Agnelo Queiróz com Cachoeira do que deste com o governador Marconi Perilo? Lembram-se dos diagnósticos de Reinaldo Azevedo ou de Merval Pereira, entre outros calunistas do PIG, nesse sentido?

Agora, a cada minuto que passa Perillo se enrola mais e vai ficando cada vez mais claro que Agnelo não tem nada de mais grave pesando contra si. De que adiantou, então, a mídia manipular os fatos? A verdade vai aparecendo. Quer queira, quer não. E não irá parar de aparecer, pois, ainda que muitos não creiam, ela é uma força da natureza como o vento ou a chuva.

O que preocupa, entretanto, é ver as instituições se digladiando e até membros do STF estarem dando declarações a favor de Gurgel mesmo a despeito de que, amanhã, esses mesmos membros poderão ter que julgá-lo.

Como Joaquim Barbosa julgaria o mesmo Gurgel que hoje diz “inatacável”? Como Gilmar Mendes poderia julgá-lo após ter endossado sua acusação indigna de que os questionamentos contra si derivam de “medo de envolvidos no mensalão”?

E mais: como dois juízes, sem conhecer a fundo um caso, sem estudá-lo, sem analisar provas ou meras evidências, podem emitir sentença tão séria?

Mesmo que a verdade triunfe, vamos descobrindo quão podres ainda são as instituições no Brasil, infestadas que estão de despachantes de interesses menores que podem vir a se revelar apenas versões menos toscas de um Carlinhos Cachoeira, mas que, nem por isso, são menos danosos à nossa combalida democracia.

http://www.blogcidadania.com.br/2012/05/o-cheiro-fetido-das-instituicoes/

 

Da Carta Maior

Jornalista expõe vínculos entre grupo Murdoch e governo de David Cameron

 

O depoimento do jornalista Andy Coulson perante a Comissão Leveson, que investiga a relação entre os meios de comunicação e o mundo político britânico, desnudou nesta quinta-feira os vínculos entre o grupo multimidiático Murdoch e o governo do primeiro ministro David Cameron. O ex-chefe de imprensa de Cameron e ex-editor da extinta publicação sensacionalista “News of the World” expôs conflitos de interesse que mostram que governo foi, no mínimo, negligente. O artigo é de Marcelo Justo.

Londres - A Comissão Leveson, que investiga a relação entre os meios de comunicação e o mundo político britânico, desnudou nesta quinta-feira os vínculos entre o grupo multimidiático Murdoch e o primeiro ministro David Cameron. O ex-chefe de imprensa de Cameron e o ex-editor da extinta publicação dominical sensacionalista “News of the World”, Andy Coulson, reconheceu ante a Comissão que tinha cerca de 70 mil dólares em ações na companhia dos Murdoch, News International, e que assistiu a reuniões dos organismos máximos de segurança do governo, sem se submeter à checagem de segurança estabelecida para os funcionários de alto nível. “Nunca me perguntaram se eu tinha ações e como eu sabia que não estava envolvido em nenhuma atividade comercial, nem na oferta pela BSkyB, nunca me ocorreu que poderia haver aí um conflito de interesse”, justificou-se Coulson.

O conflito de interesse era óbvio. Em junho de 2010, um mês depois de formada a coalizão conservadora-liberal democrata, o grupo Murdoch, que controlava 39,1% das ações da BSkiB, realizou uma oferta pelo resto do pacote acionário da cadeia televisiva.

A oferta gerou uma intensa polêmica pelo impacto que podia trazer sobre a liberdade de imprensa e obrigou o governo a pedir a intervenção da agência regulador dos meios de comunicação, OFCOM. Naquele momento, Coulson era responsável pela elaboração da agenda midiática governamental. Segundo as regras ministeriais, Coulson deveria ter informado ao secretário de gabinete Gus O’Donnel sobre seu vínculo com a News Corp, mas o fato de não fazê-lo não é um mero problema individual. O governo, que tem uma série de códigos e mecanismos para intervir nestes temas, aparece, no mínimo, como negligente.

A Comissão Leveson encontrou uma segunda instância em que não se aplicou a Coulson o rigoroso sistema de verificação pessoal e financeira ao qual são submetidos todos os funcionários de alto nível governamental antes que assumam seus postos. Coulson reconheceu ante a Comissão que teve acesso a segredos de estado durante o período em que trabalhou como chefe de imprensa de Cameron. Os ministros e funcionários com acesso a este tipo de informação têm que ser autorizados por um sistema interno de checagem que procura esclarecer se tem algum “esqueleto no armário”, seja em nível ideológico, de conexões suspeitas ou que os torne passíveis de extorsão. Até o momento, Downing Street (residência oficial do governo) insistia que Coulson tinha recebido o nível apropriado de autorização para seu cargo.

Segundo o próprio Coulson admitiu à Comissão nesta quinta, ele tinha na verdade, um nível muito mais baixo e genérico que o requerido para ter acesso a operações antiterroristas ou a segredos militares sobre o Afeganistão.

Esse relaxamento é mais surpreendente se se leva em conta sua história prévia. O hoje ex-chefe de imprensa de Cameron renunciou como editor do “News of the World” em 2007, logo depois de a justiça ter condenado um jornalista e um detetive privado que trabalhavam para a publicação dominical, por sua participação no escândalo das escutas telefônicas. Como editor de um jornal que se caracterizou durante anos por expor a roupa suja ou trivialidades da monarquia, dos políticos, artistas e celebridades, Coulson tinha potencialmente vários “esqueletos no armário”. Apesar disso, foi nomeado por Cameron logo depois de sua renúncia como chefe de imprensa do Partido Conservador.

Em seu testemunho ante a Comissão, Coulson negou que isso tenha tido algum vínculo com a política da News Corp que, até então, apoiava o Novo Trabalhismo, mas que dois anos depois de sua nomeação declarou seu apoio a Cameron. É difícil determinar se, neste momento, Coulson era representante de Murdoch ante Cameron ou de Cameron ante Murdcoh, mas se suspeita que, por seus contatos com a New Corp era, no mínimo, uma peça essencial para azeitar os vasos comunicantes entre ambos. Suas declarações abrem cada vez mais interrogações sobre o primeiro ministro que, nesta sexta-feira, ficará exposto outra vez quando Rebekah Brooks, ex-executiva da News International, o braço britânico da News Corp, comparecerá ante a Comissão.

Tradução: Katarina Peixoto

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20126

 

webster franklin

Da Carta Maior

 

Juros: uma página virada?

 

A agenda de mudanças é longa e inclui itens de natureza diversa. A sabotagem patrocinada pelos bancos pode, por exemplo, incluir a paralisia articulada na oferta de crédito, apesar da queda na SELIC e nas taxas operacionais. Ou ainda um esforço oligopolista para manter suas margens de ganho.

Muitos analistas começam a colocar em debate a hipótese de que estaríamos vivendo, a partir das últimas semanas, uma espécie de ponto de inflexão no tratamento que a sociedade e o governo brasileiros vêm oferecendo para a questão da taxa de juros há décadas. Afinal, uma série de medidas foram anunciadas e adotadas recentemente, o que parece realmente apontar na direção de mudanças significativas nesse domínio. Dentre elas, há três elementos que merecem ser destacados.

As três medidas da mudança

O primeiro refere-se à reversão de orientação da política monetária de juros altos, a partir de uma tomada de posição mais firme por parte da Presidenta Dilma. Desde a reunião de 20 de julho de 2011 do COPOM, a taxa Selic passou a ser reduzida de forma contínua a cada 45 dias, saindo do então patamar de 12,5% a.a. para os atuais 9% a.a. E há sinais claros de que a tendência de queda poderia continuar até o final desse ano.

O segundo aspecto diz respeito a uma determinação da chefe do governo para que os bancos oficiais federais rompessem com a prática adotada até então, de seguir de forma obediente os passos da banca privada no mercado financeiro. Assim, a partir das últimas semanas, a Caixa Econômica Federal (CEF) e depois o Banco do Brasil (BB) iniciaram uma política de redução de seus “spreads” nas diversas modalidades de crédito e parecem estar baixando de fato as taxas cobradas em suas operações na ponta, junto a indivíduos, famílias e empresas.

Em terceiro lugar, Dilma resolveu encarar uma difícil – mas necessária - opção política por alterar as regras da caderneta de poupança. Conjuntura semelhante foi apresentada ao Presidente Lula em 2009 e 2010, mas ele preferiu empurrar a coisa com a barriga e a discussão não avançou à época. Isso porque as condições atuais de remuneração da caderneta de poupança, que foram pensadas para a época de inflação e juros elevados, operam agora como empecilho para redução da taxa de juros a níveis inferiores a 9% a.a.

A postura mais forte de Dilma

Além disso, de forma mais ampla, pode-se sentir uma mudança de postura de Dilma na sua relação com o próprio sistema financeiro. Ao contrário de Lula, que optou por manter à frente do BC um legítimo representante dos interesses da banca privada internacional com liberdade total de ação, ela parece ter se decidido por um acompanhamento mais detalhado da política monetária e das ocorrências no sistema financeiro de forma geral. Assim, por exemplo, têm sido as suas declarações a respeito do comportamento dos bancos privados, em sua relutância para baixar as taxas de juros. Às vésperas da comemoração do dia 1° de maio, ela fez a seguinte intervenção carregada de significado:

"É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo" (...) "A economia brasileira só será plenamente competitiva quando nossas taxas de juros, seja para o produtor seja para o consumidor, se igualarem às taxas praticadas no mercado internacional" (...) "Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos" (...) "O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros".

Portanto, um recado bem direto e ousado, substancialmente diferente da conduta de Lula, a exemplo da famosa declaração de abril de 2005. À época, ele se saiu com um desastrado pronunciamento, quando perguntado a respeito das altas taxas de juros praticadas no País, fato criticado até mesmo por seu vice, José de Alencar. Descartando qualquer possibilidade de ação do governo nesse domínio, o ex-presidente terminou por responsabilizar apenas o povo por aquela situação. Disse:

"Ele [o brasileiro] não levanta o traseiro do banco, ou da cadeira, para buscar um banco mais barato. Reclama toda noite dos juros pagos e no dia seguinte não faz nada para mudar"

No entanto, apesar das evidências colaborarem para as análises mais otimistas, é necessário termos bastante cautela na projeção de cenários futuros. Em primeiro lugar pelo fato de que há muito pouco tempo, a própria taxa Selic chegou a permanecer em nível até mais baixo que o atual. Como não temos uma boa memória para esse tipo de registro, pouco se fala ou se noticia que, entre 23 de julho de 2009 e 28 de abril de 2010, nossa taxa oficial foi de 8,75%. Ou seja, durante 9 meses viveu-se uma situação semelhante à atual, com possibilidades objetivas para romper com a política monetária restritiva. Mas a opção de Lula foi outra e a taxa voltou a subir logo depois. No final do mandato, ele terminou passando a faixa presidencial com a Selic no nível de 10,75%.

As dificuldades para virar a página

Esse alerta é apenas para que não nos esqueçamos de que a sociedade brasileira opera como uma espécie de dependente químico de juros elevados. Isso significa que não apenas os grandes operadores do sistema financeiro contribuem e se interessam por manter juros em patamares altos. Os demais setores e classes sociais também terminam por exibir um comportamento dependente desse verdadeiro vício nacional. As classes populares e de menor renda sempre acreditaram na instituição pública da caderneta de poupança, apesar de todas as perdas e tungadas ocorridas ao longo dos tempos. Assim, mexer nas regras é sempre um risco político – ainda que as perdas ocorressem sem alteração oficial das regras e sim por meio da manipulação dos índices oficiais de remuneração. Os trabalhadores e as instituições do movimento sindical são igualmente beneficiados pelos rendimentos obtidos por seus fundos de pensão em suas aplicações financeiras. Amplos setores da classe média também se acomodaram face aos ganhos proporcionados pelos fundos de investimento e demais alternativas oferecidas pelas instituições financeiras.

Ou seja, esse quadro todo nos sugere uma formação social em que a taxa de juros elevada é uma característica integrante e importante. O dado positivo para a perspectiva mudancista é que as pesquisas de opinião apontam a simpatia da população para com medidas que reduzam as taxas. Esse é o ponto de partida para uma trajetória de maior fôlego e mais longa, que possa significar efetivamente uma histórica virada de página nesse quesito dos juros.

E aí todos teremos que nos acomodar à nova situação e não ficar achando que 2% de remuneração anual real (descontada a inflação do período) seja muito pouco em termos de rentabilidade, como já começam a avançar alguns “especialistas” do mercado financeiro. Na tentativa de retirar credibilidade ao movimento de baixa dos juros, lança-se mão de todo o tipo de recurso: do terrorismo à baixaria.

A resistência dos bancos

Parece claro que haverá muitas dificuldades em manter essa conduta pela redução dos juros de forma definitiva. Os grandes prejudicados já começam a armar sua estratégia para inviabilizar a intenção de Dilma. Desde o primeiro momento, percebemos que os meios de comunicação repercutem e amplificam a pressão dos bancos e demais agentes do sistema financeiro, que não ficarão passivos frente às ações do governo. Que ninguém se iluda: eles tentarão resistir com unhas e dentes, ainda que sejam obrigados a eventual recuo tático aqui e ali, de acordo com a conjuntura. Foi o caso de uma declaração dura do presidente da Federação dos Bancos (Febraban) no final de abril, logo depois atenuada por outras lideranças da banca privada. Ou agora, no início de maio, outra nota pública da mesma entidade também resistindo a baixar os juros – mas no dia seguinte desmentida por dirigentes de bancos privados, que se disseram dispostos a “colaborar (sic) com o governo”. Aguardemos para ver até quando e até onde vai tal disposição.

Assim, como em outros casos de dependência crônica, o histórico do paciente recomenda cautela na euforia proporcionada por mudanças repentinas. O governo deve continuar com suas ações para desamarrar os obstáculos criados, seja pela utilização do BB e da CEF como pólos mais “saudáveis” do sistema, seja pela ampliação dos mecanismos de concorrência no setor – aumentando as condições de portabilidade dos clientes em sua escolha entre os bancos. Afinal, por mais que os números da queda sejam expressivos, ainda falta muito chão a percorrer. Por exemplo, ao longo da semana, manchetes davam conta que os juros de cheque especial teriam caído de 8% para 4% ao mês. De acordo, foi uma redução expressiva. Mas, ainda assim, a cobrança de 4% ao mês mantém embutido um “spread” elevadíssimo, tendo em vista que a remuneração que o banco oferece para o recurso depositado é pouco maior que 0,5% ao mês. E aqui nem vamos detalhar as absurdas taxas de administração dos fundos e demais serviços cobrados.

Mudança comportamental a longo prazo

Isso significa dizer que a agenda de mudanças é longa e inclui itens de natureza diversa. A sabotagem patrocinada pelos bancos pode, por exemplo, incluir a paralisia articulada na oferta de crédito, apesar da queda na SELIC e nas taxas operacionais. Ou ainda um esforço oligopolista para manter suas margens de ganho. O próprio Ministro Mantega levou mais de 6 anos, desde a sua posse na Fazenda em março de 2006, para ter uma atitude mais incisiva com relação aos abusos dos conglomerados – até então, considerados intocáveis - do sistema financeiro. Apenas há poucos dias atrás, pela primeira vez, ele resolveu ser mais claro em suas declarações: "Tenho certeza que os bancos privados vão baixar os “spreads” bancários que são muito altos no país e que é uma anomalia que tem de ser corrigida". Uma boa medida seria recomendar ao BC que faça uma revisão do projeto “Juros e “spread” bancário”, uma série de estudos anuais que foi lançado em 1999 e durou até 2010, mas que em nada resultou em termos de redução da margem de ganho das instituições sob a tutela do BC.

A experiência mais recente que a sociedade brasileira experimentou, e que nos permite algum grau de analogia com a situação atual, foi o caso da inflação crônica e elevada. Foram muitos planos de estabilização, inúmeros zeros cortados e novas moedas adotadas desde o Plano Cruzado em 1986 até o Plano Real em 1994. Apesar dos equívocos dos planos de ajuste, é inegável que a sociedade sancionava, a cada momento, a retomada da inflação e a indexação absoluta. Ao que tudo indica, a nossa dependência crônica para com a inflação já foi superada, depois de 18 anos de vigência do Plano Real. A memória inflacionária foi razoavelmente debelada e os agentes econômicos conseguem se comportar de maneira distinta daquela irracionalidade dos momentos pré-hiperinflação, com dolarização ou remarcação diária de preços.

Cabe agora serem criados os padrões comportamentais e culturais de uma vida de negócios e em sociedade diferente, que seja marcada pela aceitação generalizada de índices menores de rentabilidade e remuneração dos ativos. Mas essa mudança requer paciência, persistência e muita luta. E, principalmente, muita resistência e enfrentamento aos futuros saudosistas dos tempos de algumas horas atrás, marcados por elevadas taxas de juros e muito ganho fácil na esfera estéril da especulação, essa área de proliferação do financismo parasita.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5588


 

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

 

webster franklin

Do Jb

Joaquim Barbosa diz que CPI do Cachoeira não pode convocar procurador-geral

Jornal do BrasilBrasília 

 

O ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal do Mensalão do PT, disse ontem que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o “Caso Carlinhos Cachoeira” não tem competência para convocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

O chefe do Ministério Público foi criticado por alguns parlamentares por não ter denunciado o esquema desbaratado agora pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 2009, quando já tinha conhecimento das atividades criminosas do empresário goiano, então investigado na Operação Vegas.

Interpelado por jornalistas, no intervalo da sessão do STF, nesta quinta-feira, Barbosa acrescentou que, de sua parte, não sente nenhuma pressão dos “mensalistas”, “absolutamente nada”.

E acrescentou: “Quanto ao doutor Gurgel, digo apenas que ele é um servidor do estado inatacável. Não há porque convocá-lo (à CPI) para explicar suas atribuições, que são constitucionais. Ele é um agente que goza de independência. É o titular da ação penal”.

Quanto ao que seria uma ação de acusados no processo do Mensalão para desacreditar o procurador-geral da República, o ministro afirmou que “a atuação do Ministério Público no processo do Mensalão já está concretizada”.  

 

 

 

zanuja

    Resolvi assistir ao noticiário (???) da Globo News depois das novas revelações implicando o PGR Gurgel. No entre aspas de Mônica Waldwogel eis quem aparece? O "professor" Marco Antonio Villa. Recurso já conhecido nas crises criadas pela Globo. Estava domesticado e não babava. Queriam dar ares de seriedade a este pilantra. No conta corrente a intervenção desde cima resultou em matérias absolutamente direcionadas, batendo na alta da inflação com "especialistas" a contestar as medidas de redução de juros. Fizeram terrorismo desde cedo com a alta da inflação. Jornal da Globo repercutindo Gurgel e seus defensores, como Gilmar Mendes. Realmente partiram pra guerra! Crise, crise e crise e o amontoado de análises de modo a confundir os incautos. O mais desavisado diante dos noticiários da Globo de hoje resolveria se mudar para a Espanha sem sombra de dúvida...

    Ah sim, ressuscitaram o caso Celso Daniel de forma ardilosa, não só na Globo, mas na Folha e Estadão. Crime político! O tal do mensalão em absoluto destaque em toda a mídia. Muitos detalhes sobre os dois casos...O PT matou Celso Daniel e todas as menções ao caso tinham como pano de fundo o partido.

     Guerra, Guerra e guerra!

 

Osvaldo Ferreira

De R7.

Delegado da PF confirma ligação entre 
jornalistas e Carlinhos Cachoeira

 

Segundo Matheus Rodrigues, que fala na CPI, repórteres se beneficiaram do esquema

 

Do R7, em Brasília

 

 

O delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues, responsável pela operação Monte Carlo, que investigou os negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira, disse nesta quinta-feira (10) que a imprensa foi beneficiada pelo grupo do contraventor. A informação é do deputado federal Antony Garotinho (PR-RJ), que acompanhou o depoimento do policial à CPI do Cachoeira até o início da tarde. 

– As pessoas se aproveitaram [da organização do esquema] para ter matéria [publicada]. 

Segundo Garotinho, repórteres que mantinham ligação com Cachoeira usavam as informações do grupo. Não houve, porém, de acordo com o delegado da PF, nenhum retorno financeiro. As informações cedidas pelo bicheiro eram utilizadas apenas para o prestígio pessoal dos repórteres, conforme o relato do deputado e ex-governador do Rio de Janeiro. 

— Ele [o delegado] falou que imprensa não teve nenhum benefício financeiro, a não ser a notícia, pelo que eles puderam apurar. Ele falou do repórter do Correio Braziliense, Renato Alves, do Policarpo [Policarpo Júnior, diretor da revista Veja em Brasília], mas deixando bem claro que, no caso da imprensa, não houve benefício pessoal, de dinheiro, mas houve benefício da matéria. 

Ao conversar com a imprensa após deixar a sessão da CPI, Garotinho defendeu a investigação de todas as pessoas mencionadas nas investigações da PF, inclusive jornalistas.

— Tem que investigar. Tudo tem que ser investigado.

Reportagem exibida pelo Domingo Espetacular no último domingo (13) mostrou que Cachoeira influenciava a publicação de reportagens na revista Veja.

Documentos obtidos pelo jornalismo da Rede Record indicam que informações passadas à revista pelo bicheiro serviram de base para cinco reportagens de capa da revista.

Cachoeira, que está preso desde fevereiro, acionava os repórteres com os quais mantinha ligação para atingir adversários políticos. Um de seus alvos foi Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte), que deixou o cargo no ano passado após a divulgação de denúncias de corrupção.

 



 

zanuja

Os diálogos entre Cachoeira/Poli. Cronologia dos encontros entre o bicheiro e Policarpo Jr.

De Carta Maior.

Os encontros entre Policarpo, da Veja, e os homens de Cachoeira

Levantamento feito a partir de documentos da Operação Monte Carlo indicam que o editor da revista Veja esteve, pelo menos, 10 vezes com o contraventor Cachoeira e membros de sua organização. Em geral, os temas dessas conversas acabaram se transformando em matérias da revista. Operação no Hotel Nahoum, que envolveu tentativa de invasão do quarto de José Dirceu, também foi tema dessas conversas. A reportagem é de Vinicius Mansur.

Vinicius Mansur

Brasília - Um levantamento do inquérito 3430, resultado da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF), indica que o editor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e integrantes da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira se encontraram presencialmente, pelo menos, 10 vezes. Só com Cachoeira foram 4 encontros.

O número pode ser maior, uma vez que a reportagem de Carta Maior teve acesso apenas ao apenso 1 do inquérito, com 7 volumes. Entretanto, existem mais dois apensos que, juntos, tem 8 volumes.

O primeiro destes encontros foi marcado para o dia 10 março de 2011. Em ligação telefônica no dia 9 daquele mês, às 22:59, Cachoeira diz ao senador Demóstenes Torres (então do DEM, hoje sem partido):

“É o seguinte: eu vou lá no Policarpo amanhã, que ele me ligou de novo, aí na hora que eu chegar eu te procuro.” 

No dia 27 de abril, Cachoeira anunciou outro encontro com o jornalista. Em uma ligação interceptada às 07:22, o inquérito da PF relata: “Carlinhos diz que vai almoçar com a prefeita de Valparaíso e com Policarpo da revista Veja”. Às 09:02, o contraventor avisa a Demóstenes de novo almoço com Policarpo, desta vez acompanhados da prefeita de Valparaíso (GO). “Eu vou almoçar com o Policarpo aí. Se terminar o almoço e você estiver lá no apartamento eu passo lá”, disse Cachoeira ao senador, que respondeu: “Ok... o Policarpo me ligou, tava procurando um trem aí. Queria que eu olhasse pra ele algumas coisas. Pediu até pra eu ligar para ele mais tarde, não quis falar pelo telefone”.

Nesta mesma conversa, Demóstenes pediu conselhos a Cachoeira sobre sua mudança de partido. Cachoeira afirmou que “esse DEM já naufragou” e disse “tem que ir pro PMDB, até pra virar do STF né?”

O terceiro encontro: o alvo é Zé Dirceu, não a Delta

A partir do dia 7 de maio de 2011, aparecem conversas da quadrilha de Cachoeira sobre a reportagem “O segredo do sucesso”, assinada por Hugo Marques e publicada pela revista Veja na edição 2216, daquele mesmo fim de semana. A matéria relaciona o crescimento da empresa Delta com os serviços de consultoria de José Dirceu. 

Em ligação do dia 8 de maio, às 19:58, Cachoeira diz ao diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, que Demóstenes vai trabalhar nos bastidores do Senado para abafar a reportagem.
No dia 9, às 23:07, Cláudio pergunta ao bicheiro se ele irá “no almoço com aquele Policarpo” no dia seguinte. Cachoeira responde: “Ah o Policarpo eu encontro com ele em vinte minutos lá no prédio, é rapidinho”.

No dia 10, às 14:43, Cachoeira relata a Cláudio a conversa que teve com Policarpo sobre a reportagem. A conversa, entretanto, não é detalhada pelo inquérito da PF ao qual a reportagem de Carta Maior teve acesso.

No dia 11, às 09:59, Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, tido pela PF como braço de direito de Cachoeira, conta ao bicheiro que conversou com repórter da Veja, Hugo Marques, que lhe revelou que o alvo de sua reportagem era “Zé Dirceu e não a Delta”.

O quarto encontro foi com Cláudio Abreu. No dia 29 de junho de 2011, às 19:43, Cláudio disse a Cachoeira que esteve com Policarpo e passou informações sobre licitação da BR 280. As informações foram parar na reportagem “O mensalão do PR”, publicada na edição 2224 da revista Veja e que deu origem as demissões no Ministério dos Transportes.
No dia 7 de julho, às 09:12, Cláudio conta a Cachoeira que “o JR quer falar” com ele. Cláudio: “...to tomando um café aqui, eu, Heraldo e o Dadá, esperando ele.”

Cachoeira: “Que que é JR?”
Cláudio: “PJ, né amigo.”
Cachoeira: “PJ?”
Cláudio: “Pole.”
Cachoeira: “O que?”.
Cláudio: “Engraçado lá, Carlinhos. Policarpo, porra.”


No dia 26 de julho de 2011, Policarpo perguntou a Cachoeira, em telefonema às 19:07, como fazer para levantar umas ligações entre o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) e “gente da Conab”. Seis dias antes, a Veja publicou a reportagem “Quiproquó no PMDB”, denunciando o então diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá Neto, por desvio de dinheiro público. Juca neto pediu demissão um dia depois.

No dia 28, às 17:19, uma ligação interceptada pela PF entre Jairo Martins, o araponga de Cachoeira, e uma pessoa identificada apenas como “Editora Abril” é sucintamente resumida pela palavra “encontro”. 

No dia 29, às 20:56, Jairo adianta a um homem chamado Paulo Abreu que a edição de Veja do final de semana “baterá na Conab”, como aconteceu através da reportagem “Dinheiro por fora”. A reportagem traz informações sobre a relação da empresa favorecida pela Conab e o financiamento de campanha de Jovair e de outros políticos de Goiás. 

Nos documentos apurados por Carta Maior ainda consta uma ligação telefônica entre Demóstenes e Cachoeira, no dia 18 de agosto de 2011, às 09:34, na qual o senador relata que um repórter da Veja chamado Gustavo está atrás de um “Evangivaldo” e pergunta: “Tem alguma coisa contra esse homem?”. Cachoeira responde: “vou ver aqui e já te falo”. O presidente da Conab na ocasião se chamava Evangevaldo Moreira dos Santos. Ele permaneceu no cargo até 17 de fevereiro deste ano. Em sua carta de demissão, encaminhada à presidente no dia 10, o ex-funcionário disse que “tem sido usado como instrumento de adversários políticos que vislumbram as eleições municipais” em Goiânia.

Invadindo o hotel Nahoum

No dia 2 de agosto de 2011, às 10:46, Jairo Martins, marca encontro por telefone “no Gibão do Parque da Cidade” com “Caneta”, identificado inicialmente pela PF como alguém da Editora Abril. Às 12:04, Jairo informa a Cachoeira que irá almoçar com “Caneta” às “15 pra uma” para tratar “daquela matéria lá (...) que tá pronta”. 

Às 14:30, o araponga informa ao bicheiro que “Caneta” quer usar imagens do hotel “pra daqui a duas semanas, que naquele período que ele me pediu, o cara recebeu 25 pessoas lá, sendo que 5 pessoas assim importantíssimas”. Ele também se mostra preocupado e diz que o combinado era não usar as imagens. Cachoeira diz: “Põe ele pra pedir pra mim”.

Às 21:03, Cachoeira revela a identidade de “Caneta”. O contraventor conta a Demóstenes que “o Policarpo vai estourar aí, o Jairo arrumou uma fita pra ele lá do hotel lá, onde o Dirceu, Dirceu, é, recebia o pessoal na época do tombo do Palocci”. Segundo Cachoeira, Policarpo pediu para “por a fita na Veja online”.

No dia 4, às 17:18, Cachoeira fala com Policarpo ao telefone e pede para ele ir encontrar Cláudio Abreu, da Delta, que está esperando. Às 17:31, Cachoeira 
diz para Claudio mandar Policarpo soltar nota de Carlos Costa.

Às 17:47, Cláudio pergunta onde a nota deve ser publicada. Cachoeira diz que no “on-line já ta bom”, mas “se for na revista melhor”. Às 18:37, o bicheiro informa ao diretor da Delta que Policarpo “está com um problema sério na revista”, pediu para desmarcar o encontro e receber a nota por email.

No dia 10 de agosto, às 19:11, Cláudio conta ao chefe da quadrilha que estará em Brasília no dia seguinte para falar com “PJ”. Às 19:22, Jairo e Policarpo combinam por telefone um “encontro no churrasquinho”. Às 20:41, Jairo e Cachoeira falam sobre liberação das imagens.

No dia 11, às 08:58, Carlinhos fala a Demóstenes que almoçará com Policarpo. O resumo de uma ligação às 14:09, entre Cachoeira e Cláudio, afirma que “Carlinhos está no Churchill, possivelmente com Policarpo Júnior”. Às 20:05, em conversa com Demóstenes, Cachoeira conta que encontro com Policarpo foi para ele “pedir permissão para o trem lá do Zé”. 

No dia 15, às 10:12, Cachoeira orienta Jairo para “matar a conversa com Policarpo”: “nós temos que pedir aquele assunto para ele”, diz. A noite, Jairo e Policarpo marcam encontro. Às 19:04, Policarpo marca encontro com Jairo “em 10 minutos no espetinho”. O resumo de uma ligação entre os dois às 19:26 diz “encontro”.

O resumo de uma ligação às 12:45 do dia 16 descreve: “Carlinhos diz que liberou, que só falta ele liberar. Jairo diz que falta pouca coisa. Acha que hoje ele libera”.

No fim de semana de 27 e 28 de agosto de 2011, a revista Veja deu uma capa com o título “O Poderoso Chefão”, em alusão a influência que o ex-ministro José Dirceu ainda tinha sobre o PT e o governo de Dilma Rousseff. A reportagem trouxe imagens de vários políticos visitando Dirceu dentro do Hotel Naoum, onde ele se hospedava em Brasília, afirmando que Dirceu articulou a queda do então ministro da Casa Civil, Antônio Palloci. 

O repórter da Veja, Gustavo Ribeiro, foi acusado de tentar invadir o apartamento de Dirceu. A polícia também investiga como as imagens do circuito interno do hotel foram capturadas. As gravações feitas pela Operação Monte Carlo desvendam parte desta trama.

 

zanuja

A diferença entre a imprensa do Reino Unido e a brasileira é gritante. Lá jornalista comparece ao Parlamento para depor. Aqui mentem e distorcem para que os meliantes não sejam convocados.

De Carta Maior.

 Jornalista expõe vínculos entre grupo Murdoch e governo de David CameronO depoimento do jornalista Andy Coulson perante a Comissão Leveson, que investiga a relação entre os meios de comunicação e o mundo político britânico, desnudou nesta quinta-feira os vínculos entre o grupo multimidiático Murdoch e o governo do primeiro ministro David Cameron. O ex-chefe de imprensa de Cameron e ex-editor da extinta publicação sensacionalista “News of the World” expôs conflitos de interesse que mostram que governo foi, no mínimo, negligente. O artigo é de Marcelo Justo.

Londres - A Comissão Leveson, que investiga a relação entre os meios de comunicação e o mundo político britânico, desnudou nesta quinta-feira os vínculos entre o grupo multimidiático Murdoch e o primeiro ministro David Cameron. O ex-chefe de imprensa de Cameron e o ex-editor da extinta publicação dominical sensacionalista “News of the World”, Andy Coulson, reconheceu ante a Comissão que tinha cerca de 70 mil dólares em ações na companhia dos Murdoch, News International, e que assistiu a reuniões dos organismos máximos de segurança do governo, sem se submeter à checagem de segurança estabelecida para os funcionários de alto nível. “Nunca me perguntaram se eu tinha ações e como eu sabia que não estava envolvido em nenhuma atividade comercial, nem na oferta pela BSkyB, nunca me ocorreu que poderia haver aí um conflito de interesse”, justificou-se Coulson.

O conflito de interesse era óbvio. Em junho de 2010, um mês depois de formada a coalizão conservadora-liberal democrata, o grupo Murdoch, que controlava 39,1% das ações da BSkiB, realizou uma oferta pelo resto do pacote acionário da cadeia televisiva.

A oferta gerou uma intensa polêmica pelo impacto que podia trazer sobre a liberdade de imprensa e obrigou o governo a pedir a intervenção da agência regulador dos meios de comunicação, OFCOM. Naquele momento, Coulson era responsável pela elaboração da agenda midiática governamental. Segundo as regras ministeriais, Coulson deveria ter informado ao secretário de gabinete Gus O’Donnel sobre seu vínculo com a News Corp, mas o fato de não fazê-lo não é um mero problema individual. O governo, que tem uma série de códigos e mecanismos para intervir nestes temas, aparece, no mínimo, como negligente.

A Comissão Leveson encontrou uma segunda instância em que não se aplicou a Coulson o rigoroso sistema de verificação pessoal e financeira ao qual são submetidos todos os funcionários de alto nível governamental antes que assumam seus postos. Coulson reconheceu ante a Comissão que teve acesso a segredos de estado durante o período em que trabalhou como chefe de imprensa de Cameron. Os ministros e funcionários com acesso a este tipo de informação têm que ser autorizados por um sistema interno de checagem que procura esclarecer se tem algum “esqueleto no armário”, seja em nível ideológico, de conexões suspeitas ou que os torne passíveis de extorsão. Até o momento, Downing Street (residência oficial do governo) insistia que Coulson tinha recebido o nível apropriado de autorização para seu cargo. 

Segundo o próprio Coulson admitiu à Comissão nesta quinta, ele tinha na verdade, um nível muito mais baixo e genérico que o requerido para ter acesso a operações antiterroristas ou a segredos militares sobre o Afeganistão.

Esse relaxamento é mais surpreendente se se leva em conta sua história prévia. O hoje ex-chefe de imprensa de Cameron renunciou como editor do “News of the World” em 2007, logo depois de a justiça ter condenado um jornalista e um detetive privado que trabalhavam para a publicação dominical, por sua participação no escândalo das escutas telefônicas. Como editor de um jornal que se caracterizou durante anos por expor a roupa suja ou trivialidades da monarquia, dos políticos, artistas e celebridades, Coulson tinha potencialmente vários “esqueletos no armário”. Apesar disso, foi nomeado por Cameron logo depois de sua renúncia como chefe de imprensa do Partido Conservador.

Em seu testemunho ante a Comissão, Coulson negou que isso tenha tido algum vínculo com a política da News Corp que, até então, apoiava o Novo Trabalhismo, mas que dois anos depois de sua nomeação declarou seu apoio a Cameron. É difícil determinar se, neste momento, Coulson era representante de Murdoch ante Cameron ou de Cameron ante Murdcoh, mas se suspeita que, por seus contatos com a New Corp era, no mínimo, uma peça essencial para azeitar os vasos comunicantes entre ambos. Suas declarações abrem cada vez mais interrogações sobre o primeiro ministro que, nesta sexta-feira, ficará exposto outra vez quando Rebekah Brooks, ex-executiva da News International, o braço britânico da News Corp, comparecerá ante a Comissão.

Tradução: Katarina Peixoto

 

 

zanuja

De Carta Capital.

 

O diversionismo de Gurgel para não explicar sua ilegalidade

 

 

Para muitos, a melhor defesa é o ataque. Uma tática militar antiga e até mencionada na Arte da Guerra, um escrito do chinês Sun Tzu, por volta do século IV AC.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, parece ser adepto dessa velha e surrada tese militar.

A propósito, a tática é muita usada por políticos brasileiros para se fazer de vítima e mudarem o foco.

Nos tratados sobre “vitimologia” escritos por juristas não há registro sobre aqueles, como Gurgel, que se colocam como vítimas para descumprir a obrigação de informar os cidadãos, algo fundamental nos estados democráticos de Direito.

Gurgel disse que os ataques recebidos, referentes ao inquérito policial nascido com a operação Vegas e que ele colocou na geladeira desde 2009, são de autoria dos que estão “morrendo de medo do mensalão”.

Muitos cidadãos brasileiros não são réus no processo conhecido como “mensalão” e estranharam ter Gurgel “sentado em cima” de um trabalho investigativo que já apontava para o que se sabe agora: o envolvimento do senador Demóstenes Torres com a organização criminosa comandada pelo “capo” Carlinhos Cachoeira.

Que o Partido dos Trabalhadores (PT) e os Zé Dirceus e Jeffersons da vida tenham interesse em desprestigiar Gurgel, é simplesmente constatar uma obviedade. Mas, convenhamos, Gurgel deu de bandeja uma justificativa para os seus desafetos: em alegações finais, no processo do mensalão, o procurador-geral pediu a condenação de mensaleiros de alto coturno da vida político-partidária.

O inquérito referente à operação Vegas só foi desovado por Gurgel depois de cobrado por parlamentares, que não eram só do PT. A carga principal foi de parlamentares do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), que não tem acusados de mensaleiros.

Como sabe até a torcida do Flamengo, o procurador Gurgel, se não tinha elementos para propor ação penal ou requisitar novas diligências, deveria, em prazo razoável, ter pedido o arquivamento dos autos de inquérito.

Pelo informado na CPMI pelo delegado Raul Alexandre Marques de Souza, o procurador Gurgel determinou à mulher Cláudia Sampaio, subprocuradora, que, informalmente, participasse ao presidente do inquérito policial federal (Raul Alexandra Marques Souza) a inexistência de indícios com lastro de suficiência com relação ao senador Demóstenes. Ora, um procurador-geral bem sabe que, em casos tais, o caminho é solicitar o arquivamento ou novas apurações. Jamais colocar no “freezer” um inquérito. No “freezer” de Gurgel permaneceu o inquérito da operação de 2009 até ser cobrado por parlamentares em 2012.

Nesse período de “freezer”, e como destaquei no post de ontem, Demóstenes fez pressão (para manter no freezer” o inquérito supracitado) contra a recondução de Gurgel a um segundo mandato. Gurgel contava, na recondução, com o apoio do então ministro Antonio Palocci, de triste memória. Palocci é aquele da violação do sigilo do bancário do caseiro e do aumento pantagruélico do patrimônio pessoal, que Gurgel, para usar uma expressão popular, “deixou barato” e deu tratamento, agora com expressão mais erudita, de “vela de libra”.

Quanto ao mensalão, é de se observar que a acusação (denúncia) não foi formulada por Gurgel, mas pelo então procurador-geral Antonio Fernando Souza. Caberá aos ministros do Supremo Tribunal Federal, e não a Gurgel, o julgamento.

No caso, o Ministério Público, representado por Gurgel, é parte processual. Parte acusadora e no mesmo pé de igualdade com as partes acusadas, ou melhor, com os réus.

Nenhum cidadão brasileiro é idiota a ponto de confundir o processo do mensalão com inquérito da operação Las Vegas, colocado por Gurgel, contra a lei, no “freezer”.

Na verdade, Gurgel foge ao dever de explicar a razão de não ter, de 2009 a 2012, pedido, nos autos do inquérito gerado pela operação, arquivamento ou novas diligências.

Até agora, as suas explicações sobre o atraso não encontram suporte jurídico.

Pano rápido. Gurgel usa de um diversionismo e coloca todos os que o cobram, como acontece neste blog, como petistas. O titular desse espaço nunca foi petista e, com 65 anos de idade, jamais se filiou a partidos políticos.

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zanuja

De Agência Brasil.

 Em depoimento, delegado confirma venda da casa de Perillo para Cachoeira e remessa de dinheiro ao Palácio das Esmeraldas

10/05/2012 - 19h07 

Mariana Jungmann e Luciana Lima
Repórteres da Agência Brasil

Brasília - Uma caixa de computador contendo R$ 500 mil foi entregue a um assessor especial do governador de Goiás, Marconi Perillo, dentro do Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano. A informação foi dada hoje (10) pelo delegado da Polícia Federal Matheus Mela Rodrigues, aos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

“Nas escutas houve uma remessa de uma caixa de computador com R$ 500 mil para dentro do palácio, recebida por assessor especial para assuntos sociais do governador”, contou o deputado ao sair do depoimento que já dura mais de oito horas.

Ainda de acordo com Paulo Teixeira, o delegado Rodrigues deu detalhes sobre a venda da casa do governador para o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Segundo o deputado, a casa foi vendida ao sobrinho de Cachoeira, Leonardo de Almeida Ramos, que pagou com dois cheques de R$ 400 mil cada e mais um de R$ 600 mil.

A casa é a mesma em que o empresário, acusado de comandar quadrilha que explorava jogos ilegais em Goiás, foi preso no último dia 29 de fevereiro, quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo da Polícia Federal. A informação sobre a venda da casa é confirmada também pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que acompanhou a sessão da CPMI.

“Até onde eu estive presente, a informação dá conta que a casa em que Carlos Cachoeira foi preso pertencia anteriormente a Marconi Perillo. Logo, foi uma casa vendida por Marconi Perillo a Carlos Cachoeira”, disse o senador. Randolfe também confirmou que a relação de Perillo com Cachoeira era “muito próxima”, de acordo com o depoimento do delegado. Segundo o senador, o inquérito da Operação Monte Carlo flagrou mais de 200 citações do nome do governador nas gravações telefônicas da quadrilha interceptadas pela Polícia Federal.

Além disso, a PF gravou diálogos do próprio governador com Cachoeira e identificou dois encontros entre eles, inclusive um em um jantar na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Torres está respondendo a processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar em função das suas relações com Cachoeira.

A Operação Monte Carlo, associada à Operação Vegas, vem embasando as investigações da CPMI. Entre as denúncias apuradas pelos dois inquéritos estão a de que Cachoeira atuava também como sócio da construtora Delta e agia para fraudar licitações públicas garantindo contratos para a companhia. O empresário também é acusado de corromper diversos agentes públicos e de utilizar a influência do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) para conseguir vantagens com outras autoridades.

No depoimento, o delegado também detalhou depósitos da construtora Delta para três empresas "laranjas" pertencentes a Carlinhos Cachoeira. Uma dessas empresas, de acordo com o senador Randolfe Rodrigues, teria sede na Ilha de Curaçao, um paraíso fiscal do Caribe.

Edição: José Romildo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

zanuja

De Agência Brasil.

Conselho quer ter acesso a IR e contas eleitorais de Demóstenes

10/05/2012 - 11h42

Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O Conselho de Ética do Senado aprovou hoje (10) requerimento que pede acesso às declarações de bens e do Imposto de Renda do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) desde 1999. Também foram aprovados requerimentos para que o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás encaminhe ao colegiado todas as prestações de contas das eleições de que Demóstenes participou no estado.

O conselho também marcou as datas dos depoimentos do empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e do senador Demóstenes Torres. Eles serão ouvidos, respectivamente, nos dias 23 e 28. O advogado Rui Cruvinel, que acusou e depois negou a participação de Demóstenes em um esquema de jogos ilegais, será ouvido no dia 22.

Os delegados da Polícia Federal Raul Alexandre Souza e Matheus Melo Resende, responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo, serão ouvidos no dia 15. Já os procuradores da República em Goiás Daniel Resende Salgado e Léa Batista de Oliveira falarão ao conselho no dia 16. Matheus, Daniel e Léa prestam depoimento hoje na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

Também foi aprovado requerimento que pede o compartilhamento com a CPMI do Cachoeira de dados referentes ao uso do aparelho celular Nextel que teria sido cedido por Cachoeira ao senador Demóstenes Torres. Também foi aprovado requerimento que solicita à direção do Senado o registro de eventuais acessos de Cachoeira e Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, nas dependências da Casa.

O Conselho de Ética ainda aprovou pedido para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informe a relação de voos e eventuais acompanhantes de Demóstenes nas empresas Voar Táxi Aéreo LTDA e Empresa Sete Táxi Aéreo LTDA. O relator do caso contra Demóstenes no conselho, senador Humberto Costa (PT-PE), disse que essas informações ajudarão a comprovar a relação do senador com Cachoeira.

Edição: Talita Cavalcante

 

zanuja

O Conselho de Ética do Senado aprovou hoje (10) requerimento que pede acesso às declarações de bens e do Imposto de Renda do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) desde 1999. Também foram aprovados requerimentos para que o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás encaminhe ao colegiado todas as prestações de contas das eleições de que Demóstenes participou no estado.

 

Isso é chover no molhado, estas informações requisitadas são de conhecimento geral, pois é um dos requisitos a todos que porventura for, vier a ser candifato por algum partido a qualquer cargo eletivo, ou seja, a quem vier a participar de qualquer eleição neste Brasil

Parece mais coisa de quem não tem o que fazer

 

Da Agência Brasil.

Relator diz que CPMI tem que identificar participação da Delta em organização criminosa

10/05/2012 - 21h28

Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasil - Depois de ouvir por quase dez horas o depoimento do delegado Matheus Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que a resposta sobre o papel da Construtora Delta dentro da organização criminosa será um dos principais desafios da comissão.

"O que nós queremos saber é qual foi o papel da Delta na organização criminosa. A quem serviu a Delta? Essa é uma pergunta que nós temos que responder", disse o relator ao deixar o depoimento.

Parlamentares que ouviram as explicações do delegado disseram ter saído com a impressão de uma profunda ligação da empresa com o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, acusado de liderar a organização criminosa. No entanto, poucos se arriscaram a caracterizar a natureza dessa relação.

"Ele [Cachoeira] pode ser considerado um sócio oculto da empresa", disse o deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP). Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) comentou que "pelo que o delegado falou, há uma ligação profunda, íntima, no entanto, não está clara que relação é essa".

O relator ainda destacou que será papel da CPMI caracterizar as relações da organização comandada por Cachoeira com os governo estaduais, no entanto, ele disse que não há pressa para convocar os governadores citados, entre eles, o governador de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

"É claro que é preciso muita calma e cautela, vamos ouvir na terça-feira o empresário Carlinhos Cachoeira e até quinta-feira, espero formar um juízo de valor sobre a conveniência ou não de antecipar essa convocação. São muitas oitivas, mas nós não faremos um rito sumário. Não vejo a necessidade de acelerarmos a oitiva de ninguém porque temos um prazo a cumprir e vamos usar esse prazo", disse o relator.

Odair Cunha acrescentou que "pelo depoimento do delegado, há a presença dessa organização criminosa em setores do governo de Goiás, mas há também a presença dessa organização no governo do Distrito Federal, que também merece a nossa investigação".

O relator disse ainda que outros governos foram citados pelo delegado e que também serão objeto de investigação da CPMI. "Há incursões dessa organização em outros governos, foi citado, por exemplo, o governo do Paraná. Isso não significa dizer, é claro, que gestores estejam por exemplo, envolvidos com o caso, estou dizendo que merece a nossa atenção", ressalvou.

A decisão de convocar os governadores deve ser tomada no próximo dia 17, quando está marcada uma reunião administrativa da CPMI. O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que a análise dos requerimentos com as convocações será feita por ele e pelo relator de forma individualizada. Esses requerimentos deverão ser apreciados pelo plenário da CPMI na reunião.

Também nessa reunião a CPMI vai apreciar o requerimento de convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, criticado por alguns integrantes da comissão por ter demorado a apresentar denúncia contra o grupo de Cachoeira. "O requerimento de convocação do procurador-geral eu vou pautar para a reunião do dia 17", disse Vital do Rêgo.

Edição: Rivadavia Severo

 

 

zanuja

Da Agência Câmara.

Deputados da CPMI querem impedir venda da construtora Delta.

Venda da empresa poderia encobrir pistas do esquema de corrupção chefiado por Carlos Cachoeira em Goiás.

Foco de investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, a construtora Delta pode ter sua venda paralisada nos próximos dias. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) apresentou – e a Procuradoria-Geral da República endossou – o requerimento para que o Ministério Público de Goiás impeça a venda da Delta para a J&F Participações, holding que controla diversas empresas.

Miro disse que a venda poderá dificultar a recuperação de recursos públicos desviados pelo esquema de corrupção chefiado pelo empresário Carlos Cachoeira. “Ainda há inquéritos em aberto, e não sabemos onde isso pode chegar. É melhor que a Delta responda pelos desvios”, defendeu.

Já o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que a venda é um negócio privado, que foge ao escopo da CPMI. “Quem comprar a empresa vai ter de responder por esse passivo, não podemos deixar que a operação esconda provas”, disse.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), a venda da Delta pode ser uma forma de ocultar pistas. “Nem sequer houve a quebra de sigilo da Delta, pela CPMI ou pela polícia. Ainda não sabemos até onde alcança a corrupção”, disse.

Depósitos suspeitos
No depoimento desta quinta-feira (10) na CPMI, o delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, disse que encontrou depósitos da Delta para as empresas de fachada que lavavam o dinheiro obtido pela organização de Carlos Cachoeira.

Para Odair Cunha, não há dúvidas quanto ao envolvimento do braço goiano da empresa com o esquema de Cachoeira. Cunha disse que ficou claro, por exemplo, o envolvimento do ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu com o esquema.

Convocação 
O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), apresentou requerimento na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para convocar o atual presidente da Delta, Carlos Alberto Verdini; um dos controladores da holding J&F, Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central no Governo Lula); e o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para que eles deem esclarecimentos sobre a possível transação.

O grupo J&F controla a JBS/Friboi, que, de acordo com Rubens Bueno, fez um empréstimo de R$ 10 bilhões junto ao BNDES, dinheiro que pode estar sendo usado na compra da Delta. “A Delta está sub judice, e essa compra pode apagar as digitais dos crimes que possam ter acontecido na empresa, inclusive caixa dois”, destacou.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) afirmou que o presidente do BNDES deve ser convocado para dar explicações, já que cerca de 31% do capital da holding J&F é de propriedade do banco.

 

zanuja

Do iG.

Grupo de Cachoeira movimentava R$ 1 milhão por mês, diz delegado a CPIMatheus Rodrigues, que depõe a portas fechadas na comissão, disse que 30% desse valor era repassado para o bicheiroO grupo do empresário Carlinhos Cachoeira movimentaria pelo menos R$ 1 milhãopor mês com 30 máquinas de caça níquel, dos quais 30% seriam repassados a Cachoeira. A informação foi dita pelo delegado federal Matheus Rodrigues, responsável pela operação da Polícia Federal Monte Carlo, durante seu depoimento nesta quinta-feira à CPI, segundo parlamentares que acompanham a sessão, que foi fechada.A operação também poderia comprometer novas autoridades ligadas a governos estaduais e municipais, de acordo com integrantes da CPI. No depoimento, o delegado Matheus Rodrigues fez um cronograma detalhado sobre a operação Monte Carlo, que começou em 5 de novembro de 2010.Durante 11 meses e meio, foram interceptadas e ouvidas 259.949 ligações telefônicas, das quais 16 mil foram julgadas importantes. Entre elas, 3.753 envolveram os chamados "encontros fortuitos" - descobertas de possível envolvimento de pessoas com foro privilegiado, que só podem ser grampeadas e investigadas após autorização dos tribunais superiores.Também foram analisados mais de 5 mil e-mails. Foram feitas buscas e apreensões em mais de 80 locais. Do material apreendido, 28 malotes ainda precisam ser analisados. A operação já resultou em 81 pessoas indiciadas e 78 denunciadas por corrupção ativa e passiva, peculato, formação de quadrilha, contrabando e falsidade ideológica, segundo integrantes da CPI.Entre os denunciados estão seis delegados da polícia civil, um agente da polícia civil do Distrito Federal (DF), um servidor da Justiça de Valparaíso (GO) e um da prefeitura da mesma cidade. A penetração do grupo era tanta que o juiz de Valparaíso não tinha sequer segurança para despachar do fórum em assuntos envolvendo a quadrilha, tendo que fazer seus despachos de casa, devido ao suposto envolvimento de servidores. Depois da fala de Rodrigues, os integrantes da CPI começaram a fazer perguntas. Como há 30 inscritos para perguntas, a sessão não tem previsão para terminar. 

 

 

zanuja

Do iG.

Presidente do PT rebate Gurgel e diz que procurador-geral deve explicaçõesRui Falcão afirmou que Gurgel precisa explicar por que não apresentou denúncia contra Demóstenes quando recebeu inquérito em 2009

Fábio Matos, iG São Paulo | 10/05/2012 17:06:43 - Atualizada às 10/05/2012 17:07:43

 

O presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão, rebateu nesta quinta-feira as declarações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que afirmou na última quarta-feira que as pressões para que preste esclarecimentos à CPI do Cachoeira partem de interessados em constrangê-lo às vésperas do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). “O que temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão", disse ontem o procurador. Para Falcão, quem deve explicações neste momento é Gurgel.

“O que eu tenho a dizer é que continua a dúvida sobre as declarações do delegado Raul Alexandre Souza (em depoimento à CPI) sobre por que ele (Gurgel) não deu consequência às denúncias que recebeu da Operação Vegas (contra o senador Demóstenes Torres, ex-DEM). O procurador provavelmente vai responder a essa questão, mas a dúvida persiste. É uma afirmação dele, mas continuo a dizer que o procurador precisa responder às afirmações do delegado da PF”, afirmou o presidente do PT em entrevista concedida após reunião da Executiva do partido na sede do Diretório Nacional, em São Paulo.

Questionado se o partido defende a convocação de Gurgel para prestar esclarecimentos à CPI do Cachoeira, Rui Falcão se esquivou. “Essa é uma questão que está em debate na CPI. No Brasil, nenhuma pessoa deve estar acima da lei”, afirmou. “A decisão é dos membros da CPI. A comissão tem poder de convocar qualquer autoridade.”

 

O dirigente petista também afirmou que o partido não tem interesse em enfraquecer Roberto Gurgel: “Primeiro, não temos esse poder. Segundo, não temos esse desejo”. 

À CPI do Cachoeira, o delegado da PF Raul Alexandre Souza, que comandou a Operação Vegas, disse aos membros da comissão que Gurgel recebeu o relatório da investigação no dia 15 de setembro de 2009 e não apresentou denúncia contra os acusados – entre eles, o senador Demóstenes Torres – na época. O procurador-geral da República argumenta que, naquele momento, ainda não havia indícios para que a denúncia fosse apresentada e que, se tivesse feito o pedido, poderia ter atrapalhado as investigações da PF.

“A direção do PT acha que essa CPI pode ser muito importante para o Brasil”, disse o presidente do PT. “Ela pode ajudar a explicar à sociedade brasileira como uma organização criminosa se infiltrou a tal ponto e como ela pretendia transformar o senador Demóstenes Torres em ministro do STF”, afirmou Falcão, em alusão às ligações entre o parlamentar e o grupo comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. “Se tivéssemos conhecido o funcionamento dessa organização em 2010, por exemplo, antes das eleições, talvez Demóstenes Torres não estivesse mais no Parlamento.”

Reforma política e imprensa

Rui Falcão também aproveitou a entrevista coletiva para defender mais uma vez a reforma política, em especial o financiamento público de campanhas – uma das bandeiras do PT -, e maior “pluralidade” no setor de comunicação no País. “A CPI também pode permitir que a gente amplie a liberdade de imprensa no Brasil. Nós, do PT, que ajudamos a fortalecer a democracia, queremos que a população possa se informar cada vez mais”, afirmou. “A comissão parlamentar ainda permite ao País discutir a reforma política e o financiamento público das campanhas, medida defendida pelo nosso partido.”


 

 

 

 

zanuja

quinta-feira, 10 de maio de 2012 - No Democracia e Politica

AS CONSEQUÊNCIAS MORAIS DE UM VETO SUSPEITO 

 

Por Saul Leblon no “Carta Maior” “O mesmo personagem que por cinco horas fará acusações ao governo Lula, a membros do seu ministério e a integrantes do PT, no processo denominado de 'mensalão', obstruiu durante dois anos e sete meses uma operação da Polícia Federal cujos dados, a ele apresentados em 2009, já seriam suficientes para a abertura de inquérito e prisão de vários membros da quadrilha de Carlos Cachoeira, entre eles o senador Demostenes Torres.

O nome desse personagem obstrutivo é Roberto Monteiro Gurgel Santos, Procurador Geral da República. No dia 15 de setembro de 2009 ele incumbiu a própria esposa, subprocuradora Claudia Sampaio, de informar a um perplexo delegado da PF, Raul Alexandre Marques Souza, que não cabia a abertura de processo com base nos dados arrolados pela “Operação Veja”.

Desqualificava-se assim juridicamente a continuidade de uma minuciosa investigação que reuniu quase 1.400 horas de gravações telefônicas e constatou a endogâmica relação entre o crime organizado e a corrupção política, ambos abrigados em uma engrenagem --dotada de orgânica presença de um braço midiático-- com atuação decisiva na gênese dos acontecimentos geradores, justamente, das denúncias do chamado 'mensalão'.

O veredicto do casal Gurgel significou, do ponto de vista legal, um interdito à continuidade da “Operação Veja”. Seria necessária nova investigação sigilosa, a “Monte Carlo”, para que fatos anteriormente conhecidos, agora vazados primeiramente na mídia, impelissem o senhor Gurgel às providências judiciais competentes --o que ocorreria em 27 de março último.

Esses são os dados da equação que define o jogo político nos dias que correm. Eles estão ancorados no depoimento seguro e contundente do próprio delegado Raul Alexandre Marques Souza à CPI Mista que investiga a quadrilha Cachoeira. Esse encadeamento de fatos tem consequências morais; elas argúem o coração dos atributos requeridos de um Procurador- Geral dos interesses republicanos: a isenção.” FONTE: escrito por Saul Leblon no “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id...)

 

Da Agência Câmara.

Para relator, está clara ligação de criminosos com governo de Goiás

O relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que está claro o envolvimento da organização criminosa de Carlos Cachoeira com o governo de Goiás. O relator disse que autoridades de outros estados também foram citadas. Segundo Odair Cunha, havia a intenção explícita da organização de Cachoeira de se expandir para outras unidades da Federação.

Em reunião secreta nesta quinta-feira (10), o delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, relatou que Cachoeira atuava com 13 empresas, algumas delas em paraísos fiscais. Ele apresentou uma lista de 81 pessoas citadas nas conversas telefônicas interceptadas, mas ressaltou que não há indícios de envolvimento em crimes sobre todas elas. Entre os citados estão deputados e secretários estaduais, mas a lista chega a nomes de governadores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e à própria presidente da República.

O relator ressaltou que não há provas de que Cachoeira tenha conseguido corromper outros gestores. Ele disse que, além do Distrito Federal, onde há indícios de atuação do esquema, foram citados os estados do Paraná e do Rio de Janeiro. “Nessa fase das investigações, não é possível dizer que há envolvimento direto dos governadores. A CPMI deve investigar todas as interações com agentes públicos.”

Depoimento de governadores
Parlamentares chegaram a pedir que os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), fossem convocados imediatamente. Mas o relator disse que vai esperar o depoimento de Cachoeira, marcado para a próxima terça-feira, para decidir sobre essa questão.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que as ligações do governo de Marconi Perillo são graves, mas ainda não há provas do envolvimento do próprio governador. “Por isso mesmo é importante que os governadores venham à CPMI, para explicar o que está sendo veiculado pela imprensa”, disse.

A primeira parte da Operação Monte Carlo não investigou políticos porque não tinha autorização do Supremo Tribunal Federal. Mas agora, segundo o delegado, a PF já tem autorização para investigar os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO), e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Sampaio disse que, segundo Matheus Rodrigues, é grande a ligação entre Leréia e a organização de Carlinhos Cachoeira. “Ainda segundo o delegado, não está claro o envolvimento de Sandes Júnior com o contraventor”, disse.

Defesas
O deputado Carlos Alberto Leréia divulgou nota em abril, por meio de sua assessoria, afirmando que é amigo pessoal de Carlinhos Cachoeira, mas que “jamais” intercedeu em licitação de interesse do empresário. Assegurou ainda não ter relação com a exploração de jogos ilegais que motivou a investigação sobre o contraventor.

Sandes Júnior, em sua defesa, explica que os diálogos gravados pela PF em que ele e Cachoeira discutem o recebimento de cheques referem-se ao fim de um contrato de trabalho entre ele e a Rádio Positiva, pelo qual ficou acertado o pagamento de verbas rescisórias em dez parcelas, por meio de dez cheques de R$ 50 mil.

O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP), que também foi citado entre os investigados, se disse satisfeito com os depoimentos dos dois delegados da PF. “Os delegados disseram que não há envolvimento do meu nome com nenhum ato ilícito, e isso ficou bem claro para os membros da CPMI”, disse.

 

zanuja

10/05/12 | 15:26 - No SUL21

 Governo pode ir além da queda de juros para deter inflação, diz Mantega

Da Redação

O governo tem um elenco de medidas para controlar a inflação e fazer a economia crescer, sem, por exemplo, ter que alterar a trajetória de queda da taxa básica de juros, garantiu nesta quinta-feira (10) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele disse que, ao contrário dos países avançados, o Brasil ainda tem várias alternativas nesse sentido. Mantega, no entanto, não quis antecipar se o governo estuda reduzir o compulsório dos bancos, como forma de ajudar as instituições financeiras a reduzir as taxas cobradas em operações de crédito.

“O importante é que a diferença dos países avançados, que, às vezes, já não têm política monetária pra fazer e fizeram tudo que tinham para fazer nesse quesito, o Brasil tem muita política para fazer. Tem muito lastro. Essa é a nossa diferença”, disse, após se reunir, no Palácio do Planalto, com a presidenta Dilma Rousseff.

Mantega assegurou ainda que, utilizando os instrumentos que o governo dispõe, a economia brasileira vai crescer mais do que no ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) registrou 2,7% de avanço. “Podemos assegurar que a economia brasileira vai crescer mais do que no ano passado. Não posso mencionar medidas específicas. A imprensa publica todos os dias medidas. E, é claro, várias delas podem ser tomadas e nós estaremos tomando.”

Ele avaliou como incorretas as avaliações de analistas que acreditam que a economia brasileira terá dificuldades de crescer 3% em 2012. Mantega, no entanto, ressaltou que o Brasil ainda sofre o impacto da crise econômica mundial. “Sofremos o impacto do que acontece lá fora, principalmente do lado da indústria, porque os mercados continuam encolhidos. Inclusive os Estados Unidos não estão dando sinais de dinamismo. Então, isso nos afeta. Já nós, dependemos do nosso mercado”, disse.

A recente alta do dólar é um fator, no entender do ministro, que tem ajudado a economia brasileira porque tem dificultado a entrada, no país, de produtos estrangeiros mais baratos, abrindo, assim, espaço para a produção nacional.

“Temos alguns problemas na área do crédito que estão sendo solucionados. Claro que não é do dia para a noite que isso acontece. A escassez de crédito e as taxas estão elevadas, mas eu vejo que existe uma boa vontade do setor financeiro para remediar a situação baixando as taxas e liberando mais crédito”, destacou.

O ministro disse também que não existe previsão por parte do governo para o reajuste dos combustíveis.

Com informações da Agência Brasil


 

De Ponto e Contraponto.

Roberto Gurgel cometeu crime de responsabilidade

O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, e sua esposa a subprocuradora Claudia Sampaio serão convocados pela CPMI do Cachoeira para se explicarem pela omissão deliberada pela não apresentação de denúncia ao STF contra os envolvidos com foro privilegiado flagrados em atividades criminosas ou de contravenção penal nas investigações do Operação Las Vegas da Polícia Federal.

Gurgel indicou sua mulher para avaliar o inquérito, que concluiu pela “inexistência de motivos” para a apresentação da denúncia, trancando o inquérito e inviabilizando a continuidade das investigações, pois a PF só poderia continuar investigar suspeitos com foro privilegiado com autorização do STF.

A entrevista dada pelo Procurador Geral ao Jornal Nacional, onde Gurgel abdica da liturgia do cargo para fazer declarações descaradamente partidárias, além de tentar constranger parlamentares que venham a argui-lo, já está sendo considerada como uma atitude de desespero de alguém que sabe que agiu com leniência e tolerância excessiva as práticas de crimes diversos cometidos pela quadrilha Cachoeira/Demóstenes/Arapongas/VEJA. Gurgel se defendeu atirando. Não deu qualquer explicações sobre as acusações que lhe são feitas: da paralisar a Operação Las Vegas.

Recentemente o senador Fernando Collor, por quem não nutro qualquer simpatia mas nesse caso está coberto de razão já havia denunciado que Gurgel procurava parlamentares para tentar se livrar e livrar a sua esposa da convocação, inclusive usando de ameaças veladas (como pode ser ouvido aqui.)

A real preocupação do Procurador Geral não é ficar impossibilitado de atuar nesse caso. Esse não seria um problema pois se o PGR estiver impedido o caso passa para algum subprocurador sem prejuízo nas investigações. Gurgel está realmente moralmente impedido, pela omissão deliberada, de continuar no caso, e se tivesse alguma preocupação com a instituição Ministério Público Federal e com o Poder Judiciário, assim teria se declarado.

Mas o buraco é mais embaixo, Gurgel teme que vá ser denunciado, julgado e condenado por Crime de Responsabilidade, e acabar sendo afastado, junto com a sua esposa.

A Lei 1.079 de 10 de abril de 1.950, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento, no seu artigo 40º, enumera as práticas que se cometidas pelo Procurador Geral da República, incorreriam em crime responsabilidade:

LEI Nº 1.079, DE 10 DE ABRIL DE 1950.

Define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento.

CAPÍTULO II

DO PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA

        Art. 40. São crimes de responsabilidade do Procurador Geral da República:

        1 – emitir parecer, quando, por lei, seja suspeito na causa;

        2 – recusar-se a prática de ato que lhe incumba;

        3 – ser patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições;

        4 – proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

A atitude de Gurgel em paralisar a Operação Las Vegas sem um motivo justificado é uma clara afronta aos incisos 2 e 3 do artigo 40º da lei 1079/50. As suas atitudes recentes, na tentativa de fugir às explicações devidas, além das declarações políticas descabidas e incompatíveis com as responsabilidade do seu cargo, ferem o inciso 4.

Já existem motivos de sobra para a apresentação de denúncia de crime de responsabilidade contra o Procurador Geral e sua esposa, e isso tá deixando o mesmo em polvorosa e a parcela da imprensa associada ao crime completamente sem rumo. Não deveriam estar tão preocupados, afinal é muito difícil que uma casa completamente desmoralizada como o Senado Federal tenha coragem e vontade política para aceitar denuncia ou destituir a “família gavetinha”.

 

 

 

 

zanuja