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Em maio desse ano, o Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor, Idec, havia enviado uma carta* ao Ministro da Fazenda, ressaltando a importância do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, PBEV. Alguns outros alertas também foram divulgados no sentido de que não há comprometimento com tal programa**.

No entanto, o Governo Federal ou não entendeu a carta do Idec, ou não quis se comprometer, pois perdeu a oportunidade de obrigar a adesão ao PBEV ao publicar, no dia 18 último, a MP 563/2012 com uma redação onde a empresa pode continuar se furtando a divulgar tais dados.

Trás o artigo 40 da referida MP:

"[...]Art. 40. Fica criado o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores - INOVAR-AUTO com objetivo de apoiar o desenvolvimento tecnológico, a inovação, a segurança, a proteção ao meio ambiente, a eficiência energética e a qualidade dos automóveis, caminhões, ônibus e autopeças.

§ 1° O Inovar-Auto aplicar-se-á até 31 de dezembro de 2017, data em que todas habilitações vigentes serão consideradas canceladas e cessarão seus efeitos, exceto quanto ao cumprimento dos compromissos assumidos.

§ 2° Poderão habilitar-se ao INOVAR-AUTO:

I - as empresas que produzam, no País, os produtos classificados nas posições 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto n° 7.660, de 23 de dezembro de 2011;

II - as empresas que comercializem, no País, os produtos referidos no inciso I; ou

III - as empresas que tenham projeto aprovado para instalação, no País, de fábrica ou, no caso das empresas já instaladas, de novas plantas ou projetos industriais para produção de novos modelos desses produtos.

§ 3° A habilitação ao Inovar-Auto será concedida em ato conjunto pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e de Ciência e Tecnologia e Inovação.

§ 4° Somente poderá habilitar-se ao regime a empresa que:

I - estiver regular em relação aos tributos federais; e

II - assumir o compromisso de atingir níveis mínimos de eficiência energética relativamente a todos os veículos comercializados no País, conforme regulamento.

§ 5° A habilitação fica condicionada à:

I - realização pela empresa, no País, de atividades fabris e de infraestrutura de engenharia, diretamente ou por terceiros;

II - realização pela empresa, no País, de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, diretamente ou por terceiros;

III - realização pela empresa, no País, de dispêndio em engenharia, tecnologia industrial básica e de capacitação de fornecedores, diretamente ou por terceiros; e

IV - adesão da empresa a programa de etiquetagem veicular de âmbito nacional, nos termos de regulamento, exceto quanto aos veículos com motor de pistão, de ignição por compressão (diesel ou semidiesel).

§ 6° A empresa deverá cumprir pelo menos 3 (três) dos 4 (quatro) requisitos estabelecidos no § 5°, com exceção das fabricantes que produzam exclusivamente veículos com motor de pistão, de ignição por compressão (diesel ou semidiesel), as quais deverão cumprir pelo menos 2 (dois) dos requisitos estabelecidos nos incisos I a III do mencionado § 5º.[...]"

Como se percebe, o parágrafo 5º diz que a habilitação ficará condicionada ao atendimento de certos itens, porém o parágrafo 6º admite possibilidade de não atendimento de um dos itens citados, sendo um desses o de adesão ao programa de etiquetagem veicular. Oras, entre outros, a informação de consumo medido por metologias oficiais e padronizadas acabaria até mesmo com as propagandas enganosas, basta ver o processo que a Hyundai sofreu por nos EUA ao divulgar que um de seus  veículos consumiam menos combustível que o real***.

Considerando que os fabricantes de eletro-eletrônicos já são obrigados a informar o gasto energético já há vários anos, considerando que estamos em tempos de defesa do consumidor, de conscientização ambiental e consumo consciente, considero um tremendo furo deixar essa brecha.

Espero que ao menos o Legislativo, onde - ao menos em tese - o poder popular se faz mais presente, não permita que esse assunto continue passando em branco.

 

 

* Etiqueta de eficiência energética para veículos é direito do consumidor - 29 Mai 2012

"Governo implantou políticas para incentivar o consumo de carros, mas não está cobrando das montadoras medidas que contribuam para desenvolvimento sustentável

A falta de informações claras sobre a eficiência energética dos veículos produzidos no Brasil é um problema ainda sem solução. Para estimular a atividade econômica do País, o governo está implantando políticas de incentivo à compra de carros. No entanto, não há, por parte do próprio governo, qualquer contrapartida que incentive que tal consumo seja sustentável.

 Uma carta enviada na segunda-feira (28/5) pelo Idec ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ao Departamento de Indústrias de Equipamentos de Transportes e ao presidente do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), João Alziro Herz da Jornada, ressalta a importância dos incentivos fiscais para a indústria automotiva e o direito do consumidor à informações claras e ao acesso de produtos mais sustentáveis.[…]

Etiqueta

Como as empresas não dão a devida importância em transmitir as informações sobre o gasto de combustíveis e a emissão de poluentes de seus carros aos consumidores, o Idec fez um alerta ao governo. O Instituto reiterou a necessidade da implantação obrigatória (hoje ela é voluntária) do PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular), possibilitando que os veículos comercializados no País contenham todas as informações necessárias ao consumidor.[…]"

Disponível em: http://www.idec.org.br/em-acao/em-foco/etiqueta-de-eficiencia-energetica-para-veiculos-e-direito-do-consumidor

 

 

** Criada há quatro anos, etiqueta veicular ainda é ignorada por montadoras, diz pesquisa - 13 set 2012

Criado há quatro anos para lançar uma etiqueta de eficiência energética dos veículos, o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) ainda falha em conseguir a adesão das montadoras. Apenas 11 dos 107 modelos de carro que participam do programa exibem a etiqueta que informa ao comprador o consumo de combustível do automóvel, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) divulgada nesta quinta-feira (13).[...]

Segundo o Idec, as montadoras assumem duplo padrão com relação ao comportamento em outros países. De acordo com outro levantamento do instituto, nenhuma das 14 montadoras avaliadas informa para os consumidores brasileiros a eficiência energética e as emissões dos veículos comercializados no país, enquanto 13 montadoras, das 14 avaliadas, fornecem informações sobre esses aspectos aos consumidores em seus países de origem e/ou nos websites globais das empresas.[...]

Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Negocios-e-carreira/noticia/2012/09/criada-ha-quatro-anos-etiqueta-veicular-ainda-e-ignorada-por-montadoras-diz-pesquisa.html

 

*** Hyundai é processada nos Estados Unidos por mentir em anúncio do Elantra - 10 jul 2012

Organização e consumidores se uniram contra a montadora e se dizem lesados por propaganda enganosa a respeito do consumo de combustível do sedã

Disponível em: http://estadodeminas.vrum.com.br/app/noticia/noticias/2012/07/10/interna_noticias,46117/hyundai-e-processada-nos-estados-unidos-por-mentir-em-anuncio-do-elantra.shtml

 

 

Chuva, muito bem vinda!!! Jogo da seleção, ignorado!!!

Moro na Vila Madalena. Hoje quando a chuva caiu, mesmo sendo pequena, percebi a alegria dos moradores ao meu redor, e eu mesmo, comemorei esse fato. O futebol por aqui é muito festejado, a maioria das vezes inapropriadamente. Mas há barulho!!! Acabei de ver pelo UOL que o Brasil empatou. O silêncio é sepulcral!!! Aliás, o nome do jogador que fez o gol brasileiro é totalmente desconhecido por mim...

Ai que saudades das seleções que eram festejadas por quem gostava de futebol!!!!

 

José Antônio

O capitalismo de cassino de “Wall Street”

 

 

 

Rifando as cidades norte-americanas

 

 

 

 

 

Publicado por Márcia Denser

 

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro
http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/09/o-capitalismo-de-cassino-de-wall-street.html


 Márcia DenserUm excelente ensaio de Michael Hudson,professor de Economia na Universidade do Missouri, autor deThe Bubble and Beyond, (leia resenha em português em: 3/9/2012, redecastorphoto: Porque os credores públicos não podem – e não devem – ser pagos) obra que coloca os setores financeiro e imobiliário na raiz da crise fiscal urbana mundial, fornece os fundamentos deste nosso artigo. Segundo ele, A marcha de Wall Street contra os 99% está se acelerando. É a mesma filosofia de austeridade imposta à Grécia e à Espanha, e a mesma que leva o presidente Obama e Mitt Romney a insistirem na redução de custos com o Medicare (assistência de saúde pública) e com a Previdência Social. Diferentemente do governo federal dos EUA, a maioria das cidades e estados possuem constituições que previnem déficits orçamentários. Isso significa que ao suprimirem impostos sobre imóveis, as cidades e estados devem pegar dinheiro emprestado dos ricos ou cortar serviços públicos. Em tese. Mas agora isso dançou e se tornou arriscado porque a economia afunda com a queda dos valores das dívidas. Da Califórnia ao Alabama, as cidades estão se tornando inadimplentes. Já não conseguem restabelecer impostos sobre proprietários sem causar mais inadimplência hipotecária e abandonos. Mas alguém tem que ceder. De forma que então as cidades reduzem gastos públicos, encolhem seus sistemas educacionais e forças policiais, e vendem seus ativos para pagar detentores de títulos. E isto se tornou a causa principal do crescente desemprego nos Estados Unidos que, obviamente, diminui a demanda de consumo. É um pesadelo keynesiano. Menos óbvios são os cortes devastadores ocorrendo na saúde, no treinamento de mão-de-obra e outros serviços, enquanto taxas de matrícula para colégios públicos e as “taxas de participação” no ensino médio sobem. Sistemas escolares estão se desfazendo e professores são abandonados numa escala nunca vista desde a Grande Depressão. Todavia, estrategistas de Wall Street enxergam essa situação e os “espremidos orçamentos locais” comodádivas. Como disse Rahm Emanuel (além, é claro, de Murdoch, Bush, Rumsfeld, Chaney, Soros & banqueiros ilimitados, aficcionados do Capitalismo de Desastre mixado ao Cassino)afinal,uma crise é uma oportunidade boa demais para se desperdiçar– e a crise fiscal alavanca os credores financeiramente para empurrarem políticas anti-trabalhistas e privatizações. O terreno está sendo preparado para uma “cura” neoliberal: cortar pensões e assistência médica, negligenciar promessas de reformas trabalhistas e rifar o setor público, deixando os novos proprietários cobrarempedágiossobre tudo, desde avenidas a escolas. O termo do momento é “extração de rendas”. Tendo causado a crise financeira, o legado de décadas de cortes sobre a propriedade, financiado pelo endividamento sem limites, agora deve ser pago vendendo-se ativos públicos. Chicago arrendou sua Skyway por 99 anos e seus estacionamentos por 75 anos. O prefeito Emanuel contratou os gerentes de ativos do JP Morgan para dar “conselhos” sobre como vender a privatizadores o direito de cobrar taxas sobre serviços que eram gratuitos (ou seja, como construir uma ratoeira mais eficiente). Por retratar os servidores locais como inimigos públicos número 1, a crise urbana está fazendo com que a luta de classes volte à ordem do dia. O setor financeiro argumenta que pagar pensões (ou até um salário mínimo) absorve a receita a ser usada no pagamento de títulos podres. A cidade de Scranton na Pensilvânia reduziu os salários do setor público para o mínimo, enquanto outras procuram romper com planos de pensão e contratos salariais – e depois vão atrás de jogos de azar em Wall Street, numa tentativa desesperada de cobrir suas obrigações estimadas em 3 trilhões de dólares, mais 1 trilhão em cuidados de saúde. Embora Wall Street tenha engendrado a economia-bolha cuja explosão engatilhou a crise fiscal urbana, seus lobistas e suas teorias econômicas absurdas não são responsabilizados. Melhor do que culpar os que cortaram impostos e deram uma herança inesperada aos banqueiros e aos magnatas do setor imobiliário, é obrigar professores e outros empregados do serviço público a devolverem seus salários e aposentadorias. Contudo, para os predadores financeiros não existem devoluções de espécie alguma, ao contrário. Em vez disso, chegará o momento em que as cidades serão forçadas a fazer o que fez Nova Iorque para evitar a bancarrota em 1974: entregar a gestão para quem Wall Street determinar. Os políticos eleitos serão substituídos por “tecnocratas” que irão fazer o mesmo que Margaret Thatcher e Tony Blair fizeram na Inglaterra: vender o que resta do setor público e levar cada programa social para a mesa de “negociações”. O plano é atingir algumas metas. Como por exemplo, dar aos privatizadores o direito de cobrar pedágio sobre a infraestrutura pública. A ideia é forçar cidades a equilibrar o orçamento, arrendando ou vendendo suas avenidas e sistemas de transporte público, escolas e prisões. Isso promete criar um novo mercado para os bancos: empréstimos a abutres que comprarão os direitos de instalar pedágios na infraestrutura básica da economia. Como oficiais públicos eleitos não podem engajar-se em políticas tão predatórias e anti-trabalhistas, resta a “magia do mercado” para dissolver sindicatos, diminuir serviços públicos, taxar sistemas de água e esgoto, cortar linhas de ônibus e aumentar tarifas. Para realizar esse plano financeiro, é necessário emoldurar o problema de tal maneira que as alternativas anti-sociais sejam excluídas. Como bem sabia Margaret Thatcher,deve-se pregar a falta de alternativas(there is no alternativeou TINA). Não há alternativas senão vender o transporte público, o setor imobiliário e até sistemas educacionais e prisões. Para os neoliberais, a beleza disso tudo é que o rebaixamento da educação torna os cidadãos mais suscetíveis à falsa consciência doTea Party. Esse é o significado de livre-mercado hoje: renda criada por investimentos no setor público “livre” para ser paga aos bancos como juros em vez de ser recuperada pelo governo. A maior parte da receita urbana são rodovias, escolas e sistemas de água e esgoto financiados pelo contribuinte. O miolo da “falsa consciência” dos banqueiros – a matéria de capa com a qual os lobistas doTea Partyestão procurando doutrinar os eleitores norte-americanos – é que os impostos sobre a terra e os ativos financeiros punem os “criadores de emprego”. Os beneficiários desse gasto público dizem que precisam ser mimados com preferências fiscais para investir e empregar, enquanto os 99% devem ser chutados e incitados a trabalhar mais por menores salários. Essa falsa narrativa ignora que os maiores períodos de crescimento norte-americano foram aqueles em que os impostos individuais e corporativos eram também maiores. O mesmo é verdadeiro na maioria dos países. O que está sufocando o crescimento econômico são as elevadas dívidas – devidas a 1% da população – e cortes de impostos sobre grandes riquezas. O arrocho nas aposentadorias públicas é parte da crise geral. Aliás, Paul Ryan, candidato indicado a vice-presidente pelo Partido Republicano, e Rick Perry, governador do Texas, caracterizaram a Previdência Social norte-americana como um esquema a la Charles Ponzi do dias atuais. O fato é que o sistema financeiro está podre. Isso transformou a atual luta de classes numa guerra financeira na qual o fator principal é moldar a forma como os eleitores enxergam o problema. O truque é fazê-los pensar que cortar impostos barateará o custo de vida e a habitação, quando o entendimento que deve ser propagado é o seguinte: cortar impostos só faz com que mais renda para empréstimos caia no colo dos banqueiros, o que afundará mais ainda a economia. Políticos democratas ou republicanos não querem taxar mais as finanças, os seguros ou o setor imobiliário. A postura deles está alinhada com o que querem os financiadores de suas campanhas: deixar Wall Street mais rica. É o velho problema das prioridades. As dívidas não podem ser pagas e não serão pagas. Então, a questão é quem deve ser priorizado: o 1% ou o 99%? Insiste-se que a austeridade e a redução do Estado são inevitáveis, não uma escolha política que privilegia os credores públicos e o 1% aos 99%,ou uma retribuição do dinheiro gasto comprando políticos e fazendo eleitores acreditarem que “cortar impostos sobre a propriedade e sobre os ricos ajudará a economia”. Se os Estados Unidos continuarem a permitir que o 1% legisle e dê as cartas, a economia será esfacelada em pouco tempo. A era do crescimento ianque chegará ao fim. Mas, repetimos: alguém tem que ceder. Ou seja, é hora de dar calote. Caso contrário, Wall Street transformará os EUA na Grécia. Esse é o plano financeiro – a estratégia da atual guerra financeira contra a própria sociedade. Um tiro, não no pé, mas no próprio coração do sistema.

 

 

Paulo Moreira Leite: 

Onde está o dinheiro?

Neste momento, o quadro do julgamento do mensalão parece claro. Joaquim Barbosa sustenta  aquilo que o ministério público define como “organização criminosa” de “comprar” votos para o governo. Não há apoio político. Não há verba de campanha. Há “propina”, diz Joaquim Barbosa.

O voto de Joaquim merece elogios e reconhecimento. É um voto competente, bem articulado e coerente. Não faltam exemplos nem casos. Joaquim Barbosa está inteiramente convencido daquilo que diz. Não faz teatro nem joga. Não quer agradar a mídia – embora, em grande maioria, ela esteja adorando o que ele diz e sustenta. Isso lhe garante um tratamento positivo. Ao contrário do que ocorria em passado recente, quando Joaquim entrou em choque com Gilmar Mendes.

A julgar pelo aconteceu até agora, parece claro que, salvo casos menores, os réus mais importantes – como  José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno – têm grandes chances de serem condenados a penas severas.

Está tudo resolvido? Não acho.

Até agora não encontrei uma única notícia do dinheiro que, desviado  no Visanet, e também junto a empresários, nem todos chamados a sentar-se no banco dos réus, foi recolhido pela “organização criminosa”. Não acho uma notícia irrelevante.

É frustrante. Como dizia o editor do Washington Post, o jornal do Watergate, ao estimular seus repórteres:  ”Follow the money”

Os petistas dizem que foram recursos para campanha, em especial para as eleições municipais de 2004. As 317 testemunhas ouvidas no inquérito dizem a mesma coisa. A leitura do relatório da Polícia Federal – que descreve com maestria  o milionário desvio no Visanet – não contém uma palavra sobre isso. Diz textualmente que  foi possível encontrar a origem mas não se chegou ao destino do dinheiro.

Joaquim diz e repete, ora com ironia, ora com indignação, mas sempre com fatos e argumentos, que não acredita que os recursos se destinavam a campanha eleitoral. Rosa Maria Weber, em seu primeiro voto, declarou que achava essa informação irrelevante.

Eu acho que o debate é mais importante do que parece. Ele permite   demonstrar quem avançou o sinal, quem não fez o combinado pelas regras informais de nosso sistema político.

Isso não diz respeito apenas ao julgamento de hoje, mas ao funcionamento da democracia no país. Nossas eleições são limpas há muito tempo porque são disputadas numa ambiente de liberdade, no qual cada eleitor pode fazer sua escolha sem pressões indevidas.

Os pleitos expressam a vontade popular e não vejo nenhum motivo para suspeitar de seus resultados. Não há votos comprados nem fraudados em escala significativa.

Mas depois de PC Farias, o saudoso tesoureiro de Fernando Collor, nós sabemos que é preciso ser muito hipócrita para fingir que o financiamento de campanha, de qualquer partido, antes e depois do mensalão, é uma operação limpa. Ali se mistura o caixa 2 de empresas, o dinheiro da corrupção, e também o dinheiro que, mesmo de origem quente, precisa ser esfriado no meio do caminho.

Se houvesse vontade política para corrigir as imensas imperfeições e desvios, isso já teria sido feito. Mas sempre que surge essa oportunidade, ela é barrada por falta de interesse político. É mais interessante tirar proveito de uma denuncia em vez de procurar a origem dos erros. O mais recente projeto de reforma eleitoral, elaborado pelo deputado José Fortunatti, do PT gaúcho, foi sabotado alegremente pela oposição no ano passado. Previa, como nós sabemos, o financiamento público exclusivo de campanha, que proíbe a ação dos corruptores na distribuição de verbas para os partidos. Não há lei capaz de impedir a prática de crimes. Mas uma boa legislação pode desestimular as más práticas. Pode criar regras realistas e não um mundo aberto para falcatruas e irregularidades. A mesma oposição que agora pede guilhotina para os petistas é a primeira a manter as regras que alimentam o ambiente de abuso e desvio.

Este é o jogo do moralismo. Joaquim Barbosa pode não fazer jogo.

Mas ele existe e está aí, à frente de todos.

Após sete anos de investigação, não se encontrou um rastro do dinheiro. Você pode achar que os recursos foram lavados e se perderam nos esquemas de doleiros e enviados para o exterior. Também pode achar que foram lavados e entregues aos partidos aliados do PT, como disseram os advogados da defesa nas já longínquas manifestações dos primeiros dias.

O certo é que a Justiça quebrou o sigilo bancário e fiscal dos acusados e nada encontrou. O rastreamento não levou a nada. Não há sinal de enriquecimento indevido no patrimônio de nenhum dos réus.

Não é estranho que não apareça um centavo gasto de forma ilícita?

Como é que o tesoureiro Delúbio Soares continua morando no mesmo flat modesto no centro de São Paulo?

Por que José Genoíno, combatente brasileiro que sempre irá merecer homenagens pela coragem de assumir as próprias ideias, muitas inconvenientes a seus interesses, continua residindo na mesma casa no Butantã, em São Paulo?

Apontado como chefe da “organização criminosa”, falta explicar o que Dirceu obteve  com seus superpoderes de ministro-chefe da Casa Civil.

Também falta outra coisa. O Visanet é um caso comprovado de troca de favores com dinheiro público. Mas outros casos são fiascos. Marcos Valério cansou de prometer o que não podia entregar. Não foi só o Banco Mercantil. Um assessor dele me garante que Valério prometia até entrar na negociação da licitação da transposição do São Francisco. As obras – que seguem a passo de tartaruga — acabaram com os militares. É certo que oferecer vantagem indevida já é crime. Mas vamos combinar que tentativa de crime não é crime.

Com seu voto articulado, com exemplos e histórias, Joaquim Barbosa está levando o julgamento. As descrições e diálogos ajudam a dar dramaticidade a seu voto.

Mas é uma questão de convicção e convencimento. Pela jurisprudência que parece dominar a maioria do STF, estes elementos parecem suficientes.

Concordo que ninguém chama fotógrafos para receber uma mala de dinheiro. Mas o bom senso recomenda admitir que a recíproca não pode ser verdadeira. A falta de provas não pode ser desculpa para condenação apressada e portanto errada.

Essa distinção separa a justiça do moralismo, recurso típico daquelas forças que tem dificuldade de conviver com a democracia e procuram atalhos para escapar da soberania popular.

Apontado como mensaleiro porque recebeu um cheque de 100 000 reais de Marcos Valério para sua campanha, o deputado Roberto Brant, do DEM mineiro, foi absolvido pelo Congresso por uma votação folgada. Não foi indiciado no mensalão, embora até pudesse, não é mesmo?

Bom político, lúcido e corajoso, Brant explicou, certa vez, ao jornalista Sérgio Lirio que o moralismo interessa “aos gru­pos que con­tro­lam o Es­ta­do bra­si­lei­ro, in­de­pen­den­te­men­te de quem es­te­ja no go­ver­no. São her­dei­ros dos pri­vi­lé­gios se­cu­la­res que o Es­ta­do dis­tri­bui. A so­cie­da­de bra­si­lei­ra é in­jus­ta des­sa for­ma por­que o Es­ta­do é um agen­te da in­jus­ti­ça. Es­ses gru­pos não que­rem re­for­ma de coi­sa ne­nhu­ma. O mo­ra­lis­mo só in­te­res­sa aos gru­pos que que­rem mo­bi­li­zar o Es­ta­do bra­si­lei­ro, ou pelo me­nos o sis­te­ma po­lí­ti­co bra­si­lei­ro, para não dei­xar que ele ope­re com li­ber­da­de. Isso já acon­te­ceu ou­tras ve­zes. Quan­do o Jus­ce­li­no (Ku­bits­chek) co­me­çou a mu­dar o Bra­sil, aqui­lo as­sus­tou tre­men­da­men­te as eli­tes ur­ba­nas. O re­sul­ta­do foi a cria­ção de uma sé­rie de es­cân­da­los que a his­tó­ria pro­vou ser com­ple­ta­men­te in­fun­da­da, in­con­sis­ten­te e fal­sa. To­dos os per­so­na­gens mor­re­ram po­bres. De­pois veio o quê? Jâ­nio Qua­dros, apoia­do pela opi­nião pú­bli­ca. Opi­nião cons­truí­da pelo (jor­na­lis­ta Car­los) La­cer­da, pela UDN nos gran­des cen­tros ur­ba­nos. Em São Pau­lo, in­clu­si­ve. Foi lá que ele ven­ceu. E deu no quê? De­sor­ga­ni­za­ção, po­pu­lis­mo e aven­tu­ra. De­pois do Jâ­nio, veio o gol­pe mi­li­tar. Como ta­char de cor­rup­to um par­ti­do in­tei­ro, o sis­te­ma de for­ças in­tei­ro? Isso é fal­so. Há po­lí­ti­cos que des­viam de con­du­ta no PT, no PFL, no PSDB. A agen­da do mo­ra­lis­mo não leva a nada. Ou leva a coi­sas pio­res.”

http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/09/19/onde-esta-o-dinheiro/

 

E, o inverso também é verdadeiro.  Hoje em dia, quando qualquer um pode escrever o que quiser, por que não conjecturar em cima de Robert Civita.....o Blog do Mello fez isso.  Para ler e se deliciar....

quarta-feira, 19 de setembro de 2012Segredos de Civita, parte 3. Civita: 'Foi Serra quem me obrigou a fazer a reportagem do Valério acusando Lula' Se você não leu as partes I e II, clique aqui e confira Os segredos do tucanoduto. Civita acusa: 'Serra me usou como um boy de luxo. Mas agora vai todo mundo para o ralo' e Os Segredos de Civita, parte 2. Os planos da quadrilha incluíam Serra no Planalto e Demóstenes no STF. Ou então, prossiga:

Dos tempos em que gozava das intimidades do poder em Brasília, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Roberto Civita diz guardar muitas lembranças. Algumas revelam a desenvoltura com que personagens centrais do tucanoduto transitavam no coração do governo FHC, antes da eclosão do maior escândalo de corrupção da história política do país – a privataria tucana. Civita lembra das vezes em que José Serra, seu interlocutor frequente até a descoberta do esquema, participava de animados encontros à noite no Palácio da Alvorada, que não raro lhe servia de pernoite. "O Serra dormia (se é que se pode usar a palavra em relação a ele)no Alvorada. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com FHC à noite. Alguma vez isso ficou registrado lá dentro? Quando você quer encontrar (alguém), você encontra, e sem registro." Civita deixa transparecer que ele próprio foi a uma dessas reuniões noturnas no Alvorada. Sobre sua aproximação com Serra, Civita conta que, diferentemente do que os petistas dizem, ele conheceu Serra durante a campanha de 2002. Já o conhecia anteriormente, mas só a partir de sua campanha à presidência tornaram-se mais íntimos. FHC lhe disse que Serra precisava de uma imprensa que repercutisse o que os agentes da PF a serviço de Serra conseguiam sobre os adversários. "Ele precisava da Veja para publicar o escândalo. Depois a Globo repercutia e o Nove Dedos caía nas pesquisas”. Só que isso não aconteceu e Lula foi eleito. Manteve-se o esquema, mas agora com o objetivo de derrubar o Nove Dedos e trazer os tucanos de volta ao poder. A parceria deu certo e desaguou no chamado mensalão do PT, uma parceria entre os arapongas de Serra e um bicheiro de Goiás, que hoje todos conhecem como Carlinhos Cachoeira. Mas, nem isso, nem a provável condenação de todos os petistas pelo STF, parece servir de alguma coisa para José Serra. Por isso, Civita não se assustou quando recebeu uma vista, às três da madrugada, do candidato tucano à prefeitura de São Paulo. Com a “sutileza” que o caracteriza, Serra ordenou a Civita que a Veja ligasse diretamente Lula ao mensalão, para que ele não pudesse mais fazer campanha para Haddad. Tinha que ser uma matéria agressiva, definitiva. “Você tem que dizer que Marcos Valério declarou à Veja que Lula sabia de tudo e era o chefe do mensalão”. Civita providenciou a reportagem e a enviou na terça-feira, para aprovação. "Foi Serra quem me obrigou a fazer a reportagem do Valério acusando Lula" - disse a amigos. Serra aprovou, mas fez uma ressalva: “Tem que por aspas, tem que colocar como se Valério estivesse afirmando aquilo”. Civita quis argumentar que aquilo queimaria a revista. Mas Serra foi intransigente: “Quem não pode se queimar sou eu. Se eu não me eleger, vocês perdem tudo da prefeitura e vão entregar o governo de São Paulo para o PT daqui a dois anos. Adeus, livros didáticos. Adeus, assinaturas das revistas. Adeus, parcerias. Nada de trololó. Bota aspas e depois se virem para dizer que ele declarou tudo aquilo. Vocês são especialistas nisso”. Sem alternativa, Civita concordou. Pensou em ir falar com Policarpo, seu diretor em Brasília, especialista nesse tipo de manobra. Mas se conteve. Teria de falar com ele pessoalmente, pois o telefone poderia estar grampeado. Mas guarda ainda fresca na memória a surpresa que teve ao fazer uma visita inesperada ao diretor. Ao entrar na sala, encontrou Policarpo sentado na cadeira, calça e cueca abaixadas até o tornozelo, com um homem quase careca ajoelhado à sua frente, aparentemente... A palavra que lhe veio à cabeça foi "fellaccio"... Quem era o careca? (continua amanhã)

(O Blog diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações. Tentamos também contacto através de nosso celular. Mas nosso plano Infinity da Tim não permitiu que nenhuma ligação se completasse.Por isso não conseguimos entrevista com Civita, Serra ou FHC, mas, frisamos, nenhum deles desmentiu nada. E, por favor, ministro Paulo Bernardo e Anatel, vamos dar um jeito nessa pouca vergonha das operadoras, ou aumente a nossa Bolsa-Twitter) 
http://blogdomello.blogspot.com.br/

 

SP: Documento cobra compromisso de candidatos para agricultura orgânica

http://correiodobrasil.com.br/sp-documento-cobra-compromisso-de-candidat...

SP: Documento cobra compromisso de candidatos para agricultura orgânica

Cerca de 300 agricultores familiares vivem e trabalham em áreas de proteção ambiental na zonas sul da cidade. Sua presença alia preservação com produção de alimentos

 

Por: Tadeu Breda, Rede Brasil Atual

 

Publicado em 16/09/2012, 10:46

Última atualização às 10:48

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Agricultura orgânica concilia produção de alimentos com preservação ambiental em áreas de proteção ecológica (Foto: Heloisa Bio/5 Elementos)

São Paulo – Um grupo de 13 entidades lança hoje (16), em Parelheiros, zona sul da Capital, a Plataforma de Apoio à Agricultura Orgânica na Cidade de São Paulo. Bastante sintético, o documento será apresentado aos candidatos que disputarão a Prefeitura e a Câmara Municipal nas eleições de outubro. A ideia é garantir o compromisso dos futuros governantes com os cerca de 300 agricultores familiares que produzem hortaliças nas áreas rurais do município.

“Observamos que uma série de candidatos começaram a se aproximar dessa população buscando votos, e achamos oportuno reunir todas as suas reivindicações e os estudos que produzimos ao longo dos últimos anos para construir uma plataforma”, explica Mônica Borba, coordenadora do Instituto 5 Elementos, uma das ongs que idealizaram o documento. “Nosso objetivo é fortalecer a agricultura orgânica em São Paulo e efetivar uma das nossas principais metas, que é viabilizar a realização de feiras orgânicas na cidade.”

As reivindicações expressas na plataforma abarcam basicamente três quesitos: apoio à produção, mudanças na legislação e elaboração de políticas de educação, comunicação e controle social para a agricultura orgânica. As ongs pedem que a Prefeitura implemente no município a lei federal que obriga à merenda escolar ser preparada com pelo menos 30% de alimentos oriundos da agricultura familiar; amplie a destinação de recursos públicos aos produtores rurais orgânicos; elabore programas de créditos com juros baixos; e barateie o custo da água para os agricultores que se comprometem a plantar e colher sem utilizar agrotóxicos.

A plataforma também pede a criação de um Conselho Municipal de Agricultura Orgânica que defina metas e prazos para serem cumpridos pelo poder público com participação dos agricultores e da sociedade civil. Outra proposta é a instalação de um colégio técnico agrícola para capacitar os produtores rurais que desejam converter-se à agricultura orgânica. De acordo com Mônica, cerca de 40 dos 300 agricultores familiares da zona sul de São Paulo já estão plantando e colhendo sem o uso de agrotóxicos. “Mas precisamos de mais apoio na área de educação para que mais gente adquira essa prática”, diz a coordenadora do Instituto 5 Elementos, lembrando que o mercado de produtos orgânicos é o que mais cresce no mundo.

“Até mesmo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda e assume que a agricultura orgânica é a única agricultura sustentável”, complementa. “Os rumos atuais da  produção de alimentos deve ser revisto e redimensionado para que a gente deixe de poluir as águas e o solo como acontece hoje.”

Para Mônica, incentivar o cultivo de produtos orgânicos é dar um passo importante nesse sentido. Ela lembra que, se os agricultores por algum motivo tiverem que deixar as áreas que ocupam no sul de São Paulo, por exemplo, as consequências podem ser negativas para o meio ambiente. “É uma região de mananciais que será ocupada por moradias irregulares. Quando apoiamos o uso dos espaços pra agricultura orgânica, temos uma população que está lá cuidando da terra de maneira sustentável e garantindo que não haja ocupações.”

 

Pesquisa francesa demonstra que milho transgênico provoca câncer em ratos

http://www.portugues.rfi.fr/europa/20120919-estudo-cientifico-frances-de...

Capa da revista Nouvel Observateur de 20 de setembro de 2012 com os resultados da pesquisa realizada na Universidade de Caen.Capa da revista Nouvel Observateur de 20 de setembro de 2012 com os resultados da pesquisa realizada na Universidade de Caen.@Le Nouvel ObservateurRFI

A Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) vai examinar uma pesquisa realizada na Universidade de Caen, no oeste da França, que demonstra que ratos de laboratório alimentados com milho transgênico do tipo NK6à3, do grupo americano Monsanto, desenvolveram tumores após um ano de exposição ao produto. O resultado da pesquisa já cria polêmica entre o lobby industrial agro-alimentar, militantes anti-OGM e cientistas.

O estudo da equipe de Gilles-Eric Séralini, professor de biologia molecular na Universidade de Caen, tem a particularidade de ser o primeiro realizado por um período longo, no caso dois anos, com milho transgênico. Até hoje, as pesquisas para demonstrar a inocuidade dos transgênicos à saúde cobriam um período de no máximo 90 dias de observação.

O professor Séralini é membro do CRII-GEN, comitê francês de informação independente sobre genética. O estudo de sua equipe é publicado hoje na revista Food and Chemical Toxicology. Os ratos alimentados com milho transgênico morrem mais cedo e sofrem de câncer com uma frequência duas a três vezes maior que os outros animais, explica Séralini em seu artigo, qualificando de "alarmantes" os resultados da pesquisa.

A revista semanal francesa Nouvel Observateur, que chega às bancas nesta quinta-feira, publica imagens de tumores desenvolvidos pelos ratos no 13° mês de consumo de milho transgênico. O desenvolvimento de tumores nesta idade em ratos corresponde a 40 anos nos seres humanos.

A Associação Francesa de Biotecnologias Vegetais (AFBV) se apressou em reagir, afirmando que "vários estudos toxicológicos analisaram, a longo prazo, os efeitos dos transgênicos na saúde de animais e nunca revelaram efeitos tóxicos".

Dois tipos de transgênicos são cultivados atualmente na União Europeia: a batata Aflmora, cuja semente foi desenvolvida pelo grupo alemão BASF, e o milho MON 810, da Monsanto. Outras sementes geneticamente modificadas, como a do tipo NK6à3, foco da pesquisa da Universidade de Caen, são autorizadas para alimentação humana e animal. 

O eurodeputado José Bové, um ferrenho crítico das culturas de transgênicos, disse que esse estudo mostra finalmente que os militantes anti-OGM tinham razão. Bové, da bancada verde no parlamento europeu, pediu à Comissão Europeia, órgão executivo do bloco, que suspenda imediatamente as licenças para cultura da batata da BASF e do milho da Monsanto.  

O porta-voz do Comissário Europeu da Saúde, John Dalli, afirmou que após a avaliação da EFSA, "se novos fatos científicos forem demonstrados, a Comissão Europeia vai assumir as consequências". A primeira delas, indicou o porta-voz, será a suspensão da renovação de uso da semente MON 810, solicitada pela Monsanto.

 

Belo Monte é a forma de viabilizar definitivamente a mineração em terras indígenas   ESCRITO POR TELMA MONTEIRO   TERÇA, 11 DE SETEMBRO DE 2012Do Correio da cidadania

 

Pode-se começar essa história ainda no Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) de Belo Monte no capítulo que fala dos direitos minerários na região da Volta Grande do Xingu. Nele consta que há 18 empresas, entre elas a Companhia Vale do Rio Doce (requerimento para mineração de ouro), com requerimento para pesquisa, 7 empresas com autorização de pesquisa e uma empresa com concessão de lavra (CVRD, concessão para extração de estanho) na região onde estão construindo Belo Monte.

 

Eram, na época de realização dos estudos ambientais, 70 processos incidentes sobre terras indígenas que têm 773.000 hectares delimitados, dos quais 496.373 hectares são alvo de interesses para extração de minério, representando 63% do território indígena. Empresas como a Companhia Vale do Rio Doce, Samaúma Exportação e Importação Ltda., Joel de Souza Pinto, Mineração Capoeirana, Mineração Guariba e Mineração Nayara têm títulos minerários incidentes na Terra Indígena Apyterewa. Ainda tem muito mais.

 

Independente das regras que norteiam o setor de mineração em vigor ainda hoje no Brasil, o governo pretende autorizar a extração de minérios — ouro e diamantes, principalmente — em terras indígenas (1). Nos últimos anos houve uma seqüência de descobertas de jazidas de bauxita, caulim, manganês, ouro, cassiterita, cobre, níquel, nióbio, urânio, entre outros minerais mais nobres, em toda essa região do rio Xingu. Fica nítido quando se olha para os mapas de direitos minerários apresentados nos estudos dos projetos Belo Monte, Complexo Teles Pires e Complexo Tapajós.

 

Estrategistas militares defendem há décadas o domínio do Brasil sobre as jazidas e sua exploração para evitar que Terras Indígenas se tornem territórios fechados e inacessíveis, o que impediria a exploração, a exemplo do que acontece hoje com a Reserva Ianomami (2). Nas terras indígenas da região do Xingu próximas aos canteiros de obras da UHE Belo Monte estão concentrados pedidos de autorizações de pesquisa e lavra de minerais nobres, como ouro, diamante, nióbio, cobre, fósforo, fosfato.

 

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A implantação do projeto da hidrelétrica Belo Monte é a forma de viabilizar definitivamente a mineração em terras indígenas (3) e em áreas que as circundam, em particular na Volta Grande, trecho de mais de 100 quilômetros que vai praticamente secar com o desvio das águas do Xingu. E é justamente nas proximidades do barramento principal, no sítio Pimental, que está sendo montado o maior projeto de exploração de ouro do Brasil, que vai aproveitar o fato de que a Volta Grande ficará seca por meses a fio com o desvio das águas do rio Xingu.

 

Há mais de dois meses está disponível na Internet o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do projeto Volta Grande da empresa canadense Belo Sun Mining Corp., de junho de 2012. O estudo defende as vantagens de se fazer uma operação de lavra a céu aberto para beneficiamento de minério de ouro com "tecnologia e equipamentos de ponta, similares a outros projetos no estado do Pará".

 

Algumas pérolas podem ser encontradas no RIMA do Projeto Volta Grande como: "os Planos de Desenvolvimento do Governo Federal e do Governo do Pará, para a região do Projeto Volta Grande, apontam a necessidade de investimentos em infraestrutura, educação básica, saúde e outros aspectos que permitam melhorar os indicadores de desenvolvimento social e econômico da região, e promover a melhoria da qualidade de vida de suas populações, de forma mais igualitária e sustentável".

 

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Funcionários da empresa canadense conhecendo território onde pretendem extrair ouro

 

Incrível como, além das hidrelétricas, os projetos de mineração, na visão do governo federal e do governo do Pará, também se tornaram a panacéia para solucionar todos os problemas não resolvidos de desenvolvimento social. Papel que seria obrigação do Estado, com o dinheiro dos impostos pago pelos cidadãos de bem.

 

Ainda, segundo o estudo apresentado pela Belo Sun Mining Corp., o investimento total no projeto de mineração de ouro da Volta Grande será de US$ 1.076.724.000,00, que pretende, como "brinde", propiciar controle e monitoramento ambiental e social e colaboração para a realização do desenvolvimento social, econômico e ambiental daquela região. A vida útil do projeto foi estimada em 12 anos de acordo com as pesquisas já efetuadas.

 

Não é uma maravilha?

 

Mas no RIMA (a reportagem teve acesso ainda ao EIA) faltaram alguns esclarecimentos: não há menção aos índígenas da região, nem ao fato de que as obras de Belo Monte facilitarão o projeto Volta Grande e nem por que a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Pará está licenciando o empreendimento, quando deveria ser o Ibama. São 106 processos de licenciamento de mineração – ouro, bauxita, diamante, cassiterita, manganês, ferro, cobre, areia, granito – no site do Ibama, dos quais 30 são no estado do Pará. Então, por que esse licenciamento escapou da análise dos técnicos do Ibama?

 

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Os impactos ambientais do projeto da Belo Sun Mining sobre a biodiversidade vão atingir principalmente a qualidade das águas superficiais e subterrâneas - assoreamento dos cursos d'água -, o que acrescenta à região mais um agravante para aumentar o prejuízo das comunidades indígenas da Volta Grande e do rio Bacajá, já às voltas com impactos semelhantes decorrentes das obras de Belo Monte. Sem contar o precedente que vai escancarar as portas para exploração de outras jazidas. (Ver mapa abaixo)

 

Os índios isolados na área do projeto da Belo Sun Mining

 

A presença de indígenas em isolamento voluntário na região dos rios Xingu e Bacajá está descrita desde a década de 1970 (4). Há estudos e testemunhos que comprovam sua presença nas cabeceiras do Igarapé Ipiaçava e de um grupo isolado (ou grupos isolados) na Terra Indígena (TI) Koatinemo. Testemunhos colhidos em 2008 confirmaram a presença de indígenas em isolamento voluntário. Os Asurini relataram seu encontro com isolados, depois de uma expedição de caça na cabeceira do Igarapé Ipiaçava.

 

O projeto Volta Grande da Belo Sun Mining Corp está em parte nas áreas de perambulação desses grupos em isolamento voluntário. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Belo Monte, Componente Indígena, reconheceu a presença de indígenas em isolamento voluntário na cabeceira do córrego Igarapé Ipiaçava e na Terra Indígena Koatinemo dos Asurini (5). Em Parecer Técnico, a Funai (6) fez referência aos impactos (7) que poderiam afetar os indígenas em isolamento voluntário, observando que a ação de grileiros e invasores vai ameaçar sua integridade física e cultural.

 

O parecer da Funai ainda alerta para o fato de que o desvio das águas e a redução da vazão do rio Xingu no trecho da Volta Grande pode gerar efeitos em cadeia sobre a ictiofauna nas florestas marginais ou inundáveis; o movimento migratório vai criar aumento populacional na região e provocar pressão sobre os recursos naturais; essa pressão levará às invasões das terras indígenas onde perambulam os grupos de indígenas em isolamento voluntário (8).

 

A Funai também propôs que antes do leilão de compra de energia de Belo Monte, ocorrido em 20 de abril de 2010, o poder público deveria coordenar e articular ações para a proteção dos indígenas em isolamento voluntário. Para isso era preciso publicar uma Portaria de Restrição (9) de Uso entre as Terras Indígenas Trincheira Bacajá e Koatinemo.

 

Em 11 de janeiro de 2011, finalmente, a Funai conseguiu publicar a Portaria de Restrição nº 38, que estabeleceu restrição ao direito de ingresso, locomoção e permanência de pessoas estranhas aos quadros da Funai na área descrita, pelo prazo de dois (02) anos a contar de sua publicação. A área descrita na Portaria, Terra Indígena Ituna/ Itatá, está localizada nos municípios de Altamira, Senador José Porfírio e Anapu, estado do Pará, tem superfície aproximada de 137.765 hectares (ha) e perímetro aproximado de 207,2 km. (Ver mapa)

 

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O projeto Volta Grande da Belo Sun Mining Corp. está sendo implantado no município deSenador José Porfírio, na área da Portaria nº 38 da Funai, que visou proteger os grupos de isolados. Em conversa sobre a Portaria, válida até dezembro de 2012, com um funcionário da Funai que não quis ser identificado nesta matéria, ele me disse que até o final do ano tem que escrever uma nova justificativa para sua reedição e para isso precisam de mais informações sobre o projeto Volta Grande e outros previstos na região. Ainda, segundo ele, existem depoimentos mais recentes sobre a presença dos índios isolados e a Funai está tratando a região da Portaria nº38 como prioridade. A Funai tem tido muitas dificuldades, feito muitas investidas na área e os estudos estão andando, com seis expedições realizadas no último ano, concluiu.

 

A Audiência Pública para "apresentar" o projeto Volta Grande da Belo Sun Mining Corp. para a sociedade está marcada para o próximo dia 13 de setembro.

 

 

Belo Sun Mining Corp.

 

A empresa responsável, aqui no Brasil, pelo Projeto Volta Grande é a Belo Sun Mineração Ltda., subsidiária brasileira da empresa canadense Belo Sun Mining Corporation, que pertence ao grupo Forbes & Manhattan Inc., um banco mercantil de capital privado voltado para projetos de mineração em todo o mundo.

 

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A Belo Sun Mining Corp. foi lançada na Bolsa de Valores de Toronto, em 30 de abril de 2012, em ritmo de festa e comemoração. No seu site atualizadíssimo, a empresa não esconde suas pretensões de exploração mineral na Amazônia e que tem um portfólio de propriedades no Brasil. O foco principal da Belo Sun é explorar a mineração numa área que, afirma, é 100% de sua propriedade e que tem ouro estimado em aproximadamente 2,85 milhões de onças.

 

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Quando se leem os diversos documentos dá para entender tanto entusiasmo e como o projeto Volta Grande se tornou a menina dos olhos da Belo Sun, pois controla os direitos de mineração e exploração de 130.541 hectares (1.305 km ²). Como isso foi possível ainda é preciso investigar, pois durante algum tempo as equipes da companhia têm atuado na Volta Grande do Xingu, sem disfarces, realizando perfurações e tocando, na Secretaria Estadual de Meio Ambiente do estado do Pará, o processo de licenciamento ambiental. O farto material fotográfico disponibilizado no site dá uma desagradável sensação de que muito poder está por trás desse bilionário negócio.

 

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Outro projeto, Patrocínio, na região do Tapajós, também da Belo Sun Mining Corp., está sendo desenvolvido e merece um capítulo à parte.

 

Embora a empresa tenha informado nos estudos ambientais que se trata de explorar uma jazida próxima à superfície, em condições geológicas favoráveis, com extração a céu aberto, no site ela se refere à existência de um potencial de alta qualidade em profundidades de pelo menos 200 metros ou 300 metros abaixo da superfície. Parece que nada está sendo descartado no projeto e que a construção da barragem principal de Belo Monte, no sítio Pimental, para desviar o rio Xingu justamente no trecho da Volta Grande, vai beneficar a extração do ouro em grandes profundidades.

 

Outro detalhe que chamou a atenção sobre a Belo Sun Mining Corp. é que, nos documentos disponibilizados agora neste mês (setembro), a referência à companhia foi alterada e o símbolo, na estrutura do capital da empresa, está representado como TSX: BSX. Em uma nota de 2011, o Brasil Econômico conta sobre a Belo Sun e a extração de 4 milhões de onças troy (barra de 31,1 gramas) em Altamira, no Pará, e dá o empresário Eike Batista como potencial investidor devido à ligação dele com o a região, onde explorou ouro entre 1980 e 1990.

 

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Começa a fazer sentido. Talvez Eike Batista seja o grande investidor da Belo Sun Mining Ltda., subsidiária da Belo Sun Mining Corp.

A mineração no Brasil

 

Em maio de 2011, o governo divulgou o Plano Nacional de Mineração (PNM) 2030, com um objetivo mal explicado de que o setor mineral contribuiria com um Brasil sustentável. Palavras expressas na introdução feita pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

 

A pretensão de apresentar uma visão de futuro calcada no desenvolvimento do setor mineral brasileiro com objetivo estratégico de sustentabilidade é, no mínimo, ofensiva. A justificativa que o PNM utiliza para antecipar a ideia de que haverá maior pressão no uso e ocupação do solo é que a demanda por bens minerais em países emergentes deverá crescer nas próximas décadas.

 

As áreas chamadas de Restrição Legal, que são as unidades de conservação, terras indígenas, as terras quilombolas, áreas destinadas à reforma agrária, são consideradas uma espécie de entrave à expansão da atividade mineral. Um exemplo que é citado no PMN, como um intróito para conduzir o leitor a entender a necessidade de exploração de mineral em terras de restrição legal, é o Plano de Manejo, considerado como um verdadeiro obstáculo às práticas de "atividades econômicas".

 

As terras indígenas também são consideradas restritivas à atividade mineral, pois impedem que mais de 25% da Amazônia Legal e 12% do território nacional sejam exploradas. O artigo 231, § 3º, da Constituição Federal de 1988 é entendido como passível de regulamentação, pois prevê que a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas se dêem após aprovação do Congresso Nacional, desde que as comunidades afetadas sejam ouvidas, assegurando-lhes participação no resultado de lavra. Como a lei não foi regulamentada, o PNM lhe atribui um quê de inconveniência para a concretização dos planos de mineração ali contidos.

 

Regulamentar o Artigo 231 da Constituição Federal torna-se, então, no PNM, um desafio para que no futuro se possa disciplinar a relação entre a atividade minerária e as comunidades indígenas. A articulação pressupõe uma melhoria no conhecimento geológico do Brasil para facilitar a identificação de novas jazidas e, o que é pior, a maior autonomia do Estado até para a oferta de insumos minerais para o setor agropecuário. Sem nenhum resquício de pudor, o PNM expõe o objetivo claro de obter, com a regulamentação, a permissão de "abertura de minas em terras indígenas", que "também amplia o escopo de atuação do setor (minerário) na região Norte".

 

Não é de se surpreender que até um papel estratégico para a conservação das florestas foi atribuído ao setor mineral, sem sequer um esclarecimento de como isso se daria em plena Amazônia. À exploração de urânio também é concedida uma colocação de arrepiar, considerada como uso preferencial de produção de energia que reduz os gases de efeito estufa. Exploração essa na Amazônia, subentende-se, e em terras indígenas e unidades de conservação!

 

A mineração na Amazônia passa a ser destacada como a atual fronteira da expansão mineral, encarada com verdadeiro otimismo no texto, dado o florescimento dos grandes empreendimentos já em curso desde o século XX. São citados todos os projetos cujos impactos se conhecem largamente, como a lavra de bauxita de Juruti, no Pará; a lavra de manganês da Serra do Navio (AP); de bauxita do rio Trombetas, Paragominas; de estanho de Pitinga (AM) e de Rondônia; de ferro, manganês, cobre e níquel de Carajás (PA); de caulim do Jari (AP) e da bacia do rio Capim (PA); de alumina e alumínio de Barcarena (PA); de escoamento de ferro-gusa pela ferrovia de Carajás.

 

Todo o plano nos leva a antever um grande e único processo de exploração mineral na Amazônia, já precedidos da destruição imposta pelos projetos hidrelétricos e hidrovias. A exploração do grande potencial mineral identificado na Amazônia, especialmente em terras indígenas, está, pelo menos no papel e no Congresso Nacional, em curso, bem pontuada nos planos do governo federal com projetos significativos para facilitar o conhecimento geológico do Brasil.

 

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Na região amazônica, 5% da área que deverá ser estudada para aumentar o conhecimento geológico correspondem a terras indígenas e o documento estabeleceu diretrizes para mineração em áreas com restrições legais. Entre elas, o conhecimento do subsolo para tomada de decisão que se adeque aos "interessese nacionais, regionais ou locais." O que isso quer dizer, na prática, é que, apesar de a definição de acesso e uso das terras indígenas estar bem clara na Constituição de 1988, uma agenda de entendimentos vai propiciar a regulamentação em tramitação no Congresso e, assim, viabilizar a mineração em terras indígenas e quilombolas. Tudo em nome do interesse nacional.

 

O PNM propõe duas ações com relação às áreas com restrições legais, para aparar as arestas que travam o desenvolvimento da atividade minerária: uma é articular com órgãos de usos e ocupações do solo restritivos à atividade mineral, que seriam o meio ambiente, terras indígenas e de quilombolas, áreas para reforma agrária, sítios arqueológicos e fossilíferos, entre outros; e a outra é apoiar a aprovação de lei que regulamente o aproveitamento dos bens minerais nas terras indígenas, segundo dispõe o Artigo 231 da Constituição Federal de 1988.

 

O Projeto de Lei da mineração

 

É da competência exclusiva do Congresso Nacional "autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais", Art. 49, inciso XVI, da Constituição Federal (CF). As riquezas minerais são sempre de interesse nacional e econômico, mas, no que diz respeito à preservação dos interesses das populações indígenas, há uma grande distância.

 

Está tramitando no Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL) 1610/96 que pretende regulamentar a exploração de recursos minerais em terras indígenas e que sofre uma grande pressão para que seja aprovado ainda este ano. Uma comitiva de deputados da Comissão Especial de Mineração em Terras Indígenas foi à Austrália para ver como é que fazem por lá, para que os indígenas aceitem a mineração em suas terras. Foram estudar a legislação, contratos, royalties e a regulação do sistema de exploração mineral em áreas indígenas, além-mar, para elaborar um parecer ao PL 1610.

 

O marco regulatório e o novo código da mineração


 

Em 2011, o Ministério de Minas e Energia resolveu lançar a discussão do novo Marco Legal da mineração brasileira, fez um diagnóstico onde apontou burocracia e uma certa "fraqueza" do poder concedente como as principais dificuldades que atingem o setor. Entre os objetivos propostos para o novo Marco Legal estão o fortalecimento do Estado para ter soberania sobre os recursos minerais, propiciar o maior aproveitamento das jazidas e atrair investimentos para o setor mineral. Tudo indica que os investidores já estão a postos.

 

Lógico que, no pacote do novo Marco Legal da mineração brasileira, o MME aproveitou para criar o Conselho Nacional de Política Mineral e a Agência Nacional de Mineração (ANM), que, provavelmente, serão preenchidos com a nomeação de pessoas em cargos de confiança. Isso já acontece, por exemplo, com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), subordinada diretamente ao MME.

 

As propostas do governo Dilma Rousseff, para alterar o Código de Mineração, que é de 1967, e criar a Agência Nacional de Mineração, serão examinadas pelo Congresso Nacional a partir deste mês de setembro. A principal mudança no Código de Mineração será que o governo passará a leiloar o direito de exploração que, atualmente, é conferido por ordem de chegada.

 

Todas essas alterações previstas no setor mineral no Brasil, no entanto, não vão alterar em nada as licenças para pesquisa e exploração de novas jazidas já concedidas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, recentemente anunciou que as autorizações novas estariam suspensas até que o novo Codigo de Mineração seja aprovado pelo Congresso. Qualquer processo em tramitação e não concluído no DNPM, portanto, ainda segundo o ministro, perderiam a validade e as jazidas seriam futuramente leiloadas de acordo com as novas normas.

 

Para se ter uma ideia do tamanho do filão minerário no Brasil localizado principalmente na Amazônia, são mais de 5 mil alvarás de pesquisa e 55 portarias de lavra que estão em processo de aprovação no DNPM. Lógico que a gritaria é grande por parte das mineradoras que estão na fila de espera, especialmente quando elas levam em conta que a Compensação Financeira pela Exporação de Recursos Minerais (CFEM) vai passar de 0,2% para até 6%. Mas, para o Ministério de Minas e Energia, tocado por Edison Lobão, sob a chefia de José Sarney, a aprovação do Código da Mineração aumenta ainda mais o seu poder, passando a ser so controlador direto dos leilões de concessões, como o da energia.

 

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Essa é uma herança do governo Lula desde 2010 que Dilma Rousseff agora está tocando com celeridade.

 

Esse resumo sobre as tramitações que envolvem as alterações no setor de mineração serve para esclarecer o porquê de grandes empresas internacionais estarem ao mesmo tempo "atacando" as principais regiões onde estão as maiores riquezas minerais no Brasil. Uma delas é onde está sendo construída a hidrelétrica Belo Monte, na Volta Grande do Xingu; uma outra é na Província Mineral do Tapajós, justamente onde o governo planeja a construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós. Coincidência ou não, as empresas são canadenses e têm vários projetos para exploração de ouro nessas áreas.

 

Notas:

 

1) Governo quer mineração em áreas indígenas da Amazônia; disponível emhttp://www.amazonianet.org.br/index.php?system=news&news_id=652&action=read.

2) Idem acima.

3) Exploração de minérios em terras indígenas é tema polêmico , 26/09/10, disponível em:http://www.observatorioeco.com.br/index.php/exploracao-de-minerios-em-terras-indigenas-e-tema-polemico/

4) AHE Belo Monte Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), páginas 103/111/113. Componente Indígena PROCESSO IBAMA n° 02001.001848/2006-75, abril de 2009.

5) Idem, p. 103

6) UHE Belo Monte – Componente Indígena Parecer técnico nº 21/CMAM/CGPIMA-FUNAI.

7) Parte 4 – Avaliação Geral dos Impactos Socioambientais nas Populações Indígenas, p. 87.

8) “A continuidade e possível intensificação dessa ocupação por não-índios colocará em risco a integridade física dos grupos isolados, sendo necessária a interdição da área e as devidas ações de fiscalização. Em setembro de 2009 a Funai enviou outra expedição para a região com o mesmo objetivo de identificar a presença dos isolados, mas ainda não obtivemos as informações com os resultados dessa nova tentativa.” p. 86, UHE Belo Monte – Componente Indígena Parecer Técnico nº 21/CMAM/CGPIMA-FUNAI.

9) “1) Medidas ligadas ao Poder Público, a serem implementadas em diferentes etapas: a) Ações até o leilão: 3. Publicação de portaria para restrição de uso entre as Terras Indígenas Trincheira Bacajá e Koatinemo, para proteção de índios isolados”; UHE Belo Monte – Componente Indígena Parecer técnico nº 21/CMAM/CGPIMA-FUNAI, ps. 95/96.

 

 

Enquanto se pense em abrir o capital da Embrapa, um eufemismo para privatização, através do senador do PT Delcidio Amaral, um forma clara de beneficiar as multinacionais do agro negocio, especialmente a Monsanto e seus trangenicos, as noticias sobre efeitos negativos dos trangenicos são cada vez mais alarmantes:

 http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-09-19/estudo-revela-toxicidade-alarmante-dos-transgenicos-para-os-ratos.html

Transgênicos aumentam em até três vezes ocorrência de câncer em ratosEstudo revelou que ratos alimentados com milho geneticamente modificado morreram mais rápido. Cientistas afirmam que resultados de pesquisa são alarmantes

AFP | 19/09/2012 12:21:16 - Atualizada às 19/09/2012 12:26:09

 

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AFP

Getty ImagesNo estudo, 200 ratos foram alimentados durante dois anos com três tipos diferentes de milho

Os ratos alimentados com organismos geneticamente modificados (OGM) morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência do que os demais, destaca um estudo publicado nesta quarta-feira (19) pela revista "Food and Chemical Toxicology", que considera os resultados "alarmantes".

"Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com OGM. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos", explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo.

Para realizar a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) e com milho não alterado geneticamente tratado com Roundup.

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Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são propriedade do grupo americano Monsanto.

Durante o estudo, o milho fazia parte de uma dieta equilibrada, em proporções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos.

"Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e maior durante o consumo dos dois produtos", afirmou Seralini, cientista que integra ou integrou comissões oficiais sobre os alimentos transgênicos em 30 países.

"O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimenta com OGM), enquanto a primeira fêmea, oito meses antes. No 17º mês foram observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)", explica o cientista.

Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes de surgirem nos ratos indicadores (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias), aparecem, em média, 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.

Os pesquisadores descobriram que 93% dos tumores das fêmeas são mamários, enquanto que a maioria dos machos morreu por problemas hepáticos ou renais.

O artigo da "Food and Chemical Toxicology" mostra imagens de ratos com tumores maiores do que bolas de pingue-pongue.

"Com uma pequena dose de Roundup, que corresponde à quantidade que se pode encontrar na Bretanha (norte da França) durante a época em que se espalha este produto, são observados 2,5 vezes mais tumores mamários do que é normal", explica Seralini.

O diretor do estudo disse ainda que os transgênicos agrícolas são organismos modificados para resistir aos pesticidas ou para produzi-los e lembrou que 100% dos transgênicos cultivados em grande escala em 2011 foram plantas com pesticidas.

"Pela primeira vez no mundo, um OGM e um pesticida foram estudados por seu impacto na saúde a mais longo prazo do que haviam feito até agora as agências de saúde, os governos e as indústrias", disse o coordenador do estudo.

Segundo Seralini, os efeitos do milho NK603 só foram analisados até agora em períodos de três meses. Alguns transgênicos já foram analisados durante três anos, mas nunca até agora com uma análise em tal profundidade, segundo o cientista.

Também é a primeira vez, segundo Seralini, que o pesticida Roundup foi analisado em longo prazo. Até agora, somente seu princípio ativo (sem seus coadjuvantes) havia sido analisado durante mais de seis meses.

"São os melhores testes que podem ser realizados antes dos testes em humanos", explicou ainda.

O estudo foi financiado pela Fundação CERES, bancada em parte por cerca de 50 empresas, algumas delas do setor da alimentação que não produzem OMG, assim como pela Fundação Charles Leopold Meyer pelo Progresso da Humanidade.

 

 

 

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ADEUS A SETE QUEDAS


(Carlos Drummond de Andrade)

Sete quedas por mim passaram, 
e todas sete se esvaíram.
Cessa o estrondo das cachoeiras, e com ele
a memória dos índios, pulverizada,
já não desperta o mínimo arrepio.
Aos mortos espanhóis, aos mortos bandeirantes,
aos apagados fogos 
de Ciudad Real de Guaira vão juntar-se
os sete fantasmas das águas assassinadas
por mão do homem, dono do planeta.


Aqui outrora retumbaram vozes
da natureza imaginosa, fértil
em teatrais encenações de sonhos
aos homens ofertadas sem contrato.
Uma beleza-em-si, fantástico desenho
corporizado em cachões e bulcões de aéreo contorno
mostrava-se, despia-se, doava-se
em livre coito à humana vista extasiada.
Toda a arquitetura, toda a engenharia
de remotos egípcios e assírios
em vão ousaria criar tal monumento.


E desfaz-se
por ingrata intervenção de tecnocratas.
Aqui sete visões, sete esculturas
de líquido perfil
dissolvem-se entre cálculos computadorizados
de um país que vai deixando de ser humano
para tornar-se empresa gélida, mais nada.


Faz-se do movimento uma represa,
da agitação faz-se um silêncio
empresarial, de hidrelétrico projeto.
Vamos oferecer todo o conforto
que luz e força tarifadas geram
à custa de outro bem que não tem preço
nem resgate, empobrecendo a vida
na feroz ilusão de enriquecê-la.
Sete boiadas de água, sete touros brancos,
de bilhões de touros brancos integrados,
afundam-se em lagoa, e no vazio
que forma alguma ocupará, que resta
senão da natureza a dor sem gesto,
a calada censura
e a maldição que o tempo irá trazendo?


Vinde povos estranhos, vinde irmãos
brasileiros de todos os semblantes,
vinde ver e guardar
não mais a obra de arte natural
hoje cartão-postal a cores, melancólico,
mas seu espectro ainda rorejante
de irisadas pérolas de espuma e raiva,
passando, circunvoando,
entre pontes pênseis destruídas
e o inútil pranto das coisas,
sem acordar nenhum remorso,
nenhuma culpa ardente e confessada.
(“Assumimos a responsabilidade!
Estamos construindo o Brasil grande!”)
E patati patati patatá...


Sete quedas por nós passaram,
e não soubemos, ah, não soubemos amá-las,
e todas sete foram mortas,
e todas sete somem no ar,
sete fantasmas, sete crimes
dos vivos golpeando a vida
que nunca mais renascerá.


Hoje na Historia - JBlog - Jornal do Brasil - 19 de setembro de 1982: Emoção e lágrimas marcam despewww.jblog.com.br- 19 de setembro de 1982: Emoção e lágrimas marcam 


 

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O marqueteiro do Serra deve estar desesperado, apelou para adesivos "família feliz" que fez muito sucesso tempos atrás nos carros de São Paulo.

Vejam, mais essa pérola do marqueting PSDBista.



Família Feliz do Serra, com direito a cão, gato, bebê, pai, mãe, 2 filhos e duas filhas e claro... o Serra.
a inspiração...
 

Gregório de Mattos

Para que não haja dúvidas (caso ainda haja):

http://books.google.com.br/books?id=d09m9-AZaO8C&lpg=PA157&ots=dAW1Ev49N...

Página 157

Não dá pra copiar e colar.

 

Professores da UnB recebem premiação inédita por pesquisa sobre aborto no Brasil

18/09/2012

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=7059

Prêmio Fred L. Soper Award for Excellence in Health Literature foi concedido a Debora Diniz e Marcelo Medeiros, em Washington, pela Organização Pan-Americana de Saúde

Grace Perpetuo - Da Secretaria de Comunicação da UnB

 Uma em cada cinco mulheres brasileiras faz pelo menos um aborto até os 40 anos.

A revelação integra as contundentes e pioneiras descobertas da Pesquisa Nacional de Aborto. Coordenado pelos professores da Universidade de Brasília Debora Diniz e Marcelo Medeiros, o estudo recebeu nesta segunda-feira, 17 de setembro, nos Estados Unidos, o prêmio Fred L. Soper Award for Excellence in Health Literature.

Considerado o mais importante das Américas com referência à saúde pública, o prêmio é concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) a estudos de alto impacto para a área. É a quarta vez que o Brasil recebe o prêmio e a primeira que pesquisadores da UnB são contemplados. A professora Debora Diniz representou os autores na cerimônia de premiação em Washington.

 

Emília Silberstein/UnB Agência 

 

A pesquisa foi premiada por um de seus produtos: o artigo Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna, publicado em 2010 na revista Ciência & Saúde Coletiva. “Mas o artigo é apenas um entre vários produtos da pesquisa, que pretendeu deslocar o debate sobre aborto no Brasil do campo da moral e da religião para o campo da saúde pública”, disse o sociólogo e economista Marcelo Medeiros.

Acesse o artigo aqui.  (http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000700002)

Leia aqui reportagem completa sobre o estudo. (http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3404)

Meta alcançada, a pesquisa concluiu que, no Brasil, o aborto é, de fato, “um caso de saúde pública”, nas palavras do professor. Em primeiro lugar, há a expressiva constatação de que, aos 40, uma em cada cinco mulheres adultas que moram nos centros urbanos brasileiros já fez pelo menos um aborto. Em segundo, que aquelas que se submetem a abortos são “mulheres comuns, de todas as classes sociais, muitas vezes casadas e com religião”. E, em terceiro, que aproximadamente metade das mulheres que se submeteram ao aborto tiveram de ficar internadas em decorrência de complicações.

O professor Marcelo observou também que, ainda que as formas de realizar o aborto variem muito no país, a pesquisa indicou que “o método dominante é o uso do medicamento abortivo Cytotec, proibido no Brasil”.

Outro importante resultado da pesquisa, segundo o professor, é que ela já se desdobrou em diversos outros artigos que abordam o tema, ainda controverso no Brasil, onde o aborto é considerado crime contra a vida.  “O tema ainda é polêmico e precisa ser aprofundado para alcançar novas políticas que lidem com o aborto como um problema de saúde pública”, concluiu Marcelo, ressaltando que o país não tem de seguir modelos externos: “O Brasil precisa descobrir seu próprio caminho, de acordo com suas particularidades”.

 

Daiane Souza/UnB Agência 

 

ESTUDANTES - Para o professor Medeiros, o prêmio recebido na segunda-feira é especialmente importante para a UnB, porque, antes de ir a campo, 25 alunas da Universidade integraram a grande equipe que a realizou: “Sem a ajuda delas, não teríamos conseguido”, disse, reiterando que o reconhecimento “é delas também”. “Isso é sinal de que os alunos têm muito a contribuir para a pesquisa, até mesmo quando o estudo envolve pesquisadores sênior”, disse, afirmando que “aprendemos muito com as estudantes que trabalharam conosco”.

A pesquisa avaliou populações urbanas com rigor científico pioneiro para o tema, utilizando técnicas de urna, que garantem a precisão dos dados e o sigilo das entrevistadas, usadas “para abordar assuntos controversos como este”, segundo o professor Marcelo Medeiros.  De acordo com o professor, o formulário da pesquisa continha cinco perguntas básicas. Preenchidos, os formulários eram colocadas numa urna, garantindo o absoluto sigilo das entrevistadas e, assim, a veracidade das respostas.

PRÊMIO – A antropóloga Debora Diniz é professora do Departamento de Serviço Social da UnB e pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis). O sociólogo e economista Marcelo Medeiros, marido de Debora, é professor do Departamento de Sociologia da UnB e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Criado em 1990, o Fred L. Soper Award for Excellence in Health Literature é o maior prêmio para pesquisa em saúde pública do continente americano. Leva o nome de Fred L. Soper, médico norte-americano que dedicou a carreira à pesquisa em saúde pública e foi uma peça-chave na constituição da Organização Mundial de Saúde (OMS).

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Pesquisa reacende debate sobre descriminalização do aborto

31/05/2010

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3404

Estudo da UnB revela pela primeira vez quantas e quem são as mulheres que interrompem a própria gravidez no Brasil. Elas somam cerca de 5 milhões, sendo que a maioria é casada, tem filhos e religião


Ana Lúcia Moura e Juliana Braga - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Ela não tinha rosto, não tinha casa, não tinha crenças nem lugar na sociedade. A mulher que aborta no Brasil era uma sombra. Não se sabia quem era, onde estava e o que pensava. Desconhecida, e tratada pela lei como criminosa, era apontada quase sempre como uma mulher sem sentimentos por rejeitar a maternidade.

Pesquisa da Universidade de Brasília, em parceria com o Instituto de Bioética e financiada pelo Fundo Nacional de Saúde, revelou a face da brasileira que interrompe a gravidez. Ela é casada, tem filhos, religião e pertence a todas as classes sociais. O estudo também conferiu precisão ao que eram apenas estimativas. As mulheres que abortam são muitas.

Das 2.002 entrevistadas no estudo, de 18 a 39 anos, 15% declararam que já fizeram pelo menos um aborto. Projetado sobre a população feminina do país nessa faixa etária, que é de 35,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse número representaria 5,3 milhões de mulheres. Até então, as estatísticas disponíveis sobre aborto no Brasil eram as relacionadas a curetagens feitas nos hospitais, uma média de 220 mil nos últimos sete anos.

Colocados os números e conhecidas as mulheres, a questão é o que fazer com elas. O Código Penal prevê pena de detenção de um a três anos para a gestante que provoca o aborto. E reclusão de um a quatro anos para quem faz o aborto com o consentimento da mulher grávida. A prática só não é crime quando representa risco de vida à gestante e quando decorre de estupro. “O Estado vai mesmo colocar 5 milhões de mulheres na cadeia?”, indaga o professor Marcelo Medeiros, do Departamento de Sociologia da UnB e um dos autores da pesquisa.

As opiniões são divergentes. O Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República defendem que o aborto deve ser tratado como um caso de saúde pública. O principal argumento é o de que milhares de mulheres morreram em consequência da prática e outros milhares procuram os hospitais com complicações. A própria pesquisa mostrou que 55% das mulheres que abortaram ficaram internadas.

A coordenadora da Área de Saúde e Poder da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Elizabeth Saar, defende a descriminalização como único caminho. “O assunto tem de sair das páginas policiais e ir para as páginas sociais e de saúde. O Brasil tem de assumir o compromisso de revisar a lei”, defende.

BOLSA-ESTUPRO - Os projetos de lei que tratam do assunto, entretanto, são dos mais polêmicos do Congresso Nacional e, por isso mesmo, não saem do lugar. O mais recente é o PL 478/2007, o Estatuto do Nascituro. A proposição garante proteção jurídica aos embriões e propõe que as mulheres que engravidaram em consequência de estupro recebam um benefício em dinheiro, daí a razão para projeto ter ficado conhecido como bolsa-estupro. “O projeto discrimina a mulher e representa um retrocesso”, afirma a professora da UnB, Débora Diniz, coordenadora da pesquisa.

Durante a discussão da proposição na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, parlamentares quiseram retirar da lei as situações em que o aborto é permitido, mas a tentativa fracassou. “O número alto de abortos não significa que ele deve ser descriminalizado. Mais de 50 mil pessoas por ano morrem vítimas de violência. Vamos legalizar o assassinato porque muitas pessoas matam”, questiona um dos autores do projeto, o deputado José Miguel Martini (PHS-MG).

Ele defende que as mulheres que optam pelo aborto por falta de informação sejam apoiadas pelo Estado, mas aquelas que, mesmo informadas, o praticam, devem ser punidas. “Uma mulher informada hoje só engravida se quiser. Ela tem de assumir a responsabilidade dos seus atos”, afirma. “Ao mesmo tempo, é papel do Estado oferecer apoio às mulheres que optam por essa alternativa por falta de informação”, acredita. O apoio, na opinião dele, é a oferta de condições para que a mulher evite uma gravidez indesejada e, uma vez grávida, possa fazer um pré-natal, manter seu filho em segurança e até receber assistência psicológica, caso seja necessário.

A prevenção é a política adotada pelo Ministério da Saúde. “A pesquisa mostra que estamos no caminho certo ao ampliar a oferta de métodos contraceptivos no sistema único de saúde”, afirma o assessor especial do ministério, Adson França.

ANENCÉFALOS - Se no Legislativo o debate não avança, o assunto ganha espaço no Judiciário. O Supremo Tribunal Federal prometeu julgar a permissão do aborto no caso de fetos anencéfalos até o final do ano. Apesar de não virar lei, a decisão cria jurisprudência sobre o assunto. Ou seja, gera uma orientação para processos sobre o tema em todas as instâncias do judiciário. "A via mais fácil ainda é a judiciária. Se a decisão do Supremo for favorável ao aborto de anencéfalos, ainda que a mulher precise recorrer à justiça, a liminar sairia entre 24 horas e 15 dias após o pedido", explica a advogada Margarida Pressburguer, da seção do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil.

O assessor da Comissão para Vida e Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Bento, acredita que os dados servem para mostrar a realidade e fomentar um debate mais esclarecido sobre o aborto. Dentre as mulheres ouvidas na pesquisa, 80% tem religião. “Esses dados levam a nós, religiosos, a encontrar novos métodos, novas estratégias e novo ardor para tratar o tema. Mostra que alguma coisa não está bem. A nossa mensagem não está chegando aos corações do homem e da mulher moderna”, explica.

Ele enfatiza que a Igreja não é contra o aborto e sim a favor da vida. “A vida é um dom, não é minha. Como posso dizer que a vida da mãe é mais importante que a de seu filho? Não cabe a nós decidir”, explica. Segundo ele, a ideia da CNBB é intensificar as campanhas de valorização da vida nas escolas e insistir na “educação para o amor”. Ele conta que em suas campanhas trabalha a mensagem de que o casal, na relação sexual, deve estar sempre aberto, preparado, para a possibilidade de ter filhos.

MULHER COMUM – Dentre o total de mulheres que declararam na pesquisa já terem feito pelo menos um aborto, 64% são casadas e 81% são mães. “A mulher que aborta é uma de nós. Ela é a sua irmã, ela é a sua vizinha, ela é a sua filha ou a sua mãe”, define Débora Diniz. A classe social não interfere na decisão. Do total de mulheres que abortaram, 23% ganham até um salário mínimo, 31% de um a dois, 35% de dois a cinco e 11% recebem mais de cinco. “Pobres e ricas, todas abortam”, afirma a professora.

O levantamento é o maior sobre o assunto no Brasil. Antes, os dados que se dispunham eram imprecisos e coletados somente quando as mulheres tinham alguma complicação e procuravam os hospitais públicos. A elaboração da pesquisa foi antecedida de um amplo levantamento de toda a bibliografia científica sobre o aborto. Depois, foram elaborados os questionários, testados previamente por estudantes da UnB e revisados por quase 20 especialistas de toda a América Latina. “O trabalho envolveu toda a universidade e muitos dos grandes estudiosos do assunto”, explica Marcelo Menezes.

As entrevistas definitivas foram feitas pela Agência Ibope Inteligência, para garantir a imparcialidade do estudo. O método foi responder as perguntas de próprio punho e depositar em uma urna. “Só conseguimos porque garantimos a elas o sigilo”, resume Marcelo. A pesquisa já foi publicada na Revista Ciência & Saúde Coletiva, editada pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva/Abrasco.

 

Marcelo/UnB Agência 

 

 

 

Professores da UnB recebem premiação inédita por pesquisa sobre aborto no Brasil

18/09/2012

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=7059

Prêmio Fred L. Soper Award for Excellence in Health Literature foi concedido a Debora Diniz e Marcelo Medeiros, em Washington, pela Organização Pan-Americana de Saúde

Grace Perpetuo - Da Secretaria de Comunicação da UnB

 Uma em cada cinco mulheres brasileiras faz pelo menos um aborto até os 40 anos.

A revelação integra as contundentes e pioneiras descobertas da Pesquisa Nacional de Aborto. Coordenado pelos professores da Universidade de Brasília Debora Diniz e Marcelo Medeiros, o estudo recebeu nesta segunda-feira, 17 de setembro, nos Estados Unidos, o prêmio Fred L. Soper Award for Excellence in Health Literature.

Considerado o mais importante das Américas com referência à saúde pública, o prêmio é concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) a estudos de alto impacto para a área. É a quarta vez que o Brasil recebe o prêmio e a primeira que pesquisadores da UnB são contemplados. A professora Debora Diniz representou os autores na cerimônia de premiação em Washington.

 

Emília Silberstein/UnB Agência 

 

A pesquisa foi premiada por um de seus produtos: o artigo Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna, publicado em 2010 na revista Ciência & Saúde Coletiva. “Mas o artigo é apenas um entre vários produtos da pesquisa, que pretendeu deslocar o debate sobre aborto no Brasil do campo da moral e da religião para o campo da saúde pública”, disse o sociólogo e economista Marcelo Medeiros.

Acesse o artigo aqui.  (http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000700002)

Leia aqui reportagem completa sobre o estudo. (http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3404)

Meta alcançada, a pesquisa concluiu que, no Brasil, o aborto é, de fato, “um caso de saúde pública”, nas palavras do professor. Em primeiro lugar, há a expressiva constatação de que, aos 40, uma em cada cinco mulheres adultas que moram nos centros urbanos brasileiros já fez pelo menos um aborto. Em segundo, que aquelas que se submetem a abortos são “mulheres comuns, de todas as classes sociais, muitas vezes casadas e com religião”. E, em terceiro, que aproximadamente metade das mulheres que se submeteram ao aborto tiveram de ficar internadas em decorrência de complicações.

O professor Marcelo observou também que, ainda que as formas de realizar o aborto variem muito no país, a pesquisa indicou que “o método dominante é o uso do medicamento abortivo Cytotec, proibido no Brasil”.

Outro importante resultado da pesquisa, segundo o professor, é que ela já se desdobrou em diversos outros artigos que abordam o tema, ainda controverso no Brasil, onde o aborto é considerado crime contra a vida.  “O tema ainda é polêmico e precisa ser aprofundado para alcançar novas políticas que lidem com o aborto como um problema de saúde pública”, concluiu Marcelo, ressaltando que o país não tem de seguir modelos externos: “O Brasil precisa descobrir seu próprio caminho, de acordo com suas particularidades”.

 

Daiane Souza/UnB Agência 

 

ESTUDANTES - Para o professor Medeiros, o prêmio recebido na segunda-feira é especialmente importante para a UnB, porque, antes de ir a campo, 25 alunas da Universidade integraram a grande equipe que a realizou: “Sem a ajuda delas, não teríamos conseguido”, disse, reiterando que o reconhecimento “é delas também”. “Isso é sinal de que os alunos têm muito a contribuir para a pesquisa, até mesmo quando o estudo envolve pesquisadores sênior”, disse, afirmando que “aprendemos muito com as estudantes que trabalharam conosco”.

A pesquisa avaliou populações urbanas com rigor científico pioneiro para o tema, utilizando técnicas de urna, que garantem a precisão dos dados e o sigilo das entrevistadas, usadas “para abordar assuntos controversos como este”, segundo o professor Marcelo Medeiros.  De acordo com o professor, o formulário da pesquisa continha cinco perguntas básicas. Preenchidos, os formulários eram colocadas numa urna, garantindo o absoluto sigilo das entrevistadas e, assim, a veracidade das respostas.

PRÊMIO – A antropóloga Debora Diniz é professora do Departamento de Serviço Social da UnB e pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis). O sociólogo e economista Marcelo Medeiros, marido de Debora, é professor do Departamento de Sociologia da UnB e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Criado em 1990, o Fred L. Soper Award for Excellence in Health Literature é o maior prêmio para pesquisa em saúde pública do continente americano. Leva o nome de Fred L. Soper, médico norte-americano que dedicou a carreira à pesquisa em saúde pública e foi uma peça-chave na constituição da Organização Mundial de Saúde (OMS).

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Pesquisa reacende debate sobre descriminalização do aborto

31/05/2010

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3404

Estudo da UnB revela pela primeira vez quantas e quem são as mulheres que interrompem a própria gravidez no Brasil. Elas somam cerca de 5 milhões, sendo que a maioria é casada, tem filhos e religião


Ana Lúcia Moura e Juliana Braga - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Ela não tinha rosto, não tinha casa, não tinha crenças nem lugar na sociedade. A mulher que aborta no Brasil era uma sombra. Não se sabia quem era, onde estava e o que pensava. Desconhecida, e tratada pela lei como criminosa, era apontada quase sempre como uma mulher sem sentimentos por rejeitar a maternidade.

Pesquisa da Universidade de Brasília, em parceria com o Instituto de Bioética e financiada pelo Fundo Nacional de Saúde, revelou a face da brasileira que interrompe a gravidez. Ela é casada, tem filhos, religião e pertence a todas as classes sociais. O estudo também conferiu precisão ao que eram apenas estimativas. As mulheres que abortam são muitas.

Das 2.002 entrevistadas no estudo, de 18 a 39 anos, 15% declararam que já fizeram pelo menos um aborto. Projetado sobre a população feminina do país nessa faixa etária, que é de 35,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse número representaria 5,3 milhões de mulheres. Até então, as estatísticas disponíveis sobre aborto no Brasil eram as relacionadas a curetagens feitas nos hospitais, uma média de 220 mil nos últimos sete anos.

Colocados os números e conhecidas as mulheres, a questão é o que fazer com elas. O Código Penal prevê pena de detenção de um a três anos para a gestante que provoca o aborto. E reclusão de um a quatro anos para quem faz o aborto com o consentimento da mulher grávida. A prática só não é crime quando representa risco de vida à gestante e quando decorre de estupro. “O Estado vai mesmo colocar 5 milhões de mulheres na cadeia?”, indaga o professor Marcelo Medeiros, do Departamento de Sociologia da UnB e um dos autores da pesquisa.

As opiniões são divergentes. O Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República defendem que o aborto deve ser tratado como um caso de saúde pública. O principal argumento é o de que milhares de mulheres morreram em consequência da prática e outros milhares procuram os hospitais com complicações. A própria pesquisa mostrou que 55% das mulheres que abortaram ficaram internadas.

A coordenadora da Área de Saúde e Poder da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Elizabeth Saar, defende a descriminalização como único caminho. “O assunto tem de sair das páginas policiais e ir para as páginas sociais e de saúde. O Brasil tem de assumir o compromisso de revisar a lei”, defende.

BOLSA-ESTUPRO - Os projetos de lei que tratam do assunto, entretanto, são dos mais polêmicos do Congresso Nacional e, por isso mesmo, não saem do lugar. O mais recente é o PL 478/2007, o Estatuto do Nascituro. A proposição garante proteção jurídica aos embriões e propõe que as mulheres que engravidaram em consequência de estupro recebam um benefício em dinheiro, daí a razão para projeto ter ficado conhecido como bolsa-estupro. “O projeto discrimina a mulher e representa um retrocesso”, afirma a professora da UnB, Débora Diniz, coordenadora da pesquisa.

Durante a discussão da proposição na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, parlamentares quiseram retirar da lei as situações em que o aborto é permitido, mas a tentativa fracassou. “O número alto de abortos não significa que ele deve ser descriminalizado. Mais de 50 mil pessoas por ano morrem vítimas de violência. Vamos legalizar o assassinato porque muitas pessoas matam”, questiona um dos autores do projeto, o deputado José Miguel Martini (PHS-MG).

Ele defende que as mulheres que optam pelo aborto por falta de informação sejam apoiadas pelo Estado, mas aquelas que, mesmo informadas, o praticam, devem ser punidas. “Uma mulher informada hoje só engravida se quiser. Ela tem de assumir a responsabilidade dos seus atos”, afirma. “Ao mesmo tempo, é papel do Estado oferecer apoio às mulheres que optam por essa alternativa por falta de informação”, acredita. O apoio, na opinião dele, é a oferta de condições para que a mulher evite uma gravidez indesejada e, uma vez grávida, possa fazer um pré-natal, manter seu filho em segurança e até receber assistência psicológica, caso seja necessário.

A prevenção é a política adotada pelo Ministério da Saúde. “A pesquisa mostra que estamos no caminho certo ao ampliar a oferta de métodos contraceptivos no sistema único de saúde”, afirma o assessor especial do ministério, Adson França.

ANENCÉFALOS - Se no Legislativo o debate não avança, o assunto ganha espaço no Judiciário. O Supremo Tribunal Federal prometeu julgar a permissão do aborto no caso de fetos anencéfalos até o final do ano. Apesar de não virar lei, a decisão cria jurisprudência sobre o assunto. Ou seja, gera uma orientação para processos sobre o tema em todas as instâncias do judiciário. "A via mais fácil ainda é a judiciária. Se a decisão do Supremo for favorável ao aborto de anencéfalos, ainda que a mulher precise recorrer à justiça, a liminar sairia entre 24 horas e 15 dias após o pedido", explica a advogada Margarida Pressburguer, da seção do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil.

O assessor da Comissão para Vida e Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Bento, acredita que os dados servem para mostrar a realidade e fomentar um debate mais esclarecido sobre o aborto. Dentre as mulheres ouvidas na pesquisa, 80% tem religião. “Esses dados levam a nós, religiosos, a encontrar novos métodos, novas estratégias e novo ardor para tratar o tema. Mostra que alguma coisa não está bem. A nossa mensagem não está chegando aos corações do homem e da mulher moderna”, explica.

Ele enfatiza que a Igreja não é contra o aborto e sim a favor da vida. “A vida é um dom, não é minha. Como posso dizer que a vida da mãe é mais importante que a de seu filho? Não cabe a nós decidir”, explica. Segundo ele, a ideia da CNBB é intensificar as campanhas de valorização da vida nas escolas e insistir na “educação para o amor”. Ele conta que em suas campanhas trabalha a mensagem de que o casal, na relação sexual, deve estar sempre aberto, preparado, para a possibilidade de ter filhos.

MULHER COMUM – Dentre o total de mulheres que declararam na pesquisa já terem feito pelo menos um aborto, 64% são casadas e 81% são mães. “A mulher que aborta é uma de nós. Ela é a sua irmã, ela é a sua vizinha, ela é a sua filha ou a sua mãe”, define Débora Diniz. A classe social não interfere na decisão. Do total de mulheres que abortaram, 23% ganham até um salário mínimo, 31% de um a dois, 35% de dois a cinco e 11% recebem mais de cinco. “Pobres e ricas, todas abortam”, afirma a professora.

O levantamento é o maior sobre o assunto no Brasil. Antes, os dados que se dispunham eram imprecisos e coletados somente quando as mulheres tinham alguma complicação e procuravam os hospitais públicos. A elaboração da pesquisa foi antecedida de um amplo levantamento de toda a bibliografia científica sobre o aborto. Depois, foram elaborados os questionários, testados previamente por estudantes da UnB e revisados por quase 20 especialistas de toda a América Latina. “O trabalho envolveu toda a universidade e muitos dos grandes estudiosos do assunto”, explica Marcelo Menezes.

As entrevistas definitivas foram feitas pela Agência Ibope Inteligência, para garantir a imparcialidade do estudo. O método foi responder as perguntas de próprio punho e depositar em uma urna. “Só conseguimos porque garantimos a elas o sigilo”, resume Marcelo. A pesquisa já foi publicada na Revista Ciência & Saúde Coletiva, editada pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva/Abrasco.

 

Marcelo/UnB Agência 

 

 

 

"Mineira" Dilma veta royalties do minério:

 

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2012/09/19/interna_politica,318300/dilma-veta-r-300-milhoes-em-royalties-para-minas.shtml

 

Recomendo a leitura do link abaixo. Revela o que muitos colunistas e jornalistas sabem mas, não escreram ainda sobre o assunto. Se concordarem ou não, deixem a opinião:

http://blogdobriguilino.blogspot.com.br/2012/09/julgamento-de-excecao-fa...

 

Jogo de adivinhação Akinator censura Lula para crianças. Utilizei idade de 14 anos e a mensagem que aparece é esta:"Eu sei o que você está pensando, mas eu acredito que as crianças não devem jogá-lo." Isto pode? Sendo que outros personagens como Hitler e Bin Laden não são censurados.

O medo de Lula chega a ser ridículo. É tanto, que pretensamente pretendem apagá-lo da história.

 

Em ato de apoio a Serra, FHC diz que País vive momento para 'recuperação moral'Ex-presidente e candidato tucano se reuniram para ato com intelectuais na capital paulista::.

.::Bruna Carvalho - iG São Paulo | 18/09/2012 18:12:29 - Atualizada às 18/09/2012 18:13:01

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu na tarde desta terça-feira em uma das salas do cinema Reserva Cultural, localizado na Avenida Paulista, lideranças do PSDB, artistas e intelectuais em apoio à candidatura de José Serra na capital paulista. Entre os nomes, destacavam-se o reitor da USP, João Grandino Rodas, o vereador e cantor Agnaldo Timóteo, os atores Odilon Wagner, Beatriz Segal, Bruna Lombardi e Patricia de Sabrit. Também estavam na plateia o sociólogo José de Souza Martins, o maestro Júlio Medaglia, o cineasta Hector Babenco, entre outros.

Leia também: Em nota, oposição pede explicações a Lula sobre mensalão

Com os convidados entrando na sala ao som do jingle da campanha, inspirada na canção sertaneja Eu quero tchu, eu quero tchá , o evento contou com discursos bem humorados do ex-presidente e do candidato. O tom de palanque, pedindo votos e mobilização, foi usado nos dois pronunciamentos.

Saiba mais:  Serra tira satisfação com Haddad no intervalo de debate na TV

Fernando Henrique, que falou antes de Serra, ressaltou que o País vive "um momento de grande densidade histórica" e um "momento para uma recuperação moral". FHC deu destaque para a biografia do candidato tucano, relatando sobre seu exílio no Chile, na época em que Serra era um "jovem de olhos esbugalhados", nas palavras do ex-presidente. "Ele se dá bem com as crianças", afirmou.

AEFernando Henrique Cardoso abraça o candidato tucano José Serra em evento no Reserva Cultural, na Avenida Paulista [simpático o Serra...]

"Precisamos ganhar a eleição. E pra ganhar a eleição, temos que sair do casulo, temos que batalhar e batalhar bastante", disse Serra. "Temos que alimentar a onda eleitoral."

Admitindo novamente que o temor do paulistano em que ele renuncie ao mandato apresenta um "obstáculo" na sua campanha, Serra fez críticas duras ao PT, citando o julgamento do mensalão e a troca no Ministério da Cultura, com a entrada de Marta Suplicy (PT-SP). "Nós estamos vivendo em uma outra era. Esse julgamento que está no STF mostrando isso e aquilo é uma mudança no Brasil. É o começo do fim. É o começo do começo do fim da impunidade do Brasil", afirmou, recebendo aplausos da plateia.

"( A presidenta Dilma Rousseff ) pode fazer a campanha que quiser na televisão, etc. Agora, trocar a ministra para fazer com que a ministra que vai apoie o candidato do mesmo partido em São Paulo, em matéria de patrimonialismo, é um ponto máximo", acrescentou o candidato, dizendo também que "o PT reviveu o que o Brasil tinha de pior nessa matéria de patrimonialismo". "O PT é o bolchevismo sem utopia", completou.

A atriz Beatriz Segal tomou a palavra logo depois do ex-presidente, dizendo, da plateia, que "depois dessas palavras, o Serra sai eleito". O ex-chanceler Celso Lafer atribuiu ao tucano a qualidade de "alargar o campo do possível", enquanto Julio Medaglia disse que Serra "é a maior inteligência política do Brasil". Bruna Lombardi, ao tomar a palavra, discordou do maestro: "Nós estamos no meio de grandes inteligências neste País".

Com menos destaque que os demais, e sem ser anunciada pelo microfone como os outros, a ex-participante da primeira edição do reality show Big Brother Brasil Alessandra Begliomini, conhecida como Leka, ficou todo o tempo do discurso parada em pé, na lateral do palco.

Batendo palmas efusivas a cada final de pronunciamento, a atriz contou que havia sido convidada para o evento pela coordenadoria de campanha de Serra. "Eu já acompanho o Serra há muitos anos", afirmou ao iG Leka, que usava no vestido um adesivo da campanha.

Após o discurso de FHC, foi lido o manifesto dos intelectuais em apoio ao candidato tucano. "A cidade de São Paulo vai escolher nestas eleições um de dois caminhos: o da inovação, que tem a seu favor a experiência e exemplos concretos de mãos limpas, ou o das ideias velhas, mirabolantes e ultrapassadas, somadas à inexperiência e a aventuras", diz o texto.

 

"Seja realista: exija o impossível"

Vejam a manchete, essa sim, degradante e depois o texto, inclusive a decisão do juiz

 

 

19/09/2012 - 06h00Haddad diz que é degradante ser ligado a Dirceu e Delúbio

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DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

A campanha de Fernando Haddad (PT), candidato à Prefeitura de São Paulo, declarou à Justiça Eleitoral ser "manifestamente degradante" para ele ser associado aos colegas de partido José Dirceu e Delúbio Soares e ao deputado federal Paulo Maluf (PP), que integra sua chapa.

Dirceu e Delúbio encabeçam a lista de réus políticos do processo do mensalão. Maluf responde a ações por desvio de recursos públicos.

A declaração foi feita para justificar ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) um pedido para que a corte proibisse a exibição de uma propaganda produzida pela campanha de José Serra (PSDB), seu rival.

A peça tucana vincula o petista aos três personagens.

Nela, Haddad aparece ao lado de fotos de Dirceu, Delúbio e Maluf. "Sabe o que acontece quando você vota no PT? Você vota, ele volta", repete o narrador a cada personagem exibido.

"A publicidade é manifestamente degradante porque promove uma indevida associação entre Fernando Haddad e pessoas envolvidas em processos criminais e ações de improbidade administrativa", afirmam os advogados do petista, Hélio Silveira e Marcelo Andrade.

Na ação, a campanha ressalta que Haddad não é réu do mensalão.

"Haddad não é réu naquela ação penal originária do Supremo. (...) Não pode por isso ter sua imagem conspurcada por episódios que são totalmente estranhos à sua esfera de responsabilidade."

O texto diz ainda que "sempre que teve poder de nomeação", quando era ministro, Haddad "nunca nomeou Delúbio, Maluf ou Dirceu".

"Se tais pessoas jamais foram nomeadas por Fernando Haddad, o que sobra então a intenção dessa propaganda? Sobra a intenção de degradar através da associação da imagem do candidato às pessoas que surgem na tela."

Os advogados de Haddad indagam se "seria correto" "pela simples razão da coincidência de filiações partidárias" transportar para José Serra a "carga pejorativa que existe em torno do nome de Marconi Perillo", em referência a suspeitas que ligam o nome do governador tucano de Goiás ao escândalo envolvendo Carlos Cachoeira.

A Justiça negou o pedido do PT. O juiz Manoel Luiz Ribeiro afirma que "não se há que falar em degradação e ridicularização quando se estabelece a ligação entre o candidato e outros filiados a seu partido ou a partido coligado, ligação esta de conhecimento público e notório".

"Da mesma forma que um candidato pode ser beneficiado pelo apoio de correligionários bem avaliados pela população, pode ele ser prejudicado pela associação feita a políticos não tão bem avaliados", conclui o juiz.

Os principais fiadores da campanha de Haddad são o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff e a ex-prefeita Marta Suplicy.

Procurado, o advogado de Haddad, Hélio Silveira, disse que, "de maneira alguma" tratou como degradantes os personagens citados na ação.

"Degradante é a forma feita pela campanha de Serra, o modo como ele usou as imagens para vincular Haddad ao processo do mensalão e outras denúncias", afirmou.

Ontem, na tentativa de atacar Serra e se defender da associação ao mensalão, Haddad, disse que "sabe montar equipe" porque nenhum colaborador de sua gestão no Ministério da Educação responde a processos.

"Meus colaboradores, ao contrário dos dele [Serra], não estão respondendo a processo de improbidade", disse, se referindo a ações contra secretários de Gilberto Kassab, sucessor do tucano.

Colaborou LUIZA BANDEIRA, de São Paulo.

 

 

José Antônio

Mentira foi legalizada no Brasil.

 

É uma longa história aquela do Marcos Valério.

Fez estágio no Banco Central, durante o governo FHC.

Foi "estagiário" do Pimenta da Veiga (tucano de MG) em Brasília, aprendendo o plano.

Voltou a Minas e fez "sociedade" com empresas de publicidade, oferecendo o negócio do ano: repassar verbas de grandes empresas para partidos políticos, fantasiadas de publicidade.

Bancou a campanha de Azeredo em Minas, que foi a Planta Piloto deste novo esquema.

Virgílio Guimarães (PT, MG) achou que descobriu a povoa com esse esquema e, da mesma forma que posteriormente os chamados "aloprados" da candidatura Mercadante caíram em armadilha do Serra (dossiê falso), o Virgílio foi o aloprado que levou o esquema de Valério ao PT que, em princípio pareceu ótimo, pois se tratava de uma coisa normal - Caixa 2 de empresas - apenas que, depois de passado o tempo, mostrou-se que isso era uma armadilha.

 

NOTA DO PT SOBRE A CONJUNTURA

Eleições 2012 - Comissão esteve reunida na segunda-feira (17), em São Paulo

A Comissão Executiva Nacional do PT, reunida no dia 17 de setembro, avaliou a conjuntura internacional e nacional, em especial a situação eleitoral, aprovando ao final a seguinte nota:

1.O PT apóia as medidas adotadas pela presidenta Dilma e pelo governo brasileiro, em defesa da economia popular e dos interesses nacionais. Estas medidas –entre as quais se destaca a redução da taxa de juros e das tarifas de energia elétrica— já se demonstraram essenciais para proteger o Brasil dos impactos da crise internacional, que continua se agravando.

2.A vitória do PT nas eleições municipais de 2012 deve ser vista nesta mesma perspectiva: trata-se de fortalecer nosso projeto nacional, de um Brasil soberano, politicamente democrático e socialmente justo.

3.Tendo isto em vista, a Comissão Executiva Nacional do PT convoca a militância petista, nossos filiados e filiadas, nossos simpatizantes e eleitores, nossos parlamentares e governantes, para uma batalha do tamanho do Brasil: em cada cidade, pequena, média ou grande, trata-se de obter grandes votações, elegendo vereadores e vereadoras, prefeitos e prefeitas. E fazendo a defesa de nosso Partido, do ex Presidente Lula, de nossos mandatos e lideranças, bem como do legado dos nossos governos, que melhoraram as condições de vida e fortaleceram a dignidade do povo brasileiro.

4.A mobilização geral de nossa força militante é a condição fundamental para nosso sucesso nos dias 7 e 28 de outubro. Pois é a militância consciente quem desfaz as mentiras, demarca o campo, afirma nosso projeto, reúne nossas bases e alianças, construindo vitórias não apenas eleitorais mas também políticas.

5.Em cada bairro, em cada escola, em cada empresa, em cada movimento social, nas redes sociais, a militância petista - com nossa estrela e bandeiras - está chamada a mais uma vez cumprir seu papel histórico, de arquiteta e alicerce das grandes mudanças no Brasil. 

 

Viomundo

  Putin fecha a USAid em Moscou

publicado em 19 de setembro de 2012 às 1:57

 

USAid expulsa de Moscou enquanto a repressão de Putin aos protestos continua

Agência norte-americana de desenvolvimento internacional tem até primeiro de outubro para fechar escritório em Moscou

Miriam Elder em Moscou e Chris McGreal em Washington

No diário britânico guardian.co.uk, Tuesday 18 September 2012 21.43 BST

A Rússia deu ordens à agência-chave dos Estados Unidos para que encerre suas operações, no momento em que Vladimir Putin continua sua repressão ao movimento de protesto e alega que ele é orquestrado pelo Departamento de Estado

O governo russo deu à USAid até primeiro de outubro para fechar seu escritório em Moscou. “A presença física da USAid em Moscou vai acabar, mas manteremos nosso compromisso de apoiar a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento de uma sociedade civil robusta na Rússia”, disse a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland.

A medida parece ser o mais recente salvo nas tentativas do Kremlin de apertar um movimento de protesto nascido das tentativas da sociedade de civil de denunciar os crescentes abusos do governo. Além de financiar projetos de saúde e de meio ambiente, a USAid foca em apoiar grupos que promovem a democracia e os direitos humanos na Rússia.

“Lamentamos esta decisão do governo russo”, uma autoridade sênior do governo Obama disse. “Lamentamos o fato de que não seremos capazes de fazer um trabalho do qual nos orgulhamos. É um dia difícil”.

Putin, que retornou à presidência em maio em meio a um movimento de protesto sem precendentes contra ele, reservou desprezo particular para a Golos, uma organização de monitoramento de eleições que recebe boa parte de seu orçamento da USAid. O grupo destacou as violações eleitorais nas eleições parlamentares de dezembro, ajudando a levar dezenas de milhares de pessoas às ruas quando seus relatos e vídeos sobre fraudes se tornaram virais no You Tube e nas redes sociais.

A autoridade do governo [Obama] se mostrou desafiadora quanto ao financiamento da sociedade civil na Rússia, dizendo que a ordem para fechamento da agência “não significa que mudamos nossa política de dar apoio aos tipos de atores apoiados pela USAid”.

“Nas próximas semanas e meses, o governo Obama vai procurar formas de fazer avançar nossos objetivos políticos com novos meios”, a autoridade disse.

A situação pode se acabar lembrando a disputa envolvendo o British Council, que foi forçado a fechar seus escritórios em Moscou em 2007 quando as relações se deterioraram depois do assassinato em Londres do dissidente Alexander Litvinenko.

Cerca de 60% do orçamento de 50 milhões de dólares de 2012 foi para grupos que promovem a democracia e os direitos humanos — um grande aumento em relação à era Bush. A agência abriu seu escritório em Moscou depois do colapso da União Soviética.

Emtre as 57 organizações que recebem financiamento da USAid na Rússia estão a ong de direitos humanos Memorial e o grupo anti-corrupção Transparência Internacional.

Estes grupos já estão sob cerco. O Parlamento russo aprovou uma lei neste verão que exige que todas as organizações não-governamentais que recebem financiamento estrangeiro se identifiquem como “agentes estrangeiros” em todas as publicações e sites e fiquem sob escrutínio financeiro extra.

Embora rumores de que o Kremlin estivesse pressionando a USAid fossem antigos, a forma do governo Putin informar Washington foi repentina. Sergei Lavrov, o ministro russo das relações Exteriores, primeiro informou Hillary Clinton, a secretária de Estado, da decisão planejada durante uma cúpula econômica em Vladivostok no início deste mês. A nota oficial do ministério foi divulgada em 12 de setembro.

Os 13 diplomatas da USAid devem deixar o país. O destino dos 60 empregados locais permanece incerto.

Autoridades de Washington atribuem a medida a uma contínua guerra de atrito de Moscou contra grupos que pedem mais democracia.Dizem que está claro faz algum tempo que o governo russo está irritado com o apoio da USAid a um grupo de organizações pró-democracia, da sociedade civil e de defesa dos direitos humanos.

Putin tem usado estereótipos da Guerra Fria e teorias da conspiração sobre o envolvimento dos Estados Unidos na Primavera Árabe para culpar os Estados Unidos por encorajar o movimento de oposição na Rússia. As relações mergulharam em baixa depois da posição desafiadora da Rússia contra pressões [dos Estados Unidos] sobre o governo sírio de Bashar al-Assad.

Nota do Viomundo: Quanto o governo russo investe no financiamento da oposição a Barack Obama nos Estados Unidos? Quanto a USAid investe “promovendo” a democracia na Arábia Saudita? E no Bahrain?

http://www.viomundo.com.br/denuncias/putin-fecha-a-usaid-em-moscou.html

 

Da Folha on line.


18/09/2012 - 23h24


Garota que narra problemas de escola na internet é acusada de calúnia

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DANIEL CARVALHO
DE SÃO PAULO



A estudante Isadora Faber, 13, que criou um diário virtual para contar os problemas de sua escola, em Florianópolis, teve que ir à delegacia nesta terça-feira para prestar depoimento, acompanhada de seu pai.


Escola terá reforma após queixa em rede social
Garota narra problemas de escola em diário na internet


Uma de suas professoras citadas na página no Facebook registrou boletim de ocorrência acusando a aluna da 7ª série de calúnia e difamação.


"Nunca tinha entrado numa delegacia antes, mas lá dentro todos me trataram muito bem", escreveu a jovem na página "Diário de Classe".


Segundo a mãe de Isadora, a produtora de vídeos Mel Faber, 45, a professora de português incomodou-se com um comentário feito no dia 24 de agosto.


"Hoje a professora de português Queila, preparou uma aula pra me 'humilhar' na frente dos meus colegas [...] Confesso que fiquei muito triste", escreveu Isadora à época.


A mãe da aluna disse que a professora já havia conversado com Isadora e o assunto estava encerrado. A família surpreendeu-se quando recebeu a intimação ontem.


"Ela ficou um pouco assustada (quando foi intimada), mas voltou bem contente. Foi muito bem tratada e falou o que tinha feito", disse Mel à Folha.


A reportagem tentou falar com a diretora da escola municipal Maria Tomázia Coelho, no fim da noite de ontem, mas não conseguiu contatá-la.

 

Empreiteiras lideram ranking de doação privada

 

Construtora Andrade Gutierrez é a que mais doou: R$ 23 milhões para direções de 14 partidos; OAS foi a segunda maior financiadora

Seis dos dez maiores doadores privados para campanhas de prefeitos e vereadores em todo o País são empreiteiras. A líder do ranking é a Construtora Andrade Gutierrez, de acordo com levantamento do Estadão Dados a partir da segunda prestação de contas parcial, referente ao período até o início de setembro. Além dos repasses diretos para os candidatos, foram consideradas as doações para comitês eleitorais e partidos, as chamadas doações ocultas.

Veja também:
link Doações ocultas impedem rastreamento do dinheiro, diz juiz eleitoral

A Andrade Gutierrez doou pouco mais de R$ 23 milhões. Todo o recurso foi para as direções de 14 partidos. Nenhum repasse foi feito diretamente para os candidatos. Dessa forma, não é possível saber exatamente quem foi beneficiado pelas doações da construtora. O governista PMDB e o oposicionista PSDB, juntos, receberam mais da metade dos recursos da Andrade Gutierrez. O PT ficou com apenas 6% do total.

A segunda colocada no ranking de financiadores foi a OAS, também do setor de construção civil, que doou R$ 21 milhões. Nesse caso, 76% dos recursos foram para doações ocultas, e 24% destinados para campanhas de candidatos específicos. Nos repasses da OAS feitos diretamente para candidatos, os petistas se destacam. Da lista de 18 beneficiados, 13 são do partido da presidente Dilma Rousseff. O que recebeu o maior quinhão foi Fernando Haddad, candidato à Prefeitura de São Paulo, com R$ 1 milhão. O tucano José Serra (PSDB), adversário de Haddad, ficou com R$ 750 mil.

Obras públicas. Levando-se em conta o total de doações da empresa - para candidatos, comitês e partidos -, o PT também ficou em primeiro lugar, com 36%. A seguir vieram o PMDB, com 23%, e o PSDB, com 11%. Nos repasses da OAS para comitês, o Comitê Financeiro Único do PRB de São Paulo, partido de Celso Russomanno, recebeu R$ 500 mil.

Andrade Gutierrez e OAS têm nos contratos com o setor público a principal fonte de suas receitas. A primeira, por exemplo, atua na construção de hidrelétricas, implantação de linhas do programa Luz Para Todos e reformas de aeroportos, entre outros. A segunda lista entre suas principais obras a intervenção urbanística nas favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, um projeto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), impulsionado principalmente pelo governo federal.

Top 10. No grupo dos dez maiores doadores privados, as empreiteiras são responsáveis por 75% do valor doado. Além da Andrade Gutierrez e da OAS, aparecem na lista Queiroz Galvão, Carioca Christiani Nielsen, UTC, WTorre. Completam o ranking dois bancos (Alvorada, controlado pelo Bradesco, e BMG), um frigorífico (JBS) e uma empresa de importação e exportação (Coimbra).

No total, as dez empresas alimentaram campanhas com R$ 92 milhões até o começo deste mês. Desse valor, apenas 14% foi encaminhado diretamente para as contas de candidatos, e o restante para comitês e partidos, que atuam como intermediários e impedem que se conheça as ligações entre financiadores e financiados.

A prevalência de doações ocultas entre os dez maiores financiadores de campanha não se repete entre o total de doadores. Até agora, 436 mil empresas e pessoas físicas fizeram doações, no valor total de R$ 1,3 bilhão. Cerca de três quartos deste valor foi repassado diretamente para os candidatos. Os comitês eleitorais receberam 12% e os partidos 14%, respectivamente.

Até as eleições, o TSE não vai divulgar dados adicionais da prestação de contas, já que a legislação prevê apenas a publicação de duas parciais. "E as doações que vão acontecer na reta final da campanha, que podem ser as maiores? Os eleitores não vão saber", comenta o juiz eleitoral Márlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. "A doação feita por vias eletrônicas para o candidato e publicadas em tempo real na internet poderiam permitir que as pessoas soubessem para onde vai o dinheiro".

Procurada pelo Estado, a Construtora Andrade Gutierrez afirmou que "sua participação no processo eleitoral é realizada de forma oficial, de acordo com as regras da legislação brasileira e do TSE". O Estado não obteve resposta da OAS e do Banco BMG. O Bradesco disse que não comentaria o assunto.

http://www.estadao.com.br/noticias/politica,empreiteiras-lideram-ranking...

 

Essas pessoas na sala de jantar…

Da Carta Capital

As portas se abriram e uma luz incômoda invadiu a sala. Os créditos se esgotavam na tela e ainda assim demorou um bom tempo para alguém finalmente tomar a iniciativa de se levantar, colocar o pé fora da sessão e retomar a rotina. Como? Nos últimos 82 minutos, assistíamos à exposição de um Brasil que conhecíamos pelos livros, pelos relatos, por flashes, músicas e memórias. Um Brasil que, após Tropicália, filme de Marcelo Machado, parecia ganhar um rosto menos disforme.

 

Cartaz do filme “Tropicália”

Imagens raras, músicas um tanto esquecidas, relatos antigos e atuais se uniam para contar a história de um movimento que ainda hoje é difícil definir – mesmo em 82 minutos. Já o era à época, a se observar a declaração de Glauber Rocha, cabelos despenteados e camisa desabotoada, que reclamava estar de saco cheio “desse papo de Tropicalismo”. A dica estava dada: passados 45 anos, para que repetir a mesma pergunta que vem sendo feita e, em certa medida, respondida nos muitos livros e documentários surgidos desde que o movimento eclodiu nos já distantes anos 60?

Pois foi mais ou menos isso o que fez o diretor Marcelo Machado ao colocar na boca dos artistas daquele tempo uma pretensa explicação num pretenso resumo de ópera. Se a ideia foi mesmo essa, a convergência de um período único, uma síntese possível de um País possível, é de toda forma bem conduzida do início ao fim pela junção de análises ainda frescas da época com falas históricas de personagens como Helio Oiticica, José Celso Martinez Correa, Rogério Duarte, Rogério Duprat e o próprio Glauber Rocha.

Porque as influências eram muitas e vinham de todos os lados: da Bahia, do Recife, da bossa nova, de Roberto Carlos, do cinema novo, das artes plásticas, do teatro e de Oswald de Andrade. Essa convergência é revisitada por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Rita Lee, os irmãos Arnaldo Batista e Sergio Dias dos dias de hoje. São os mesmos olhos sobre os mesmos fatos? Definitivamente não. Tanto que alguma coisa parecia travar os espectadores à saída do cinema. Possivelmente um pensamento em comum: “a pergunta não é mais ‘o que foi o tropicalismo’, mas sim ‘o que é o tropicalismo’”.

A espera por uma ponte para além dos artistas e sua compreensão do período talvez explicasse a postura inerte dos espectadores daquela sala ao fim do documentário. Como se ainda esperássemos uma continuação, uma prorrogação sobre um tempo que hoje parece disperso ou sem efeito fora dos palcos. Em outras palavras: como, depois de tudo isso, conseguimos ficar tão covardes, reacionários e conformados?

Em 82 minutos de filme foi possível entender e sentir um pouco mais aquele movimento de experimentação, um grito de liberdade, uma proposta de postura dilacerada por um período sombrio, de censura, de covardia, de incompreensão. Num dos pontos altos do filme, Tom Zé (dos dias de hoje) mostra o desenho (literalmente) daquele contexto. Como um modelo matemático numa prancheta, mostra na tela as variantes e variáveis do movimento e o localiza numa lógica perversa. Tudo para concluir mais ou menos assim: “a gente queria que a juventude pensasse. E numa ditadura é proibido pensar”.

Nada mais simbólico. É como se dissesse: “vou desenhar para vocês, os jovens de hoje. Porque vocês não estão entendendo nada”. Porque a ditadura conseguiu o que queria (grifo do autor). Em outra cena, durante um programa de tevê, os Mutantes são apresentados como uma resposta, uma reação à projeção de vida adulta desenhada antes que a juventude dos anos 60 nascesse. E entram no estúdio cantando Panis et Circenses. Pois 45 anos depois quem quiser plantar folhas de sonhos no jardim do solar vai esbarrar não mais com cassetetes. Não mais com a censura. Não mais com os atos institucionais. Mas com as mesmas, com as velhas pessoas da sala de jantar ocupadas em nascer e morrer.

No fim dos anos 60, quando tentavam dialogar sobre o que queriam com o movimento (talvez simplesmente pedir que as pessoas da sala de jantar se ocupassem com outros sonhos além de nascer e morrer), Caetano e Gil tomavam pedradas de todos os lados. Não só dos “velhotes inimigos que morreram ontem”. Mas de estudantes. De pessoas da mesma idade, em plena FAU-USP. Porque até mesmo os festivais, hoje lembrados como “exemplos de um tempo bom”, eram terrenos propícios ao maniqueísmo, da expressão de verdadeiras torcidas organizadas que tomavam posição conforme a cor da camisa. Algo como “se tem guitarra sou a favor (ou contra)”. E só. A superficialidade era tão inimiga quanto os cassetetes, e já descabelava Caetano desde o tempo em que gritava ao público: “Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos…”

Bingo. O desapontamento com a superficialidade daquelas reações diante do novo, e a perpetuação delas, é flagrante sobretudo na exposição de Gil. Porque, passado o momento mais tenso da história recente, o Brasil segue na mesma sala de jantar. Basta lembrar da nossa capacidade de mobilização: só saímos às ruas para reivindicar aumento salarial (portanto, quando dói no bolso). Ou quando queremos demonstrar nossa indignação com mecanismos que não compreendemos, como a corrupção (e saímos às ruas com narizes de palhaço, gritando meia dúzia de chavões, e voltando para casa a tempo de assistir a novela). Este Brasil de hoje, em que a juventude – desgraçadamente a maioria esmagadora da juventude – se diz vítima de “ditaduras gays” e se diz saudosa da sobriedade de um tempo que não viveu, fatalmente vaiaria da mesma forma se surgissem hoje os mesmos artistas a unir postura, comportamento, voz, violão, violino, guitarra e rebeldia para contrariar o coro dos contentes.

Aquele grito custou anos de exílio para Caetano e Gil. O País que os desprezava também os cuspia. Foi já naquele tempo sombrio que Caetano decretaria o fim do tropicalismo, durante uma apresentação num programa de tevê em Portugal. “Modéstia à parte, influenciamos muita gente nova. Mas não temos responsabilidade alguma sobre este movimento porque ele acabou”. Aonde foi dar essa influência? É essa ponte que o filme não ousa atravessar.

http://www.cartacapital.com.br/cultura/essas-pessoas-na-sala-de-jantar/

 

'Tenho o direito de contar a minha vida', diz Salman Rushdie


FABIO VICTOR

ENVIADO ESPECIAL A LONDRES, na Folha

 

Esparramado numa poltrona, os pés repousados na mesinha de centro do escritório de seu agente literário, Salman Rushdie nem parecia o homem que por quase dez anos viveu escondido com a cabeça a prêmio.

Salman Rushdie conta em memórias como é viver condenado
Na vida real do Irã, Rushdie é caso superado
Romance condenado só saiu no Brasil 10 anos depois

Foi desse modo relaxado, mas sempre solícito, que o escritor recebeu a Folha há duas semanas para uma entrevista, a única a um jornal brasileiro, sobre "Joseph Anton".

Na conversa de 53 minutos, Rushdie disse que publicar suas memórias foi como "tirar um peso das costas".

Falou sobre o medo da morte, a relação com os policiais que o protegeram, projetos futuros, futebol e críquete.

 Leticia Moreira/Folhapress O escritor Salman RushdieO escritor Salman Rushdie

*

Folha - Por que o sr. escreveu suas memórias na terceira pessoa, e não na primeira?
Salman Rushdie - Curiosamente, eu comecei tentando escrever na primeira pessoa, mas odiei. Pareceu-me narcicístico [risos]. Não sei por que, pois escrevi romances na primeira pessoa e não tive problemas. Mas de certa forma, nesse livro, eu realmente fiquei inquieto com isso. [Disse] "Não quero escrever assim".

Uma das razões é que eu quis que o livro parecesse romanceado, os personagens e a história foram concebidos como num romance.

Então pensei: vejamos o que acontece se eu me puser de lado e me descrever como se fosse outro dos personagens da história. Assim, a narração mudou da primeira para a terceira pessoa. E bastou um dia escrevendo desse modo para eu ver que era o correto. Foi como uma revelação: "Sim, agora eu sei como escrever o livro".

E, de certo modo, Joseph Anton é outra pessoa...
Isso é apenas um artifício, um nome que tive de inventar. Mas a verdade é que sempre desgostei intensamente desse nome. Detestei ter que criar outro nome, detestei o fato de que os policiais me chamavam de "Joe". Só o usei como título do livro para mostrar às pessoas como esses dias foram estranhos. A ideia de te pedirem para você trocar de nome é algo profundo. Alguém te dizer "você não pode ser mais conhecido por seu nome, terá de mudar de nome". E, para mim, isso também se conecta com o fato de que meu pai inventou o nosso sobrenome [Rushdie é uma homenagem ao filósofo árabe-espanhol Ibn Rushd, ou Averróis, um crítico do literalismo islâmico], então esse é inventado também. Tudo é invenção. Eu me peguei ficcionalizando a mim mesmo.

Não acha que o uso da terceira pessoa pode soar meio arrogante? Pelé, por exemplo, só se refere a si mesmo na terceira pessoa, alegando que é para distinguir o homem, Édson, do jogador e mito, Pelé...
[Risos] Não, acho que a forma falada é diferente. É diferente você se referir a si mesmo na terceira pessoa falando --isso é muito estranho. Mas foi apenas para criar um clima romanesco. Mas acho que, na realidade, após poucas páginas as pessoas se esquecem e passa a ser natural.

O sr. costuma dizer que preferiria que as pessoas soubessem menos sobre sua vida e mais sobre meus livros. Com estas memórias elas saberão bem mais sobre sua vida. Como se sente com isso?
[Risos] É algo que me deixa num grande conflito. Por um lado, eu sempre soube que em algum momento seria necessário escrever esse livro, contar essa história. Aqui estamos, o momento chegou. Mas você está completamente certo, há 20 anos eu luto com esse problema de muita gente me conhecer por causa de um fato jornalístico muito mais do que por minha obra. Sempre achei uma inversão, uma loucura. Preferiria muito mais ser conhecido como autor dos meus livros do que como a pessoa no centro dessa notícia. Mas o que se pode fazer, você não tem como evitar sua vida, e isso me aconteceu, e era uma história que precisava ser escrita, e aqui está ela.

Mas sinto um pouco como se tivesse tirado um peso de minhas costas. Agora que o livro está escrito, penso em não voltar a falar nisso novamente. Uma vez que está tudo ali, se me perguntarem sobre esse período direi, "leia o maldito livro, está tudo lá". Espero que seja uma maneira de demarcar uma linha sobre o passado, de dizer, sim, isso aconteceu, essa é a história do que aconteceu. Agora podemos seguir adiante.

O livro mistura momentos de grande tensão --como o dia em que seu filho Zafar sumiu, que o sr. descreve como o pior dia de sua vida-- com outros muito engraçados --caso da peruca que não deu certo, a meditação com Allen Ginsberg, o beijo na boca que Hugh Grant deu no sr.... Como atingiu isso? O sr. usou fórmulas da ficção para escrever suas memórias?
Não, essas coisas todas aconteceram. Apenas eu tive essa vida louca [risos]. Somente tenho senso de escritor o bastante para saber o que é engraçado e o que é amedrontador, e que é bom misturá-los. Acho que às vezes havia uma espécie de surrealismo cômico no que aconteceu comigo. Há uma descrição sobre a primeira viagem que pude fazer aos EUA epois da "fatwa", quando fui falar na Universidade Columbia, a e polícia americana foi, vamos dizer, excêntrica [risos].

E eles queriam ser discretos...
Pois é. E eles também suspeitaram que minha então namorada, que se tornaria minha mulher, poderia ser perigosa. Eu disse a um oficial de polícia que Elizabeth era legal, gente boa, que era minha namorada. Sabe o que ele me disse: "Se eu quisesse matar você, ela seria exatamente a pessoa que eu escolheria" [risos]. Sim, houve coisas cômicas, num tempo que não era cômico. Mas acho interessane esse contraste --mesmo em meio a esse período escuro, podia haver comédias absurdas.

À exceção do que o sr. chama de "Erro", com maíuscula --a capitulação esboçada no ensaio "Por que Sou Muçulmano"--, o que o sr. teria feito de diferente em relação a hoje?
Sabe, já me fiz muito essa pergunta. Acho que uma das coisas que teria rejeitado seria abandonar minha casa. Naqueles tempos conversei bastante com policiais que me protegiam e eles diziam que literalmente todos que haviam recebido proteção eram protegidos em suas casas. Diziam que não eram treinados para ocultar pessoas, mas para protegê-las. O modo padrão de fazer isso neste país é que você continue em sua casa, e a polícia uniformizada protege a propriedade.

E a divisão especial protege o indivíduo, ou seja, se você se move, deixa a casa, a divisão especial te leva aonde você for. Eu não estava autorizado a voltar para minha casa, e não entendia o motivo. A resposta é: porque assim é mais barato [para a polícia].

Mais barato para eles, não para o sr., que pagou os aluguéis e despesas do próprio bolso...
Sim, mais barato para eles, e muito caro para mim.

E é curioso, porque o sr. se mudou muitas vezes nos primeiros anos... Eu contei 18 lugares diferentes nos três primeiros anos, o sr. já calculou o número exato?
Já calculei, mas agora não me lembro. Nos dois primeiros anos, 1989 e 1990, houve muitas mudanças. Depois disso pude alugar a casa em que fiquei por quase um ano, uns nove meses. E depois eu comprei a casa em que morei por sete anos. Então parou, e foi o momento em que as coisas se estabilizaram e consegui me restabelecer, ficar mais ativo e trabalhar melhor.

 Nabil Ismail - 26.fev.89/France Presse Crianças em Beirute se dizem prontas para matar Salman Rushdie, em 1989Crianças em Beirute se dizem prontas para matar Salman Rushdie, em 1989

A todo instante no livro o sr. reitera que viver escondido é uma humilhação. De algum modo o sr. extraiu também boas coisas dessa experiência?
Foi interessante descobrir que não sou louco. Tudo isso me mostrou que meu vigor mental é bem maior do que eu poderia supor. Uma situação assim pode ser muito prejudicial mentalmente, especialmente se ela se prolonga por uma década. Conversei com outras pessoas que viveram isso... como um juiz britânico que era ameaçado pelo IRA e teve que viver em condições semelhantes, escondido, teve de deixar sua casa etc. No caso dele durou cinco ou seis meses apenas, até que o IRA decidiu que não queria mais matá-lo e ele pôde voltar pra casa. Ele me disse, e ele é mais velho que eu, que foi mentalmente muito perturbador para ele e, mais ainda, para a mulher dele, que também teve de deixar sua casa e ficou absolutamente abalada.

É algo danoso existencialmente ser arrancado à força do lugar onde você vive. E eu fiquei muito desequilibrado por um tempo, mas foi interessante perceber que saí de tudo razoavelmente ileso, o que significa que talvez eu seja mais resistente do que pensava.

E a chave para isso foi o trabalho, como o sr. escreveu?
A chave foram duas coisas: trabalho e um grupo muito leal e próximo de pessoas à minha volta, que deixaram claro que tomariam conta de mim e me ajudariam.

Amigos e policiais...
Sim, a polícia também, mas estou falando sobre amizade.

Salvo engano, o sr. não se refere diretamente ao medo de morrer (o sr. fala num trecho que "havia a questão de saúde e a questão correlata do medo", quando fala de exames médicos a que se submeteu). O sr. não teve medo de ser assassinado?
Não acho que fosse exatamente medo, era mais como depressão. Logo no começo, e descrevo isso no livro, quando ouvi pela primeira vez isso [a sentença de morte], presumi que estaria morto em poucos dias. Se você me perguntasse quantos dias eu achava que viveria, eu provavelmente responderia "menos de dez dias". Essa foi a situação inicial.

Depois disso... Eu tinha 41 anos, e achava muito improvável que chegasse ao meu 42º aniversário. Agora estou com 65, então não fui tão mal...

Mas não se manifesta exatamente como medo, mas como aturdimento, sentimento de desequilíbrio e de incerteza de qual é a melhor maneira de agir, tornou-se muito difícil julgar qual era a ação correta, qual era a errada. Eu ficava muito chateado de ver as pessoas me descrevendo publicamente em termos que me pareciam muito falsos, às vezes ficava com raiva por isso, noutras estressado.

Então havia um turbilhão de coisas dentro de mim, de que eu me recordo muito vivamente, mas não era tão comum que eu pensasse, "oh, eu estou com medo". Havia muito mais coisa com que me incomodar.

E acho também que até certo ponto eu rapidamente gostei das pessoas que cuidavam de mim, parecia claro que faziam muito bem o seu trabalho. Então comecei a confiar neles, a pensar que aqueles caras sabiam o que estavam fazendo. E isso amenizou o tema do medo.

O sr. escreve que naquele período viveu numa "bolha". Hoje o sr. está 100% fora da "bolha"?
Estou descobrindo as perguntas favoritas sobre este livro [risos]. Uma é: você está realmente bem agora, ou ainda há perigo? A outra é: se você soubesse o que aconteceria, repetiria o que fez? Todo jornalista faz estas perguntas, todo.

A verdade é que se passaram mais de dez anos [do fim da ameaça efetiva]. A última cena do livro, quando a divisão especial vai embora, se passa em março de 2002. Desde então, eu não tenho mais polícia em minha vida. Tem sido bom.

Há um ponto do livro em que conto que a polícia dizia para que eu não tratasse as coisas como 100% seguras, que isso não existe. Eles lembravam do atentado contra o presidente [americano Ronald] Reagan [em 1981, quando o republicano foi baleado], no qual, se você reparar, todos os agentes de segurança se comportavam impecavelmente. Ninguém fora de posição, reação muito rápida e, mesmo assim, o presidente foi baleado. Fiquei impressionado com isso, é uma análise reveladora.

À medida que o tempo passou, foi ficando claro para mim que, se eu fosse esperar pelo dia que alguém disesse: "ok, Salman, agora está 100% seguro, tudo bem, acabou tudo, pode ir que nada acontecerá", esse dia nunca chegaria. Ninguém nunca me diria isso, porque, se algo desse errado, seria culpa desse alguém. Eu sabia que chegaria um momento em que eu teria de tomar essa decisão.

E então houve a experiência de ir para os EUA, e foi dignificante, foi como se eu estivesse reconquistando algum tipo de controle sobre minha vida.

Enquanto isso o nível de risco foi diminuindo cada vez mais, até chegar o ponto em que ficou muito baixo. Foi quando eles [o serviço secreto da polícia] disseram que não precisavam mais estar por perto.

Eu fui os encorajando a dizer isso por cerca de um ano antes disso, porque não achava aceitável que eu fosse para os EUA e levasse uma vida comum --pegasse táxis, andasse de metrô--, sem dificuldades, e voltasse a Londres e fosse colocado num carro à prova de balas.

E eu disse, "quer saber, isso não faz sentido; o que eu faço lá eu poderei fazer aqui", e os convenci que tínhamos chegado ao ponto de abrir mão de todo aquele esquema.

Pegar um táxi é uma imagem forte de liberdade para o sr. A cena final do livro é o sr. pegando um táxi...
Sim, porque boa parte da vida neste período era estar cercado por outras pessoas, eu não conseguia nem mesmo dirigir um carro --exceto quando ia para os EUA, onde alugava um carro e o dirigia eu mesmo, mas aqui fiquei uma década sem poder dirigir. O táxi também é um carro que você não dirige [risos], mas pelo menos você pode acenar a mão e pará-lo.

Primeiro é porque de fato isso aconteceu naquele dia. E eu só queria terminar com uma imagem de retorno à vida comum.

Outra coisa que aprendi sobre mim foi como eu me reajustei rapidamente. Em dois dias já não me sentia estranho. Pensei: "ok, provavelmente não é só comigo, isso provavelmente significa que seres humanos têm desejo por normalidade, pela vida comum". Isso é tão forte, temos uma necessidade tão grande disso, de sentir que o mundo é... banal, que o mundo é o que é --não é extraordinário, nem bizarro, nem surreal. Nós queremos viver este mundo.

E quando fui devolvido a este mundo eu rapidamente me readaptei a ele. Há até mesmo uma certa distorção, algo meio cômico, de me pegar feliz esperando na fila de um supermercado, em vez de ter alguém pra fazer compras por mim. "Sim, vou esperar na fila, é legal". [risos] Eu apenas estava curtindo fazer de novo o que qualquer pessoa pode fazer e que eu não pude fazer por dez anos.

Como conto no livro, naquela visita política que fiz a Paris e que de repente percebi que eles tinham fechado a place de la Concorde. E eu sempre fiquei com essa imagem, de um pequeno bistrô, cujos frequentadores ficaram olhando a caravana e perguntando "quem é esse cara por quem fecharam a place de la Concorde", enquanto o que eu mais queria era estar como eles naquele bistrô, tomando um café. Eu eu pensava comigo mesmo se algum dia poderia voltar a estar num lugar daqueles ou se o resto de minha vida seria aquela loucura.

Então quando eu percebi que poderia ser de novo aquela pessoa sentada no bistrô tomando o café, fiquei muito feliz, foi como um presente da vida. Por isso é que a readaptação à vida comum é tão rápida, porque você a deseja muito.

Mas tudo acabou realmente, ou em algumas ocasiões o sr. ainda precisa de proteção policial? Hoje o sr. não conta com nenhuma proteção?
Não. Como eu disse, faz dez anos e meio [que não preciso]. Veja bem, não acabou a ponto de eu... eu não pretendo, por exemplo, passar férias em Teerã. Há lugares no mundo que seriam perigosos para mim, aos quais eu não posso ir. Como o Paquistão. Eles não me dariam visto e, se eu fosse, seria super-perigoso. Podemos ver como Paquistão ficou perigoso, eles matam pessoas todos o dias.

Eu pergunto por que recentemente o sr. teve problemas na Índia, teve de cancelar sua ida ao festival literário de Jaipur por causa de ameaças...
Sim, o episódio de Jaipur foi algo estúpido. Alguns políticos locais acharam que ganhariam votos dos muçulmanos se estimulassem reações contra mim. E acho que de certo modo a coisa foi meio mal conduzida pela organização do festival. A maior prova é que exatas três semanas depois eu fui falar numa conferência muito maior em Nova Déli e não houve problema algum --apesar de veículos menos escrupulosos da mídia indiana terem procurado os que me ameaçaram três semanas antes perguntando se não iriam fazer nada, e eles disseram "não", porque agora ninguém os estava pagando, a eleição já havia passado.

Estive na Índia ao menos uma vez por ano, todo ano, nos últimos 12 anos. Não é difícil. Acabei de fazer um filme, a adaptação de [meu romance] "Os Filhos da Meia-Noite", [da qual escreveu o roteiro], que foi filmado no Sri Lanka e na Índia. Com a Índia eu não me preocupo. Mas fiquei muito aborrecido com a história de Jaipur, porque acho que foi meio mal conduzido, se os organizadores tivessem levado de outra maneira as coisas poderiam ter sido resolvidas. Às vezes quem é inexperiente com esse tipo de coisa entra em pânico, e acho que houve muito pânico nisso.

O livro revolve temas muito sensíveis e que, embora continuem na agenda global em termos gerais, de modo específico estavam de certo modo adormecidos, como suas críticas ao aiatolá Khomeini [a quem define como "assassino" no livro]. Que reações espera dos que ameaçaram o sr. no passado?
Eu não me importo. Essa é a história da minha vida e tenho o direito de contá-la. É isso. Minha visão, e é um tema a que me refiro com frequência no livro, é que a tática desses grupos extremistas é criar medo. Por trás de sua pergunta está o medo de que algo possa acontecer. Essa é exatamente a situação que eles querem criar. Criar medo, que significa não fazer o que é perfeitamente natural fazer. Não podemos nos permitir pensar assim. Não podemos dar a eles tanto poder. Temos que dizer que [publicar esse livro] é algo completamente legítimo. Essa é a história da mina vida, não falsifiquei nada, isso foi o que aconteceu.

O sr. transcreve apenas pequenos trechos de seus diários, mas há várias passagens no livro muito ricas em detalhes. É tudo de memória, ou o sr. mantém diários detalhados deste período?
Tudo veio dos diários. Eu os preservei com muito cuidado. Até 1988 eu não mantinha um diário, nunca tive o hábito. Quando tudo isso começou, eu pensei: ora, tanta coisa está acontecendo, o peso e a velocidade dos acontecimentos era tão grandes que, mesmo se você tiver uma memória muito boa não vai conseguir lembrar de tudo. Então comecei a escrever um diário. Primeiro tomando notas --era 1989, antes dos computadores pessoais. Até 1992 ou 1993, está tudo escrito em diários. A partir daí fiz no computador.

Mas, sim, eu mantive diários muito detalhados. Quando voltei a relê-los, fiquei surpreso de quão detalhados eram, tinha muito mais informação do que eu conseguia lembrar.

O material público não é tão difícil de recuperar --você pode pesquisar e descobrir que dia tal coisa aconteceu--, mas o material privado você não tem outra forma de fazer a não ser com um diário.

Se eu quisesse, o livro poderia ser duas vezes maior, porque há muito material mesmo.

Há detalhes de diálogos...
Sim, quando eu descrevo discurso direto é porque tenho notas sobre aquilo.

E o sr. não considerou, ou não considera, a possibilidade de publicar os diários?
Não, porque são uma confusão. Conheço escritores que mantêm diários muito meticulosos, [a escritora e crítica americana] Susan Sontag [1933-2004] escreveu em seu diário todos os dias da vida. E o fez como se estivesse escrevendo [um livro], pronto para futura publicação. E neste caso, sim, os diários dela foram publicados e são textos notáveis, talvez sejam a coisa mais marcante que ela já escreveu, porque são quase 40 anos de diários e serão publicados em vários volumes.

Os meus são mais em forma de notas. Mas o que me surpreendeu é que há muitos deles, que me deram material mais do que suficiente para eu escrever o livro.

Soube que o sr. acertou uma visita ao Brasil durante o período em que viveu escondido, mas acabou a cancelando por causa das demandas do esquema de segurança da Polícia Federal brasileira. O que aconteceu?
É verdade, você está certo. Eu tinha me esquecido disso. Você pode descobrir melhor com Luiz Schwarcz [editor da Companhia das Letras, que publica Rushdie no Brasil], porque ele lembra mais dos detalhes, foi ele quem conduziu toda a negociação. Mas é que eu tinha chegado a um ponto da vida em que o nível de segurança havia diminuído, não havia mais aquela emergência. E se fosse para ir ao Brasil para ficar cercado por homens armados, carros blindados etc, não teria uma experiência brasileira, vou só ficar nessa espécie de bolha artificial. E pensei: "Já tenho esse problema em casa, não preciso cruzar o mundo para continuar preso a uma rede de segurança".

Mas como começou --foi um convite de quem?
Eu não lembro mesmo. Pergunte a Luiz. [O editor relatou que partiu da Companhia das Letras a ideia, e que a própria editora abortou o projeto diante do megaesquema de segurança exigido pela PF].

O que me lembro é que, anos depois, quando já podíamos fazer as coisas, quando eu pude ir ao festival de Paraty [Flip], por exemplo, tudo se deu normalmente e eu passei ótimos momentos. Luiz é um velho amigo e teve muito cuidado de me proporcioná-los. Sempre lembro que na primeira vez que cheguei ao Rio, ele me disse: "Não vou fazer uma grande festa para você, seria melhor se jantássemos com alguns amigos". Eu disse: "Ok, ótimo". Fomos para o restaurante e percebi que toda a rua estava fechada. Eu perguntei: "Isso é por causa de mim?". "Não", ele disse, "há algumas outras pessoas importantes aí dentro". Entramos e estavam Chico Buarque, Caetano Veloso, Rubem Fonseca, Patrícia Melo, Fernando Meirelles, Gilberto Gil faria um show... Foi um encontro impressionante.

Um pequeno jantar com amigos...
Um pequeno jantar, poucos amigos [risos]. E eu lembro de dizer: "Luiz, por que Gisele [Bündchen] não está aqui? Todos os outros brasileiros famosos estão aqui... "[gargalhadas]

Parecia uma omissão, todos os outros estavam lá. Para mim foi extraordinário, porque foi minha introdução ao Brasil, entre essas pessoas extraordinárias.

Isso foi em 2005, quando o sr. veio pela primeira vez para a Flip?
Foi em 2004 ou 2005, sim, na primeira vez da Flip [embora a primeira vinda de Rushdie ao Brasil após a "fatwa" tinha sido em 2003, para a Bienal do Livro do Rio].

Lembro que João [Moreira] Salles estava lá e ele me perguntou se eu queria ir a um jogo de futebol. Claro que eu queria, e ele me levou ao Maracanã. Então minha primeira vez no Brasil foi muito impactante...

Lembra para qual jogo ele levou o sr.?
Foi a um jogo do Botafogo. Foi ótimo. O estádio não estava cheio, mas foi muito bom ter ido.

O sr. gosta de futebol, não?
Sim, claro. O futebol brasileiro é algo que todo mundo adora assistir. Eu me lembro de que... Porque Luiz já fez tanto por mim ao longo dos anos. Então quando houve a Copa da Alemanha [em 2006], um amigo alemão que é jornalista esportivo me ofereceu duas entradas para o jogo de estreia do Brasil, no Estádio Olímpico de Berlim. escrevi para Luiz: "Você quer vir?". E ele voou de São Paulo, "claro que quero ir". Meu amigo tinha conseguido uns lugares muito bons, bem no meio do estádio, na área VIP. E quando nós entramos e Luiz viu onde estávamos, ele começou a chorar. Disse: "Você nunca vai entender o que fez por mim". Ele me fez vestir uma camisa do Brasil. Felizmente vocês ganharam. Não jogaram tão bem, mas ganharam, acho que por 1 a 0 [foi este mesmo o placar].

Um ex-integrante da divisão especial da polícia que protegeu o sr., Ron Evans, escreveu um livro com críticas ao comportamento do sr. durante o período de proteção [processado por Rushdie, depois Evans afirmou a um tribunal que inventara as histórias, chegando a um acordo com o escritor]. O sr. leu o livro? O que tem a dizer sobre ele?
Sim, tive de ler por causa da ação de calúnia. Esse cara foi expulso da polícia porque foi descoberto que ele estava fraudando as suas despesas, ele foi demitido.

E escreveu esse livro como que para se vingar. Há alguns capítulos sobre mim, porque ele foi um dos motoristas da minha equipe durante um pequeno período. Deve ter sido orientado por alguém, talvez por seu editor, a apimentar algumas histórias sobre mim.

Então ele escreveu que eles me odiavam tanto que me trancaram num quartinho e foram para um bar. Antes de tudo, se um policial britânico armado tomar um drinque, ele é imediatamente expulso da polícia. Quando o livro saiu, os outros policiais se sentiram muito ofendidos. E havia muito mais lixo. Então um dos motivos para exibir essas entrevistas [com outros policiais] na BBC [num documentário sobre as memórias que será lançado em seguida ao livro] foi para mostrar que tudo ocorreu bem e que ainda nos damos bem.

Eu conheço a vida dessas pessoas que cuidaram de mim, sei de suas famílias etc. Nos meus diários tenho material que permitiria escrever um livro só sobre eles. Não há muita gente nessa Divisão Especial que protege pessoas, talvez uns 200 integrantes. Eles são supertreinados, a cada quatro ou seis semanas têm que se submeter a novos testes com armas e precisam ter eficiência de quase 100%, algo como 96% ou 97%, senão perdem o direito de portar armas.

E são treinados em várias outras técnicas, entre elas a de como ser discreto em volta da pessoa que estão protegendo. Porque eles sabem que são muito intrusivos. Colocar policiais armados na casa de alguém é realmente uma intromissão, especialmente se você tem mulher e filhos --é estranho.

Não conheci todos, mas conheci muitos deles muito bem.

E pensei como era esquisito que alguém sempre se viu como alguém de esquerda terminar cheio de amigos na polícia secreta britânica. É algo que nunca esperei acontecer [risos].

Um deles era muito interessado em críquete e era membro do MCC [Marylebone Cricket Club, um renomado clube inglês de críquete], então conseguiu ingressos para jogos no Lord's Cricket Ground, e eu sempre adorei o Lord's, acho um dos grandes lugares de Londres. Uma vez ele arranjou dois ingressos, e passei uma tarde maravilhosa com Harold Pinter no Lord's graças a esse policial.

O sr. joga ou jogou críquete?
Sim, eu costumava jogar, desde a escola. Sou da Índia, um país onde todo mundo joga críquete.

Alguns livreiros creem que, ironicamente, este será o seu livro mais comercial, que pode ser um best-seller. O que o sr. acha?
Terá de se sair muito bem para ser meu livro mais comercial, porque "Os Filhos da Meia-Noite" e "Os Versos Satânicos" venderam muito. Se este vender mais, ficarei muito feliz. Apenas na Inglaterra, "Os Filhos da Meia-Noite" vendeu bem mais que 1 milhão de exemplares, fora outros países de língua inglesa, e teve 46 traduções [após a polêmica em torno do livro, "Os Versos Satânicos" também superou a casa do milhão de exemplares pelo mundo].

Em que livros ou projetos sr. está trabalhando?
Tenho algumas coisinhas que acho que podem ser o começo de um novo romance, mas, para ser sincero, nos próximos meses estarei fazendo isso [divulgando "Joseph Anton"] e nem mesmo tenho tempo de pensar o que poderá vir depois. Também tem o filme de "Os Filhos da Meia-Noite" saindo [Rushdie esteve há poucos dias no Festival de Toronto, no Canadá, para première do filme].

E estou desenvolvendo uma série de TV, com o canal americano Showtime, "The Next People", uma espécie de ficção científica paranoica, terminei a segunda versão do roteiro, tenho que esperar a emissora aprovar para dar o próximo passo, que é escolher o diretor e o elenco e gravar o piloto. Se aprovarem o piloto, partiremos para a primeira temporada e haverá muito trabalho a fazer.

Algum plano de voltar ao Brasil?
Não, mas eu sempre acabo por lá. Gostaria de ir quando não tiver lançando um livro, porque o problema de ir na época do lançamento é que é tudo que dá pra fazer. E eu só estive no Rio, em São Paulo e em Paraty. Gostaria de viajar um pouco pelo país, é um país enorme, e eu só vi esta pequena parte dele, gostaria de explorá-lo. Na próxima vez acho que irei não por causa de um lançamento.

Talvez durante a Copa de 2014...
Sim, seria uma loucura, vou levar Luiz para retribuir a honra [risos].

 Editoria de Arte/Folhapress VIDA E MORTE DE UMA SENTENÇA Cronologia do caso "Os Versos Satânicos" VIDA E MORTE DE UMA SENTENÇA Cronologia do caso "Os Versos Satânicos" Editoria de Arte/Folhapress ONDE ESTÁ SALMAN? Veja os esconderijos do escritor na clandestinidadeONDE ESTÁ SALMAN? Veja os esconderijos do escritor na clandestinidade

 

 

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O pensamento de Patrota sobre intervenções.

Brasil condena qualquer tipo de intervenção militar na Síria, diz ministro

 

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O governo do Brasil condena qualquer tipo de intervenção militar na Síria, disse hoje (18) o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Ao participar do seminário Os desafios da Política Externa Brasileira em um Mundo de Transição, na Câmara dos Deputados, o chanceler disse que a crise que ocorre na Síria não pode ser solucionada militarmente.

“Nos preocupa o que ocorre na Síria. Já temos repetido isso, que não há solução militar para esse tipo de situação. Isso é [para nós] uma espécie de mantra”, disse Patriota, lembrando que há uma série de dificuldades no Iraque e no Afeganistão pelo fato de esses países terem sido alvos de intervenção militar. “O componente militar não apresentou soluções [nesses locais]”, disse.

A onda de violência na Síria leva um ano e meio, tendo matado mais de 25 mil pessoas, segundo organizações não governamentais. A violência provoca também a fuga em massa de sírios que procuraram refúgio nos países vizinhos.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas está dividido internamente em relação às medidas que devem ser implementadas na Síria. Para um grupo de países, liderados pelos Estados Unidos, a intervenção é a alternativa. Mas os governos da Rússia e da China rejeitam a proposta. Sem consenso, não há como adotar medidas por meio do conselho.

Patriota disse que situação considerada também “preocupante” ocorre na Líbia, país que, no ano passado, sofreu intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e, atualmente, dispõe de um elevado arsenal de armas e munições. Além disso, a situação do país afeta toda a região. “Há contaminação dos países vizinhos pela Líbia”, destacou o chanceler.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-18/brasil-condena-qualqu...

Governo brasileiro rechaça intervenção externa devido ao programa nuclear do Irã | Agência Brasil 

Renata Giraldi

Repórter da Agência Brasil

Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, rechaçou hoje (18) a possibilidade de intervenção externa no Irã na tentativa de encerrar o impasse em torno do programa nuclear desenvolvido no país. Patriota disse que 'preocupa muito' as autoridades brasileiras as manifestações favoráveis a esse tipo de ação. O Irã sofre uma série de sanções por parte da comunidade internacional, que teme a fabricação de armas atômicas.

O governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, nega o uso não pacífico da tecnologia de energia nuclear desenvolvida no país. Segundo as autoridades iranianas, o programa nuclear será utilizado, entre outras áreas, na de saúde.

Patriota, que participar do seminário Os desafios da Política Externa Brasileira em um Mundo de Transição, na Câmara dos Deputados, também mencionou a questão da busca pela paz entre israelenses e palestinos. O chanceler disse que, até o final do ano, visitará Israel e a Palestina. Segundo ele, é fundamental buscar uma solução pacífica para acabar com os conflitos que ultrapassam séculos na região.

'É muito importante lembrarmos de um acordo de paz de médio e longo prazo. É nesse sentido que mostra o perfil pacífico do Brasil, que é a vontade de dialogar com ambos os lados, uma vocação brasileira de convívio pacífico. Pretendo ir a Israel e a Palestina, também para retomada do tema pelas instâncias multilaterais', disse o chanceler.

A presidenta Dilma Rousseff participa, no próximo dia 25, da 67ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Será uma das primeiras a discursar e, a exemplo do que ocorreu no ano passado, ela pretende mencionar a necessidade de intensificar os esforços em busca da paz, citando israelenses e palestinos, por meio do diálogo.

http://noticias.br.msn.com/governo-brasileiro-recha%C3%A7a-interven%C3%A...

 


Idosa que restaurou "Ecce Homo" quer cobrar direitos autorais, na Folha


Ao ver que a obra "Ecce Homo", pintada pelo artista espanhol do século 19 Elías García Martínez na parede do santuário Nossa Senhora da Misericórdia de Borja, em Zaragoza, estava danificada, a idosa resolveu restaurá-la "sem pedir permissão", mas "com boas intenções".DE SÃO PAULO


A espanhola Cecília Giménez, 81, que danificou uma pintura de Jesus numa tentativa de restauração pensa em cobrar direitos autorais sobre a obra, que ficou famosa no mundo inteiro e virou alvo de piadas na internet.

Segundo a rede espanhola TVE, advogados da idosa analisam pedir os direitos autorais porque a fundação responsável pelo santuário está cobrando um euro dos curiosos que vão até o local apreciar a pintura, que ficou conhecida como "a pior restauração do mundo".

Pintura a dedo Ver em tamanho maior »

Reprodução/ElMundo.esAnteriorPróximaCecilia Giménez, responsável pela restauração

Na semana em que a notícia se alastrou pelo mundo, a senhora Giménez ficou de cama. Vizinhos e pessoas próximas disseram que ela estava com "ataque de ansiedade". Não por menos.

Em poucas horas, o restauro desastroso começou a aparecer em paródias na internet. Em uma delas, Jesus aparece como o personagem Chewbacca, de "Guerras nas Estrelas". Também há versões em que o rosto de Jesus é substituído por um gato ou por outras figuras conhecidas.

A obra ganhou uma página no Facebook, chamada La señora que pintó el Troll de Borja, e uma hashtag no Twitter, #EcceMono --"mono" significa "macaco" em espanhol.

Circulou ainda um abaixo assinado pedindo à cidade de Borja que mantenha a pintura como está. "O trabalho realizado pela artista anônima no Ecce Homo do Santuario de la Misericordia de Borja supõe um reflexo inteligente da situação política e social do nosso tempo", afirma o texto.

"É uma crítica sutil às teorias criacionistas da Igreja", continua o documento, em tom jocoso. "O resultado da intervenção combina inteligentemente o o expressionismo primitivo de Francisco de Goya com figuras como Ensor, Munch, Modigliani e o grupo Die Brücke, pertencente à corrente artística do expressionismo alemão."

RECUPERAÇÃO

Em entrevista à rede espanhola TVE, a idosa disse que o padre da igreja na qual estava a obra sabia o que ela estava fazendo.

"O padre sabia. Como ia fazer algo sem dizer nada se todo mundo que entrava me via pintando?", questionou. Ela disse também que decidiu retocar a pintura porque o salitre da parede da igreja estava quase destruindo a imagem.

Segundo Giménez, esta não foi a primeira vez em que ela mexeu na pintura --informação confirmada por Teresa García, parente do pintor. "Antes ela já havia consertado alguns problemas na túnica [de Jesus]. O problema foi que desta vez ela mexeu no rosto", disse García.

Duas restauradoras começaram a avaliar os danos e as possibilidades de recuperá-la, mas foram interrompidas por centenas de visitantes que se apinhavam no santuário para ver e clicar o Jesus de Cecília Giménez.

 

 

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Com BNDES e negócios com políticos, Odebrecht ergue 'império' em Angola

Amparada por vultosos empréstimos do governo brasileiro, a Odebrecht, maior empreiteira do país, construiu em Angola um império empresarial que inclui negócios com autoridades e investimentos anuais de mais de R$ 1 bilhão.

Maior empregadora privada do país africano, com 20 mil funcionários, a companhia atua em Angola nos setores de imóveis, hidrelétricas, diamantes, supermercados, petróleo, biocombustíveis e aeroportos.

A empresa, porém, é criticada por ativistas angolanos, que a acusam de manter "relações promíscuas" com o alto escalão do governo angolano, chefiado há 33 anos pelo presidente José Eduardo dos Santos. Em agosto, Dos Santos venceu as eleições presidenciais e estenderá seu mandato até 2017.

Desde 2006, o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) ofereceu US$ 3,2 bilhões (R$ 6,4 bilhões) em empréstimos a companhias brasileiras em Angola. Dados obtidos pela BBC Brasil com base na Lei de Acesso à Informação revelam que as linhas de crédito financiaram 65 empreendimentos, dos quais 49% foram ou são executados pela Odebrecht.

A Andrade Gutierrez, segunda empresa da lista, é responsável por menos da metade dos projetos da Odebrecht (18%), seguida por Queiroz Galvão (14%) e Camargo Corrêa (9%).

A Odebrecht conta com parte de uma nova linha de crédito do banco, de US$ 2 bilhões, para manter o ritmo de investimentos em Angola, hoje entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões anuais (de R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão).

Generais e vice-presidente

Num de seus investimentos prioritários em Angola, o projeto Biocom, a Odebrecht tem como sócia uma empresa controlada por autoridades angolanas.

Ao custo de cerca de US$ 400 milhões (R$ 812 milhões), o projeto - que não é financiado pelo BNDES - visa produzir açúcar, etanol e eletricidade a partir de cana de açúcar. O complexo agroindustrial, que deve ser inaugurado em 2013, será gerido em sociedade entre a Odebrecht, a petrolífera estatal Sonangol e a empresa Damer.

A Damer foi fundada em 2007, meses antes da celebração do negócio, pelo vice-presidente eleito angolano, Manuel Vicente, e pelos generais Leopoldino Fragoso do Nascimento (Dino) e Manuel Hélder Vieira Dias Júnior (Kopelipa).

A Odebrecht não quis comentar o papel das autoridades na joint-venture. Em nota à BBC Brasil, a empresa diz que a Biocom "é um projeto de grande relevância para Angola e tem por objetivo diminuir a dependência de importação de açúcar, criando riqueza e empregos".

Em outro investimento, a Odebrecht associou-se a filhos do presidente angolano.

Iniciado em 2005 e com licença para operar até 2012, o consórcio Muanga foi formado para prospectar diamantes na província de Lunda-Norte em sociedade entre a Odebrecht, a estatal diamantífera Endiama, a SDM – associação entre a Odebrecht e a Endiama – e a Di Oro.

A Di Oro é uma sociedade entre Welwitschea José dos Santos, José Eduardo Paulino dos Santos – ambos filhos do presidente – e Hugo André Nobre Pêgo, genro do mandatário angolano.

"Relação especial"

Segundo o ativista Rafael Marques de Morais, criador do movimento anti-corrupção Maka Angola, a Di Oro tinha como objeto social, até a assinatura do contrato, "a alta costura, modas e confecções", além de serviços "para casamentos, coquetéis, aniversários e brindes".

A Odebrecht diz que a sociedade já foi extinta.

"Tirando as petrolíferas, a Odebrecht é a multinacional mais bem sucedida em Angola. Esse sucesso, num país extremamente corrupto, deve-se à relação especial que ela mantém com o presidente da República", diz Marques à BBC Brasil.

O ativista afirma, no entanto, que o rígido controle do Estado angolano exercido pelo presidente impede que denúncias sobre a empresa sejam investigadas.

Marques acusa ainda o governo de favorecer a Odebrecht em privatizações e na concessão de contratos públicos.

O caso da rede de supermercados Nosso Super é considerado emblemático: em 2007, a Odebrecht foi contratada pelo governo para construir a rede, com unidades em todas as 18 províncias do país. Neste ano, o Nosso Super foi privatizado, e a companhia brasileira assumiu sua gestão.

Percepção

Questiona-se também a concessão à empresa de contratos que preveem amplos pacotes de empreendimentos. Um dos projetos mais abrangentes concedidos à empresa, o Vias de Luanda, consiste na construção de 32 mil quilômetros de redes de água, esgoto, energia, iluminação, drenagem e comunicação na capital angolana, além da arborização, gestão do lixo e da recuperação de avenidas, calçadas e da sinalização urbana.

Segundo especialistas em licitações, quanto mais extenso é um contrato, mais difícil controlar seus gastos e prazos.

Para o jornalista Reginaldo Silva, autor do blog político Morro da Maianga, há em Angola uma "percepção generalizada" de que a Odebrecht é beneficiada pelo governo.

"A ideia corrente é que a Odebrecht detém a maioria dos contratos em Angola em parte pelas relações promíscuas que mantém com autoridades e, em parte, devemos reconhecer, pela extraordinária capacidade técnica que desenvolveu."

Segundo ele, licitações para obras públicas no país são raras e, quando ocorrem, "são só para inglês ver".

Já a Odebrecht diz que "todas as suas negociações com o Estado angolano pautam-se pelo cumprimento da legislação".

A empresa não se pronunciou sobre a acusação de que mantém relações promíscuas com autoridades, mas diz ter como cliente "a sociedade e o Estado, não um governo específico".

"Time do presidente"

Além das relações comerciais que mantém com autoridades, a Odebrecht pertence ao restrito círculo de empresas que integram o Conselho Fiscal da Fundação Eduardo dos Santos (Fesa), entidade privada criada pelo presidente em 1996.

A Fesa se diz uma organização filantrópica, mas é acusada de servir a interesses privados de seu patrono. A fundação mantém um braço empresarial, a Suninvest, e administra um clube de futebol da primeira divisão do campeonato angolano, o Santos Futebol Clube (cujo nome homenageia, ao mesmo tempo, o time brasileiro e o presidente angolano).

Em Angola, o Santos é conhecido entre alguns como "a equipe do presidente", que é tido como um grande apreciador do futebol. O clube constitui outro elo entre José Eduardo dos Santos e a empresa brasileira: seus jogadores treinam diariamente no centro logístico da Odebrecht em Luanda.

A empresa executa ainda as obras de expansão do centro de treinamento das categorias de base do clube. A BBC Brasil esteve em agosto na área onde funcionários da companhia estão construindo dois campos de futebol e novas instalações para o time.

A Odebrecht diz, porém, que as obras estão previstas em contrato regular de prestação de serviços. Segundo a companhia, outras equipes de futebol já treinaram nas suas instalações, que "têm papel relevante em atividades de lazer em Luanda".

Trata-se, no entanto, de espaço fechado ao público: o repórter foi barrado à porta por seguranças.

A Odebrecht classifica a Fesa como "uma instituição filantrópica e apartidária", que congrega outras empresas e "pessoas representativas da comunidade angolana".

Além da companhia brasileira, o conselho fiscal da fundação é integrado por três estatais angolanas, a petrolífera Texaco, duas empreiteiras portuguesas (Mota-Engil e Teixeira Duarte), uma consultoria libanesa (Dar Al-Handasah) e uma empresa privada angolana (Sunenge).

Segundo a Odebrecht, suas operações em Angola, iniciadas há 28 anos, se pautam pela "responsabilidade social".

A empresa diz promover "a transferência de tecnologia por meio da contratação e associação com empresas locais" e afirma que 93% dos seus funcionários no país são angolanos.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/09/120917_odebrecht_angola...

 

Dilma: a ilusão de um acordo com a mídia

 

por Rodrigo Vianna

Já nos primeiros meses de governo, tudo estava claro. O governo Dilma significou um movimento rumo ao centro. Parecia uma estratégia inteligente, como escrevi na época aqui: Lula tinha já o apoio da “esquerda” tradicional – com sindicatos, movimentos sociais e também a massa de eleitores de baixa renda beneficiados pelos programas sociais. Dilma avançou para o centro, com acenos para a classe média que preferira Serra e Marina em 2010. A agenda “técnica” e a “faxina” são a face visível desse giro ao centro. Não é à toa que Dilma alcançou mais de 80% de aprovação.

Mas ela não fez só isso. Abriu mão de conquistas importantes dos anos Lula: houve retrocessos na Cultura e na área Ambiental, pouca disposição para dialogar com os movimentos sociais, nenhuma disposição para qualquer avanço na área de Comunicações. São apenas alguns exemplos.

Concentro-me nesse último ponto: o Brasil tem uma legislação retrógrada e um mercado de mídia dominado por meia dúzia de famílias. Não é só um problema de falta de concorrência, mas um problema político – na medida em que essas famílias impedem a diversidade de opinião e interditam o debate no país. No segundo mandato, Lula percebeu a necessidade de mexer nessa área; convocou a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) e encomendou a Franklin Martins um novo Marco Regulatório para o setor. Dilma preferiu o silêncio, mandou o ministro Paulo Bernardo guardar o projeto de Franklin numa gaveta profunda.

Dilma foi a festinhas em jornais e TVs, logo após a posse, e aceitou as pressões da velha mídia para  barrar a investigação da “Veja” e de Policarpo na CPI do Cachoeira. O governo foge do confronto. Ao mesmo tempo, entope de anúncios – e de dinheiro – as empresas que são as primeiras a barrar qualquer tentativa de avanço no país – como escreveu Paulo Henrique Amorim.

A turma que cuida da Comunicação no governo Dilma parece dividir-se em duas: uma tem medo da Globo e da Abril, a outra quer garantir empregos na Globo e Abril quando terminar o mandato.

Dilma segue popular. Mas a base tradicional lulista está ressabiada.

A velha mídia e os tucanos perceberam a possibilidade de abrir uma cunha entre Dilma e o lulismo. A estratégia é simples: poupa-se Dilma agora, concentra-se todo o ódio no PT e em Lula. Com PT e Lula fracos, ficará mais fácil derrotar Dilma logo à frente.

A presidente, pessimamente aconselhada na área de Comunicações, parece acreditar na possibilidade de uma “bandeira branca” com a mídia. Não percebe que ali está o coração da oposição.

A velha mídia, derrotada por Lula em 2006 e 2010, mostra que segue fortíssima com esse episódio do ”Mensalão”. Colunistas de quinta categoria pautaram os ministros do STF, capas da “Veja” e manchetes do “JN” empurraram o julgamento para as vésperas da eleição municipal. O STF adota uma linha “nova” para o julgamento, que rompe com a jurisprudência adotada até aqui, e aceita indícios como elementos para a condenação.

Evidentemente que – nesse episódio do chamado “Mensalão” - dirigentes do PT erraram feio: está claro que a rede de promiscuidade e troca de favores entre agências de publicidade, bancos privados e entes públicos precisava ser investigada e punida. Não era “mensalão”, mas era ilícito.

O que chama atenção é o moralismo seletivo da Justiça e da velha mídia. Querer transformar o arranjo mambembe – e desastrado – feito pelo PT de Delúbio Soares no ”maior escândalo da história republicana” é quase uma piada.

O fato é que a velha mídia ganhou esse jogo até aqui. Outro fato: ninguém acredita que “indícios” serão suficientes para condenar mensalões tucanos, nem banqueiros ou publicitários que tenham se lambuzado em operações com outras forças políticas. Não. O roteiro está preparado para condenar o PT. E só isso. É parte da estratégia de retomar o Estado brasileiro.

No dia em que o julgamento começou, Dilma anunciou o tal “pacote de concessões” para a iniciativa privada, na área de infra-estrutura. Não foi à toa. Era como se a presidenta tentasse se desvincular: o “velho PT” vai pro banco dos réus; ela não, é “moderna” e confiável. Hum…

Imaginem Zé Dirceu condenado. Na manhã seguinte, o alvo será Lula. Consolidado o ataque a Lula, as baterias estarão voltadas contra Dilma. Rapidamente, a sucessora de Lula perceberá que a ilusão de um trato “republicano” com a velha mídia brasileira não era nada além disso: ilusão.

Será que Dilma deu-se conta do erro que é apostar na lua-de-mel com os conservadores? Afinal, bateu pesado em FHC, quando este último escreveu sobre a “herança” pesada que Lula teria deixado pra ela. Mas e a relação com a mídia? Preocupante saber que Dilma teria confirmado presença no Congresso da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). Trata-se de uma espécie de  Instituto Millenium, maior e mais articulado em todas as Américas. FHC e Marina estarão lá na SIP. Se Dilma também for, o círculo estará fechado.

http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/dilma-a-ilusao-de-um-acord...

 

Mensalão do PSDB julgará o STF

 

A mesma mídia que anunciava até há pouco que o STF seria “julgado pela opinião pública” de acordo com o que deliberasse sobre o “mensalão do PT”, agora que a maioria daquela Corte está decidindo como jornais, revistas e televisões querem estes parecem cada vez menos interessados em julgar os julgadores, com as exceções que todos conhecem.

O mesmo Supremo que está produzindo manchetes triunfantes sobre a condenação de “mensaleiros” é a Corte em que processos contra políticos sempre terminaram em absolvição. O rigor que se vê agora, portanto, é novidade que desperta uma questão crucial: será usado como regra, a partir de agora?

Muita coisa vai chegar ao Supremo no futuro próximo. Muita coisa sobre a qual a mídia não fala porque envolve uma oposição à qual se aliou. Nesse aspecto, sobressai o mensalão tucano. Este, por sua vez, envolve uma figura análoga ao alvo principal do mensalão petista. Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, é o José Dirceu tucano.

Sob esse prisma, vale prestar atenção ao juiz do STF que se tornou a estrela do julgamento do mensalão. O ministro Joaquim Barbosa, com seu furor condenatório, hoje é conveniente para um lado e inconveniente para o outro. Todavia, essa situação promete se inverter (ou voltar ao que era) no futuro próximo, quando ele vier a deliberar sobre o mensalão tucano.

Recentemente, Barbosa andou ironizando a sofreguidão da grande mídia em extrair suas declarações prejudiciais ao PT no âmbito do julgamento que ora pesa contra o partido e apontou o contraste com a afasia midiática em relação ao que possa ter a dizer sobre o mensalão do PSDB, chegando a cobrar de repórteres perguntas sobre este caso.

O STF, no entanto, está inaugurando uma nova jurisprudência que exige menos, muito menos para condenar. Passa a valer a subjetividade. Sob esse prisma, o Direito brasileiro passará a lidar com a necessidade de réus provarem que são inocentes em lugar de terem o direito a que se lhes provem as culpas.

Há uma excelente dose de dúvida, porém, sobre se um rigor que flerta com a violação do Estado de Direito funcionaria – ou funcionará – sem pressão da mídia. Vai se disseminando a sensação de que o usado contra o PT passará à história como momento único da Suprema Corte de Justiça, talhado especialmente para esse partido e só para ele.

Todavia, engana-se quem acha que Joaquim Barbosa faz o que faz por medo da mídia. Há, sim, juízes que se mostram intimidados, mas não é o caso dele. O que busca é popularidade. Já surgem, inclusive, especulações sobre uma sua possível carreira política.

Parece pouco provável, porém, que assim seja. Barbosa deve estar almejando, “apenas”, popularidade fácil. Para tanto, o papel de justiceiro – e a popularidade que tal papel encerra no imaginário popular – pode ser suficiente. Se assim for, ele pode frustrar os que esperam que o rigor neófito do STF seja fugaz.

Seja como for, a provável condenação “por baciada” dos acusados na Ação Penal 470 não redundará em julgamento do STF e, sim, em sua libertação provisória da pecha de rota de fuga de corruptos.

A libertação do STF dessa pecha, porém, é provisória porque a Corte terá que se libertar, ainda, da suspeita de que seu rigor recém-inaugurado não passa de casuísmo, que, caso se confirme, irá desencadear um levante dos setores responsáveis da sociedade ante uma possibilidade inaceitável para a democracia.

O cenário posterior ao julgamento do mensalão do PT, assim, vai se tornando inquietante.

Se a valoração da subjetividade nas acusações se tornar regra, uma fila imensa de políticos que hoje comemora o justiçamento de petistas pode ir se preparando para ver suas legendas em situação análoga, o que, mesmo com a provável afasia que condenações de tucanos podem despertar na mídia, obrigará esta a se manifestar.

O pior cenário, porém, é o de casuísmo do STF. Se ficar provado que aquela Corte aceitou condenar os réus do mensalão petista por razões políticas e que não usará os mesmos critérios para políticos de outras colorações partidárias, o Brasil terá mergulhado em uma situação análoga à de uma ditadura.

Assim sendo, haverá que torcer para que a presidente Dilma não caia no engano do ministro Joaquim Barbosa, que pensa que está se libertando da máquina de difamação midiática que se ergueu contra os ministros Ricardo Lewandowski e José Antônio Dias Tóffoli – recentemente, foi mostrado aqui como Barbosa foi tratado quando incomodou tucanos.

A mídia o chamou de “medíocre” para baixo quando se desentendeu com Gilmar Mendes e quando aceitou a denúncia do Ministério Público contra o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo. Voltará a fazê-lo se, como deu a entender ao cobrar de repórteres perguntas sobre o mensalão tucano, for duro com a oposição.

O PT, Dilma e Lula estão bem quietos assistindo ao furor condenatório do STF contra seus correligionários. Se tiverem um pingo de senso histórico e de responsabilidade para com a democracia, porém, sairão do silêncio quando seus adversários forem julgados. Aí terão um prato cheio. Resta saber se terão apetite.

http://www.blogdacidadania.com.br/2012/09/mensalao-do-psdb-julgara-o-stf/


 

FHC ‘conclama’ intelectuais a se engajarem numa luta pela ‘recuperação moral’ do País; campanha de Haddad já prepara contra-ataque

Bruno Boghossian e Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conclamou na terça-feira, 18, intelectuais simpáticos ao PSDB a se engajarem numa luta pela "recuperação moral" da política do País com o apoio à candidatura de José Serra (PSDB). Enquanto isso, a coordenação do comitê de Fernando Haddad (PT) batia o martelo sobre a exploração, na campanha, de escândalos que envolvem os tucanos e seus aliados.

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Serra e Haddad se cumprimentam em debate - Alex Silva/AEAlex Silva/AESerra e Haddad se cumprimentam em debate

Ao participar na terça de ato de campanha do tucano no cinema Reserva Cultural, na Avenida Paulista, FHC fez uma referência indireta ao julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. Disse que a democracia brasileira "começa a ser minada por dentro" e fez um "chamamento" a favor do PSDB na disputa eleitoral paulistana. "Serra é o candidato que representa um reencontro do Brasil com a sua história de luta pela democracia. É o candidato da gente de bem e decente. É capaz pela preparação e pelo estudo, não pela esperteza e pela malandragem", afirmou FHC.

Serra e Haddad estão tecnicamente empatados em segundo lugar nas pesquisas e lutam por uma vaga no 2.º turno contra Celso Russomanno (PRB), líder nas pesquisas de intenção de voto.

A campanha de Haddad pretende explorar o escândalo na aprovação de empreendimentos imobiliários da gestão Gilberto Kassab (PSD). A crise foi exposta pela evolução patrimonial de Hussain Aref Saab, ex-diretor do setor de aprovação de prédios da Prefeitura (Aprov), que adquiriu 106 imóveis quando trabalhou no governo. Aref foi nomeado para o cargo por Serra, quando o tucano ainda era prefeito.

Os petistas também pretendem ligar o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ao candidato do PSDB. Ex-diretor da Dersa, ele foi apontado pela Polícia Federal como responsável por contatos entre a estatal paulista e a empresa Delta Construções e chegou a depor na CPI do Cachoeira, onde negou ter feito caixa 2 para campanhas de Serra.

O embate ético entre as campanhas ganha peso 24 horas depois de a Executiva Nacional do PT ter convocado militantes para uma "batalha do tamanho do Brasil", com o objetivo de defender o governo Luiz Inácio Lula da Silva em meio ao julgamento do mensalão.

A equipe de Serra reforçou o discurso ético contra os petistas, levando para a propaganda eleitoral na TV peças que ligam o próprio Haddad ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, réus do processo do mensalão. Dirceu era o homem forte do governo Lula até 2005, quando foi abatido pela crise.

‘Recorrência’. No ato de terça, do qual participaram o reitor da USP, João Grandino Rodas, a atriz Beatriz Segall e o maestro Júlio Medaglia, FHC foi taxativo: "Depois de vários anos em que o Brasil ganhou democracia, conseguiu avanços econômicos e avanços sociais, esta mesma democracia começa a ser minada por dentro pela falta de crença que advém da percepção que existe no País por práticas correntes e recorrentes".

Em um vídeo divulgado na terça, o ex-presidente citou especificamente o julgamento do mensalão no STF e afirmou que "ninguém tem o direito de calar" o debate sobre o escândalo.

"Estamos assistindo no Brasil a um julgamento importante sobre um fato gravíssimo, cujas consequências sabe Deus quais serão", disse o tucano.

Ao tomar o microfone no evento com FHC, Serra manteve foco sobre o mensalão e reforçou o discurso ético de sua candidatura.

 

 

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Poderíamos colocar aqui todos os dias, para discussão, um ou alguns dos grandes escândalos do Governo FHC, que foram todos abafados e sumiram do PIG rapidinho.

 

Demarchi

30ª Bienal de SP recebe 23 mil pessoas no primeiro final de semana 

Do UOL, em São Paulo

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  • Leandro Moraes/UOL

    Obra do artista Hans-Peter Feldmann exposta na 30ª Bienal de Arte de São Paulo mostra o que há dentro das bolsas de mulheres (4/9/12)

    Obra do artista Hans-Peter Feldmann exposta na 30ª Bienal de Arte de São Paulo mostra o que há dentro das bolsas de mulheres (4/9/12)

A 30ª Bienal de São Paulo recebeu 23 mil pessoas em seu primeiro final de semana aberto ao público, segundo a assessoria de imprensa do evento. O primeiro dia de exibição, que coincidiu com o feriado de 7 de setembro, atraiu cerca de 7,5 mil pessoas.

A última edição do evento, em 2010, teveum total de público de 525 mil pessoas. A organização ainda não tem uma previsão de quantas pessoas são esperadas neste ano.

Com o tema "A Iminência das Poéticas", a 30º Bienal conta com três andares ocupados com cerca de 3 mil obras de 111 artistas, 21 deles brasileiros. Cerca de 75% das obras são inéditas, sendo expostas pela primeira vez ou criadas especialmente para o evento.

Facilidades
A SPTrans criou uma linha especial de ônibus, a 909A/10, que vai realizar a ligação direta entre o Metrô Ana Rosa e o Pavilhão da Bienal, próximo ao portão 3 do Parque do Ibirapuera. Com uma frota de três ônibus movidos a etanol e intervalo médio de 15 minutos, a linha vai funcionar das 8h às 22h30, de segunda a domingo, até dia 9 de dezembro.

A tarifa é a mesma do sistema municipal de transportes, R$ 3. Os veículos têm um visual diferenciado, com a inscrição "Linha circular especial - Trigésima Bienal de São Paulo" nas laterais.

O espaço da Bienal não tem praça de alimentação, mas conta com uma lanchonete e um restaurante no mezanino. Há restaurantes e quiosques espalhados pelo Parque do Ibirapuera, além do restaurante do MAM (Museu de Arte Moderna).

 

BIENAL SEM POLÊMICA


"Quisemos fazer uma Bienal clara, não transparente, inteligente, não bombástica. Sem confronto pelo confronto

Luiz Pérez-Orama, curador desta edição

Não é permitido entrar comendo ou com mochilas no pavilhão, mas há armários para guardá-las na entrada – o serviço é gratuito. Os visitantes passam por revista antes de entrar.

Audioguia
Monitores estarão à disposição do público para tirar dúvidas, mas a Bienal também oferece um audioguia aos visitantes. Com narração do curador Luis Pérez-Oramas, os áudios apresentam ao ouvinte algumas sugestões de caminhadas pela mostra. Eles são identificados com números e códigos dos lados das obras

Há três opções de acesso. O visitante pode ligar para o portal de voz da Oi (11 8080-3300) e digitar o código do áudio desejado (a partir de celular Oi, R$ 0,51 + tributos por minuto; o custo para outras operadoras varia de acordo com o plano); usar o smartphone ou tablet para ler o código QR que identifica o áudio (essa opção requer aplicativo da Bienal) ou visitar o site www.30bienal.org.br e baixar gratuitamente os arquivos de áudio para MP3 player ou celular (o download dos arquivos só pode ser feito por computador, por isso, é preciso baixar o audioguia antes de comparecer à exposição).

Visitas orientadas
Há visitas orientadas gratuitas para grupos de 10 a 20 pessoas. É necessário um adulto responsável para acompanhar cada grupo e a faixa etária recomendada para a exposição é de acima de seis anos. Também há visitas orientadas especialmente para pessoas com mais de 60 anos. Elas devem ser agendadas por meio da empresa Diverte Cultural: (11) 3883-9090.

Também podem ser feitas visitas orientadas para público sem agendamento (espontâneo) de terça a domingo. Os interessados devem procurar a equipe do Receptivo do Educativo, localizada próximo à entrada da exposição.

Aplicativo e wi-fi
Os portadores de smartphones e tablets podem baixar o aplicativo #30Bienal seLecTed powered by Bloomberg pelo endereço selected.30bienal.org.br para acessar informações sobre a 30ª Bienal.

O acesso a wi-fi Oi é gratuito no Pavilhão Bienal durante o período da exposição.

Fora do Pavilhão
Um dos destaques dessa edição é que outros museus da cidade também vão exibir obras e eventos ligados à Bienal. Entre esses espaços estão o MASP, o Museu de Arte Brasileira da Faap e o Instituto Tomie Ohtake, além de pontos turísticos de São Paulo, como a Avenida Paulista e a Estação da Luz.

Ver em tamanho maiorConfira fotos da 30ª Bienal de Arte de São Paulo  

   Foto 32 de 53 - A 30ª Bienal de Arte de São Paulo tem como tema "A Iminência das Poéticas" MaisLeandro Moraes/UOL

Serviço
30º Bienal de São Paulo - A Iminência das Poéticas
Quando: 
7 de setembro a 9 de dezembro
Terças, quintas, sábados, domingos e feriados: das 9 às 19h - entrada até as 18h
Quartas e sextas, das 9 às 22h - entrada até às 21h
Fechado às segundas
Onde: Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque do Ibirapuera - Portão 3 – Avenida Pedro Álvares Cabral s/n
Quanto: Entrada gratuita
Estacionamento no Parque: Zona Azul (cada folha vale por 2 horas)
Linha especial de ônibus: 909A/10, saindo do Metrô Ana Rosa
Site: www.bienal.org.br/30bienal/pt/Paginas/default.aspx
Mais informações: (11) 5576-7600

 

 

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Sala de Bispo do Rosário é candidata à lotação na abertura da BienalMario Gioia, DO UOL, em São PauloComunicar erroImprimir

Com abertura para o público desde o dia 7 de setembro, a 30ª Bienal de São Paulo, com entrada franca, tem na sala dedicada a Arthur Bispo do Rosário uma das grandes possibilidades de sucesso de público na exposição. Nos dias anteriores à visitação geral, o espaço no centro do Pavilhão da Bienal teve constante presença de artistas, críticos, colecionadores e profissionais ligados às artes visuais.

“Quando começamos a articulação das obras e espaços da Bienal, um eixo organizador com Bispo do Rosário ficou claro e começou a dar formas a outros eixos, tendo o arquivo como linguagem”, disse o venezuelano Luis Pérez-Oramas, curador da exposição, uma das três principais em âmbito mundial, ao lado da Bienal de Veneza (Itália) e da Documenta de Kassel (Alemanha).

Numa área de dimensões mais generosas que a maioria das salas expositivas dos outros 110 artistas da mostra, Bispo do Rosário (1909 [ou 11] -1989) é foco de um tributo forte dentro do conjunto da Bienal e que chama a atenção pela obsessão com a qual o artista realizava suas centenas de peças, hoje em exibição. A localização também é privilegiada: logo depois de subir a escada rolante que liga o mezanino ao andar de cima.

O público terá acesso à variada produção do artista, que tecia mantos repletos de inscrições, construía objetos ‘escultóricos’ feitos com descartes diversos _ garrafas, pneus, roupas e ripas, entre outros, numa variedade muito grande de materiais _ e estandartes nos quais as palavras bordadas têm numerosas classificações. Seus barcos também chamam a atenção.

Ver em tamanho maiorConfira fotos da 30ª Bienal de Arte de São Paulo  

   Foto 20 de 53 - Convidado observa obra do artista brasileiro Arthur Bispo do Rosario, na 30ª Bienal de Arte, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo (4/9/12) Mais Leandro Moraes/UOL

História

Bispo do Rosário tem uma história particular na arte brasileira. Nasceu em Jabaratuba (SE), em 1909, segundo a Marinha, onde serviu de 1925 a 1933 _ e de onde foi expulso por indisciplina e ‘incapacidade moral’ _, ou dois anos depois, segundo a Light, empresa carioca onde trabalhou até 1937.

Diagnosticado em 1938 como portador de esquizofrenia paranoide, é levado no ano seguinte para a Colônia Juliano Moreira. Na instituição, foi colocado no setor reservado a pacientes mais ‘agitados’. Depois de passar por outras clínicas e hospitais, vivendo de trabalhos como porteiro e segurança, entre outras funções, retorna à Juliano Moreira em 1964 para não sair mais, morrendo em 1989. Na colônia, produz boa parte da sua obra.

“Bispo do Rosário esteve à margem do olhar sistematizado de arte”, escreve Paulo Herkenhoff, ex-curador da Bienal de São Paulo. “É inútil buscar classificações [sobre a sua obra]. Com cerca de 850 trabalhos, o sergipano oscilava entre a realidade e o delírio e justificava a feitura de sua produção como uma missão divina. Os trabalhos de sua autoria começaram a fazer parte de exposições com recortes de arte contemporânea principalmente a partir do final dos anos 90, fazendo com que muitos deles fizessem parte de mostras no exterior. Museus importantes no mundo o expuseram, como o MoMA, em Nova York, e o Centro Pompidou, em Paris.

No sábado, o principal livro sobre o artista, Arthur Bispo do Rosário – Século 20, organizado por Wilson Lázaro, terá evento de lançamento de edição atualizada na livraria da Bienal, às 16h.

30ª Bienal de São Paulo - A Iminência das Poéticas
Onde: Pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3)
Quando: de 7 de setembro a 9 de dezembro, às terças, quintas, sábados e domingos (9h às 19h); quartas e sextas (9h às 22h)
Entrada: franca; vans saem para o metrô Ana Rosa de 15 em 15 minutos. 

 

 

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Por: Thomaz Kardos


30 bienal 4set2012 madmag 1 Fotos abertura 30ª Bienal de São Paulo   04.09CLIQUE AQUI PARA VER A GALERIA COMPLETA

ARTE | Nesta terça-feira (04.09) a 30ª Bienal de Artes de São Paulo – A iminência das poéticas – fez sua abertura no Pavilhão da Bienal do Parque do Ibirapuera, sob curadoria do venezuelano Luis Pérez-Oramas. Uma Bienal internacional que não pretende ter um discurso de tese, mas motivar o artista convidado a pensar o mundo contemporâneo e seus devires. São obras que atendem aos mais diversos suportes – da performance as telas e desenhos, do video a escultura.

30ª Bienal abre as portas ao publico dia 7 de setembro e fica até 9 de dezembro 2012.

 Bienal de SP, por Daniel Ayub, no FFW

 

Já visitamos a 30ª edição do evento; saiba o que esperar

Obras de Sheila Hicks, artista especializada na pesquisa de tecidos, expostas na entrada da 30ª Bienal de São Paulo ©Ricardo Toscani/FFW

Nesta segunda-feira (03.09), a Bienal de São Paulo abriu suas portas para a imprensa. Por duas horas, jornalistas, fotógrafos e curadores puderam passear pelo Pavilhão da Bienal e conhecer algumas das 2900 obras de 111 artistas presentes nesta trigésima edição. Em seguida, deu-se início a coletiva com o presidente Heitor Martins, o curador Luis Pérez-Oramas, o arquiteto Martin Corullon, Stela Barbieri, do Educativo Bienal, o coordenador geral de comunicações André Stolarski e também parceiros culturais e patrocinadores.

Luis Pérez-Oramas, curador da 30ª Bienal de São Paulo ©Ricardo Toscani/FFW

Pela primeira vez o corpo curatorial é majoritariamente internacional. Liderada por Luis Pérez-Oramas, venezuelano que mora em Nova York, onde também atua no Museum of Modern Art, a equipe é formada pelo brasileiro André Severo, o americano Tobi Maier e a também venezuelana Isabela Villanueva. Sobre a escolha dos expositores, Oramas assegurou a exclusividade quando falou na coletiva de imprensa. “Não escolhemos olhando catálogos ou outras bienais. Fomos visitar cada artista e cada uma de suas obras”. Ele ressaltou também a dificuldade da escolha, que chega a bater em questões práticas. “Pensar a bienal é um capítulo. Materializá-la é outro. (…) Existem obras incríveis, porém impossíveis de se colocar aqui”. Além de seguir o tema central, “A iminência das poéticas”, a curadoria do evento procurou formar constelações de artistas, de maneira que estes conversem entre si. Tal ideia levou a uma distribuição das obras com diversas passagens. Cada espaço possui várias entradas, saídas e vãos livres, conectando assim as “estrelas”, seja por estilo, formato ou linguagem artística. Reforçando a ideia da força de um conjunto de obras, Luis afirma que “não é um conceito que produz uma obra de arte, mas sim as obras é que produzem o conceito”. Do lado positivo, esta galáxia artística ganha forma e a arte é entendida de um ponto de vista mais amplo. Já na questão individual, há momentos em que os espaços transbordam em seus vizinhos, seja com imagens de vídeo ao fundo ou sons vindos de instalações.

Um exemplo da “constelação” criada com as obras na 30ª Bienal de São Paulo ©Ricardo Toscani/FFW

Uma grande inovação neste ano é a busca por levar física e virtualmente a arte para a sociedade. Por meio do programa “Bienal na Cidade”, alguns artistas não terão suas obras expostas no Pavilhão da Bienal no Parque Ibirapuera, mas sim em lugares como a Avenida Paulista, MASP, Estação da Luz, Capela do Morumbi, Casa do Bandeirante, Casa Modernista, Museu de Arte Brasileira da FAAP e Instituto Tomie Ohtake. Além disso, já estão sendo feitas as negociações do projeto itinerante, que poderá levar parte das obras a algumas unidades do SESC no interior paulista, assim como Belo Horizonte e Brasília. Outro ponto importante, ressaltado por Danilo Miranda, diretor regional do SESC-SP, é de que a Bienal estimula o acontecimento de um circuito paralelo nas instituições culturais da cidade, como a exposição de Lygia Clark no Itaú Cultural e a de Isaac Julien no SESC Pompeia. Na questão virtual, além de um website repleto de informações sobre a instituição, obras e artistas, a 30ª edição irá lançar um aplicativo para smartphones – previsto para 4 de setembro -, em que o usuário conseguirá “visitar” a exposição e interagir com as obras.

Sobre o que esperar da exposição

Obra do brasileiro Thiago Rocha Pitta, que trabalha no diálogo com o ambiente natural ©Ricardo Toscani/FFW

No conteúdo das obras, as formas de representação são das mais diversas existentes nas artes visuais. Como Oramas comenta – e adianta tratar-se de uma opinião pessoal -, “reduzir a arte em formatos é contraproducente”. É preciso pensar na arte pela arte, seja esta uma pintura, instalação, fotografia, vídeo ou escultura, reforçando o centro curatorial, que aborda os temas da “multiplicidade, transicionalidade, recorrência e permanente mutabilidade das poéticas visuais”.

Obra metalinguística e crítica de Productos Peruanos Para Pensar, o “coletivo de um homem só”, Alberto Casari. Em seu espaço, há somente caixas, quadros tampados e a frase que se lê acima ©Ricardo Toscani/FFW

Não somente no âmbito da linguagem, a diversidade de processos criativos, escolas artísticas, épocas e referências demonstra o grande e simples intuito da Bienal de São Paulo: mostrar um panorama da arte. Expondo consagrados, como o fotógrafo alemão do início do século 20, August Sander, o controverso artista plástico carioca Bispo do Rosário e também Sheila Hicks, que foca suas obras com tecidos, esta edição conta ainda com 75% dos artistas expondo trabalhos inéditos ou feitos especificamente para a mostra.

Obra de Arthur Bispo do Rosário, artista plástico brasileiro que passou um grande período de sua vida internado em instituições psiquiátricas, onde produziu suas obras ©Ricardo Toscani/FFW

Também no time dos brasileiros, vale destacar o trabalho do paulistano Nino Cais, que por meio de vídeos e fotografias constrói uma temática do absurdo fundindo seu corpo com objetos básicos do dia-a-dia.

Fotografia de Nino Cais para a 30ª Bienal de São Paulo ©Divulgação

Um pouco mais sobre a Bienal…

Fundada por Ciccillo Matarazzo em 1951, a Bienal de São Paulo é hoje considerada uma das maiores exposições no circuito da arte mundial, já tendo recebido obras de artistas como Picasso, Giacometti, Magritte e Pollock. De acordo com o presidente da Fundação, Heitor Martins, a edição passada atraiu 530 mil visitantes, mais do que eventos como a Fórmula 1 e até o Carnaval. Para esta edição de 2012, foram investidos 22,4 milhões de reais, sendo 65% deste valor advindos da Lei Rouanet, com o Itaú como patrocinador principal.

A 30ª Bienal de São Paulo tem 30 cartazes de divulgação

30ª Bienal de São Paulo - Entrada gratuita

Período da exposição: de 7 de setembro a 9 de dezembro de 2012
Horários de visitação: terças, quintas, sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h (entrada até as 18h). Quartas e sextas-feiras, das 9h às 22h (entrada até as 21h)
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque do Ibirapuera – Portão 3, São Paulo – SP
Locais das exposições fora da Bienal e outras informações: bienal.org.br

http://ffw.com.br/noticias/category/arte/

 

 

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(Créditos: Gabriel Oliveira) 

 

Entrevista com Zé Celso Martinez:

Ator, escritor, diretor e excêntrico, José Celso Martinez Corrêa, ou simplesmente Zé Celso, dispensa apresentações cordiais. Pelo menos foi assim com o Guia da Semana. Com entrevista marcada no Teatro Oficina, o diretor surpreendeu e convidou os repórteres para o seu apartamento, na região da Avenida Paulista. Entre risadas e frases chocantes, Zé Celso fez um balanço de sua carreira e do Teatro Oficina, ícone da cultura brasileira, que completa em 2011, 50 anos. 

E ninguém melhor que Zé Celso para falar sobre o local. Com a homologação do tombamento do edifício, projetado por Lina Bo Bardi, o prédio passa a ser considerado patrimônio histórico nacional e todo o seu entorno também fica protegido. Após uma verdadeira novela, que durou anos, com o apresentador Silvio Santos, finalmente o espaço (avaliado em cerca de R$ 33 milhões) não será demolido para se tornar um shopping, como pretendia o dono do Baú. 

O grande sonho de Zé Celso agora é transformar o espaço ao lado do Oficina em um teatro estádio, nos mesmos moldes das grandes arenas gregas. Enquanto isso não acontece, a vida continua. E no caso do Oficina, ela segue com a peça Macumba Antropófaga, que entra em cartaz para marcar o cinquentenário do espaço. O enredo resgata o espírito do manifesto oswaldiano, relembrando toda a influência do modernista Oswald de Andrade no grupo, que veio desde a estreia do espetáculo O Rei da Vela, em 1967. 

Veja uma entrevista exclusiva que o Guia da Semana realizou com o diretor em 2008, quando ele comemorava então os 50 anos do grupo fundador do teatro, o Uzyna Uzona. 

Guia da Semana: Qual é grande diferença do espaço depois de 50 anos? 
José Celso: Existe uma intensidade maior que antigamente. Eu acho que nós vivemos em um período de muita desconstrução. Na época era bom também, teve o surgimento da Bossa Nova, Cinema Novo, o país cresceu na democracia, foi uma série de coisas até o primeiro golpe. Logo depois veio o AI-5 e foi muito violento, época de repressão total, exílio. Eu sofri, eu fui torturado, mas eu to cagando pra isso. Eu resisti, eu sobrevivi. Os atores mais sensacionais e com uma energia maravilhosa estavam na época de Roda Viva. Mas a oportunidade de retorno foi maravilhosa. Tivemos uma vida subterrânea maravilhosa, uma clandestinidade, o exílio. Foi sempre vivido com uma coisa que o teatro dá que é uma situação de poder criar dentro dela, ela não pode te destruir, então você vai pegando o veneno e vai ficando imune e virando o remédio. Eu não sou de resistência, muito pelo contrário, a gente tem que ser irresistível sempre. Deve sempre resistir a cada obstáculo que aparece. Você tem que inventar tudo de novo a cada momento e a cada instante. 

Guia da Semana: Suas peças têm um conteúdo erótico muito forte. O que é erotismo pra você? 
Zé Celso: É a alma, é a eletricidade, é o tesão, uma coisa que você mede com um aparelho. É vida, é a mesma coisa que dá na música, na arte. Uma pessoa que não cultiva o tesão, não tem talento para ser artista. Nossas peças são muito eróticas, damos um valor enorme para isso, existem cenas lindas em que o Papa é enrabado por uma hermafrodita. Eu tenho planos de criar uma faculdade antropófaga onde haja um bordel. Onde tenha iniciação sexual, porque educação sexual não quer dizer só que tem que usar camisinha. É muito mais. Tem toda uma filosofia tântrica e entre outras coisas muito diferentes do papai e mamãe ou aquelas perversões baratas e aquele amor meio sem erotismo. Erotismo é tudo, é a alma da vida. Sexo sem erotismo não é nada. 

Guia da Semana: Mas muita gente se choca com as cenas de sexo nas suas peças. Como encara isso? 
Zé Celso: Eu adoro, eu adoro sacanagem. Eu dou uma importância muito grande ao amor, todas as formas de amor e a pornografia também. As putas e os putos antigamente ensinavam o povo a viver. Nós brincamos com isso, mexemos com todos os tabus... e o que eu tava falando mesmo? (Alguém lembra o Zé ao fundo). Ah sim, inclusive a gente não pode ter medo de Eros, a gente tem que cultuar porque a gente vem disso. Claro que inventam muitas coisas, como o casamento, que tem que assinar papel, viver eternamente, só pode transar pra ter filho, mas tudo isso já era. A igreja insiste, mas cada vez mais o mundo descobre o corpo e o teatro também. O teatro é uma forma de culto ao corpo. Tem que rolar uma putaria. 

Guia da Semana: Você não acha meio hipócrita a sociedade que assiste às suas peças e fica chocada e logo em seguida sai e vê a era do funk, por exemplo? 
Zé Celso: Claro. É que o teatro ficou considerado um lugar de moral. As pessoas iam ao teatro para serem educadas, se instrumentalizar. Mas os teatros gregos sempre foram a favor do amor. Amor erótico gostoso que dá prazer. Por exemplo, eu tenho muito respeito pelas prostitutas que têm relações sexuais com qualquer um, eu tiro o chapéu. Porque a pessoa tem a capacidade de dar amor e fazer uma performance, porque na verdade o amor é uma performance. 

Guia da Semana: Como é manter a chama do Oficina acesa durante tanto tempo? 
Zé Celso: Tesão (risos). Acordar e dizer, tô vivo. Outro dia me perguntaram qual é a palavra que eu mais falo, e eu respondi: orgia, e a que eu mais escuto: não. É essa luta entre sim e não. 

Guia da Semana: Como é lidar com a vida de artista, ator? 
Zé Celso: É uma delícia, não existe vida melhor. Custa caro, é difícil, você pena, mas eu não troco por vida nenhuma. Se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu faria. 

Guia da Semana: Você fez faculdade de direito. Chegou a exercer a função? 
Zé Celso: Fiz e usei, exerci a favor da arte. 

Guia da Semana: Você sempre escutou muito não, foi reprimido e perseguido. Em momento nenhum você teve vontade de largar tudo? 
Zé Celso: Não, nunca. Houve épocas em que eu não podia fazer porque a polícia e a censura não deixavam. Me prenderam, me torturaram, tive que mudar para outro país, mas tudo bem. 

Guia da Semana: Você sofreu muito com essa punição por parte dos patrocinadores? 
Zé Celso: Sempre, eles não investem porque não querem vincular suas marcas a nossa imagem. É um jogo muito louco e dificílimo. Pagamos um preço alto por isso. Olha o meu apartamento, por exemplo, eu não tenho nada, mas não me arrependo. Eu quero ganhar mais dinheiro, eu gostaria de ser rico. Eu quero ser rico sem deixar de ser eu mesmo, sem abdicar do que eu sou. Você já imaginou um Gianecchini pousando nu? Não pode, ele mesmo não se permite. Para fazer sucesso nesse esquema você tem que se castrar. 

Guia da Semana: Como você imagina o Teatro Oficina daqui a 50 anos? 
Zé Celso: Eu não imagino. Eu imagino isso aqui agora. Estou cultivando tudo que aprendi com Cacilda (Becker), Oswald (de Andrade), Shakespeare. Nós todos aqui queremos muito mais do que celebridade, nós queremos a imortalidade, deixar um vestígio profundo nas pessoas, tatuar nossa marca. Chegar ao amor pelas espécies. Antes da celebridade quero a eternidade. 

Guia da Semana: Como você gostaria de ser lembrado? 
Zé Celso: Eu não quero ser lembrado! Eu quero é ser comido. Eu quero inclusive que quando eu morrer me façam de picadinho e joguem em uma montanha e uma porção de urubus me comam. Eu adoro urubu. Sou antropófago.

http://www.guiadasemana.com.br/artes-e-teatro/noticia/entrevista-com-ze-celso

 

 

 

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Amigos e amigas, quais as notícias de arte na sua cidade? Fiz uma busca mas é melhor vcs mesmo buscarem ai, muita coisa legal não é publicado, aqui em Gyn ontem foi aberta a exposição de uma artista desconhecida, que amo, a Yashira, ela passa uma mensagem de paz através de uma arte construida com coisas de arte povera, folhas, latas, papeis, textos, etc, no momento estava sem a máquina fotógráfica, vou ver se compro ao menos um celular que sirva para tirar umas fotos bacanas e filmar. No local havia um fotógrafo e perguntei a ele onde eu poderia achar as fotos, ele disse que é funcionário do Tribunal, vou ver se acho, depois eu volto.

 

 

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Sobre a eleição para prefeito do Rio de Janeiro (2012)

 

Re: Fora de Pauta
 

O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

segunda-feira, 17 de setembro de 2012Os segredos do tucanoduto. Civita acusa: 'Serra me usou como um boy de luxo. Mas agora vai todo mundo para o ralo'Faltavam catorze minutos para as 2 da tarde da última sexta-feira quando o empresário Roberto Civita, presidente da revista Veja e do Grupo Abril, parou seu carro em frente a um bar, em São Paulo. Responsável pelas mais infames acusações aos governos dos presidentes Lula e Dilma, ele tem cumprido religiosamente a tarefa de ir até esse modesto bar numa região pobre da grande São Paulo. Desce do carro, vai até o balcão e é servido com sua bebida preferida, que sorve numa talagada. Chega mais cedo para evitar ser visto pelos outros bebuns e vai embora depressa, cabisbaixo. "O PSDB me transformou em bandido”, desabafa. Civita sabe que essa rotina em breve será interrompida. Ele não tem um átimo de dúvida sobre seu futuro. Nessa mesma sexta, Civita havia organizado em mega-encontro, com mais de mil empresários do Brasil e do exterior.Chamou o ilustre economista Paul Krugman e também o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Ambos confirmaram presença. Mas, em cima da hora, a presidente arranjou uma desculpa para não comparecer e o ministro abandonou a mesa de debates, sem dar satisfações. "Ali, foi selado meu destino" - acredita Civita. Pessoas próximas ao empresário afirmam que Civita teria responsabilizado o candidato tucano à prefeitura de São Paulo, José Serra, pelo vexame que deu em público. Meneando a cabeça, ele saiu exclamando para quem quisesse ouvir: “Eu avisei ao Serra que ia dar merda! Eu avisei!”. Apontado como o responsável pela engenharia que possibilitou ao PSDB e até recentemente ao DEM montar o maior esquema de espionagem, baixaria e calúnia da história, Civita enfrenta um dilema. Nos últimos dias, ele confidenciou a pessoas próximas detalhes do pacto que havia firmado com os tucanos. Para proteger os figurões, conta que assumiu a responsabilidade de cometer crimes que não praticou sozinho, mas com a ajuda de Carlinhos Cachoeira e seu grupo de arapongas, que faziam as “reportagens investigativas” de Veja, para defender interesses dos demo-tucanos. Civita manteve em segredo histórias comprometedoras que testemunhou quando era o "predileto" do poder, relacionadas à privataria e aos escândalos da área de saúde do governo FHC, comandada por José Serra. Em troca do silêncio, recebeu garantias. Primeiro, de impunidade. Depois, quando o esquema teve suas entranhas expostas pela Policia Federal, de que nada aconteceria a ele nem a Demóstenes Torres. Com a queda de Demóstenes, logo após a prisão de Cachoeira, além de ter a equipe da revista desfalcada, Civita tentou um último subterfúgio para não naufragar: mandou fazer uma capa de destaque com a presidente Dilma. Serra ficou enfurecido e o ameaçou. "Ele disse que abriria o jogo e mostraria que por trás de Carlinhos Cachoeira estava Policarpo, e por trás de Policarpo, eu". Civita guarda segredos tão estarrecedores sobre o tucanoduto que não consegue mais reter só para si — mesmo que agora, desiludido com a falsa promessa de ajuda dos poderosos que ele ajudou, tenha um crescente temor de que eles possam se vingar dele de forma ainda mais cruel. Os segredos de Civita, se revelados, põem o ex-presidente FHC e José Serra no epicentro do maior escândalo de corrupção da história, a privataria tucana. Puxado o fio da meada, vêm juntos o caso Banestado, o Proer, a venda da Vale, o Fonte Cindam, a lista de Furnas. Sim, e, no comando das operações, Serra. Sim. Serra, que, fiel a seu estilo, fez de tudo para não se contagiar com a podridão à sua volta, mesmo que isso significasse a morte moral e política de companheiros diletos. Civita teme, e fala a pessoas próximas, que se contar tudo o que sabe estará assinando a pior de todas as sentenças — a de sua morte: "Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo até hoje". (continua amanhã)

(O Blog diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações)http://blogdomello.blogspot.com.br/2012/09/os-segredos-do-tucanoduto-civita-acusa.html  Os Segredos de Civita, parte 2. Os planos da quadrilha incluíam Serra no Planalto e Demóstenes no STF

Se você não leu a parte I, clique aqui (http://blogdomello.blogspot.com.br/2012/09/os-segredos-do-tucanoduto-civita-acusa.html) e confir...a Os segredos do tucanoduto. Civita acusa: 'Serra me usou como um boy de luxo. Mas agora vai todo mundo para o ralo'. Ou então, prossiga:

Com a segurança de quem transitava com desenvoltura pelos gabinetes oficiais, inclusive os palacianos, e era considerado um parceiro preferencial pela cúpula tucana, o presidente do Grupo Abril e da revista Veja Roberto Civita afirma que, primeiro FHC, mas, depois e até hoje, Serra “comandava tudo". Em sua própria defesa, diz que como operador das reportagens encomendadas contra o PT não passava de um “boy de luxo" de uma estrutura que tinha o então presidente e seu candidato no topo da cadeia de comando. "FHC era o chefe, hoje é Serra”, repete Civita às pessoas mais próximas.

A afirmação se choca com todas as versões apresentadas por Serra desde que o livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro, foi lançado, de que tudo era “lixo, lixo, lixo”.

A ira de Roberto Civita desafia a defesa clássica do ex-presidente FHC de que não sabia do Tucanoduto e nada teve a ver com o esquema arquitetado em seu primeiro mandato para sua reeleição. “Todo mundo sabe que ele comprou a emenda de sua reeleição. Sem contar os escândalos na área da saúde, comandada por Serra. E mais a lista de Furnas, a privataria, o Banestado, o Proer”...

Amigos contam que o que mais deprime Civita é a situação quase falimentar do Grupo Abril. A Veja se sustenta com anúncios. Para obtê-los deve produzir edições com tiragens de mais de um milhão de exemplares, que não se pagam com as assinaturas e vendas nas bancas. “Estamos queimando a casa [Grupo Abril – Nota do Blog] para produzir lenha para a Veja. Até cópia xerox, proibi na empresa”.

A rota de fuga de Serra evoluiu mais tarde para a negação completa, com a tese nefelibata de que a privataria tucana nunca existiu, tendo sido apenas uma armação do PT para chegar ao poder. A narrativa de Civita coloca Serra não apenas como sabedor de tudo o que se passava - Sanguessugas, Vampiros, Proer, Banestado, Privataria -, mas no comando das operações."Há até um vídeo na internet em que FHC confirma isso" [o vídeo é este aqui - Nota do Blog].

“O chefe é Serra. O objetivo era colocá-lo na presidência e Demóstenes [ex-senador cassado Demóstenes Torres, que também foi expulso do DEM – Nota do Blog] no Supremo. Com Demóstenes e Gilmar Mendes lá, o Brasil seria nosso”. No entanto, Demóstenes foi derrubado por operação da PF e Serra mais uma vez derrotado na luta pelo Planalto. “Agora, nem a prefeitura. Nossa salvação seriam os livros didáticos que ele colocaria nas escolas. Mas, agora, nem isso”...

Civita não esconde que se encontrou com Serra diversas vezes no Palácio do Planalto. Ele faz outra revelação: “Do FHC ao Serra era só descer a escada. Isso se faz sem marcar. Ele dizia vamos lá embaixo, vamos”. A frase famosa e enigmática de José Serra — "Tudo que eu faço é do conhecimento de FHC” — ganha contornos materiais depois das revelações de Civita sobre os encontros em palácio. Roberto Civita reafirma que pode acabar nas barras do Supremo Tribunal, mas faz uma sombria ressalva. “Não podem condenar apenas os mequetrefes. Só não sobrou para o Serra porque eu, o Paulo Preto e o FHC não falamos”, disse na semana passada a um dos únicos amigos do bar da periferia que tem freqüentado anonimamente.

“Mas, se eu quebrar, não vou sozinho. Produzi um vídeo com quatro cópias”... Nesse instante, o telefone de Civita tocou e ele se afastou. Foi possível ouvir apenas “Diogo, já estamos promovendo seu livro na revista e pagando os processos. Estou na lona. O dinheiro acabou”... (continua amanhã)

(O Blog diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações. Tentamos também contacto através de nosso celular. Mas nosso plano Infinity da Tim não permitiu que nenhuma ligação se completasse.Por isso não conseguimos entrevista com Civita, Serra ou FHC, mas, frisamos, nenhum deles desmentiu nada)

http://blogdomello.blogspot.com.br/2012/09/os-segredos-de-civita-parte-2-os-planos.html 

 


10 inovações “verdes” das Olimpíadas de Londres

 

Arena de Basquete para os Jogos Olímpicos de Londres


Arenas recicláveis

Depois de um grandioso espetáculo cheio de pirotecnia em 2008, Pequim ainda não encontrou finalidades para alguns de seus estádios. Para não cometer o mesmo erro, Londres evitou as sedutoras megaconstruções olímpicas que, além de pressionar o orçamento, se tornam muitas vezes um problemão após as competições. Exemplo disso é a arena que abrigará os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de basquete. Erguida dentro dos padrões da construções sustentáveis - que balizaram todo o projeto inglês - a arena é totalmente reciclável. Ao final dos jogos, toda sua estrutura - dos bancos às quadras, passando pelo esqueleto de mil toneladas de aço e a cobertura inflável de PVC branca - poderá ser desmontada e reutilizada em outras instalações esportivas pelo país. A arena que vai sediar a modalidade pólo aquático também segue a mesma premissa de temporalidade. Erguida a partir de materiais de plástico reciclado, ela será desmontada ao término dos jogos. 

 

Ultra, carro elétrico do aeroporto de Heathrow, em Londres 
Aeroporto com carrinhos elétricos

O principal aeroporto da cidade, o Heathrow International – que deve receber pelo menos 80% de todos os atletas, dirigentes e espectadores das Olimpíadas -, inaugurou um sistema de carrinhos elétricos, que dispensam motorista, usados para levar os passageiros do aeroporto aos bolsões de estacionamento e vice-versa. Cada veículo, que comporta até quatro pessoas, trafega sobre uma pista exclusiva a uma velocidade de até 40 km/h e tem emissão reduzida de poluentes.

Ao passageiro, cabe o simples trabalho de acionar em uma tela o destino desejado. O tempo da viagem entre o terminal e o estacionamento é de cerca de quatro minutos. Os “Ultra”, como são chamados, fazem parte do programa “Sistema de trânsito pessoal rápido” (PRT, na sigla em inglês) e substituíram alguns dos ônibus a diesel usados para transporte de passageiros no aeroporto. Além do ganho ambiental óbvio, o sistema ajuda a evitar lotações e diminuir o tempo de espera. Uma solução prática, eficiente e sustentável.

 

Lixeira de coleta seletiva que transmite noticias
 Lixeiras high tech para transmitir notícias

Em fevereiro, Londres instalou um moderno e inovador sistema de coleta seletiva: lixeiras inteligentes equipadas com duas telas LCD uma em cada lado, que são sensíveis ao toque e transmitem notícias em tempo real. Diariamente, das 6h às 23h59, os aparelhos de coleta seletiva reproduzem informações do mercado financeiro, meio ambiente, de cultura e arte, generalidades e previsões do tempo. Há planos, inclusive, de garantir conectividade Wi-Fi na temporada dos jogos olímpicos. A ideia por trás da atratividade do aparelho é uma só: chamar atenção da população para aumentar a taxa de reciclagem da cidade.

 

Ciclista em Londres

Recompensa para quem andar de bicicleta ou a pé

Imagine ser recompensado monetariamente por deixar o carro em casa e ir a pé ou de bicicleta para o trabalho? Com a aproximação dos jogos olímpicos, essa é a tática que a prefeitura de Londres pretende adotar para estimular a mobilidade sustentável, reduzir a poluição e os níveis de congestionamento. Por trás do bônus verde está a empresa Recyclebank que, em parceria com a companhia de transporte municipal Transport for London (TfL), criou um aplicativo para smartphone capaz de mensurar e pontuar os deslocamentos por meios alternativos de cada pessoa. Quando um usuário digita o destino de sua viagem, o app re.route sugere rotas para percorrer a pé ou de bike. Quem segue uma das vias alternativas ganha cinco pontos de recompensa, que são então convertidos em prêmios resgatáveis na forma de descontos em lojas e cinemas conveniados. Disponível apenas para iPhone, o aplicativo começou a valer em maio e no futuro há planos de gerar uma versão para Android.

Congestionamento em Londres

"Cola mágica" contra poluição

As ruas de Londres recebem, desde o começo do ano, uma solução química capaz de atrair partículas de poeira fina do ar e prendê-las ao asfalto. Um veículo especial asperge uma solução de acetato de magnésio de cálcio, que tem o curioso efeito de atrair partículas de poeira fina em suspensão e prendê-las ao asfalto. Uma vez capturada, a poeira é recolhida pelo movimento contínuo dos pneus de carros ou lavada pela chuva. Segundo o excêntrico prefeito Boris Johnson, dá para reduzir em até 10% a concentração de partículas de poeira no ar, melhorando a condição da atmosfera.

 

Os novos modelos de ônibus de dois andares de Londres

Ônibus de dois andares ganha versão ecológica

Um dos principais símbolos de Londres ganhou ares mais modernos e ficou mais ecológico. O tradicional ônibus vermelho de dois andares foi adaptado para receber de forma mais adequada as pessoas com dificuldade de mobilidade e também gerar menos poluição. Os novos modelos, que começaram a circular em fevereiro, são equipados com uma tecnologia híbrida, que usa eletricidade e diesel “verde”, que emite metade dos gases poluentes de uma versão convencional, e tem o dobro da eficiência no aproveitamento de combustível.

Mais :

http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/sustentabilidade/noticias/10-inovacoes-verdes-das-olimpiadas-de-londres

 

Demarchi

 

CANDIDATO A PREFEITO DE SP, CELSO RUSSOMANNO, TENTOU ANULAR PROJETO FICHA LIMPA RETIRANDO O PERÍODO EM QUE O POLÍTICO FICARIA INELEGÍVEL


Publicado por

A lista (veja abaixo) é encabeçada pelo PMDB, com 18 deputados, e pelo PP, com 16. Em seguida, vêm o PR, com seis nomes, e o PTB, com três.



Russomanno: votou contra o ficha limpa e lidera pesquisas em São Paulo

 

Dos 12 destaques, nove ficaram para ser analisados na próxima terça-feira (11). Dois dos três derrubados ontem afetavam profundamente a aplicação do projeto, cujo texo-base foi aprovado anteontem (4).

Primeiro, os deputados derrubaram (362 votos a 41) a possibilidade de retirar do projeto o período em que um político se tornaria inelegível por compra de votos ou abuso de poder econômico. Na visão de deputados favoráveis ao ficha limpa, como Flávio Dino (PCdoB-MA), essa manobra poderia fazer com que a matéria viesse a ser questionada futuramente em relação à sua constitucionalidade.

Afinal, uma das máximas do direito diz que toda conduta reprovável precisa ter uma pena determinada. Essa alteração foi proposta pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Depois, os parlamentares rejeitaram (377 votos a favor, dois contra e duas abstenções) a retirada da principal característica do projeto: tornar inelegível o candidato condenado por órgão colegiado judicial (tribunal de justiça estadual ou federal). Atualmente, o político só fica impedido de se candidatar quando é condenado em última instância na Justiça, ou seja, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A corte constitucional jamais condenou um político. Esse destaque foi proposto pelo líder do PTB, Jovair Arantes (GO), que não participou da votação.

veja a relação dos deputados que tentaram inviabilizar a proposta:

http://glaucocortez.com/2012/09/06/candidato-a-prefeito-de-sp-celso-russomanno-tentou-anular-projeto-ficha-limpa-retirando-o-periodo-em-que-o-politico-ficaria-inelegivel/

 

Demarchi

 

Os idiotas e as baratas sobreviverão ao próprio planeta


Há um visível recrudescimento na idiotização das pessoas. A mídia é a principal usina de produção em série de idiotas e tolos de todos os calibres. O nivelamento por baixo e o achatamento geral do imaginário médio é a principal contribuição dos modernos meios de comunicação de massas. Hoje, é muito fácil encontrar o que eu chamo de idiota triunfante, aqueles sujeitos que se orgulham da própria ignorância e pobreza de espírito. O tolinho jactancioso tira prazer onanista da sua condição, e se basta.

O espírito de nossa época - o Zeitgeist, como diz apropriadamente o alemão - flutua numa emulsão formada por dois elementos: a ciência (as tecnologias) e a idiotice. Os idiotas de nosso tempo se projetam nos gadgets que encontram pelo caminho. Observem: todo o tolo que se preza porta pelo menos um artefato mecânico ou eletrônico. Não vive sem essas muletas. É a sua forma de se referenciar com o mundo, de comunicar a sua estupidez relativa ("afinal, estou conectado ao futuro!").

Mas o fenômeno não é original. Gustave Flaubert, o corrosivo crítico da burguesia, ainda no século 19 já havia detectado o fenômeno da tolice social. Para tanto, começou a colecionar os ditos correntes do senso comum e reuniu-os no famoso Dictionnaire des idées reçues ("Dicionário das ideias feitas", numa tradução livre). O escritor francês comentou - e publicou nesta pequena obra de pouco mais de cem páginas - todas as bobagens ditas pelas pessoas que queriam parecer inteligentes e atualizadas. Aliás, Flaubert seria o descobridor da tolice. Quem garante é Milan Kundera, para quem a tolice é a maior descoberta de um século - o 19 - tão orgulhoso de sua razão científica. Antes de Flaubert não se duvidava da existência da tolice, embora esta fosse compreendida de um modo diferente. A tolice era considerada como uma simples falha do conhecimento, um vazio provisório, passível de ser preenchido pela instrução. Mas Flaubert insiste, e praticamente sustenta a sua obra baseada no tema da tolice e da idiotia. Ema Bovary é uma tola que aspirava ser amada por todos os homens. Bouvard e Pécuchet são dois pequenos idiotas que aspiram conhecimentos enciclopédicos acerca de tudo. Leio agora na Wikipédia que Barthes considerou "Bouvard e Pécuchet" como "uma obra de vanguarda". A considerar a idiotia galopante de nossos dias, pode ser.

Kundera brinca afirmando que "a descoberta flaubertiana é mais importante para o futuro da humanidade que as ideias mais perturbadoras de Marx ou de Freud". Pois podemos imaginar o futuro do mundo - prossegue Kundera - sem a luta de classes ou sem a psicanálise, mas não a invasão irresistível das ideias feitas, estandardizadas, pasteurizadas, que, "inscritas nos computadores, propagadas pela mídia, ameaçam tornar-se em breve uma força que esmagará todo o pensamento original e individual e sufocará assim a própria essência da cultura européia dos Tempos Modernos".

O mais chocante - constatado pelos geniais romances de Flaubert - é que a tolice não se apaga diante da ciência, das altas tecnologias, da pósmodernidade (seja lá o que isso signifique). Milan Kundera ousa afirmar que "ao contrário, com o progresso, ela também progride!"

Arrisco a dizer que os bobalhões e as baratas sobreviverão ao próprio planeta.

"Coisas da vida" - como diria Kurt Vonnegut, outro escritor especialista em tolos e idiotas.
 
do Diario Gauche

 

http://avalon.law.yale.edu/subject_menus/imt.asp#rules

Acimas estão os autos dos processos do Tribunal Internacional para Crimes de Guerra de Nuremberg,

compilados pela Faculdade de Direito da Universidade de Yale.

O Tribunal foi extremamente cuidadoso com as provas documentais e testemunhais, tanto que alguns obvios potenciais condenados ou foram absolvidos, caso de Schacht ou tiveram penas consideradas leves, caso de Doenitz. O caso de Hjalmar Schacht, Presidente do Reichsbank (banco central) e depois Ministro da Economia de Hitler foi considerado por muitos escabroso porque Schacht mais do que nenhum outro personagem contribuiu para organizar o financiamento do rearmamento alemão, sem o qual não haveria guerra. Mas não havia contra ele provas, apenas indicios, deduções e ilações.

No caso do "mensalão" acredito que pela primeira vez o Relator derrapou na construção do cenario para condenar. É uma aberração ele tentar considerar prova de votação comprada valores recebidos

proximos às datas das votações. É um indicio mas não uma prova que sirva em um tribunal. Serve para iniciar um inquerito mas não como prova para condenar. É perfeitamente possivel ter recebido dinheiro para pagar dividas de campanha, o liame com a votação é uma presunção, nesse nexo  se pode construir provas virtuais sobre tudo na vida, não faz sentido em um processo politico com esse nivel de significancia e implicação na vida publica do Pais. Um banco foi assaltado na minha rua, dois dias depois eu troquei de carro, então deduz-se que eu sou o assaltante do banco? É por ai que segue esse enredo.

Em Nuremberg os juizes eram os vencedores e os reus os vencidos, era um tribunal de punição mas não descambou para a vingança, o corpo de advogados e juristas que operaram o Tribunal foi extremamente cauteloso para não fazer o julgamento descambar para linchamento, porisso os processos precisavam ser sólidos, muito bem documentados, havia um odio no ar contra os alemães,

os milhões que morreram por causa da agressão alemã tinham parentes sequiosos por vingança pesada. No clima do imediato pós guerra, ainda com as cinzas quentes, seria facil ir para a inquisição com fogueira mas não foi isso que aconteceu. A percepção geral na época e entre historiadores é de que o julgamento foi justo exatamente porque não se processou por achismos, ilações, presunções ou clamor das ruas, havia documentos em abundancia para instrumentar os processos, os testemunhos foram provas adicionais mas nunca a unica prova.

O Relator do "mensalão" até este ponto procurou, dentro de seu relatorio desequilibrado porque só ouviu a acusação e nunca cita a defesa (pelo menos eu não vi qualquer menção às razões da defesa dos reus) basear-se em provas documentais mas no caso da compra de votos partiu para aquilo que ele acha que aconteceu ligando um dinheiro recebido com votação na Camara, o que não é prova, é presunção, o projeto votado era de interesse do Pais e não apenas do PT, muitos que nada receberam votaram a favor do projeto, outros eram do proprio PT e não tem sentido pensar que teriam que ser comprados pos seu proprio partido, se é Tribunal e não um Soviete de expurgos esse caminho não serve à Democracia.

 

 

Muito bom AA. A estas alturas do campeonato o STF já pegou a pecha de Tribunal de Exceção. E fez por merecer. De direito não se trata de um Tribunal de Exceção mas, de fato o é, há um rosário de monstruosidades jurídicas que apontam para isso. Se Dirceu ou outros que foram julgados com base em indícios, apenas por pertencerem ao governo, forem para a prisão, essa podridão do STF virá à tona. Temo pelo que acontecerá a este país por causa deste julgamento politico. Todos nós devemos temer isso, inclusive estes que no momento aplaudem as maluquices de Barbosa em seu furor anti-petista. Na verdade muitos réus estão sendo condenados simplesmentes pq não existem provas contra eles. Que argumento mais tosco esse de Barbosa et caterva: Se as provas não existem isso é indicio de que o réu é culpado. Como aponta com maestria o AA, isso não aconteceu nem mesmo em Nuremberg, foram vários anos se removento escombros e arquivos para a busca de provas contra os réus acusados de crimes de guerra. Mas no julgamento do mensalão, na ausência de provas um beijo enviado por email serviu, para dupla Barbosa/Fux, como prova de que a carimbadora de cheques era uma criminosa. 

 

 

...spin

 

 

Da Exame.com

 

Os 6 candidatos às Prefeituras mais ricos

 

São Paulo - Candidatos a cargos públicos têm de entregar uma declaração de seus bens ao Tribunal Superior Eleitoral, e esses dados são públicos. Não entram nessa declaração posses que estejam nos nomes de familiares ou amigos, o que resulta em muitos dos candidatos (especialmente mulheres casadas) aparecerem como "não há bens declarados".

De acordo com aquilo que cada candidato declarou sobre o que possui, a EXAME.com considerou os candidatos às prefeituras das capitais brasileiras nas eleições 2012 e selecionou os seis "mais ricos", ou cujos bens declarados somam os valores mais altos.

 ACM Neto

 

Antonio Carlos Magalhães Neto, candidato à Prefeitura de Salvador, na Bahia, entra nessa lista. Somadas suas posses, ele tem R$ 13.327.167,12.

E não são poucas posses. O deputado do DEM declarou dinheiro em fundos de investimentos, previdência privada e ações. Além disso, ainda tem um apartamento avaliado em 900 mil reais na Bahia e um carro.

Um de seus maiores bens, entretanto, são as quotas da TV Bahia que ele adquiriu em 2012 e que valem mais de 9 milhões de reais.

Para ver os demais candidatos :

http://exame.abril.com.br/brasil/politica/noticias/os-6-candidatos-as-prefeituras-mais-ricos

 

 

Demarchi

Da Exame.com

 

ONU lança Índice de Prosperidade da Cidade


Indicador irá mensurar o desempenho de cada município em cinco diferentes áreas, consideradas pela ONU essenciais para o desenvolvimento


Débora Spitzcovsky, do

Paulo Fridman / EXAME.com

Vista aérea dos prédios em São Paulo

Ideia é que a ferramenta possa ajudar os tomadores de decisão a identificar as áreas que têm maior potencial no processo de desenvolvimento sustentável das cidades

 

São Paulo - O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) lançou, neste mês de setembro, uma nova ferramenta para medir progressos nos municípios mundo afora: o Índice de Prosperidade da Cidade (CPI).

 

O novo indicador irá mensurar o desempenho de cada município em cinco diferentes áreas, consideradas pela ONU essenciais para o desenvolvimento próspero das cidades:

 

  • produtividade;
  • infraestrutura;
  • igualdade;
  • qualidade de vida e
  • sustentabilidade ambiental.

 

De acordo com Joan Clos, diretor-executivo do ONU-Habitat que apresentou oficialmente o Índice durante o sexto Fórum Urbano Mundial, na Itália, a ideia é que a ferramenta possa ajudar os tomadores de decisão a identificar as áreas que têm maior potencial no processo de desenvolvimento sustentável das cidades.

 

Durante a apresentação do Índice de Prosperidade das Cidades, a ONU-Habitat ainda lançou o relatório A prosperidade das Cidades, que defende que os municípios do século 21 devem ser centrados nas pessoas e ainda sugere que as cidades podem ser grandes aliadas na resolução das atuais crises globais, desde que tenham um planejamento adequado, baseado nas diretrizes do novo Índice.

 

Confira o relatório A prosperidade das Cidades em inglês.

http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/sustentabilidade/noticias/onu-lanca-indice-de-prosperidade-da-cidade

 

Demarchi

Restauradora espanhola estuda cobrar direitos autorais pela sua obraDeclaração foi dada por advogados de Cecilia Giménez, de 81 anos, a uma TV espanhola

Cecilia Giménez, a idosa de 81 anos que ficou mundialmente conhecida pela restauração do "Cristo de Borja", poderá cobrar direitos autorais de quem quiser ver sua obra.

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A informação foi divulgada pela rede de TV espanhola RTVE. À emsisora, advogados de Giménez disseram que a idosa estuda ir atrás de direitos autorais depois que a fundação que cuida do santuário, em Zaragoza, decidiu cobrar 1 euro dos visitantes do local.

Recentemente, Giménez havia dito que gostaria de"terminar o trabalho" . "Eu tinha deixado tudo preparado para continuar o meu trabalho depois. Mas agora não posso continuar por causa de toda essa confusão", afirmou. "Não quero deixar como está, porque quando vejo eu sofro."

A pintura original foi feita por Elías García Martínez no século 19 e leva o nome de "Ecce Homo", nome tradicionalmente dado às pinturas de Jesus com a coroa de espinhos, antes da crucifixação. O restauro feito por Cecilia ganhou o apelido de "Ecce Mono" (em espanhol, "mono" significa "macaco").

Veja abaixo montagens com o restauro do "Cristo de Borja":

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2012-09-18/restauradora-espanhola-estuda-cobrar-direitos-autorais-pela-sua-obra.html

 

O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

AP 470 E A VILANIA HISTÓRICA


Joaquim Barbosa será lembrado pelos próximos 100 anos, tamanha a vilania com que tem agido nesse julgamento farsesco realizado num Tribunal de Exceção. Ele pinça frases de depoimentos, apenas àquelas que servem a tese acusatória e omite descaradamente o restante dos mesmos depoimentos para acolher com sofreguidão ao linchamento público dos réus. Barbosa está se revelando não um juiz, mas um assistente de promotor, ou, no popular, um Torquemada.

 

Passemos agora ao exame da PEC da Reforma Tributária, votada no ano de 2003. No dia 30 de abril de 2003 foi apresentada a PEC dessa reforma ao Plenário da Câmara dos Deputados. Posteriormente, a PEC tramitou pela Mesa da Câmara, também na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania), na CFFC (Comissão de Fiscalização Financeira e Controle). Entre idas e vindas das Comissões e da Mesa da Câmara, são apresentadas 466 emendas e a matéria vai finalmente para a apreciação, em primeiro turno, no plenário da Câmara, no dia 02 de setembro de 2003. O corpo da matéria é aprovado em 04 de setembro, com 378 votos a favor e apenas 53 contra. Segue a tramitação em primeiro turno para a votação dos destaques e emendas. O procedimento de votação das emendas e destaques se estende e termina em 17 de setembro, quando é aprovado em definitivo e no todo a matéria em primeiro turno.

 

É feita nova redação e a PEC vai a votação no segundo turno na Câmara em 24 de setembro de 2003. A proposta é aprovada em segundo turno, ressalvados os destaques, no mesmo dia, com 346 votos a favor e 92 votos contrários. Os destaques são votados em seguida, a matéria é aprovada em definitivo pela Câmara em 24 de setembro e segue para a apreciação do Senado no dia seguinte. Após a tramitação no Senado, é promulgada a PEC em 19 de dezembro de 2003.

 

Passemos ao exame da votação da PEC da Reforma Tributária ocorrida no segundo turno em 24 de setembro de 2003 na Câmara dos Deputados:

 

Orientação Partidária - PT sim, PMDB sim, PFL não, PTB sim, PSDB não, PP sim, PL/PSL sim, PPS sim, PSB sim, PDT sim, PC do B sim, PSC sim, PRONA não, PV sim, Governo sim.

 

Agora, os votos nominais:

 

PC do B: 09 votos, 09 votos sim

PDT: 11 votos, 09 votos sim, 02 votos não

PFL: 53 votos, 14 votos sim, 39 votos não

PL: 32 votos, 32 votos sim

PMDB: 65 votos, 62 votos sim, 03 votos não

PP: 35 votos, 32 votos sim, 03 votos não

PPS: 18 votos, 18 votos sim

PRONA: 06 votos, 06 votos não

PSB: 13 votos, 13 votos sim

PSDB: 46 votos, 14 votos sim, 32 votos não

PT: 88 votos, 84 votos sim, 03 votos não (JPC pres. da Câm. sem voto)

PTB: 50 votos, 46 votos sim, 04 votos não

 

Agora me digam, como se pode inferir que o deputado A, B ou C foi ou não foi "comprado" para votar a favor de matérias de interesse do governo? Os 14 deputados do PSDB que votaram com o governo foram comprados? Os parlamentares do PL, que tinha o vice presidente da república José Alencar, portanto, eram da situação desde antes da posse de Lula, precisaríam ser comprados para votar a favor do governo do qual eram parte integrante? Somente no ano de 2003, foram votadas 196 leis ordinárias na Câmara dos Deputados, o PT comprou o resultado dessas votações? Porque compraria somente a questão da reforma tributária ou da previdência, se ambas contaram até mesmo com os votos da oposição? As reformas tributária e da previdência já vinham engatilhadas do governo FHC, foram votadas tranquilamente, a única dificuldade que o PT teve de aprovar a reforma da previdência foi acalmar os seus rebeldes. Não conseguiu, teve de expulsar alguns de seus parlamentares e a partir daí surgiu o PSOL...

 

Percebem o tamanho da vilania que o STF está fazendo ao considerar essa fraude da compra de votos? Isso é uma aberração. Primeiro, porque jamais se conseguirá provar uma situação dessas, a não ser que algum deputado resolva contar que foi comprado, como aconteceu com parlamentares que votaram a favor da emenda da reeleição de FHC (isso jamais foi investigado...), segundo, porque o governo não precisava comprar o apoio de partidos que já faziam parte da sua base aliada desde as eleições de 2002! E, terceiro, porque comprar votos quando se tem considerável parcela de votos de membros da própria oposição? Porque comprar deputados se o problema maior do governo Lula sempre foi o Senado e não a Câmara dos Deputados? Se o governo conseguia aprovar matérias num Senado completamente hostil, porque precisaria comprar votos na Câmara, onde a situação sempre foi mais confortável?

 

Essa análise que estou fazendo agora da PEC da Reforma Tributária se aplica sem problema algum para qualquer outra matéria votada no Congresso naquele período, em especial à PEC da Previdência... Enfim, quem quiser acreditar em contos de fadas, que se sinta a vontade. Eu denunciarei até o último dos meus dias essa farsa dantesca que estamos a presenciar no STF. A denunciar esse linchamento político sem base alguma, repito, sem base alguma na realidade concreta e objetiva dos fatos... 

 

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=113717

http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/plenario/chamadaExterna.html?link=http://www.camara.gov.br/internet/votacao/mostraVotacao.asp?ideVotacao=1984&tipo=partido 

 

Diogo Costa