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http://nildinhanogueira.blogspot.com.br/2012/03/alzira-nogueira-reis-uma-minas-novense.html

Dra. ALZIRA NOGUEIRA REIS foi a primeira mulher mineira a se formar em medicina e a primeira brasileira a se alistar e ter deferido o seu título eleitoral.  http://notaveisdafamilia.blogspot.com.br/2010/07/alzira-nogueira-reis.html

 


 

Veja faz uma matéria pedindo perdão para Roberto Jefferson. Em off, um ministro do Supremo declara que a lei "permite o perdão", e que ele pode ter inclusive "um efeito pedagógico". 

Por que a revista se preocupa em alisar a cabeça de Jefferson nesta hora? Estaria seduzindo o moribundo para que ele dê com todas as letras a declaração que Marcos Valério, se é que deu, deixou pela metade?

A revista joga pesado no golpismo mais rasteiro, mais baixo, mais criminoso. Dilma, pelo jeito, continua achando que pode contemporizar. Talvez possa. O preço é claríssimo, e relativamente baixo: exige-se apenas que ela cruze os braços e deixe Lula sozinho no meio da arena no momento em que os guardas se preparam para levantar os alçapões. 

 

O drama cotidiano de quem utiliza a Anchieta-Imigrante no trajeto São Paulo - Baixada Santista.

 

Quem utiliza o sistema Anchieta-Imigrantes, operado pela Concessionária Ecovias, vem sofrendo há mais dois meses com percursos que chegam a levar 3 horas. Até junho/2012, este percurso levava 1 hora, às vezes pouco mais de 1 hora.

Há muitos caminhões (retrato da pouca utilização de transporte ferroviário tanto para cargas quanto para passageiros), falta de fiscalização destes caminhões trafegando na pista da esquerda, ausência de viadutos e alças de acesso que já deveriam ter sido contruíadas há pelo menos 5 anos.

Foi criada uma comunidade no Facebook para discutir coletivamente este problema:

Comunidade: Diário de Bordo - Anchieta/Imigrantes.

 

 

O falso “massacre” dos ianomâmis: bomba no colo da Survival International

Agora é oficial: o alegado “massacre” de indígenas ianomâmis venezuelanos por garimpeiros brasileiros, que, nas últimas semanas, motivou uma virulenta investida do aparato indigenista internacional contra os governos da Venezuela e do Brasil, não existiu. A confirmação foi feita não apenas pelas autoridades venezuelanas, após uma segunda inspeção no local do suposto incidente, como, de forma relutante, pela ONG britânica Survival International, que encabeçava a campanha.

Em resposta às acusações do aparato indigenista, o governo venezuelano enviou uma nova missão à região, situada no Sul do país, onde, segundo as denúncias, até 80 indígenas teriam sido mortos, em julho último. A missão foi acompanhada por jornalistas, que puderam entrevistar os indígenas locais, os quais negaram ter havido qualquer ato de violência. “Ninguém foi morto aqui. Aqui estamos todos passando bem”, disse um deles, por meio de um intérprete (BBC Brasil, 11/09/2012).

Na segunda-feira 11 de setembro, o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Sánchez Arveláiz, confirmou a informação, depois de ter conversado com representantes do Itamaraty e da Fundação Nacional do Índio (Funai): “Confirmou-se que não ocorreu nada. Acredito que está tudo resolvido e que não tem mais nada a se discutir. É um grande alívio (Terra Brasil, 12/09/2012).”

Diante dos fatos, a Survival viu-se obrigada a retificar a sua virulenta nota inicial sobre o caso, que falava numa “atrocidade”, mas não se deu por vencida, no boletim divulgado em 11 de setembro:

"Tendo recebido os seus próprios depoimentos, de fontes confidenciais, a Survival, agora, acredita que não houve um ataque de garimpeiros ao aldeamento ianomâmi de Irotatheri… No momento, não sabemos se essas histórias foram deflagradas por um incidente violento, que é a explicação mais provável, mas a tensão permanece elevada na área. A reação A reação do governo venezuelano continua sendo vergonhosa. Até agora, ele não disse que irá remover os garimpeiros e, imediatamente, negou ter encontrado “evidências” de mortes, antes mesmo de ter concluído a sua própria investigação. Os seus apoiadores foram além e acusaram os seus críticos de fazer parte de uma conspiração de direita etc."

Um detalhe que chama a atenção é a menção às “fontes confidenciais” que a ONG diz possuir. Em uma entrevista divulgada no dia seguinte, ao ser perguntado sobre elas, o diretor Stephen Corry reiterou tratarem-se de “fontes próprias, confidenciais, confiáveis e especializadas, independentes do governo ou da mídia”.

Ora, se a Survival dispõe de fontes tão qualificadas, que lhe permitem dispensar as informações oficiais das autoridades venezuelanas, duas perguntas se impõem. Primeiro, por que não recorreu a elas antes de sair trombeteando um massacre inexistente? Na entrevista, perguntado sobre se não deveria ter investigado melhor, Corry respondeu: “Não, nosso papel era avaliar e transmitir as informações que nos foram dadas pela organização indígena, e não questioná-las imediatamente. Nós deixamos claro que o informe não era corroborado.”

Ou seja, seguindo o modus operandi tradicional do aparato, acusa-se e calunia-se primeiro, investiga-se depois.

Segundo, que tipo de fontes seriam essas? Embora o diretor não mencione, fontes “confidenciais, confiáveis e especializadas, independentes do governo ou da mídia”, tratando-se da ONG porta-bandeira do aparato indigenista internacional, com estreitos vínculos com a Monarquia britânica, apontam para um serviço de inteligência, seja oficial ou informal.

Adiante, sem perder a soberba, Corry informa que não pretende mudar de hábitos (afinal, ele dirige a Survival desde 1984):

"(…) Este incidente não irá afetar os nossos sistemas. Nós temos acompanhado esse tipo de assunto por 40 anos; nós continuaremos a fazer avaliações sensíveis, baseadas na nossa experiência. Nós precisamos reagir rapidamente às notícias de matanças: se elas não forem divulgadas rapidamente, isto pode incentivar os matadores… Pelo que sabemos, os índios não têm inventado ataques contra eles mesmos – por que deveriam? Eles são tão comuns."

Até o momento, não se conhecem as reações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), nem do deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ), que, com idêntica celeridade, se aprestaram a cobrar esclarecimentos às autoridades venezuelanas e brasileiras, com o tom autoritário que caracteriza tais círculos.

Todo o episódio proporciona um didático estudo de caso da forma de operação do aparato indigenista e seus aliados, que as autoridades e a sociedade brasileira em geral devem estudar com cuidado, para não se intimidar diante de futuras ações similares.

http://www.alerta.inf.br/o-falso-massacre-dos-ianomamis-bomba-no-colo-da-survival-international/

 

O Ministro FUX e a qualidade da boca da qual vêm certas palavras

Quando da apresentação de seu voto no caso João Paulo, o Ministro Fux defendeu que não havia necessidade de um ato de ofício para que ficasse caracterizado o crime de corrupção passiva.

Quando da defesa oral um advogado de um dos réus - não sei se especificamente o de João Paulo – defendeu, ao contrário, a tese de que o simples recebimento de uma vantagem não caracterizava o crime e citou, como exemplo, que se fosse assim todos os ministros do supremo poderiam ser enquadrados em tal crime uma vez que recebem inúmeros livros de diversas editoras.

Acerca dessa questão, em seu voto, Fux tratou o argumento como um verdadeiro absurdo, algo que, a rigor, nem mereceria resposta:

“Eu vou me abster aqui de comentar algo que foi suscitado.....é claro que faz parte da habilidade do profissional..... (algo) que no meu modo de ver ....é absurdo essa hipótese de que se for assim membros do poder judiciário cometem corrupção porque recebem livros..(....)”

E, na sequência faz a sua defesa com a qual, aliás, nesse específico ponto, concordo.

Coube ao ex-ministro do STF Sydney Sanches a tarefa de presidir o Congresso Nacional durante o processou que apeou Collor do poder. Tarefa singular e de suma importância.

Na ação penal correspondente, quando de seu voto, dito oralmente e de improviso como salientou de início, o Ministro Sydney Sanches se utilizou desse mesmo exemplo dos livros como fundamento para, dentre outros, absolver Collor do mesmo crime de corrupção passiva. Sydney Sanches entendeu que sem um ato de oficio não era possível ter caracterizado tal crime.

Collor, como se sabe, foi absolvido, por maioria, pelo STF.

Da composição do STF naquele julgamento só permanecem Celso de Mello e Marco Aurélio. Este não votou por se dar por impedido. Já Celso de Mello votou pela absolvição, nos mesmos moldes dos argumentos de Sydney Sanches.

As palavras de Fux são proferidas no vídeo - na altura de 1:50:30 -  que está neste link:

http://www.youtube.com/watch?v=DODT5AeUi0k&list=PLE4D1CD8C85A97629&index=25&feature=plpp_video

A passagem do voto de Sydney Sanches em que ele cita o exemplo dos livros está na página 635 do arquivo PDF que está neste link:

http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=324295

 

 

Pequena correção:

Onde se lê: "dito oralmente", entenda-se, até pela arte da sinonímia, "manisfestado oralmente".

 

Nassif, como o assunto não é tratado aqui, em seu blog, vou tecer comentário acerca da greve da PF, que alcança a marca dos sessenta dias sem luz no fim do túnel.


Na sexta-feira (21/09), o STJ, em decisão monocrática do ministro Herman Benjamin, decidiu pela legalidade da greve, impondo, no entanto, condições relativas ao percentual mínimo por atividade desenvolvida pela PF. Assim, nos portos e aeroportos deveráo serão alocados 100% dos policiais normalmente que ali trabalham, e atividades de polícia judiciária, que lida com inquéritos policiais, traduzido em atividades cartorárias e investigativas, deverão manter 70% do pessoal. Vide arquivo anexo, contendo a decisão em sede de liminar.


A greve vai continuar forte, apesar da decisão do STJ que atendeu quase integralmente o pedido do governo. Mas o problema não é a greve em si, que um dia acaba. O que causa preocupação no governo é o restará da PF no pós-greve, pois, se o ambiente de trabalho  já não era dos melhores antes da greve, com ela e pelo desfecho que se avizinha, com o não atendimento dos pleitos dos agentes, escrivães e papiloscopistas, no sentido da reestruturação de cargos e salários, a situação interna será insustentável, pois delegados que em tese comandam o órgão não consseguirão fazer prevalecer o princípio da hierarquia, historicamente constestada pelos policiais, com o qual se valem para administrar o importante órgão, lembrando que sem os "não-delegados" a Polícia Federal nada produz,  nada investiga, como está evidenciado nessa greve, que deu causa ao quase zeramento no número de apreensões e prisões das atividades criminosas ligadas ao narcotráfico.


Dilma está sendo mal assessorada nessa questão da greve na PF por seu ministro da Justiça. Está muito claro que os grevistas estão cientes de que em 2013 não terão aumento devido o envio do projeto de lei orçamentária e da recusa  do aumento parcelado de 15,8%.


Para o encerramento da greve na PF, bastará que o ministro José Eduardo Cardozo chame os sindicalistas e celebre um termo de compromisso em torno de um projeto de lei em que conste a reestruturação de cargos e salários, que já conta com a chancela favorável do MPOG-Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, após série de oficinas com a participação de técnicos e sindicalistas, lembrando que os grevistas já aceitam o parcelamento dos efeitos financeiros da reestruturação pleiteada.


Grevistas em Brasília em 21/09/12
 

O reconhecimento da brilhante obra investigativa do Amaury Ribeiro. Um grande serviço prestado ao Brasil. Parabéns Amaury!

23 de Setembro de 2012 - 8h22

 “A Privataria tucana” e o Prêmio Jabuti

 

O livro-reportagem mais polêmico e vendido do ano, A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Junior, está entre os finalistas do Prêmio Jabuti, na categoria Reportagem. Esse é o prêmio mais prestigiado da literatura brasileira. 


 Para Geração Editorial, com 20 anos de polêmicas e honrando o seu slogan, uma editora de verdade, este livro-reportagem ou livro-denúncia tem uma satisfação especial: a obra trouxe – com provas robustas e documentos inéditos – à tona para a sociedade brasileira mais um caso emblemático de corrupção e lavagem de dinheiro público que lesou milhares brasileiros, na chamada Era das Privatizações. Os desvios aconteceram durante o governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, ex-governador de São Paulo, José Serra.

A Geração Editorial acreditou no excepcional trabalho jornalístico do premiado jornalista Amaury Ribeiro Junior, vencedor das maiores honrarias da imprensa brasileira, como por exemplo, três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog.

O furacão A Privataria Tucana vendeu no dia do seu lançamento; nada menos que 15 mil exemplares, sucesso inquestionável de aceitação. Em dois meses foram mais de 100 mil cópias e permaneceu por mais de quatro meses em diversas listas de livros mais vendidos do país.

“Estar entre os finalistas do Prêmio Jabuti é ver que meu trabalho de mais de 10 anos investigando dezenas de pessoas valeu a pena. O Brasil está em um momento que é necessário investigar, escrever e publicar obras sérias que sirvam para tirar as máscaras de pessoas que usurparam e ainda usurpam o nosso país. A corrupção é um mal, mas com coragem e trabalho sério é possível mostrar quem são os corruptos e corruptores”, conta Amaury.

A Privataria Tucana foi lançado em mais de 10 capitais, entre elas estão São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Belém, Porto Alegre, Curitiba, entre outras. Os eventos ficaram conhecidos como a “Caravana da Privataria Tucana”, e em todos os lugares compareceram centenas ou milhares de pessoas.

“Os lançamentos mostraram que fiz uma obra séria e relevante para a população em geral. Em diversas situações fiquei emocionado com os depoimentos das vítimas da Era das Privatizações. São pessoas que perderam o emprego em estatais de um dia para outro, viram as suas vidas se arruinarem e muitas cometeram suicídio ou ficaram depressiva e até hoje não conseguiram se reerguer. A sequela deixada é muita maior do que imaginam. Por isso, espero que a CPI da Privataria siga em frente e mostre a real face desses usurpadores de dinheiro público”, complementa Amaury.

O Prêmio Jabuti é promovido pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e está na 54ª edição. Os três vencedores de cada categoria serão revelados no dia 18 de outubro. Na premiação, em 28 de novembro, serão conhecidos os dois melhores livros publicados em 2011 em Ficção e Não Ficção, cada um ganhará R$ 35 mil.

Concorrem com A Privataria Tucana os seguintes títulos:

- Os Últimos Soldados da Guerra Fria – Fernando Morais
- Saga Brasileira: a Longa Luta de Um Povo Por Sua Moeda – Miriam Leitão
- Cofre do Dr. Rui – Tom Cardoso
- Perda Total – Ivan Sant’anna
- O Espetáculo Mais Triste da Terra – Mauro Ventura
- O Rio: Uma Viagem Pelo Amazonas – Leonencio Nossa
- Guerras e Tormentas – Diário de Um Correspondente Internacional – Rodrigo Lopes
- Um Escritor No Fim do Mundo: Viagem Com Bichel Houellebecq à Patagônia – Jurenir Machado da Silva
- Entretanto, Foi Assim Que Aconteceu: Quando a Notícia É Só o Começo de Uma Boa História – Christian Carvalho Cruz

Entenda o livro A Privataria Tucana:

Com 200 páginas e 16 capítulos que jamais deixam cair seu contundente interesse, A Privataria Tucana é o resultado final de anos de investigações do repórter Amaury Ribeiro Jr. na senda da chamada Era das Privatizações, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, ex-governador de São Paulo, José Serra. A expressão “privataria”, cunhada pelo jornalista Elio Gaspari e utilizada por Ribeiro Jr., faz um resumo feliz e engenhoso do que foi a verdadeira pirataria praticada com o dinheiro público em benefício de fortunas privadas, por meio das chamadas “offshores”, empresas de fachada do Caribe, região tradicional e historicamente dominada pela pirataria.

Fonte: Blog da Geração Editorial

 

Globo (Cesar Tralli) entrevista Haddad: perguntas capciosas e respostas precisas


domingo, 23 de setembro de 2012Haddad demoliu Tralli: 'mensalão tucano corre risco de prescrever'  O candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), concedeu entrevista ao telejornal SPTV da TV Globo, no sábado, e deu respostas demolidoras ao jornalista Cesar Tralli, que só fez perguntas venenosas com intenção de embaraçar.

Haddad tirou de letra.

Na primeira pergunta, sobre se o mensalão não o constrangia, Haddad disse que constrange a classe política como um todo, porque quase todos os partidos tem gente respondendo processos. Disse que gostaria que a justiça fosse até o fim em todos os casos, e que o mensalão nasceu no PSDB de Minas, e vem sendo postergado, com risco de prescrição, por ser mais antigo, de 1998...

Eis a transcrição completa:

César Tralli – Candidato, boa tarde.

Fernando Haddad – Boa tarde, Tralli.
 Mais informações »  

 

José Antônio

Fui informada do assassinato do corrdenador de campanha de Arthur Virgílio em Manaus. 

Tal notícia poderá ter desmembramento, claro, por estarmos em época de eleições. Agora, resta saber se mais uma vez a tucanalha vai atribuir o crime a algum petista.

Lembrei-me daqueles sequestradores de Abílio diniz, que foram pegos vestindo camisa do PT.

 

A campanha em Manaus partiu prá baixaria, "ovarada", cusparada, morte.....coisa chata!!!!

http://www.blogdafloresta.com.br/politica/13292-coordenador-da-campanha-de-artur-neto-e-assassinado-na-zona-leste

 

Fraude no episódio que mudou a face do futebol mundial
Por: Irlan Simões - 22/09/2012.

Há 23 anos, tragédia em estádio inglês matou 96, demonizou torcedores e iniciou elitização do esporte. Foi manipulada, sabe-se agora

Por Irlan Simões, editor da coluna Futebol Além da Mercadoria

Em 12 de setembro último, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, fez um pedido de desculpas histórico. Dirigindo-se às famílias das 96 pessoas massacradas no Estádio de Hillsborough, em abril de 1989, numa partida de futebol entre o Liverpool e o Nothingan Forest, reconheceu que os mortos haviam sido vítimas de “dupla injustiça”. Além de perderem a vida, foram acusados, por 23 anos, de pertencerem ao grupo de torcedores do Liverpool que causou a tragédia. Foi uma manipulação grosseira que durou mais de duas décadas, admitiu Cameron, em discurso ao Parlamento e apoiado no relatório final de um painel independente.

No final dos anos 1980, uma pequena parcela dos frequentadores ingleses de estádios – chamados de hooligans – haviam, de fato desenvolvido uma cultura de prazer pelo confronto e violência. Mas a torcida do Liverpool não teve responsabilidade alguma pela chamada Tragédia de Hillsborough. Ela foi provocada pelas condições precárias do estádio (algo comum na época) e por atitudes de clara negligência da polícia. Decisões esdrúxulas, no controle do fluxo de torcedores ao estádio superlotado, favoreceram esmagamentos, pisoteamentos e, ao final, queda do muro que separava as arquibancadas do campo. Não se prestou socorro. Apenas 14, dos 96 mortos (houve, também, 766 feridos) foram atendidos em hospital. Só uma das 44 ambulâncias presentes às imediações de Hillsborough foi autorizada a socorrer as vítimas.

O reconhecimento da verdade deveria impulsionar um passo ainda mais importante. É preciso rever todo o conjunto de políticas e normas que, a partir da tragédia, transformaram a face futebol mundial, convertendo-o num esporte cada vez mais elitizado, afastado de suas raízes sociais e culturais, reduzido à dimensão de produto mercantil e de marketing. Hillsborough e a fraude produzida a seguir foram o marco decisivo desta mudança — que está sendo adotada no Brasil no momento em que você lê este artigo, tendo como pretexto da Copa do Mundo de 2014.

 Como Thatcher manipulou a tragédia

A ponte entre o que ocorreu no estádio e a elitização do futebol foi o chamado Relatório Taylor. Chefiado então pela primeira-ministra Margareth Thatcher, um dos personagens-ícones do neoliberalismo, o governo britânico constituiu uma comissão, chefiado por Lorde Taylor de Gosforth, para investigar as causas da tragédia e sugerir providências.

O trabalho de apuração foi manipulado do início ao fim, sabe-se agora oficialmente. Dos 164 relatórios produzidos por policiais presentes ao estádio, 116 foram alterados, para remover “comentários desfavoráveis” à atuação das forças “da ordem”. A omissão das informações foi proposital, segundo admitiu Cameron ao Parlamento. A falsificação teve objetivos claros: responsabilizar pela tragédia a torcida do Liverpool; demonizá-la; abrir caminho para um conjunto radical de transformações que já haviam sido planejadas, mas não eram até então viáveis. Elas incidiram nos estádios, na forma de financiamento dos clubes e na relação entre o jogo e o mundo do marketing. Iniciadas na Inglaterra, repercutiram rapidamente em todo o mundo.

Thatcher aplicou, no futebol, a mesma “mão-de-ferro” com que destruía leis trabalhistas e atacava os sindicatos. Estourou as firms, como eram conhecidos os agrupamentoshooligans, torcedores que já vinham causando problema dentro e fora dos estádios pelo seu prazer pelo confronto físico. Quatro anos antes de Hlilsborough, em partida entre Liverpool e Juventus pela Copa dos Campeões da Europa, 39 torcedores haviam morrido pisoteados e esmagados durante uma briga generalizada, conhecida como Tragédia de Heysel.

Em paralelo, avançava outro processo: a poderosa FIFA iniciara uma reforma no futebol mundial. O avanço das tecnologias de comunicação transformaria o esporte num dos principais “produtos” televisivos do planeta. Foi um movimento marcado pela entrada maciça de atores econômicos que hoje controlam o futebol. O comércio de jogadores não era mais o único espaço de trocas comerciais. O esporte passou a ser um grande conglomerado internacional que envolvia anunciantes, patrocinadores, investidores, atletas-estrelas e, se dependesse do projeto ao qual aderiu Margareth Thatcher: uma competição esportiva de grandes empresas. Estava sendo gestado o futebol-negócio dos dias de hoje.

Para tal projeto, a Tragédia de Hillsborough veio no momento ideal. Desde que devidamente arquitetadas, as argumentações necessárias para a “reforma” estavam dadas: era preciso dar, definitivamente, um novo rumo ao futebol, “civilizá-lo”. Publicado em janeiro de 1990, menos de um ano após o incidente, o relatório final da comissão chefiada por Lord Taylor indicou o caminho.

Embora focado em estabelecer diretrizes para um projeto de segurança, o documento propôs uma série de medidas que traziam novas normas de estruturação dos estádios e do próprio futebol inglês. A capacidade de público foi reduzida. Estabeleceu-se que todos os torcedores deveriam permanecer sentados. Os clubes passaram a ser responsabilizados pelos atos de seus apoiadores – o que gerou uma leva de mudanças e de uma ideologização da suposta “modernização e profissionalização das estruturas”.

O movimento de reforma dos estádios, e de restrições aos torcedores briguentos já estava em curso. A crise que se estendeu após o evento em Hillsborough serviu de catalizador para que o processo avançasse. Porém, os clubes e suas torcidas não tinham estrutura necessária para isso.

Para enfrentar rapidamente o novo desafio, tornaram-se empresas de capital aberto e passaram a ter proprietários. Assim, conseguiram obter a estrutura necessária para desenvolver os estádios que seriam os protótipos das atuais “Arenas Multiuso”: complexos desportivos e verdadeiras zonas de consumo.

Surgiu um efeito colateral imediato: o futebol inglês expulsou, junto com os “violentos”, os torcedores mais pobres, que não tinham a capacidade financeira de arcar com ingressos cada vez mais caros em estádios cada vez menores e mais restritivos.

O projeto neoliberal para o futebol consolidou-se, por fim, com a criação da Premier League em 1992 (a liga de primeira divisão do esporte na Inglaterra), com a definição de novas regras de comercialização dos direitos televisivos, publicidade, patrocínios e jogadores. No fim da década de 2000, todos os clubes desta liga — uma das maiores do futebol profissional no mundo — já pertenciam a multimilionários e bilionários árabes, russos, chineses ou estadunidenses.

 O futebol brasileiro também revisará o relatório? 

Ainda que o esforço por acabar com violência que tomava os estádios ingleses fosse elogiável, o Relatório Taylor falhou – por miopia ou por má vontade política – em reconhecer que verdadeiras causas da Tragédia de Hillsborough. As péssimas condições do estádio eram consequência dos interesses que cercaram o futebol durante as décadas de sua massificação. Naqueles tempos, importavam quantidades. Convinha aos dirigentes ver estádios superlotados, para ampliar as rendas dos clubes e abarrotar seus próprios bolsos. Pouco importavam as condições de conforto ou segurança dos torcedores.

Na nova fase, consolidada a partir do Relatório Taylor, o modelo de negócio mudou. Não interessava encher as arenas com torcedores que mal podiam pagar ingressos. O novo público precisava ter não apenas um “padrão de comportamento”, mas um “padrão de consumo” que compensasse uma estrutura de tal porte.

A Tragédia de Hillsborough dos tempos de hoje não é mais a superlotação, mas o esvaziamento dos estádios, de onde vão sendo expulsos os antigos torcedores tradicionais. O futebol inglês, apesar de ainda ter a maior média de público do futebol mundial, é o mais caro e menos popular de todas as grandes ligas. O padrão de torcedor está totalmente modificado.

No Brasil, vemos a proliferação das “arenas” com consequente aumento do valor dos ingressos. O resultado é o esvaziamento do campeonato brasileiro – que tem a pior média de público, dentre as dez melhores ligas.

Até o início dos anos 2010, muitos apontaram o exemplo inglês para referendar essa ideologização de um futebol “moderno, profissional e empreendedor”. O próprio Estatuto do Torcedor fazia menção ao Relatório Taylor e ao modelo britânico de “gestão de crises”: Restringiu de múltiplas formas as torcidas organizadas e procurou moldar o comportamento do torcedor comum dentro dos estádios.

A longa luta dos torcedores do Liverpool

A revisão do ocorrido em Hillsborough, e das manipulações que se seguiram, foi possível apenas devido à mobilização da torcida do Liverpool. Ela contestou, ao longo de mais de duas décadas, a versão construída pelo Relatório Taylor. Enfrentou, além de Margareth Thatcher, o sensacionalismo dos tabloides britânicos. O The Sun chegou a publicar “depoimentos” de policiais assegurando não ter ajudado as vítimas porque torcedores, bêbados, não permitiam, urinando em quem tentava socorrê-los.

 

Aos poucos, a resistência restabeleceu a verdade. Um abaixo-assinado com 140 mil adesões exigiu nova investigação. O painel independente, no qual o primeiro-ministro Cameron agora se apóia, foi formado graças à mobilização. O presidente das investigações, James Jones, reconheceu que o inquérito inicial foi comprometido por “árduas tentativas de colocar a culpa nos torcedores”.

Foram necessários 23 anos de angústia e de mentiras para que as famílias das vítimas de Hillsborough pudessem provar ao mundo que se tratou de negligência e de irresponsabilidade das autoridades inglesas. Foram necessários 23 anos para que elas pudessem provar que seus filhos, e os filhos de tantos outros torcedores criminalizados na Inglaterra, não eram os culpados por aquela tragédia.

Foram necessários 23 anos para que os torcedores expulsos dos estádios – por livre e espontânea pressão do dinheiro, como prega o pensamento neoliberal – pudessem provar que foram injustamente culpados para que um plano premeditado pudesse ser aplicado sem direito de resposta.

Resta saber se, no Brasil, prevalecerão as políticas preconizadas pelo Relatório Taylor, fruto de notória manipulação. Resta saber se prevalecerão a “vontade e a liberdade dos agentes econômicos” ou o bom senso, a democracia e o direito do acesso à cultura e ao futebol pela população empobrecida, já tão excluída nos tempos neoliberais.

Irlan Simões é estudante Comunicação Social e escreve para a coluna Futebol Além da Mercadoria. Para ler os textos anteriores.

http://bit.ly/NKrSEu

 

Ferreira Gullar tem 82 anos. É raro haver quem não o considere o maior poeta vivo da língua portuguesa e um dos grandes da literatura contemporânea. Já foi militante de esquerda, filiado ao Partido Comunista Brasileiro, mas se rendeu à realidade. Concedeu uma entrevista de impressionante lucidez a Pedro Dias Leite, nas Páginas Amarelas de VEJA. Leia trechos.

O senhor já disse que “se bacharelou em subversão” em Moscou e escreveu um poema em que a moça era “quase tão bonita quanto a revolução cubana”. Como se deu sua desilusão com a utopia comunista?
Não houve nenhum fato determinado. Nenhuma decepção específica. Foi uma questão de reflexão, de experiência de vida. de as coisas irem acontecendo, não só comigo, mas no contexto internacional. É fato que as coisas mudaram. O socialismo fracassou. Quando o Muro de Berlim caiu, minha visão já era bastante crítica. A derrocada do socialismo não se deu ao cabo de alguma grande guerra. O fracasso do sistema foi interno. Voltei a Moscou há alguns anos. O túmulo do Lênin está ali na Praça Vermelha, mas, pelo resto da cidade, só se veem anúncios da Coca-Cola. Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos insistem no contrário. Se o socialismo entrou em colapso quando ainda tinha a União Soviética como segunda força econômica e militar do mundo, não vai ser agora que esse sistema vai vencer.

Por que o capitalismo venceu?
O capitalismo do século XIX era realmente uma coisa abominável, com um nível de exploração inaceitável. As pessoas com espírito de solidariedade e com sentimento de justiça se revoltaram contra aquilo. O Manifesto Comunista, de Marx, em 1848, e o movimento que se seguiu tiveram um papel importante para mudar a sociedade. A luta dos trabalhadores, o movimento sindical, a tomada de consciência dos direitos, tudo isso fez melhorar a relação capital-trabalho. O que está errado é achar, como Marx diz, que quem produz a riqueza é o trabalhador,e o capitalista só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz coisas novas. A visão de que só um lado produz riqueza e o outro só explora é radical, sectária, primária. A partir dessa miopia, tudo o mais deu errado para o campo socialista. (…) O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível. A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esses milhões de pessoas. Não tem cabimento.

O senhor se considera um direitista?
Eu, de direita? Era só o que faltava. A questão é muito clara. Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é. Pensar isso a meu respeito não é honesto. Porque o que estou dizendo é que o socialismo acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matou gente em quantidade. Isso tudo é verdade. Não estou inventando.

E Cuba?
Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo.

RA.

 

Mesmo miseráveis os poetas, os seus versos serão bons...

                                           (Choro bandido, Chico Buarque)

 

Gui Oliveira

Cidades líquidas

Depois de fazer parte das preocupações de importantes sociólogos clássicos, tais como Weber e Simmel, o tema da cidade volta ao centro das discussões na sociedade contemporânea. O espaço urbano é o cenário por excelência da vida pública, do trabalho, da geração de renda e riqueza, da produção e do consumo, mas também das aglomerações, do desconhecido, do caos, dos medos visíveis e invisíveis. Atualmente, muitos estudiosos têm voltado sua atenção para a análise do fenômeno urbano, entre eles, um dos mais producentes da atualidade: Zygmunt Bauman.

Sociólogo polonês, professor da Universidade de Leeds, na Inglaterra, esse estudioso dedica-se intensamente a pensar a era atual, denominada por ele de "modernidade líquida". Tem produzido obras sobre os mais variados temas de nossa época: o amor, a comunidade, o Holocausto, a globalização, o medo, a cidade. O estilo ensaístico e fluente, permeado por referências a diversos autores, traz um tom quase apocalíptico, mas curiosamente otimista. Provocativo e instigante, foge de qualquer "enquadramento" teórico, principalmente, dos que se referem à "famigerada" pós-modernidade.

Quase todos os escritos mais recentes de Bauman enfatizam a idéia de "liquidez", o que demonstra como ele percebe a existência na modernidade: fluida, efêmera, amorfa. A obra em questão, embora não estampe no título, retoma a idéia da passagem da "modernidade sólida" para a "modernidade líquida", já desenvolvida em obras como Modernidade Líquida, Tempos Líquidos, Medo Líquido, entre outras. O autor demonstra como a complexidade da vida urbana transforma os indivíduos em seres aterrorizados por medos reais ou imaginários, em sujeitos sós, amedrontados e inseguros.

O livro Confiança e Medo na Cidade, ainda sem edição brasileira, é composto por dois ensaios e pela transcrição de intervenção em um congresso (Milão, 2004). Em todos os textos – Confiança e Medo na Cidade, Em Busca de Refúgio na Caixa de Pandora e Viver com Estranhos –, o autor discute as relações entre os seres que habitam a cidade. Segundo ele, nos últimos anos, o medo e a obsessão por segurança ganham espaço, sobretudo, na Europa. Paradoxalmente, ao citar Robert Castel, afirma que vivemos em algumas "das sociedades mais seguras que jamais existiram" (p. 9). Ainda mais contraditoriamente, nos sentimos cada vez mais "ameaçados, inseguros e assustados".

Confiança e Medo na Cidade remete a Freud, ao mencionar que o nosso sofrimento, bem como o medo de sofrer, resulta da precariedade e efemeridade do nosso corpo, diante da "supremacia da Natureza", além da nossa incompetência na elaboração de métodos eficazes de regulação das relações sociais. Quanto aos limites físicos, não temos outra saída a não ser contentarmo-nos com o fato de que nunca poderemos dominar por completo a natureza. Porém, no tocante aos sofrimentos de origem social, não aceitamos limites no que diz respeito às nossas próprias ações.

Vivemos em uma sociedade que "se organizou em torno de uma procura infinita de proteção e da insaciável aspiração à segurança" (p. 11). Precisamos sempre de alguém "mau". Por isso, nossos medos estão continuamente relacionados a crimes e malfeitores, e, assim, desconfiamos das pessoas e de suas intenções. Bauman lembra como Castel vincula essa situação ao individualismo contemporâneo, pois, ao suprimirmos a importância das comunidades e corporações, obrigamos os homens a cuidarem apenas de si mesmos, o que gera incertezas e, conseqüentemente, medo. 

Segundo Castel, esse sentimento de insegurança surge devido a dois fenômenos típicos da modernidade: por um lado, a supervalorização do indivíduo, ao libertá-lo do "peso" imposto pelas redes e laços sociais em demasia; por outro, a exacerbação dessa liberdade levou esse mesmo indivíduo a se sentir frágil e vulnerável.

Para Bauman, na "modernidade sólida", o indivíduo temia a "impossibilidade de se adequar à norma geral", mas, "com o advento da modernidade líquida, o fantasma mais aterrador é o representado pelo medo de ficar para trás" (p. 18). Agora, os medos e perigos se proliferam e advêm de todas as partes: da comida industrializada que consumimos, da depressão, do estresse, das doenças cardiovasculares, da vida sedentária, da falta de emprego ou do excesso de trabalho, da exposição ao sol e das relações sexuais sem preservativos. Por isso, temos a impressão de que o caos está instaurado e de que não nos resta alternativa senão instalar câmeras de segurança, blindar os carros e construir muros. Essas sensações são reforçadas pelos anúncios publicitários que lucram com a venda de equipamentos de segurança e do próprio terror. Em uma interessante passagem, Bauman cita Ray Surette, segundo o qual "o mundo tal como aparece na televisão assemelha-se a um rebanho de 'cidadãos-cordeiros' protegidos dos 'delinqüentes-lobos', por 'policiais cães-pastor'" (p. 53).

O diálogo com Robert Castel surge, novamente, ao remeter às "classes perigosas", que, originalmente, eram compostas pelo excedente de pessoas que estavam temporariamente fora do mercado de trabalho. Agora, porém, essa camada não é mais considerada apta a integrar-se à vida social e essas pessoas são declaradas "inassimiláveis". Não são apenas excedentes, mas supérfluas [redundant]. Serem excluídas permanentemente é seu destino irrevogável. Por isso, transformam-se em classes perigosas. Estar sem trabalho significa que o indivíduo deixou de ser imprescindível. Bauman critica o termo "desempregado", que, segundo ele, sugere mais do que diz ou indica que a norma é o emprego e que, portanto, estar desocupado é uma anormalidade.

Na medida em que não são mais necessários, os componentes das classes perigosas tornam-se os "desclassificados" [underclass]: pessoas que não pertencem a qualquer grupo social, situadas à margem. Não se trata de um grupo "inferior", mas de pessoas que estão "fora", "que não servem para nada" (p. 79). Não possuem conta bancária nem cartão de crédito e, por isso, podem passar facilmente de supérfluas a delinqüentes. O tratamento que recebem é o mais conveniente: "tolerância zero", pois é preciso mantê-las longe, por meio da segregação territorial. Assim, surgem muralhas para separar "nós" e "eles", ordem e caos, paz e guerra. Tudo isso para evitar incômodos. Bauman remete-se a Frederik Barth para demonstrar que as fronteiras não separam as diferenças, pelo contrário, quando são traçadas, as diferenças surgem abruptamente.

O cenário dessa segregação e das lutas por ela engendradas é o espaço urbano. É no âmbito citadino que os problemas de origem global se acumulam, "depósitos de lixo" dos problemas criados pela globalização: distúrbios de ordem macro que se manifestam em nível micro, pois terminam por afetar a população local, o bairro. Paradoxalmente, o autor afirma que é nas próprias cidades que se devem procurar as soluções para os problemas globais.

Para Bauman, há uma característica da cidade que sempre estará presente: ela é um espaço cheio de desconhecidos convivendo em extrema proximidade. Esse traço é uma contínua fonte de incertezas e medo, visto que é impossível evitar a presença de estranhos – e estrangeiros – nos espaços públicos. A propósito, os estrangeiros são a própria encarnação do imprevisível. O estranho é, portanto, o perigo: "O desconhecido é uma incógnita variável de todas as equações" (p. 34). Os espaços públicos, por sua vez, são lugares por excelência em que os desconhecidos se concentram e onde irrompem as características da vida urbana, onde ela alcança sua expressão máxima e onde percebemos tudo "o que a diferencia de outros tipos de existência coletiva" (p. 67).

Os estranhos, transformados em indivíduos supérfluos, convertem-se em imigrantes econômicos e representam as "assustadoras forças da globalização" (p. 75). Como os personagens de Brecht, os indivíduos trazem consigo todas as mazelas sociais que são cotidianamente "varridas para debaixo do tapete": guerras, fome, privações. Trazem à tona a fragilidade e a precariedade humanas e aumentam o temor de que sejamos os próximos a nos tornarmos supérfluos.

Ao citar o estudo de Teresa Caldeira sobre São Paulo, o autor mostra como a miríade de condomínios fechados se tornou ghettos voluntários, pois representam "oásis de calma e segurança" em meio aos perigos da vida coletiva urbana (p. 36).

Além dos condomínios fechados, Bauman elenca outras inovações da arquitetura e do urbanismo modernos que moldam os espaços à imagem e semelhança do medo, tais como os observados pelo geógrafo Steven Flusty. São os espaços vetados [interdictory spaces], os espaços fugidios, os espaços espinhosos ou os espaços do medo. Em geral, são lugares dedicados a filtrar, a segregar, a excluir os visitantes inconvenientes. São locais aonde não se pode chegar por falta de vias de acesso, ou onde não se pode estar à vontade em virtude da presença de mecanismos de vigilância. Espaços em que ninguém pode passar despercebido e que revelam uma forma de comportamento que é fruto da diversidade cultural encontrada nas metrópoles: a "mixofobia", ou seja, uma "reação previsível e generalizada perante a inconcebível, arrepiante e aflitiva variedade de tipos humanos e de costumes que coexistem nas ruas das cidades" (p. 40). Assim, há uma "tendência que impele a procurar ilhas de semelhança e de igualdade no meio do mar da diversidade e da diferença" (p. 40).

Outro autor com quem Bauman dialoga sobre os medos típicos dos habitantes das cidades é Richard Sennett, segundo o qual a uniformidade do meio faz com que as pessoas "desaprendam" como criar formas de conciliação com os estranhos e aumente o medo delas. Daí, o pavor diante do encontro com os estrangeiros e a tendência à segregação que tanto alimenta os comportamentos "mixofóbicos".

Por outro lado, essa realidade urbana é uma experiência que provoca sentimentos diversos, pois "atrai e repele ao mesmo tempo", e talvez seja justamente por isso que a paisagem seja tão aterrorizante e tão irresistível, simultaneamente, uma vez que nunca faltam novidades e surpresas. Prova disso é que, além da "mixofobia", a cidade causa também a "mixofilia", ou seja, a forte atração pela diferença, um desejo de misturar-se com o diverso porque ele é interessante ou fascinante. Segundo Bauman, os dois comportamentos opostos coexistem no íntimo dos indivíduos urbanizados. Sendo a cidade um lugar tão sedutor, locus da aventura – sensação potencializada pela insegurança e pelo medo –, o autor identifica um dilema contido na seguinte questão: "será possível eliminar o medo suprimindo igualmente o tédio?" (p. 65).

A modernidade líquida é marcada pelo triunfo do progresso econômico, do livre câmbio, do livre consumo e da livre concorrência. É o triunfo da civilização moderna. A esse respeito, Bauman cita Diken e Lausten, que afirmam a inversão do "vínculo milenar entre civilização e barbárie". Para eles, "a vida urbana transforma-se numa selva onde impera o terror" (p. 59). As fontes de perigo passaram a existir dentro da cidade.

Paralelamente, os símbolos do capitalismo, as grandes corporações mudaram-se para áreas afastadas, deixaram de ter interesses centrados na cidade e, agora, o mínimo que desejam é que os seus habitantes "os deixem em paz". Pedem muito pouco e por isso "não se sentem igualmente obrigados a devolver muito" (p. 62).

Bauman cita Nan Ellin, para quem a pluralidade de problemas e sensações suscitados pela vida urbana demonstra a importância de se construírem "cidades que respeitem as comunidades", tarefa difícil, mas essencial à convivência humana (p. 70).

Depois de pintar um cenário aterrorizante e pessimista, Bauman imprime às suas conclusões um tom conciliador e, de certa maneira, otimista, para que o "líquido" não se desfaça no ar. Segundo ele, o que podemos e devemos fazer é contribuir para aumentar a "mixofilia" e reduzir a "mixofobia" (p. 83).

Ao citar Madeleine Bunting, o autor lembra que o "espírito da cidade" é formado pela gama de interações que acontecem no cotidiano: entre motoristas e passageiros, comerciantes e consumidores, empregados e patrões, e também por encontros fugazes, por gestos apressados que modelam e atenuam a brutalidade da existência humana e urbana. Para tanto, é preciso que (re)aprendamos a conviver com as diferenças, promovendo não a tolerância, mas, acima de tudo, o respeito.

As últimas páginas de Confiança e Medo na Cidade trazem uma reflexão muito apropriada para a discussão proposta. Recorda o tempo em que Bauman, ainda estudante, ouviu de um professor de Antropologia a explicação sobre a datação de um fóssil humano e as conclusões sobre a existência da comunidade em que essa criatura viveu, pois se tratava de um ser que apresentava marcas de uma imperfeição física, mas que resistiu cerca de trinta anos. A partir do exemplo, Bauman afirma que a nossa sociedade se distingue de qualquer outro rebanho de animais porque é possível a ela a convivência com inválidos, em virtude da compaixão e dos cuidados prestados a eles, característica exclusivamente humana (p. 86-87). A questão, segundo o autor, é levar esse sentimento de compaixão e solidariedade para além dos muros de nossas casas.

Assim, essa obra torna-se leitura indispensável a todos os pensadores da contemporaneidade, sobretudo, aos que se dedicam a refletir sobre o contexto urbano e sobre como a vida condiciona relações singulares. É indicada, em especial, aos estudiosos da violência, dos medos e fobias característicos dos seres que vivem nas cidades modernas. Destina-se, também, a todos os moradores amedrontados ou inquietos com os problemas gerados pela vida cotidiana, confiantes de que a solução está em nossos atos na casa, no bairro, enfim, na cidade que habitamos e que nos habita a cada um de nós.

Patrícia Cabral de Arruda
Doutoranda em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB)

BAUMAN, Zygmunt. Confiança e medo na cidade. Tradução por Miguel Serras Pereira. Lisboa: Relógio D'Água, 2006.

 

LAW AND ECONOMICS: A INSTRUMENTALIZAÇÃO ECONÔMICA DO DIREITO

O propósito reclassificatório dos Direitos Fundamentais, carreado pela lógica de custos, como visto, ainda precisava de um instrumental útil que pudesse remover um dos maiores obstáculos ao receituário da maximização de  riquezas: o Direito compromissário. E isso ocorre através de um peculiar movimento chamado Law and Economics, de grande profusão no eixo anglo-saxão e de gradativa penetração nos países periféricos.

O movimento Law and Economics, também conhecido por Análise Econômica do Direito (AED), surge na Universidade de Chicago no início da década de 60 do século passado, pugnando a aplicação dos modelos e teorias da Ciência Econômica na interpretação e aplicação do Direito. O movimento,

fortemente influenciado pelo liberalismo econômico, tem como precursores e expoentes os professores Ronald Coase e Richard A. Posner, ambos da Universidade de Chicago, e Guido Calabresi, da Universidade de Yale14.

Law and Economics, contudo, não é um movimento coeso. Apresenta diversas escolas e orientações, com diversas publicações regulares. O fator comum é o da implementação de um ponto de vista econômico no trato das questões que eram eminentemente jurídicas. O objeto de estudo da AED deixou de acontecer exclusivamente no plano do Direito da Concorrência para ganhar novos campos: propriedade, contratos, responsabilidade civil e contratual, direito penal, processo (civil e penal), direito administrativo, direito constitucional, direito de família, infância e juventude, dentre outros.

Esta corrente metodológica adota, além dos princípios do liberalismo econômico, a ideia de que o objeto da ciência jurídica possui uma estrutura similar ao objeto da ciência econômica e, por isso, pode ser estudado do ponto de vista da teoria econômica. Assim, busca o movimento transformar o Direito, que se encontraria em um estado pré-científico, incapaz de se adaptar à nova realidade mundial, caracterizada pela crise do Estado de Bem-Estar Social, em uma verdadeira ciência, racional e positiva, mediante a análise e investigação do Direito de acordo com os princípios, categorias e métodos específicos do pensamento econômico.

A Análise Econômica do Direito procura analisar estes campos desde duas miradas: a) positiva: impacto das normas jurídicas no comportamento dos agentes econômicos, aferidos em face de suas decisões e bem-estar, cujo critério é econômico de maximização de riqueza; e, b) normativa: quais as vantagens (ganhos) das normas jurídicas em face do bem-estar social, cotejando-se as consequências. Dito de outra maneira, partindo da racionalidade individual e do bem-estar social – maximização de riqueza –, busca responder a dois questionamentos: a) quais os impactos das normas legais no comportamento dos sujeitos e Instituições; e b) quais as melhores normas.

No Brasil o sistema jurídico é acusado de ser um dos principais obstáculos ao crescimento econômico, especificamente pelos custos necessários para o contractual enforcement e o contratual repudiation, ou seja, de se constituir um obstáculo ao bem-estar do Mercado na ótica neoliberal. O custo país, entendido como todos os custos acrescidos ao da transação, aponta para a ausência de maior eficiência do Poder Judiciário na garantia dos dogmas (propriedade privada e contrato), já que estes elementos seriam fundamentais para o perfeito funcionamento do mercado. A deficiente qualidade do Sistema de Justiça é apontada como um dos fatores responsáveis pela estagnação econômica, demandando, assim, um realinhamento à nova ordem mundial.

Exige-se, portanto, a revisão das normas legais, dos limites da intervenção do Estado e da própria Constituição. Isto porque as Constituições da segunda metade do século passado são, em regra, compromissórias e voltadas à construção do Estado do Bem-Estar Social mediante o cumprimento de programas de redistribuição de riqueza, mitigação da pobreza, relativização da propriedade privada (função social, reforma agrária, etc…) e relativização da autonomia da vontade nos contratos (proteção ao consumidor, vedação de cláusulas abusivas), enfim, buscava a garantia de Direitos Fundamentais.

O estabelecimento de um critério, no caso, a eficiência, entendida como a melhor alocação de recursos, na perspectiva do mercado (ordem espontânea), no território da AED, implica na avaliação das Instituições por suas consequências (custo/benefício). No âmbito do sistema judiciário, este cotejo acontece no registro (i) Macro: da organização e administração da Justiça, especificamente no plano Legislativo e Organizacional do Ordenamento Jurídico (pluralista); e (ii) Micro: da decisão judicial stricto senso, inserida no contexto do discurso jurídico. Em ambas dimensões se procura reler a estrutura e práticas do Sistema Judicial desde um ponto de vista específico, num embate que transcende a simples mudança de critério (jurídico para econômico), mas de tradições jurídicas (common law e civil law) e filosóficas diversas, pretendendo a unificação do discurso. De um lado indica ajustes estruturais no Poder Judiciário, inclusive com formas alternativas de resolução de conflitos (arbitragem e mediação), por outro, a partir do pragmatic turn refunda a Teoria da Decisão Judicial pelo critério da maximização de riqueza,

levado a efeito por agentes racionais enleados num processo de desenvolvimento social. Há uma rearticulação interna do Direito pela intervenção externa (e decisiva) da Economia.

A partir desta perspectiva, que vincula a racionalidade de ‘Justiça’ a juízos de eficiência, no melhor estilo Posner (2003), os Direitos Fundamentais não podem trazer consigo todo o suporte valorativo e material preconizado pelo projeto do segundo pós-guerra. Precisam tais direitos serem ‘instrumentalizados’ por um novo arsenal que os interprete a partir da lógica custo-benefício, ou seja, de maneira pragmática (2008). E este arsenal, como visto, é a AED. Esse movimento não surge de modo desarticulado. Ele encarna o verdadeiro projeto de ascendência do econômico sobre o político usando como meio o Direito, através de todas as suas possibilidades normativas e linguísticas. Sem sombra de dúvida, no âmbito do Direito, a AED representa o maior risco de abalo da democracia.

http://www.revistasconstitucionales.unam.mx/pdf/1/art/art6.pdf (Págs. 15, 16, 17, 18.)

 

Russonano se irrita...

 

"Just when I thought I was out... they pull me back in"

Em torno da página do Facebook da menina Isadora Faber, Diário de Classe, iniciou-se uma campanha denuncista e uma caça às bruxas contra a diretora Liziane Diaz Farias e contra professores, que chega quase (senão totalmente) ao nível da calúnia, da difamação e da destruição de reputações, bem ao gosto da mídia corporativa. Na página da menina, insinua-se que a diretora é corrupta ou incompetente (e os comentaristas, bem ao estilo dos seguidores de Reynaldo Azevedo, dizem isso com todas as letras).

 

Quando entrei na página da menina, fiquei com a pulga atrás da orelha, porque não via comentários críticos às suas postagens. Confirmei, com um professor, não sei se da própria escola, posteriormente, que diz ter tido seus comentários apagados e ele mesmo bloqueado.

 

Fiz uma série de contatos via internet, buscando saber do outro lado.

 

Abaixo, coloco um texto, que, por iniciativa exclusivamente minha, tenho divulgado para meu círculo de amigos, no Facebook, e tenho pedido para quem quiser, reproduzi-lo para seus amigos também. É a forma que achei de dar à diretora e aos professores da escola, que atingiu a nota 6,1 no IDEB, o direito ao contraditório.

 

Meu temor é que se esteja criando uma situação semelhante à da Escola de Base de São Paulo, pelo menos quanto à reputação, a honra e a imagem desses trabalhadores em educação.

 

Se for do interesse da equipe do Blog no Nassif divulgar esse debate, peço que o façam:

 

Prezados amigos e amigas do Facebook,

 

Peço a mais ampla divulgação da minha mensagem, pois se trata de corrigir uma imensa injustiça e dar voz a quem não tem tido o direito de defesa e do contraditório. A partir do blog Diário de Classe, da menina de 13 anos, Isadora Faber, alçada, pela mídia manipuladora, a inquisidora-mor da educação nacional, está se criando uma campanha que beira - se já não é - à calúnia e à difamação da diretora e dos professores da Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, de Florianópolis, uma escola pública modelo, que tem atingido os índices mais altos de avaliação do IDEB e tem qualidade semelhante às escolas particulares.

 

http://www.pmf.sc.gov.br/mobile/index.php?pagina=notpagina&noti=7306

 

http://www.facebook.com/E.B.M.MariaTomaziaCoelho

 

http://simariatomazia.blogspot.com.br/

 

 

 

Recentemente, com a supervisão dos pais (nas próprias palavras da menina), a adolescente acusou a diretora ( http://www.facebook.com/DiariodeClasseSC ), ou de corrupção ou de incompetência, por não completar a reforma da quadra de esportes da escola e por não ter podido receber o repasse de R$ 16.000 da Secretaria Municipal da Educação por, alegadamente, não ter prestado contas em 2011. Isso ocorreria devido à inexistência de uma APP (Associação de Pais e Professores) na escola. A página da menina (com a supervisão dos pais, como ela mesmo diz) dá a entender que a inexistência da Associação de Pais e Professores seria por culpa da diretora, Liziane Diaz Farias, e que isso teria motivações excusas (quem não deve, não teme é uma expressão várias vezes usadas na página). A menina e os pais dela, na página e através da mídia monopolista (que, até agora, só mostra um dos lados e toma as alegações da menina como fatos), acusam a diretora, os professores, os funcionários e até mesmo os colegas alunos de perseguição. Quem lê esta página ou vê as "reporcagens" da mídia monopolista pensa que a menina é uma mártir atacada por cães!

 

 

 

 

 

Repasso, abaixo, algumas informações, pedindo a máxima divulgação possível para que evitemos o linchamento moral e pessoal dessa diretora e desses professores e a destruição dessa escola que é um modelo de escola pública. Não podemos deixar que o denuncismo barato, desqualificado e ignorante crie um outro episódio igual ao da Escola de Base de São Paulo.

 

http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/55481/passados+18+anos+professora+da+escola+base+ainda+nao+sabe+quando+vai+receber+indenizacao.shtml

 

 

 

A Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho receberia, este ano, R$ 16.000,00 em parcelas de R$ 4.000,00, para fazer frente às despesas. A escola tem 640 alunos e a administração é descentralizada, forçando diretora e corpo escolar a se virar para obter verbas e pressionar a Secretaria da Educação. Essas quatro parcelas de R$ 4.000,00 só serão repassadas SE ESTIVER CONSTITUÍDA UMA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E PROFESSORES, pois, pelas regras da Prefeitura de Florianópolis, a diretora não assina os cheques, mas a direção da APP. Ocorre que a direção da escola NÃO CONSEGUE QUE HAJA PAIS QUE QUEIRAM PARTICIPAR DA APP E ASSUMAM O ÔNUS DA BUROCRACIA ADMINISTRATIVA. Nem mesmo os pais da Isadora Faber fazem isso. As reuniões do Conselho Escolar têm pouca participação dos pais, apesar dos esforços de diretora e professores.

 

 

 

Ou seja, a escola não consegue obter a verba devida, não pela “incompetência” ou “corrupção” da diretora, como se quer fazer pensar, mas pela dificuldade de mobilizar os pais para a participação da gestão da escola (o que, de certa forma, se compreende, pois são pais e mães trabalhadores que não têm muito tempo livre disponível, nem experiência neste tipo de participação, dada nossa cultura individualista; muitos se sentem intimidados!) e pela inflexibilidade das regras de descentralização (leia-se descompromisso e sucateamento da educação pública) promovido pelo poder público estatal (no caso, a prefeitura de Florianópolis).

 

 

 

A própria nomeação da atual diretora pela Secretaria de Educação de Florianópolis se deu porque a escola não obteve quórum mínimo de participação de pais para uma eleição.

 

 

 

Os mesmos pais de Isadora Faber, em vez do denuncismo barato, por que não se voluntariam para a APP? Por que não envidam esforços para convencerem os outros pais a participarem em vez de destruírem reputações por uma celebridade midiática efêmera com está parecendo a mim? Por que essa menina, em vez de, SOZINHA, como diz em seu blog, não se reúne com os outros alunos e não forma um grêmio estudantil para estimular a participação COLETIVA da COMUNIDADE dos alunos? Será que a mídia das corporações se interessaria neste tipo de empreitada? Ou essa participação coletiva correria o risco de acabar com a lógica de "celebridade" da inquisidorazinha-mor da educação nacional?

 

 

 

Sou pai de uma adolescente quase da idade da Isadora. Sou esposo de uma professora que se preocupa com os alunos e com a sua participação na sociedade e com o desenvolvimento do seu espírito crítico. Acredito que a juventude tem um papel importantíssimo nas mudanças da sociedade e das suas comunidades para melhor. Mas acredito nas iniciativas COLETIVAS, SOLIDÁRIAS, RESPONSÁVEIS, não no denuncismo desqualificado, que destroi reputações.

 

 

 

Estendo minha SOLIDARIEDADE E APOIO à diretora Liziane Diaz Farias e aos professores da Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, de Florianópolis, me coloco ao inteiro dispor desses denodados profissionais da Educação e me disponho a fazer o que for possível, dentro do meu humilde alcance, para divulgar o seu lado dos fatos, o que a mídia corporativa não tem permitido. A VERDADE precisa ter voz. Que a nossa contribuição pequena, mas coletiva, possa se contrapor ao denuncismo barato e irresponsável.

 

 

 

Peço aos meus amigos do Facebook que repassem esta mensagem e que peçam para seus amigos também o fazerem.

 

 

 

As informações factuais que aqui divulgo provêm de contatos pela Internet. As impressões e opiniões são minhas. Não sou de Santa Catarina, não sou de Florianópolis. Resido em Pelotas, Rio Grande do Sul.

 

 

 

Sérgio Cardoso Morales, 22 de setembro de 2012.

 

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O professor Carlos Formiga alega que teve seus comentários deletados e sua participação na página da menina bloqueada. Assim, ele resolveu criar a página Diário de Classes SC para fazer o contraponto, para mostrar o outro lado:

 

http://www.facebook.com/diariodeclassessc

 

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Comentários de terceiros típicos, retirados das postagens denuncistas da página do Facebook da menina Isadora Faber, Diário de Classe:

 


" kkkkkkk!!!! Se a Diretora esta "passando mal" eh por que tem realmente alguma coisa errada com a Administracao dela como Diretora. Isadora o Brasil inteiro esta do seu lado. Voce eh uma fofa e muito inteligente!!! Quem nao tem culpa no Cartorio, nao esconde a verdade... Essa Escola tem que ser investigada assim como outras milhares de Escolas espalhadas pelo Brasil afora. Beijao Isadora e um otimo fim de semana!!! Aproveita pra relaxar e brincar tbem!!!"

"conheço este tipo de gente que passa mal quando vê a coisa feder pro seu lado, me lembra daquela juiza em Brasillia que perdeu o cargo e começou a dar piti, "desmaiar", ao ser descoberta emr esconder maços e maços de dólares no quintal de casa, dinheiro fruto da corrupção..!"

"Vou te contar viu, ((professores chateados e diretora passando mal)), é o cúmulo da incompetência, e ainda tem gente que defende eles achando que são uns coitados... ha que dó! Queria saber se os filhos desses professores que SE sentem chateados frequentam essa escola, ou alguma escola pública? eu vejo tanta hipocrisia, tanto descaso. Isadora, não baixe a cabeça pq disso, na verdade é isso que eles querem, que você desista!"

" "a Diretora estava passando mal em funçao de tudo" Entenda-se por "tudo" a incompetência da mesma."

"Uma palavra define os pais que não apoiam a iniciativa do diário de classe: COVARDES!"

"Se não tem competência pra ser diretora, que vá fazer algo diferente. Aposente-se, vá cuidar do maridão, vá lavar roupas no tanque, quem sabe esfria a barrigona ou cosinhar para esquentar a barriga no forno. Pô senhora diretora vê se não torra, ....."

E isso sem a mínima prova e sem o contraditório!

 

E a Rede Globo fez uma reportagem, no Jornal Hoje, tomando as alegações da menina como fatos. E vejam que o título que quem postou o vídeo do Jornal Hoje, no YouTube, escolheu é sintomático do assassinato de reputações: Isadora Faber está incomodando muita gente incompetente!

 

 

http://falariogrande.com.br/2012/09/22/viagem-com-marao/

 

Repostando um comentario que fiz no blog Brasilianas.org.

Enriquecimento e voto: ou o sucesso de Russomano é culpa do Lula?

 

Retomando a leitura do livro Ofício de Sociólogo (Vozes, 2007) de Pierre Bourdieu, J-C Chamboredon e J-C Passeron, deparei-me com um trecho de um artigo que os autores reproduzem (p.134) para argumentar e justificar a necessidade de clareza na formulação de hipóteses de modo a permitir suas futuras verificações e que achei muito apropriado para a discussão a respeito do “fenômeno” Russomano. Nenhuma novidade, é verdade, já vi neste blog, análises nesta direção, mas é interessante como reforço do argumento porque trata-se de hipóteses sobre a Inglaterra, o que deve servir ao menos como paralelo para entendermos o atual quadro político brasileiro.

 

«[...] O elo entre "enriquecimento" e "sufrágio" é mediatizado pela situação social do operário enriquecido. Se, como pensamos, essa situação se caracteriza, quase sempre, pelo corte em relação com o meio operário e se as atitudes predominantes dependem do "coletivismo utilitário" e do "primado da família", a escolha do partido ao qual ficará ligado o operário tem mais possibilidades (para retomar Duverger) de ser baseado na associação do que na comunidade. Ou seja, sua atitude utilitária em relação com o sindicalismo tem todas as possibilidades de se estender à política, e seu voto ser dado a quem mais oferecer. É nesse segmento da classe operária que votar nos conservadores, nas circunstâncias atuais, tem possibilidades de significar "votar na prosperidade". No entanto, um voto tão calculado e oportunista implica ligações políticas muito frágeis e não há necessidade de erguer o espantalho do desemprego generalizado para fazer perceber de que maneira elas podem ser deslocadas. Com efeito, uma vez que o operário fez a experiência de um nível de vida crescente, acaba por considerar como legítimo esperar do futuro uma continuação de aperfeiçoamento. Assim, sua fidelidade política presente pode vir a ser rapidamente invertida se ele associar a não-realização de suas esperanças à política empreendida pelo governo. A mesma lógica de "frustração relativa" pode aparecer no caso do operário que aspira a uma promoção social, embora a natureza de suas expectativas seja sensivelmente diferente. No entanto, na medida em que suas aspirações, no sentido de uma melhoria de estatuto social (e não uma simples melhoria de nível de vida), não forem reconhecidas pelos grupos a cujo estatuto pretende ter acesso, seu enriquecimento e suas expectativas poderão implicar, entre outras conseqüências possíveis, a revisão de suas idéias políticas que deve ser levada em consideração para avaliar a fisionomia futura da clientela dos partidos.»

John H. GOLDTHORPE e David LOCKWOOD - "Affluence and the British Class Structure" [1961] [Acesso – pago – ao artigo em inglês: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-954X.1963.tb01230.x/abstract ]

 

Concluindo, o sucesso da política econômica dos governos Lula-Dilma, pode justificar o sucesso de Russomano em nas eleições de São Paulo?

A emergência de uma nova classe trabalhadora na primeira década do século XXI que altera seu modo de ação coletiva de um "coletivismo de solidariedade" tradicional, para um "coletivismo utilitário", mudando o centro de gravidade da classe operária para a família ("primado da família"), no sentido de que o principal objetivo agora seria a promoção econômica e social do núcleo familiar, ou seja, o sucesso da política econômica do PT é o calcanhar de aquiles de Haddad e quiça do lulismo no futuro?

 

É preciso esclarecer que esse trecho todo, citado entre as aspas, sucede a construção de quatro hipóteses que os autores fazem “sobre os efeitos prováveis [...] do enriquecimento da classe operária sobre a estrutura social britânica” daquele momento. 

 

Se alguém me garantir que não infligirei os direitos da Editora Vozes, eu publico aquelas hipóteses que são interessantes também. Ademais, vale dizer que os autores afirmavam que os operários que ascendiam socialmente não formavam uma "nova classe média", mas entravam numa posição de convergência, tornando-se (independentemente) uma "nova classe operária", ao lado da emergência de uma "nova classe média" oriunda, por sua vez da classe média tradicional. Em comum, mas por causas e meios distintos, possuíram os mesmos fins e meios de Ação Social: uma ação coletiva caracterizada exatamente por um coletivismo-utilitário/primado da família. A Nova classe operária se caracterizaria por adquirir um novo individualismo via atenuação do coletivismo de solidariedade e a nova classe média se caracterizaria por adquirir um novo "coletivismo" via atenuação do "individualismo radical" (obtendo uma maior sensibilidade aos estatutos sociais). Os fins comuns entre as novas classes sociais: "uma orientação para o consumo (de bens, tempo, possibilidades de instrução, etc.)" implicando na transformação da familia em um centro de decisões independente no caso de projetos para o futuro.

http://www.advivo.com.br/blog/andre-luiz/enriquecimento-e-voto-russomano-e-culpa-do-lula

 

 

 


        


O PT está tão paranoico com o julgamento do mensalão que acha possível até mesmo a deposição de um ex-presidente.


DO DEPUTADO FEDERAL RONALDO CAIADO (DEM-GO), ironizando a nota em que partidos aliados acusam a oposição de promover "golpismo" contra Lula.


   Digo eu: Isso não é paranoia.É medo de ir em cana. A esposa de Valerio deu uma longa entrevista pra uma revista,inclusive com gravações.Ou alguém acha que Valerio não tem vários coringas na manga?


         lULA,com razão, tem que se preocupar mesmo.Após o término do mensalão, a bola da vez é ele.


  


 

 

Da Isto É Independente

 

Pesquisas revelam que a atividade física melhora concentração, memória, aprendizagem e estimula o nascimento de neurônios


Mônica Tarantino e Monique Oliveira

 

 

 

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Não é segredo que a atividade física produz inúmeros benefícios para o corpo, mas agora a ciência reuniu provas suficientes para adicionar um novo e poderoso efeito à sua lista de ações positivas: o aprimoramento do cérebro. As mais recentes descobertas indicam que a prática regular de exercícios ajuda a pensar com mais clareza, melhora a memória e proporciona um grande ganho na aprendizagem. Novos estudos sugerem que as mudanças podem ser ainda maiores, alterando a própria estrutura do órgão ao incentivar o nascimento e o desenvolvimento de neurônios.

 

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 Essas conclusões são de uma ampla revisão de pesquisas que acaba de ser divulgada nos Estados Unidos por uma das mais renomadas cientistas no campo da neurogênese, Henriette van Praag (Ph.D), do Laboratório de Neurociências do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Henriette e seus colaboradores afirmam que há maior produção de neurônios e um aumento das substâncias que atuam na nutrição e desenvolvimento dessas células em animais submetidos a exercícios regulares. O trabalho foi publicado pela revista “Current Topics in Behavioral Neurosciences”. A cientista detectou ainda que o exercício aumenta a capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões, a chamada neuroplasticidade. Em estudos com ressonância magnética feitos em indivíduos foi possível também observar que quem se exercita regularmente produz uma intensa atividade no hipocampo. Essa região cerebral está relacionada à memória e à aprendizagem, e lá estão armazenadas as células-tronco que darão origem aos novos neurônios.

 

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 As relações entre exercícios e cérebro estão no centro das atenções da neurociência por suas implicações imediatas e futuras na vida de milhares de pessoas. Há avanços em diversas frentes. Os cientistas comprovaram, por exemplo, que as vantagens começam com a elevação dos níveis de oxigenação e do fluxo sanguíneo no corpo como um todo. “Por si só essa mudança já melhora o funcionamento da memória e da concentração e previne o acidente vascular cerebral”, explica Gisele Sampaio Silva, gerente-médica do programa integrado de neurologia do Hospital Albert Einstein e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

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 O incremento da circulação também estimula a comunicação mais eficiente entre os neurônios. A atividade física aumenta ainda a produção e a liberação de neurotransmissores. “Esses hormônios fabricados pelos neurônios atuam nas sinapses, a comunicação entre essas células”, explica Ricardo Arida, professor e pesquisador do Departamento de Fisiologia da Unifesp. Esses compostos participam da regulação de funções como memória, aprendizagem, emoções, sede, sono, fome, bem-estar, ansiedade e humor. O resultado é um reequilíbrio das quantidades dessas substâncias no cérebro, compensando déficits ou excessos, o que melhora o desempenho global do órgão.

 

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 Numerosos estudos estão focados na compreensão dos efeitos do exercício na proteína BDNF, uma espécie de tônico do surgimento, crescimento e especialização das células nervosas. Um trabalho ­coordenado pelo neurofisiologista Arida, da Unifesp, mediu a concentração dessa proteína no sangue de atletas internacionais, de nacionais e de pessoas sedentárias. As conclusões, publicadas na revista “Neuroscience Bulletin”, revelaram que os atletas de mais alto nível tinham quantidades maiores do composto circulando no sangue. Uma das prerrogativas da proteína é melhorar a troca de mensagens entre os neurônios.

 

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Crianças também podem vir a se beneficiar intelectualmente da atividade física, conforme sugerem dados colhidos pela Unifesp. Os pesquisadores analisaram as respostas de animais à ginástica logo após o desmame. “Nossos achados sugerem que fazer exercícios desde cedo ajuda a construir uma reserva neural que protege, inclusive, contra desordens cerebrais”, afirma Arida. Na Universidade de Darthmouth, em New Hampshire, o grupo do cientista David Bucci detectou diferenças nos resultados de quem começa a se exercitar na infância, na juventude ou mais tarde. “O exercício na fase de desenvolvimento do cérebro favorece a formação de uma rede neuronal mais densa e oferece mais apoio para funções como memória e aprendizagem”, disse o pesquisador à ISTOÉ.

 

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Nos Estados Unidos, essas informações estão se traduzindo em mudanças no currículo das escolas. Um dos responsáveis por essa transformação é o neuropsiquiatra John Ratey, da Universidade de Harvard. Ele percorre o país para promover a adoção de programas de fitness voltados para o aprendizado. O pesquisador partiu nessa cruzada convencido por suas pesquisas e por casos como o dos alunos da Naperville Central High School, situada em um distrito de Chicago. Ali, os estudantes se reúnem na escola todas as manhãs antes das aulas, colocam seus frequencímetros (relógios que calculam a frequência cardíaca) e saem correndo em uma pista. “A ideia principal é que os jovens consigam praticar atividades como a corrida mantendo uma taxa entre 65% e 80% de sua frequência cardíaca máxima, mantendo-a estável nessa faixa por 20 a 40 minutos três vezes por semana”, disse Ratey à ISTOÉ. Ele registrou essa experiência e outros estudos sobre a relação entre cérebro e exercício no livro “Corpo Ativo, Mente Desperta” (Ed. Objetiva), lançado recentemente no Brasil. No ano passado, o pesquisador ofereceu um programa de apoio com atividades físicas a 24 jovens do Ensino Médio com sérios problemas disciplinares, baixa frequência às aulas e dificuldades de aprendizagem da escola Barrie Central. “Em seis meses a melhora foi notável”, disse o neuropsiquiatra. Em breve Ratey irá à Coreia do Sul a convite do Ministério da Educação para falar sobre os efeitos do exercício no cérebro. Diante dessa nova abordagem da atividade física, escolas brasileiras já estão começando a rever a pauta das suas aulas de ginástica. No Colégio Ítaca, na zona oeste de São Paulo, o currículo de educação física foi reelaborado sob esse prisma. “Além de contribuir em várias áreas do conhecimento, o exercício é uma peça fundamental para a concentração”, diz Elisabete Vecchiato, assessora cultural do colégio.

 

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Muitos estudos ainda são necessários para determinar, por exemplo, como surgem e por quanto tempo persistem as alterações induzidas pela ginástica. “Os primeiros efeitos podem ser sentidos após uma semana”, diz Arida, da Unifesp. A recomendação é que se façam três sessões de 20 a 30 minutos de exercícios aeróbios por semana, mas duas já produzem algum efeito. O entusiasmado pesquisador Ratey, de Harvard, tem sugerido aos professores de educação física que ofereçam sessões de ginástica duas vezes por dia, uma antes do início das aulas, e outra no final, para produzir dois momentos de pico na produção das substâncias que melhoram o desempenho. “Minha convicção é que o foco no condicionamento físico tem um papel essencial nas realizações acadêmicas dos alunos”, afirma ele.

 

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Por hora, é consenso que a interrupção da atividade física cessa suas benesses. A avaliação de resultados de longo prazo, porém, está levando os especialistas a considerar a possibilidade de a prática persistente gerar mudanças estruturais no órgão. Pesquisa da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mostrou um aumento do tamanho do hipocampo (associado a aprendizagem e memória) em adultos saudáveis após um ano de atividade física moderada, levando a um aprimoramento da memória. “Os resultados desse estudo são interessantes porque mostram que exercícios feitos por adultos mais velhos e sedentários, mesmo que em pouca quantidade, podem levar a uma substancial melhora da saúde cerebral”, disse Art Kramer, um dos autores do trabalho realizado em conjunto com outras universidades.

 

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Buscam-se também explicações para as respostas diferentes que o cérebro dá quando o corpo se exercita. A equipe do professor David B­uc­c­i revelou recentemente a presença de um gene que parece regular a intensidade da reação do órgão. A descoberta pode ser especialmente útil para ajudar a selecionar, no futuro, quem pode lucrar mais ao associar a atividade física ao tratamento de condições como depressão, a ansiedade e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDHA). Essas aplicações estão sendo estudadas em centros como o Instituto Karolinska, na Suécia. “O exercício não só é eficiente no combate à depressão, como potencializa os efeitos dos medicamentos”, diz a neurocientista Astrid Bjornebekk. Ambos contribuem para a formação de novos neurônios em áreas no cérebro importantes para a memória e a capacidade de aprender e podem ser usados de maneira combinada. Em São Paulo, na Unifesp, o pesquisador Arida concluiu que a ginástica pode ajudar a reduzir pela metade as crises de epilepsia, doença tratada com medicamentos potentes e nem sempre eficazes. À luz dessas descobertas, o sedentarismo torna-se um fator de risco ainda mais perigoso.

 

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INVESTIGAÇÃO
O pesquisador Ricardo Arida, da Unifesp, estuda o impacto da
atividade física sobre o cérebro. Um de seus trabalhos
mostrou que exercícios podem reduzir crises de epilepsia

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Foto: kelsen Fernandes
Fotos: Marco Ankosqui; Rogério Cassimiro - ag. istoé
Fotos: João Castellano e kelsen Fernandes/ag. istoé

http://www.istoe.com.br/reportagens/239697_AUMENTE+O+PODER+DO+CEREBRO+COM+EXERCICIOS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

 

Demarchi

Até quando ?!

 

Igreja da Austrália afirma que padres abusaram de mais de 600 crianças 


Missa (Getty Images)

Ativistas dizem que número real de vítimas é ainda maior

A Igreja Católica do Estado australiano de Vitória confirmou que mais de 600 crianças foram abusados por seus padres desde a década de 30.

O arecebispo de Melbourne, Denis Hart, descreveu as cifras como ''horrendas e vergonhosas''.

O número de vítimas de abuso foi divulgado após determinação feita por um inquérito parlamentar sobre os casos de abusos praticados por membros do clero católico no país.

Mas ativistas afirmam que o número verdadeiro de vítimas de abuso na Austrália pode chegar a 10 mil crianças.

Diálogo aberto

A Igreja afirma que os 620 casos que divulgou começaram a ser registrados há 80 anos e que a maior parte deles teria ocorrido entre as décadas de 1960 e 1980.

O clero católico australiano disse estar ainda investigando outros 45 casos.

Em um comunicado, o arcebispo Hart afirmou que é importante estar aberto para ''falar sobre os horríveis abusos que aconteceram em Victoria e em outras partes''.

''Vemos neste inquérito uma forma de ajudar a reparar o mal contra os que sofreram abusos, examinar a resposta da Igreja de forma mais ampla, especialmente nos últimos 16 anos, e oferecer recomendações para aprimorar os cuidados dados às vítimas e melhorar as medidas preventivas que estão sendo implementadas'', afirmou o relgioso no documento.

O abuso de crianças por padres católicos têm sido um grande tema de debate na Austrália nos últimos anos.

Durante uma vista à Austrália em julho de 2008, o papa Bento 16 se encontrou com algumas das vítimas e fez um pedido público de perdão pelos abusos.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/09/120922_igreja_australia...

 

Demarchi

 

Demarchi

"Não serei candidato a Prefeito.  Não, não serei ! "

 

Demarchi

Pra qualquer assunto governamental ou nao que voce imaginar, voce acha mentiras documentadas de Serra no YouTube.  Qualquer assunto.

Ele tem centenas de mentiras documentadas la.

 

A dificuldade na interpretação de textos

Carta pessoal a um jornalista xingado e incompreendido

Caro amigo,

Faz tempo que a gente não se fala, né? O ridículo é que você mora quase aqui do lado da minha choupana e vejo você com frequência menor do que nossos amigos que vivem fora de São Paulo. Por conta de alguns problemas de saúde, não estou podendo beber as boas coisas da vida, mas assim que o meu organismo me der trégua, marcamos algo. Ou não.

Quanto à sua reclamação, não tenho muito o que dizer. Mas não fique chateado. Não acho que a interpretação de texto morreu com a internet. Também não sei se é possível cravar que estamos mais desatentos, superficiais ou incapazes de nos focar. Talvez a intepretação de textos nunca esteve viva. A internet simplesmente espalhou com maestria a notícia de que o cadáver andava por aí, assombrando.

Uma amiga nossa disse que, na verdade, ninguém nunca entendeu muita coisa. Mas os textos não tinham área de comentários. E como apenas meia dúzia de pessoas tinha tempo para mandar carta e, depois, outra meia dúzia de encaminhar e-mail, pensávamos que estava tudo OK. Que o pessoal entendia o que a gente escrevia.

A bem da verdade, tenho que fazer o advogado do diabo. Um punhado considerável de nossos colegas escreve mal, é preguiçoso ou não está nem aí, no melhor estilo Johnny Walker com Activia. Ou seja, nunca se preocupou se o leitor estava realmente entendendo a mensagem. Simplesmente seguia o manual de redação (nos lugares que possuem esse mimo, porque na grande maioria, é “dez” e “10″ na mesma revista sem o mínimo pudor), escrevendo para o que acreditavam ser a média das pessoas. Dizem-se ateus, mas depositam uma assustadora fé de que todo mundo estava decifrando as suas mensagens. O que, convenhamos, é pedir para se enganar. Como (alguns) membros de governos, diretores de empresas e gestores de instituições da sociedade civil faziam de conta que absorviam as notícias e se manifestavam, parecia que tudo estava indo bem.

Cara, sem querer puxar teu saco (sua autoestima já é assustadoramente alta, então é errado alimentá-la ainda mais), você escreve bem, de maneira incrivelmente simples. Sou seu fã. Mas acho que não tem jeito não. Toda vez que você produzir algo mais complexo, sua honorável progenitora será devidamente xingada por um grupo de pessoas que interpretou diferentemente do que você supunha ser o sentido do que escreveu.

Lembra das nossas aulas na faculdade? Então, eu também não… Mas os neurônios que não foram queimados em fechamentos e pautas modorrentas nos anos seguintes ainda guardam a impressão de que para compreender o sentido de um texto não basta entender o que significam as palavras individualmente ou mesmo alguns pacotes de expressões. É saudável que tenhamos acesso aos elementos simbólicos que fazem parte da constituição do grupo social para o qual aquele texto se destina. Pois esses grupos não entendem naturalmente o que pretendemos dizer e vice-versa. A culpa é de quem? Dos dois lados.

Enfim, como diria o nobre Rodolfo Vianna, que me escreveu um texto sobre a ironia na internet dia desses, o estranho não é as pessoas não entenderem ironias. O milagre é quando elas captam o que a gente quis dizer.

Inserido no fluxo comunicativo emissor – mensagem – receptor, o texto é obra aberta, polissêmico. Claro, nem tudo é relativo: dizer isso não equivale a afirmar que qualquer significado é possível. Na grande maioria dos casos, o problema é a falta de familiaridade com o texto escrito. Daí a incapacidade de entender “direito” o que está escrito. E de escrever “direito” o que se quis dizer.

Ah, mas com a internet as pessoas estão escrevendo para seus próprios grupos, dentro de seus próprios campos simbólicos. Bem, se conseguirmos indivíduos ou organizações que filtrem e traduzam determinadas informações hipercodificadas para esses grupos, teremos a beleza de conseguir democratizar mais conhecimento. Diariamente ajudamos a forjar símbolos coletivos que valem para uma grande gama de pessoas de Norte a Sul do país (a tristeza é que, se você quiser falar de “tchu” e de “tchá” diante de uma ameaça de um “ai, se eu te pego” será bem mais fácil do que discutir consumismo e discriminação de gênero…)

Pode ser também que nada dê certo. Zona por zona, o que temos a perder?

Lembra o trabalho que o Rodrigo Ratier vinha tocando, tempos atrás, com escolas públicas, no sentido de desenvolver com professores e alunos a interpretação de textos da imprensa e a leitura crítica da mídia? Então, a solução passa por aí também.

Com tudo isso, nosso emprego vai mudar. A função do jornalista na sociedade vai mudar, camarada. Prepare-se.

Enquanto isso, uma sugestão. Tem muita gente possuída pelo capeta que vê um título e entra em um texto achando que o jornalista faz parte de uma conspiração global de esquerda ou direita e procura pelo em ovo. Não adianta que o texto diga outra coisa e tenha tantos elementos para deixá-lo claro que fique até chato, alguns sujeitos vão ler o que quiserem e soltar fogo pelas ventas.

Nesse caso, simplesmente ignore. Não vou dizer que o sujeito vai embora porque tem muita gente sem ter o que fazer por aí. “Mas não se irrite”, como diria o grande Roberto Bolaños.

Enfim, entenda-os. A ignorância é um lugar quentinho.

Beijo grande,

Sakamoto

PS: Vou tirar os palavrões, dar uma editada para parecer texto de gente séria e postar no blog, quer você queira, quer não, porque ficou legal.

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/

 

Demarchi

Perfeito. Parece até um editorial para o Blog do Professor Hariovaldo. Lá os que lêem mas não entendem são chamados de Patrícios, digo, Fabrícios...e tem uns caindo de para-quedas que acha que é um blog de extrema direita... eu me divirto muito.

 

Luiz, desconfiu que seja resposta a esse artigo Morgesten do Implicante.org

Sakamoto com vergonha da Apple (do alto do seu MacBook)Por Flávio Morgenstern

leonardo sakamoto Sakamoto com vergonha da Apple (do alto do seu MacBook)

Já pedimos desculpas aos nossos sete leitores por Leonardo Sakamoto aparecer tão pouco em nossas páginas. Se formos comentar cada erro cosmicamente deslocado da realidade proferida pelo japa preferido dos progressistas, seremos obrigado a lê-lo todo dia, o que nos consumiria 3 pontos de QI a cada nova rodada. Mas tem horas que é inevitável. Sakamoto agora diz estar com “vergonha alheia” da fila na porta da loja Apple em NY à espera do novo iPhone5.

Ou, na escorreita gramática sakamotiana, a loja da Apple em Nova Iorque. Até minha mãe, que já nasceu analfabeta, pronuncia York assim, com r retroflexo e k mudo, mas ainda há puristas ultra-nacionalistas criados pela ditadura militar e que votam no Enéas insistindo em abrasileirar um nome sem sentido próprio como “York”. Um tapa na cara do imperialismo.

Sakamoto indignou-se com a fila, que viu no “Bom Dia Brasil, da TV Globo”. É curioso esse socialismo do séc. XXI, em que você começa o dia com uma boa dose de jornalismo “da TV Globo” para acompanhar o seu Sucrilhos com Toddynho. Comparou então às irracionais filas por ingressos para shows de rock, em que sempre se pergunta se “esse povo não trabalha, não?”, com típica expressão de nojinho, pronunciada com acento tônico na passagem “povo”.

Há algo de escalacrante curiosidade nessas primeiras linhas. Sakamoto é um típico progressista crítico da “sociedade de consumo” e dos horrores horrendos do capitalismo. É a turmaprogressista Coca Light, que não tem coragem de se considerar socialista ou comunista, sei lá eu por quê. Quer dizer, eu sei por quê. Eles também sabem. Mas vamos fingir que não, para manter o debate “ponderado” e “igualitário”.

Enquanto critica o “consumismo” capitalista e a fila na porta de uma Apple escrevendo de seu MacBook, Sakamoto não propõe nada no lugar da liberdade de uma empresa criar um produto, e das pessoas, livremente, escolherem perder um bocado de suas vidas para serem as primeiras a terem esse produto (sim, elas são idiotas; não, proibir a liberdade de ser idiota é coisa de comuno-fascista e acabou, sem outra opção).

A verdade é que, sem a liberdade de empreendimento, os produtos não surgem. E produtos (para essa sociedade viciada em “crítica ao mercado”, mas que nunca estudou o próprio mercado, e se acha “crítica” por repapagaiar um bordão que aprendeu na oitava série) não são apenas bugigangas tecnocráticas. Um rabanete é um produto. Uma batata, um pão a mais, um pedaço de carne, um carretel de linha (que, quando roubado na União Soviética, rendia 15 anos de trabalhos forçados no Gulag sob a seção 7 do artigo 58 do Código Penal soviético, por “subversão e sabotagem da indústria nacional”; para disfarçar o ridículo, a acusação pendia sobre “roubo de 200 metros de material residual”).

O que Sakamoto desconhece, por criticar o mercado antes de ter tentado descobrir o que é o mercado (trocas livres entre indíviduos sem coação), é que, nessa sociedade tão “errada”, as pessoas perdem dias numa fila para comprar um smartphone. Já nos sistemas de economia centralizada, as filas são com cartão de racionamento para conseguir um pouco de arroz, um punhadinho de carne pastosa que não dura 1/5 do mês, os jornais do Partido Humanitário Benevolente que são usados no lugar do papel higiênico (caro demais).

Enquanto Sakamoto reclama da fila na porta da Apple para comprar iPhone, em Cuba a fila para comprar maçãs é muito maior. O capitalismo dá folga para as pessoas pararem otrabalho por uns dias (ou para um pai de família ter recebimentos o suficiente para sua família não precisar se preocupar em algo além de dormir no sofá) em troca de um “divertimento” inútil, no socialismo a labuta é mandatória e compulsória, visando a subsistência mais básica.

O que surpreende no capitalismo não é o iPhone 5, o Audi TT Roadster, a chapinha japonesa, o óculos John Varvatos, o relógio suíço. O que surpreende no capitalismo é ter comida.

O clarividente progressista prognostica:

Quando, daqui a dois séculos, analisarem os sinais da derrocada da nossa civilização de consumo desvairado, certamente a cena da porta da Apple será resgatada pelos historiadores.

De todos os profetas que usaram de métodos com maior ou menor grau de cientificidade para enxergar alguns dias a frente, os esquerdistas, com seu suposto entendimento infalível das relações sociais e culturais da realidade, foram aqueles que atiraram para mais longe do alvo (perdendo para espíritas, teosofistas, a new wave, místicos islâmicos como René Guénon e Hossein Nasr ou ultranacionalistas de todas as espécies). No meio da década de 80, foi saudado como nova pedra de toque acadêmica o longo cartapácio Ascensão e Queda das Grandes Potências, de Paul Kennedy, que mostrava como os EUA ruiriam sob seu próprio peso militar e o mundo, em um revide terceiro-mundista, iria se voltar para a nova potência mundial a ditar as cartas do mundo: a União Soviética. Apenas 5 anos após seu estrondoso lançamento sob encômios nas faculdades de Humanidades, o Muro de Berlim ruiu.

Se Sakamoto quer entrar no rol de esquerdistas com previsões doidivanas para o futuro, basta apostar no exato oposto. Despeciendo lembrar, enquanto isso, como Thomas Mann já via a Guerra Fria escrevendo um romance logo depois da Primeira Guerra, como Ortega y Gasset enxergou em detalhes o desbaratinamento das sociedades de massas no séc. XX em A Rebelião das Massas, como todos os erros que seriam cometidos pelo governo americano já estavam descritos em filigranas em obras como O Poder, de Jouvenel, e de como até recentemente um economista como Peter Schiff previu a crise do capitalismo explicando seus motivos. Essa turma que os leitores de Sakamoto, e o próprio Sakamoto, continuarão sem ler.

Todavia, a frase de Sakamoto é o germe de sua própria destruição (como o marxista Leandro Konder costuma explicar a dialética). Se temos uma civilização de consumo desvairado, é porque já podemos consumir desvairadamente. O estado natural do homem é a miséria absoluta. Foi a revolução liberal que permitiu que a riqueza fosse algo acessível através do trabalho, e não um luxo de elites que dominam o Estado. Coroando cerejosamente o bolo de contradições típico dessa espécie de intelectual anti-mídia que é reconhecido por seus pares justamente por granjear um espaço num jornal de grande circulação, Sakamoto emenda logo a seguir:

Para alguns, o iPhone é um instrumento de trabalho – muitas vezes desnecessário, é claro. Afinal de contas, me pergunto se este aparelhinho do meu lado traz facilidades para minha vida diária, cria necessidades que eu nunca imaginei que eu tinha ou me escraviza aos seus caprichos.

A auto indagação sakamotiana é a dúvida fundamental para largar a adolescência rebelde sem causa e tomar um pingo de vergonha intelectual na cara antes de sair por aí, publicando enormidades reclamando de “vergonha alheia” sem o menor cuidado com a vergonha que ele próprio causa a seus leitores.

Caso o palavroso púbere se perguntar mesmo se esse aparelhinho traz vantagens ou desvantagens, vai entender por que possui um. Ou ele pagou por algo que facilita a sua vida, ou é um idiota. Caso a alternativa B seja a correta, facilitaremos a correção histórica: pode mandar esse iPhone pra cá, Sakamoto. Não precisa mais ser “escravizado”, deixe que nós faremos a gloriosa libertação do povo da república tecnocrata sakamotiana pelas forças combinadas dos territórios unidos da Europa.

Num sistema de trocas livres, você não tem um poder central, ou de alguma forma centralizado, que deve monopolizar e controlar a “distribuição” (a grita de Sakamoto contra a ostentação e o uso de marcadorias como “significado social” leva irremediavelmente a isso). Para então ter o pão nosso de cada dia, é preciso convencer as pessoas a te ajudarem a ter o pão (visto que poucos são padeiros). Uma empresa não pode lucrar bilhões sem ajudar as pessoas, ou ao menos convencê-las de que estão sendo ajudadas (ou, em economias só pseudo-livres, a última modinha no mundo desde 1992, pode fazer um conchavo com o governo e lucrar horrores sem convencer ninguém de nada).

anos 80 cabe num iphone 241x300 Sakamoto com vergonha da Apple (do alto do seu MacBook)Apesar de achar que seu “Tamagochi” o escraviza, Sakamoto hoje parece ter pouca coragem de viver longe da “escravidão” de poder ligar para qualquer amigo de onde estiver, de ficar sem jogar joguinhos idiotas em 3D, de poder ler o jornal sem gastar papel, poder filmar, tirar foto, ouvir música, carregar uma biblioteca que não lê, disparar raios laser e latir no quintal, tudo num negocinho que cabe no bolso, enquanto nos anos 80 metade disso preencheria uma casa e custaria uma vida.

Se Sakamoto se sente “escravizado” por esse “consumo desvairado”, poderia voltar para a subsistência pura e simples. Poderia parar de ouvir música onde bem entende, de poder ligar para os amigos a hora que quiser, de poder ler notícias dos jornais sem disputar cabeças com os aposentados tentando ler a primeira página do lado das bancas de jornais. É fácil criticar o “consumismo”. Difícil é ficar sem ser “escravizado” pelos bens da civilização que permitem a nossa preguiça, a nossa ignorância e a nossa perspectiva de vida de 80 anos. É fácil pregar o bem de todos. Difícil é se livrar das geladeiras e ter de ir caçar o próprio alimento, deixando a Terra povoada apenas pelos machos-alfa mais capazes de usar um tacape, e não de vociferar em um MacBook com um penteado horroroso.

Criticar esse “consumismo desvairado” é assumir que quer que o povo não consuma. E aí, ao invés do “consumo desvairado”, teremos apenas o consumo de subsistência. Qualquer coisa é consumo excessivo, dependendo do ponto de vista. Até mesmo a manteiga no pão éostentação, do ponto de vista de quem nunca tem manteiga o suficiente (pode perguntar para os cubanos com cartões de racionamento na fila pelos alimentos estatais, que nunca vão além do básico, nunca “ostentam”, nunca permitiram um consumo “desvairado”).

A crítica pelo “excesso de consumo” costuma trazer no bojo a idéia de se consumir “o necessário”. Como se fosse uma vantagem para quem pouco pode consumir que alguém também não consuma. O problema não surge por “o necessário” ser uma medida subjetiva – e sim quando alguém toma esse slogan como mote de governo. Quando Marx invectivou raivosamente o mote “De cada um conforme suas habilidades, a cada um conforme suas necessidades!” nas suas Críticas ao Programa de Gotha, ele não declarou um programa de governo (é apenas uma frase de efeito monga, crianças), não definiu o que são habilidades nem capacidades, e apenas instituiu o sistema econômico mais mortífero da história mundial: em que o governo é confundido com a própria sociedade, e quem define o que você “precisa” ou quais são mesmo suas habilidades é quem está com o poder nas mãos (e de Weber a Jouvenel, de Hobbes a Mao Zedong, sabemos que o poder vem de quem puxa o gatilho). Dessa forma, qualquer oposição a um ato de um burocrata estatal é entendido como traição ao próprio povo (como já dizia de cara a seção 1 do  artigo 58 do Código Criminal soviético de 1926).

Se queremos ver qual o caminho lógico e inescapável da desgraça que é a aplicação desse modelo de “crítica ao consumo”, nada como ler A Revolta de Atlas, de Ayn Rand (maravilhosamente apresentada por Rodrigo Constantino aqui).

Ninguém na história fugiu de um país capitalista para alguma ditadura comunista para evitar morrer de fome (os dois primeiros parágrafos de Arquipélago Gulag contam uma história bizarramente assustadora para quem acredita nessa lorota de “o capitalismo gera fome”). Da mesma forma, ninguém gasta rios de dinheiro em um produto que o “escravize aos seus caprichos”. Se o consumo virou “desvairado”, é porque já podemos alimentar 7 bilhões de bocas e ainda sobra, embora a corrupção, o roubo e o aproveitamento do trabalho alheio causem injustiças. Mas aí está a chave da compreensão que falta aos nossos críticos de miolo mole: todos esses atos são sabotagens contra o mercado, e não o seu próprio funcionamento correto (vide Anarquia, Estado e Utopia, de Robert Nozick, um dos livros mais importantes de política para alguém conhecer).

Enquanto isso, são exatamente o método de qualquer sistema mais “social” e sem a liberdade “desvairada” que nosso grande Sakamoto defenda, sem nunca ter coragem de afirmar o que defende.

Por que a última moda agora é ter o mesmo discurso comunistóide modelo 68 sem riscos, com a única recauchutagem de não se assumir vermelho de uma vez?

 

Estava lendo e acompanhando e concordando com a lógica da argumentação. Mas parei aqui:

"O que Sakamoto desconhece, por criticar o mercado antes de ter tentado descobrir o que é o mercado (trocas livres entre indíviduos sem coação), é que, nessa sociedade tão “errada”, as pessoas perdem dias numa fila para comprar um smartphone. Já nos sistemas de economia centralizada, as filas são com cartão de racionamento para conseguir um pouco de arroz, um punhadinho de carne pastosa que não dura 1/5 do mês, os jornais do Partido Humanitário Benevolente que são usados no lugar do papel higiênico (caro demais)."

A causa do racionamento não vem do fato de ser a economia centralizada, mas sim, de um embargo econômico de exceção. O que o autor vai dizer sobre a China e seu sistema de economia centralizada??

 

A primeira cronica de Sakamoto, da qual eu nao tinha ouvido falar, acertou esse cara em cheio!  Pena que a segunda, que eh a que foi postada acima, errou tao feio, mesmo que argumentativamente Sakamoto esteja a algumas centenas de leguas acima desse primitivo camarada...  Ah, ja que vale...  desse direitoide hemorroide.

 

(Ja li duas vezes.  Nao tenho ideia do que esse texto eh a respeito -muito menos vindo do Sakamoto!- e nao ha uma sentenca salvavel nele.)

 

Ora veja, a nova capa da Veja:::::

http://capasdaveja2012.blogspot.com.br/

 

Comentários típicos, retirados das postagens denuncistas da página do Facebook da menina Isadora Faber, Diário de Classe:


" kkkkkkk!!!! Se a Diretora esta "passando mal" eh por que tem realmente alguma coisa errada com a Administracao dela como Diretora. Isadora o Brasil inteiro esta do seu lado. Voce eh uma fofa e muito inteligente!!! Quem nao tem culpa no Cartorio, nao esconde a verdade... Essa Escola tem que ser investigada assim como outras milhares de Escolas espalhadas pelo Brasil afora. Beijao Isadora e um otimo fim de semana!!! Aproveita pra relaxar e brincar tbem!!!"

"conheço este tipo de gente que passa mal quando vê a coisa feder pro seu lado, me lembra daquela juiza em Brasillia que perdeu o cargo e começou a dar piti, "desmaiar", ao ser descoberta emr esconder maços e maços de dólares no quintal de casa, dinheiro fruto da corrupção..!"

"Vou te contar viu, ((professores chateados e diretora passando mal)), é o cúmulo da incompetência, e ainda tem gente que defende eles achando que são uns coitados... ha que dó! Queria saber se os filhos desses professores que SE sentem chateados frequentam essa escola, ou alguma escola pública? eu vejo tanta hipocrisia, tanto descaso. Isadora, não baixe a cabeça pq disso, na verdade é isso que eles querem, que você desista!"

" "a Diretora estava passando mal em funçao de tudo" Entenda-se por "tudo" a incompetência da mesma."

"Uma palavra define os pais que não apoiam a iniciativa do diário de classe: COVARDES!"

"Se não tem competência pra ser diretora, que vá fazer algo diferente. Aposente-se, vá cuidar do maridão, vá lavar roupas no tanque, quem sabe esfria a barrigona ou cosinhar para esquentar a barriga no forno. Pô senhora diretora vê se não torra, ....."

E isso sem a mínima prova e sem o contraditório!

E a Rede Globo fez uma reportagem, no Jornal Hoje, tomando as alegações da menina como fatos. E vejam que o título que quem postou o vídeo do Jornal Hoje, no YouTube, escolheu é sintomático do assassinato de reputações: Isadora Faber está incomodando muita gente incompetente!

 

É compatível com as histórias com as quaias sempre contas.  O Estado paga mil vezes melhor para ser direitor do que paga quem fica em sala de aula, mas não confia que tais sejam sequer honestos para administrar R$ 16.000,00. Ou seja, a lei os chamas todos de safados e agora achas que é uma menina que deve comparecer em delegacia por ter tido a verdade. Não achas absurdo um pai deixar dos seus compromissos até de sobrevivência para fazer o os outros ganham até muito bem para fazer?

 

Aqui mesmo no Blog houve quem propusesse a demissao da professora de Português, SEM CONTRADITÓRIO, SÓ COM BASE NAS INFORMAÇOES DA MÍDIA... 

Aliás, está se formando um clima autoritário aqui no Blog em que volta e meia alguém propõe demissao de outras pessoas, no maior oba oba. Triste de se ver. 

 

Que horror!  Pena que nao segui a historia desde o comeco, mas ta com uma cara enorme de assassinato de reputacao da diretora.

 

Bom, esta semana comprei um SSD usado de 128GB com velocidade de leitura de 500MB/s,sata III, por US$ 60(R$120,00),para testar no lugar de HDD de 160GB 7200rpm.

Além da redução do ruído durante o acesso, o SSD está sendo muito rápido, tanto na inicialização, na abertura de programas, como as planilhas eletrônicas, tudo bem mais rápido, praticamente tenho um outro computador, desliga em dois segundos, nada de esperar mais,  depois que confirmar o desligamento total.

Creio que SSD novos nessa faixa de leitura,  500MB/s com 120GB de capacidade de armazenamento,  estão por por volta de US$ 100, em rápida consulta pela internet encontrei SSD com capacidade leitura de 1,6 GB/s e 960GB de armazenamento por ceca de US$ 2.300, e outro bem mais caro, um SSD PCI-Express x16 da fusion com preços entre US$ 90.000 e US$ 150.000, com capacidade de leitura de 6GB/s e de 10 TB de armazenamento.

 

2014---distribuição de renda

SSD....Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

SSD (sigla do inglês solid-state drive) ou unidade de estado sólido é um tipo de dispositivo sem partes móveis para armazenamento não volátil de dados digitais. Tipicamente, são construídos em torno de um circuito integrado semicondutor[1], o qual é responsável pelo armazenamento, diferentemente, portanto, dos sistemas magnéticos (como os HDs e fitas LTO) ou óticos (discos como CDs e DVDs). Alguns dos dispositivos mais importantes usam memória RAM, e há ainda os que usam memória flash (estilo cartão de memória SD de câmeras digitais).........

 

2014---distribuição de renda


Deputado Rogério Correia sai em defesa de Lula e contra a revista Veja

http://www.youtube.com/embed/6diqaKE2Rp4?feature=player_detailpage

 

Joaquim Barbosa, o herói da mídia

Urariano Mota, via Direto da Redação

O ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes teria todas as características para fazer da sua vida uma história de superação. “Superação”, como se chama hoje na imprensa a luta de pessoas que partindo de condições difíceis chegam a um final feliz, no que a imprensa julga ser um final feliz. De fato, a jornada do ministro do STF, desde o nascimento, mostra a trajetória de um jovem que não aceitou o destino dos pobres do Brasil. Atentem para o Benedito do seu nome, que longe está de ser algo abençoado, bendito. Benedito é marca com foros de genética, pois era o nome desde a senzala em homenagem ao santo dos pobres, o franciscano negro São Benedito, que virou um qualificativo do passado de violência e exclusão.

No breve resumo da sua vida, Joaquim Benedito Barbosa é filho mais velho entre oito crianças de pai pedreiro e mãe doméstica. Aos 16 saiu de Minas sozinho para Brasília, onde arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense. Então se formou em Direito na Universidade de Brasília e concluiu o mestrado em Direito do Estado. Mais adiante, informa a montagem do seu perfil no STF, seguiu uma reta somente para cima: Chefe da Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde, Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores, ministro do Supremo Tribunal Federal. Ali será presidente. Mas pelo andar da carruagem, ocupará, depois desse estágio, a direção da revista Veja ou da Rede Globo.

Entendam. Na parte Barbosa do seu nome, o ministro Joaquim Benedito tem sido fiel discípulo das aulas de Direito Constitucional, Penal e Administrativo dos jornais brasileiros. No chamado Julgamento do “mensalão”, a sua reta vem sendo também ascendente, desde o roteiro montado pela mídia no Brasil, repetido em todas tevês e jornais com pequenas alterações, já antes do julgamento:

O “mensalão” seria – não, era! – um esquema clandestino de financiamento político organizado pelo PT para garantir apoio ao governo Lula no Congresso em 2003 e 2004, logo após a chegada dos petistas ao poder. Três grupos organizaram e puseram o esquema para funcionar, a saber: o núcleo político, organizado pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e integrado por outros três dirigentes partidários que integravam a cúpula do PT no início do governo Lula; o núcleo operacional, de Marcos Valério, dono de agências de publicidade que tinham contratos com o governo federal, para usar empresas com o fito de desviar recursos dos cofres públicos para os políticos indicados pelos petistas; e o núcleo financeiro, o banco Rural, que deu suporte ao “mensalão”, alimentando o esquema com empréstimos fraudulentos. Etc. etc.

Além de seguir esse roteiro monótono, repetido à exaustão, em que os jornais anunciam o crime e o relator confirma, o ministro Joaquim Benedito Barbosa nesta semana foi mais longe, em sessão pública, filmada: ele comentou que os partidos políticos no Brasil são todos iguais, pois não se registram diferenças ideológicas entre eles. O que vale dizer, no mundo brasileiro não há diferenças de classe na luta parlamentar, pois os petistas são petralhas, e os socialistas, comunistas e o governo Lula são um saco de gatos ou negócios. Com tal descrédito, o ministro paga o pedágio contra o passado Benedito: os tribunais hão de corrigir o que o povo ignorante elegeu pelo voto.

É natural que Joaquim Benedito recolha agora os frutos da sua glória Barbosa. Todas as noites, até os rincões profundos, em todos os noticiários o ministro aparece. Ele jamais acordará para o que um dia disse de si um personagem de Tchekhov: “Eu não gosto da fama do meu nome. É como se ela estivese me enganando”. Pelo contrário. Diferente do Benedito da sua origem, sobre quem a lenda conta que, preocupado com os mais pobres, furtava alimentos do convento, escondendo-os dentro de suas roupas, mas foi surpreendido um dia pelo novo Superior do Convento, que desconfiado perguntou: “O que escondes aí, debaixo do teu manto, irmão Benedito?”. E o santo humildemente respondeu: “Rosas, meu senhor!” e, abrindo o manto, de fato apareceram rosas de grande beleza e não os alimentos de que suspeitava o Superior…

Diferente das rosas do santo, o ministro Joaquim exibe todas as noites o furto pautado na imprensa. No processo do chamado “mensalão”, o ministro saiu do STF para um novo STJ, o Superior Tribunal dos Jornais. Lá ele tem os seus diários 5 minutos de fama. Tão pouco, para mudar a glória de uma vida que começou por Benedito e virou Barbosa.

Urariano Mota é jornalista e escrito.

 

 

Quando o ministro começar  julgar os brancos, membros das elites, se julgar, e tiver a mesma mão pesadas que está tendo com o PT, os 5 minutos de fama diários, se tornarão 50 minutos de tormentos.

Vão descobrir todos os delizes, caso haja, do ministro.

Se não descobrirem ele criam

Vai  sobrar críticas para todos os negros do Brasil.

Já estou me preparando.

 

Consagre os seus sonhos e projetos ao Senhor, e eles serão bem sucedidos, creia.

gAS

CATARINA DA RUSSIA - Há 250 anos exatamente a alemã Princesa Sofia de Anhalt Zerbst assumia o trono da Russia depois da deposição de seu marido, o Czar Pedro II, por um golpe de Estado do qual era não era alheia. Foi uma grande governante, energica, culta, de grande visão estrategica, corajosa ao extremo, de capital importancia na formação do Imperio Russo. Catarina incorporou ao seu dominio a Ucrania, a Crimeia, partilhou com a Prussia a Polonia, correspondia-se com Voltaire, Diderot e Montesquieu, com o economista Jacques Necker. Introduziu na Russia o papel moeda, reorganizou as finanças, a organização territorial, com sua coleção de arte privada criou o Museu do Hermitage, um dos melhores do mundo até hoje. Essa mulher extraordinaria teve uma grande coleção de amantes, o mais famoso dos quais foi Potemkim, sua vida pessoal caotica daria uma grande novela.

Personagem de incontaveis biografias, romances, operas e filmes, abaixo um dos muitos videos do ultimo filme biografico de Catarina da Russia com Catherina Zeta Jones com o papel titulo..

http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=KWY3dfp1RH8