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Impacto do Minha Casa, Minha Vida na economia

Da UFMG

Estudo avalia repercussões de Minha Casa, Minha Vida na economia nacional

Um dos dilemas das economias entre esperar o bolo crescer ou reparti-lo parece ter encontrado nova via de solução. É o que se deduz de dissertação de mestrado desenvolvida na UFMG que avaliou impactos na economia do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Utilizando modelo computacional para simular e comparar propostas alternativas na distribuição do investimento de R$ 34 bilhões definido pelo governo federal, seu autor, o pesquisador Júlio Yukio Shimizu, concluiu que a alocação planejada deverá conciliar crescimento do PIB nacional com redução da desigualdade regional, até a finalização da primeira fase do programa, em 2013.

Lançada em 2009, a iniciativa previa, para essa etapa, a construção de um milhão de casas para famílias com renda de até dez salários mínimos, em todos os 26 estados do país, além do Distrito Federal. A meta previa reduzir em 14% a carência por moradias, hoje estimada em 7,9 milhões de unidades. A estratégia adotada pelo governo, para levar a cabo suas intenções, consistiu em distribuir os recursos segundo a composição do déficit habitacional de cada estado e para cidades com mais de 100 mil habitantes, visto que elas respondem por 81,2% desse montante.

Conforme indica a dissertação, o impacto do programa na economia será considerável. "Os investimentos podem produzir aumento de até 0,5% no PIB nacional e criação de 246 mil empregos, relativamente a uma situação na qual eles não ocorressem", estima o professor da Faculdade de Ciências Econômicas, Edson Paulo Domingues, orientador da dissertação. O crescimento ocorrerá em todos os estados, mas será maior no Maranhão (4,45%), seguido por Piauí (3,91%), Tocantins (3,18%), Ceará (2,75%) e Pará (2,27%). Minas elevaria seu PIB em 0,46%. Os menores índices ficariam com o Rio de Janeiro (0,08%), Distrito Federal (0,10%), São Paulo (0,14%) e Rio Grande do Sul (0,14%).

Ainda segundo Domingues, como o investimento relativo do programa é maior em estados mais carentes do Norte e Nordeste, neles o impacto econômico tende a ser mais expressivo em todas variáveis analisadas, como investimento, consumo das famílias, PIB regional, criação de emprego e queda relativa dos preços dos aluguéis. "Além de levar ao crescimento da economia, essa alocação de recursos produzirá redução da desigualdade regional. O índice de Gini da distribuição do PIB regional antes dos investimentos do Minha Casa Minha Vida é de 0,282; estima-se que, depois deles, apresente uma queda de 1,4% da desigualdade, com índice de 0,278", registra Júlio Shimizu.

Variando de zero a um, o índice de Gini mostra o grau de equidade na distribuição de riqueza na sociedade. Quanto mais próximo encontra-se de zero, maior é a igualdade de renda distribuída.

Aluguéis
O estudo extraiu que a construção civil - segmento com grande capacidade para "puxar" a economia – será o maior beneficiado pelo programa. Até 2013, ela terá incrementado suas atividades em 3,7%. Em seguida, vêm os setores de aluguéis de imóveis (2,16%), produtos minerais não metálicos (1,9%), máquinas e equipamentos (1,18%) e material elétrico (0,7%).

Outra conclusão aponta que, com o aumento do número de habitações e a menor pressão sobre a demanda por imóveis, o preço dos aluguéis poderá cair em longo prazo, em relação ao valor que teriam se o programa não fosse implantado. Mais uma vez, o Maranhão é o maior beneficiado, com redução de 26,35% nos preços, seguido por Piauí (19,51%) e Tocantins (17,88%). "Em Belo Horizonte, onde o preço do aluguel residencial subiu 13% em 2010, vê-se que, num período típico, poderia haver queda de 4% nessa tendência, devido aos efeitos do programa", informa Domingues. Ele ressalta que aspectos da localização dos empreendimentos do programa nas cidades e da infraestrutura necessária não foram tratados no trabalho.

Conciliação
Novidade apresentada na dissertação mostra simulação com diferentes alocações de recursos entre as regiões, mantendo as mesmas metas do programa. De acordo com Júlio Shimizu, o objetivo foi analisar se elas geravam resultados mais eficientes em relação ao crescimento do PIB nacional, ou com mais equidade, com índices melhores de redução da desigualdade regional no país.

"Se o objetivo fosse aumentar o crescimento do PIB, deveríamos alocar mais recursos em estados de economia mais forte, como Minas, São Paulo e Rio. Mas se a intenção era reduzir a desigualdade regional, destinaríamos mais dinheiro ao Piauí, Maranhão e outros estados", exemplifica Domingues.

As modificações geradas pelas alternativas não foram expressivas no programa. Para o primeiro caso, o crescimento do PIB nacional ficou praticamente estacionado - 0,5025%. Já pela segunda opção, a desigualdade regional reduziu muito acima do previsto, em 7,4%. "As simulações feitas não indicam um trade off [dilema] claro entre crescimento e desigualdade", considera Shimizu, ressaltando que a alocação planejada pelo programa consegue conciliar esses dois aspectos da política econômica.

DissertaçãoProjeção de impactos econômicos do programa Minha Casa, Minha Vida: Uma abordagem de Equilíbrio Geral Computável Defesa: novembro de 2010
Programa: mestrado em Economia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas

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17 comentário(s)

Comentários

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Eu quero mesmo é financiamento da reforma e da ampliação da minha casa. Pois graças a esse, como diria Prates, Governo espúrio compramos muitos bens nos últimos anos, não cabe mais nada minha casa e eu decidi que quero um espelho do tamanho da parede de um dos meus quarto, que é para eu me namorar.

 

Acho apenas que nesta segunda fase do programa ou quiça em uma terceira se deveria priorizar de verdade as habitações para a baixa renda, mas baixa mesmo, até 3 SM. Mas enfim, de qualquer forma, o sucesso do programa é inegável. O Brasil jamais viu algo dessa magnitude.

 

@DanielQuireza

AAinda hoje é possível encontrar cerca de 4% de pessoas que acham que o gov Lula foi continuação do FHC, se você imaginar o pai´s sem  Programas como minha casa minha vida, luz para todos, aumento do salario minimo, aumento do credito, investimentos da petrobras, bolsa familia,investimentos em educação, fortalecimento comercio com Asia e mercosul  etc, aliás todos criticados pela oposição, e você imaginar o que seria o país hoje com certeza seria parecido com aquele país medíocre sem empregos do governo FHC

 

   Os alugueis não vão cair a longo prazo, já cairam. Eu me lembro quando se falava  que o aluguel de apartamentos/casas ficavam em torno de 1%, 1,5% do valor do imóvel. Hoje moro de aluguel em uma casa em um bairro de classe média e pago 0,5% do valor o imóvel.

 

1% a 1,5% acredito que nunca vai voltar a ser. Nem nos comerciais. 0,5% está bom demais, até porque para imóveis dá para considerar essa rentabilidade já como real (descontada a inflação), porque no longo prazo o imóvel se valoriza no mínimo, pela inflação.

 

@DanielQuireza

Maravilha, tudo joia, só esqueceram que as casas precisam de agua e especialmente esgoto, metade dos domicilios brasileiros atuais não tem esgoto, os novos domicilios menos ainda, como tambem não tem organização urbana nas periferias das cidades grandes e medias aonde preferencialmente essa Minhas Casas estão sendo erguidas, praças, quadras esportivas, escolas , creches e pronto socorros. Os programas de saneamento estão atrasados porque há questões legislativas não resolvidas sobre a titularidade dos serviços de agua e esgoto, o que impede financiamento para esses programas, parece que o Congresso não está nem ai com o problema, tem coisa mais importante para tratar.

 

Eu tendo meu teto o esgoto que se exploda

 

Quem fala em saneamento bàsico é porq nunca teve fome na vida ,quando vc tem fome primeiro pensa na comida a última coisa q vc pensa é no saudável q pode ser aquela comida , trocando em miúdos , primeiro o mais importante: um teto sobre a cabeça , quem realmente precisa sabe disso, o saneamento é importante mas por favor sem demagogia , porq se fossemos ilustrar tudo q seria importante essas casas só ficariam prontas no ano  2100 , um exemplo claro do q é secundário mas q ninguém se importa é : as casas são uma réplica uma da outra (acaso pobre não tem orgulho?) não podem fazer as casas diferentes ,as vezes uma familia de 5 pessoas necessita mais quartos , é a qualidade dos materiais? esta tudo superfaturado, uma casa dessa pode custar caríssima , mas quando vc vai ver a casa em si , é tudo da pior qualidade ( é claro q o dinheiro não foi empregado na casa , ficou no meio do caminho) , não podem empregar um arquiteto pra fazer um projeto q ademais de econômico seja tambem bonito ?...

 

Do MCMV todos têm sim.

 

@DanielQuireza

http://noticias.r7.com/economia/noticias/programa-minha-casa-minha-vida-...

 

Negativo. É muito mais facil construir casas do que rede de saneamento. A casa fica pronta mas falta o sanemaneto.

 

Sim, sem dúvida. Casa é fácil de se fazer, o difícil é levar até ela toda a infra-estrutura básica necessária; redes de água, esgoto, coleta de lixo. iluminação pública, etc. Achar os terrenos também pode ser dífícil, construir a casa é o mais simples.

As diretrizes do programa preveem o saneamento básico. Claro que pela dificuldade da execução, ele pode demorar a acabar e atrasar a obra como um todo. De qualquer maneira o programa é bom também no sentido de que vai, obrigatoriamente, fomentar o saneamento básico. Pode ter certeza que todas as casas entregues têm o saneamento.

 

@DanielQuireza

Quireza,

Como zumbi do neoliberalismo, o AA não quer dar mesmo o braço a torcer. E continua a viver no que em Psicologia é definido como negação. Não consegue assimilar o fato de que "esperar o bolo para crescer para distribuir depois" do Bush/Obama (diminuição dos impostos dos ricos) ajudou a levar os EUA pro buraco. O bolo cresceu, mas os ricos comeram sozinhos. E, além de não deixarem nem as migalhas, ainda mandaram as despesas com os ingredientes pros pobres pagarem. Resultado? Desigualdade social  nos EUA aumentando a níveis só vistos no governo FHC.

Além do que, continua insistindo com as omissões ou meias verdades. Como dizia o filósofo  Juarez Soares, "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e ambas se diferem por não serem iguais". MCMV é para construtoras (isso se pensarmos apenas em coleta de esgoto e fornecimento de água, porém, o asfaltamento de vias hoje realizados nestes empreendimentos contribui bastante para a melhora da qualidade de vida), saneamento básico é responsabilidade governamental via concessões,  e já está previsto nos PAC's 1 e 2:

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/pac-2-tera-pelo-menos-r-40-bi-para-saneamento-basico-20100322.html 

 

E o que tem a ver esse discurso com o saneamento?

O problema do sanemaneto no Brasil é historico, não é culpa desse Governo e tem enorme dificuldade de solução porque a Constituição de 88 não definiu a titulariedade dos serviços de agua e esgoto, o setor está em um limbo legal entre municipios e Estados, com o que fica dificil financiar a expansão das redes e soluções. Foi a isso que me referi. O Governo atual apesar de não ter criado o problema deveria ter tentado resolve-lo com a maioria legislativa folgada que tem antes de iniciar um programa de construção de casas. As redes de agua e esgoto tem que vir ANTES da construção das casas, as casas tem que ser entregues já com agua e esgoto, o que não acontece hoje.

A Barra da Tijuca, no Rio, uma enorme expansão urbana, não tem esgoto, é tudo despejado direto na Lagoa de Maraependi, que se liga ao mar, uma sujeira inadmissivel para uma cidade moderna.

O mais triste é que a solução não é tão cara, dinheiro existe, a CEF que é o banco que tem o foco no sanemaneto está cheia de recursos mas há esse problema legal antigo.

Não adiante vir aqui com ideologias de esquerda ou direita, saneamento é um problema sem ideologia, o fedor é o mesmo na direita ou na esquerda.

 

André, mudando de assunto.

Outro dia voce disse que foi de sindicato patronal, se não me engano. Nessa época, ja chegou a ter audiencias com o Lula na época de sindicalista ? Se puder, qualquer hora, passe para nós a impressão que tinha dele, se acreditava que algum dia ele chegaria onde chegou. Sem medo se ser amado ou odiado pelo pessoal aqui do blog, hehe. Obrigado, abraços.

 

@DanielQuireza

Meu caro Daniel, na primeira longa greve nos fim do regime militar, greve que durou se não me engano 41 dias, eu assinei o acordo como representante do Grupo 14 na Delegacia Regional do trabalho de Sto.Andre, de um lado 14 sindicatos patronais e do outro lado o Sindicato dos Metalurgicos liderado pelo Lula, que ainda não usava barba,  ele na sala foi correto e profissional, estava bem assessorado por um bom advogado,  mas depois que abriu a porta e la estavam as cameras e holofotes ele se transformou em um politico bem mais contundente do que na sala a portas fechadas, foi essa a minha impressão dele, é claro que jamais alguem poderia supor que ele chegaria a Presidente da Republica. Depois dese fim de greve ele começou a ser paparicado por uma turma da FIESP, paparicado até demais, esse grupo que demonstrar ser ""moderno e avançado"" e começaram a dar espaço ao Lula porque eles tambem eram contra o regime militar nessa fase e queriam a redemocratização. Levaram o Lula em bons restaurantes, Ca DÓro, Gallery, uma paparicação até meio ridicula, quando o Consulado Alemão em S.Paulo ofereceu um cocktail ao Chanceler Helmut Schmidt no Hotel Hilton na Av.Ipiranga, o Lula lá estava era tratado já como celebridade por esse grupo da FIESP, cujos expoentes eram Luis Eulalio Vidigal e Claudio Bardella.

Outra grande liderança da FIESP, Mario Amato, não fazia parte desse grupo e não seguiu essa linha; Lula começou a ficar famoso nessa época, com apoio de muita gente, inclusive do Ministro do Trabalho, Murilo Macedo. Lula sempre soube navegar nesse mar, era muito mais habil que outro lideres sindicais, como Joaquinzão e tinha até um apoio sutil de certas alas do Governo militar que o viam como contrapeso aos sindicatos que estavam sob a guarda chuva do Partido Comunista.

Para descrever essa epoca com precisão precisaria fazer pesquisa de datas, lembro-me de episodios mas não de datas precisas e muita coisa não pode ser ainda contada mas quem viveu aquela época nos circulos sindicais patronais conhece o pano de fundo desse processo que chega até hoje.

 

 

Certo, são relatos interessantes, me parece que daria até um livro, obrigado.

 

@DanielQuireza

Oi Daniel, concordo com você. As prefeituras são obrigadas a apresentar projeto de infraestrutura para viabilizar a liberação de recursos junto à CEF. Muito do que se atrasou no programa, principalmente no quisito saneamento, foi por falta de "expertise" das prefeituras de cidades médias e pequenas em desenvolver projetos que sejam posteriormente aprovados pela Caixa.