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O Bolsa Família e a revolução feminista no sertão

http://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2012/11/o-...

A antropóloga Walquiria Domingues Leão Rêgo testemunhou, nos últimos cinco anos, a uma mudança de comportamento nas áreas mais pobres e, talvez, machistas do Brasil. O dinheiro do Bolsa Família trouxe poder de escolha às mulheres. Elas agora decidem desde a lista do supermercado até o pedido de divórcio. Editora Globo)O DINHEIRO DO BOLSA-FAMÍLIA TROUXE PODER DE ESCOLHA ÀS MULHERES DO SERTÃO (FOTO: EDITORA GLOBO)

Uma revolução está em curso. Silencioso e lento - 52 anos depois da criação da pílula anticoncepcional - o feminismo começa a tomar forma nos rincões mais pobres e, possivelmente, mais machistas do Brasil. O interior do Piauí, o litoral de Alagoas, o Vale do Jequitinhonha, em Minas, o interior do Maranhão e a periferia de São Luís são o cenário desse movimento. Quem o descreve é a antropóloga Walquiria Domingues Leão Rêgo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nos últimos cinco anos, Walquiria acompanhou, ano a ano, as mudanças na vida de mais de cem mulheres, todas beneficiárias do Bolsa Família. Foi às áreas mais isoladas, contando apenas com os próprios recursos, para fazer um exercício raro: ouvir da boca dessas mulheres como a vida delas havia (ou não) mudado depois da criação do programa. Adiantamos parte das conclusões de Walquiria. A pesquisa completa será contada em um livro, a ser lançado ainda este ano.

MULHERES SEM DIREITOS

As áreas visitadas por Walquiria são aquelas onde, às vezes, as famílias não conseguem obter renda alguma ao longo de um mês inteiro. Acabam por viver de trocas. O mercado de trabalho é exíguo para os homens. O que esperar, então, de vagas para mulheres. Há pouco acesso à educação e saúde. Filhos costumam ser muitos. A estrutura é patriarcal e religiosa. A mulher está sempre sob o jugo do pai, do marido ou do padre/pastor. “Muitas dessas mulheres passaram pela experiência humilhante de ser obrigada a, literalmente, ‘caçar a comida’”, afirma Walquiria. “É gente que vive aos beliscões, sem direito a ter direitos”. Walquiria queria saber se, para essas pessoas, o Bolsa Família havia se transformado numa bengala assistencialista ou resgatara algum senso de cidadania.

“Há mais liberdade no dinheiro”, resume Edineide, uma das entrevistadas de Walquiria, residente em Pasmadinho, no Vale do Jequitinhonha. As mulheres são mais de 90% das titulares do Bolsa Família: são elas que, mês a mês, sacam o dinheiro na boca do caixa. Edineide traduz o significado dessa opção do governo por dar o cartão do benefício para a mulher: “Quando o marido vai comprar, ele compra o que ele quer. E se eu for, eu compro o que eu quero.” Elas passaram a comprar Danone para as crianças. E, a ter direito à vaidade. Walquiria testemunhou mulheres comprarem batons para si mesmas pela primeira vez na vida. Finalmente, tiveram o poder de escolha. E isso muda muitas coisas. 

O DINHEIRO LEVA AO DIVÓRCIO E À DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE FILHOS?

“Boa parte delas têm uma renda fixa pela primeira vez. E várias passaram a ter mais dinheiro do que os maridos”, diz Walquiria. Mais do que escolher entre comprar macarrão ou arroz, o Bolsa-Família permitiu a elas decidir também se querem ou não continuar com o marido. Nessas regiões, ainda é raro que a mulher tome a iniciativa da separação. Mas isso começa a acontecer, como relata Walquiria: “Na primeira entrevista feita, em abril de 2006, com Quitéria Ferreira da Silva, de 34 anos, casada e mãe de três filhos pequenos,em Inhapi, perguntei-lhe sobre as questões dos maus tratos. Ela chorou e me disse que não queria falar sobre isso. No ano seguinte, quando retornei, encontrei-a separada do marido, ostentando uma aparência muito mais tranqüila.”

A despeito do assédio dos maridos, nenhuma das mulheres ouvidas por Walquiria admitiu ceder aos apelos deles e dar na mão dos homens o dinheiro do Bolsa. “Este dinheiro é meu, o Lula deu pra mim (sic) cuidar dos meus filhos e netos. Pra que eu vou dar pra marido agora? Dou não!”, disse Maria das Mercês Pinheiro Dias, de 60 anos, mãe de seis filhos, moradora de São Luís, em entrevista em 2009.

Walquiria relata ainda que aumentou o número de mulheres que procuram por métodos anticoncepcionais. Elas passaram a se sentir mais à vontade para tomar decisões sobre o próprio corpo, sobre a sua vida. É claro que as mudanças ainda são tênues. Ninguém que visite essas áreas vai encontrar mulheres queimando sutiãs e citando Betty Friedan. Mas elas estão começando a romper com uma dinâmica perversa, descrita pela primeira vez em 1911, pelo filósofo inglês John Stuart Mill. De acordo com Mill, as mulheres são treinadas desde crianças não apenas para servir aos homens, maridos e pais, mas para desejar servi-los. Aparentemente, as mulheres mais pobres do Brasil estão descobrindo que podem desejar mais do que isso.

 

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Mesmo curta, a materia já dá uma noção de como o Bolsa Familia está modificando para melhor a vida de mulheres que antes não tinham voz nem vez! Não é somente o poder de comprar um batom pela primeira vez ( como alguns ja se apressam para chama-las de consumistas... sem comentarios!!!) e sim o poder de decidir sobre suas vidas, seus corpos, algo tao óbvio, mas que, para os machistas de plantão é uma ameaça! E é mesmo.... graças a Deus!

 

“O que me amedronta, não é o grito dos maus, mas o silêncio dos justos” Martin Luther King

Por um erro o Nassif acabou postando novamente este artigo, mas tudo bem

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/bolsa-familia-trouxe-poder-de-escolha-as-mulheres

 

Embora com motivos nobres e justos, a canalização do Bolsa Família através das chefas do lar tem-se mostrado uma excelente solução.

Porém, de forma dissimulada, o mundo consumista de hoje conspira para levar à sociedade a uma fragmentação de laços familiares e comunitários, atomizando o mercado. Também, a mulher é, por natureza, mais consumista que o homem (embora menos que um gay). O sistema consumista de hoje está levando à atomização do mercado e no ser humano perfeito: o homo-shopping.

Desse modo, podemos pinçar duas citações acima que confirmam esta situação:

"E, a ter direito à vaidade. Walquiria testemunhou mulheres comprarem batons para si mesmas pela primeira vez na vida."

"Mais do que escolher entre comprar macarrão ou arroz, o Bolsa-Família permitiu a elas decidir também se querem ou não continuar com o marido."

 

O raciocínio "lógico" desse cara se mostra inteiro na primeira frase. Quer dizer que "Embora com motivos nobres e justos, a canalização do Bolsa Família através das chefas do lar tem-se mostrado uma excelente solução"?  Por que, normalmente as coisas com motivos nobres e justos nao se mostram boas? Que fantástico! Afinal, é raro ver alguém defender que as coisas nao tenham motivos nobres e justos... 

E o resto está todo de acordo com esse "nível intelectual'. Tentativa de censura da mulher por ousar comprar uma coisa para ela; besteirol sobre mulheres serem mais consumistas que homens e menos que gays (francamente! além de preconceituoso, completamente imb****!). 

E, sobretudo, claro, que audácia mulheres ousarem pensar em se desfazerem de maridos trastes! Ora, ora... 

Como diz a Cabocla, melhor ler isso que ser cega... 

 

Esse material abaixo lhe poderá servir de utilidade,

Do Livro: Crítica à Tolice Feminina (Agenita Ameno)

 

Por isso, pensar a condição existencial feminina tornou-se primordial, pois tudo que afeta a mulher reflete diretamente no "caixa" do mundo capitalista e vice-versa. Foi preciso, portanto, preocupar-se com suas depressões e angústias sem, no entanto, procurar resolvê-las definitivamente. É necessário que estejam sempre prontas, lindas e felizes para continuar consumindo, mas ao mesmo tempo elas precisam deixar acesa a chama de não poderem estar sempre tão lindas, prontas e felizes(...).

 

Não existe apenas um tipo de pele ou cabelo, mas infinitos, e, em cada tipo de pele, por exemplo, uma peculiaridade que exige outros tipos de creme mais específicos. Para o rosto podemos encontrar uma sofisticada linha de produtos que servem para áreas específicas, como os olhos, boca, ponta do nariz... E para cada microrregião existe uma forma de atuação desses produtos que ainda se subdividem em horários para serem usados e que têm determinadas funções: hidratar, nutrir, adstringir, refrescar, colorir, descolorir etc. Assim, as exigências de cuidados estendem-se para toda a pele, cabelo, corpo, psique (...)

 

Se não abrirem os olhos, continuarão se esborrachando sobre os pedregulhos. Mas também com relação a isso não precisarão preocupar-se muito, pois a máquina de fazer dinheiro já arrumou um jeito de sair consertando e recosturando a mulher toda vez que ela precisar. Também não faltará quem afirme que ela está sempre precisando de remendos (...)

 

 

 

Agora esse outro artigo:

 

Empresas que apostam em consumo Gay têm muito mais lucro!

 

Há muito vem sendo falado do poder de consumo dos Gays, não só no Brasil como no mundo todo.

 

Surgiram termos como Pink Dollar (Dólar americano em que os gays faziam um risco com um marca texto cor-de-rosa para mostrar a movimentação de seus dólares), Gay-Friendly (Geralmente usado por hotéis que avisam não ter preconceito) e muitos outros em todos os cantos do mundo.

 

E mostraram que podem, pois as empresas têm revisto seus conceitos e abraçado cada vez mais esta clientela que antes era esquecida.

 

Só no Brasil são 18 milhões de consumidores (Fonte: IBGE), que gastam em média 30% a mais que os heterossexuais, com roupas, lazer, gastronomia e em se tratando de estética, os gays gastam 60% a mais com produtos de beleza.

 

Outro setor que cresce a cada ano é o turismo gay, de hotéis de luxo a cruzeiros (nacionais e internacionais). São mais de 4.5 bilhões de dólares movimentados neste ramo a cada ano.

 

Os números são impressionantes, e indicam que os que optam por uma vida de solteiro, sem filhos, têm muito mais para gastar do que os que optam por uma família convencional.

 

Pesquisas recentes também mostram que 89% dos gays vão regularmente ao cinema, 60% frequentam muito o teatro, 73% viajaram pelo Brasil, 56% costumam comprar livros e 57% costumam visitam regularmente museus e galerias.

 

Veja o Link: http://oconfessionario.wordpress.com/2010/09/14/empresas-que-apostam-em-consumo-gay-tem-muito-mais-lucro/

 

 

 

Para confirmar as minhas teses resumo então:

 

1.    A mulher é usada como consumidora (isso querem fazer nos países árabes, “liberar” ela dos maridos opressores e antiquados e envia-las aos shoppings). O livro diz: “pensar a condição existencial feminina tornou-se primordial, pois tudo que afeta a mulher reflete diretamente no "caixa" do mundo capitalista e vice-versa”.

 

2.       O Gay consome mais: Só no Brasil são 18 milhões de consumidores (Fonte: IBGE), que gastam em média 30% a mais que os heterossexuais, com roupas, lazer, gastronomia e em se tratando de estética, os gays gastam 60% a mais com produtos de beleza.

 

3.       O mundo caminha para atomizar os consumidores, destruir as famílias e converter aos seres humanos em “homo-shoppings” (termo inventado por mim): “Os números são impressionantes, e indicam que os que optam por uma vida de solteiro, sem filhos, têm muito mais para gastar do que os que optam por uma família convencional”

 

 

 

Anarquista, nunca vi um texto ou comentário seu que traga aporte de conhecimento ou até mesmo de opinião amadurecida sobre algum tema (talvez tenha passado por alto e não vi). O assunto é que fica difícil trocar assunto qualquer com alguém como você.

 

 

Claro, para quem tem a sua "lógica"... Preconceituoso e tolo. 

 

Numa boa: Não dá mesmo para trocar alguma ideia com você.

Já mais gente falou isso de você, inclusive neste mesmo post.

 

Espetacular! Dá-lhe, grande presidente Lula!!!!

 
 

O fim do machismo e do feminismo.

Nós temos muito a aprender com as civilizações orientais, muito mais antigas e sábias que a nossa jovem civilização, insipiente e atualmete, decadente.

Eles já tentaram, erraram, corrigiram e melhoraram muitos hábitos de convivência.

A organização familiar tem lugares, valores, hierarquia, deveres, muito mais aperfeiçoados que os nossos. Todos os membros da família têm seus lugares na hierarquia e ordem da família.

No Japão as mulheres cuidam das finanças da casa. São o grupo mais numeroso de investidores na bolsa de valores. Elas cuidam do dia a dia das finanças domésticas, inclusive da poupança e dos investimentos da família.

Os homens vêem a casa como o descanso do guerreiro. As mulheres vêem o lar como o seu domínio de trabalho e administração, onde precisa acudir à todas as demandas dos seus familiares.

Este post narra o fato de as mulheres terem acesso à arrecadação familiar, campo de onde foram majoritariamente excluídas. Estão fazendo muito bem aquilo que as civilizações orientais elegeram como atribuições da mulher no lar.

Segundo esse post parece que eles estão com a razão.

O fim do machismo e do feminismo. Os homens se desincumbem dessa tarefa e as mulheres não precisam mais sair para trabalhar, pois já têm o seu trabalho para fazer em casa. Não precisam mais entregar os seus filhos aos cuidados do Estado.

 

Bom dia, Antonio. Gostei muito do seu comentário. Quando era mais jovem, lutava com unhas e dentes pelo direito da mulher de trabalhar fora de casa. Hoje, depois de três filhos, gostaria de lutar com unhas e dentes pelo direito da mulher de ficar em casa e cuidar da família, recebendo respeito e poder.

 

Que bom, Augusto. Quando jovem, defendia com unhas e dentes o direito da mulher à carreira, à satisfação pessoal por meio do trabalho remunerado fora de casa. Tudo bem, é um direito que não deve ser simplesmente negado. Mas, hoje, principalmente depois de três filhos, desejo que a mulher tenha o direito de ficar em casa, cuidando dos filhos e do lar, sendo respeitada e bem remunerada por isso. Carreira fora de casa? Sim, é bem-vinda, mas hoje colocaria isso em segundo lugar em minha prioridade de vida.

 

Só o que faltava... Papéis delimitados e mulheres em casa. Sai fora, cara pálida, fique você em casa. Nao há motivo nenhum para essa limitaçao de vidas de uns e outros. 

 

Prezada Ana Lu

Você que não é anarquista está demonstrando não ser lúcida quando se nega a aprender com as experiências dos outros. Não vou polemizar com você.

 

Realmente, com o tipo de "argumentos" que você tem... 

 

Essa matéria não tem a menor credibilidade, saiu numa revista do grupo Goebbels.

 

Prender manifestante mascarado é fácil, quero ver é prender político ladrão que foi desmascarado.

Esta reportagem é como alguns artistas que ajuda um pouco aos pobres para que tenham suas almas perdoadas quando chegar lá encima, porque pela importância da pesquisa da Antropóloga Walquiria Domingues Leão Rêgo, não era para sair numa revista de baixa circulação (Marieclair).

 

Que eles nunca mais governem este país

 

Mas essa matéria, com toda a reflexão que poderia trazer, inclusive no sentido crítico, para melhorar, aprimorar, jamais sairia na velha imprensa cartelizada. O que interessa é a escandalização, o assassinato de reputações, é a vulgar provocação. O público alvo é o mesmo: Aquele que pensa que não lucra nada com as políticas sociais. Nem raciocina que é melhor uma mudança institucionalizada que que vem de cima para baixo que outra muito pior, e com consequencias desconhecidas, de baixo para cima.

 

Que ele governe sempre este pais

 

Este dinheiro é meu, o Lula deu pra mim (sic) cuidar dos meus filhos e netos...

Essas pessoas simples se referem a Lula como se o ex-presidente fosse alguém deles, de casa, um ente familiar. Inimaginável uma dessas pessoas dizendo "Este dinheiro é meu, o FHC deu prá mim(sic) cuidar de meus filhos e netos." Isso é manifestação de amor, é resultado do carinho que Lula teve para com estes desvalidos. O amor, isso que deveria ser a marca maior de qualquer governante e mesmo aquele que tem poder sobre um grupo de pessoas, como por exemplo um professor, foi apontado pelo pedagogo Paulo Freire como o principal fator de sucesso. Presenciei essa manifestação de carinho das pessoas para com Lula, dias atrás. No retorno para casa, quando desci na rodoviária de Carolina-MA para almoçarmos, a dona do rústico restaurante,  ao apontar a falta de uma ponte ligando o MA ao TO disse: O Lula deixou tudo prontinho, assinou tudo, a ponte não sai pq o Siqueira Campos(PSDB-TO) não quer, nem ele nem a Pipes [ empresa proprietária da balsa que faz a travessia do rio Tocantins e fatura montanhas de dinheiro por dia]. Notei nas feições daquela cidadã de mãos calejadas pela labuta no fogão uma intimidade e um carinho ímpar ao referir-se a Lula. Este afeto da população para com seus governantes é coisa rara de se notar pelas bandas de Pindorama, não é mesmo. Em se tratando de governantes neste país, bem como no ato de ensinar, falta amor.

Em tempo: Esqueci de dizer que, referindo-se ao prefeito que acabava de tomar posse em Carolina - Rio Tocantins, aquela senhora apontou que a diferença entre o que acabava de sair e o que estava entrando é que "um alto e o outro é baixo"....rsss

 

 

Que ele governe sempre este pais

 

Muito interessante este 'estudo de caso' da antropóloga Walquiria, eu também tinha colocado no FdP de hoje. Agora mesmo acabo de ler uma outra história, em sentido reverso (isto é, desalentador), do machismo reinante em nosso país. Esta passada no seio da elite brasileira. Nos dois casos, temos exemplos explícitos que o machismo - hoje - não é delírio de "feministas alucinadas". Só não vê quem não quer, e sabe-se bem porque não quer ver. 

Seguem um texto e alguns links sobre o caso da Viviane.

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O suicídio da jovem estagiária e o silêncio que incomodaPostado em: 4 jan 2013 às 17:04A vítima morreu três vezes: no ato da agressão, na impossibilidade de obter justiça e na destruição de sua imagem pública

Texto relata o silêncio em torno da morte da estudante da PUC-SP, que tinha 21 anos, Viviane Alves Guimarães (foto abaixo), que se jogou do prédio onde morava no bairro Morumbi, na capital paulista, em 3 de dezembro. Um suposto estupro pode ter motivado o suicídio da jovem. Viviane era estagiária de um dos maiores escritórios de advocacia de São Paulo. Segundo familiares, ela era uma jovem feliz e realizada.

Por Felipe B

Abra as pernas, feche a boca e tente não morrer: como ser uma jovem mulher em São Paulo.

viviane alves guimarães suicídio advocacia

Viviane Alves Guimarães. (Foto: divulgação / web)

Você possui o escritório de advocacia mais influente do país. Seus jovens sócios, mulheres e homens com menos de 40 anos que se acham os donos de São Paulo e ostentam salários mensais acima de 100 mil reais, decidem brincar com a vida e autoestima de uma menina de 21 anos começando a carreira como estagiária na empresa.

O combinado é sacanear a menina, certos da impunidade. Domínio dos meandros legais que fazem os algozes terem a certeza da impunidade. O ônus da prova ficará todo com a vítima.

Você é informado sobre o crime (apesar de seus jovens sócios e demais advogados influentes não olharem essa questão através do mesmo prisma moral dos pobres mortais) e aciona o departamento de gerenciamento de crise para preparar uma ação de acobertamento, caso alguma denúncia seja feita. O primeiro passo é escrutinar a vida sexual da vítima e catalogar qualquer “desvio de conduta”. Prepare um rol de testemunhas pagas a peso de ouro. Também prepare a compra do silêncio da vítima, ameaçando-a de ter a carreira encerrada em qualquer instituição de peso caso leve adiante a vontade de fazer justiça.

Enquanto isso os jovens sócios se regozijam do crime perfeito, da arte de terem sacaneado a novata. Provavelmente algumas das sócias, ex-estagiárias também estão rindo. Não é uma questão de gênero. É uma questão de poder.

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Ao mesmo tempo que comemoram a impunidade, os jovens sócios ainda estão eufóricos por serem os responsáveis pelo escritório ter recebido o prêmio de Ëscritório do Ano no Brasil, pela consagrada publicação International Financial Law Review. Além de serem jovens e donos do mundo, agora o bônus será polpudo.

Mas a vítima não suporta a pressão. Decide pelo suicídio, em um dos bairros mais nobres da capital.

Merda no ventilador. Departamento de gestão de crise pesa a mão. Quem der prosseguimento na apuração pode perder alguns de seus maiores anunciantes. MSM fica calada. Alguns delegados também.

A vítima morreu três vezes: no ato da agressão, na impossibilidade de obter justiça e na destruição de sua imagem pública.

O escritório fará de tudo para manter a blindagem em seus jovens sócios criminosos e assassinos. Afinal, eles são a fonte de prosperidade do negócio, com sua agressividade e falta de ética. Estão ali para vencer. Para atropelarem os fracos que não aguentam os ritos de passagem para o mundo do poder sem limites, no qual uma jovem mulher não passa de mero brinquedo descartável.

Afinal, a temporada de contratação de novos estagiários já está aberta. E elas vão continuar correndo atrás do sonho.

Não é um livro de Scott Turow. Não teremos um herói para desvendar esse crime e fazer justiça. Vai tudo ser varrido para debaixo do tapete.

 

Não existe nada para ser visto aqui! Vão lamentar a morte da universitária na Índia. Vão, vão, seus pobres!

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http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1208425-policia-apreende-laptop-de-estagiaria-morta-apos-suposto-estupro.shtml

http://noticiasriobrasil.com.br/?p=3483

 

 

 

        Reparei que as pessoas embora vestidas de maneira simples, não estão como antes.  É diferente, não há como negar.  Fique emocionada.

 

Dulcinéa

Dulcinéia, bom comentário, eu havia pensado nisso também. Que maravilha de foto, dá p ra ver que as pessoas estão bem vestidas em comparação com a Era FHC, quando estes jovens acima retratados perambulavam pelas estradas pedindo esmolas e sem qualquer possibilidade de acesso à escola, sou testemunha ocular disso. Tomara que essa oportunidade para estas pessoas nunca acabe, que isso vire política de Estado, que se inscreva na CF esse direito, para que estes cidadãos e cidadãs secularmente abandonados pelas Instituições deste país sintam-se no direito de apossar-se de um pequeno quinhão da sua pátria, como lhes é de direito.

 

Que eles nunca mais governem este pais