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O desenho mais antigo do mundo

Por Andre Luiz da Silva

Da BBC Brasil

Desenho encontrado na Austrália pode ser o mais antigo do mundo


Arqueólogos creem que pintura rupestre descoberta em remoto planalto no Território do Norte, na Austrália, pode ter 40 mil anos

BBC Brasil | 06/06/2010 22:34

Um antigo desenho indígena de dois pássaros extintos há 40 mil anos pode ser um dos mais antigos do mundo, afirmam cientistas australianos.

Arqueólogos acreditam que a pintura rupestre descoberta em um remoto planalto no Território do Norte, na Austrália, pode ter 40 mil anos de idade.

A pintura mostra dois pássaros gigantes que parecem um genyornis, um tipo de ave não voadora que habitou a Austrália e que, se acredita, teria sido extinta com o aparecimento do homem.

Se o desenho tiver sido produzido quando esta fauna ainda existia, como alguns especialistas acreditam, ele seria um dos desenhos rupestres mais antigos já encontrados.

Em tinta de cor ocre, a pintura foi descoberta sob uma prateleira de pedra sabão em Arnhem Land, ao leste de Darwin, onde a tradição artística indígena começou há milhares de anos.

A recente descoberta foi examinada pelo arqueólogo Ben Gunn, que afirma que, se a idade de 40 mil anos for confirmada, será um fato monumental.

"Se for confirmada ela terá pelo menos o dobro da idade de qualquer outra pintura rupestre cuja idade já tentou se identificar na Austrália", disse ele.

"Então, o grau de sobrevivência desta pintura seria enorme se comparada à maioria das obras de arte indígenas já classificadas."

O remoto local será escavado cuidadosamente e testado para que os cientistas tentem estabelecer a idade da pintura.

Ainda há dúvidas, entre especialistas, se a pintura sobreviveria tanto tempo nas duras condições tropicais do norte da Austrália.

Os arqueólogos, no entanto, se sentem energizados pela descoberta, afirma o correspondente da BBC em Sydney, Phil Mercer.

Eles acreditam que possa haver centenas de milhares de pinturas rupestres aborígenes ainda espalhadas e não descobertas pela Austrália. 

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Comentários

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Prezado.

Os leigos, e até os cientistas, tendem sempre a atribuir conteúdo religioso a qualquer coisa que seja antiga.

Em Mohenjo-Daro - Paquistão - encontraram-se piscinas de 5.000 anos, construídas em casas confortáveis, com vários cômodos e até suítes. Os cientistas pontificaram: são piscinas rituais para adoração dos deuses da água.

Em Khajuraho - Índia - há centros culturais de mais de 1000 anos, onde havia música, teatro, dança. À volta desses centros há centenas de "bancos de praça" de pedra, para duas pessoas, especialmente dedicados aos casais de namorados. Alguns antropólogos decretaram: são templos de adoração religiosa.

Agora você quer decretar que há 40 mil anos havia um culto de adoração de pássaros, só porque um artista resolveu registrá-los na parede?

Atualmente, os antropólogos desconfiam que as religiões surgiram muito recentemente, há cerca de 5.000 ou 6.000 anos. Antes disso o ser humano era feliz, sem religiões a atormentá-lo.

 

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Roberto Locatelli

Profissional de computação gráfica, modelador digital

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Prezado Nassif


Certamente as pinturas rupestres tinham um total conteúdo animalístico (religioso de fundo natural).

 

É um pouco temerário interpretar algum desenho por sua iconicidade, vide os discos voadores dos deuses astronautas. Vamos ver se os testes batem.

 

MARCELLINO DE SAUTUOLA
A Descoberta das Pinturas Rupestres

(texto de DeRose)


Parece piada, mas até a virada para o século XX os cientistas não haviam descoberto as pinturas feitas no interior das cavernas pelos homens pré-históricos!
Seu descobridor foi Marcellino de Sautuola, um nobre de Santander, dedicado à arqueologia. Em 1875, visitou a Caverna de Altamira, na Espanha, com 270 metros de comprimento, onde recolheu ossos fósseis. Mas nessa ocasião não prestou atenção senão ao solo, de onde retirava restos de ossos.
Retornou no verão de 1879 para prosseguir suas pesquisas. Um dia, levou consigo sua filha Maria, de 12 anos de idade. Foi ela quem primeiramente observou as pinturas numa parede da caverna. Havia pinturas executadas com uma magnífica policromia em tons de vermelho, negro e violeta, a maioria medindo cerca de 9x18 metros.
Sautuola reproduziu cuidadosamente esses desenhos e, em 1880, publicou um livro com suas descobertas. Como terá reagido o mundo científico? Será que sua inédita contribuição à cultura, à arqueologia e até à arte foi louvada? Será que recebeu algum prêmio, cumprimento, agradecimento ou reconhecimento das Academias de Ciência?
Como retribuição por ter feito uma das mais importantes descobertas arqueológicas, Sautuola foi acusado de haver forjado as pinturas dentro da caverna! Acusado de fraude numa campanha impiedosa movida contra ele pelo idoso pré-historiador francês Éduard Cartailhac, Sautuola foi expulso de todos os círculos científicos. Ninguém lhe concedeu direito de defesa e seu nome passou a ser sinônimo de charlatanismo. Não podia sequer pôr os pés na rua, pois era insultado pelos transeuntes. Certa vez, ao sair para tomar um pouco de sol, um desconhecido cuspiu na sua cara, gritando para que os circunstantes escutassem: “Impostor!”. Todos os demais cientistas, a imprensa e a opinião pública passaram a difamar e humilhar tanto o pobre homem que pouco depois, em 1888, Sautuola morreu de desgosto.Decorridos alguns anos, entre 1895 e 1901, pinturas similares foram descobertas na França e, logo após, em toda a Europa. Pressionado pelos que, tardiamente, resolveram defender o nome do arqueólogo injustiçado, seu difamador-mor, Cartailhac, escreveu uma carta à filha de Sautuola, reconhecendo seu erro e pedindo desculpas. Maria respondeu que não aceitava o pedido de desculpas, pois agora era tarde demais e ele já havia causado a morte do seu pai. Nenhum pedido de desculpas compensaria a amargura dos ultrajes sofridos ou a própria morte.

 

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Roberto Locatelli

Profissional de computação gráfica, modelador digital

Sábia lembrança, a ciência tem uma cultura particular, um ceticismo muitas vezes irracional. Por exemplo: imaginem a descoberta de algo que desabone a primazia dos Wright, ou a Teoria de Darwin realmente não vai esperar nada menos que grande oposição, fanática mesmo, pois contesta o paradigma estabelecido e a cultura transmitida há gerações.

 

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