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O maior massacre da história, por Sader

Por Assis Ribeiro

Do Blog do Emir

O maior massacre da história da humanidade

12 de outubro marca o início dos maiores massacres da história da humanidade. A chegada dos colonizadores, invadindo e ocupando o nosso continente – ate aí chamado Aby ayala pelas populações indígenas -, representava a chegada do capitalismo, com o despojo das riquezas naturais dos nossos países, da destruição das populações indígenas e a introdução da pior das selvagerias: a escravidão. Chegaram com a espada e a cruz, para dominar e oprimir, para impor seu poder militar e tentar impor sua religião.

Centenas de milhões de negros foram arrancados dos países, das suas famílias, do seu continente, à força, para serem trazidos como raça inferior, para produzir riquezas para as populações ricas da Europa branca e colonizadora. Uma grande proporção morria na viagem, os que chegavam tinham vida curta – de 7 a 9 anos -, porque era mais barato trazer nova leva de escravos da Africa.

Os massacres das populações indígenas e dos negros revelava como o capitalismo chegava ao novo continente jorrando sangue, demonstrando o que faria ao longo dos séculos de colonialismo e imperialismo. Fomos submetidos à chamada acumulação originária, aquele processo no qual as novas potências coloniais disputavam pelo mundo afora o acesso a matérias primas, mão de obra barata e mercados. A exploração colonial das Américas fez parte da disputa entre as potências coloniais no processo de revolução comercial, em que se definia quem estaria em melhores condições de liderar o processo de revolução industrial.

Durante mais de 4 séculos fomos reduzidos a isso. Os ciclos econômicos da nossa história foram determinados não por decisões das populações locais, mas das necessidades e interesses do mercado mundial, controlado pelas potências colonizadoras. Pau brasil, açúcar, açúcar, borracha, no nosso caso. Ouro, prata, cobre, carne, couro, e outras tantas riquezas do novo continente, foram sendo reiteradamente dilapidados em favor do enriquecimento das potências colonizadoras europeias.

Assim foi produzida a dicotomia entre o Norte rico e o Sul pobre, entre o poder e a riqueza concentrada no Norte – a que eles chamavam de “civilização” – e a pobreza e a opressão – a que eles chamavam de “barbárie”.

O início desse processo marca a data de hoje, que eles chamavam de "descoberta da América", como se não existissem as populações nativas antes que eles as “descobrissem”. No momento do quinto centenário buscaram abrandar a expressão, chamando de momento de “encontro de duas civilizações”. Um encontro imposto por eles, baseado na força militar, que desembocou no despojo, na opressão e na discriminação.

Não nos esqueçamos disso, demos à data seu verdadeiro significado, que nos permita entender o presente à luz desse tenebroso passado de exploração e de massacre das populações indígenas e das populações negras.

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Provavelmente ninguém mais vai lêr um comentário nesta notícia, mas eu gostaria de avisar que os "argumentos" do Rebolla são quase idênticos aos usados naquele Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil.

 

Sobre massacres históricos que pouco sabemos

"Inter arma, silent enim leges" (Na guerra, a lei silencia)

Marco Túlio Cícero

Um dos episódios mais negros (e pouco conhecidos) da nossa história é o do massacre levado a cabo por Pedro Álvares Cabral em Calcutá, pouco menos de um ano depois de chegar à América do Sul - sim, ele chegou à Índia com a mesma expedição que descobriu o Brasil, e não era o cientista/desbravador (como Colombo ou Marco Polo) se insinua nos livros de história - era um guerreiro sanguinário e cristão extremista! Foi ele que realizou a primeira grande chacina européia na Ásia, ao retaliar um ataque à sua feitoria em que 50 portugueses foram mortos - a tradição civilizatória presente na história branca/européia/cristã posterior de pagar uma morte com outras dezenas foi seguida à risca: matou 600 marinheiros, destruiu e saqueou 10 navios e bombardeou Calcutá com seus canhões, causando centenas de mortes (não contabilizadas pelo historiador); ele já havia realizado meia dúzia de incursões armadas contra satrapias contrárias ao governador da cidade, samorim, e sob a aprovação expressa deste. Porém, o soberano cometeu o erro de voltar-se contra Cabral que, de acordo com historiadores ingleses tinha que estabelecer uma posição "de força" na região. Vejam: não parece muuuito com a política posterior dos ingleses, franceses, alemães, belgas, espanhóis e estadunidenses - se a negociação falha, às armas! Leiam um trecho sobre o episódio (Wiki):

Massacre em Calcutá

A frota partiu de Angediva e chegou a Calecute em 13 de setembro. Cabral obteve êxito nas negociações com o samorim (título dado ao governante de Calecute) e obteve autorização para instalar uma feitoria e um armazém na cidade-estado. Na esperança de melhorar ainda mais as relações, Cabral despachou seus homens em várias missões militares a pedido do Samorim. No entanto, em 16 ou 17 de dezembro, a feitoria sofreu um ataque de surpresa por cerca de 300 (de acordo com outros relatos, talvez até milhares) árabes muçulmanos e indianos hindus. Apesar da defesa desesperada dos besteiros, mais de 50 portugueses foram mortos. Os defensores restantes se retiraram para os navios, alguns a nado. Pensando que o ataque fora resultado de incitação não-autorizada de comerciantes árabes invejosos, Cabral esperou 24 horas para obter uma explicação do governante de Calecute, mas nenhum pedido de desculpas foi apresentado.

Os portugueses ficaram indignados com o ataque à feitoria e com a morte de seus companheiros e atacaram 10 navios mercantes dos árabes ancorados no porto. Mataram cerca de 600 tripulantes e confiscaram o carregamento antes de incendiar os navios. Cabral também ordenou que seus navios bombardeassem Calecute por um dia inteiro em represália à violação do acordo. O massacre foi atribuído, em parte, à animosidade portuguesa em relação aos muçulmanos, resultante de séculos de conflitos com os mouros na Península Ibérica e no norte da África. Além disso, os portugueses estavam determinados a dominar o comércio de especiarias e não tinham a intenção de permitir que a concorrência florescesse. Os árabes também não tinham interesse em permitir que os portugueses quebrassem seu monopólio sobre as especiarias. Os portugueses haviam começado por insistir em que lhes fosse dado tratamento preferencial em todos os aspectos do comércio. A carta de D. Manuel I entregue por Cabral ao governante de Calecute — traduzida pelos intérpretes árabes deste — pedia a exclusão dos comerciantes árabes. Os comerciantes muçulmanos, acreditando que estavam prestes a perder suas oportunidades comerciais e sua forma de subsistência, teriam tentado colocar o governante hindu contra os portugueses. Portugueses e árabes eram muito desconfiados uns dos outros, em cada ação.

Para o historiador William Greenlee, os portugueses perceberam que "eram poucos em número e que aqueles que viriam à Índia nas frotas futuras também estariam sempre em desvantagem numérica; então esta traição deveria ser punida de forma tão decisiva que os portugueses fossem temidos e respeitados no futuro. Era a sua artilharia superior que lhes permitiria realizar esse objetivo". Assim sendo, os portugueses estabeleceram um precedente para o comportamento dos exploradores europeus na Ásia durante os séculos seguintes.

Olha, não é reescrever a História - é entender que muito dela veio de uma só fonte, um só lado (o dos vencedores e opressores)...Abs

 

Caros, nem vale extremar - tanto para o lado "esquerdo" quanto para o "direito"...

Há duas posições atuais e muito distintas sobre a ocupação das Américas pelos europeus:

- uma está clara no filme "Apocalipto", uma franca defesa e justificação da colonização branca/européia sobre os aztecas e demais povos - vale ver, porque mostra a prática contumaz do sacrifício humano como uma das manifestações de "barbárie" a ser suprimida; também há um consenso entre os historiadores que a civilização azteca estava em seu limiar como sociedade e, por isso, fadada ao desaparecimento (como ocorreu aos maias, que deixaram de existir em seu ápice civilizatório, os incas e os habitantes da Ilha da Páscoa); havia, inclusive, uma profecia maia/azteca que preconizava o retorno de seu deus Viracocha - branco e barbudo, como os europeus - coincidindo com o fim de sua civilização;

- a outra (de aberta defesa dos nativos americanos) está no livro "Enterrem Meu Coração na Curva do Rio", de Dan Brown - o autor índio mostra a história de total devastação das tribos vermelhas da América do Norte, em todos os aspectos (populacional, cultural e geográfica) num espaço de tempo de menos de 50 anos, deixando o leitor com uma pergunta inaudita: a conquista e posse precisava de tudo isso, de tanta violência e morticínio? - vejam bem, estamos falando de um povo que era monoteísta (acreditavam no "Grande Espírito", deus que derramava em tudo seu "Manitu") e monógamo, extremamente asseado (o hábito de tomar banho todo dia foi ensinado pelos índios brasileiros aos portugueses, que não possuíam tal costume) e respeitador da natureza, que não tirava do meio ambiente nada além do que precisava e considerava a terra 'de todos' (não era uma propriedade);

Mais uma coisa: vamos contrapor argumentos, não xingamentos e desqualificações vulgares, por favor! Eu frequento muito aqui (só posto aqui, pra falar a verdade) porque sempre houve troca rica de idéias. O Blaya, o Rebolla, o André Araújo, às vezes o necolima e o Romanelli tem posições polêmicas, mas nos fazem refletir muito sobre a mediocridade do "senso comum". E eles podem (e devem!) ter e expressar sua opinião - por mais diferente, extravagante, desarrazoada que possa ser. Não é a minha, mas respeito e discuto com eles preservando seu direito, sem atacá-los com baixezas - mas expondo com argumentos eventuais intolerâncias, lacunas ou incongruências de suas razões. No post "A intolerância na blogosfera" do Adjutor Alvim a questão está muito bem formulada. Abs.

 

Como assim, André? O fato da história humana ser repleta de conquistas e massacres nos impede de avaliarmos criticamente essas práticas? As invasões mongóis justificam os navios negreiros porque "assim caminha a humanidade"? Faça-me o favor! 

A violência não é a única forma dos seres humanos se relacionarem. Ela é fundamental e temos que ser realistas na sua avaliação para evitarmos ingenuidades. Mas de que nos serve resignarmos ao poder das armas e dos impérios, esquecendo de todo o resto? Isso é reducionista, e descamba num imobilismo conservador.

Talvez lhe dê algum conforto psicológico pensar que não há nada a fazer e eximir-se de culpa. Mas, para quem não é resignado, estudar o passado permite compreender o presente e projetar um futuro melhor para nós e para aqueles que herdarão este mundo. Não tem nada de inútil essa "filosofada a posteriori".   

 

Na década de 1820 o PIB brasileiro era um quarto do europeu, nossa pobreza foi criada aqui... Não sei se a proporção era exatamente esta, mas atribuir à incompetência nativa o desastre econômico do século XIX revela apenas desconhecimento da História.  Quando as tropas de Junot estavam entrando em Lisboa, a esquadra inglesa fechava a foz do Tejo, enquanto lord Strangfor, o embaixador da Inglaterra, negociava com d. João o preço do apoio à transferência da família real. Ele queria o monopólio do comércio com o Brasil e a ilha de Santa Catarina, onde hoje está Floripa, pois era a única baia nesta parte do mundo em que cabia a esquadra de seu País. D. João conseguiu salvar a ilha, mas teve que entregar o comércio, aquí batizado de "Abertura dos Portos às Nações Amigas"(durante boa parte do sec. XX, a data era comemorada como feriado, imaginem). Bem, o Brasil já tinha, nessa época várias siderúrgicas e um parque fabril respeitável.  Tudo desapareceu antes do advento da República, graças à concorrência predatória feita pela Inglaterra. A pobreza vem daí...

 

Nada muito diferente do deslumbramento com à China!

 

"O tráfico dirigido aos países islâmicos durou muito mais tempo e vitimou um número maior de seres humanos. Este é um dos fatos históricos que merecia uma análise mais aprofundada".

O tráfico dirigido por judeus durou todo o tempo do capitalismo.

A maior parte de navios negreiros era de propriedade de judeus.

Este é um dos fatos históricos que merecia uma análise mais aprofundada.

http://en.wikipedia.org/wiki/Judaism_and_slavery#Post-Talmud_to_1800s

http://www.blacksandjews.com/MarcLeeRaphael.html

 

"Esta instituição não era desconhecida das civilizações pré-colombianas".

Não era desconhecida é muito diferente de "tornou-se uma prática fundamental no sistema produtivo do novo mundo".

 

 

O Emir Sader tem uma história e o respeito como intelectual. Mas não concordo com ele em quase nada. Acho vamos a lugares distintos, ainda que a partir do pensamento marxista (não sou marxista de carteirinha).

Fiquei no primeiro parágrafo.

O "continente" não era chamado de Aby ayala pelas "populações indígenas": "es el nombre dado al continente americano por el pueblo Kuna de Panamá y Colombia antes de la llegada de Cristóbal Colón". Pode parecer banal, mas cria-se um mito de origem aí: uma unidade continental entre os indígenas que não existia. (Hoje - hoje - esse nome é usado como contraposição ao nome América, tentando marcar, agora sim, uma unidade dos povos indígenas).

Segundo: em 1492, como já disseram aí, não existia capitalismo. Moeda, comércio, etc, não são sinônimos apenas de capitalismo (os romanos não eram capitalistas, para ficarmos num exemplo "próximo").

Terceiro: "despojo das riquezas naturais dos nossos países". Nossos quem? "Nosso" é o possessivo do colonizador aqui. Desse ponto de vista, a riqueza era deles, dos povos originários. Países? Que países? Não havia nada disso. Outra coisa criada por e para os colonizadores.

Resumindo: não concordo com a premissa de que os colonizadores NOS despojaram. Os povos que aqui viviam é que foram despojados. Leituras anacrônicas tem uma grande potência, mas o anacronismo de Sader, aqui, é simplista, ou, podemos dizer, ainda preso aos discursos marxistas dos anos 60/70.

 

Parabéns pelo comentário, Jefcandido.

Tb gosto do Sader, mas sabe como é né! o uso do caximbo...

 

A explicação sobre as origens do capitalismo remonta uma história de longa duração em que nos deparamos com as mais diversas experiências políticas, sociais e econômicas. Em geral, compreendemos a deflagração desse processo com o renascimento comercial experimentado nos primeiros séculos da Baixa Idade Média. Nesse período, vemos uma transformação no caráter autossuficiente das propriedades feudais na qual as terras começaram a ser arrendadas e a mão de obra começou a ser remunerada com um salário....

http://www.brasilescola.com/historiag/origem-capitalismo.htm

 

Um país, de uma forma geral, é um território social, política, cultural e geograficamente delimitado. A maioria dos países é administrada por um governo que mantém a soberania sobre seu povo e s eu território, garantindo assim o funcionamento e a ordem do fluxo de atividades que envolvem a sua economia e a sua sociedade.

 

 

E pior, o massacre continua, agora com o pomposo e arrogante nome de globalização econômica, ou algo que o valha para os neoliberais fundamentalistas.  

 

Armando do Prado

O texto do Emir é pertinente sim, vale lembrar que aqui no Brasil, se extraiu, plantou, produziu, matou, para quê? Para enriquecer o velho continente, agora se esvaindo, esfacelando pela falta de uma colônia, agora na iminência de se transformar numa das maiores potências mundiais.  

 

Alguns ainda teimam em negar fatos; querem torcer verdades incontestáveis com um arrazoado de  esquerda. Jamais houve um povo mais humilhado e mais aviltado do que os negros africanos. Não é só pela história real e vívida que nos lembra um dos maiores sábios do nosso tempo: O DOUTOR SADER. Mas por tudo que conhecemos e estudamos sobre a triste história do Continente Africano, retaliado, aviltado e, aos pedaços, as suas melhores partes distribuídas, entre os invasores europeus e seus afins. Lá como cá, foi um total descalabro; sugaram tudo e até as almas dos pobres negros. Essa parte histórica já é de um tempo bem documentado; não são histórias contadas de pais para filhos e NINGUÉM poderá nega-las ...

 

Por mais que não concorde com muitas teses do professor Emir Sader, da mesma forma não aceito essa desqualificação ofensiva. E a tese de que apenas a esquerda condena os massacres, roubos das riquezas, e todas as crueldades perpretadas na chamada "conquista", já está errada na raiz. O padre jesuíta Bartolomeu de Las Casas já havia escrito uma obra detalhada condenando todo o processo, muito antes de Marx e Engels.

Reconhecer o processo destrutivo de civilizações e etnias não é prerrogativa de nenhuma corrente política.

 

Europeus maus versus indios bonsinhos ou Europeus civilizados versus indios ignorantes.

Não sei se este é o melhor espectro de analize sobre o que foi a chegada de Europeus à américa. Prefiro pensar que eram todos homens, diferentes mas que tinham em comun defeitos e virtudes e cada um com suas maneiras diferentes de administrar  idissiocrasias. Talvez seja tudo uma questão de circunstância e contexto. Os povos Nativos da América com toda a sua riquissima diversa e vasta cultura sofreram o efeito do desnível tecnológico associado a pobreza do pensamento europeu que ainda estava em franco e lento processo de saida mentalidade obscurantista da era medieval e entrando na renascensa. A essas alturas é inútil falar em 'se's' , mas se os europeus tivessem dado um tempo com essa história de cruzar o Atlântico  e decidissem aparecer por aqui um pouco mais tarde, mais ou menos na época do iluminismo, será que história seria diferente?

 

Os invasores (que alguns chamam carinhosamente de colonizadores) tinham por objetivos claros a destruição dos povos que não se submetessem à escravidão  e ao seu "deus" e o roubo (que alguns carinhosamnete chamam de exploração das riquezas naturais).

Alguns carinhosamente justificam a carnificina afirmando que esta população aqui encontrada era ignorante (mesmo argumento usado na guerra do bem contra o mal de Bush).

Os que se submeteram ao novo "deus" foram tornados escravos, realizando o trabalho forçado.

A exploração (espoliação) das riquezas naturais caracteriza o que chamamos de capitalismo.

 

Nassif, nao se pode deixar o blog com o nível do esgoto. Olhe os comentários acima, xingando o Emir. Nao tem cabimento.

 

Mas DAniel, que o cara escreveu abobrinhas não há como negar. Qualquer professor de história enumera para eles dezenas(centenas?) de fatos similares ao longo dos séculos de nossa civilização. E a propósito, uma pesquisadazinha na Bíblia veremos que os massacres eram até incentivados (e advinhe por quem- ou em nome de quem se assim quiser)

 

Mas aqui a direita pode tudo. E os amigos do Rei tb. Por muito menos fui banido sem julgamento ou aviso. Conservadores se atraem.

 

Att

 

Marcão I

 

Nassif,

O Daniel está correto.

Fizeram um ataque desleal, baixo.

 

1491. NOVAS REVELAÇOES DAS AMERICAS ANTES DE COLOMBO

Por


Professor e decano da Faculdade Florestal da Universidade Nacional Agrária de Lima, Peru e Diretor Geral Florestal desse país. Atualmente é Presidente da Fundação ProNaturaleza.

Muitos, especialmente nos EUA, parecem acreditar que antes de os europeus chegarem à América por aqui tinha pouca gente e quase nada de cultura e nem tampouco desenvolvimento. Segundo eles apenas havia selvagens, dos “bons e dos “maus”. Para ilustrar os seus compatriotas, Charles C. Mann, um conhecido jornalista científico estadunidense, escreveu o livro “1491: New revelations of the Americas before Columbus” (2005, Vintage Books, New York). Nele, o autor procura salientar não só o que já se sabe, ou seja, que pelo menos três grandes centros culturais existiram no México, América Central e no Peru, mas, que os tais selvagens do Norte e do Sul do continente, assim como os da Amazônia e outros locais, eram bem mais numerosos e desenvolvidos do que os colonizadores pretenderam.

Este livro, cujo breve título faz referência ao ano anterior à chegada de Cristóvão Colombo, foi e ainda é um muito merecido “national best seller”. Certamente não chega nem perto do livro “Armas, germes e aço” de Jared Diammond (1997) do qual emprestou muitas idéias, mas deverá ser lembrado como uma obra de divulgação excepcionalmente importante, atrevida e útil, acompanhando outras como “O macaco nu” de Desmond Morris ou “Primavera silenciosa” de Rachel Carson. Nenhum americano, do norte ou do sul, deveria deixar de ler este livro para compreender melhor a sua realidade. Mas, alguns aspectos do livro de Mann merecem ressalvas.

Para muitos será realmente novidade saber, por exemplo, que os índios do leste norte americano não só tinham um estilo de vida perfeitamente adaptado à realidade local com uso de tecnologias agrícolas, navais, militares e de construção sumamente engenhosas, mas que, assim mesmo, tinham uma população elevada, completamente diferente à de alguns dos seus irmãos nômades do interior do continente. Do mesmo modo, o autor lembra as descobertas feitas no Beni boliviano, que replicam e multiplicam sobre dúzias de milhares de hectares as técnicas de cultivo intensivo dos Mayas, que implicavam em elevar porções de terreno separadas por cursos de água que serviam para o transporte e para a criação de peixes. Isso, diga-se de passagem, também é conhecido das antigas culturas do sudeste asiático, especialmente nos arredores de Angkor, na Camboja. Já faz algum tempo que assim mesmo, se fala das culturas das várzeas do vale do Amazonas, no território atual do Brasil e, em especial, daquelas que ocuparam as ilhas do seu delta.

Em essência, a mensagem do autor é que a população americana pré-colombiana era muito maior do que se acreditava e que seu nível de desenvolvimento era em geral surpreendentemente elevado, embora ostentasse enormes diferenças entre um grupo e outro. Existiam muitos núcleos humanos de níveis culturais superiores que foram tão ou mais importantes que os mais famosos do mundo e que, além disso, eram muito mais originais devido a seu isolamento. E também existiam grupos que se mantiveram com baixas populações e que, por serem essencialmente caçadores, não se desenvolveram tanto como outros. O mais interessante do livro, neste aspecto, é que revela uma infinidade de culturas não encontradas nos locais mais conhecidos das Américas e que tiveram assim mesmo níveis de desenvolvimento consideráveis, como no caso das mencionadas no leste dos EUA e nas planícies bolivianas e amazônicas.

Mann, corretamente, outorga muita importância aos dados que parecem demonstrar que o povoamento da América é muito mais antigo e complexo que a simples explicação da passagem de grupos de caçadores primitivos pelo Estreito de Behring. Estes, progressivamente, haveriam chegado até o extremo sul do continente, levando a antiguidade da população americana pré-colombiana há apenas uns 15.000 anos e a da América do Sul a muito menos. Como ele bem coloca, se o povoamento americano foi tão recente como a teoria dos Clovis (nome dado pelo local do Novo México, EUA, onde essa teoria teve seu sustento inicial), os americanos pré-colombianos foram os seres humanos mais engenhosos do planeta. Com efeito, enquanto as culturas do velho mundo desfrutaram todas elas de conhecimentos desenvolvidos desde o mais remoto origem do ser humano, potenciados pela acumulação dos que são provenientes da África, Ásia e Europa, os geograficamente isolados americanos apenas contaram com conhecimentos próprios. E, não só não ficaram atrás, mas em muitos campos, dentre eles a agricultura e a engenharia, progrediram muito mais que os demais habitantes do planeta. De outro modo tampouco poder-se-ia explicar a existência de cidades tão grandes e de construção tão sofisticada como as de Caral, no Peru, com mais de 5.000 anos de antiguidade. Tão antigas como as mais antigas do velho mundo.

Mann, para sua argumentação, utiliza muitas informações cientificas, dentre elas as que se desprendem dos achados de Monte Verde, no Chile, a mais de 10.000 km do estreito de Behring e que tem, comprovadamente, 12.800 anos e provavelmente muito mais. Igualmente, dentre outras, aproveita as evidências proporcionadas pelos brasileiros Sandro Bonatto e Francisco Bolzano da Universidade Federal de Rio Grande do Sul que permitem supor que os humanos chegaram à América do Sul uns 30.000 anos atrás. Mas, surpreendentemente, nem sequer menciona os descobrimentos da Serra da Capivara (Piauí, Brasil), que são a melhor prova de que existiam humanos na América do Sul há uns 50.000 anos e quiçá antes. Não pode alegar o autor que não usou esses dados porque não são confiáveis, pois muitos dos outros que ele usa são tanto ou mais especulativos. Não usou esses dados, assim como tantos mais disponíveis em quase todos os países da América Latina, simplesmente porque ele obviamente não sabe ou não quis ler português, nem espanhol. Das ao redor de 1.200 citações bibliográficas do livro, só 55 estão escritas em outros idiomas, das quais 48 em espanhol, 4 em francês, 2 em português e só uma em alemão. É óbvio de outra parte, que muitas dessas são citações um tanto forçadas e que o autor não leu os textos e apenas desfrutou de citações de terceira ou quarta mão, apenas porque não podia deixar de citar documentos chave onde não achou traduções ao inglês.

Se Mann tivesse outorgado mais consideração aos cientistas latinos americanos que publicam nos seus idiomas originais teria descoberto que, pelo menos ao nível dos intelectuais, o que compila no seu livro não é novidade. Faz muito tempo, por exemplo, que no Peru se sabe que a população pré-colombiana foi maior, inclusive, que a população atual desse país e se sustenta, com embasamento científico, que as origens da sua população não se explicam somente com migrações pelo estreito de Behring. Tampouco é novidade, nem sequer muito antes do livro citado de Diammond, que as pestes importadas garantiram a conquista dos territórios dos impérios dominantes no México e no Peru e que, apesar delas, as ferozes guerras de conquista duraram mais de meio século antes que os europeus consolidassem seu domínio. As maravilhas tecnológicas dos antigos americanos que são “reveladas” no livro foram quase sempre descritas em publicações cientificas latino americano antes de serem re-processadas em inglês pelos que levaram a fama.

Mais preocupante é a generalização que Mann faz, nos capítulos finais, com relação ao estado da natureza das Américas, antes da chegada dos europeus. Volta à carga com a sugestão, quiçá involuntária, que a natureza pode ser usada e transformada à vontade, pois nada por aqui seria realmente natural. Fundamenta seu argumento, como tantos socioambientalistas já o fizeram, no “mito da natureza prístina” que o antropólogo William Denevan cunhou em 1992, na estreita base de suas observações no Beni e que refletem as que anos antes fizera o mexicano Arturo Gómez Pompa, com relaçao ao Yucatan dos Mayas. Mann usa os fatos sobre a elevada população americana pré-colombiana para ratificar a extrapolação de Denevan, sem levar em conta a realidade nem as conseqüências da proposta. Esqueceu, por exemplo, que as culturas das várzeas amazônicas ou do Beni, desapareceram deixando poucos rastros, precisamente pelos abusos cometidos contra a natureza. Após esses ciclos de uso intenso essas mesmas áreas tiveram séculos de abandono permitindo que a natureza recuperasse totalmente seus domínios originais. A desaparição dos Mayas, como bem foi demonstrada por Diammond no seu último livro “Colapso” (2005) foi provocada pelos mesmos fatos. Ainda, o autor esqueceu-se de deixar claro que grande parte das Américas nunca teve as populações elevadas que outras partes tiveram, como no caso da terra firme amazônica.

Em conclusão, o livro “1491”, que já foi traduzido ao português, deve ser lido. Fazê-lo vale muito a pena. Mas, como sempre, deve se levar em conta que ninguém é integralmente dono da verdade e que não existe uma verdade só.

 

"As Grandes Invasões" e não as "Grandes Descobertas" (como o mainstream costuma citar) além de dizimarem a grande população da américa, escravizou aqueles que sobraram.

Para quem gosta de ler indico o livro:

 

1491 NOVAS REVELAÇOES DAS AMERICAS ANTES DE COLOMBO 

Formato: Livro

Autor: MANN, CHARLES C.

Editora: OBJETIVA

Assunto: HISTÓRIA GERAL

 

Uma coisa é reconhecer (e ja foi ha muito tempo reconhecido) o genocidio das populações indigenas, que praticamente desapareceram no Brasil e onde são hoje os Estados Unidos. Outra é dar a entender que as populações que aqui estavam eram os bons selvagens de Rousseau. Nem os indios que aqui viviam nem os africanos que para aqui foram trazidos como escravos eram povos pacificos que tiveram suas vidas idilicas destruidas pelo colonizador europeu. Eram, pro seu azar, apenas mais fracos. E desde que o primeiro homem fez a primeira arma e a brandiu contra um outro homem, a historia humana é feita de massacres.

 

E como então deveria ser a colonização da America? Se estamos aqui é porque os europeus descobriram e colonizaram o Continente, de outra forma nós não estariamos aqui. Então é um  artigo sem relação de causa e efeito, toda a Historia da Humanidade é baseada em conquistas, ocupações, massacres, desde os assirios e sumérios, uma cultura se sobrepondo a outras e foi assim que caminhou a humanidade, não adianta filosofar a posteriori.

Por outro lado as civilizações pré-colombianas eram tambem crueis, adeptas dos sacrificos de crianças e virgens, tambem se massacravam mutuamente, não eram civilizações idilicas e puras.

Tampouco se pode a essa distancia do tempo se quantificar massacres.é um mero exercicio de numerologia advinhaticia. Os hunos não massacraram tambem? Nas sucessivas invasões entre Asia e Europa, de Gengis Khan ao Grã Mongol ocorreram massacres por séculos, alguem contou o numero de massacrados? Francamente, o mundo anda e a esquerda fica no lugar, é impressionante.

 

Sr. André Araujo, 

Impressionante é fazer apologia aos massacres, ao exterminio de povos autochtonos e  defende-lo como forma legal de colonialismo.

Lembre-se que o (teu) mestre Bush, precursor moderno de tais praticas, pode ser preso no Canada. Hoje.

Infelizmente estamos num pais onde até torturador da ditadura vem à publico, hoje,  defender tais crimes e nada acontece, ele continua impune.

Se voce estivesse no Canada e fizesse apologia dos genocidios aos povos autochtonos pela colonizacao eles atraves da sua representacao First Nations te denunciaria à Justiça, como fizeram contra a Espanha quando estes comemoravam  500 seculos da " descoberta".

Mas como um sobrevivente Tupi repudio teu lamentavel comentario.         

 

 

humberto

Humberto, se  Bush, satanás em forma de gente,  fosse preso hoje no Canadá eu  dormiria muito feliz, porém não acredito na prisão  do orelhudo.

 

Eu também, Marcia, mas é questão de tempo, acredito. ( lembre-se de Pinochet, preso em Londres).

O pior é que ele deixou discipulos até por aqui.

 

humberto

Pois é, Humberto, os  que sofrem de complexo de vira-latas, os americanófilos  do blog.

 

os espanhois contaram com o apoio das tribos oprimidas pelos astecas para derrota-los,   acusar os europeus de trazer doenças que dizimaram os nativos e uma idiotice enorme, afinal naquela epoca não se tinha a minima noção de o que causava as doenças ou mesmo como eram transmitidas.

esse artigo do Sader e obsoleto e serve apenas para agitar a claque esquerdista que adora isso, com certeza ele esta tentando recuperar o prestigio que perdeu apos a palhaçada que fez no inicio do ano com a ministra da cultura!

 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

  AA, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

  É absurdo tratar as sociedades que aqui viviam como "edênicas", e com isso eu também não concordo. Por outro lado, já passou o tempo da glorificação de matanças. É insanidade utilizar-se de um raciocínio anacrônico (filosofar a posteriori, como você diz), mas cabe a nós compreender, por exemplo, que este espaço que os descendentes de europeus ocupamos e no qual nascemos também, TAMBÉM pertence a outros. Parto dessa dicotomia para no nosso cotidiano apoiar a existência de cotas sociais, por exemplo. Obviamente não há que se re-escrever o passado, mas melhor comprendê-lo para construir nosso futuro.

  Só mais uma coisa: pare de generalizar as coisas -  no caso, essa tal de "esquerda". Não faz jus ao seu conhecimento, antes o iguala ao que de pior a "gafieira" pode produzir.

 

Seu comentário é pertinente, poderia até ser colocado no post, como contraponto ao comentário do Emir.

Pra contrapor nao é preciso ofender, como fizeram os esgotilhos acima.

 

estou retribuindo ao Sader o tratamente que ele deu a ministra da cultura, vc já esqueceu!  

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

A verdade é que os portugueses e espanhóis fizeram um verdadeiro massacre na América Latina.

 

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“A gente que de vinte anos a esta parte[1583] é gastada nesta Bahia, parece cousa que se não pode crer; porque nunca ninguém cuidou que tanta gente se gastasse nunca, quanto mais em tão pouco tempo”, escreve um jesuíta. “Porque nas quatorze aldeias que os padres tiveram se juntaram 40.000 almas, estas por conta e ainda passaram delas, com a gente com que depois se forneceram, das quais se agora as três igrejas que ha tiveram 3.500 almas será muita".

            “Há seis anos que um homem honrado desta cidade e de boa consciência e oficial da câmara que então era, disse que eram descidos do sertão de Arabó naqueles dois anos atrás 20.000 almas por conta, e estes todos vieram para a fazenda dos portugueses. Estas 20.000 com as 40.000 das igrejas fazem 60.000. De seis anos a esta parte sempre os portugueses desceram gente para suas fazendas, quem trazia 2.000 almas, quem 3.000, outros mais, outros menos. Veja-se de dois anos a esta parte o que isto podia somar, se chegam ou passam de 80.000 almas".

O Arabó, palavra depois corrompida para urubu era o meu Sergipe e todo o atual norte da Bahia; a ave altaneira dos sertões nordestino; carnívora, porém não agressiva como o abutre, o gavião e a águia.

Isso foi em 1575, quarenta anos depois de estabelecidos os primeiros engenhos em Pernambuco e vinte e seis anos depois de estabelecidos também na Bahia.

In. ABREU, João Capistrano de. Capítulo de História Colonial do Brasil. Departamento Nacional do Livro - Fundação Biblioteca Nacional (versão PDF)

 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O burro se sustenta nas quatro patas...
o maior massacre da história, por emir sader

O autor do artigo linkado acima é considerado um dos maiores intelectuais da esquerda brasileira. Escritor, editor e professor universitário. Ao sáder juntam-se marilena chauí, leonardo boff, mauro santayana, leandro konder, josé luís fiori, fernando morais, maria aparecida de aquino e muitos outros. São sociólogos, cientistas políticos, advogados, jornalistas, escritores, historiadores, enfim, doutores com extensos currículos em quase todas as áreas das ciências humanas. São os responsáveis pela sistematização, interpretação, publicação e disseminação do sucesso da esquerda brasileira entre a chamada classe média esclarecida, aquela que supostamente forma opiniões. Quase todos são petistas ou estão abrigados em partidos de origem marxista a ele ligados. São a linha de frente acadêmica do lulismo. Os arautos da nova era. Os arquitetos da nova sociedade. Enquanto o admirador de genocidas oscar niemayer constrói com dinheiro capitalista os monumentos em concreto ao socialismo, eles os fazem com palavras.

O maior massacre da história para o professor de sociologia da UERJ (Universidade do Estado do Rio de janeiro) foi a conquista do continente americano pelos europeus. A sua visão baseia-se em quatro pontos, ou melhor dizendo, patas.

A primeira da pata é simplesmente fraude. Fraude histórica. Acusar o capitalismo pela violência durante o período da colonização é totalmente errado. O sistema econômico atualmente conhecido com este nome surgiu apenas no século XIX. Porém o vício do cachimbo marxista-leninista torna imperativo imputar aos seus "inimigos" todas as coisas ruins imaginárias ou concretas, mesmo quando provocadas por eles. Caso Cristo fosse aceito por estes indivíduos sua crucificação seria imputada ao capitalismo. Talvez a grande sapiência do ilustre doutor confunda uma das características do sistema, a propriedade privada, com o próprio.

A segunda pata é a mitificação. Criam mitos para confundir os ignorantes.
"...e a introdução da pior das selvagerias: a escravidão. "

Esta instituição não era desconhecida das civilizações pré-colombianas. Apesar da historiografia oficial evitar macular a falsa pureza destes povos a prática era comum. No entanto este é um dos defeitos reservado exclusivamente à civilização européia pelos marxistas que dominam as universidades.

A terceira são as distorções. O exagero é levado ao extremo. Também é dirigido em uma única direção: a que interessa a eles. Fatos e dados não existem."Centenas de milhões de negros foram arrancados dos países, das suas famílias, do seu continente, à força."

Qualquer pessoa minimamente instruída sabe que o flagelo da escravidão africana não ocorreu apenas no continente americano e produzido pelos europeus. O tráfico dirigido aos países islâmicos durou muito mais tempo e vitimou um número maior de seres humanos. Este é um dos fatos históricos que merecia uma análise mais aprofundada. Além da questão humana envolve a genética e a matemática. Onde estão os descendentes destas pessoas? Qual é a proporção de negros no norte da áfrica, no oriente médio e no sul do cáucaso? Os números aqui são apenas para demonstração. Fosse um único indivíduo o erro já seria absoluto. Os números mais elevados citados indicam que o tráfico transatlântico oscilam entre 11 e 13 milhões de vidas humanas destruídas por esta abominação. Vamos deixar de lados outras regiões, grupos étnicos e a autóctone, que para ele e os seus simplesmente não existem.

A última é a mentira.O principal meio utilizado por eles para destruirem o que mais odeiam, a civilização ocidental. Receba ela o adjetivo que for considerado para a sua origem. O motivo da ira é o fato que foi a única desenvolvida no planeta Terra que possibilitou o surgimento do verdadeiro individualismo. A pessoa apesar de fazer parte de comunidade subsiste por si própria. Não é um mero elemento do coletivo. Mesmo inserida no grupo é única em sua individualidade. Este é o grande obstáculo para os adeptos da engenharia social reformarem o mundo conforme os seus dogmas ideológicos.

"Um encontro imposto por eles, baseado na força militar, que desembocou no despojo, na opressão e na discriminação."

Desconhece também o insigne mestre que as conquistas de Pizarro e Cortés foram possibilitadas apenas pelo levante de outros povos "originários" contra o império opressor? Neste caso o asteca e o inca.Como então explicar a conquista do Peru por Francisco Pizarro que a fez com 180 homens, 37 cavalos e 1 canhão?

As consequências apresentadas em nada diferem do que ocorria em outras regiões do mundo. Mesmo nos lugares nos quais o pérfido civilizado europeu não havia pisado. A violência é inerente a espécie. Quando as hordas das estepes rumavam para o sul, para o leste ou o oeste como agiam? Tenho certeza que o assinalado professor desconhece. Que o diga as vítimas cerimonias aprisionadas em batalha e oferecidas a quetzalcoatl. Somente em tenochtitlan o número de mortes rituais praticadas pelos astecas chegava a 20.000 anualmente. O que em 400 anos daria algo como 8 milhões de seres humanos sacrificados... Pelo menos 25% superior a totalidade da população do império inca quando ruiu, que era estimada em 6 milhões.

O encerramento do artigo é a velha ladainha do imperialismo como desculpa para a nossa própria incompetência. A pobreza do nosso continente não veio de fora. Foi gerada aqui. Na década de 1820 o PIB per capita brasileiro era a metade do existente nos países mais ricos da Europa. Isto no fim da era colonial. Duzentos anos depois é de um quarto. Nos últimos quarenta anos os países latino-americanos foram ultrapassados pelos asiáticos, o quê ocasionou o atraso? A estupidez das nossas elites políticas,  econômicas e intelectuais.

 

Mesmo atualmente sob o governo apoiado por esta nomenklatura acadêmica como o Brasil age em relação à china e as práticas desleais de comércio? Como se tudo estivesse na mais completa normalidade. A ligação ideológica entre os petistas e os comunistas chineses impede as medidas necessárias para evitar que a nossa posição de mero fornecedor de commodities se aprofunde. A nossa pauta de exportações a cada ano que passa sob o domínio petista regride em direção ao século XIX. O efeito nefasto vai muito além da economia. As mudanças que estão ocorrendo reduzem a liberdade individual. Muitos males estão se institucionalizando em nome de um falso bem maior.

 

 

Há esta importância do professor Sader, entretanto discordo de sua interpretação histórica que a despeito de qualquer contaminação ideológica é fruto de uma incompreenssão e de uma contradição inaceitáveis a um historiador. Como atestam renomados biologos e historiadores a trama da história é delicadissíma, pequenas alterações poderiam causar mudanças dramáticas. Imagine-se o que seria a não colonização da América pelos europeus. O mínimo que se pode dizer é que nenhum de nós estaria vivo para interpretar a história.

Nosso sentimento para com os europeus deveria ser de gratidão. A história serve para entender seus erros e não repeti-los. Procurar bodes espiatórios nesta altura do campeonato é pueril.  

 

Pata 1: Fraude Histórica: Jorge, qualquer livro de história vai dizer que à época das grandes navegações, o sistema econômico vigente era o mercantilismo considerado, por muitos historiadores, como estágio inicial do capitalismo. Segundo, mesmo que você não considere o sistema à época já como o capitalismo em suas formas mais primitivas, vai concordar que a exploração econômica da América Latina foi um empreendimento onde houve a alienação dos trabalhadores (em geral escravos) dos meios de produção, um dos itens definidores do novo sistema ainda em gestação. Agora, se você considera o pensamento Marxista como fraude histórica, você tem que, pelo menos reconhecer que é uma boa fraude pois persiste até os dias de hoje.

Pata 2: Mitificação da escravidão. Bom, você está inteiramente correndo ao dizer que a escravidão e seu comércio não foram exclusividade da colonização americana. O que você deve considerar é que, em nenhuma outra parte do mundo, a escravidão foi tão usada em escala tão grande para geração de excedente econômico.

Pata 3: Distorções. OK, não foram centenas de milhões de negros no comércio do atlântico. Foram só 10 milhões. A escravidão ficou menos odiosa, então? É essa sua opinião?

Pata 4: Mentira. Confesso que não entendi seu ponto. Você escreve um longo parágrafo para justificar as atrocidades dos europeus com o único argumento que se fez isto em várias regiões do mundo, inclusive na própria América pré-colombiana? É isso mesmo? A mentira é que os espanhóis teriam usado de superioridade militar para derrotar os impérios Inca e Asteca e a verdade seria que o que houve foi uma aliança entre os europeus e os povos originários oprimidos pelos grandes impérios da época. Historicamente perfeito, o que aconteceu depois com os povos que foram “libertados” pelos espanhóis do jugo inca e asteca? Ficaram livres? Puderam ter sua cultura preservada?

 

A rebelião dos escravos lideradas por Spartacus contra Roma foi um movimento socialista?

As revoltas camponesas que ocorreram durante a Idade Média também?

O sistema oligárquico que moldou a república romana tinha eleições para os cargos públicos, era uma democracia?

Se a utilização ou exploração, se preferir, da força de trabalho alheia para obter riquezas determinar que uma sociedade é capitalista ele sempre existiu?

A famosa mais-valia de marx não se aplica aos escravos, então para o próprio marxismo qual era este sistema?

As características econômicas similares são insuficiente para rotular, as diferenças entre os sistemas eram muito maiores que as semelhanças. O mesmo vale para as eleições romanas e as atuais.

A proporção de escravos nas américas durante a era escravocrata não excedia a existente em outras sociedades imperiais expansionistas. O mesmo se sucedeu entre os otomanos, romanos, assírios, etc. Sem esquecer que o maior exportador de escravos para as Américas foi o reino do dahomey.

Fosse um único indivíduo o erro já seria absoluto. Os números mais elevados citados indicam que o tráfico transatlântico oscilam entre 11 e 13 milhões de vidas humanas destruídas por esta abominação. Esta é a minha opinião que está no comentário original.

"Um encontro imposto por eles, baseado na força militar, que desembocou no despojo, na opressão e na discriminação."

Como se isto durante toda a história da humanidade fosse fruto único e exclusivo dos europeus. O baseado na força militar é uma grande mentira. As forças combinadas de Pizarro e Cortés não chegava a um batalhão. Existem outros fatores muito mais determinantes...

 

"Não é um mero elemento do coletivo. Mesmo inserida no grupo é única em sua individualidade".

Você se refere ao homem moderno completamente escravizado pelo desejo imposto pelo capitalismo?

A aquele que, quando é lançado um filme do Homem-Aranha sai comprando filme, camisetas, bonés jogos para computador e video-games LIVREMENTE?

Pois eu só conheço o homem (antropós) alienado.

 

Tem razão.

"Centenas de milhões de negros foram arrancados dos países, das suas famílias, do seu continente, à força."

30 Milhões foram escravizados. Mas para cada escravo que chegava vivo, entre 1 e 2 morriam no transporte.

De doenças, fome, maus tratos ou, simplesmente, devido a uma calmaria. Explico. Nesses casos, o tempo de transporte se prolongava, a comida não daria para todos, e o excedente era lançado ao mar.

Não foram mesmo centenas de milhões. Foram apenas cerca de uma centena de milhão.

 

http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?pid=S0034-8309198900010000...

Lei o artigo acima...

 

Se contar apenas os escravizados no "Novo-Mundo", tem razão morreram somente uns 12 milhões.

Pouquinho, né?

But...

30 million people 500 years ago is not equivalent to 30 million people today because 30 million as a percentage of the world population represented 500 years ago is far greater than what it represents today.

Lê agora voçê um pouquinho.

Quem sabe se decobre um pouquinho de humanida sob essa manta de capitalismo.

http://www.africanholocaust.net/html_ah/holocaustspecial.htm#howmany

 

 

Ué antes do mercantilismo e depois do capitalismo não existia escravidão no planeta? O professor sáder irá diplomá-lo com louvor.

 

Como o Jorge Nogueira teve a deselegância para falar em patas me permito subtituir as patas citadas pelas dele próprio:

Primeira pata: o surgimento do capitalismo comercial se dá no início da Idade Moderna, entre os séculos XV e XVIII, e tem como base a expansão ultramarina e desenvolvimento comercial. É um período caracterizado pelo metalismo (concepção de que a prosperidade de cada país estaria na razão direta da quantidade de metais preciosos que possuísse) e do mercantilismo. Ou seja, quanto mais as nações invasoras e colonizadoras roubassem de um país invadido mais mercadoria teriam para o comercio internacional

Segunda pata: a historiografia oficial não esconde dados de povos escravocratas. Tanto que o Jorge cita o fato. O Emir se refere à espoliação de um "continente" através da captura de seus habitantes e o seu uso como mercadoria.

Terceira pata: o artigo fala da espoliação da América, não de paises islâmicos. E por aqui foram os europeus que lucraram com o comércio e o abuso dos negros escravizados.

Quarta pata: aonde está a eficiência do sistema capitalista? É um sistema que não subsiste sem o roubo e a espoliação de povos menos armados. É fácil ter riqueza e se mostrar eficiente quando se rouba  metais preciosos e se escraviza  homens para a produção de matérias primas e alimentos.

Os europeus dominaram a América porque nossas culturas eram diferentes mas em nenhum momento menos importantes. E qual é a civilização ocidental a que Jorge se refere: a atual em que seres humanos se empaturram de drogas, bebidas, alimentos ou pequenos badulaques para sobreviver? 

E quer saber, Jorge, entenda o que fizeram com a América lendo o Canto Geral de Pablo Neruda:

"América, a taça de acaju então foi um crepúsculo de chagas, /um leprosário afogado de sombras e na antiga extensão da frescura cresceu a reverência do verme. O ouro levantou sobre as pústulas maciças flores, heras silenciosas, edificios de sombra submersa. / Uma mulher recolhia pus, e o copo de substância bebeu em honra do céu de cada dia, enquanto a fome dançava nas minas do México dourado, e o coração andino do Perú chorava docemente de frio sobre os farrapos."

 

Vera Lucia Venturini

Quanto ao capitalismo ele foi se desenvolvendo aos poucos. Precisou de três séculos para se tornar dominante na inglaterra e a partir daí começar a se espalhar. Tornou-se o sistema econômico dominante na Europa ocidental apenas no século XIX. O mercantilismo, que tem no metalismo uma das suas formas, possuia alguns traços comuns com o capitalismo, porém não pode ser assim considerado. Não era um sistema de livre iniciativa nem de livre mercado. Lembra uma das distorções atuais do BNDES ao escolher quais serão as empresas líderes em seus setores e as financiar.

A historiografia oficial não escondia. Atualmente parece que os adeptos de pachamama resolveram exumar o bom selvagem.

A forma distorcida utilizada pelo sáder precisa ser contextualizada. Ele atribui males universais apenas a Europa e a sua detestada civilização.

Quanto a eficiência do sistema capitalista sobre os demais é fácil comprovar. Nunca na história da humanidade as pessoas viveram tanto tempo, jamais o número proporcional de miseráveis foi tão pequeno e as comodidades acessíveis a grande maioria tornaram muito menos extenuantes o dia a dia.

Eu falo de civilização ocidental e não deste arremedo criado e incentivado pelos marxistas para destruí-la e erguer em seu lugar a utopia sanguinária.

 

Obrigada, vera lucia venturini.

 

"Na década de 1820 o PIB per capita brasileiro era a metade do existente nos países mais ricos da Europa. Isto no fim da era colonial."

1820, fim do colonialismo? Fraude, mitificação, distorção e mentira...

 

Quantos países americanos permaneceram colônias após a década de 1820? Era colonial neste caso foi um fato histórico concreto, deteminado pelo controle político externo. Colonialismo é um conceito difuso, que na maioria das vezes serve como desculpa para a própia incompetência. Serve para atacar dos sub produtos de hollywood ao lanches "engordativos" do mc donald's, passando pela ingerência das instituições finaceiras multilaterais ou privadas e por aí afora.

No caso brasileiro podemos dizer que estivemos sob o domínio colonial de Portugal até 1822. e que a partir daí os poucos acertos e a montanha de erros couberam única e exclusivamente aos nossos governates e aos seus apoiadores.

 

Eu ia escrever alguma coisa mas depois de ver esse post perfeito, qualquer manifestação minha seria insignificante. Uma das melhores coisas que li esse ano ! Gostaria de ver uma resposta a isso do Prof. Sader.