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Pesquisa de Expectativas de Inflação do Banco Central

Uma Breve Análise de Medidas Alternativas à Mediana na Pesquisa de Expectativas de Inflação do Banco Central do Brasil*
Fabia A. de Carvalho**(Departamento de Estudos e Pesquisas, Banco Central do Brasil. Email: fabia.carvalho@bcb.gov.br.)
Trabalhos para Discussão Brasília n° 264 janeiro 2012 p. 1-21 Janeiro/2012.... Resumo    Texto completo

Banco Central do Brasil Lista de trabalhos para discussão
*Agradeço a Adriana Soares Sales e a Andre Minella por sugestões e críticas ao trabalho. Os erros e omissões são de inteira responsabilidade da autora. Por favor, remeta correspondência para: Fabia Aparecida de Carvalho.
Banco Central do Brasil, Diretoria de Política Econômica, Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), 13o andar, 70074-900 Brasília DF Brasil.


Trabalhos para Discussão...Editado pelo Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) – E-mail: workingpaper@bcb.gov.br
Este Trabalho para Discussão não deve ser citado como representando as opiniões do
Banco Central do Brasil. As opiniões expressas neste trabalho são exclusivamente do(s)
autor(es) e não refletem, necessariamente, a visão do Banco Central do Brasil.

Resumo
Essa nota apresenta uma breve análise de medidas representativas alternativas à
mediana da pesquisa de expectativas conduzida pelo Departamento de
Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) do Banco Central
do Brasil. A partir do painel de expectativas coletadas de janeiro de 2001 a
dezembro de 2010, construímos séries históricas de núcleos e da moda das
expectativas para a inflação, que, a seguir, são comparadas com a mediana em
relação ao seu poder preditivo para o horizonte de 12 meses à frente. Comparamos
também o poder preditivo dessas medidas com respeito ao núcleo de inflação do
IPCA.
1. Introdução
As expectativas de mercado coletadas pelo Banco Central do Brasil desde 1999 e
reportadas diariamente no sítio da instituição e semanalmente por meio dos relatórios Focus
têm se tornado importante referência na discussão sobre a evolução esperada das variáveis
macroeconômicas no Brasil, com especial destaque para a inflação. Tanto no Relatório Focus
quanto no Capítulo 6 do Relatório de Inflação, as medidas univariadas mais utilizadas para
representar o painel de instituições pesquisadas têm sido a mediana e o desvio padrão(1). O uso
dessas medidas, ou, alternativamente, da média do painel, é amplamente disseminado no resto
do mundo(2).
Carvalho e Minella (2009) apresentam um estudo detalhado do poder preditivo da
mediana das expectativas de inflação coletadas pelo Banco Central do Brasil para um
horizonte de 12 meses à frente. Eles mostram que, no período considerado no estudo, a
mediana não apresenta viés sistemático, o que indica bom poder preditivo, apesar de não
passar em todos os testes de eficiência. Outros trabalhos apresentam avaliações do poder
preditivo da mediana das expectativas coletadas em pesquisas no Brasil para variados
horizontes de previsão(3).
Essa nota busca avaliar o poder preditivo de outras medidas representativas do painel
de expectativas de inflação coletadas pelo Banco Central do Brasil. Em particular,
construímos séries de núcleos de expectativas e uma série da moda das expectativas para o
horizonte de 12 meses à frente.
À exceção do núcleo por médias aparadas simétricas e de um dos núcleos
assimétricos, todas as medidas computadas são estatisticamente diferentes da mediana. Em
termos de poder preditivo, no período que exclui a crise de confiança de 2002, as evidências
de viés são menores para um dos núcleos assimétricos. Entretanto, nenhuma das medidas
investigadas apresenta viés sistemático nesse período. Obtemos também que, para o período
de volatilidade moderada da inflação, as medidas investigadas são mais apropriadas como
projeções para o IPCA cheio do que como proxies para o núcleo do IPCA aparado e
suavizado.....
.....4. As Expectativas do Mercado São Indicadores Melhores da Inflação Cheia ou do Núcleo de Inflação do IPCA?
Ranchhod (2003) conduz exercícios para verificar a capacidade preditiva das
expectativas de inflação coletadas em pesquisa na Nova Zelândia. Um dos resultados obtidos
é que, mesmo que os participantes projetem a inflação cheia, suas projeções são mais
adequadas para medidas suavizadas da inflação, como núcleos por exclusão. A razão parece
ser que a inflação de itens muito voláteis no IPC é mais difícil de ser antecipada.
Inspirados nesse resultado, comparamos as expectativas de inflação no Brasil feitas
para o IPCA cheio com os valores ocorridos do núcleo do IPCA aparado e suavizado. Os
resultados são apresentados na tabela A4 do Apêndice.
Independentemente da estatística utilizada como representativa das expectativas (i.e.,
mediana, média aparada simétrica, moda ou média simples-8), os testes de viés realizados na
amostra que se inicia em junho de 2003 sugerem que há viés sistemático nas projeções
quando comparadas com o núcleo do IPCA. Entretanto, se incluímos o período de grandes
choques a partir de 2002, a evidência de viés dissipa-se nos dados. Tendo em vista os
resultados apresentados na seção anterior, pode-se concluir que, no Brasil, em períodos de
menor volatilidade da inflação, as projeções publicadas na pesquisa Focus são melhores
indicadores antecedentes do IPCA cheio, e não do núcleo do IPCA. Já para o período de
grande volatilidade, as projeções são melhores indicativos do núcleo do IPCA.

5. Conclusão
Esta breve nota mostra que a moda das expectativas de inflação para um horizonte de
12 meses à frente e grande parte dos núcleos assimétricos apresentam diferenças importantes
em relação à mediana.
Na amostra que exclui o período de crise de confiança na condução futura da política
econômica, nenhuma das medidas analisadas (mediana, núcleo simétrico, núcleos
assimétricos e moda) apresenta viés sistemático.
Inspirados em Ranchhod (2003), conduzimos testes para verificar se as projeções
apresentadas como sendo para o IPCA cheio seriam mais apropriadas para alguma medida
menos volátil de inflação, como o núcleo aparado e suavizado do IPCA. Em contraposição
aos testes de viés para a inflação cheia, haveria indicação de viés sistemático caso as
projeções fossem feitas para o núcleo do IPCA no período de menor turbulência (a partir de
junho de 2003). Assim, pode-se concluir que, em períodos de menor volatilidade da inflação,
as projeções do mercado para o IPCA são melhores indicadores antecedentes do IPCA cheio,
e não do núcleo do IPCA.

notas
(1)Recentemente, no Relatório de Inflação de março de 2011, o Banco Central passou a divulgar a mediana de segmentos dos participantes da pesquisa.
(2)Por exemplo, o capítulo de Perspectivas para a Inflação do Relatório de Inflação do Banco da Inglaterra apresenta a média das expectativas de um grupo de profissionais pesquisados. A média também é a medida escolhida como representativa para a pesquisa The Macro Markets Home Price Expectations Survey, assim como para a Consensus Economics, que por sua vez também apresenta as projeções individuais. A pesquisa Michigan Survey of Expectations, dos EUA, apresenta a mediana como medida representativa.
(3)Por exemplo, Kohlscheen (2010) e Carvalho e Bugarin (2006).
(8)Não realizamos os testes para os núcleos por médias ou medianas aparadas assimétricas.

Referências:
Carvalho, F., e A. Minella (2009), “Market Forecasts in Brazil: Performance and Determinants”, Trabalho para Discussão No. 185, Banco Central do Brasil, Abril

Carvalho, F. e M. Bugarin (2006), “Inflation Expectations in Latin America”, Economía (Washington), v. 2006, p. 101-145

Guillén, D. (2008), “Ensaios sobre Expectativas de Inflação no Brasil”, Tese de Mestrado, Puc-Rio.

Kohlscheen (2010), “Uma Nota sobre Erros de Previsão da Inflação de Curto Prazo”, Trabalho para Discussão No. 227, Banco Central do Brasil, Novembro

Marques, A., P. Fachada, e D. Cavalcanti (2003), “Sistema Banco Central de Expectativas de Mercado”, Nota Técnica No. 36, Banco Central do Brasil, Maio

Ranchhod, S. (2003), “The relationship between inflation expectations survey data and inflation”, Reserve Bank of New Zealand Bulletin Vol. 66, No. 4.

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