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Espiritismo, Umbanda e Projeção Astral são complementares, por Marcos Villas-Bôas

Espiritismo, Umbanda e Projeção Astral são complementares

por Marcos Villas-Bôas

Como já mencionamos tantas vezes neste blog, o objetivo de Allan Kardec não era criar uma nova religião com características semelhantes às das outras, mas, na verdade, unificar as religiões – ou, ao menos, uma parte do pensamento religioso – por meio do conhecimento científico-filosófico do Espiritismo. O seu fim religioso era o de religar racionalmente o homem ao divino.

Sobre o tema acima, vide, por exemplo, o texto no qual brevemente resumimos a biografia desse grande pensador e educador: http://jornalggn.com.br/noticia/quem-foi-allan-kardec-o-descobridor-da-ciencia-espirita-por-marcos-villas-boas.

Em outro texto, foi discutida uma entrevista realizada por Jefferson Viscardi com o Espírito Miramez, por uma médium de psicofonia, dentro do ótimo programa Diálogo com os Espíritos, na qual o entrevistado dizia que, para os Espíritos do bem, não interessa a religião de cada encarnado, não interessa o tipo de culto etc., mas tão somente ajudar o próximo e realizar os fins divinos em geral. Segue o link para o texto: http://jornalggn.com.br/noticia/dialogo-com-o-espirito-miramez-gravado-em-video-por-marcos-villas-boas.

As religiões vêm servindo ao longo do tempo como meios de aproximar o ser humano do divino, mas a forma de sua prática, seguindo dogmas, se fechando para o diálogo e até atacando as demais religiões, gerou, como se sabe, guerras, segregação e tantos outros problemas gravíssimos.

A religião do futuro será a do amor, da caridade e da humildade. O objetivo de Kardec de unificação irá se concretizando cada vez mais com a iluminação dos seres humanos e esse processo já está claramente em marcha.

Isso acontecerá - dentre outras razões, como o avanço moral e intelectual da humanidade, aliado e estimulado pelo processo reencarnatório de Espíritos mais evoluídos - por conta das descobertas, impulsionadas pela ciência, inclusive pela Ciência Espírita, acerca da existência de vida após a morte, o que imporá a revisão dos dogmas das religiões para comportarem essa realidade que se tornará inegável em algum tempo, aceita hoje apenas por algumas religiões e filosofias.

Não significa que as religiões desaparecerão em curto prazo, mas que elas se tornarão perspectivas distintas acerca de uma visão cada vez mais uniforme acerca da espiritualidade. É como na transdisciplinaridade, que também está em marcha no mundo: as fronteiras existem, mas se tornam bem tênues, permitindo, dentro de uma visão mais complexa, enxergar conhecimentos e disciplinas separados, porém unidos, a depender do ângulo pelo qual se olhe. 

Ao mesmo tempo, as religiões e filosofias que já são espiritualistas se abrirão mais e, percebendo sua interconexão, ficarão cada vez mais unidas. Com o objetivo de estimular esse processo, iremos abordar aqui, a título de ilustração, a óbvia interconexão existente entre o Espiritismo, a Umbanda e a Projeção Astral, cuja crescente aproximação leva a inúmeros benefícios para as pessoas que são tratadas com uso desses conhecimentos.

O próprio Espírito Miramez, que escreveu dezenas de livros espíritas, incluindo a brilhante coletânea Filosofia Espírita, prefaciada por Bezerra de Menezes, é considerado um dos maiores mentores espirituais em projeção astral, tendo sido o diretor espiritual da equipe da qual participava o Espírito Lancellin, quem escreveu o ótimo livro Viagem Astral por meio da psicografia de João Nunes Maia, que também foi o médium de Miramez por muitos anos.  

Os centros de origem espírita, a exemplo do Grupo Espírita Francisco de Assis (GEFA), localizado em Groaíras/CE, que vêm agregando técnicas de cura mais típicas da Umbanda, como o uso de banhos de ervas, e se valendo da ajuda de uma equipe espiritual heterogênea, contando, por exemplo, com Espíritos índios que costumam atuar na Umbanda, são cada vez mais frequentes e demonstram eficiência nos resultados dos tratamentos.

A esse respeito, o brilhante livro Tambores de Angola, uma psicografia de Robson Pinheiro, pelo Espírito Ângelo Inácio, diz o seguinte:

“ – Quanto aos banhos e ervas de defumações utilizadas pelos umbandistas, haverá algum fundamento científico nisso tudo?

- Fundamento há meu amigo Ângelo, embora nem sempre as pessoas que beneficiem desses recursos o saibam. Tomemos como exemplo os chamados banhos de descarrego, tão receitados por pretos velhos e caboclos. Você sabe muito bem do poder das ervas, de seu magnetismo próprio. Quando são utilizadas adequadamente, podem operar verdadeiros prodígios, gerando equilíbrio e harmonia. As plantas guardam nesse estado de evolução muita energia, muita vitalidade e os raios absorvidos do sol no processo de fotossíntese formam uma aura particular em cada família do reino vegetal, o que se associam ao próprio quimismo da planta. Quando colocadas em infusão, transmitem à água todo o seu potencial energizante, curador, reconstituinte. É o que se passa com os florais utilizados atualmente. Quando o adepto toma o banho com a mistura de ervas, todo o magnetismo que está ali associado provoca em alguns casos um choque energético ou uma reconstituição das camadas mais externas de sua aura. Na verdade, isso não tem nenhuma relação com o misticismo; é científico. Sob a influência abençoada das ervas, muito benefícios têm sido alcançados por inúmeras pessoas.

Irmãos nossos de outras confissões religiosas, mesmo os espíritas, julgam que tais providências são um absurdo e recusam qualquer receituário que venha com essas indicações. Estão até indo contra os métodos empregados pelo mestre Allan Kardec, pois recusam-se a pesquisar, questionar, certificar-se cientificamente dos efeitos benéficos desses recursos da natureza” (p. 46). 

O uso de ervas é algo milenar, com larga comprovação empírica e científicas dos resultados dentre os mais diferentes povos. Vide, por exemplo, o seguinte artigo científico: http://www.scientiaprima.incentivoaciencia.com.br/edicao_01.01/ID%20112%20-%20Comprovacao%20do%20Potencial.pdf.

É por essas e outras razões que se vê, de forma crescente, indivíduos iniciarem um tratamento no centro espírita, mas o concluírem num centro espiritualista generalista ou na Umbanda, que trabalha com vibrações mais densas e agrega outras técnicas não aceitas pelo Espiritismo.

Assim como no caso do conhecimento transdisciplinar, quanto mais se sabe sobre outras disciplinas correlacionadas à de nossa especialidade, mais profundamente conseguiremos mergulhar nos problemas que analisamos; contudo, em casos mais difíceis, é prudente recorrer a um especialista.

Isso para dizer que todo espírita deveria procurar conhecer bem a Umbanda, e vice-versa. Em casos mais complicados, não solucionados após as primeiras tentativas, o trabalho conjunto entre espíritas e umbandistas só tem a agregar aos tratamentos.

O preconceito com relação a outros conhecimentos, sobretudo em se tratando de matérias que podem definir questões de vida ou morte (desencarnação), é algo grave e certamente mal visto pela lei divina, ou da natureza. É preciso que se reflita seriamente sobre isso. Mais um vez, recorremos à dupla Robson Pinheiro e Espírito Ângelo Inácio, desta feita na obra intitulada Aruanda:

“O tema é palpitante, mas pouco estudado pelos nossos irmãos espíritas. A Umbanda para muitos ainda é tabu; quando qualquer aspecto associado a esse tema é ventilado nos círculos espíritas, observamos reação imediata, que demonstra o preconceito enraizado. Será puro medo? E que espécie de medo acomete os companheiros espíritas ao abordarmos o assunto Umbanda?

A maioria dos espíritas ou pelo menos os mais ortodoxos, não admitem sequer a ideia de pais-velhos, caboclos ou outras entidades espirituais semelhantes possam trabalhar nos centros ditos kardecistas. Porém, quando as coisas apertam, quando falham os recursos habituais consagrados pela ortodoxia, logo, logo pedem socorro ao primeiro pai-velho de que algum dia viram falar ou se ajoelham aos pés de alguma entidade num terreiro, escondidos não se sabe de quem” (p. 15).  

O Espírito Ângelo Inácio se apresenta, por sinal, como alguém que teve formação espírita enquanto encarnado e tem como um dos maiores objetivos, claramente, destituir os leitores de preconceitos em relação à Umbanda. A leitura de suas obras é essencial para os espíritas e demais espiritualistas. Do mesmo modo, o médium Robson Pinheiro teve uma formação espírita.

Temos ouvido que Espíritos com trabalhos mais frequentes na Umbanda, como os pretos velhos, vêm se manifestando cada vez mais em reuniões mediúnicas de centros espíritas, enquanto que Espíritos com muito tempo de trabalho em centros espíritas também vêm a trabalhar em terreiros de Umbanda quando é preciso, como Miramez também diz, na entrevista referida acima, já ter feito plasmado como um preto-velho.

Vale ressaltar que “preto-velho” é a forma pela qual o Espírito se plasma para o trabalho, conforme determinado pela espiritualidade superior em se tratando da Umbanda. Muitas vezes, e isso parece claro nas obras de Robson Pinheiro e Ângelo Inácio, a forma de preto-velho não é nem a mais usada pelo Espírito no astral.

Por isso, mesmo os Espíritos com formação espírita podem trabalhar como entidades da Umbanda. Isso é, aliás, dito repetidamente nas entrevistas do já referido programa Diálogo com os Espíritos.

É muito claro pelos trabalhos, pelas informações prestadas pelas entidades e pelas informações das obras psicografadas que a Umbanda foi uma grande sacada espiritual com o objetivo de atrair para os assuntos do “além-vida” e para difusão da filosofia moral divina um grupo de pessoas que provavelmente não se estavam vendo atraídas ou representadas pelas religiões e filosofias até então existentes.

Aliado a isso, as tradições africanas e indígenas absorvidas pela Umbanda permitiram chegar a um conjunto de tratamentos eficazes normalmente não utilizados em outros centros espiritualistas, como nos espíritas.

Quando a religião do homem for o amor, a caridade e a humildade, não haverá mais preconceitos, especialmente em se tratando da cura de nossos irmãos. Outra intercessão interessante, apresentada na obra Tambores de Angola, se dá entre os já comentados Espiritismo e Umbanda, e a Projeciologia, ciência que estuda a projeção (ou viagem) astral.

Como a mediunidade de um modo geral, a projeção astral tem menções desde a Antiguidade. No Brasil, ela vem sendo bastante estudada desde a década de 80, especialmente depois das obras de Waldo Vieira sobre o tema.

A obra Tambores de Angola gira toda em torno da desobsessão de um homem chamado Erasmino e é sensacional por várias razões. Para além de um estudo da Umbanda por uma perspectiva espírita no plano espiritual, que já é algo bem interessante, o Espírito Ângelo Inácio traz críticas sutis suas e de outros Espíritos acerca de diversos preconceitos e complicações criadas pelos homens, quase sempre por questões de orgulho e poder, no tratamento dado aos múltiplos aspectos da mediunidade.

No caso da chamada projeção de consciência, que já havia sido estudada por Allan Kardec com o nome de “desdobramento” e por outras pessoas com vários outros nomes, criou-se toda uma nova ciência no Brasil, com nomes complicados, sem razões que o justificassem.

No caso concreto de desobsessão narrado no livro, dois médiuns projetores astrais são convidados a participar de um complexo plano criado pelos Espíritos, demonstrando que as obsessões podem ser muito mais difíceis do que os humanos imaginam, carecendo, às vezes, de trabalho conjunto com técnicas espíritas, umbandistas e de desdobramento, ou projeção astral.

Há uma ideia parcialmente errada vigendo em muitos centros espiritualistas, incluindo alguns espíritas e umbandistas, de que o trabalho é todo feito pelos Espíritos bons e que a nós cabe apenas uma parte ínfima. Essa humildade é boa por um lado, mas leva a enganos. Quanto mais conhecimento tiver a equipe encarnada, melhor os Espíritos poderão utilizá-la e mais chances haverá de cura para os nossos irmãos.

Esse argumento está suportado o tempo todo na obra Aruanda, como no trecho abaixo:

“Nasciam mais e mais bases das trevas, enquanto os espíritas e os espiritualistas se ocupavam em doutrinar, conversar e fazer orações longas e discursos religiosos, esquecidos da ciência espiritual e das pesquisas no campo experimental da mediunidade. As trevas, enquanto isso, se atualizavam, equipando-se para investidas cada vez mais eficazes contra as obras do progresso e da civilização” (p. 102).  

Desde que Kardec e mais alguns fizeram seus belíssimos estudos científicos de meados do século XIX para o início do século XX, a Ciência Espírita evoluiu muito pouco. Enquanto isso, tão intelectualizados quanto os bons, encarnados e desencarnados com objetivos maus vieram se atualizando e tornando seus projetos de maldade mais complexos, requerendo uma resposta à altura de encarnados e desencarnados no sentido de se elevar moralmente, mas, também, intelectualmente; acima de tudo, no que toca aos processos de cura espiritual.

Para tanto, é preciso voltar aos experimentos científicos de Kardec, Delane, Crookes, Flammarion, Richet e outros, usando a tecnologia atual, e é preciso que os adeptos das diferentes linhas espiritualistas se unam para trocar conhecimento e se ajudar na ajuda do próximo e do planeta.

Uni-vos, espiritualistas de todas as vertentes! Pratiquemos juntos o amor, a caridade e a humildade, melhor ajudando os desencarnados na realização dos desígnios divinos.

 

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