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Mais Médicos, por favor, e menos piadas e desinformação

Jornal GGN - Mesmo com voto aberto no Congresso em resposta ao fatídico caso de Donadon, e mesmo com espionagem e guerra batendo às portas em ação direta e desrespeitosa dos Estados Unidos ao mundo, o tema escolhido ainda é o Programa “Mais Médicos”. Com toda a discussão presente em outros temas, o descaso com a saúde, no país, ainda fala mais alto.

Antes do Mais Médicos, uma pequena observação que demonstra o tanto que a saúde está doente. Estadão dá, no pé da página, notícia de que o TRF suspende a punição dada pela ANS contra 142 planos de saúde. As operadoras de planos conseguiram. Se o setor já está complicado, com este precedente criado pelo Tribunal Regional Federal, em São Paulo, a situação vai longe, distanciando o beneficiário de planos de saúde de seus direitos. A ANS é criticada por não ter rigor com as operadoras tentando retomar seu papel e imagem com este monitoramento. Este fazer valer a norma era, até então, a única arma do cidadão comum diante do festival de negativas em atendimento. Com a decisão do TRF da 3a Região, em São Paulo, a agência perde força, bem como o cidadão comum. Folha não deu a notícia.

Indo ao ponto... Correu pelas redes sociais um vídeo incrível do CQC sobre o Mais Médicos. Digo incrível porque, diferente do que possa parecer, existe vida equilibrada dentro do Custe o Que Custar. Depois de escorregar sempre entre a ética ou bom gosto, o Custe soltou uma matéria em sua última edição, com gostinho de jornalismo no ar. Os rapazes praticaram jornalismo!

Com o título “Documento da semana – Médicos cubanos”, a gang conseguiu trazer uma matéria sobre a questão do repúdio de médicos aos profissionais estrangeiros que vieram ao Brasil, sem descambar para o gosto ou humor duvidoso. Em tom sóbrio, o repórter foi em busca de costurar sua matéria, dando, inclusive, voz aos dois lados. E defendendo o direito da população à saúde.

É assombrosa a abordagem, principalmente se levarmos em consideração uma ‘entrevista’ levada ao ar, em que colocam uma criança para enganar José Genoíno, em um massacre tão nojento que deixou muitos sem fala.

E perderam com isso, naquela época? Aparentemente não entenderam nada, e defenderam o direito a fazer seu trabalho, mesmo com um alto custo ético. O tempo passou e ninguém entrou no mérito da bobagem que fizeram contra Genoíno. Muitos deixaram de assistir ao programa. E outros tantos nem perceberam que havia ali um desrespeito travestido de ‘humor a qualquer preço’.

De repente, não mais que de repente, o grupelho traz uma boa reportagem sobre um tema controverso e que anda dividindo opiniões. O que aconteceu? O que fez com que enfrentassem a questão com uma sobriedade jamais vista em suas abordagens? Foi pressão das redes sociais quanto aos temas passados e atropelados, ou uma sensibilidade nova aflorou ao defender o direito de milhões de brasileiros à saúde?

Perguntas não querem calar, e respostas que não chegaram ainda, pedindo o acompanhamento de mais alguns programas para entender o que realmente se passa.

Outro baluarte da falta de humor nacional, Danilo Gentili, disparou ontem que “Nordeste é um lugar sem energia elétrica, sem água e sem comida”, e em sintonia com o raciocínio inteligente, Roger (ex-Ultraje a Rigor) complementou a pérola, “e papel higiênico”. Gentili raciocinou, utilizando todo o seu poder mental, que os médicos cubanos, trabalhando no Nordeste, “estão se sentindo em casa”.

A grosseria pegou mal, colocando, de novo, o tal Gentili em situação nem um pouco lisonjeira nas redes sociais. E em comentário que durou 30 segundos.

Os jornais

Com pouco destaque na capa, mas bem evidenciado no caderno cotidiano, a Folha volta à carga. Entende-se que denúncias de profissionais inadequados devem ser consideradas pelas publicações diárias, afinal isto é notícia, mas é preciso destacar também alguns pontos perdidos nesses discursos. A desistência de médicos é a tônica da principal e a precariedade da infraestrutura preenche a página seguinte.

A Folha bate e assopra em título do caderno: Médicos questionam infraestrutura e exigências e abandonam o programa. Bate, assopra e chove no molhado. O programa veio para suprir uma falta, veio como primeiro passo para solução do problema de infraestrutura. Já se sabia disso desde o início, como bem se sabia quando as entidades médicas só batiam nisso, depois que acusar cubanos caiu de moda.

Mas evidenciam, os dois jornais, a desistência de médicos brasileiros. Não propalado o fato de que a atuação dos médicos em “Brasil do século passado”, como diz o título, é o que move o programa. É justamente a precariedade desses municípios que pede a presença de profissionais de saúde. Em infográfico e na própria matéria, longe de bater, dá munição aos defensores da ideia, já que os primeiros municípios a serem contemplados são, justamente, os piores do Brasil em indicadores socioeconômicos. A mortalidade infantil, nestes rincões, está na marca de 26 óbitos a cada 1.000 nascidos vivos, enquanto o outro Brasil vive uma taxa de 15 para 1.000.

A Folha, ainda, traz informação que merece ser aprofundada. O Revalida não é a única forma que um médico formado no exterior, seja brasileiro ou estrangeiro, para trabalhar no país. As universidades públicas tem a função de, por lei, validar os diplomas e, também é função delas, aderir ou não ao Revalida. E, importante, menos da metade optou pelo exame. Mais uma informação destaca-se: entre 2002 e 2012 foram reconhecidos 7.348 diplomas estrangeiros, dos quais 56,11% eram de cursos de medicina.

Vídeos

Veja o vídeo
O CQC na pegada do Mais Médicos
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4 comentários

Comentários

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albrpira

CQC X JornalGGN

Só pq o CQC e Danilo Gentile não partilham da SUAS opiniões, não significa que eles não tenham acertado... por sinal, da uma olhada na pagina do Danilo e de vocês... é assombrosa a diferença de pessoas que gostam do referido e de vocês... é.. acho que ele tem mais publico que vocês...rs ( e se falar que quantidade não é qualidade, eu concordo, vide os votos da presidiAnta...)

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cleverson

cqc, medicos cubanos

Por fim o CQC Brasil, acertou uma! Depois daquelas canalhices tipo: por criança para "entrevistar" genoíno.

O mais interessante-mudando um pouco a direçao do assunto- é a diferença entre CQCs. O argentino é bem de esquerda. Tem matérias memoraveis. um exemplo, é quando tentaram o golpe contra o Morales. Excepcional!

E aqui, o feito no Brasil, mais decepciona. Infelizmente, acho que foi uma coisa fora do normal. Nao é bom nos  iludirmos.

Mas, foi uma bola dentro, sem dúvidas.

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cleverson

cqc, medicos cubanos

Por fim o CQC Brasil, acertou uma! Depois daquelas canalhices tipo: por criança para "entrevistar" genoíno.

O mais interessante-mudando um pouco a direçao do assunto- é a diferença entre CQCs. O argentino é bem de esquerda. Tem matérias memoraveis. um exemplo, é quando tentaram o golpe contra o Morales. Excepcional!

E aqui, o feito no Brasil, mais decepciona. Infelizmente, acho que foi uma coisa fora do normal. Nao é bom nos  iludirmos.

Mas, foi uma bola dentro, sem dúvidas.

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Fulvia di Moro

(Sem título)

Agora pode até escolher médico, antes nem tinha médico...

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Donizeti - SP

O melhor programa sobre o

O melhor programa sobre o Mais Médicos que já vi na imprensa brasileira.

Parabéns ao CQC, deram uma aula de verdadeiro jornalismo para a grande mídia,  que faz disputa politico-partidária rasteira com um programa sério do governo federal.

Como é fácil fazer bom jornalismo, basta ouvir os 2 lados e ter um mínimo de caráter e de ética.

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