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O jogo político por trás do conceito de BC independente, por J. Carlos de Assis

O homem comum deve encarar como discussão bizantina a controvérsia em torno da proposta de independência do Banco Central defendida por Marina e Aécio, e rejeitada por Dilma. Acredito que, dentre os 202 milhões de brasileiros, não menos que 201 milhões não têm a menor ideia do que se trata. Claro, ninguém é obrigado a conhecer Física Quântica para concluir que a energia nuclear é, em certas circunstâncias, um risco. Os economistas do BC independente atuam como alguns físicos que defendem ou atacam a energia nuclear: recorrem ao argumento da autoridade. Em certos casos, para forçar o argumento, apelam para o puro charlatanismo.

O debate sobre o BC independente está permeado de desinformação. Reflete em seus aspectos fundamentais a dominação do poder econômico camuflada de sabedoria técnica. Muitos economistas se prestam a esse jogo a fim de atender a interesses próprios ou de políticos, enquanto políticos fazem o jogo do poder econômico e ganham com isso apoio financeiro para o exercício de seu poder específico. Diante desse quadro  sujeito a tantas manipulações, eu, na qualidade de economista político, vou tentar esclarecer a política que está sob a operação de um BC independente, e a economia que se pretende assegurar com a proposta de independência do BC.

Primeiro vamos às operações básicas. O banco recebe de você 100 reais em depósito e os empresta  com taxa de juros de 50. O tomador, passado um tempo, paga o principal e os juros, 150. O banco então devolve os seus 100 e embolsa 50. Eis aí o primeiro fenômeno da política monetária: a criação de moeda do nada que se torna lucro e patrimônio do banco. Essa operação não é absolutamente garantida. Pode haver calote. Diante disso, o banco pega parte dos depósitos que você faz nele e coloca como reservas próprias no BC para usar numa emergência. Claro, o BC remunera o banco, como se fosse dinheiro dele, e não seu. Daí o segundo fenômeno da política monetária: o BC cria dinheiro para doar a os bancos particulares na remuneração das reservas.

Vamos agora a um fenômeno paralelo, a emissão monetária. O BC estabelece a taxa de juros básica para remunerar as reservas bancárias: é a chamada Selic. A definição dessa taxa resulta da solução de uma complexa equação que indica, com a força do oráculo de Delfos, a fração exata que põe a inflação na meta estabelecida nominalmente pelo Conselho Monetário - mas, na verdade, pelo próprio BC. Entretanto, a taxa Selic tem que ser “defendida” pelo BC, pois se ela flutuar a inflação, dizem, sai do controle. Pode haver o caso em que os bancos desaguem muito dinheiro nas reservas, pressionando para baixo a taxa Selic; ou, ao contrário, que os bancos pressionem para o alto a taxa tomando dinheiro emprestado das reservas. No primeiro caso, o BC “enxuga” as reservas; no segundo, emite dinheiro para aumentar o volume de reservas disponíveis para os bancos. Eis aí o terceiro milagre da política monetária, a destruição e criação de moeda pelo BC para “defender” uma determinada taxa básica de juros.

Até aqui não tratei de independência ou autonomia do BC. A distinção entre as duas é simplesmente semântica. Admite-se que autonomia operacional é a prerrogativa do BC de atuar dentro de determinados parâmetros “técnicos”, a saber, a institucionalidade exposta acima. Independência, nesse caso, seria a prerrogativa de alterar os próprios parâmetros operacionais. Entretanto, um BC realmente a serviço da economia, e não a serviço exclusivamente dos bancos, opera em direta articulação com o Tesouro: e esta é a questão central que vamos examinar agora. Por isso, não pode ser independente.

Tomarei inicialmente como exemplo o FED, o banco central norte-americano, que opera   sob óbvia influência de Wall Street mas que responde simultaneamente ao Governo. Portanto, não é um BC independente. Como opera? Desde 2008 o Tesouro norte-americano opera em déficit de mais de 1 trilhão de dólares anuais. O Tesouro toma esse dinheiro emprestado anualmente do mercado. Entretanto, se o mercado tentar pedir uma taxa de juros muito alta, pressionando a dívida pública, o Tesouro entra em contato com o FED e o FED reduz a taxa de juros, como fez, para quase zero por cento, facilitando a colocação dos títulos. Se necessário, para respaldar a taxa de juros mais baixa, o FED emite dinheiro barato para disponibilizá-lo aos bancos e estes o repassarem ao mercado produtivo. (É dessa forma, e não rodando uma suposta guitarra, como ficou vulgarizado por Milton Friedman, que se injeta dinheiro na economia americana.)

Agora, vejamos o que acontece na Europa. O Banco Central Europeu é o modelo do banco central independente, pois não há nenhuma conexão entre ele e os tesouros nacionais dos países do euro. Se um país, por exemplo, Portugal, quer captar dinheiro no mercado privado, que é o único que ele tem, está totalmente à mercê da ganância de juros. O BCE não se move para facilitar a vida dos  tesouros nacionais. Ao contrário, exige que os tesouros nacionais vão ao mercado para captar dinheiro exclusivamente com o fim de pagar dívida pública, neutralizando qualquer possibilidade de política fiscal expansiva.Eis um BC efetivamente independente, um poder acima das soberanias nacionais, não obstante taxas de desemprego de depressão em toda a Europa.

Bom, comparemos os dois sistemas. Nos Estados Unidos, a partir de 2010, o Partido Republicano impediu que Obama fizesse um segundo programa de política fiscal de estímulo à economia. Contudo, como dito acima, o déficit fiscal continuou. E o FED entrou pesado com a política de “facilitação monetária” para inundar a economia de liquidez. Não se pode dizer que essas políticas fiscais e monetárias combinadas tiveram êxito pleno, pois a recuperação americana não se firma: cresceu bastante no último trimestre, mas depois de uma forte contração no segundo, e ainda não se sabe o que acontecerá no terceiro. De qualquer forma, é uma performance, sobretudo na área do emprego, infinitamente superior à da Europa.

É que o BCE mergulhou a Europa do euro na situação que Keynes descreveu como “armadilha de liquidez”. Inicialmente, não obstante a brutalidade da crise, ele resistiu em ampliar a liquidez. Depois, diante da evidência da tragédia econômica europeia, ele reduziu para nível negativo (-0,01%) a remuneração das reservas bancárias e colocou à disposição dos bancos para emprestarem ao mercado 400 bilhões de euros a taxas simbólicas. Acontece que não há tomadores para o dinheiro. As corporações investem quando têm mercado e perspectiva de lucro, não porque têm crédito barato. Ninguém produz para prateleiras. Em suma, o problema europeu não é de política monetária, mas fiscal. E o BCE, junto com a Comissão Europeia e o FMI, se tornaram carrascos fiscais da área do euro, pois não se permite aos governos tomar crédito para gastar.

Portanto, a presença de um Banco Central independente, o BCE, é a tragédia da Europa do euro. Sem articulação entre BC e Tesouro não é possível fazer políticas fiscais expansivas, e sem políticas fiscais expansivas não há a mais remota possibilidade de recuperação da economia europeia – exceto por uma explosão de exportações mediante acordos de livre comércio que sufocariam em manufaturas países como o Brasil de Aécio ou de Marina. Creio que a proposta de Marina e de Aécio por um BC independente no Brasil, junto com a proposta de livre comércio com a Europa e os Estados Unidos, é fruto da ingenuidade e do desconhecimento; mas Armínio Fraga e Gianeti, creio eu, sabem o que estão falando.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ, professor de Economia Internacional na UEPB, autor de “O Universo Neoliberal em Desencanto”, com Antonio Doria.

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17 comentários

Comentários

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altamiro souza

origado, assis, por este

origado, assis, por este excelente post...

por intuição cheguei à conclusão de que esssa política de

independencia do banco central acarretaria

ao brasil

os mesmos problemas  economicos e até políticos

que  ocorrem na europa...

agora o seu didático artigo comprova o meu temor intuitivo

e me dá substrato para criticar essa posição da

marina silva e dos seus economistas neonliberais.  

arquivado

além da memória. .

 

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Calvin

Será Alzheimer?

http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/05/dilma-rebate-serra-e-defend...

 

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Luis Rodrigues

Tu és quem sofre de alzheimer

Meu querido amigo, não sabes interpretar um texto??? Nesse link que vc postou, DIlma defende a autonomia do banco central no campo operacional, o que sempre aconteceu (na hora de definir a taxa de juros e inflação). Agora a independência do banco central é um pouquinho diferente, significa um banco que não deve satisfações ao tesouro, significa uma presidência que não é escolhida pelo presidente da republica e outras coisas mais técnicas.......

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STIGLITZ, PRÊMIO NOBEL: BC INDEPENDENTE ENFRAQUECE PAÍSES

Ganhador do prêmio Nobel de Economia, americano Joseph Stiglitz atribuiu bom desempenho do Brasil frente a crise financeira global ao Banco Central ligado ao governo; "Países com bancos centrais menos independentes, como Brasil, China e Índia se saíram muito, mas muito melhor do que países com BCs mais independentes, como na Europa e nos Estados Unidos", disse ele, em palestra na sede da autoridade monetária da Índia; "Um BC independente é desnecessário e impossível", prosseguiu; raciocínio está em linha com posição da presidente Dilma Rousseff e bate de frente com defesa de BC independente feita por Marina Silva e herdeira do banco Itaú, Neca Setúbal; debate do momento

 

12 DE SETEMBRO DE 2014 ÀS 11:18

 

 

247 – O debate econômico do momento nas eleições presidenciais brasileiras ganhou nesta quinta-feira 11 uma opinião de peso. Em palestra na sede do Banco Central da Índia, o economista americano Joseph Stiglitz – agraciado com Prêmio Nobel de Economia, em 2001, e economista-chefe do Banco Mundial, entre 1997 e 2000,  afirmou que a discussão sobre a autonomia dos bancos centrais é superestimada:

- A crise mostrou que um dos princípios centrais defendidos pelos banqueiros do Centro-Oeste (Europa e Estados Unidos) é o desejo de independência do banco central, disse ele, para em seguida se opor à iniciativa:

- Mas na melhor das hipóteses, essa posição é questionável. Na crise, os países com bancos centrais menos independentes como China, Índia e Brasil fizeram muito, mas muito melhor mesmo do que os países com bancos centrais mais independentes, caso da Europa e dos Estados Unidos, completou ele.

No Brasil, a candidata Marina Silva, do PSB, tem defendido com ênfase a necessidade de dar autonomia ao Banco Central. Essa posição também está sendo vocalizada pela coordenadora de seu programa de governo, Neca Setubal, herdeira do banco Itaú, a maior instituição privada do País.

A presidente Dilma Rousseff fez da promessa de Marina um cavalo de batalha. Na propaganda eleitoral na televisão, o PT de Dilma comparou o BC independente à entrega de um poder semelhante ao de presidente do Congresso a alguém sem mandato e com grande risco de ligação com os interesses do mercado financeiro.

Podendo decidir sobre as taxas de juros e câmbio, estabelecer e executar metas de inflação e baixar a mais variada legislação de regulação de mercado, um presidente de BC autônomo em relação ao Poder Executivo pode operar a macroeconomia na direção que julgar mais conveniente.

Stiglitz manifestou uma opinião em linha com a de Dilma.

- As instituições públicas são responsáveis, este não é o problema. A questão é quem vai estar lá e qual política ele vai praticar, frisou Stiglitz.

Modelo de BC independente, o Federal Reserv dos Estados Unidos foi criticado por Stiglitz, que se ateve ao papel desempenhado, antes da eclosão da crise financeira, pelo presidente do Fed de Nova York, William Dudley.

- Dudley executou um modelo de má governança em razão de seu conflito de interesses: ele salvou os mesmos bancos que ele deveria regular - os mesmos bancos que lhe permitiram ganhar a sua posição de mando, sentenciou.

Ao seu feito sem meias palavras e polêmico, o prêmio Nobel passou a mensaquis dizer que um presidente de BC escolhido pelo mercado, como anunciam Marina e Neca, tende a atender os interesses desse mesmo mercado, ainda que estes sejam contrários ao do grande público.

 

http://www.brasil247.com/pt/247/economia/153160/Stiglitz-pr%C3%AAmio-Nobel-BC-independente-enfraquece-pa%C3%ADses.htm

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"Mas se ergues da justiça a clava forte verás que o filho teu não foge a luta..."

Sr. Motta Araújo!

Universidade grátis só tem no novo

Universidade grátis só tem no Brasil !  Belo comentário de alguem inteligente , mas de sensibilidade social zero!  Os pobres que fiquem no seu lugar, como a 500 anos, não é mesmo, sr. Mota ?. Talvez aqueles que exploraram sempre o mundo, como os banqueiros ingleses e os que continuam a explorar pelo mundo afora, mas prin cipalmente a América do Sul e a África, não precisem mesmo. Mas NÓS PRECISAMOS, se queremos ser um país desenvolvido e mudar a eterna má distribuição de renda. Não é a educação que pode salvar o Brasil? Quem não te conhece , que te compre, eu não !

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lenita

MECÂNICA MONETÁRIA(FMI 1947)

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Eu sei o mal que causou ao mundo a reunião em Mont Pelllerin, Swiss , em 1947.

Tudo que veio do safado do Hyeck, do Pilantra do Friedman, que estavam lá, phodeu... O mundo!

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Maoli

Pouco entendo de economia,

Pouco entendo de economia, mas, a meu ver, tirar das mãos do presidente a ingerência do bacen, significa tirar das mãos do povo. Se der certo (que parece não ter como), ótimo; se não der, a quem vamos (o povo) recorrer? vamos reclamar com quem? com o mercado? "hahaha": essa vai ser a resposta!

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Essa é a questão central, que

Essa é a questão central, que é essencialmente política. Os mercadistas, por ideologia, querem fazer crer que é uma questão "técnica", seja lá que diabos querem dizer com isso (eu tenho cá minhas suspeitas).

Parafraseando a frase famosa, a economia é muito importante pra ficar na mão só de economistas (ainda mais desses do tipo que sabem comprar barato e vender caro e nada mais).

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PJ não VOTA!

O Jornalismo acabou e a eleição não tem fim!

Essa é a questão central, que

Essa é a questão central, que é essencialmente política. Os mercadistas, por ideologia, querem fazer crer que é uma questão "técnica", seja lá que diabos querem dizer com isso (eu tenho cá minhas suspeitas).

Parafraseando a frase famosa, a economia é muito importante pra ficar na mão só de economistas (ainda mais desses do tipo que sabem comprar barato e vender caro e nada mais).

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PJ não VOTA!

O Jornalismo acabou e a eleição não tem fim!

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Paulo M. Nogueira

O FED tambem tem como meta o

O FED tambem tem como meta o nivel de emprego.

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Motta Araujo

Não acredito que o conceito

Não acredito que o conceito de Banco Central independente seja valido para pais emergente mas essa independencia mesmo nos paises centrais é relativa, o BC opera em coordenação com o Tesouro em qualquer lugar, especialmente nos EUA, um terço dos T-Bills, titulos do Tesouro americano está nos cofres do Fed, já uma autonomia operacional é defensavel e  existe em larga medida no Brasil, os oito anos do Governo Lula tiveram um BC totalmente autonomo,

depende de época, governo e circunstancia, em 1933 o Presidente Roosevelt teve que demitir o Chairman do Fed, Eugene Meyer para poder implantar o New Deal, não podia mas demitiu, a discussão aqui está sendo sobre tese e não sobre realidade, um VC funcionando como repartição do governo tambem não pode, como acontece na Argentina, a credibilidade da moeda vai a zero.

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Unive

"ingenuidade dos

"ingenuidade dos candidatos"... pegou leve hein?

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maria rodrigues

Gianeti e Neca Setúbal sabem

Gianeti e Neca Setúbal sabem o que estão falando pra Marina.

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adolpho

Esse cara é doutor em

Esse cara é doutor em economia? E confundiu a Selic (remuneração de Títulos de Renda Fixa emtidos pelo Tesouro) com a Tban (Taxa básica do BC)? E disse que o depósito comupulsório, que é um recurso criado justamente para minimizar o efeito multiplicador dos depósitos, é feito para poder remunerar os bancos? Caraca... Depois disso, tudo o mais perde a credibilidade.

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Clever Mendes de Oliveira

Não precisa comentar, mas comentando, leia antes com atenção

 


Adolpho (sexta-feira, 12/09/2014 às 08:37),


Antes de mais nada, que fique claro que manifesto aqui como um leigo que sou em economia. Suas perguntas pareceram argumentos afirmativos de críticas, mas vou respondê-las como se fossem perguntas.


Você pergunta primeiro “Esse cara é doutor em economia?”. Bem no currículo apresentado diz que ele é economista e doutor em Engenharia. Assim, a resposta para a sua primeira pergunta e que pode ser dada por qualquer leigo em economia como a mim é que não. José Carlos Assis é doutor em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ.


A sua segunda questão é se o José Carlos Assis “confundiu a Selic . . . com a Tban . . . ”? Bem, ai creio que eu teria que fazer pesquisa na área econômica embora não fosse necessário conhecimento econômico para o responder. De todo modo, penso que é preferível eu responder como leigo e dizer que não sei se José Carlos Assis fez a confusão, mas ele foi claro em dizer que “O BC estabelece a taxa de juros básica para remunerar as reservas bancárias: é a chamada Selic”. Se esta informação dele estiver equivocada e o correto for chamar a taxa de remuneração das reservas de TBan e se você sabe disso, seria interessante que você deixasse a informação como um comentário para que se acrescentasse ao texto do post ou mesmo que ficasse como um comentário de alerta sobre o equívoco.


E a sua terceira pergunta é se José Carlos Assis “disse que o depósito compulsório, que é um recurso criado justamente para minimizar o efeito multiplicador dos depósitos, é feito para poder remunerar os bancos?” Bem, do texto o que parece que José Carlos Assis disse a respeito foi o que se segue:


O banco recebe de você 100 reais em depósito e os empresta com taxa de juros de 50. O tomador, passado um tempo, paga o principal e os juros, 150. O banco então devolve os seus 100 e embolsa 50. . . . Essa operação não é absolutamente garantida. Pode haver calote. Diante disso, o banco pega parte dos depósitos que você faz nele e coloca como reservas próprias no BC para usar numa emergência. Claro, o BC remunera o banco, como se fosse dinheiro dele, e não seu”.


Pelo que eu entendo de Português, o José Carlos Assis, tratou mais de uma questão de Matemática, aliás de uma questão de aritmética que no máximo poderia ser chamada de matemática financeira e não de economia. Assim, não vejo dificuldade, para eu, leigo em economia, responder a sua pergunta. Então, da leitura do parágrafo é correto dizer que o José Carlos Assis não disse que o depósito compulsório é feito para poder remunerar os bancos. A relação não é de finalidade. O depósito compulsório não é feito para poder remunerar os bancos. A relação é de consequência. O BC remunera o Banco em razão do depósito compulsório.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 12/09/2014

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Vitor Carvalho

Certeiro!

Só na cabeça de pessoas descoladas da realidade, como Miriam Leitão, um BC e uma política fiscal independente da democracia não pode afetar a vida do cidadão comum. Aliás, aqueles que acreditam que o Blairismo pode ser uma opção ao Brasil, duas questões:

1. Qual tipo de estabilidade econômica trouxe as políticas neoliberais do Blair para o Reino Unido? Onde muitas da operações de Euro-Dólar que aprofundaram a crise financeira foram geradas? Porquê o preço da crise fora repassado pela população através de impostos indiretos, tais como triplicação do preço e cursos universitários e cortes de beneficios sociais? Quem ganhou mais com a indepêndencia do BC inglês: o 1% ou a maioria da população?

2. Que tipo de segurança para o Reino Unido trouxe a política neoliberal de Blair? Alguém acha que o Blair é realmente um bom político e contribuiu para a paz do Oriente Médio como 'peace envoy' para a região? 

 

 

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Motta Araujo

Que salada, nada tem a ver

Que salada, nada tem a ver com nada, Banco Central com crise no Oriente Médio. qual é o assunto? Blair já é passado longinquo, a Inglaterra está razoavelmente bem, per capita acima de 40 mil dolares, universidade gratis só tem no Brasil.

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CB

Pois parece que a campanha de

Pois parece que a campanha de Marina já tem seu próprio banco central...

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/153197/Neca-dá-mais-R$-2-milhões-a-aliados-de-Marina.htm

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