Revista GGN

Assine

esquerda

As frentes de esquerda e a sabedoria das geringonças, por Reginaldo Moraes

 
Por Reginaldo Moraes*
 
Em Portugal, duas organizações de esquerda bem ‘duras’, o PCP, de origem estalinista, e o Bloco, de raízes trotskistas, concordaram em apoiar um governo do PSP, centro-esquerda moderada, que já executou políticas de austeridade. Lição para o Brasil?
 

O brasileiro Ruy Braga (ex-PSTU e atual PSOL) e Elísio Estanque (Bloco de esquerda português) assinam importante artigo no jornal Público, de Lisboa: “Uma geringonça para o Brasil?”. Oportuno, merece muita atenção. Leia aqui a versão digital.

A meu ver, o artigo traz uma enorme contribuição ao debate político brasileiro. Digo “a meu ver” até porque já externei esse ponto de vista. E, deliberadamente, para sugerir tal reflexão, me dei ao trabalho de escrever um livrinho sobre a experiência do Bloco de Esquerda e o Podemos. O artigo dos dois vale desde logo por sua conclusão. Só que a conclusão conflita com algumas afirmações que a precedem. E a conclusão deixa de lado uma premissa fundamental – e que, com certeza, incomoda os autores (Ruy, pelo menos). Vejamos.

Leia mais »
Média: 3.4 (5 votos)

A condenação de Lula e o desafio do reboquismo

Análise imediata da política brasileira e do tempo "perfeito" da promulgação da sentença. Neste breve vídeo, o cientista político debate  a relação entre esquerda, centro-esquerda, não fazer coro com a Lawfare e ao mesmo tempo o desafio de não hipotecar bandeiras sociais e o direito coletivo pela viabilidade de uma ou mais candidaturas eleitorais. O vídeo foi primeiramente postado e produzido para o jornal eletrônico baseado em Porto Alegre/RS, Sul21 (sul21.com.br) 

Folha derrapa entre conceitos e feitos, por Luis Felipe Miguel

Folha derrapa entre conceitos e feitos

por Luis Felipe Miguel

A Folha dá outra manchete para os surveys de seu instituto de pesquisa e observa um crescimento da "esquerda" na população brasileira. O resultado é baseado em índice criado a partir das respostas a 16 perguntas. É de esquerda, por exemplo, quem responde que a pobreza "está ligada à falta de oportunidades iguais". A resposta da direita é que a pobreza "está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar". A resposta de que a pobreza é consequência de desequilíbrios estruturais do capitalismo não é uma alternativa.

Questões sobre economia, sobre direitos e sobre valores são misturadas livremente. Foi considerado de direita quem concordou com a afirmação "quanto menos eu depender do governo, melhor será minha vida", interpretada como uma oposição aos programas sociais. Mas quem discordaria dela, sabendo que os benefícios recebidos do Estado podem a qualquer momento ser ameaçados por algum governo golpista? Melhor não depender mesmo.

Em suma, a pesquisa é um planetário dos erros metodológicos e da ingenuidade epistemológica que caracteriza grande parte dos surveys e da construção de índices, algo sobre o qual falei outro dia. Creio que seu valor como perscrutação das posições "ideológicas" (posição no eixo esquerda-direita não é "ideologia", mas essa é outra discussão) dos brasileiros tende a zero.

Leia mais »

Média: 3.9 (8 votos)

“Emprego e salário” e “trabalho renda”: duas consignas complementares da esquerda, por Renato Dagnino

“Emprego e salário” e “trabalho renda”: duas consignas complementares da esquerda

por Renato Dagnino

1. Introdução  

Este texto visa a subsidiar a discussão sobre as políticas públicas de um futuro governo de esquerda. Sua motivação é a necessidade de compatibilizar e gerar sinergias de natureza social, econômica e cognitiva entre as ações atinentes às políticas relacionadas ao curto e longo prazos. Seu foco é a constatação de que nosso potencial de geração de renda e riqueza não poderá ser aproveitado adequadamente pelas empresas, pelo chamado setor formal. É sabido que a função social de políticas orientadas a gerar emprego e salário que têm sido entendidas como imprescindíveis para promover crescimento econômico no curto prazo encontra crescentemente um obstáculo tecnológico ou relacionado à baixa qualificação formal da força de trabalho ou ainda, mais precisamente, cognitivo. Por isso, elas terão que ser coadjuvadas pelas de geração de trabalho renda imprescindíveis para implementar no longo prazo o projeto de desenvolvimento que queremos.

Leia mais »

Média: 2.3 (3 votos)

Esquerda perdeu credibilidade, admite Costas Lapavitsase, do Syriza

Economista grego participou de encontro na Unicamp e destacou também que pensar anticapitalismo não é suficiente para sair da crise 

Resultado de imagem para Costas Lapavitsas
 
 
 
A frase é do economista grego Costas Lapavitsas, eleito deputado pelo Syriza em 2015. Para ele, a crise exige pensar que o anticapitalismo é insuficiente e que a esquerda precisa recuperar a credibilidade
 
Por Ana Luíza Matos de Oliveira e Paula Quental
 
Um dos convidados internacionais do 22º Encontro Nacional de Economia Política (Enep), realizado na Unicamp, em Campinas, entre 30 de maio e 2 de junho, o economista grego Costas Lapavitsas, eleito deputado pelo Syriza em 2015, proferiu uma das palestras mais concorridas do encontro, sobre o tema “Políticas de austeridade e as alternativas na periferia em tempos de crise do capitalismo”. Professor de economia na Escola de Estudos Orientais e Africanos, da Universidade de Londres, a SOAS, e autor de vários livros, ele é conhecido por suas críticas ao sistema financeiro ocidental moderno, o qual se dedica a estudar, e às políticas de austeridade.
 
Lapavitsas defende uma ruptura da Grécia com as políticas da União Europeia e menciona com frequência a existência de uma periferia na zona do euro formada por países que, como o seu, têm pouco a ganhar com o mercado comum. Também é um dos maiores entusiastas de um movimento que unifique as esquerdas dos vários países do bloco, embora admita que este seja um processo lento, de longo prazo.
Leia mais »
Média: 3 (2 votos)

Consolidando falta de pacto da esquerda, eleições no Chile erguem Piñera

De Santiago, Chile
 
Pleito para decidir o novo presidente do país deve fechar a criticada dobradinha do poder nos últimos 16 anos: centro-esquerda (Bachelet) e direita (Piñera)
 

Atual presidente do Chile, Michelle Bachellet, e Sebastián Piñera, seu antecessor e candidato a La Moneda. Foto: Divulgação
 
Jornal GGN - O Chile se prepara para as eleições presidenciais, com a realização das primárias, no próximo 2 de julho, para decidir os candidatos de cada aliança que irão disputar em novembro a sucessão ao governo de Michelle Bachelet. 
 
Até agora, o ex-presidente de direita Sebastián Piñera (2010-2014) lidera as já baixas intenções de votos, com 25% dos votos. Piñera já é dado como vitorioso pela própria centro-esquerda e conta com apoio de seu bloco, ainda que com outros nomes nas prévias da disputa, que será definida em duas semanas.
 
Do bloco Chile Vamos, Piñera traz a maioria das intenções até mesmo frente a postulantes dos outros partidos. Ainda assim, precisará enfrentar os aliados no que é quase considerado o primeiro turno, no domingo 2 de julho, e um dos primeiros sinais mais claros do que está por vir no pleito eleitoral deste ano.
 
Na aliança, o ex-presidente que tenta o segundo mandato disputa as primárias com o deputado e economista Felipe Kast e o senador Manuel José Ossandón. O tom da disputa se viu acirrado nos últimos dias, quando as chances de Kast e de Ossandón tentaram ser esvaziadas com embates de acusações entre os pró Piñera e os dois candidatos.
Média: 5 (1 voto)

Bom-mocismo é a marca de uma esquerda que tem medo do embate político, por Luis Felipe Miguel

Bom-mocismo é a marca de uma esquerda que tem medo do embate político

por Luis Felipe Miguel

em seu Facebook

Eu não queria mais falar do affair Míriam Leitão, mas há algo que está incomodando demais. É a epifania que o episódio gerou em alguns, a visão de que há uma "selvageria" que a esquerda precisa a todo custo extirpar. Com argumentos delirantes e um bom-mocismo de gelar os ossos.

Primeiro, muita gente ignora um fato central: a tal agressão provavelmente nunca existiu. Há as incongruências do relato dela, há o timing estranhíssimo, há os depoimentos, vários, que a contradizem. Daí eu leio gente dizendo que não se pode duvidar da vítima. Isso, me perdoem, é uma demência. Há uma falha lógica. Se não houve agressão, não há vítima, então não há porque deixar de duvidar...

Leia mais »

Média: 4.3 (23 votos)

Eleição direta 'é única forma da democracia ser praticada', defende Requião

Senador, que iniciou movimento no Congresso ainda em 2016, pontua que as Diretas dão o aval popular

Senador Roberto Requião (PMDB-PR). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN - Crítico ao governo do seu colega de partido, Michel Temer, que considera publicamente golpista, o senador Roberto Requião se tornou um dos primeiros parlamentares a defender no Congresso a realização de eleições direitas, ainda em 2016, lembrando, em entrevista que concedeu ao Diarinho, que a ex-presidente Dilma havia firmando um acorde de convocar eleições gerais no Brasil, caso o impeachment não passasse.

"Quem tem medo de eleição direta é quem está ligado aos dominadores econômicos da sociedade. A eleição direta deixa o povo se manifestar. Pode ser uma escolha boa, pode ser uma escolha ruim. Será corrigida por outra eleição. Mas é a única forma da democracia ser praticada", pontuou ao jornal do litoral norte de Santa Catarina. Nesta entrevista, o paranaense também fez críticas aos rumos da Lava Jato, operação que até entende ser necessária, mas que estaria sendo manipulada "pelos Estados Unidos e pela mídia".

Requião chamou a operação de "maravilhosa", por estancar a corrupção no país e até elogiou o juiz que coordena as investigações, Sérgio Moro, mas completou que o problema da Lava Jato é ter sido manejada "por interesses que pretendem acabar com a soberania nacional". Acompanhe a entrevista na íntegra:
Leia mais »

Média: 5 (5 votos)

Jeremy Corbyn: a esquerda cresce quando defende o seu programa, por Lindbergh Farias

Jeremy Corbyn: a esquerda cresce quando defende o seu programa

por Lindbergh Farias

Osvaldo Aranha, político gaúcho e chanceler brasileiro, costumava dizer ironicamente que as ideias no Brasil costumam demorar a passar na alfândega. A esquerda brasileira precisa sintonizar as ondas do que acontece no mundo.

As experiências eleitorais recentes nos Estados Unidos (Bernie Sanders), França (Jean-Luc Mélenchon), e no Reino Unido (Jeremy Corbyn), concentram a seguinte lição: em tempos atuais, a esquerda, quando assume um programa de crítica radical do neoliberalismo e do capitalismo financeiro, polariza, aglutina e cresce; quando, ao contrário, assume um discurso envergonhado e conciliador diante do mercado e das elites, definha organicamente, deixa de polarizar, aglutinar e crescer.

Além disso, ao não polarizar, sucede a tragédia das tragédias: a ausência de uma esquerda de verdade cede espaços ao crescimento da direta neofascista. Não se trata de apenas ganhar eleições, embora isto seja fundamental, mas de a esquerda sair fortalecida e largo horizonte de futuro. 

Leia mais »

Média: 4.4 (13 votos)

Para entender a "nova esquerda", "nova direita" e os movimentos de rua

Jornal GGN - Em entrevista ao Justificando, a professora da Universidade Federal de São Paulo Esther Solano fala das manifestações que ocupam as ruas desde os protestos de 2013 - principalmente em São Paulo - e sobre o perfil dos seguidores ou entusiastas da direita e esquerda e seus novos discursos.

Média: 3.3 (7 votos)

A esquerda nunca soube pra que serve a comunicação, por Israel do Vale

midia_cut_roberto_parizotti.jpg

Foto: Roberto Parizotti

Da Mídia Ninja

A esquerda nunca soube pra que serve a comunicação, que sempre negligenciou

por Israel do Vale

3º ENDC: antídoto contra a miopia da esquerda no campo da comunicação.

Quando muito, faz dela certo uso instrumental, não mais que pontual, como um apêndice de tudo o mais. Com a ilusão, talvez, de que os atos e os fatos falam por si.

Não falam. Porque os atos, no campo da política (não só a partidária) ou dos ativismos em geral, têm outro foco e outro papel; e os fatos, ora ora: quem conta um conto, aumenta (ou subtrai) um ponto –que o diga o contexto atual, na selvageria da mídia corporativista que se vive no Brasil.

Leia mais »
Média: 5 (6 votos)

Afinal, ainda é possível superar o capitalismo?, por Fábio Konder Comparato

Afinal, ainda é possível superar o capitalismo?

por Fábio Konder Comparato

Especial para o Jornal GGN

Vivemos hoje, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, uma situação política mórbida, em que a tradicional distinção entre posições de esquerda e de direita parece ter perdido sentido. Sem ter a pretensão de diagnosticar a moléstia e propor a terapêutica adequada, creio, no entanto, que vale a pena refletir sobre dois fenômenos mundiais sem precedentes, que talvez estejam na origem da anormalidade. O primeiro deles é a superação aparentemente definitiva do Estado nacional, como quadro geral da vida política. O segundo é a progressiva e cada vez ampla utilização da inteligência artificial em todas as formas de atividade.

Reflitamos sobre o primeiro deles.

Até a Paz de Vestefália, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos na Europa em 1648, a soberania ou poder político supremo pertenceu durante milênios, salvo raríssimas exceções históricas, a pessoas ou famílias da mesma linhagem. A partir de então, essa soberania começou a ser exercida no quadro impessoal de Estados, como organismos políticos supremos. É esta última fase, ao que tudo indica, que está em vias de ser superada pelo fenômeno da transnacionalidade.

Leia mais »

Média: 4.1 (20 votos)

Ivana Bentes: Não, seu estúpido, a periferia não é “de direita”

Por Ivana Bentes

Mídia Ninja

O MBL foi o primeiro a comemorar: “Pesquisa do PT mostra que periferia é de direita”; seguido por páginas, sites e comentaristas das mídias conservadoras que usaram a pesquisa da Fundação Perseu Abramo, “Percepções e valores políticos nas periferias de São Paulo”, para explicar a derrota do PT na prefeitura de São Paulo e o impeachement, que seriam a expressão de uma “periferia liberal” que emergiu nos últimos anos e que só o PT ainda não tinha se dado conta dessas mudanças.

Leia mais »

Média: 4.2 (13 votos)

Por que destruir Lula, por Aldo Fornazieri

Por que destruir Lula

por Aldo Fornazieri

Atendendo pedido de alguns leitores, procurarei aqui esclarecer melhor o sentido de artigo anterior - "A perseguição a Lula e a destruição do sentido ético" (GGN 16/01/17). A questão principal posta consiste em entender as razões mais profundas da sanha persecutória e declarada de destruir não só a figura política, mas a figura simbólica de Lula. É verdade que o golpe tem uma estratégia de dois momentos, sendo que o primeiro consistiu no afastamento de Dilma e, o segundo, na tentativa de inviabilizar a candidatura Lula em 2018. As elites brasileiras querem o controle absoluto do Estado e do orçamento para atender os seus interesses.

Mas a destruição da figura política e simbólica de Lula vai para além desse objetivo. Em primeiro lugar, essa fúria destruidora se relaciona com um elemento da história. Em que pese existir, hoje, um conceito pluralista de história, a história dos povos, em sua tradição, se referia aos grandes acontecimentos, de caráter coletivo, capazes de conferir um caminho e um sentido de futuro àquela comunidade específica. Esses acontecimentos podem se configurar tanto em epopéias quanto em tragédias. Os grandes acontecimentos históricos se tornam subjetividade e adquirem uma dimensão abstrata e espiritual e se tornam um poder simbólico, além de uma lição a ser sempre indagada, apreendida e refeita. São uma fonte inesgotável de poder pelo fato de que os seres humanos do presente e do futuro sempre podem recorrer a eles para mobilizar energias criadoras produzindo algo novo e imprevisto.

Leia mais »

Média: 4.6 (35 votos)

O progressismo latino-americano e a nova conjuntura mundial, por Lucas dos Santos Ferreira

tinoamerica54847.jpg

por Lucas Dos Santos Ferreira

O PROGRESSISMO LATINO-AMERICANO E NOVA CONJUNTURA MUNDIAL

I

 A ofensiva conservadora comandada por Ronald Reagan e Margareth Thatcher nos anos 1980 potencializou o desgaste do ideário desenvolvimentista que se espraiou pela América Latina sobretudo a partir da década de 1930 (Cardenas, Vargas, Perón, etc.). A imposição de crises das dívidas públicas, juntamente com a debacle do socialismo soviético, garantiu aos setores conservadores latino-americanos as condições necessárias para a implantação do neoliberalismo de forma mais radical que no centro dinâmico capitalista. Leia mais »

Média: 5 (1 voto)