10 de outubro de 2026

Sou alvo porque nunca me submeti a chantagens, afirma Dilma ao Senado

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Jornal GGN – Em depoimento encaminhado à Comissão Especial do Impeachment no Senado e lido por José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, a presidente afastada Dilma Rousseff voltou a afirmar que o impeachment é uma “farsa jurídica e política”, dizendo também que é alvo do processo por ter “rechaçado o assédio de chantagistas”.

“Basta que se analise este processo para que se saiba que não cometi as irregularidades que são atribuídas a mim”, disse Dilma, ressaltando que não aceitou fazer concessões e conciliações “escusas”. 

Ela também reafirmou sua inocência  e voltou a denunciar o processo de impeachment como um instrumento do golpe, dizendo que o “Brasil não merece viver uma nova ruptura democrática”.

Do Vermelho

 
A presidenta Dilma Rousseff encaminhou à Comissão Especial do Impeachment um depoimento que foi lido pelo seu advogado de defesa e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na sessão desta quarta-feira (6). Dilma decidiu não comparecer pessoalmente à sessão.
 
No documento lido por Cardozo, a presidenta Dilma reafirmou que o processo de impeachment é uma “farsa jurídica e política” e disse que o processo só foi aberto por “ter repelido a chantagem”. 

“Este processo de impeachment somente existe por eu ter rechaçado o assédio de chantagistas”, disse ela. “Basta que se analise este processo para que se saiba que não cometi as irregularidades que são atribuídas a mim. As provas são evidentes e demonstram cabalmente que agi de boa-fé, pelo bem do país e do nosso povo – e sempre dentro da lei”, enfatizou.

E acrescenta: “Sou alvo dessa farsa porque, como presidenta, nunca me submeti a chantagens. Não aceitei fazer concessões e conciliações escusas, de bastidores, tão conhecidas da política tradicional do nosso país. Nunca aceitei a submissão, a subordinação e a traição dos meu eleitores como preço a pagar pelos acordos que fiz”.

A presidenta Dilma sublinhou que sua trajetória política é marcada pelo compromisso com o país e no combate às injustiças e à corrupção. “Saibam todos vocês que estão julgando uma mulher honesta. Uma servidora pública dedicada e uma lutadora de causas justas… Tenho orgulho de ter sido a primeira mulher eleita presidente do país. Nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi. Em nome desses votos, em nome de todo o povo do país, vou lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para exercer meu mandato até o fim”, frisou.

Dilma voltou a denunciar que o processo é um instrumento do golpe e que o “Brasil não merece viver uma nova ruptura democrática”.

“Devemos mostrar ao mundo e a nós mesmos que conseguimos construir instituições sólidas, capazes de resistir a intempéries econômicas e políticas. Devemos mostrar que sabemos honrar a nossa Constituição, a Democracia e o Estado de Direito, zelando pelo respeito ao voto popular. Devemos mostrar, finalmente, que sabemos dizer não a todos os que, de forma elitista e oportunista, agindo com absoluta falta de escrúpulos, valem-se da traição, da mentira, do embuste e do golpismo, para hipocritamente chegar ao poder e governar em absoluto descompasso com os desejos da maioria da população”, enfatizou.

Dilma voltou a denunciar o desvio de poder como principal fator para que o então presidente da Câmara, atualmente afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tivesse aceitado o pedido de impeachment.

Ela ainda apontou as “várias forças políticas” que viram sua postura de não “intervir” nas investigações da Operação Lava Jato como uma ameaça e decidiram apoiar o seu afastamento da Presidência da República. Dilma citou as conversas do senador Romero Jucá (PMDB-RR) reveladas pelas gravações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, delator da Lava Jato.

“Como disse um dos líderes mais importantes do governo interino, o senador Romero Jucá, era preciso me destituir para que fosse possível um acordo que esvaziasse as operações policiais contra a corrupção e fosse estancada a ‘sangria’ resultante dessas investigações”, afirmou ela no documento.

Sobre os decretos de crédito suplementar, um dos pontos apresentados como crime de responsabilidade, Dilma afirmou que foram legais.

“Não tenho a menor dúvida de que os decretos [de crédito suplementar] foram baixados com a devida autorização legal e sem qualquer ofensa às nobres atribuições constitucionais do Poder Legislativo”, argumentou.

A presidenta finalizou afirmando que “a consumação do meu impeachment será uma grande injustiça” e disse aos senadores que “os que forem verdadeiramente isentos e justos jamais vincularão suas biografias a esta farsa”.

Ao concluir, Dilma reforçou a necessidade do compromisso com a democracia e com o país. “Quem quer que tenha compromisso com a democracia tem o dever de tomar posição. O que está em questão, neste momento, não é o apoio ou a oposição ao meu governo, mas a unidade de todos em defesa do Estado Democrático de Direito. O que está em questão, neste momento, é a preservação dos direitos individuais e coletivos do povo brasileiro.”

Golpistas tentam impedir leitura

Antes da leitura, parlamentares que defendem o golpe tentaram impedir a leitura. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que a presidenta foi aconselhada pelo parlamentares e pela sua defesa a não comparecer à sessão, pois, segundo ele, seria inútil já que no colegiado não estão discutindo critérios jurídicos do processo, apenas políticos. “Isso aqui é um jogo de cartas marcadas. Pra que trazer a presidenta aqui?”, disse o senador.

Como era esperado, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), tentou impedir a leitura do documento. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) rebateu o tucano afirmando que, apesar de contrariado, Cunha Lima e os demais golpistas teriam que ouvir a leitura do documento porque faz parte do “amplo direito de defesa da presidenta”.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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3 Comentários
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  1. Alexandre Weber - Santos -SP

    11 de julho de 2016 3:06 pm

    Ser ou não Ser presidenta Dilma, eis a questão.

    Dona Dilma presidia ou não?

    Seu governo era eficiênte ou não?

    Nomear o Levy com seus interesses contrários aos do povo e da Nação foi ou não capitulação?

    Dona Dilma, por favor, esclareça estas singelas questões.

    Fora isto, na minha humilde opinião, deixar o Brasil na tormenta sem levá-lo a um embate e não lhe oferecer um Rumo, um Norte e uma Estrela são mais do que motivos para apeá-la da presidência.

     

  2. Ralph Panzutti

    11 de julho de 2016 5:38 pm

    . A ida de Levy foi uma
    . A ida de Levy foi uma capitulação sim, mas eles boicotaram, já estava lá, a gestão do golpé. Se ganhar não toma posse , se tomar posse, não governa. Vide as proposições que estão fazendo agora. Tudo que criticaram na política econômica no início de seu governo. A casa grande não aceita democracia. Veja como apelaram para a voz do povo para o impedimento . E agora o senhor Temer como seus comparsas não podem nem sair às ruasuas
    . Mas agora o voz do povo não interessa.

  3. nilo filho

    11 de julho de 2016 7:30 pm

    De traídora à traída
    Sempre

    De traídora à traída

    Sempre sustentada pelas bases progressistas – enfrentada, vencida ou superada as dificuldades (das eleições às crises) – Dilma afastava-se dos seus… 

    De dupla personalidade política, nunca me iludi pessoalmente com ela.

    Se a defendi arduamente – enfrentando familiares, amigos e conhecidos – sempre o fiz pela defesa de um ideal de maior justiça social, liberdade, igualdade, bem-estar e desenvolvimento social. Hoje o faço, ainda, também pela defesa do Estado de Direito, da legalidade e da CF.

    Infelizmente, é ela a grande responsável pelo retocesso de um sonho (de um Brasil melhor e mais justo) que, passo à passo, vinha sendo firmando. É lamentável…

    Terá ela ciência e remorso do mal desmesurado que provocou??? A história – como exemplo vivido – não poderá olvidar essas circunstâncias…

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