9 de junho de 2026

Novo projeto de anistia do PL abre caminho para a impunidade e devolve a elegibilidade a Bolsonaro

Proposta de Sóstenes Cavalcante amplia perdão a crimes contra instituições e atos de desinformação, ameaçando inclusive a Justiça eleitoral
Foto: Lula Marques

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), articula uma proposta explosiva: conceder anistia ampla a investigados, processados ou condenados por atos golpistas desde 14 de março de 2019 — data que marca a abertura do Inquérito das Fake News no Supremo Tribunal Federal (STF) e o início do governo Bolsonaro. Na prática, o projeto busca apagar não apenas processos criminais, mas também todas as punições eleitorais e judiciais que hoje mantêm o ex-presidente inelegível e sob risco de décadas de prisão.

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A proposta prevê efeitos diretos sobre a situação do ex-presidente, hoje inelegível e em prisão domiciliar. Em outras palavras: se aprovada, Bolsonaro estaria livre para disputar a eleição presidencial de 2026.

O escopo do perdão

O projeto não fala apenas de crimes menores. Ele concede perdão para:

  • Declarações e publicações em redes sociais, na imprensa, em órgãos públicos ou em protestos, que possam ser enquadradas como ataques às instituições, ao processo eleitoral ou como disseminação de desinformação;
  • crimes contra o Estado Democrático de Direito, tipificados no Título XII do Código Penal;
  • ações de apoio e logística, incluindo financiamento, incitação, apologia de crime, além da depredação de patrimônio público;
  • investigações do STF, especialmente as abertas com base no artigo 43 do Regimento Interno (caso das Fake News), e relatórios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre desinformação;
  • atos golpistas explícitos, como os acampamentos em frente a quartéis e os ataques de 8 de janeiro de 2023, estendendo o perdão até mesmo aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes.

Ou seja, não é apenas uma anistia política: é um “liberou geral” jurídico para aqueles que atacaram às instituições.

Câmara X Senado

A proposta elevou imediatamente a temperatura política. Na Câmara, parlamentares enxergam o texto como uma tentativa de rebaixar a gravidade dos atos golpistas, tratando como simples “manifestação de rua” aquilo que o Supremo Tribunal Federal classificou como tentativa de golpe de Estado.

Sóstenes, por sua vez, tentou suavizar o impacto da articulação: Eu tenho esse texto como uma possível sugestão inicial ao futuro relator.

No Senado, a reação foi mais dura. Embora alguns senadores admitam debater ajustes nas penas, há rejeição clara à ideia de uma anistia ampla e irrestrita. A negociação conduzida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tem se limitado a discutir mudanças na dosimetria das condenações.

Mesmo assim, enfrenta forte resistência: lideranças do MDB já afirmaram que não aceitam qualquer forma de perdão ou redução para os crimes do 8 de Janeiro.

Articulação política

Sóstenes não espera o debate arrefecer. Ele já protocolou um requerimento de urgência para acelerar a tramitação do projeto de lei, que conta com cerca de 262 assinaturas de deputados. Se aprovado, o texto pode ir direto ao plenário, sem passar por comissões.

O líder do PL chegou a dizer: “Enquanto a anistia não for pautada, nós continuaremos fazendo todo o nosso empenho e não arredar o pé um milímetro sequer até que a gente faça Justiça por essas pessoas.

Ele afirma ter o apoio de partidos como PP, PSD e União Brasil, e estima que tem pelo menos 260 votos – três a mais do que o mínimo necessário para iniciar a tramitação da urgência.

Por sua vez, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceu que a anistia é “o tema que mais divide a Casa hoje” e promete conduzir o debate com “a maior imparcialidade possível”.

A oposição prepara a reação. E juristas alertam: uma lei como essa pode abrir precedente perigoso para o Brasil.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
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  1. Marcus

    5 de setembro de 2025 1:09 pm

    Parece que podemos começar listando como traidores, os parlamentares que assinarem qualquer proposta de anistia. Todos devem ser considerados inelegíveis por não confiar no sistema eleitoral e na credibilidade do processo. Vão disputar eleições na terra do Trump.

  2. Manoel Batista Correia

    5 de setembro de 2025 2:12 pm

    Este Sóstenes é um aloprado inconsequente. Fico estarrecido um ser desse ter eleitores.
    Esta lei não pode passar de jeito nenhum!!! Seria um golpe fatal em nossa democracia.

  3. paulo c nascimento

    5 de setembro de 2025 6:01 pm

    Farol GGN a foto não condiz com o texto. O conteúdo remete a imagem de uma liderança fraca! Foto do presidente coçando a barriga e tomando leite condensado de chinelo largado no chão com seu smartphone no face.

  4. EDSON MACHADO MONTEIRO

    6 de setembro de 2025 1:26 am

    Esses inimigos da democracia não se cansam dessa saga! Deveriam olhar para dentro de si e fazer a leitura de seu estado mental! Só os que estão podres não querem ver o fedor que exalam!

  5. AMBAR

    6 de setembro de 2025 1:58 pm

    Gosto da cara do Sóstenes, ela é bem compatível com a personalidade dele. Suponho que ele seja americanófilo pois tanto suas feições quanto seus atos têm grande similaridade com o Pateta, grande personalidade do mundo Disney. Neopentecostal, atropelador de velhinhas, crente nos preceitos bíblicos, é da opinião de que se deve perdoar 70 vezes 7, desde que o perdoado seja ele ou os seus amiguinhos.
    Nessas horas melhor seria aplicar-lhe o Corão – um coro bem dado de 70 vezes 7 chibatadas em via pública – pra ver se esse distraído acorda.

    Caso de atropelamento
    Em junho de 2022, na cidade de Cristalina (GO), Irma Diniz da Cruz, de 81 anos, moradora de Paracatu (MG) que viajava a Brasília (DF) numa caminhonete, foi atingida violentamente por um veículo alugado dirigido por Sóstenes. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegou a atender a ocorrência na ocasião, mas a imprensa local não noticiou o episódio e o Ministério Público Federal (MPF) não foi acionado para investigar o caso.[29] A ocorrência foi engavetada, sem a apuração de responsabilidade pelo acidente, e Irma morreu no dia 30 de junho no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, vítima de politraumatismo e traumatismo craniano grave.[29]

    Em sua defesa, Sóstenes confirmou que o acidente ocorreu e afirmou ter dado apoio à família de Irma, afirmando também que não se lembrava da velocidade que conduzia o veículo na ocasião, não dando mais detalhes sobre o caso .[30]
    ESSE É O EXEMPLO DE LISURA DO IRMÃO SÓSTENES: ”

    https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3stenes_Cavalcante

  6. Jose Rinaldo

    6 de setembro de 2025 3:37 pm

    CONCLUSÃO: NÃO ELEJAM NINGÉM CO PL – SÃO GOLPISTAS!

  7. Rui Ribeiro

    7 de setembro de 2025 7:33 am

    Caso seja garantida a impunidade da turba golpista desordeira, o Brasil vai passar ao mundo a imagem de uma terea sem lei, sem segurança jurídica, o que afastará investidores e turistas. A tendência será a piora da economia. Mas para alguns, quanto pior para a população, melhor para eles

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