A URGENTE SALVAÇÃO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA
O Brasil está diante da Iminente Possibilidade de Destruição do seu Futuro
por Mario Ramos – MAAR.
Quando querem transformar dignidade em doença,
Quando querem transformar inteligência em traição,
Quando querem transformar estupidez em recompensa,
Quando querem transformar esperança em … [provação],
É o bem contra o mal. E você, de que lado está?
Renato Russo / Legião Urbana.
(com licença estratégica)
É possível evitar a tragédia que se aproxima. Para tanto, é preciso, antes de tudo, que a maior parte das pessoas, lideranças, autoridades e celebridades, e também grande parte das empresas, organizações, instituições e entidades, tenham a capacidade, a coerência, a coragem e a dignidade necessárias para reconhecer os riscos evidentes que resultam das malignas intenções da candidatura bolsonarista à presidência da república.
Neste sentido, o trauma decorrente do decepcionante resultado desfavorável no primeiro turno do pleito de 2026 pode ter sido uma dádiva da providência divina para a reeleição do Presidente Lula, pois serviu para despertar a militância progressista e a população em geral acerca da necessidade de mudança do direcionamento da campanha eleitoral.
Diante da grave conjuntura delineada, a abordagem recomendável para a conquista dos votos decisivos, com vistas à imprescindível defesa da democracia, deve ter por base a nítida evidência de que a candidatura bolsonarista representa uma assombrosa ameaça de retrocesso político, com perspectiva de danos irreparáveis aos direitos democráticos, aos direitos sociais e aos direitos humanos, tendo em vista o histórico da intolerância, violência e deliquência que caracterizam a extrema direita no Brasil e no mundo inteiro.
Desse modo, a questão mais relevante a ser debatida nas iniciativas relacionadas com a conscientização coletiva acerca da importância vital de ser viabilizada a reeleição de Lula na votação do próximo domingo, 25/10, pode ser resumida na seguinte pergunta básica: qual será o futuro da democracia, da paz social e das futuras gerações?
A resposta a tal indagação, em face da perspectiva sombria acima referida, conduz à conclusão de que é urgentíssima a união de todos os segmentos da sociedade brasileira contrários à vil degradação do tecido social pretendida pelos asseclas do imperialismo predatório, a fim de impedir que a dissociação cognitiva e a usurpação das riquezas do país venham a acarretar vergonhosa efetivação de uma tragédia anunciada.
AMEAÇAS CONTRA OS DIREITOS DEMOCRÁTICOS
Um primeiro aspecto a destacar na avaliação das ameaças contra os direitos políticos e a liberdade democrática evidenciadas na atuação deletéria dos grupos de extrema direita é a apologia da ditadura, expressa de forma despudorada pelo anterior mandatário federal, visto que tal apologia foi propulsora de iniciativas concretas materializadas em diversas tentativas de deflagração de golpes de estado, que atingiram um clímax nos atentados de 08/01/2023, com a depredação das sedes dos poderes executivo, legislativo e judiciário.
Outro aspecto a ser destacado acerca das ameaças contra a democracia é a utilização de calúnias, farsas e fraudes, bem como de desinformação desenfreada e manipulação de discursos de ódio, que caracterizam as práticas desleais da extrema direita.
Nessa toada, a violência política promovida e enaltecida pelas hordas bolsonaristas tem um papel central nas táticas utilizadas pela extrema direita com vistas à dominação total, voltada para o cerceamento e a aniquilação dos direitos democráticos.
E as práticas criminosas da violência política disseminada pelo bolsonarismo no Brasil têm um histórico aterrador, que pode ser exemplificado com a rememoração de trágicos eventos recentes, tais como o assassinato de Mestre Moa (Romualdo Rosário da Costa), educador, militante das causas sociais e professor de capoeira; o assassinato de Marcelo Arruda, militante político do PT, morto a tiros durante a celebração de seu aniversário; o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e de seu assessor Anderson Gomes, o assassinato do jornalista Dom Phillips e do ambientalista Bruno Pereira, bem como os múltiplos assassinatos em escolas, dado o forte aumento do número de casos no período a partir de 2018, e comprovadas evidências de relação com redes extremistas.
No mesmo sentido, as ameaças de expurgo de ministros de tribunais superiores e de perseguição a militantes de esquerda e a funcionários públicos progressistas, brandidas por irmão foragido do atual candidato bolsonarista à presidência da república, compõem o quadro assombroso da escalada de graves ameaças aos direitos democráticos.
O referido quadro é agravado pelas pretensões da extrema direita bolsonarista no que se refere aos alardeados planos de aparelhamento do poder público em todas as esferas, e ao previsível, inaceitável e deletério favorecimento da impunidade e do fortalecimento dos fascistóides envolvidos com fraudes financeiras, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e evasão fiscal. E tudo isso se torna mais ameaçador em face da pretensão de conceder indulto aos condenados pelos crimes contra a democracia, alardeada pelo atual candidato bolsonarista à presidência da república e por acólitos próximos a ele.
Para completar, é importante lembrar que durante o próximo mandato presidencial deve haver a nomeação de 5 (cinco) novos ministros para o STF, de modo que evitar o risco da extrema direita bolsonarista voltar à presidência da república constitui indispensável condição para impedir a impiedosa destruição da democracia brasileira.
AMEAÇAS CONTRA OS DIREITOS SOCIAIS
Os planos nefastos da extrema direita bolsonarista tentam dissimular as graves ameaças aos direitos sociais camufladas no programa de governo divulgado durante a campanha eleitoral, que incluem a mal dissimulada intenção de interromper a política de reajustes do salário mínimo acima da inflação, praticada pelo governo Lula desde o seu início.
E, neste ponto, é necessário recordar que o desgoverno bolsonarista praticou um arrocho salarial cruel durante todo o período em que esteve encastelado na presidência.
Além disso, uma das intenções malévolas do atual candidato bolsonarista à presidência é descolar os reajustes das aposentadorias da variação do salário mínimo, o que significa uma perspectiva de crescente perda de poder de compra de aposentados e pensionistas, coisa que traz à lembrança as terríveis conseqüências da imensa redução do valor real das aposentadorias praticada pela ditadura do Chile, que, após uma década de política econômica anti-social, gerou uma escalada de suicídios conjuntos de casais de idosos.
Outra das intenções perversas da candidatura bolsonarista à presidência da república é o corte de verbas e a extinção de programas sociais, tais como Bolsa Família e Farmácia Popular, entre outros. E não resta dúvida de que o ‘tesouraço’ pretendido pelos asseclas do bolsonarismo austericida seria voltado especialmente para a redução das verbas de educação e saúde, bem como para o favorecimento de interesses privados nestas e em outras áreas dos serviços públicos, em detrimento da qualidade de vida da população.
Nesta medida, é relevante destacar que a diminuição do investimento público em áreas com forte efeito sobre a demanda agregada, em conjunto com a redução ou extinção de programas de amparo social e com a queda acentuada do poder aquisitivo das camadas mais vulneráveis da sociedade, geraria recessão econômica de proporções desastrosas, e criaria um círculo vicioso, acelerado pela perda de arrecadação tributária.
O triste exemplo, enaltecido por “experts” do bolsonarismo e do rentismo irresponsável, é a tragicomédia encenada pelo atual desgoverno da Argentina, que tem produzido uma brutal degradação da economia daquele país, com lamentável avanço exponencial da extrema pobreza e da insegurança alimentar, bem como com o fechamento de dezenas de milhares de empresas, eliminadas pela política econômica calcada no austericídio.
Ademais, é preciso lembrar que as ameaças a direitos sociais devem ser avaliadas tendo em vista a impostura retrógrada exibida pela extrema direita brasileira no que se refere à precarização das condições de trabalho, ao desvirtuamento da legislação trabalhista, e às reformas draconianas da legislação previdenciária. E é importante considerar o histórico pavoroso da criminosa condução do enfrentamento da pandemia na gestão bolsonarista, bem como o desmonte das normas e estruturas de defesa do meio ambiente, com cruéis reflexos no agravamento da crise climática e nos problemas de saúde daí resultantes.
AMEAÇAS CONTRA OS DIREITOS HUMANOS
A gravidade das ameaças contra os direitos humanos relacionadas com a mentalidade fascistóide da extrema direita pode ser medida com base no uso e abuso permanente da violência política como instrumento de dominação; no acobertamento e favorecimento da brutalidade policial; na abjeta e mal dissimulada conivência com a impunidade nos casos de crimes praticados por policiais e crimes de ódio, como feminicídio, e também nos crimes de racismo, de misoginia, de homofobia, e de intolerância religiosa.
As ameaças contra os direitos humanos são configuradas também no impulsionamento e disseminação de discursos de ódio, bem como na propagação de conflitos e confrontos através de redes sociais e plataformas de extrema direita, e na torpe conivência em face de abusos diversos e da indução de auto flagelação e suicídio de jovens e adolescentes.
Nessa mesma linha tortuosa, existem indícios de vinculação da extrema direita brasileira com a formação e o crescimento de grupos neofascistas e neonazis em sites da dark web, com risco de desdobramentos potencialmente danosos para a unidade nacional.
É preciso observar também a relação direita da extrema direita com o fortalecimento e a expansão das milícias, que subjugam, espoliam e oprimem as populações vulneráveis em áreas urbanas, não apenas na periferia de grandes metrópoles, mas também, cada vez mais, em inúmeras cidades de pequeno e médio porte, em todos os cantos do país. E é preciso mencionar que o próprio candidato bolsonarista à presidência tem uma lista considerável de pronunciamentos em favor das quadrilhas de milicianos, além de ter ou ter mantido estreitas relações políticas e nebulosas atividades financeiras com diversos criminosos, condenados e/ou investigados por crimes de milícias e atividades ilícitas, inclusive relacionadas com suspeitas de envolvimento em esquemas de rachadinhas e de lavagem de dinheiro, através de d iversas operações de compra de imóveis em espécie.
De igual maneira, é dever recordar o abominável apoio da extrema direita à formação de milícias rurais, que aterrorizam populações carentes em assentamentos e acampamentos de grupos sem terra, bem como em comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, com a hedionda prática recorrente de intimidação, agressões físicas e verbais, tortura e assassinatos, tanto de lideranças quanto de pessoas comuns, que defendem direitos.
O espantoso rol de ameaças aos direitos humanos relacionadas com as inconfessáveis intenções das hordas bolsonaristas está associado também à subserviência desses grupos aos usurpadores interesses do imperialismo predatório, e isso configura um ambiente propício para a proliferação de condutas criminosas, que incluem a apologia da traição à pátria e da violência política, conforme evidenciado nas alardeadas pretensões relativas à perseguição de adversários políticos, expelidas por cúmplices da distopia fascistóide.
ESTRATÉGIAS PARA EVITAR A AMEAÇA BOLSONARISTA
Nos poucos dias que restam até o segundo turno das eleições deste domingo, 25/10, há muito a ser feito para assegurar a vitória das forças democráticas reunidas para barrar as perspectivas traiçoeiras do abismo bolsonarista, que ameaçam a nação brasileira.
Uma premissa norteadora prioritária é que a interação política saudável deve ser sempre pautada pela civilidade, respeito mútuo, equilíbrio emocional e diálogo construtivo.
É importante adotar uma abordagem positiva, sem utilizar expressões derrotistas, e com uso de tempo verbal no futuro do pretérito quando houver referência às conseqüências nefastas do improvável retorno da extrema direita à presidência. É importante também não limitar a argumentação à referência aos riscos implícitos e explícitos das intenções malévolas camufladas na candidatura bolsonarista à presidência da república, tendo em vista a relevância crucial da abordagem dos reais aspectos positivos relacionados com a imprescindível reeleição do Presidente Lula, relativos à manutenção, consolidação e ampliação dos direitos sociais, à promoção do desenvolvimento sustentável, distribuição de renda, redu&ccedi l;ão das desigualdades, e aumento dos investimentos públicos nas áreas de saúde, educação e cultura aliado à inovação tecnológica e ao equilíbrio sócio-ambiental.
Importa de maneira primordial orientar a militância e a população como um todo para repelir com serenidade e inteligência eventuais provocações e atitudes agressivas que venham a ser utilizadas pelos asseclas da extrema direita bolsonarista.
Além disso, é preciso utilizar linguagem popular, arte e cultura, tanto na comunicação presencial quanto nos meios digitais, bem como conservar a esperança, o entusiasmo, a alegria e a lucidez, que compõem o ambiente adequado para a defesa da democracia.
Brasil, 20 de outubro de 2026.
Mario Ramos – MAAR.
Economista.
REFERÊNCIAS
01. O Brasil está gritando Bolsonaros nunca mais. Gustavo Tapioca. https://jornalggn.com.br/
02. Flávio Bolsonaro mente sobre os Fundos de Pensão. Guilherme Lacerda e Ricardo Berzoini. https://jornalggn.com.br/
03. O inquérito das rachadinhas. Luís Nassif. https://jornalggn.com.br/
04. Quem é Flávio Bolsonaro. Patricia Faermann. https://jornalggn.com.br/
05. Fim da identificação de munições proposto por Flávio Bolsonaro é de alto risco para a segurança pública. José Reinaldo. https://www.brasil247.com/
06. Por que Flávio Bolsonaro não respondeu sobre Milei no debate da Band. Marcia Carmo. https://www.brasil247.com/
07. O lawfare e o gesto nazista em Santa Catarina. Laura Coutinho. https://jornalggn. com.br/artigos/o-lawfare-e-o-
08. Flávio Bolsonaro apaga ataques ao Bolsa Família das redes sociais. José Reinaldo. https://www.brasil247.com/
09. Flávio Bolsonaro tenta enganar eleitores e Faria Lima ao mesmo tempo. Míriam Leitão. https://www.brasil247.com/
10. Deboche mentira e vazio O espetáculo degradante de Flávio Bolsonaro no debate. Elisabeth Lopes. https://wwbrasil247.com/blog/deboche-
11. A receita de Steve Bannon e o debate na Band. Luís Nassif. https://jornalggn.com.br/
12. O extraordinário legado de Lula. Luís Nassif. https://jornalggn.com.br/
13. A conta do ajuste fiscal e o nosso papel na eleição. Paulo Nogueira Batista Jr. https://jornalggn.com.br/
14. Cofecon divulga manifesto em defesa da democracia às vésperas do segundo turno. Camila Bezerra. https://jornalggn.com.br/
15. Ira Multidão clama por Lula presidente do Brasil. Karolyna Santos. https://jornalggn.com.br/
16. Nuvens estrangeiras Soberania em risco. Augusto Rocha. https://jornalggn.com.br/
17. Lula e Flávio Bolsonaro: dois projetos para as universidades e a ciência. Benedito César. https://jornalggn.com.br/
18. Patriotas pedem que Trump ataque o Brasil em ato de Flávio Bolsonaro. Camila Bezerra. https://jornalggn.com.br/
19. Democracia versus Dominação. Mario Ramos. https://jornalggn.com.br/
20. Guerra Híbrida Instrumentaliza Crise Institucional para Manipular Eleições no Brasil. Mario Ramos. https://jornalggn.com.br/
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN “
Deixe um comentário