Como a Espanha, que se aproxima do pico de COVID-19, está se preparando

Espanha é hoje o quarto país com maior número de casos confirmados de coronavírus e o segundo em situação dramática na Europa

Hospital de campanha em construção em Madri. Foto: Divulgação/EFE

Jornal GGN – A Espanha é hoje o quarto país com maior número de casos de coronavírus confirmados e o segundo em situação dramática na Europa, atrás apenas da Itália, com mais de 2,2 mil mortes e 33 mil casos confirmados.

Com o pico de COVID-14 previsto para ocorrer nas próximas semanas, o que o País já anunciou para segurar o impacto sobre na saúde e economia?

  • Definindo prioridades: Nesta segunda (23), o ministro da Saúde Salvador Illa definiu as cinco regiões que mais precisam aumentar o número de leitos para lidar com o pico de infecções por coronavírus, esperado para os próximos dias. Madri, Catalunha, País Basco, Navarra e La Rioja são os locais onde, na visão do governo, há “maior probabilidade de colapso”, uma vez que são os lugares onde a COVID-19 é mais difundida.

Somente a Catalunha precisará de 1,8 mil leitos, o triplo dos atuais 660 distribuídos entre hospitais públicos e privados.

A UTI das localidades fora da lista de prioridade serão turbinadas nos primeiros dias de abril.

  • Respiradores: Na Catalunha, as autoridades sanitárias esperam aumentar o número de respiradores feitos com impressoras 3D. “Este dispositivo tem a virtude de ser escalável industrialmente, de modo que uma capacidade de produção entre 50 e 100 unidades por dia possa ser alcançada na próxima semana”, informou o jornal La Vanguardia.

“Trata-se de um respirador de campo, chamado Leitat 1, cujo design e componentes foram simplificados ao máximo para desenvolver um dispositivo médico robusto, útil e menos complexo, facilitando sua produção e montagem”, acrescentou.

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Também estão reutilizando respiradores antigos e contando com doações privadas.

  • Testes rápidos e insumos: As regiões mais afetadas também serão as primeiras a receber os testes rápidos comprados nas últimas semanas. Madri já recebeu 8 mil, por ser a comunidade com maior foco de infecções. Até terça (24) deve receber outros 50 mil. O governo afirma ter adquirido mais de 1,6 milhão de kits, sendo que 600 mil chegam até o final desta semana.

Há relatos de que o governo central estaria dificultado a chegada de equipamentos de proteção, como máscaras, respirados e os testes, a algumas localidades, por questões políticas.

A presidente da Comunidade de Madri, Isabel Diaz Ayso, por exemplo, afirmou que despendeu 23,3 milhões de euros na compra e transporte de máscaras, respiradores e aventais para hospitais, que chegarão em dois aviões da China, e espera que o desembarque não seja impedido ou dificultado pelo governo central.

Em entrevista à Telemadrid, ela disse que a Comunidade precisa no mínimo de 300 respiradores para o hospital de campanha que será inaugurado em Ifema, mais 140 mil testes e os equipamentos de segurança para os profissionais da saúde.

  • Fabricação de medicamentos. Madri sedia uma espécie de centro farmacêutico militar que está fabricando paracetamol, desinfetantes e outros produtos que podem vir a ser tornar escassos, para distribuir aos hospitais.
  • Limpeza. O Exército está nas ruas se dedicando a desinfetar locais populosos, como estações de trem e aeroportos, e também casos de repousos, que são os locais prioritários, devido ao alto número de contágio que ocorre nela. A participação do Exército no combate ao coronavírus foi disposta na “Operação Balmis”, pela qual os militares podem ser mobilizados de acordo com diretrizes repassadas pelas autoridades municipais ou autônomas.
  • Abrigos: Em bairros de Madri e Barcelona, o Exército já instalou dois centros para acolher a população sem-teto, com 150 camas em cada unidade.
  • Hospital de Campanha. O Exército também instalou em Madri um hospital de campanha, com 5 mil leitor e uma UTI, para a qual os doentes já foram transferidos.
  • Escudo Social. No Ministério da Inclusão e Previdência, o foco do “plano de choque econômico contra os efeitos sociais da pandemia”, denominado “escudo social”, está em dois pilares: renda mínima para setores vulneráveis diante da desaceleração da econômica, e uma moratório de aluguel para pessoas em risco de exclusão.
  • Demissões temporárias. No plano econômico, a Espanha já tem um mecanismo de demissões temporárias. Desde que o governo anunciou estado de emergência, em 14 de março, centenas de empresas já apresentaram planos de demissões temporárias.A Inditex, proprietária da rede de roupas Zara, já anunciou, por exemplo, que pretende demitir temporariamente 25 mil funcionários a partir de 15 de abril. A rede alega que, no mundo todo, já fechou metade das lojas, e que a queda no faturamento já é de 25%.

    “Demissões temporárias são uma prática pela qual a Espanha permite que empresas demitam trabalhadores durante períodos de estresse financeiro com o objetivo de recontratá-los quando a situação melhora. O governo paga benefícios de seguro-desemprego aos trabalhadores, e os planos precisam ser negociados com sindicatos e revisados pelo Ministério do Trabalho”, explicou o G1.

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1 comentário

  1. Andei pesquisando sobre um laboratório em Maryland, no Fort Detrick, que foi desativado por causa de condições de biossegurança perigosas.
    O interessante – seguindo a pista do Pepe Escobar – é que o local “é um centro de biodefesa que estuda germes e toxinas que podem ser usados ​​para ameaçar a saúde militar ou pública e também investiga surtos de doenças”, conforme reportagem do NYT (https://www.nytimes.com/2019/08/05/health/germs-fort-detrick-biohazard.html).
    Militares teriam treinado próximos ao local para os Jogos Militares que aconteceram em seguida na província que se tornou o foco inicial do coronavírus.
    Os fatos existem. A interpretação e a ligação entre os fatos, um chute, nada mais.

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