Uma semana de Exceção no Chile: 90,5% veem motivos para protestar

No sétimo dia de protestos, milhares de pessoas são aguardadas no Ato Geral, no início da tarde de hoje na Plaza Itália, região central de Santiago

Foto: Patricia Faermann

De Santiago, Chile

Jornal GGN – Hoje completa uma semana de Estado de Exceção no Chile, com manifestações consecutivas e massivas, enquanto a população resiste à repressão das forças de segurança. Uma grande greve será realizada no dia de hoje na capital de Santiago e outras regiões do país e uma pesquisa mostrou que o descontentamento é majoritário: 90,5% dos chilenos concordam ou concordam muito com as razões que provocaram os protestos pacíficos no país.

A pesquisa realizada pela Activa Research, no Chile, revelou que 88,6% da população está a favor ou muito a favor das manifestações destes últimos dias e 72,5% repudiam os atos violentos dos agentes do Estado para repreender os manifestantes. O levantamento feito entre os dias 22 e 23 de outubro consultou mais de 2 mil pessoas, e apontou ainda que 84,1% dos chilenos concordam ou concordam totalmente com as reivindicações feitas nas ruas do país.

A pesquisa “Pulso Cidadão” tinha como objetivo avaliar as manifestações, a percepção das pessoas sobre a militarização e as medidas do governo e desempenho das instituições frente aos protestos. E revelou que a maioria (72,5%) não concorda com manifestações violentas. Sobre as recentes respostas do presidente Sebastián Piñera, mais da metade (58,3%) acredita que o governo não reagiu para trazer soluções e outros 37,4% disse que Piñera “reagiu lentamente”.

O principal motivo de insatisfação da população apontado pela pesquisa são os salários dos trabalhadores (87,1%), seguido do preço dos serviços básicos (86,3%), o sistema de aposentadoria do país (85,7%), a desigualdade econômica entre os chilenos (85,2%) e o custa da saúde no Chile (79%).

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Ao questionar se os chilenos confiam que o país e os políticos irão superar este momento de crise: 20,9% acreditam que sim e 52,5% têm pouca ou nenhuma confiança. 53,3% da população sente raiva, 50,4% sente insegurança e 49,3% sente tristeza.

Na cidade litorânea de Valparaíso, sede do Congresso chileno, pelo menos 5 mil pessoas já marchavam pelas ruas em nova jornada de manifestações desde a manhã desta sexta (25). Pela manhã, caminhoneiros bloquearam algumas vias de acesso à cidade de Santiago, reivindicando contra os preços dos pedágios. Em breve, milhares de pessoas são aguardadas no Ato Geral, no início da tarde de hoje na Plaza Itália, região central de Santiago.

 

Leia a pesquisa completa sobre a percepção dos chilenos na crise política e social:

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3 comentários

  1. Simplesmente patética a forma como a imprensa corporativa, que aceitou a função de vassala do sistema financeiro, trata os protestos do Chile. Para não despertar o espírito crítico daqui com as reformas da selvajaria neoliberal, a cobertura aos protestos, agora engrossada por caminhoneiros, não aponta suas causas, como se fosse “geração espontânea”, uma irritaçao coletiva por enfado ou falta do que fazer. (Ou os 20 centavos a mais do metrô…)

  2. As causas são sociais, mas a revolta está sendo claramente canalizada. É a velha história que conhecemos do maio de 69, das primaveras árabes, do “2013 brasileiro” que preparou o terreno para “2016”. Se tem pirotecnia, fotos impactantes nos jornais, violência policial descarada circulando nas redes sociais e black blocks (que no Brasil nunca mais foram vistos após 2013, nem para dar o golpe com os coxinhas, nem para defender a democracia com os moradelas! Porque será???): desconfie!! Não é Marx, é Gene Sharp. A parte mais ridícula do PC Gama é: “agora engrossada por caminhoneiros”! Quem não se lembra dos Lockout que anunciavam a ditadura Pinochet ou o ridículo “somos todos caminhoneiros” que prenunciava a desgraça do Capitão que gosta mais de sangue do que o Vampirão. Minha sugestão para este momento político na AL: mirem-se no exemplo dos Ecuatorianos, não dos chilenos.

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