Embate Eleitoral de 2002 até 2014 e Cenário Atual

Embate Eleitoral entre Centro-Esquerda x Direita e Extrema-Direita de 2002 até 2014 e Cenário Atual

por Sandro Valeriano

e Larissa Alves Lira

Trazemos ao leitor um histórico do embate entre as forças de esquerda e direita no segundo turno das eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014. Assim como o peso de cada região e estado no eleitorado nacional e votos brancos, nulos e abstenções e por fim uma contribuição sobre o cenário atual.

O Sudeste concentra 43,53% do eleitorado do país, a segunda região mais importante é o Nordeste com 26,72% do eleitorado. Só no estado São Paulo se concentra mais de 1/5 do eleitorado, ou seja, 22,51%. Além de ganhar ou perder em cada região é importante a construção de saldos eleitorais e político, margem apertada em uma região importante pode não ser suficiente para garantir uma vitória.

 

Tem grande importância nesse embate o quórum, ou, a participação eleitoral. Assim, mapeamos o padrão de votos brancos, nulos e abstenções no período em que propusemos a análise.

 

Uma hipótese para explicar o engajamento dos eleitores de cada estado ao longo do tempo pode estar relacionada a um sentimento de inclusão e pertencimento ao país, viabilizado por políticas públicas. Destacamos nesse sentido a melhora dos índices no Nordeste entre 2002 e 2006. As abstenções voltam a subir em 2014, período em que o país passa atravessar grandes turbulências.

O embate entre as forças de esquerda e direita entre 2002 e 2014 no segundo turno marca uma divergência entre o Norte e Nordeste, de um lado, em oposição ao Sul e Sudeste, de outro, sendo o Centro-oeste uma área de encontro da influência das regiões, apresentando, no entanto, um predomínio pela direita nas duas últimas eleições.

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De um lado, embate que se coloca em 2018 mantém a discussão sobre as formas como o orçamento e as riquezas do país serão distribuídas. Essa perspectiva está presente na disputa em torno da revogação da reforma trabalhista, da revogação da Emenda Constitucional 55, assim como do modelo de exploração do pré-sal e da venda de empresas estratégicas como a Embraer, sob a qual o governo tem poder de veto.

Também merece destaque a incorporação pelo PSDB da defesa do modelo de segurança pública herdado da ditadura. Um modelo de combate ao inimigo interno que deve ser exterminado. O discurso da Rota na rua que nasce com o Maluf foi paulatinamente incorporado pelo PSDB. Não por acaso vários parlamentares da bancada da bala foram migrando do PP para o próprio PSDB.

Por outro lado, no ano de 2018 o embate se desenha entre a centro-esquerda e extrema direita, uma vez que a centro-direita parece ter perdido densidade política. Vale lembrar que o discurso da extrema direita vinha sendo paulatinamente incorporado pela centro-direita desde ao menos da eleição de 2010, em que as pautas sobre comportamento moral começaram a aparecer com mais força no bloco conservador, assim como a discussão sobre os destinos do pré-sal, quando esse segmento se alinhou na defesa das petrolíferas estrangerias

Em 2014, esse alinhamento entre a centro-direita e extrema direita se configurou por completo. Incorporou-se questões econômicas às comportamentais e, por fim, o desprezo à soberania popular na contestação do resultado das eleições em que ganhou Dilma Roussef pelo candidato derrotado. No após eleição, a centro-direita e a extrema direita seguiram lado a lado na ruptura democrática através de um impeachment sem crime de responsabilidade.

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Na medida em que a centro direita legitimou e trouxe para o debate nacional as posições da extrema direita, essas posições ganharam força na sociedade, dando condições para que um candidato de extrema direita se viabilizasse eleitoralmente.  A comparação com o resultado do candidato da centro direita no primeiro turno de 2014 e as intenções de voto registradas para o candidato da extrema direita evidenciam esse processo.

 

A diferença mais sensível aparece no norte e nordeste. Com o candidato apresentando desempenho superior ao Aécio.

A candidatura do Bolsonaro representa um acumulo de forças de teses conservadoras, essas ideias ganharam força ao se descolarem do PSDB. Por outro lado, o eleitorado vem a quatro eleições escolhendo o projeto do campo democrático e popular, de ampliação de direitos, inclusão das demandas sociais no orçamento e de defesa da soberania nacional.

Nessa luta, que tem tomado contornos de defesa da democracia, de defesa de direitos conquistados, da igualdade entre gêneros e respeito as minoras, dos direitos das mulheres e da população com ganhos de até 2 salários mínimos, esses setores se apresentam como a vanguarda do processo.

 

Sandro Valeriano – Graduado (USP) em Geografia e Espec. em Business Intelligence (Unitau) atua como analista de dados.

Larissa Alves Lira – Doutora em Geografia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), pós doutoranda em Geografia na Universidade de São Paulo

1 comentário

  1. É a economia burro
    Foi com essa frase que já se mudou o rumo de uma eleição americana. A longa crise econômica, a carga tributária, a perda de renda e do emprego, estão na conta do PT. Não adianta tentar esconder o desgoverno Dilma. O correto é assumir os equívocos e respondê-los apontando a irresponsabilidade do PSDB em tudo o que aconteceu. Essa fixação na moralidade é desculpa de quem não quer ver. É a economia mesmo!

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