Coronavirus “long haulers”, mais uma preocupação sobre o Covid-19, por Rogério Maestri

Envolve sintomas relativamente graves que impediram e impedem várias pessoas a voltar à atividade normal por mais das duas semanas em que se supunha que a carga viral desapareceria.

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Coronavirus “long haulers”, mais uma preocupação sobre o Covid-19

por Rogério Maestri

Enquanto se está na fase de crescimento da epidemia do Covid-19 no Brasil, a maior preocupação são as pessoas que exigem internação hospitalar e algumas vezes longos períodos e uso de ventiladores. Essas pessoas estão lutando entre a vida e a morte, porém estão surgindo nas regiões que o número de novos casos está chegando a zero ou mesmo eliminando-se por completo o surto viral que são os outros efeitos do Covid-19 que não eram importantes nessa luta para se manter a vida.

Há dois efeitos que começam a ser destacados neste processo recuperação à pior fase da infecção, os problemas graves causados no pulmão, que com a “tempestade de citocinas” que geram sérios problemas pulmonares, causando fibroses que poderão continuar a progredir mesmo sem o vírus. O segundo grande problema é da recuperação de longo prazo que em inglês criam os “long haulers”, ou “portadores de longo tempo” (uma tradução completamente capenga de alguém que não sabe a expressão equivalente em português), que envolve sintomas relativamente graves que impediram e impedem várias pessoas a voltar à atividade normal por mais das duas semanas em que se supunha que a carga viral desapareceria e tirando as sequelas incomodam e invalidam os já não infectados.

Este tipo de sintoma é relatado inclusive por médicos especialistas em doenças virais, como o Dr. Paul Garner, professor de doenças infecciosas na Escola de Medicina Tropical de Liverpool, relatado como um artigo de opinião no British Medical Journal – “Paul Garner: For 7 weeks I have been through a roller coaster of ill health, extreme emotions, and utter exhaustion” -, ou pelo Dr. Scott Krakower, médico psiquiatra no NBC News (Coronavirus ‘long haulers’ are sick for months. This doctor is one of them). O primeiro sofreu um longo período de 7 semanas e o segundo que tendo sido infectado em abril ainda sofre com a doença.

Esses “long haulers”, que começam a ficar numerosos, ocorrem em pacientes relativamente jovens e com boa saúde, cerca de três em cada cinco têm entre 30 e 49 anos segundo artigo de Ed Yong no The Atlantic de 4 de junho (COVID-19 Can Last for Several Months – The disease’s “long-haulers” have endured relentless waves of debilitating symptoms—and disbelief from doctors and friends), e muito deles com a doença de intensidade baixa em que não há necessidade de internação

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Em resumo, podemos encontrar diversos artigos ainda não revisados por pares, devido a seu aspecto inédito e recente, ou mesmo em revistas internacionais não científicas, porém sérias, como:

Covid-19 “long-haulers” find a community online (https://www.vox.com/2020/6/26/21301806/covid-19-online-support-group-body-politic-long-haulers-coronavirus)

“Finally, a virus got me.” Scientist who fought Ebola and HIV reflects on facing death from COVID-19 (https://www.sciencemag.org/news/2020/05/finally-virus-got-me-scientist-who-fought-ebola-and-hiv-reflects-facing-death-covid-19)

Ao se ler esses artigos sente-se um gosto amargo na boca, pois a falta de isolamento social e tendências de contar com soluções do tipo imunidade de rebanho, pode-se estar levando uma geração inteira a condições de deficiências físicas leves até sérias, que causarão uma perda considerável na capacidade produtiva do Estado que adotar esse caminho e um custo social altíssimo causado pelo novo coronavírus.

Para ainda tem dúvidas sugiro que constatem por si mesmo, lendo alguns artigos citados para se dar conta do perigo da política de imunidade de rebanho.

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