…do dia em que a nação rubro-negra sentiu orgulho em uma derrota…

    …do dia em que a nação rubro-negra sentiu orgulho em uma derrota…
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    Em sua entrevista coletiva após o jogo em que o Flamengo perdeu a disputa pelo título mundial de clubes para o Liverpool, o técnico Jorge Jesus comentou sobre uma frase que todo torcedor rubro-negro gostaria de dizer aos jogadores: “Hoje, eu me senti orgulhoso de ser o treinador de vocês!” – Como cada um de nós – e mesmo os torcedores brasileiros de outros times, não fanáticos, poderiam dizer igualmente… – certamente, falaria as mesmas palavras: “Hoje, eu sinto orgulho desse time e do que fez pelo futebol brasileiro!”
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    O futebol traz em seus paradoxos, essa humana e linda possibilidade: O orgulho, mesmo na derrota, quando a disputa é épica, a entrega dos jogadores é total, absoluta, e o adversário, mesmo sendo nitidamente superior na parte técnica, no conjunto da obra, ainda assim leva sustos, é agredido, sua e sofre para não tomar gols e só conquista seu triunfo na prorrogação – tendo que correr e lutar até o último segundo do jogo, porque do outro lado, ninguém se entrega, ninguém desiste…
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    Ver, com toda a clareza, o Flamengo envolver o Liverpool e incomodá-lo, deixar vários de seus jogadores tensos, preocupados, em alguns momentos ao longo dos cento e vinte minutos, não é pouca coisa! Um time de massas como o Flamengo, jamais jogará “por si”. Representa o que já ficou conhecido justamente como “a nação rubro-negra” – são 40 milhões de “adeptos”, como diriam os amigos portugueses, agora que conhecemos melhor algumas de suas expressões futebolísticas. Quando o Flamengo não se acovarda, ao contrário, sem complexo algum em relação à factual superioridade técnica e tática do adversário, se lança ao jogo de peito aberto, defende-se e ataca sempre com o máximo de jogadores que pode em cada disputa, deixa a alma em campo, cumpre o refrão do hino que nos embalou a todos nesse tempo (“dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe Mengo, Pra cima deles, Flamengo!…”). Esse brio, essa ATITUDE, e a forma como o Flamengo o fez – na parte tática e técnica do jogo – eis o que enche de orgulho o torcedor da nação!
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    Não houve omissão, covardia, não houve um “abaixar a cabeça” diante da seleção interplanetária que se transformaram os gigantes do futebol europeu e seus bilhões de euros. Davi enfrentou Golias com a cara limpa, perdeu num lance magistral do adversário e porque “a bola do jogo” no último segundo, caiu nos pés do “menino-craque-em-formação”, Lincoln, incapaz (seria desumano exigir isso dele…) de dominar os nervos e pensar com mais calma como bater na bola, naquele passe açucarado que Vitinho lhe concedeu. Faria alguma diferença em relação aos motivos do nosso orgulho?
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    Foram seis meses de trabalho em conjunto, contra cinco anos do Liverpool. Foi a diferença do banco de reservas, onde nossos atacantes – Renier e Lincoln – jamais podem ser comparados aos “cascudos” de Liverpool. Foi a quase inacreditável perfeição tática que Jürgen Klopp fez seu time alcançar ao longo desse tempo. Foi a presença do, talvez, mais afinado e refinado trio de ataque do futebol mundial. O que são Mané, Salah e Firmino juntos, jogando como uma mini orquestra?!?
    Cabe a pergunta: quantos times no planeta, enfrentariam esse conjunto de dificuldades, impondo ao Liverpool a trabalheira imensa que o Flamengo impôs com seu futebol e garra, por cento e vinte minutos…?
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    Obrigado, diretoria, comissão técnica, jogadores, obrigado, Flamengo!
    Hoje é um dia especial, de vermos após o jogo, todo o potencial do futuro que nos espera.
    É um dia, entre tantos, do orgulho de ser rubro-negro!