São Paulo: uma cidade a cantar, por Vera Lucia Dias

São Paulo: uma cidade a cantar

por Vera Lucia Dias

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar…

O som da música desse povo do planalto tem origens nas vozes da nação indígena, dos portugueses saudosos, do canto do povo bantu negro, dos instrumentos trazidos por mais de setenta etnias que subiram a muralha e também das regiões brasileiras de norte a sul.

Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir a beleza de amar…

E tem muito namoro no metrô, nas calçadas, nos bares. Aqui tem as vertentes do forró, tem dança do ventre, capoeira, óperas, rock pesado, blues na madrugada, chora a flauta em todo canto, sambas incríveis ecoam, a japonesa canta, a vela se acende e a melodia começa, tem fado brasileiro, tem jazz.

Eu te vejo sumir por aí, te avisei que cidade era um vão…

Nas favelas tem canções, comunidades fazem suas letras, sons ecoam da Cantareira ao Butantã, da Guarapiranga a São Miguel. Todos apresentam sua “melô”.

De noite eu rondo a cidade a te procurar, sem te encontrar…!

No coração solitário que perambula pelo asfalto passando pelos gigantes edifícios, mora sempre um estribilho. Moro em Jaçanã, sou da Freguesia do Ó, ele mora no Brás, e quem nunca viu o samba amanhecer vai no Bixiga prá ver.

Na Paulista os faróis já vão abrir…

A música nos une nessa metrópole que abraça com tanta força que até dói. Os sons chegam de surpresa de porões, das varandas e nas calçadas como que a embalar os passos apressados.

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São Paulo canta. Esse canto que devia ser um canto de alegria, soa apenas como um soluçar de dor

São 462 anos. Poderiam ser muitos mais. Afinal já havia tanta gente por aqui!!

É um canto de agonia pelas águas que a cidade perdeu mas quem sabe um dia pode reencontrar em outras nascentes, canta de dor pelo que não sabe de sua história, canta à modernidade, canta ao brega e ao chorão. Canta a vida e a morte, canta o amor.

Sou cantador… amanhece preciso ir… vou prá onde a estrada levar. Só sei cantar. E o som da cidade é também o mais puro caipira sim, daquele com cheiro de mato que o cimento teima em cobrir.

Assim é São Paulo: canta mais e espera muitas canções em seus coretos. Espera.    

Fraseado das músicas:

As vitrines – Chico Buarque

Canto das três raças – Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

Disparada – Geraldo Vandré e Théo de Barros

O cantador – Dory Caymmi e Nelson Motta

Paulista – Eduardo Gudin e J.C. Costa Netto

Punk da Periferia – Gilberto Gil

Ronda – Paulo Vanzolinni

Samba do Arnesto – Adoniram Barbosa

Se todos fossem iguais a você – A C. Jobim e Vinícius de Moraes

Vai pro Bixiga prá ver – Geraldo Filme

 

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