Os fakenews de Paulo Guedes em relação à carga tributária, por Luis Nassif

Em relação a tributação sobre Renda, lucro e ganhos de capital, Brasil ocupa a 34ª posição, com apenas 6,5% do PIB, contra uma média de 11,4%

O discurso do Ministro da Economia Paulo Guedes está despregando cada vez mais de qualquer veleidade de lógica econômica.

Há alguns meses, seu Secretário Executivo comemorou a queda do PIB com um argumento delirante. A queda foi maior no setor público. O que significa que o Estado está perdendo participação, permitindo um crescimento maior do PIB privado.

Trata-se de uma forma de analisar o PIB inedita na história da economia. Na medição do PIB, gastos do governo equivalem a receita do setor privado. Ou seja, os salários pagos a funcionários, a fornecedores, os investimentos públicos servem para irrigar a economia, através da compra de produtos do setor privado. Portanto, não há a menor lógica em separar PIB público de PIB privado.

Tempos depois, com a economia desbando, Guedes exercitava um discurso otimista sustentando que, quando passasse a pandemia, o Brasil seria o país que mais rapidamente recuperaria o crescimento, por ter sido menos afetado que os demais países. Todos os indicadores internacionais colocam o Brasil como a economia mais afetada e de pior desempenho no combate ao Covid-19.

Ontem, outra afirmação de Paulo Guedes chocou economistas em geral.

Em uma apresentação, Guedes inovou no cálculo da carga tributária. A conta correta consiste em comparar o volume de impostos arrecadados como proporção do PIB. Guedes resolveu somar a carga tributária com o déficit fiscal, resultando em um novo conceito de carga tributária inédita no mundo.

Com essa conta, o Brasil passou a ter a 8ª carga tributária do mundo.

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Os dados de Guedes foram desmontados por David Dacache, economista e integrante da Rede MMT Brasil – os economistas que defendem o novo conceito de política monetária, com flexibilização da emissão de moedas pelo Banco Central.

Primeiro, Dacache mostrou os levantamentos da OCDE (o grupo de países desenvolvidos). Nele, o Brasil registra uma carga tributária abaixo da média, menor do que a de 22 países e acima de 9 países.

Quando se analisa a distribuição da carga, aparecem as iniquidades fiscais. Em relação à carga tributária sobre renda, lucros e ganhos de capital, por exemplo, a da Dinamarca é quatro vezes maior que a brasileira.

Para os ricos pagarem pouco, obviamente os pobres têm que pagar muito.

Dacache e Lucas Dicandia montaram uma tabela sobre as principais formas de arrecadação e o percentual da receita fiscal no Brasil, comparada com outros países.

Entre os 34 países analisados, o Brasil tem a 24ª carga tributária, como proporção do PIB.

Em relação a tributação sobre Renda, lucro e ganhos de capital, ocupa a 34ª posição, com apenas 6,5% do PIB, contra uma média de 11,4%.

Em relação à folha de salários, responde por 8,5% do PIB, contra média de 4,8%. E não é maior devido ao aumento da informalidade, com o desemprego e com a flexibilização da legislação trabalhista.

Nos impostos sobre a propriedade, o Brasil ocupa o 18º lugar, com 1,5% do PIB.

E em Bens e Serviços, a tributação indireta que incide maciçamente sobre a baixa renda, o Brasil tem a 3ª carga mais elevada, com 15,4%, contra a média da OCDE de 11,2%.

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O trabalho de Dacache e Dicandi é um elemento precioso para espantar fake News frequentemente espalhados por Guedes e sua equipe.

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7 comentários

  1. Paulo Guedes e Weintreub devem sofrer da síndrome de Ed Wood. Ed Wood é considerado o pior diretor de todos os tempos.Porém, ele achava que criava uma obra prima em cada take, assim como Guedes em cada explicação sua se acha uma mistura de Keynnes e Friedman . A diferença é que Ed Wood era uma pessoa boa e generosa. Foi o único a dar uma chance ao eterno drácula Bela Lugosi no momento em que ele estava esquecido e viciado em morfina. Recomendo muito o filme que Tim Burton fez sobre ele, e estrelado por Johnny Depp no auge.

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  2. A Casa Grande desenvolveu o Patrimonialismo Cordial através do nosso sistema tributário.
    É consenso que quanto menor a renda, maior a porcentagem da renda comprometida com o pagamento de tributos, o contrário da lógica dos impostos.
    Esse sistema amarrou toda a sociedade com esse complexo sistema de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos pela estrutura estatal. Por exemplo, como ficariam os financiamentos das Universidades públicas paulistas sem o ICMS?
    Enquanto não houver um sistema tributário mais justo seremos essa sociedade pré-capitalista (a tal da Belíndia, que hoje nem faz mais sentido a expressão), onde vendemos pouco e caro, não uma economia de massa.
    Hoje, temos tecnologia para planejar melhor nosso sistema tributário de uma maneira mais justa e economicamente mais inteligente. Não dizem que os dados são o novo ouro? Que nada vale mais que as informações que fornecemos de graça quando realizamos alguma movimentação eletrônica, seja financeira, de pesquisa ou entretenimento? Que o Google sabia que uma mulher estava grávida antes mesmo dela fazer um teste apenas pelas buscas dela?
    Alguém poderia coordenar um trabalho de utilização dessas informações para um algorítimo de AI elaborar uma revolução tributária de verdade e arejando a economia brasileira. Não há economia moderna com salários tão baixos pagando tantos impostos e com tanta desigualdade.

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  3. Tanta imbecilidade. Não está passando da hora de duvidar da saúde mental do guedes?
    Algumas questões quanto ao guedes:
    Como o dedo podre do bolsonaro chegou a ele (a quem ele adora)?;
    Acha que o bolsonaro é um estadista e a nossa democracia vive no auge;
    Ele tem como “plano econômico” a reeleição do bolsonaro;
    Também quer mudar tudo “isso aí”;
    Diz que o país vai surpreender (?????) o mundo com sua rápida recuperação econômica;
    Deu aumento aos juizes( ainda no governo temer) e aos militares, e aceitou que estes não entrassem na reforma da previdência que roubou dos pobres;
    Não quer negócios com a China (comunista);
    Seu plano econômico era a CPMF, mas o bolsonaro disse não e ele obedeceu contrito;
    Não tem plano econômico. Nenhum, a não ser vender estatais;
    Acha muito alto o salário mínimo;
    Acha que os trabalhadores só têm vantagens e ganham muito;
    Acha (tem certeza) que ajudar a pobre é desastre e ajudar a rico é lucro;
    Detesta aposentadorias maiores que meio salário mínimo;
    Educação é só despesa;
    Saúde é para quem quer pagar plano de saúde;
    Diz que os bancos roubam, mas lhes dá mais até do que pedem;
    Funcionário público (incluiu os militares) são parasitas;
    Quer acabar com o Bolsa Família”;
    Pobre é parasita;
    Ataca a desigualdade dando dinheiro aos ricos para que a resolvam;
    Dar dinheiro emergencial a pobre destrói seu coração;
    Ele tem certeza que a pandemia foi golpe dos governadores;
    Quando consultor de fundos estatais recomendava investir nas suas empresas. Deram prejuízo… mas é o mercado.
    Mente muito;
    Adora a companhia de damares, araujo, weintraub e salles.
    Adora reuniões ministeriais de “alto nível”, dá bronca em ministros militares chamando-os de ignorantes e diz carinhoso ao bolsonaro, ” eu e você somos diferentes”.
    É ministro do bolsonaro, o preferido.

  4. Nassif, esta questão ensejou um momento importantíssimo na luta política recente. Finalmente, os partidos de esquerda e centro esquerda tiveram uma iniciativa em conjunto, no Congresso Nacional, apresentando uma proposta alternativa de Reforma Tributária. Trata-se de um assunto que abre possibilidades para o campo progressista reconquistar boa parte das camadas médias: atualização da tabela do IR (a atual é um verdadeiro escândalo, com gente que recebe pouco mais de dois salários mínimos regionais no meu estado, o Rio Grande do Sul, tendo que acertar contas com o fisco!), definição das quantias que caracterizam grandes fortunas, combates às desigualdades nas relações entre os estados etc. O projeto precisa ser amplamente divulgado, pois representa o acúmulo de estudos dos melhores especialistas da área pública no país. https://pt.org.br/wp-content/uploads/2018/03/reforma-tributaria.pdf

  5. Muito bom, Nassif.
    Pena que contra-argumentos como este do artigo, que demonstra quem verdadeiramente paga impostos no país, não chegue à maioria dos empresários e aos profissionais das áreas de administração e economia que sempre vêm com o mantra “pagamos a maior carga tribuária do mundo (será, se somos recordistas de sonegação de impostos?) para termos a menor taxa de retorno”.
    Se depender dos meios de comunicação e das escolas ultra-liberais que temos essa será mais uma mentira do desgoverno a fixar nos meios econômicos, já que eles têm os mesmos interesses representados pelo Guedes. Sentem-se agredidos, prejudicados e incomodados pelo Bozo, tentam tirá-lo desde que consigam preservar as políticas econômicas desastrosas e burras do Guedes que não dão certo em lugar nenhum: estado mínimo – ou nenhum – para o povão e um governo só deles e para eles.

  6. GUEDES erra FEIO, má fé, só pode
    NINGUÉM nega que o BRASIL, por uma série de deficiências, tem uma carga regressiva, e que muito pode ser feito pra mitigar este cenário ..coma CPMF por exemplo
    agora ..comparar a carga sobre salários e/ou ganhos de capital x PIB entre diversos países é do BALACOBACO tb
    QUEM DISSE que a participação destes elementos se distribui no BRASIL, tal qual os demais países ?
    CUIDA da tua grama, ao invés de ficar olhando a do vizinho, eu diria

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