Em plena crise hídrica, diretores da Sabesp tiveram lucro de R$ 1 milhão

 
Jornal GGN – O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou, nesta semana, que “a questão da água está resolvida”. A conclusão de Alckmin sobre a crise hídrica no Estado de São Paulo é porque os reservatórios atingiram 60% do Sistema Cantareira e 40% do Alto Tietê. Se, por um lado, foi efetivo o esforço dos paulistas para recuperar o resultado de má administração do sistema de água no Estado, por outro, a denúncia de municípios de prática de preços abusivos coincidiu com o lucro obtido pela diretoria da estatal no último ano.
 
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está sendo investigada em Inquérito Administrativo por potencial prática de preços abusivos nas cidades de Santo André, São Caetano, Guarulhos e Mogi das Cruzes, conforme publicou aqui o GGN. Coincidentemente, o lucro de R$ 1,072 milhão em bônus para os seis executivos da estatal, entre 2014 e 2015, foi o levantamento identificado pelo Fiquem Sabendo, que teve acesso aos dados por meio da Lei de Acesso à Informação.
 
Entre janeiro de 2014 e junho de 2015, a população da grande São Paulo sofria os efeitos da recente crise hídrica, com o corte na distribuição de água em diversos bairros e cidades, e também a redução de pressão da água nas torneiras dos moradores. Nessa época, a Sabesp recebeu 349.626 reclamações por falta de água de seus clientes residentes na capital paulista. É o equivalente a uma queixa a cada 2 minutos.
Foi nesse período também que a diretoria da Sabesp recebeu mais de R$ 1 milhão em bônus. Somente o presidente da Companhia, Jerson Kelman, recebeu R$ 59 mil de bônus no primeiro semestre de 2015. E a ex-presidente Dilma Pena recebeu R$ 3.088,50 por apenas nove dias que esteve no cargo, em janeiro do último ano.
 
Ainda que o nível dos reservatórios já tenha se recuperado e Alckmin tenha anunciado o “fim” da crise hídrica, em janeiro deste ano, a Sabesp recebeu 36.238 reclamações, quase três vezes mais que o mesmo mês do ano passado (13.907).
 
Contrariando os anúncios do governador, a resposta da Companhia é que o aumento das reclamações era previsível em razão de a produção de água fornecida à Grande São Paulo ter registrado uma queda de quase 30% por causa da crise hídrica.
 
“Essa questão [da falta d’água] não tem mais risco, mesmo que haja seca. E teremos a partir do ano que vem uma superestrutura em São Paulo. O estado e a região metropolitana estarão bem preparados para as mudanças climáticas”, afirmou, contraditoriamente Geraldo Alckmin.
 

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