Razão da briga entre Dilma e Cunha, Furnas tem novo presidente

Temer aceitou indicação da bancada mineira do PMDB para o controle da empresa. No passado, Cunha abriu fogo contra Dilma justamente porque ela negou a influência da bancada do Rio sobre Furnas

Jornal GGN – O presidente interino Michel Temer aceitou a indicação do PMDB mineiro para a presidência de Furnas e entregou o posto ao engenheiro Ricardo Medeiros. No passado, Eduardo Cunha declarou guerra à Dilma Rousseff (PT) justamente porque não aceitava que a bancada do PMDB do Rio de Janeiro não tivesse poder de decisão sobre a diretoria da empresa.

A nomeação de Medeiros foi confirmada pelo ministro da Secretaria de Governo de Temer, Geddel Vieira Lima, nesta sexta-feira (14). A conquista da bancada mineira sinaliza um pouco mais de perda de poder para o time de Cunha.

Atual diretor de Operação e Manutenção de Furnas, desde maio passado, Medeiros vai substituir Flavio Decar, que chegou ao comando da empresa em 2011, por decisão de Dilma.

À época, a petista aceitou a indicação creditada a caciques ligados ao PMDB no Senado, como o ex-ministro Edison Lobão e José Sarney, e arrumou briga com a ala do PMDB fluminense, liderada por Cunha. O grupo ameaçou publicamente entregar todos os cargos que possuia no governo Dilma caso a nomeação não fosse feita conforme os interesses de Cunha.

Furnas é uma empresa de economia mista, subsidiária da Eletrobras. A disputa entre Dilma – que queria nomes técnicos – e Cunha – que queria nomeações políticas – no setor de energia resultou, segundo delação do senador Delcídio do Amaral, no enfrentamento do deputado à presidente afastada.

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Em delações da Lava Jato, Aécio Neves (PSDB) também aparece com influência em Furnas. Segundo o empresário Fernando Moura, investigado na Operação, as propinas pagas em Furnas eram divididas em três partes: um terço para o PSDB PT nacional, um terço para o PT de São Paulo e um terço para Aécio. As partes acusadas negam.

Loteamento

A mudança em Furnas é só o começo do que vem pela frente. Agora que a Câmara já elegeu o novo presidente – Rodrigo Maia (DEM) – e Temer já sabe quem são os partidos que compõem a base aliada, a divisão de cargos regionais e estaduais no segundo e terceiro escalões vão “sair do papel”, segundo o colunista Ilimar Franco (O Globo).

“O resultado pesará na reforma que Temer fará, ao assumir a Presidência em definitivo. Para garantir seus cargos, os ministros Ricardo Barros (PP) e Maurício Quintella (PR) trabalharam para eleger Rodrigo Maia. (…)  O centrão se dividiu na eleição. (…) A coligação PSDB/DEM/PPS/PSB representa uma base orgânica, que terá ainda o PMDB, para aprovar o ajuste fiscal e as reformas da Previdência e trabalhista. (…) Os ministros políticos consideram que não restará aos integrantes do centrão outro caminho que não seja ficar ao lado do governo.”

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