A carta do Fulano!, por Luciano Hortencio

Minha mãe Luzinha Simões, bem antes de conhecer meu pai, teve um grande amor e uma maior decepção

Imagem reproduzida da internet

Minha mãe Luzinha Simões, bem antes de conhecer meu pai, teve um grande amor e uma maior decepção. Foi noiva do Fulano e o rapaz rompeu o laço por força de injunções e interesses maiores do que poderia ter ao casar com mamãe, órfã de pai, situação àquela época que equivalia a um demérito.

Ao romper o noivado, o Fulano escreveu-lhe uma carta de umas dez ou mais páginas, onde tentou  encobrir sua fraqueza ao alegar problemas de saúde. Carta tocante para nós, já que o Fulano foi realmente um grande amor de mamãe.

Ao final da missiva, Fulano pede que a carta seja guardada, se a amada tivesse pena de um desgraçado, até a morte.

Quando mamãe estava já velha e um pouco esquecida, muitas vezes perdia a “carta do Fulano” e até papai ajudava a procurá-la, pois sabia ele e nós todos que aquele tinha sido um grande amor, o primeiro grande amor de mamãe. Isso era respeitado por toda nossa família.

Quando partiu mamãe, coloquei a “carta do Fulano” e alguns bilhetes do papai atrás de sua cabecinha branca. Alguém disse que eu não fizesse aquilo, uma vez que aqueles documentos eram importantes para nossa memória familiar. Fiz ouvidos moucos porque tenho certeza que mamãe, se pudesse optar, queria levar as cartas com ela. E isso foi feito. Mamãe descansa em plena paz.

Há poucos dias descobri a gravação de Mariza de Lima para CARTA DE AMOR, de Alfredo Schultz e a associei à “carta de Fulano”.

Leia a carta e escute a linda música!

Leia também:  Perambulando, de Mário Zan e Arlindo Pinto

Há uns dias
atrás

Isto foi num
domingo aliás

Encontrei
entre os velhos papéis

Uma carta de
amor

 

Outra carta
assim

Não deixava
saudades em mim

Raramente as
juras de amor

Causam tanta
tristeza e dor

 

Reviver
outra vez

Um romance
antigo e a paixão

Um momento
feliz

Muito curta
é a separação

 

A culpa fui
eu

Já é tarde a
clamar pelo céu

E porisso eu
quero-te bem

Não te
guardo rancor

 

O que foi já
passou

As feridas o
tempo sarou

E só uma
lembrança ficou

Essa carta
de amor.

 Mariza de
Lima – CARTA DE AMOR – Alfredo Schultz – samba canção.

Disco
Chantecler 78-0144-B.

Julho de
1959.

Coisas que o
tempo levou.

luciano
hortencio.

 

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