O meu approach, por Rui Daher

Os próximos perguntam por que, ultimamente, escrevo tanto sobre mim? Respondo: quem teria interesse em me biografar no pós-morte?

Banksy

O meu approach, por Rui Daher

São vários, no que transpasso a gramática. Frequentes exposições de palavras. Consultadas, me deram tal licença por reconhecida paixão que só a mim devo. As imperfeições, assumo.

Como em Gilberto Gil, este texto e o approach vão para meus ideais e sentimentos septuagenários.

A quem e a quê? Ao significado de lutar para diminuir a desigualdade social no meu país e nos demais, pobres planetários de fome endêmica para onde dirijo minha coluna semanal no site de CartaCapital.

Nisso incluo mulher, filhos e amigos que me acompanham em ideais e percebem impossível democracia com profunda disparidade social.

Mais. Aproximo-me de todos que admitem amar e conhecer as raízes de nossas culturas populares. O Brasil afro-luso, as Américas do Sul e Central espanholas, o Caribe preto. Lembro de Cuba me enamorando. Do Norte hegemônico? Também. Em hispânicos e negros me enternecendo. Fala-se crescer lá a pobreza também entre brancos.

Enquanto escrevo, ouço o Buena Vista Social Club, adesão à Revolução de 1959, a partir de Camagüey, nome que dei a um sítio em Bragança Paulista, hoje perdido no tempo como quis Albert Camus (1913-1960).

De Camagüey para a estância paulista de Socorro, passamos eu e família muitos anos na fazenda Palmares. Lá construímos casa, lazer, horta, pomar, amizades rurais, urbanas, e mais de 200 mil pés de café. Pensava na velhice lá sossegar o pito.

Não deu. O tal período de ilusão de executivo fez-nos perdê-la em leilão, por avais e cartas de fiança. Um pedestal burro e ilusório, seguido de coragem vã, honestidade, descompromisso de patrões e desinteligência do capitalismo financista, a partir dos anos 1980, quando o mundo perdeu o senso de realidade econômica.

Os próximos perguntam por que, ultimamente, escrevo tanto sobre mim? Respondo: quem teria interesse em me biografar no pós-morte?

Somente os fortes e de grande destemor não sentem a finitude e a vida se esvaindo. Forte não sou, por isso medro e proíbo-me de qualquer ousadia. Sejam susto, bala ou vício, Balas perdidas evito. Se me chegarem desvio, como inventado “mocinho” de cinema. O isolamento social tem ajudado.

Mas vamos lá, nesta nova crônica vulgar, aos meus approaches.

Porcamente reproduzindo o lusitano – por quem me ajoelho – José Saramago (1922-2010). Êpa! Será que chego lá?

Escritor e poeta, meus olhos continuarão admirando a beleza das mulheres, mesmo que isso hoje seja um sinal de machismo. Não acho, mas nunca as assediarei como fez o deputado Fernando Cury (PPS) com a deputada Isa Penna (PSOL), semana passada, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Aos canalhas desejo morte com sofrimento lento.

O mesmo para o ínfimo e rotundo general “Pazzo-Ele”, na Saúde. Sem preconceitos, tampouco. Afinal, baixo, meus médicos e suas assistentes, a cada ano, diminuem em dois centímetros minha estatura.

O caso da Saúde é tema para o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir. Pelo bem, ou não, da Federação Brasil de Corporações.

Meu approach, ao terminar 2020, é que ele nunca mais volte. No planeta, pelos infectados e mortos pelo coronavírus. Por mim e enquanto, pelos vermes que, hoje em dia, os sem-noção nos fazem sem-nação.

Sabático até o início de janeiro. Sejam felizes em todos os seus momentos e amizades.

Inté.

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