Poema da mulher que me pediu silêncio, por Romério Rômulo

Quando eu, quebrado das entranhas te retiver num astro mais distante dirás que sou o enterro da poesia?

Monet

Poema da mulher que me pediu silêncio

por Romério Rômulo

E se eu me entregar na tua mão
e derreter teu olho mais bandido
virás a me trazer a tua bênção
virás me corromper no que eu faço?

Quando eu, mutante da agonia
só te disser que sou o mais perdido
virás a me conter no que eu faço
dirás onde meu olho mais te toca?

Quando eu, quebrado das entranhas
te retiver num astro mais distante
dirás que sou o enterro da poesia?

Dirás que sou estrela, que sou morto
e me terás pra sempre no espaço
num braço inexato que te guia?

Romério Rômulo

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

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