26 de junho de 2026

Piora das condições climáticas leva preço do cacau a recordes de alta

Cotação da commodity mais do que dobrou em 2024; contrato com entrega em maio se aproxima dos US$ 10 mil em Nova York
Foto de Rodrigo Flores na Unsplash

Essa Páscoa está especialmente salgada para quem gosta de chocolate por conta da disparada dos preços do cacau no mercado internacional por conta de questões climáticas na África Ocidental, maior produtora global da commodity.

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Costa do Marfim e Gana respondem por cerca de 60% da oferta global de cacau, mas as variações climáticas comprometeram a produção na região: em 2023, o impacto foi decorrente da seca seguida pelo excesso de chuvas, enquanto a 2023/24 sofre com o clima mais seco e quente causado pelo fenômeno El Niño.

A logística também é impactada pelo clima, já que a ocorrência de ventos secos e frios na África Ocidental afetou negativamente a entrega de cacau pelos países africanos. Por conta disso, a entrega de cacau da safra anual caiu 34% na Costa do Marfim e 35% em Gana, segundo dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO).

Isso levará a uma redução de 11% na oferta mundial, a 4,449 milhões de toneladas na safra atual e, apesar do prognóstico de queda da demanda na casa de 5%, este será o terceiro ano seguido de déficit no mercado global de cacau.

Impacto no preço

E o impacto dessas variáveis no preço do produto pode ser claramente visualizada nas negociações da commodity nos mercados referência: Nova York e Londres.

Segundo dados do portal Investing.com, a cotação em Nova York já havia subido 63% em 2023, e, em 2024, os preços mais do que dobraram.

Enquanto o valor do contrato futuro era negociado em torno de US$ 2,9 mil/tonelada em 2023, o contrato com entrega para o mês de maio chegou a US$ 9.649 na sessão de ontem, 25 de março.

Já em Londres, os contratos futuros com vencimento em maio chegaram a 8.226 libras esterlinas a tonelada nesta segunda. Na mesma época do ano passado, a cotação estava abaixo de 2.200 libras esterlinas.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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