Ao contrário do que dizem bolsonaristas, OMS não defendeu volta à normalidade

"OMS defende retomada: 'As pessoas precisam trabalhar'", diz uma mensagem nas redes sociais por aliados do presidente, que está fora de contexto

Foto: Reprodução/Redes

Jornal GGN – “OMS defende retomada: ‘As pessoas precisam trabalhar'”, diz uma mensagem que está circulando nas redes sociais, por disseminação de apoiadores de Jair Bolsonaro, com a foto do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom. A mensagem é falsa e foi um recorte de uma declaração em coletiva de imprensa da Organização Mundial da Saúde.

Nesta segunda (27), o diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Michael Ryan, e não Adhanom, defendeu que o começo da reabertura econômica poderia ser feita em países que conseguiram “suprimir a infecção a um nível muito baixo” e durante “três ou quatro meses”.

“Se nós trabalharmos muito em um determinado país, conseguirmos suprimir a infecção a um nível muito baixo e conseguirmos isso por três ou quatro meses de trabalho duro, qual é o risco, agora, de abrir as fronteiras e aumentar a mobilidade e como gerenciamos esse risco?”, havia indagado.

E, ainda, destacou que “não há solução única” para todos. “É muito difícil ter uma política global, que sirva para todos, porque a natureza do risco e a natureza do impacto são determinadas pelo contexto local e pelas situações nacionais ou subnacionais.”

Mas apontou, mais de uma vez, para os riscos que devem ser levados em consideração por estes países, em sua opinião, para a transição de reabertura: “Como você faz progresso para abrir as economias nacional e internacional? Como você faz isso de uma maneira que tenha menos risco? Como você faz isso de uma forma que se possa voltar atrás se você precisar desacelerar ou reverter?”.

Reportagem do Uol questionou, também, a OMS, se a posição do diretor do Programa de Emergências em Saúde é defendida, como um todo, pela organização. “A OMS reafirmou que não há defesa da ampla reabertura econômica, mas de planejamentos específicos para cada país ou região.”

Conforme mostrou a matéria, as distorções das declarações da OMS já foram feitas, também, pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, e não somente por seus apoiadores. Foi o caso da interpretação equivocada de declaração da OMS, afirmando que a disseminação do Covid-19 por pessoas assintomáticas é “muito rara”. A OMS havia divulgado que “parecia haver” uma baixa transmissão, ainda sem estudos avançados e comprovados, entre pessoas assintomáticas.

Leia a íntegra da coletiva de imprensa da OMS referida, abaixo:

covid-19-virtual-press-conference---27-july

 

 

 

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