Um governo barata voa, por Francisco Celso Calmon

Lula colocou o presidente miliciano na defensiva, articulou com governadores e presidentes de outros países para avançar no combate à pandemia, e, sobretudo, fomentou a esperança no povo brasileiro.

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Um governo barata voa

por Francisco Celso Calmon

Uma pandemia incontrolável e uma gestão econômica bipolar, dá a uns, auxilio emergencial, e retira de outros, servidores públicos. Muda os patamares de consumo sem alterar a massa de consumo, talvez até diminuindo-a, e tendo outras consequências, provavelmente sem tê-las previsto, pois trata-se de um governo empírico e acrítico.

Como uma maldição o golpe de 2016 está atingindo a todos os seus responsáveis, STF e tudo mais.

Para quem era pária, virou manchete internacional de necrotério. Os necropolíticos devem estar exultantes, e a comunidade internacional tendendo a criar um cinturão de isolamento do nosso país.

Neste contexto ressurgiu o Lula e ocupou o amplo espaço que estava vazio. Talvez a espera dele, na falta de uma liderança nacional de sua estatura e capacidade de diálogo.

Em dois dias, Lula fez mais que em dois anos do capitão cloroquina. Indicou o caminho, injetou esperança ao povo, articulou fornecedores de vacina e foi ponte para governadores e prefeitos. Não se precipitou, soube atuar no timing sem antecipar o próximo passo.

Vai esperar decantar, por um lado, e, por outro, observar a massa crescer com o fermento do seu discurso e demais ações.

Não gosto e não sou adepto de salvador da pátria, sou do time que compreende a história como produto da luta de classes. Contudo, a história também registra papeis singulares e decisivos de personagens, em particular nos países menos desenvolvidos social e culturalmente.

Na conjuntura, Lula pode, sim, reconheço, recolocar no trilho o trem descarrilhado pelo golpe de 2016. Trilho do desenvolvimento econômico com justiça social.

Num movimento surpreendente, no xadrez do STF, o ministro Fachim, fez o que deveria ter ocorrido antes dos arbítrios da quadrilha da lava jato e os 580 dias de cárcere do ex-presidente.

Compreendido por alguns como um movimento para salvar o Moro e como tentativa também de evitar que a suspeição desse ex-juiz fosse julgada pela segunda turma, não se concretizou, o julgamento foi adiante e está pendente do voto do ministro Nunes Marques que pediu vistas. Paradoxal é que o ministro votou a favor do julgamento contra a proposta do Fachim de adiar, e depois declarou sem conhecimento do processo para votar e produziu o mesmo efeito, adiou o resultado, e tornou seu voto empoderado politicamente. Inobstante, se a Carmem se reposicionar ou se declarar suspeita (há especulações nesse sentido), o voto de Nunes Marques não será o decisivo. A questão é o timing. Por isso, o tempo político deve ser mais veloz, oxalá.

Foram adjetivados por alguns juristas como golpe de Fachim e contragolpe de Gilmar Mendes. Indago: golpearam o quê? Foram legítimos os movimentos de um e outro, não transgredirem o regimento.

O açodamento técnico, sem raciocínio na política, pode deslizar em exploração de adversários, afinal, poderiam concluir: se foi golpe do Ministro Fachim, o Lula está livre por consequência de um golpe.

A dinâmica produzida pelo Lula livre e legitimamente de volta ao cenário político é de tal ordem que não haverá STF que emperre o movimento inaugurado pelo ex-presidente, especialmente na gestão informal do combate à pandemia e de colocar nas cordas o governo bolsonarista. Um efeito colateral da intervenção do Lula no atual cenário político foi a queda do ministro Pazuello. Tiraram o sargento Tainha e colocaram um médico que vai bater continência, mesmo sendo civil, quidroga, mas esperar o quê do governo genocida?  

Lula colocou o presidente miliciano na defensiva, articulou com governadores e presidentes de outros países para avançar no combate à pandemia, e, sobretudo, fomentou a esperança no povo brasileiro.

A luta pela vida une a esquerda e os democratas de centro, eleição é mais adiante.

Francisco Celso Calmon, da coordenação do canal Pororoca, ex-coordenador nacional da Rede Brasil Memória, Verdade e Justiça

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