Os enredos das Escolas do Rio de Janeiro, desfile do Grupo Especial, domingo

Os desfiles das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro estão marcados para os dias 23 e 24 de fevereiro, no Sambódromo.

Jornal GGN – Para celebrar a principal festa popular do Brasil, o Jornal GGN faz um especial com os sambas-enredo das escolas de samba do Grupo Especial da cidade do Rio de Janeiro, mostrando que história e reflexão social também fazem parte da folia.

Os desfiles das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro estão marcados para os dias 23 e 24 de fevereiro, no Sambódromo.

Estácio de Sá – 21h30

Conhecida como a primeira escola de samba do mundo, a Estácio de Sá abre os desfiles do Grupo Especial com o enredo “Pedra”. O tema aborda desde o simbolismo da pedra como permanência do tempo, passando pelo seu uso por civilizações antigas para registrar suas passagens pelo mundo e a busca por ouro e pedras preciosas na história colonial brasileira. Outras referências citadas no enredo são o poeta Carlos Drummond de Andrade e o escritor Guimarães Rosa.

Viradouro – entre 22h30 e 22h40

A escola de Niterói apresentará o samba “Viradouro de Alma Lavada”. O enredo aborda o grupo musical baiano As Ganhadeiras de Itapuã, apresentando a história, cultura e tradição do grupo – que nasceu nos cantos, danças e crenças das lavadeiras do litoral da Bahia.

“O Brasil de hoje revela a voz de outras mulheres que, em consonância, ritmam o trabalho e o sustento de suas vidas. Elas são de verdade! Sou um pouco de mim, em uma falange de nós. Pertenço à quinta geração das ganhadeiras históricas que remetem à saga de nossas avós, de nossas mães e de outras Marias que contribuíram para a fortificação do povo brasileiro”, diz a sinopse do enredo, a partir de testemunho de Maria da Paixão dos Santos Anjos, ou Maria de Xindó, uma das matriarcas do grupo e que estará presente no desfile.

Mangueira – entre 23h30 e 23h50

A Verde e Rosa busca o bicampeonato com um novo enredo que pretende levar o público à reflexão. O enredo “A verdade vos fará livre” vai tratar da volta de Jesus Cristo à Terra, questionando como ele seria tratado se estivesse entre nós. A sinopse mostra que o Nazareno vai se identificar com os mais pobres, como os moradores das favelas, que sofrem com a intolerância e o preconceito, inclusive o religioso.

“Se sobrevivesse às estatísticas destinadas aos pobres que nascem em comunidades, chegaria aos 33 anos para morrer da mesma forma. Teria a morte incentivada pelas velhas ideias que ainda habitam os homens. O amor irrestrito ainda assusta. A diferença jamais foi entendida. Estender a mão ao oprimido ainda causa estranheza. Seria torturado com base nas mesmas ideias”, diz o enredo.

Paraíso do Tuiuti – entre 0h30 e 1h

A escola de São Cristóvão manterá o tom crítico de seus últimos sambas no enredo “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”. Entre as referências, estão as encantarias e brasilidades de Luiz Antônio Simas e o poema “O Rei que Mora no Mar”, de Ferreira Gullar.

O desfile vai colocar lado a lado São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, e o monarca português Sebastião I, que morreu em batalha no norte da África e deu origem a lendas e mitos no Maranhão. A partir de tal ponto, a escola fará relação com a situação atual do país. Como diz o enredo, “a cada episódio de luta e dor, eis a certeza de que o espírito sebastianista continua a guiar o povo na eterna busca pelo seu próprio rumo”.

Grande Rio – entre 1h30 e 2h10

No enredo “Tatá Londirá, O Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias”, a Grande Rio contará a história do baiano Joãozinho da Gomeia. Babalorixá do candomblé, Joãozinho se estabeleceu em Duque de Caxias e ganhou fama no país, recebendo artistas, embaixadores e políticos (como o presidente Getúlio Vargas) em seu terreiro.

“Um olhar para o nosso passado e para o legado de um líder negro, homossexual e nordestino, bailarino que ousou dançar com o poder instituído e enfrentou, queixo alto e voz potente, as navalhas do preconceito”.

União da Ilha – entre 2h30 e 3h20

Com o enredo “Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: salva-se quem puder!”, a escola da Ilha do Governador vai questionar as promessas feitas por políticos e autoridades para resolver os problemas sociais, de saúde, emprego, moradia e educação, mas que nunca são colocados em prática. 

O samba da escola mostra os desafios de quem mora em uma comunidade, lidando com a morte de crianças e jovens assassinados em conflitos, vítimas do perigo, do abandono e do desalento.

Portela – entre 3h30 e 4h30

A escola vai contar a história dos índios que viviam no Rio de Janeiro antes da chegada dos colonizadores portugueses.  O enredo “Guajupiá, Terra Sem Males” conta hábitos, cultura, tradição, religião e a vida social dos tupinambás, que moravam na Baía do Guanabara.

“Um Rio teve que acabar para que outro pudesse surgir. Como poderia ter sido se tivéssemos respeitado a diversidade étnico-cultural? Enterrados no esquecimento perdemos o elo com nossa ancestralidade primal, perderam eles, perdemos nós, absurdamente privados dessa experiência!”, diz a sinopse do enredo.

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