A cobrança de Dilma aos governadores

Do Valor

Dilma teme atraso e pressiona governadores

De Brasília
01/03/2011

A presidente Dilma Rousseff inaugurou, no encontro que teve com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab, um novo estilo no relacionamento com a oposição. A exemplo de todos os presidentes, independentemente de partidos, Dilma não vai discriminar: repassará verbas federais para governantes oposicionistas. Mas também vai cobrar deles a execução dos projetos com a mesma ênfase que faria com os aliados. Segundo apurou o Valor, o estilo de conduzir a administração, como se fosse gerente da execução dos projetos, que caracterizou Dilma nos tempos de chefe da Casa Civil valerá tanto para Alckmin e Antonio Anastasia, tucano que governa Minas Gerais, quanto para Eduardo Campos, governador de Pernambuco pelo PSB, e Sérgio Cabral Filho, que governa o Rio pelo PMDB.

Lula adotava um discurso político de que liberaria verbas para governantes de oposição realizarem seus projetos. Mas as cobranças pelo andamento dos mesmos também eram políticos, tendo como metas objetivos eleitorais. Dilma tem outro perfil, ela é mais executiva. Vai cobrar de todos os governantes porque espera que as obras financiadas pelo governo federal sejam efetivamente construídas.

AreuA reunião tensa de sexta-feira com governador e prefeito de São Paulo aconteceu porque a presidente Dilma está preocupada com o atraso nas obras para a Copa do Mundo em 2014. A menos de dois anos do prazo estipulado pela Fifa para que as cidades-sede estejam prontas – em 2013, um ano antes da Copa, o país sediará a Copa das Confederações – poucas unidades da Federação estão com os cronograma em dia. Além das construção de estádios em diversas localidades, muitos deles beneficiados pelo financiamento do BNDES, serão necessários investimentos em infraestrutura e mobilidade urbanas, além de reformas nos aeroportos, nas doze sedes dos jogos e nas demais cidades que servirão para o treinamento das seleções.

O caso de São Paulo é o mais dramático, na avaliação de fontes do Planalto, pois a cidade está cotada para sediar o jogo de abertura mas não tem nem sequer um estádio para isso. O governo já avisou que a construção do Estádio que futuramente será do Corinthians – já batizado informalmente de Fielzão – precisa sair do papel o mais rápido possível. Dilma foi dura quanto à necessidade de investimentos em uma cidade que enfrenta sérios problemas para o deslocamento todas as vezes em que chove mais forte.

Dilma foi enfática no encontro com o tucano e demista, como pressionou por agilidade no Rio de Janeiro – governado pelos aliados Sérgio Cabral e Eduardo Paes, ambos do PMDB – e repetirá a pressão hoje na conversa que terá com o governador da Bahia, Jaques Wagner. “A Copa do Mundo tem um prazo para ser feita. Não adianta entregar em 2018 algo que precisa estar pronto em 2014”, afirmou um aliado, lembrando que a Copa acontecerá no mesmo ano da eleição para presidente.

A situação seria mais tranquila no caso das Olimpíadas Rio 2016, pois o tempo até a realização do evento é mais longo, o investimentos, ainda que vultuosos, estão concentrados em apenas uma cidade e Dilma ainda contará com a Autoridade Pública Olímpica, que será ocupada por Henrique Meirelles, para gerenciar o aproveitamento dos recursos federais e privados. (PTL) 

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