Home Coluna Econômica Kássio Nunes faz parte de um novo núcleo duro do bolsonarismo, por Luis Nassif

Kássio Nunes faz parte de um novo núcleo duro do bolsonarismo, por Luis Nassif

Kássio Nunes faz parte de um novo núcleo duro do bolsonarismo, por Luis Nassif

A inusitada decisão do novo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes, de autorizar a abertura de templos religiosos no período mais dramático da pandemia, é relevante pelo que não mostra. O ponto central não foi o aceno aos evangélicos, para recompor os dízimos, mas a desfaçatez.

Nunes não se limitou a afrontar apenas a ciência, mas a própria casa. Investiu contra uma decisão colegiada, que reconhecera a autonomia de estados e municípios para tomar medidas contra a pandemia e ameaçou colocar a Polícia Federal contra o prefeito de Belo Horizonte.

A troco de quê esse atrevimento, esse cavalo de batalha que o isola completamente do restante da casa? Como pode um juiz federal inexpressivo, ligado a grupos polêmicos do Tribunal Regional da 1a Região, pretender tal exibição de força inútil, desgastando-se para embates mais relevantes?

Simples. Kássio Nunes não é apenas um escoteiro deslumbrado com o próprio cargo, mas um representante deslumbrado da nova linha de força do bolsonarismo, um novo núcleo  duro criado sob respaldo de Flávio Bolsonaro, o representante comercial da família.

No centro desse grupo está o deputado Ciro Nogueira, piauiense como Kassio. Na perna jurídica, Kassio e sua aliada no TRF1, a desembargadora Maria do Carmo Cardoso, polêmica, conhecida pela extrema condescendência com que trata empresas fabricantes de cigarros que atuam na informalidade.

Uma das filhas de Maria do Carmo, a advogada Renata Prado, apareceu em investigações da Lava Jato, acusada de receber honorários polpudos para influenciar decisões da corte. A outra, Lenisa Prado, foi indicada por Bolsonaro para o Conselho Administrativo de Direito Econômico (CADE).

Ciro Nogueira, por sua vez, tem contatos estreitos com dois empresários tipicamente brasilienses, Geovani Antunes e Wigberto Tartuce. Giovani mantém relações com Frederico Wassef, a ponte que o grupo encontrou para se aproximar de Flávio Bolsonaro.

A influência de Ciro pode ser medida pela indicação de Flávia Arruda – esposa do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda – para trabalhar junto à Presidência da República.

Outras pernas dessa estrutura são o novo Ministro da Justiça, delegado de polícia Anderson Torres, e o ex-Ministro André Mendonça, hoje na Advocacia Geral da União (AGU).

É por aí que devem ser colocados as lupas da mídia e dos observadores da política. É um grupo que ainda dará muito o que falar, especialmente pela demonstração de deslumbramento primário de Kássio Nunes.

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