O modelo americano de segurança

Enviado por: Luiz Horacio

Embora discorde totalmente das políticas externas conservadorasdos americanos, e de certo autoritarismo do Estado, para que se siga padrões ajustados de comportamento, admiro muitos aspectos desse país e, por ter sido estudante de intercâmbio quando adolescente, criei raízes “ianques” profundas em minha própria formação.

Não há polícia mais eficiente que a americana, mas há um detalhe, quando se diz aqui que a divisão das Polícias Miltar e Civil é causa da insegurança, o alvo está impreciso, digo por quê:

O segredo do sistema nacional de segurança americano é justamente criar inúmeras agências e inúmeros departamentos policiais especializados, inclusive os pequenos xerifes de condado, são muito especializados em sua alçada, além de serem membros conhecidos da comunidade e também eleitos em sufrágio municipal.

Mas, a grandessíssima diferença está justamente nas escalas de comando, e na integração entre todos os comandos. Eles seguem um sistema nacional que vai parar na mesa do Gabinete do Presidente da República, quando necessário, em poucos segundos, e o Presidente fala com o policial, no final da linha, em uma operação, ao vivo, se necessário. Quer dizer, o nível de integração e de cooperação é enorme, gigantesco, embora não seja total, também explico por quê.

Não tem ninguém melhor do que a própria polícia para vigiar a polícia, em qualquer nível, desde o policiamento de trânsito até os Secretários de Segurança e Chefes de Polícia. É a própria polícia que se vigia, porém, uns vigiam os outros, dentro de cada unidade e também através de sistemas de concorrência de metas e produtividade e de corregedorias extremamente atuantes. Além disso, o Gabinete do Promotor, também eleito, está sempre trabalhando em conjunto com a polícia. Então, é um sistema muito, muito bom, principalmente para países como os Estados Unidos e o Brasil. Neste caso, os dois países têm perfil semelhante e o Brasil precisa seguir em grande parte o modelo americano.

Outra grande diferença é o salário e as condições de trabalho. CAbe aqui uma perguntinha que todo policial acredito gostaria de fazer às autoridades brasileiras: onde está o dinheiro para pagar melhor aos policiais? Ele existe, mas está sendo usado para outros fins. Cabe à sociedade brasileira e aos governantes cobrar o retorno desses recursos para o salário dos policiais e também dos professores.

Lá existem problemas seríssimos com adolescentes, tanto quanto aqui, ainda que não seja tão “material”, mas relativamente é material também, contudo, os esforços positivos e abnegados dos americanos, a filantropia, o trabalho voluntário, as instituições sociais, conseguiram fazer um trabalho “vencedor”, além de uma atitude mais consciente da polícia atual, embora esteja longe de ser perfeita.

Outro dado: aqui no Brasil é preciso segmentar muito bem e urgentemente as instituições correcionais. Isto ajudaria muito o cumprimento das penas, por causa das extremas diferenças sociais, que muitas vezes servem para livrar da pena os mais privilegiados, “coitadinhos”.

O caso é que no sistema americano não tem conversa. A polícia prende todo mundo, sem exceção, até ela mesma. Até vice-presidente já foi preso lá. Saiu da linha, vai rapidamente cumprir a pena ou ser absolvido, a não ser nos casos que de vez em quando “escapam”, mas esses acabam virando livro e filme, e a justiça tarda, mas não falha, de um jeito ou de outro.

O caso não é exatamente punir, nem julgar a explicaçào e a justificação dos crimes, mas evitar os crimes. Para isso é preciso ser rigoroso com a lei, senão não há sociedade que agüente. Vide a nossa.

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