Rui e a Rua do Ouvidor

Porque Rui Barbosa permitiu que o jogo especulativo do “Encilhamento” fosse tão longe, arrebentando com a política monetária, devido às sucessivas concessões feitas aos banqueiros seus protegidos?

No site da Casa de Rui Barbosa há fotos de dois automóveis com que o cunhado de Rui, Carlito (Carlos Viana Bandeira) presenteou-o e à sua esposa Maria Augusta, ainda no final do século 19 (clique aqui).

Carlito era o testa-de-ferro de Rui em um banco criado de forma fraudulenta com o Conselheiro Mayring (o banqueiro protegido por Rui). Embora economistas como Celso Furtado considerassem que o “Encilhamento” propriamente dito nada tinha a ver com a política econômica de Rui, a ligação era direta. A liquidez que Rui proporcionou a seus banqueiros (direito de emitir moeda) era canalizada quase na sua totalidade para jogadas fraudulentas na Bolsa. As jogadas eram de conhecimento geral, eram divulgadas na mídia. Porque Rui nada fez para contê-la?

Trecho das memórias de Carlito:

“Minhas atividades em torno da Bolsa proporcionavam-me resultados que me faziam nadar em dinheiro. Os sucessos eram expostos na nossa roda como tacadas. De quando em quando, uma de 20, 30. de 50 contos. Vez por outra, uma de 100 ou mais. Agora, sim, apresentava-me como um capitalista. Enchi-me de boas roupas, calçados, chapéus e bengalas”.

Nessa época, em que Rui foi Ministro, o cunhado tinha apenas 20 anos.

Muitas vezes a explicação de erros econômicos monumentais -como a apreciação radical do real no segundo semestre de 1994— podia estar mais próxima da Praça Antonio Prado, em São Paulo, do que da Rua Marquês de São Vicente, campus da PUC Rio.

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