Indisciplina: a culpa é dos estudantes?

Para especialistas, escolas que prezam pelo diálogo com o território, formação e valorização profissional e gestão democrática apresentam menos conflitos

Por Ana Luiza Basilio

Do Centro de Referências em Educação Integral

“Olha para frente!”, “senta!”, “olha a conversa paralela…”, “chega!”, “silêncio!”. Quem nunca escutou alguma dessas frases na sala de aula? A indisciplina certamente ocupa lugar de destaque no ambiente escolar, angustiando professores, preocupando familiares e frustrando estudantes.

Os números mostram que o Brasil é um dos países onde as “bagunças” mais tomam tempo em sala de aula. A Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), conduzida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que, nos anos de 2008 e 2013, os professores brasileiros foram os que mais se queixaram da quantidade de tempo que gastam tentando manter a sala em ordem: 18% em 2008 e 20% em 2013; a média internacional é de 13% nos dois anos abordados pela pesquisa.

Longe de serem exclusivos da realidade brasileira, dados como esses, segundo especialistas, requerem uma leitura analítica, capaz de situar a indisciplina como fenômeno social, para que, no âmbito escolar, o tema não se reduza à desordem e, consequentemente, ao pressuposto de que o problema são os estudantes.

O que está por trás da indisciplina?

Pesquisador do tema e também diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental Infante Dom Henrique, Cláudio Marques da Silva Neto conta que em sua trajetória aprendeu que a indisciplina é consequência e não causa. Ele aponta dois aspectos fundamentais: “ela pode desvelar traços de uma cultura escolar, ou seja, mostrar um descontentamento mediante as configurações de poder que se dão dentro do espaço da escola, ou ainda captar fundamentos da ordem estabelecida que pode ser democrática ou autocrática e, nesse caso, potencializar as desigualdades”, avalia.

A seu ver, essa análise é fundamental para que a indisciplina seja avaliada em seu aspecto positivo que é o de promover reflexões sobre a realidade sob a qual ela se dá. Caminho parecido trilhou a pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, Gabriela Miranda Moriconi.

Também buscando desmistificar a indisciplina do espectro dos estudantes, a especialista partiu dos dados da pesquisa Talis 2013 e, subsidiada por um programa da OCDE, deu início a um estudo em que procurou levantar subsídios para o desenvolvimento de políticas que apoiem o trabalho dos professores e escolas em relação ao comportamento dos alunos em sala de aula, tendo em vista a melhoria do clima escolar.

O trabalho de Gabriela se deu em duas frentes, uma de ordem quantitativa em que a pesquisadora considerou a análise da Talis de três países latino-americanos: Brasil, Chile e México; e uma de caráter qualitativo que considerou estudos de caso dos sistemas educacionais da Inglaterra e da província canadense de Ontário, para elucidar como essas políticas foram implementadas de forma a melhorar o clima escolar e ajudar os professores a lidar com problemas de comportamento dos alunos.

Algumas constatações

De maneira sintética, o Centro de Referências em Educação Integral elenca alguns aspectos que a pesquisadora evidenciou em sua pesquisa e considera importantes mediante o debate de como lidar com o clima dos ambientes escolares.

Leia a matéria na íntegra aqui

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11 comentários

  1. A indisciplina é o estado natural do ser humano

    Não nascemos disciplinados, nascemos só com os instintos básicos. A disciplina é um longo processo de repressão a esses instintos básicos e condicionamento às mediações necessárias à vida em sociedade. É preciso ceder para que o outro ceda. Ser disciplinado é deixar de fazer aquilo que se tem vontade, para fazer aquilo que não se tem vontade mas é necessário ao bem comum.

    Se a professora acredita que os alunos são indisciplinados porque “estão descontentes com as configurações de poder que se dão dentro do espaço da escola”, então ela acredita que os alunos são adultos e têm ideias próprias sobre como a escola deve ser conduzida. O que fazer então? Uma assembléia onde os alunos vão votar e decidir democraticamente quais aulas serão dadas, qual o tempo de recreio, o que vão ou não fazer na escola? Ora, se dependesse da vontade das crianças, elas sequer estariam na escola, e sim brincando nas ruas!

    A causa da indisciplina nas escolas é, simplesmente, a falta de disciplina, sem a qual acaba a civilização e volta-se à lei do mais forte. Disciplina, por definição, é para ser imposta, e não negociada, e só existe onde há autoridade.

  2. Jurara bandeira
    + Aula de moral e cívica

    Se não ensinam em casa, alguém tem que fazer.
    O resultado da falta disto é o que é visto agora no cenário político.

    • Putz! Se é ironia, está criptografada…

      Quer a volta da Ditadura Militar? Jurar bandeira, cantar hino, aula de “Estudos Brasileiros” (entre aspas, porque uma real disciplina de Estudos Brasileiros seria ótimo, mas nao aquele tipo de conteúdos dados na disciplina que houve com essa denominaçao).

      • Deixe me ver
        Se entendi sua linha de raciocínio.
        Porque Mussolini tentou adotar o socialismo, só posso concluir que socialismo é ruim.

        Anarquista, pelo menos tente pensar.

        • Argh! Haja nível de argumentaçao…

          “Patrioteirismo” é ruim em si mesmo. Nao resolve nada, nunca resolveu. E Mussolini NAO tentou adotar o socialismo, só de nome.

          • Se vc observar o que disse
            Verificará que tudo se baseia em PRÉ conceitos.

            Acho que vc deveria pensar profundamente a respeito do significado do patriotismo. Mas vc tem que pensar….

            Patriotismo, como vc o vê, não existe mais.
            Ao pensar sobre este assunto, coloque na cúbica o comportamento individualista e egoísta de nossos jovens.
            Tudo é interrelacionado a ausência total de patriotismo que no fundo, no seu âmbito, é um sentimento em que o indivíduo abre mão de interesses particulares para trabalhar para os interesses da coletividade, interesses de sua pátria, de todos.

            Não sendo um povo, O Povo deste país tem que ter um fator de união.
            Não pode ser religião e também ideologia. Então, o que restou a este povo como fator de união? O que temos em comum para nos diferenciar de outros Povos deste planeta e , por fim, para podermos defender melhor defender nossos interesses, os interesses de nosso Povo?
            Ou vc acha que algum Governo do mundo defende o interesse do Povo brasileiro?

            Ainda não somos um país. Espero que a ficha caia antes que seja tarde.
            Seu preconceito é fruto de atos do passado E TAMBÉM de propaganda. Acho que vc ainda não se deu conta da propaganda que sua mente recebe todos os dias em que respira. O fator mais importante quando vc se da conta da propaganda é quem faz e porquê. Ela esta escondida nos lugares mais estranhos. ..

            Usa o nome anarquista porque se acha livre em pensamento. Mas é livre aquele que é manipulado e não sabe?
            Eu uso outro adjetivo!

          • Vc nao sabe ler? Falei em “patrioteirismo”, nao em patriotismo

            Aliás, prefiro falar em sentimento nacional, sentimento de pertencimento, etc. A palavra “pátria” foi muito contaminada pelo uso militarista que foi secularmente feito dela. Jurar bandeira, cantar hino, nada disso é mostra de verdadeiro sentimento nacional ou de preocupaçao com o coletivo. E a defesa desses “valores” no contexto atual só pode fortalecer interpretaçoes fascistizantes.

            Agora, vc, que vive dizendo abobrinhas e pendurando melancias no pescoço, falar de pensamento? Deixe-me rir…

          • Isso é baboseira e chichê, manipulaçao da mídia

            Que desvirtua o indíce de ALFABETISMO funcional, do Instituto Paulo Montenegro, apresentando todos os 3 níveis que nao sao o mais alto como de analfabetos funcionais. Repetir isso é que é prova de analfabetismo funcional, rs.

  3. Ótimo assunto, mas como todos estão sem cabeça para pensar….

    Ótimo assunto, mas como todos estão sem cabeça para pensar em outros assuntos seria melho recolocar o mesmo post daqui uns tempos.

    Não vou fazer maiores comentários pois prefiro respeitar quem o colocou do que colocar besteiras como o Athos.

  4. Descobriram que a

    Descobriram que a indisciplina é consequência e não causa dos problemas em sala de aula? Nossa que gênios! Daqui alguns anos (depois de torrar milhões de reais inutilmente em bolsas de estudo) vão reinventar a roda descobrindo o óbvio que todo professor vê no cotidiano: os maiores culpados são os pais, que não educam direito os filhos e enviam para as escolas verdadeiros marginais-mirins.

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