Moro ameaça deixar o governo se Bolsonaro não indicar na PF nome de sua confiança

Popularidade maior de Moro cria ciúmes em Bolsonaro que se mostrou satisfeito quando veio a Vaza Jato para deixar ministro da Justiça mais dependente do Planalto

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O ministro da Justiça Sergio Moro está a um fio de deixar o governo. A informação é da coluna de Guilherme Amado, no jornal O Globo.

“Se o presidente Jair Bolsonaro tirar Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal (PF) e não colocar em seu lugar alguém de confiança de Moro, o ministro deixará o governo”,escreve o articulista com base em informações de pessoas de confiança de Moro.

Alçado ao governo para assumir um “Super-Ministério”, Moro acabou se tornando, após 9 meses de gestão Bolsonaro, o ministro mais podado.

“O desconvite para a especialista em segurança pública Ilona Szabó, a Funai goela abaixo (com a escolha de seu presidente feita por Bolsonaro e não por Moro), a retirada do Coaf do Ministério da Justiça e a posterior reformulação do conselho, a desautorização pelas indicações no Cade, mandando o Senado devolver os nomes ao Planalto, a demissão via imprensa do delegado que comandava a PF no Rio de Janeiro, a ordem para que a tramitação do pacote anticrime ficasse mais lenta e até o veto a uma propaganda do projeto… A lista de vezes em que as asas de Moro foram cortadas é extensa”, escreve Amado.

O jornalista destaca dois motivos que explicam esse tratamento diferenciado de Bolsonaro em relação a Moro. O primeiro é o ciúmes que alimenta contra o ministro.

“A insatisfação de Bolsonaro com Moro começou quando o presidente, em 26 de maio, no domingo em que convocou a população para ir às ruas defender seu governo, deparou com um boneco inflável do Super-Moro, em Brasília. Ninguém se lembrou do Super-Bolsonaro. Aliás, não havia nem um chaveirinho de lembrança com o rosto do Mito”, observa.

Para colaborar, as pesquisas de opinião, além de mostrar queda na popularidade de Bolsonaro como presidente, apontam que Moro está em alta frenta à opinião pública que elegeu o presidente.

“Quando veio a Vaza Jato, Bolsonaro comentou com um de seus filhos que aquilo tinha um lado positivo para ele, pois Moro agora dependeria mais do Planalto, o que, de certa maneira, é verdade”, destaca Amado.

O segundo motivo que leva Bolsonaro a contrariar Moro tem a ver com a insatisfação do presidente em relação à PF.

“Conforme mostrou o repórter [do O Globo] André Guilherme Vieira, a instituição investiga milicianos que eram ligados ao gabinete de Flávio Bolsonaro. As informações estão sendo trabalhadas pela Diretoria de Inteligência, mas policiais próximos à família do presidente souberam da existência da apuração, causando a ira de Bolsonaro. Daí ele querer controlar a corporação no Rio de Janeiro”, ressalta Amado.

Na semana passada, Bolsonaro chamou de “babaquice” a reação de integrantes da Polícia Federal às declarações dele sobre a troca de superintendências e na diretoria-geral e, ainda, que a corporação precisa de uma “arejada”.

“O motivo foi a troca de 11 superintendentes sem falar comigo. Fui sugerir para o Rio um de Manaus, aí teve essa reação toda. Isso é babaquice”, disse.

“Essa turma [que dirige a PF] está lá há muito tempo, tem que dar uma arejada”, comentou ainda.

“Mais difícil é trocar de esposa. Eu tive uma conversa a dois com o Moro…[O diretor-geral] tem que ser Moro Futebol Clube, se não, troca. Ninguém gosta de demitir, mas é mais difícil trocar a esposa. Eu demiti o Santos Cruz, com quem tinha uma amizade de 40 anos”, disse também Bolsonaro se referindo à saída dos ex-ministro da Secretaria de Governo o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, afastado do governo depois de se tornar alvo de ataques do ideólogo da direita Olavo de Carvalho e do filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro.

Amado lembra que Bolsonaro ainda se meteu em uma antiga disputa entre agentes e delegados da PF, quando respondeu via Twitter a um ofício da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), que representa os agentes. A nota defendia que a PF não seja controlada apenas por delegados.

*Clique aqui para ler a coluna de Guilherme Amado na íntegra.

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