O caso René Dotti e o contrato milionário com a Petrobras

Advogado que protagonizou críticas contra Zanin e que obteve até R$ 3 milhões da Petrobras passa a atuar em defesa de Sérgio Moro

Foto: TRF4

Jornal GGN – Alvo da reabertura de investigação pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as acusações levantadas pelo advogado Rodrigo Tacla Duran, o ex-juiz Sérgio Moro contratou o advogado René Ariel Dotti para a sua defesa. Dotti, que já protagonizou um confronto direto contra a defesa do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, à época elogiado pelo próprio ex-juiz, atuava como assistente de acusação da Petrobras, em um contrato milionário, em dezembro de 2014, que agora vem à tona.

O confronto

O advogado curitibano atraiu os holofotes da imprensa em julho de 2017, durante um interrogatório do ex-presidente Lula ao então juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. Na ocasião, o criminalista -que não exercia papel de acusador- descontrolou-se diante das respostas dadas pelo advogado Cristiano Zanin, e tomou a palavra, em clara defesa de Moro.

O próprio ex-juiz mostrou-se surpreso com a reação de René Dotti e o elogiou, tanto na sessão de audiência contra o ex-presidente Lula, quanto ao noticiário que repercutiu o caso. “O comportamento inadequado da defesa de Lula foi inclusive objeto de censura pelo renomado e veterano advogado criminal René Ariel Dotti, atuando como representante da Petrobras”, havia escrito Moro, na transcrição da audiência contra o ex-presidente.

Demonstrando que não se tratava de um episódio pontual, à época, o advogado enfatizou publicamente as críticas contra Zanin em entrevistas, chegando a republicá-las na página do escritório de advocacia (aqui). “Resolvi intervir para demonstrar que não é possível transformar uma audiência num palco de confrontação, num cenário de guerra para efeito de publicidade midiática. O que o advogado queria, evidentemente, era fazer uma propaganda para a defesa de seu cliente”, havia dito Dotti, em declarações à Gazeta do Povo.

A relação com a Petrobras

Em entrevista recente concedida à TV GGN, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) denunciou que o advogado René Ariel Dotti obteve um contrato milionário para atuar como assistente de defesa da Petrobras no caso da Operação Lava Jato.

“Eu recebi hoje um contrato que o René Ariel Dotti tem com a Petrobras, com remuneração dele é de R$ 3 milhões no contrato e a cada assistência que ele presta numa ação ele ganha mais R$ 100 mil. Então há uma estimativa que ele esteja ganhando em torno de R$ 13 milhões. É uma contratação sem licitação da Petrobras”, disse Teixeira.

O contrato, que também foi divulgado pelo site DCM, aponta que a Petrobras previa o pagamento de 3 milhões de reais em honorários, sendo destes R$ 80 mil por ação penal, na condição que o escritório de advocacia atuasse a favor da estatal como parte “interessada”, e R$ 100 mil como assistente do Ministério Público, por cada ação penal.

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Agora, o nome do advogado volta a ser associado ao ex-juiz Sérgio Moro, desta vez, para atuar diretamente em sua defesa do processo no qual é investigado pela Procuradoria-Geral da República.

Resposta

O GGN entrou em contato com o escritório de advocacia Professor René Dotti e com a Petrobras, para entender o contrato exposto e as atuações do advogado a favor da estatal nos processos da Operação Lava Jato.

“Gostaríamos que fossem esclarecidos em que consistia o trabalho de assistente de acusação, como foram calculados os honorários, se foram feitas outras atuações do mesmo escritório junto à Petrobras, em que casos o escritório de advocacia atuou até agora na Operação Lava Jato como assistente da Petrobras e respectivos honorários”, foram as perguntas enviadas.

A Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que “não irá comentar a demanda”.

E o advogado Alexandre Knopfholz, do escritório de advocacia de René Dotti, confirmou que o escritório foi contratado pela Petrobras para atuar nos casos relacionados à Operação Lava Jato e restringiu-se a mencionar que a contratação, com o pagamento de honorários, foi feita de acordo com a legislação vigente.

Abaixo, reproduzimos a íntegra da resposta enviada:

“Agradecendo o contato, em atenção aos questionamentos formulados, informo:

a) O Escritório foi contratado pela Petrobras para atuação em casos relativos à Operação Lavajato;
b) A contratação observou rigorosamente a legislação vigente;
c) Na qualidade de assistentes de acusação, foram praticados atos processuais de representação da Petrobras (CPP, art. 268 a 273).”

 

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