Cancelar as eleições é ideia “infundada e imotiva”, diz Helena Chagas

Foto: Lula Marques
 
 
Jornal GGN – Embora à direita e à esquerda cresçam os boatos de que Michel Temer pode renunciar, sofrer impeachment ou tentar dar um “golpe dentro do golpe” para esticar o mandato por causa dos desdobramentos da operação Skala, em verdade, a ideia de adiar a eleição é “infundada e imotivada”, escreveu Helena Chagas.
 
Segundo a jornalista, “ainda que enfraquecido e desmoralizado, Temer não será preso no exercício da presidência. Se sofrer uma terceira denúncia, esta poderá se arrastar por meses até ser examinada pela Câmara – e, quando isso acontecer, o final de seu mandato estará muito próximo e seu sucessor sendo eleito. A eleição é a solução – por pior que sejam as expectivas em torno de seu resultado.”
 
Por Helena Chagas
 
Em Os Divergentes
 
E agora? Cumprir a lei e fazer a eleição
 
A Operação Skala, que prendeu nesta manhã os melhores amigos do presidente Temer – José Yunes, Wagner Rossi e o coronel Lima – parece ter pegado todo mundo de surpresa. Nessas horas, Brasília entra numa espécie de transe e comecam a circular, junto com informações reais, as ‘fake news’ mais estapafúrdias, sempre atendendo a conveniências de uns e outros. Quem não ouviu, nos últimos dias, rumores sobre absurdas afirmações de politicos ligados ao Planalto de que a eleição deste ano correria risco?
 
Apesar da surpresa geral com as prisões de hoje, no mínimo alguém no governo ouviu, nos últimos dias, o galo cantar e ficou sabendo que o cerco iria se fechar em torno do presidente no caso dos portos. O que seria até meio óbvio, dadas as últimas providências da PGR e do ministro Luis Roberto Barroso, do STF, que prorrogaram o inquérito e autorizaram a quebra do sigilo bancário do próprio Temer.
 
Não era preciso ser um gênio da raça para se prever que algo viria – e isso pode até explicar a decisão de Temer de botar sua candidatura presidencial na rua, movimentando o ambiente. Ganha uma desculpa e um discurso de defesa, jogando as acusações no território eleitoral. É provável que essa candidatura não vingue agora, mas pouca diferença vai fazer num quadro geral em que já não tinha nenhuma chance.
 
A desconfiança de que poderá haver uma terceira denúncia contra Temer não é de hoje, e até já tratamos deste assunto aqui n’Os Divergentes no dia 12 de março (Michel teme terceira denúncia). Agora, esse receio é concreto por parte do Planalto e demais governistas.
 
Ninguém se surpreenderá se começarem a se multiplicar os rumores e temores sobre instabilidade política, renúncia, adiamento de eleições etc. À esquerda, alguns acordaram hoje falando em ‘golpe do golpe”, alertando para o risco de não haver eleições. E o principal, nesse momento, é tirar do mapa esse tipo de conversa, infundada e imotivada.
 
Ainda que enfraquecido e desmoralizado, Temer não será preso no exercício da presidência. Se sofrer uma terceira denúncia, esta poderá se arrastar por meses até ser examinada pela Câmara – e, quando isso acontecer, o final de seu mandato estará muito próximo e seu sucessor sendo eleito. A eleição é a solução – por pior que sejam as expectivas em torno de seu resultado.
 
Não há por que haver prejuízos à institucionalidade, e nem há qualquer razão plausível para um atentado desse tipo à democracia – que andamos tanto, por tanto tempo, e à custa de tantos sacrifícios e vidas, para conquistar.

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4 Comentários

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Frederico Firmo

- 2018-03-30 17:06:34

Chagas da Imprensa

No momento atual temos na imprensa Fake News e agora os Balão de Ensaio News. Chagas agora quer admoestar a esquerda   sobre a  conjectura "infundada" de que a queda de Temer pode ser a desculpa para a instabilidade política e tentativas de cancelar as eleições.  Observem que as conjecturas não são tão imotivadas assim.  Mas Chagas como sempre coloca na boca da esquerda o balão de Ensaio que tanto quer.

O proprio golpismo  agora investe contra Temer. Não acredito em vontade de justiça no caso de Barroso e Dodge. Barroso e Dodge estão no ramo do poder.   Eles vão utilizar todas as armas para permanecer no poder. A justiça tem muito pouco a ver com isto.  De há muito, como fizeram com Cunha, a justiça tem sido a coleira que tenta inutilmente fazer com que Temer  diminua suas pretensões e seja obediente. Seu catástrofico governo o tornou agora uma bomba da qual querem se desvencilhar. 

Porém, os candidatos golpistas precisam de qualquer forma da máquina do governo para se eleger. E Temer se tornou  um grande entrave, mas não o único. Temer percebeu que uma vez fora de poder, teria o mesmo destino de Cunha. Mas Temer amealhou poderes e não pretende desisitir sem usá-ĺos. Mas os golpistas não tem até agora candidatos viáveis.  Afinal todos os candidatos ( PSDB like)  não estão conseguindo se estabelecer. Temer viu neste vazio a sua chance, mas se imaginava forte o suficiente, ao impor Segovia e Dodge. Dodge tinha suas próprias ambições e nelas Temer se tornou um incomodo.  Resta a eles investir contra Temer, lavando as mãos e fingindo que não tem nada a ver com isto.

Esta última investida contra Temer tem outras motivações, e os golpistas contam com de um lado barrar Lula de qualquer forma, e do outro derrubar Temer pode sim convenientemente  criar um caos institucional a beira da eleição.  A intervenção em nome da segurança deveria vir mais proximo da eleição, e poderia just in case ser conveniente diante do caos institucional.  Porém a intervenção  agora vai contar com o desgaste, devido ao destempero de Temer, que com medo do Vampiro da Tuiuti a lançou antes do tempo planejado.

Se querem seguir o golpe, sigam agora Barroso e Dodge, formando a linha de frente e, obviamente, quem arquiva processos contra Serra por questões de idade não está muito preocupada com corrupção e justiça. Então é preciso saber porque Dodge se especializou ultimamente em investir contra Lula ( isto é o de sempre) e contra Temer ( o que não é o de sempre). O caso dos Portos já era conhecido antes mesmo do golpe. Mas como vemos demorou para vir a tona. Desvincular esta sanha por Justiça das eleições, seria, isto sim, uma idéia infundada e imotivada.

E respondendo ao balão de ensaio de Chagas, eu diria que são conjecturas mas com um pé claro na realidade. Chagas tenta mais uma vez checar o alcance do Balão de Ensaio, e prevenir que o publico perceba as manobras com a velha desculpa de que isto é ou teoria da conspiração ou bla bla bla eleitoral.

Max Christian Frauendorf

- 2018-03-30 14:59:32

Não há por que haver prejuízos à institucionalidade (????)

De fato, são várias pérolas de ingenuidade,entre elas a afirmação  "Não há por que haver prejuízos à institucionalidade", como se a institucionalidade já não estivesse completamente desepedaçada. Talvez coubesse aqui dizer no máximo "o que resta de institucionalidae", o fiapo no farrapo.

" Se sofrer uma terceira denúncia, esta poderá se arrastar por meses até ser examinada pela Câmara ", como se fosse possível ignorar que a velocidade com que o tecido constitucional e civilizatório tende a atropelar qualquer veleidade processual, ainda mais dentro de uma instituição putrefata como o congresso. Claro que a queda de Temer pode não acontecer, mas é notório que a sua blindagem apresenta vários rombos, e seu principal fiador junto ao "mercado", meireles,  já abandonou a canoa furada.

"em há qualquer razão plausível para um atentado desse tipo à democracia", como se a democracia já não estivesse sendo diariamente estraçalhada à tiros nas ruas e nos campos do país. Não deve haver dúvida que o aumento dessa violência fortalece os arautos do caos e da solução de força bruta máxima, hoje só praticável pelas forças armadas. Certamente o que resta de civilidade dentro delas não aceitará fazer o trabalho bruto e sujo, tendo como seu chefe um criminoso à beira do debacle geral.

Continuo achando que é  hora de uma manifestação massiva de todas as forças progressistas, nacional-populares, de esquerda, centro-esquerda e esquerda radical, organizações populares e sindicatos contra o avanço do fascismo, o que hoje em grande parte aponta necessariamente para a manutenção do calendário eleitoral e da vitória de uma candidatura que represente esta Frente Única Antifascista, com um programa radical de reversão golpista. Basta que todos compreendam que o nome deste candidato seja uma decisão completamente em aberto. Registrem-se todas as candidaturas se assim preferirem os partidos da frente, mas necessariamente aceitem que a definição final do nome pode indicar qualquer intgrante da Frente que se comprometa com este programa.

  

Juliano Santos

- 2018-03-30 14:27:34

Helena Chagas chama isso que

Helena Chagas chama isso que estamos vivendo de democracia? Então está validando as aparências. E que aparências!

alfredo machado

- 2018-03-30 13:59:07

fim do mundo

Nassif,

Eleição em daqui a 6 meses, em outubro, como alguém pode afirmar que isto irá acontecer?

Já se foram 3 meses do ano e cadê a divulgação semanal daquela usual chuva de pesquisas de opinião sobre a candidatura para presidente? Nunca ocorreu, 3 meeses de um ano eleitoral sem o resultado de pesquisas de opinião.

O semipresidencialimo, aprovado no STF a toque de caixa no final do ano passado, não está por aí  à toa, assim como a possibiidade de um sistema parlamentarista não pode ser descartada pois, até aqui, nada nem ninguém ousou abrir o verbo para assegurar a realização de eleições em outubro/2018.

O país está sem qualquer tipo de comando, um dos objetivos centrais do eficientíssimo grupo golpista, até aqui ninguém conseguiu espaço para denunciar a muito bem executada destruição, ou será que todos os brazucas têm conhecimento da cessão do espaço aéreo para USA, da entrega da base de Alcântara nos termos estabelecidos por Washington? Quanto à vergonhosa entrega do pré-sal, a mídia divulgou detalhes das licitações comandadas por um canalha da cabeça aos pés, quantos brazucas tiveram conhecimento disto tudo, fatos impossíveis de ocorrer em qualquer país deste planeta ?

Na argentina, o safado que comanda aquilo lá pretendeu encaixar uma reforma trabalhista semelhante à do pilantra daqui, e o que ocorreu ? A população argentina foi prá rua aos gritos de " isto aqui não é brasil, isto aqui não é brasil" e o canalha portenho teve que voltar atrás, porque o argentino tem orgulho de seu país, tem orgulho em ser argentino.

Em sã consciência, sem torcida, não sei como alguém pode acreditar que um grupo golpista tão poderoso e efetivamente profissional vá permitir, via eleição direta, a vitória de um "inimigo" que tentará reverter muito do que já foi conquistado.

A saúde e educação foram devidamente destruídos, aliás, a farmácia popular acaba de ir pro espaço sem que tenham ocorrido maiores resistências, a reforma da previdência é inevitável, o butim é gigantesco $$$$ e tem gente que acredita em reversão de expectativas em um universo de Poder dominado por uma malta de ladrões de fino trato.

Quase esqueço, caso seja necessária uma aparência de decência, taí a milagrosa urna eletrônica para assegurar a vitória de qualuqer huck, angelica,doria,flavio riachuelo, bolsonaro, alexandre frota e neste tome segue a lista de canalhas descerebrados de onde sairá o escolhido para marionete-mór durante oito ou mais anos. huck ou qualquer outro discutindo com armínio fraga a respeito dos rumos econômicos será como um belo ( ou macabro) instantâneo do fim do mundo.

 

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