TVGGN 20 horas: A tentativa de golpe nos EUA pode se repetir no Brasil?

Confira o comentário diário de Luis Nassif sobre as principais notícias da política e economia no Brasil e no mundo nesta quarta-feira, 06 de janeiro

O programa começa com a entrevista de Nassif com a pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, a respeito da vacina contra a covid-19 e as respectivas mutações. “O coronavírus não é um virus altamente mutante, diferente do vírus do influenza pelo qual tem que ter vacina nova todo ano”, explica a pesquisadora. “Ele já teve aproximadamente umas 300 mutações desde que a epidemia começou, mas todas elas são mutações que ocorrem individualmente e que não conferiram a ele uma patogenecidade maior”

Ou seja: segundo doutora Margareth Dalcolmo, “ele não ficou pior, mais virulento por conta das mutações. “Porém, essas mutações quando se associaram (como a cepa nova que está correndo no Reino Unido e já está no Brasil), ela é uma cepa muito transmissível porque ela tem três mutações que nós já conhecíamos, mas que nunca tinham sido encontradas juntas. Isso transformou o vírus com uma capacidade de transmissibilidade muito maior”

“Nenhuma dessas mutações fará com que as vacinas tenham qualquer influência maléfica no sentido de não ter atividade contra eles. Nada”, diz a doutora Margareth Dalcolmo. “Essas mutações não dão ao vírus nenhuma capacidade diferente de não responderem ás vacinas, de modo algum. Não há nenhum temor quanto a isso”

“Não há melhor vacina, todas as vacinas são boas iguais. Elas são vacinas diferentes, e isso é uma coisa que ensinamos aos nossos alunos e à opinião pública: valorar eficácia de vacina teórica, de vacina, não é a melhor maneira de se avaliar a eficiência, a efetividade”

“Qualquer vacina que tenha uma eficácia, em estudo, acima de 50% é suficiente para, no mundo real, alcançar a quebra da cadeia de transmissão que é o que nós queremos encontrar. Isso é o que interessa”, afirma a infectologista da Fiocruz.

Sobre a vacina indiana que está sendo comprada pelo setor privada, doutora Margareth afirma que “parece ser uma vacina boa. O problema é que não conhecemos os resultados da fase 3 dela até o momento. O que ela (Bharat Biotech) destinaria à rede privada é, no máximo, 5% da sua produção (para a rede privada) por todo um controle ético (…) Não quer dizer que não venhamos a ter, no futuro, vacina na rede privada como sempre teve”

“O mundo inteiro tem clínica de vacina privada, no Brasil também. Nós tomamos a vacina da gripe todo ano pelo SUS, mas há pessoas que não querem tomar (…) Neste momento da epidemia da covid-19, isso tá fora de cogitação. Não pode, sobretudo no país da desigualdade do Brasil, onde tenho clientes que me disseram ‘doutora, eu estou disposto a pagar R$ 5 mil por uma dose da vacina’. Ora, isso não pode acontecer”, pontua doutora Margareth.

“A chancela que o Ministério da Saúde deu à Fiocruz para fazer um acordo de transferência de tecnologia com a AstraZeneca (a vacina vai se chamar AstraZeneca/Fiocruz), essa foi uma negociação feita a custo humanitário”, diz a pesquisadora da Fiocruz. A vacina está custando menos de US$ 2 a dose, e essas que estão sendo importadas estão saindo a US$ 5 a dose, por estar embutido o custo do transporte, da embalagem, da conservação na cadeia de frio nos aviões”, diz doutora Margareth Dalcolmo;

“Aqui, para a nossa produção, a dose de vacina tá US$ 2,16, é o custo unitário de cada dose”, afirma a pesquisadora da Fiocruz, e ressalta que foi feita a nacionalização completa do medicamento (incluindo a produção futura da matéria-prima que dá origem à vacina)

“(A produção da vacina) será para uso específico no Brasil, mas o Brasil poderá fabricar. Isso prevê inclusive que o Brasil possa vender a vacina depois para os países da América Latina, ou doar para os países pobres que não podem comprar”, diz Margareth

Ao comentar sobre as eleições norte-americanas, Nassif destaca o resultado da Geórgia: “A maneira como o mundo atua é fantástica: na Georgia, onde o Trump depositava suas últimas esperanças, vence a eleição um senador negro. “E todo o trabalho de afirmação dos negros vem de uma parlamentar negra, que durante 14 anos lutou para levar civilização para lá”, lembra Nassif, ao fazer uma referência a Stacey Abrams

Nassif lembra que Trump estimulou a manifestação de seus apoiadores, quando postou uma mensagem em 30 de dezembro falando que veria seus apoiadores em Washington em 06 de janeiro. “Nós vimos uma bela cobertura da imprensa, indignação dos jornalistas, a torcida para que Trump possa ser preso pelas ameaças à democracia (…)

“O que teria acontecido com os EUA se a mídia, ao invés de defender a democracia, estimulasse as manifestações contra as eleições e apoiasse o golpismo de Trump?”

“E se os ministros da Suprema Corte esquecessem os princípios democráticos e passassem a atuar politicamente? Sabe o que aconteceria? Ficaria que nem o Brasil de 2014, quando o Aécio Neves questionou o resultado das eleições”

Ao comparar as recentes posições de Trump e Bolsonaro, é preciso lembrar que “todo esse processo é muito similar, e remete o que pode acontecer com o Brasil depois dessa demonstração do Trump nos EUA”

“O que o Trump fez foi criar um estímulo a uma rebelião, questionar as eleições, usar o fator economia/o fator saúde aqui para tentar dar um golpe de Estado. O que você tem lá: a polícia não entrou, a Justiça não entrou, o Partido Republicano não entrou”

“Vamos pegar o Brasil: esse mesmo movimento, o Bolsonaro tentou fazer tempos atrás, quando ele tentou estimular aquele pessoal a invadir o Supremo Tribunal Federal. Não deu certo naquele momento, e ele recuou”

“Hoje, o que ele (Bolsonaro) está fazendo: 1. armando a população; 2. proselitismo com policiais e escalões mais baixos das Forças Armadas. E o que ele fez ultimamente: boicote às vacinas – é evidente o boicote à vacina. E todas as declarações dele visam estimular o sentimento antivacina. E porque esse ponto, quando você pega Trump, Bolsonaro e coloca o Steve Bannon no meio: eles definiram os vilões. O vilão não é a covid, o vilão é quem é a favor do controle da covid e descuida da economia”

“Então, de um lado, toda essa incompetência em relação à vacinação tem uma intenção de criar uma situação irrespirável. Segundo: tirar a renda básica (…) Então, de um lado você tem a explosão da doença com a segunda onda, uma disputa terrível contra os governadores que querem fazer isolamento, de outro o boicote às vacinas”

“Por exemplo: nesse golpe de mão tentado pelo Trump, quem ele convida para ir aos Estados Unidos? Eduardo Bolsonaro. Quem é o principal estimulador dessa rebelião que teve nos EUA? O senador Ted Cruz, estreitamente ligado aos Bolsonaros, fazia parte daquele lobby da máfia do jogo de Los Angeles (…) Você tem tudo caminhando, os preparativos para o Bolsonaro mais adiante”

“Aqui, as instituições estão no Olimpo. O cara pode matar quem ele quiser, desde que ele não dirija seus foguetes ao Supremo, ele pode matar. É um genocídio explícito, até nos EUA do Trump um boicote às vacinas como o Bolsonaro está fazendo seria motivo de impeachment”

“O que temos aqui no Brasil, em termos de cenário, é claramente um preparativo dos Bolsonaros para tentar repetir mais adiante o que tentaram fazer naquele momento que (Jair) Bolsonaro tentou colocar o pessoal contra o Supremo. Pessoal do Supremo, vai sobrar para vocês. Se não conseguem pensar no país, ao menos pensem no próprio pescoço na hora de encarar o que o Bolsonaro representa e os riscos que ele representa com esse movimento terrível”.

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