E-mail da White Martins confirma omissão do Ministério da Saúde em Manaus

Empresa pediu transporte de oxigênio a coronéis que assessoram Eduardo Pazuello, mas não foi atendida; três dias depois, capital do Amazonas entrou em colapso

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello. Foto: Reprodução/Agência Brasil

Jornal GGN – Um e-mail enviado pela empresa White Martins ao Ministério da Saúde é mais um ponto que confirma a omissão da pasta, comandada pelo general da ativa Eduardo Pazuello, ao lidar com a pandemia de covid-19.

A mensagem, publicada pelo jornal Folha de São Paulo, mostra que a empresa solicitou “apoio logístico imediato” para efetuar o transporte de 350 cilindros de oxigênio gasoso, 28 tanques de oxigênio líquido, 7 isotanques e 11 carretas com o insumo para a cidade de Manaus. O pedido foi feito a dois coronéis do ministério, e não foi atendido a tempo.

A solicitação foi registrada em e-mail escrito por Lourival Nunes, diretor de Desenvolvimento de Negócios Medicinais da White Martins, e enviado no dia 11 de janeiro ao comitê de crise montado pelo governo do Amazonas e ao coronel do Exército Nivaldo Alves de Moura Filho, diretor de Programa da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.

Três dias após o envio do e-mail, a reserva de oxigênio hospitalar em Manaus acabou e pacientes morreram asfixiados, o que foi o estopim de uma crise que gerou a transferência de 645 pacientes para outros estados – sendo que 92 deles (ou 14,2%) morreram longe dos familiares.

A omissão de Pazuello levou à abertura de inquérito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o militar, suspeito de cometer crimes. Diligencias autorizadas pelo Supremo já estão em andamento. Enquanto isso, o general da ativa que comanda o Ministério da Saúde tenta apagar os rastros da falta de ação elaborando documentos para mudar a versão em torno das mensagens enviadas pela White Martins.

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