Bolsonaro distorce manifestação da OMS: “Queremos mesmo que tudo volte à normalidade”, diz

"Queremos sim, o mais rápido possível, senhores prefeitos e governadores, que decidam o mais rápido possível voltar à normalidade", disse Bolsonaro, distorcendo declarações da OMS

Foto: Marcos Correa/PR/Divulgação

Jornal GGN – “Economia é vida. Queremos, sim, a volta à normalidade o mais rápido possível”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em coletiva na manhã desta terça (09). A declaração de Bolsonaro foi a conclusão que ele teve, após interpretar de forma equivocada o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Essa informação, da OMS, que há pouco tempo voltou atrás com a pesquisa da hidroxicloroquina, e essa agora que os assintomáticos não transmitem o vírus, vai mudar, sim, com toda a certeza a posição de governadores e prefeitos, no tocante a confinamento, a lock down. Queremos mais mesmo que tudo volte à nossa atividade econômica, porque economia é vida, queremos sim, o mais rápido possível, senhores prefeitos e governadores, que decidam o mais rápido possível voltar à normalidade”, cobrou Bolsonaro.

Nesta segunda (08), a chefe do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria van Kerkhove, havia informado que estudos ainda estavam em andamento, e um deles indicava que a transmissão por pessoas assintomáticas, ou seja, pacientes Covid-19 que não possuem sintomas, era “rara” [entenda].

Em nenhum momento, a representante da OMS informou que “é praticamente zero” ou “nula” a capacidade de contágio por aqueles que não têm sintomas [leia aqui]. Mas assim distorceu Jair Bolsonaro que, em declaração na manhã de hoje, ainda informou ser este o argumento necessário para prefeitos e governadores acabarem com as políticas de quarentena.

“Foi noticiado ontem declaração da OMS, onde diz a OMS que entre os assintomáticos a chance de transmissão do vírus é próximo de zero, o dado não é comprovado, como nada é comprovado na questão do coronavírus, mas é bastante importante”, disse o mandatário, na mesa, ao lado dos ministros, e após o interino da Saúde, Eduardo Pazuello, utilizar o espaço para rebater as críticas sobre as divergências de dados do coronavírus pela pasta nos últimos dias.

“Desde lá atrás eu dizia que as medidas para combater o vírus não poderiam fazer com que o efeito colateral deve ser maior, na economia”, continuou. “Isso pode mudar rapidamente as medidas preventivas, de restrição, de isolamento, de confinamento, determinados pelos governadores e prefeitos”, completou.

Segundo Bolsonaro, a interpretação equivocada que ele teve da declaração da OMS sobre os casos de pacientes Covid-19 sem sintomas “deve” fazer os prefeitos e governadores mudarem de opinião e flexibilizarem o isolamento social, com “a volta à normalidade”, que segundo ele, “é o que todo mundo quer”.

Nas suas falas, Bolsonaro quis “deixar bem claro” que as medidas determinadas no Brasil de restrição de locomoção, que ao contrário do que sustenta, são ainda a forma mais eficaz de combate ao coronavírus segundo a própria OMS, não foram uma decisão do governo federal. “Afinal, quem decidiu não fomos nós, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. Nós ficamos somente relegados de dispensar recursos para estados e municípios”.

 

 

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