Andy Burnham assumiu oficialmente nesta segunda-feira (20) o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, sucedendo Keir Starmer, que formalizou sua renúncia após enfrentar meses de desgaste político e econômico. Em seu primeiro pronunciamento à frente do governo, Burnham prometeu implementar uma “nova economia” para enfrentar a inflação elevada e a crise do custo de vida que afeta o país.
A cerimônia de posse ocorreu após Starmer entregar formalmente o cargo e apresentar sua renúncia ao rei Charles III, em audiência realizada no Palácio de Buckingham. Como o Partido Trabalhista permanece no poder, a legenda indicou Burnham para assumir o governo sem necessidade de convocação de novas eleições.
Medidas imediatas
Ao chegar à residência oficial do governo, no número 10 da Downing Street, em Londres, Burnham afirmou que pretende anunciar ainda nesta semana um pacote de ações para aliviar o impacto do aumento do custo de vida sobre a população.
Segundo ele, o governo também apresentará, ainda este ano, um plano estratégico de desenvolvimento para a próxima década. “A Grã-Bretanha precisa mostrar ao mundo que pode recuperar sua estabilidade”, afirmou. “Não temos sido bons o suficiente e precisamos melhorar.”
Antes mesmo de assumir o cargo, Burnham já havia defendido maior intervenção do Estado no controle dos preços de produtos essenciais como forma de combater a inflação. Para ele, ampliar o controle público sobre esses setores pode ajudar a conter a escalada dos preços.
Prioridades
O novo primeiro-ministro também destacou que pretende governar para todas as regiões do Reino Unido, prometendo reduzir desigualdades entre diferentes partes do país.
Entre as prioridades anunciadas estão políticas para ampliar a inserção de jovens no mercado de trabalho, reformular o sistema educacional e fortalecer o atendimento em saúde mental.
Segundo Burnham, essas medidas poderão reduzir, no longo prazo, os gastos com assistência social sem comprometer as metas fiscais do governo e os compromissos internacionais assumidos pelo Reino Unido.
Mudança
Antes de deixar Downing Street, Keir Starmer fez um pronunciamento em que agradeceu pelo período em que comandou o governo britânico. “Saio com elegância, com um sorriso e orgulhoso de tudo o que conquistamos”, declarou.
O ex-primeiro-ministro também manifestou apoio ao sucessor e defendeu a unidade do Partido Trabalhista. “Desejo a ele todo o sucesso e tem meu total apoio”, afirmou.
Após o discurso, Starmer participou da tradicional audiência com o rei Charles III para oficializar sua saída do cargo.
Troca de comando
A mudança no governo ocorre após um período de forte desgaste da gestão de Keir Starmer. Embora tenha chegado ao poder com ampla maioria parlamentar, o premiê enfrentou dificuldades para impulsionar a economia britânica, que permaneceu estagnada durante seu mandato.
O governo também sofreu críticas por medidas como cortes em benefícios sociais destinados a idosos e aumento de impostos, além de enfrentar sucessivas crises de imagem.
Entre elas estiveram denúncias de que integrantes do governo aceitaram presentes de doadores do Partido Trabalhista, incluindo roupas de luxo, ingressos para shows e eventos esportivos, ainda que as doações estivessem dentro das normas parlamentares.
Outro episódio que abalou o governo foi a renúncia do chefe de gabinete após a indicação do diplomata Peter Mandelson para a embaixada britânica nos Estados Unidos, apesar de seus vínculos conhecidos com Jeffrey Epstein.
O cenário se agravou após as eleições regionais de maio, quando o Partido Trabalhista sofreu perdas expressivas em parlamentos locais. Pesquisas de opinião também apontaram forte queda na aprovação do governo, aumentando a pressão interna pela saída de Starmer.
Depois de cerca de 23 meses no cargo, o então premiê anunciou sua renúncia no fim de junho. Na última sexta-feira (17), Burnham foi confirmado como novo líder do Partido Trabalhista, tornando-se automaticamente o nome escolhido para chefiar o governo britânico.
No sistema político do Reino Unido, o primeiro-ministro não é eleito diretamente pela população. O cargo é ocupado, tradicionalmente, pelo líder do partido que detém a maioria na Câmara dos Comuns, atualmente o Partido Trabalhista.
*Com informações do g1.
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